junho 29, 2017

*** SPENCER TRACY – MEU ATOR FAVORITO



Apelidos: Spence, Pops.
Altura: 1.77 m


Admiro SPENCER TRACY (1900 - 1967) como intérprete e também gosto de sua figura: rosto forte, olhos inteligentes e voz áspera. O público amava seus vários personagens de ar bonachão. Os colegas o consideravam o melhor de todos. A divina Katharine Hepburn o amou como somente se ama no cinema. No entanto, este excelente ator tinha seu lado sombrio e torturado: alcoólatra, mal humorado e mulherengo. Foi uma das maiores estrelas de Hollywood, uma das figuras mais icônicas da “Idade de Ouro” do cinema clássico norte-americano, e um dos atores mais populares globalmente. 

Ele interpretou personagens que ficaram no imaginário popular e que ainda se fazem sentir, muito por “culpa” da energia e do toque especial que o atribuía a cada papel que desempenhava, uma característica que a ele ficou associada do primeiro ao último filme em que participou. As figuras inteligentes e psicologicamente complexas a que deu vida, em 37 anos de trabalho na indústria cinematográfica que resultaram em 75 filmes, são cativantes e inigualáveis, tal como o excepcional talento do artista.

clark gable e tracy em “san francisco”
Teve uma carreira plena. Respeitado pelos companheiros de profissão, tinha o carinho de um público que pouco sabia de sua faceta menos amável, a da personalidade difícil, do alcoolismo e da coleção de amantes jovens. Não foi casual que dois sacerdotes, o padre Tim Mullin de “San Francisco - A Cidade do Pecado / San Francisco” (1936) e o carismático Padre Flanagan de “Com os Braços Abertos / Boys Town” (1938) e de sua sequência “Somos Todos Irmãos / Men of Boys Town” (1941), ambos de Norman Taurog, foram responsáveis pelo salto ao topo de Hollywood. Esses papéis de cura e, também, do bondoso marinheiro português, mentor de um garoto mimado, no magnífico “Marujo Intrépido”, criaram no imaginário coletivo um perfil fantasioso de SPENCER TRACY, que não correspondia exatamente aos seus méritos de vida.

Na década de 1930 já falava-se do hábito que tinha de beber, mas nem todos sabiam sobre seus outros problemas: um católico que não acreditava em divórcio, um marido que não amava mais a mulher – porém, era a pessoa a quem ele mais respeitava -, um pai com dificuldades em aceitar a deficiência do filho surdo-mudo e um ator preso pela ganância dos estúdios. Após os 40 anos passou a ter sérios problemas de saúde causados pela bebida. Suas crises de bebedeira geravam melancolia e mal humor. Nem Kate Hepburn escapava do sarcasmo. Mesmo assim, ficavam juntos todo o tempo possível. Adoravam pintar juntos. 


tracy e bette davis 
na cerimônia do oscar
Dele se recorda, acima de qualquer coisa, desse romance extramatrimonial, que durou mais de 20 anos e as crônicas informativas da época protegiam. SPENCER TRACY manteve seu conturbado casamento, mas sua consciência religiosa não evitou que pulasse de cama em cama. Entre suas conquistas, contam-se celebridades como Myrna Loy, Loretta Young, Ingrid Bergman, Lana Turner, Gene Tierney e Grace Kelly. Também já foi escrito sobre seu perfil homossexual, relacionando-se com o jovem John Derek e outros aspirantes na Meca do cinema.

Ao mesmo tempo, eram conhecidas suas reclusões em quartos de hotel, carregado de garrafas de uísque, que consumia durante dias até perder os sentidos. Dizem que era torturado por uma realidade familiar que detestava. “Ninguém bebia, brigava, nem criava mais problemas que o jovem Spencer”, afirmou o produtor-cineasta Stanley Kramer, que o dirigiu em quatro ocasiões. SPENCER TRACY nasceu a 5 de abril de 1900 em Milwaukee, no Wisconsin. Passou sete anos da sua carreira pisando nos palcos teatrais, trabalhando com diversas companhias e fazendo sucesso na Broadway. Graças ao teatro chegou ao cinema: em 1930, o papel principal que interpretou na peça “The Last Mile”, de John Wexley, que teve quase trezentas representações, surpreendeu as audiências e chamou a atenção dos estúdios de Hollywood.

