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abril 16, 2015

**** ESCÂNDALOS na BABILÔNIA de CELULÓIDE

Sexo, drogas e morte. Em Hollywood, essas histórias não estão apenas em filmes. O lado negro da indústria do entretenimento se estende em vidas destruídas e carreiras comprometidas. No best-seller “Hollywood Babylon: It's Back” (literamente, “Hollywood Babilônia: Ela Está de Volta”, 2008), de Danforth Prince e Darwin Porter, que segue os passos de “Hollywood Babylon, de Kenneth Anger - publicado em 1959 -, e de sua continuação “Hollywood Babylon II”, de 1984, os autores dissecam estrelas de cinema, revelando fatos sórdidos, loucuras sexuais, bizarrices e imagens de nus frontais. Entre dezenas de revelações, cita Lucille Ball (que se prostituia antes de se tornar atriz), Elvis Presley (seu romance com o ator Nick “Yuma” Adams), James Dean (o envolvimento amoroso com um adolescente de 12 anos), Bette Davis (o assassinato suspeito de um dos seus maridos) e Judy Garland (o destino incerto do seu corpo pós-morte).

Tenho os dois volumes da obra de Anger, numa simpática edição espanhola. Ex-ator infantil, ícone underground, nascido em Hollywood, filho de atores e criado no meio artístico, ele rasga o véu que cobre certas histórias de celebridades, ilustradas quase sempre por fotos raras. Sobra até para a nossa Carmen Miranda, que segundo o autor guardava cocaína na plataforma dos sapatos. Um cult na biblioteca de cinéfilos, o livro abalou a puritana e dissimulada indústria cinematográfica norte-americana, foi perseguido e reeditado ao longo dos anos. Odiada por artistas e seus descendentes, mas adorada pelo público, a publicação em dois volumes decepciona na informação sem dados concretos e escrita fragmentada.

Reuni alguns fatos extravagantes da comunidade cinematográfica hollywoodiana, pescados nos livros de Prince-Porter e Anger, e também em diversas biografias, revistas especializadas, documentários e entrevistas. Confira.


GARRAFA MORTAL

O hilário gorducho ROSCOE “FATTY” ARBUCKLE (1887 - 1933) alcançou o sucesso através do produtor-diretor Mack Sennet, numa carreira marcada por êxitos espetaculares. Conhecido no Brasil como Chico Bóia, na vida privada se entregou a quantidades absurdas de álcool e amantes. No auge da popularidade, em 1921, numa orgia em uma suíte de um hotel luxuoso em San Francisco, o comediante provocou a morte de Virginia Rappe, introduzindo brutalmente uma garrafa de champanhe na vagina da aspirante a atriz, revoltado por não conseguir uma ereção. O julgamento foi um impressionante evento midiático. Mesmo se livrando das grades, nunca mais voltou a atuar. Abandonado por todos e falido, terminou na sarjeta, embriagado, morrendo aos 46 anos.


OVERDOSE

o velório da estrela
Uma das mais fascinantes estrelas do cinema mudo, BARBARA LAMARR (1896 - 1926) dormia apenas duas horas por dia, reinando incansavelmente em festas e nas telas. Viciada em cocaína e heroína, ela guardava seu pó em uma pequena caixa de ouro em cima do piano de cauda e o ópio que usava era considerado da melhor qualidade. Recomendada pela amiga Mary Pickford, brilhou como a Milady de Winter de “Os Três Mosqueteiros / The Three Musketeers” (1921), ao lado do astro Douglas Fairbanks. 

Casou-se aos 17 anos, e nos 12 anos seguintes se casaria outras quatro vezes, sem deixar de ter outros incontáveis parceiros sexuais, tanto homens como mulheres incapazes de resistir aos seus encantos. Morreu aos 26 anos de uma overdose e a história se tornou pública, provocando a ira dos conservadores e reforçando a fama de Hollywood como “a cidade do pecado”, afinal três anos antes, o encantador galã WALLACE REID (1891 - 1923), rei da Paramount, também havia morrido de overdose, aos 30 anos.