Nos seus primeiros anos, ele filmaria sem parar na Fox, firmando um nome ainda sem estrelato. Os filmes dessa época mostram sua pior face, herança do caráter tipicamente irlandês e de uma infância difícil curtida em mil e uma brigas de rua. Não se sabe exatamente a razão dele deixar o estúdio que deu sua primeira oportunidade, talvez a confusão provocada no set de “A Nave de Satã / Dante's Inferno” (1935) com o vingativo produtor Darryl F. Zanuck. No primeiro filme que interpretou, “Rio Acima / Up in the River” (1930), realizado por John Ford, teve outro ator lendário fazendo sua estreia: Humphrey Bogart. Contudo, esta primeira aparição foi inglória para ele e a fama não chegou tão depressa. Continuou desconhecido do público por mais vinte e cinco obras cinematográficas.

george o`brien e tracy em 1930
As coisas começaram a mudar, ao menos profissionalmente, ao ser contratado pela Metro-Goldwyn-Mayer. Foi o parceiro perfeito para Clark Gable (filmariam também os ótimos “Piloto de Provas” e “Fruto Proibido”) no sucesso “San Francisco – A Cidade do Pecado”, drama que deu a primeira de suas noves indicações ao Oscar. Brilhou na comédia “Casado com a Minha Noiva / Libeled Lady” (1936), com William Powell, Jean Harlow e Myrna Loy. Dois Oscar consecutivos, por “Com os Braços Abertos” e “Marujo Intrépido”, o levaram ao topo máximo merecido. Na Metro, o estúdio com mais prestígio na ocasião, a sua carreira floresceu e protagonizou uma série de filmes que obtiveram sucesso. Um deles foi a obra-prima “Fúria”. Realizado por Fritz Lang, é uma história de injustiça e vingança em que o ator oferece numa das suas mais poderosas performances, como Joe Wilson, homem inocente que é preso por um crime de rapto que não cometeu, destruindo sua vida pacata e correta.

Em 1923, ele casou-se com Louise Treadwell, tendo com ela dois filhos, John e Louise.  Em 1941, iniciou um relacionamento amoroso com Katharine Hepburn, o qual durou até sua morte.  Embora separado de sua esposa, ele nunca se divorciou dela e era figurinha fácil nos lugares da moda, sempre acompanhado de atrizes jovens e bonitas. A esposa desistiu da carreira de atriz definitivamente quando o filho de 10 meses foi declarado surdo. Desde então dedicou sua vida a ensinar o filho, e posteriormente outras mães e crianças, a formar sons, a ler e finalmente falar. 
spencer tracy e katharine hepburn
O ator sentia-se terrivelmente culpado e considerava mérito total da esposa o fato do filho poder frequentar uma escola. Em 1941, Louise conseguiu fundar a Clinica John Tracy. Ela entendia a frustração de SPENCER TRACY, sempre o apoiando e não o recriminando quando chegava em casa bêbado, vindo dos braços de outra ou as duas coisas. Ele não se perdoava por não conseguir comunicar-se com o filho e nem perdoava sua fraqueza pela bebida. Os fofoqueiros de Hollywood tinham tanto respeito pelo trabalho social dela que evitavam divulgar qualquer coisa ruim. O casamento era só no papel e o fato do ator se recusar a divorciar-se trazia certa simpatia.

Quando George Stevens o convidou para compartir protagonismo com Katherine Hepburn em “A Mulher do Dia”, a história de Hollywood mudou para sempre. Não somente pelo que aconteceu além das filmagens. Fundamentalmente pela química que tinham. A dupla funcionou tão bem, tanto em termos artísticos como lucrativos, que os dois atores voltaram a juntar-se no cinema por mais oito ocasiões. A forma mágica e sempre divertida com que contracenam um com o outro originou filmes que ficaram na história. Conta a lenda que, em seu primeiro encontro com Tracy, apresentada pelo diretor e roteirista Joseph L. Mankiewicz, Hepburn disse: “Tenho a impressão que sou um pouco alta para o senhor, senhor Tracy”. Spencer respondeu: “Não se preocupe, senhorita Hepburn. Eu a reduzirei ao meu tamanho”. Continuou para a vida a dúvida sobre quem disse essa última frase, pois os três presentes assumiram a autoria.

louise, a esposa de tracy
Dentre os títulos que fizeram juntos, destacam-se “A Costela de Adão”, um jogo cômico perfeito, cheio de réplicas e contrarréplicas, pura guerra dos sexos, e “Adivinhe Quem Vem Para Jantar / Guess Who's Coming to Dinner” (1967), de Stanley Kramer, amável narrativa em defesa dos direitos civis, que rodaram quando SPENCER TRACY já estava muito doente. Pouco depois da última cena gravada, em 10 de junho de 1967, faleceria vítima de um ataque cardíaco. Foi nomeado pela nona vez, postumamente, ao Oscar, por esta interpretação, que deu um ponto final a uma brilhante e extensa carreira, repleta de êxitos e de personagens inesquecíveis que influenciaram várias gerações de atores. É ainda uma das figuras mais queridas do cinema, e a sua obra merece ser descoberta pelos cinéfilos do século XXI. “O que assombra as interpretações de Spencer, que as faz únicas, é que ele não faz o menor esforço. Surgem como algo natural”, analisou Kate Hepburn.