SUSPEITA de ASSASSINATO

Considerada por muitos a melhor comediante do cinema mudo, MABEL NORMAND (1892 - 1930) arruinou-se ao ser envolvida em 1922 no assassinato de William Desmond Taylor, o chefão da Famous Players-Lasky. Avisada do crime antes da polícia, a atriz correu até a casa do falecido para resgatar cartas que registravam seu vício em cocaína, além de expor a secreta relação sentimental deles. Flagrada pela polícia revistando o lugar, passou a ser considerada suspeita. O crime permaneceu insolúvel, mas sua carreira se acabou. Em 1927 abandonou o cinema e três anos depois, enfraquecida com o uso excessivo de drogas, morreu de tuberculose.


SEDUZINDO MARINHEIROS

Popular e elegante astro romântico da Metro-Goldwyn-Mayer, WILLIAM HAINES (1900 - 1973) contracenou com Joan Crawford, Mae Murray, Marion Davies, Norma Shearer e Mary Pickford. Muitos na comunidade cinematográfica sabiam de sua homossexualidade, mas o chefão Louis B. Mayer vivia à beira de um ataque de nervos com a possibilidade dos deslizes do ator parar nas páginas dos jornais. Quando a conservadora Brigada do Vício flagrou-o num sórdido hotel com um marinheiro, sua carreira chegou ao fim. Para piorar a situação, em 1936, membros da Ku Klux Klan o espancaram. Graças a amigos como Joan Crawford, Carole Lombard, Gloria Swanson e George Cukor, o ator deu a volta por cima, sendo celebrado como um dos mais disputados decoradores de Hollywood.


HOMENS aos MONTES

Conhecida como a It-Girl (a garota que tinha “aquilo”), a ruiva CLARA BOW (1905 - 1965) era uma sedutora estrela da Paramount conhecida em todo o planeta. De repente, tudo se acabou em 1930 quando sua secretária particular, Daisy DeVoe, vendeu sua intimidade para uma revista de fofocas nova-iorquina, a GraphiC”. Ela havia anotado todos os homens que haviam dormido com a patroa nos quatro anos em que trabalhou para ela. Entre eles, Gary Cooper, John Wayne e um time completo de futebol norte-americano. O caso parou nos tribunais e consideraram a secretária culpada, mas a carreira da atriz afundou de vez: o estúdio não renovou seu contrato e o público a rejeitou. Nos anos seguintes, internada várias vezes em sanatórios, morreu louca.


ORGASMO nas TELAS

O filme Êxtase / Ecstasy (1933) provocou um grande escândalo no seu lançamento. A atriz austríaca HEDY LAMARR (1914 - 2000) fica nua, corre entre árvores e mergulha num rio. Depois, há uma simulação de masturbação. Tudo de muito longe. Dura apenas poucos minutos, mas um comitê do governo norte-americano se escandalizou. A fita saiu de cartaz. Também por causa do buxixo mundial, Hedy foi espancada pelo marido, um milionário fabricante de armas, que gastou mais de 300 mil dólares para incinerar as cópias disponíveis do filme. Disfarçada com as roupas da empregada, ela fugiu para Paris e depois para os Estados Unidos, tornando-se uma das mais famosas estrelas da Metro-Goldwyn-Mayer.

DIÁRIO ERÓTICO

Ainda novinha se destacou em “O Belo Brummel / Beau Brummel” (1924), ao lado de John Barrymore, então seu amante. MARY ASTOR (1906 - 1987) nunca mais parou, seja como heroína ou como vilã. Em 1935, seu então marido descobriu casualmente o diário onde ela confessava com detalhes que o traía com o dramaturgo George S. Kaufman, exaltando a potência sexual do amante. Humilhado, ele pediu o divórcio e a custódia da filha única. O juiz responsável pelo caso recusou o diário como prova, mas a imprensa reproduziu trechos picantes do mesmo. O escândalo correu mundo, mas a atriz seguiu adiante, enfrentando piadinhas, ganhando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por A Grande Mentira / The Great Lie e atuando por mais três décadas.


FILHA ILEGÍTIMA

Escolhidos para a versão cinematográfica de William A. Wellman da saga de Jack London, "O Grito das Selvas / The Call of the Wild” (1935), a química entre CLARK GABLE (1901 - 1960) e LORETTA YOUNG (1912 - 2000) resultou ardente tanto nas telas como fora delas. Durante as filmagens, saíram notas na imprensa bisbilhotando o romance dos astros e garantindo que Gable pediria o divórcio de sua esposa para se casar com Loretta. Isso não ocorreu. Assim que o filme ficou pronto, a 20th Century-Fox anunciou que a atriz tiraria meses de descanso por questões de saúde. Naquela época, dar a luz fora do matrimônio era a ruína para qualquer estrela. Em 1937, Loretta revelou publicamente a adoção de uma menina de cerca de dois anos, Judy, que no futuro teria inegável semelhança física com a mãe. No entanto, a atriz nunca a assumiu como filha legítima, tampouco de Gable.


DECLÍNIO, ALCOOLISMO e MORTE

Astro de muita popularidade na era do cinema mudo, JOHN GILBERT (1897 – 1936) entrou em declínio ao desafiar o chefe da Metro-Goldwyn-Mayer, Louis B. Mayer, ofendendo-o e exigindo salário mais elevado. Demitido do estúdio e boicotado pelo produtor, ainda fez mais um filme na Columbia Pictures antes de morrer, aos 38 anos, de um ataque cardíaco causado pelo alcoolismo. O ator decadente Norman Maine (Fredric March) de “Nasce Uma Estrela / A Star is Born” (1937) foi inspirado nele.


DEVORADA MORTA

Depois de esplêndida reputação como uma das vamps mais populares do cinema mudo, MARIE PREVOST (1898 - 1937) fracassou no cinema falado devido a voz inadequada. Sobrevivendo como coadjuvante e dominada pela depressão, engordou rapidamente. Ao investir em um regime radical, em 1937, terminou morrendo. Sozinha, seu cadáver permaneceu esquecido por vários dias no sujo apartamento em que ela vivia, sendo devorado, em parte, aos pedaços, por um esfomeado cachorro salsicha de estimação.



APENAS BONS AMIGOS?

Boatos sugeriam que CARY GRANT (1904 – 1986) teria um romance com RANDOLPH SCOTT (1898 – 1987). Os dois moravam juntos e insistiam em não se casar. Pressionados por todos, acabaram se casando com duas amigas. Segundo algumas revistas de fofocas, eles chegaram a assumir o romance para os mais íntimos.


DUAS GAROTAS da PESADA

Acusado de estupro em 1942, ERROL FLYNN (1909 - 1959) na ocasião era uma das figuras mais estimadas de Hollywood. As supostas vítimas, duas menores, Peggy Satterlee e Betty Hansen, garantiram que foram levadas pelo ator ao seu iate, o Sirocco, após conhecê-lo numa festa, e se deixaram seduzir. Os jornais de todo o mundo estamparam na primeira página: “Robin Hood acusado de estupro”.  O disputado julgamento durou um certo tempo, mas o ator foi inocentado e o seu filme seguinte, “O Ídolo do Público / Gentleman Jim”, foi um tremendo sucesso.


RITUAL SUICIDA

Formosa mexicana que brilhou em Hollywood, a passional LUPE VELEZ (1908 - 1944) casou-se com o Tarzan Johnny Weissmuller em 1933. Em decadência e endividada, filmou no México “Naná” (1944), que foi bem recebido pela crítica. De volta a Hollywood, teve um caso com um cafajeste bonitão, Harald Ramond, ficando grávida. Ele pouco se importou, garantindo que não se casaria com ela. A atriz se negou a abortar e incapaz de encarar a vergonha de dar a luz a um filho ilegítimo, decidiu por fim a própria vida. Vestida sofisticadamente, recebeu suas duas melhores amigas para um suntuoso jantar mexicano. No final da noite, sozinha na alcova com velas e flores exóticas, engoliu muitas pílulas para dormir, passando mal - o estômago estava cheio de comida picante - e terminando por morrer com a cabeça enfiada no vaso sanitário, afogada no próprio vômito.