“A Mulher do Dia” conta a história de Tess (Katharine Hepburn) e Sam (Spencer Tracy). Eles trabalham no mesmo jornal, mas não gostam um do outro. Repentinamente, se apaixonam e se casam! Só que Tess é uma das mulheres mais feministas do país, e ganhou o prêmio de “Mulher do Ano”, o que a deixa muito ocupada e, por causa disso, em crise com o marido. O filme foi um sucesso absoluto de público e critica. Antes das filmagens, a atriz tinha assistido todos os filmes de Tracy, conhecia as histórias sobre mulheres e bebidas, mas também sabia sobre o profissionalismo. Ele jamais aparecia embriagado ou incapaz de dar o melhor de si. Já o ator não conhecia o trabalho da colega, e pediu uma cópia de “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940). Depois comentou: “É uma danada de boa atriz”. Suspeitava de mulheres que vestiam calça, mas gostou do roteiro e concordou em filmar com Kate.

Quando a atriz começou a trabalhar em “A Mulher do Dia”, ela e George Stevens estavam saindo há seis meses e o fato de ter insistido para que ele fosse o diretor levantou muitas especulações. Logo no inicio das filmagens foi constatado a química entre Kate e Spencer. Stevens afastou-se e todos percebiam o que estava acontecendo. Mas a consideração que ele tinha pela esposa era inabalável. Se os dois fossem manter um relacionamento, esse seria clandestino. Quando as filmagens terminaram, os dois estavam extremamente apaixonados. SPENCER TRACY até parou de beber por um tempo.

Ele continuaria a obter êxitos e aclamações durante os anos 1940 e nos anos 1950. Em 1955, um ano antes de sair da M-G-M, protagoniza um dos filmes mais conhecidos entre os que fez no estúdio, e com o qual arrecadou a sua quinta nomeação da Academia: “A Conspiração do Silêncio”. Realizado por John Sturges, é um thriller sobre um forasteiro que chega a uma pequena cidade escondida nos EUA, onde descobre a existência de um segredo que é comum a todos os habitantes, o de um crime de que todos têm conhecimento, mas cujas circunstâncias e culpados guardam silenciosamente entre si, com medo das consequências que a revelação dos fatos possam ter naquela aparentemente pacífica comunidade.

A partir de 1956, ao ganhar a “independência”, fez outros tipos de trabalhos cinematográficos, e apesar de ter sofrido algumas experiências menos positivas, no final desta década deixou mais dois papéis memoráveis, ambos de 1958. O protagonista da adaptação de “O Velho e o Mar / The Old Man and the Sea”, de Ernest Hemingway, num filme assinado por John Sturges e co-dirigido por Henry King e Fred Zinnemann, em interpretação que lhe valeu nomeação ao Oscar. E dirigido novamente por John Ford no drama político “O Último Hurrah”, sobre os bastidores de uma eleição numa cidadezinha, onde o prefeito Frank Skeffington (interpretado pelo ator) concorre pela última vez ao cargo que desempenhou durante vários mandatos.

nos anos 50, tracy e grace kelly
A saúde do ator começou a deteriorar-se nos primeiros anos da década de 1960, e apesar de rejeitar alguns papéis que poderiam ter sido marcantes na sua filmografia (“Horas de Desespero /  Desperate Hours”, de Wyler, 1955; “A Casa das Amarguras / Ten North Frederick”, 1958; “Longa Viagem Dentro da Noite / Long Day's Journey Into Night”, de Sidney Lumet, 1962, com Katharine Hepburn; “O Leopardo / Il Gattopardo”, de Luchino Visconti, 1963; “Crepúsculo de Uma Raça / Cheyenne Autumn”, de John Ford, 1964; “A Mesa do Diabo / The Cincinnati Kid”, de Norman Jewison, 1965), continuou brilhando em fitas de Stanley Kramer. Em 1961 foi a vez de “Julgamento em Nuremberg”, que a Academia também o distinguiu na sua lista de nomeados, brilhando como um dos juízes que integrou os processos de condenação de vários dos envolvidos num dos maiores crimes que a humanidade conheceu: o holocausto.

O seu estado piorou cada vez mais, o que fez com que se afastasse dos filmes durante algum tempo e cancelasse participações em vários projetos, voltando apenas em 1967 para a sua quarta colaboração com Kramer, naquela que foi a sua última interpretação e a derradeira vez em que contracenou com a companheira de longa data: “Adivinhe Quem Vem Jantar”. Os 25 anos que separam seu primeiro e último filme com Katharine Hepburn, mostram o ator em plena madureza interpretativa, legando atuações impecáveis em “O Papai da Noiva” e sua sequência, “O Netinho do Papai / Father's Little Dividend” (1951), e “A Lança Partida”.