A CARREIRA ou o AMOR

Contratado pela 20th Century-Fox, WILLIAM EYTHE (1918 - 1957) cresceu em filmes com Jennifer Jones, Joan Bennett, Linda Darnell e Jeanne Crain. A máquina publicitária do estúdio insistia que o jovem ator estava namorando uma das estrelas mais quentes da temporada, Anne Baxter, mas na vida real ele era gay e amava um colega muito popular na época, LON McCALLISTER (1923 - 2005). Quando um fã publicou fotos comprometedoras dos dois, o presidente da Fox, Darryl F. Zanuck, furioso, obrigou-o a trabalhar um tempo na Inglaterra enquanto os comentários esfriavam.

McCallister não se conteve, indo ao encontro do amante e selando o fim da carreira de ambos, que tiveram seus contratos cancelados. Eythe procurou mudar a situação, casando-se rapidamente com a atriz Buff Cobb, mas o matrimônio arranjado durou pouco e acabou feio: a esposa exigiu dinheiro para fechar a boca. Ele nunca mais se reergueu, morrendo em 1957, de hepatite, aos 38 anos.


BAD BOY

saindo da prisão
Talento, carisma e estilo cínico e indolente fizeram de ROBERT MITCHUM (1917 - 1997) um dos grandes nomes de Hollywood. Encarnava nas telas desprezo pela autoridade e desrespeito aos bons costumes. Sempre com classe. Na adolescência, foi expulso da escola e viajou clandestinamente de trem pelo país. Aos 14, foi preso por vadiagem. Com seus olhos de ressaca, meio-sorriso irônico e voz grave e profunda, encarnou o anti-herói de inúmeros filmes noir. Em 1949, ficou 50 dias preso por uso de maconha e o escândalo, em vez de liquidar sua carreira, deu-lhe um novo impulso, tornando-o um astro. Apesar da bebida e das brigas, atuou em mais de 130 filmes e impôs respeito por seu talento e carisma. Uma vez Howard Hawks lhe disse: “Você é uma farsa. É um dos sujeitos que conheço que mais trabalham”. Mitchum respondeu: “Não espalhe”.


Os INFIÉIS

A grande diva italiana ANNA MAGNANI (1908 - 1973) estrelara “Roma, Cidade Aberta / Roma Città Aperta” (1945) e “O Amor / L'amore” (1948), ambos dirigidos pelo namorado ROBERTO ROSSELLINI (1906 - 1977), e esperava trabalhar com ele em seu filme seguinte, “Stromboli  / Idem” (1950). Contudo, uma mudança ocorreu após o cineasta receber uma inesperada carta da estrela INGRID BERGMAN (1915 - 1982) enaltecendo seu trabalho, e colocando-se a sua disposição como atriz. Os dois se encontram em Nova York, terminando no convite para ela protagonizar seu próximo filme. Casada com um dentista sueco, Ingrid cai de amores pelo cineasta durante as filmagens, então envolvido com a temperamental e ciumenta Anna. 

A italiana foi substituída pela estrela de Hollywood no coração de Rossellini, provocando um escândalo internacional envolvendo a igreja e os bastidores de “Stromboli”. Os produtores originais do projeto mantém Anna Magnani e iniciam um outro filme, “Vulcano / Volcano” (1950), com história semelhante. Rejeitada por Hollywood e fãs, perseguida pela imprensa, Ingrid estrelaria seis filmes (incompreendidos na época) do cineasta italiano e, juntos, tiveram três filhos, entre eles a atriz Isabella Rossellini. Em 1956, ela recebeu o perdão oficial de Hollywood com o seu segundo Oscar de Melhor Atriz por “Anastácia, a Princesa Esquecida / Anastasia” (1956).


CIÚMES e TIROS

Lembrada por magníficos filmes noir dirigidos por Fritz Lang e Jean Renoir, no início dos anos 1950 JOAN BENNETT (1910 - 1990) teve a imagem arranhada quando seu marido, o lendário produtor Walter Wanger, deu dois tiros no agente Jennings Lang, acreditando que ele estava tendo um caso com ela. A vítima se recuperou, mas Wanger não se livrou da prisão de quatro meses. Vivendo um momento de sua trajetória em que se especializara em donas de casas sensatas e abnegadas, a atriz sofreu um certo boicote, pois muitos acreditavam que ela era realmente infiel. Acho que eu atirei em mim mesma, disse ela na ocasião, continuando casada com o enciumado produtor até 1965.


BELEZA DESTRUÍDA

Sua vida barra pesada foi contada em livros, filme e peça de teatro. BARBARA PAYTON (1927 - 1967) aprendeu cedo que tinha um efeito fulminante sobre o sexo oposto. Aos 16 anos fugiu de casa com um namorado. Começou sua carreira como modelo, estreando no cinema em 1949. Belíssima e boa atriz, seduziu o super star James Cagney, que lhe ofereceu um inesperado salário de US $ 5.000 por semana para ela protagonizar ao seu lado o violento O Amanhã que não Virá Kiss Tomorrow Goodbye (1950). Elogiada pela crítica, tudo garantia que seria uma estrela. 

Estrelou o western Resistência Heroica Only the Valiant (1951) com Gregory Peck, surgindo um comentado romance com o ator (casado) durante as filmagens. O discreto Peck ficou louco por ela. Em 1951, o declínio da atriz era evidente, boicotada pelos poderosos de Hollywood que não aceitavam sua vida de festas, bebedeiras e relações com homens casados ou de reputação duvidosa. Ela casou-se quatro vezes e teve romances badalados com Howard Hughes, Bob Hope, Woody Strode, Guy Madison, George Raft, John Ireland e Steve Cochran. 

Em 1950, noivou o veterano ator FRANCHOT TONE (1905 – 1968), tendo ao mesmo tempo um caso com outro colega, TOM NEAL (1914 – 1972). Em 14 de setembro de 1951, Neal, um ex-boxeador, atacou fisicamente Tone no apartamento de Barbara, deixando-o em coma por 18 horas, rosto esmagado e nariz quebrado. O incidente rendeu uma grande publicidade. Eles se casaram, mas o divórcio veio em menos de um ano. Destruída emocionalmente com o fim precoce da carreira, enveredou no alcoolismo e drogas, abrindo caminho para vários conflitos com a lei, incluindo prisões por cheques sem fundos e, eventualmente, uma prisão na Sunset Boulevard por prostituição. Dormiu em bancos de ônibus e sofreu espancamentos regulares como prostituta. Após uma breve internação para se desintoxicar, voltou a viver com os pais alcoólatras, morrendo em 1967, aos 39 anos, totalmente esquecida.


REJEIÇÃO


AVA GARDNER (1922 – 1990) despertava tórridas paixões. Uma de suas vítimas foi FRANK SINATRA (1915 – 1998). Eles chegaram a ficar casados durante alguns anos, de 1951 a 1957, entre bebedeiras e cenas de ciúmes. Mesmo depois da separação, Sinatra continuava apaixonado. Tanto que pediu que a amiga Lauren Bacall entregasse um bolo de coco a Ava, que estava filmando em Roma. Ava ignorou o presente. Ao saber disso, Sinatra cortou os pulsos com uma gilete, mas sobreviveu. No final da vida, adoentada e com dificuldades financeiras, Ava recebeu todo o apoio necessário do ex-marido.


O MARIDO da MELHOR AMIGA

A união de DEBBIE REYNOLDS (1932) e EDDIE FISHER (1928 - 2010) foi considerada o casamento do ano, mas, dois anos depois, a coisa desandou. Eddie, era amigo de Mike Todd, segundo marido de ELIZABETH TAYLOR (1932 - 2011). Os dois casais eram vistos juntos frequentemente e, quando Todd morreu em um acidente, um ano após o casamento, Eddie não perdeu tempo e, ao consolar a viúva, acabou se envolvendo com ela. Como todo traído, Debbie foi a última a saber do relacionamento dos dois, uma vez que os jornais já davam pistas e nas festas, o comentário era geral. O escândalo apareceu em todos os noticiários e Liz passou a ser odiada por muita gente.