Ator formidável, SPENCER TRACY é daqueles que relativam a importância da profissão: “Por que os atores acreditam que são tão malditamente importantes? Não somos. Atuar não é um trabalho importante no sistema das coisas. O encanador sim, faz um trabalho importante. A nossa não é uma profissão muito exigente. Não precisa muito cérebro. Tampouco é o trabalho mais nobre do mundo, mas há coisas mais baixas que atuar. Não muitas, talvez a classe política seja mais baixa”, declarou em uma entrevista.

FONTE
“Fotogramas-Spencer” (2017), de Àlex Montoya; “Spencer Tracy: a Biografia” (1969), de Larry Swindel; “Spencer Tracy: Uma Biografia” (2011), de Leonard Maltin; “Spencer Tracy: a Vida” (2011), de James Curtis; e “Spencer Tracy - Hollywood's Favorite Actor” (2011), de Jeanine Basinger;


dr. jekyll e mr. hyde
em “o médico e o monstro”

SPENCER em 18 FILMES
(por ordem de preferência)

01
FÚRIA
 (Fury, 1936)

direção de Fritz Lang
com: Sylvia Sidney, Bruce Cabot e Walter Brennan

02
JULGAMENTO EM NUREMBERG
(Judgment at Nuremberg, 1961)

direção de Stanley Kramer
com: Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich,
Maximilian Schell, Judy Garland e Montgomery Clift

03
BANDEIRANTES DO NORTE
 ('Northwest Passage' (Book I -- Rogers' Rangers), 1940)

direção de King Vidor
com: Robert Young, Walter Brennan, Ruth Hussey          

04
FRUTO PROIBIDO
(Boom Town, 1940)

direção de Jack Conway
com: Clark Gable, Claudette Colbert, Hedy Lamarr
e Frank Morgan

05
DOIS NO CÉU
(A Guy Named Joe, 1943)

direção de Victor Fleming
com: Irene Dunne, Van Johnson, Ward Bond,       
James Gleason, Lionel Barrymore e Esther Williams

06
A LANÇA PARTIDA
(Broken Lance, 1954)

direção de Edward Dmytryk
com: Robert Wagner, Jean Peters, Richard Widmark,
Katy Jurado e E.G. Marshall

07
CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO
 (Bad Day at Black Rock, 1955)

direção de John Sturges
com: Robert Ryan, Anne Francis, Dean Jagger,      
Walter Brennan, John Ericson, Ernest Borgnine
e Lee Marvin

08
TRINTA SEGUNDOS SOBRE TÓQUIO
 (Thirty Seconds Over Tokyo, 1944)

direção de Mervyn LeRoy
com: Van Johnson, Robert Walker, Phyllis Thaxter,
Stephen McNally e Robert Mitchum

09
A SÉTIMA CRUZ
 (The Seventh Cross, 1944)

direção de Fred Zinnemann
com: Signe Hasso, Hume Crony, Jessica Tandy
e Agnes Moorehead

10
A COSTELA DE ADÃO
 (Adam's Rib, 1949)

direção de George Cukor
com: Katharine Hepburn, Judy Holliday, Tom Ewell,        
David Wayne, Jean Hagen e Hope Emerson

11
20.000 ANOS EM SING SING
(20,000 Years in Sing Sing, 1932)

direção de Michael Curtiz
com: Bette Davis e Louis Calhern

12
O PAPAI DA NOIVA
(Father of the Bride, 1950)

direção de Vincente Minnelli
com: Joan Bennett e Elizabeth Taylor

13
O ÚLTIMO HURRAH
 (The Last Hurrah, 1958)

direção de John Ford
com: Jeffrey Hunter, Dianne Foster, Pat O'Brien,
Basil Rathbone, Donald Crisp, James Gleason         
e Ricardo Cortez

14
O MÉDICO E O MONSTRO
(Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1941)

direção de Victor Fleming
com: Ingrid Bergman, Lana Turner, Donald Crisp
e C. Aubrey Smith

15
MARUJO INTRÉPIDO
(Captains Courageous, 1937)

direção de Victor Fleming
com: Freddie Bartholomew, Lionel Barrymore e Melvyn Douglas

16
A MULHER DO DIA
 (Woman of the Year, 1942)

direção de George Stevens
com: Katharine Hepburn, Fay Bainter e Reginald Owen

17
A UM PASSO DO FIM
(The People Against O'Hara, 1951)

direção de John Sturges
com: Pat O'Brien, Diana Lynn, John Hodiak,
Eduardo Ciannelli e James Arness

18
PILOTO DE PROVAS
(Test Pilot, 1938)

direção de Victor Fleming
com: Clark Gable, Myrna Loy, Lionel Barrymore
 e Marjorie Main

GALERIA de FOTOS
 
 
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