O GANGSTER

A super estrela de “A Caldeira do Diabo / Peyton Place”, LANA TURNER (1921 - 1995), apaixonou-se por um gangster sexy e notório gigolô, bem mais novo que ela, Johnny Stompanato. Constantemente agredida por ele e ameaçada de ter seu rosto desfigurado caso ela deixasse de o sustentar, vivia em pânico, bebendo como um cossaco para relaxar. Em 1958, a adolescente Cheryl Christina, depois de presenciar sua mãe ser surrada mais uma vez pelo bandido, o assassinou com uma faca de cozinha. Numa atuação impecável no tribunal, vestida lindamente de negro e com óculos escuros, a loura Lana chorou e quase desmaiou, resultando na absolvição da filha.

o cadáver de 
johnny stompanato




FOTOS COMPROMETEDORAS


ANNA KASHFI (1934) era conhecida como uma beldade de origem hindu. Atraído por mulheres exóticas, MARLON BRANDO (1924 – 2004) ficou louco por ela. Pouco depois do casamento, explodiu a bomba: um operário do País de Gales reconheceu nos jornais sua filha fugitiva. Brando pediu o divórcio, mesmo com ela grávida. No tribunal, exigindo uma alta soma de dinheiro, ela mostrou fotos comprometedoras do marido com o belo ator francês Christian Marquand. A carreira dela foi para o limbo, mas pelo resto da vida ganhou do ex-marido a quantia de meio milhão de dólares anuais.



MORTE BRUTAL

Foi um dos grandes latin lovers do cinema mudo. Em 1925, alcançou o seu maior sucesso como protagonista de “Ben-Hur / Idem”, causando grande sensação. Mas RAMON NOVARRO (1899 – 1968) não escondia sua homossexualidade, enlouquecendo a Metro-Goldwyn-Mayer, que exigiu um casamento de fachada. Como ele recusou a farsa, seu contrato não foi renovado. Em decadência, trabalhou em filmes de B e tentou sem êxito a sorte na Broadway. Na década de 1960, foi assassinado em sua casa por dois irmãos prostitutos. Depois de torturá-lo, eles asfixiaram-no e o degolaram com uma pequena faca, alem de saquear sua casa.


ASSASSINADA por ACIDENTE?

Estrela desde a década de 1950, NATALIE WOOD (1938 - 1981) foi casada duas vezes com o ator ROBERT WAGNER (1930), de 1957 a 1962, e de 1972 a 1981, num romance explorado durante anos pelas publicações de fofocas. Em 1981, aos 43 anos, ela, o marido e o ator CHRISTOPHER WALKEN (1943) - colega dela no filme “Projeto Brainstorm / Brainstorm” (lançado em 1983) - foram fazer um passeio de barco. Ela desapareceu numa noite e foi encontrada na manhã seguinte, afogada, e o bote salva vidas do barco estava próximo ao corpo da atriz. Sua morte foi considerada um acidente. 

Em 2011, o capitão do barco apareceu em um programa de TV falando que havia mentido no primeiro depoimento e que havia ouvido uma discussão violenta entre Natalie e um enciumado Robert. Isso reabriu a investigação sobre o caso. A necrópsia revelou que ela tinha hematomas e arranhões pelo corpo, incluindo pescoço e rosto, que ocorreram antes da queda. O atestado de óbito foi refeito, considerando que ela morreu por “afogamento e outros fatores indeterminados”. Nenhum dos dois atores comenta sobre o assunto e a causa da morte de Natalie continua sendo um mistério.


ACONTECEU em uma LOJA de LUXO

Surgindo para o mundo em filmes de Tim Burton, WINONA RYDER (1971) mostrou-se como um dos nomes mais promissores da nova geração de atrizes.  Concorreu duas vezes ao Oscar de Melhor Atriz, firmando sua reputação com público e crítica. Protagonizou grandes filmes, sendo dirigida por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen. Porém, em 2001, um escândalo abalou a sua carreira de forma quase irreversível. A atriz foi detida pela polícia, após ser flagrada roubando mais de seis mil dólares em itens de uma loja de luxo em Beverly Hills. Livrou-se das grades ao pagar uma fiança de trinta mil dólares, mas o dano causado pelo escândalo arruinou sua carreira. O seu nome, que outrora tinha força e representatividade, caiu em descrédito perante a indústria.

janeiro 10, 2012

******************************** SANGUE LATINO

CARMEN MIRANDA
(Portugal. 1909 - 1955)

Cantora e atriz luso-brasileira que trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Em 1939, às vésperas da Segunda Guerra, estrelou o espetáculo musical "Streets of Paris", em Boston, com êxito estrondoso de público e crítica. Entre 1942 e 1953 atuou em 13 filmes e nos mais importantes programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros norte-americanos. Em 1946, era a artista mais bem paga de Hollywood. Tornou-se dependente de barbitúricos, tanto estimulantes quanto calmantes, muitos tomados com álcool. Em 1955, após receber amigos em sua residência em Beverly Hills, beber e cantar algumas canções, faleceu fulminada por um colapso cardíaco. Tinha 46 anos.

Principais Filmes: “Uma Noite no Rio / That Night in Rio” (1941) e “Minha Secretária Brasileira / Springtime in the Rockies” (1942).

CARMEN SEVILLA
(Espanha. N. em 1930)

Cantora e atriz, estreou no teatro em 1943, aos 13 anos.  Começou no cinema em 1947, filmando entre a Espanha e o México com grande popularidade. Foi a Maria Madalena do famoso épico bíblico “O Rei dos Reis”, de Nicholas Ray, além de apresentar concorridos programas de tevê.

Principais Filmes: “Violetas Imperiais / Violetas Imperiales” (1952) e “O Rei dos Reis / King of Kings” (1961).

DOLORES DEL RIO
(México. 1904 - 1983)

Seus pais queriam transformá-la em freira, mas ela conseguiu fugir do convento aos 16 anos para se casar com o escritor Jaime Del Rio. Numa festa realizada na Cidade do México, foi vista pelo diretor norte-americano Edwin Carewe, que, fascinado, a convidou para filmar em Hollywood. Separada do marido mexicano, casou-se novamente em 1930 com o diretor de arte da M-G-M, Cedric Gibbons. Novamente divorciada em 1941, buscou consolo nos braços de Orson Welles. Insatisfeita com os rumos de sua carreira em Hollywood, voltou ao México, onde estrelou diversos sucessos. Foi dirigida por Raoul Walsh, Clarence Brown, King Vidor, William Dieterle, John Ford, Francesco Rosi e Don Siegel, entre outros.

Principais Filmes: “Ave do Paraíso / Bird of Paradise” (1932) e “Maria Candelária / Idem” (1944).

FLORINDA BOLKAN
(Brasil. N. em 1941)

Foi para a Itália em 1968, descoberta por Luchino Visconti. No seu primeiro filme, contracenou com o beatle Ringo Starr. Depois dele, fez mais de 40 filmes. Foi dirigida por Vittorio De Sica, Giuseppe Patroni Griffi e Elio Petri, ganhando três vezes o David di Donatello de Melhor Atriz, o Oscar do cinema italiano. Sensual, sofisticada e talentosa, fez séries de tevê de muito sucesso.

Principais Filmes: “Investigação de um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita / Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto” (1971) e “Amargo Despertar / Una Breve Vacanza” (1973).

KATY JURADO
(México. 1924 - 2002)

Excelente atriz, fez carreira em Hollywood, mas voltou para o México, onde continuou filmando. Venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e foi indicada ao Oscar. Casou-se com o ator Ernest Borgnine.

Principais Filmes: “Matar ou Morrer / High Noon” (1952) e “A Lança Partida / Broken Lance” (1954).

LIBERTAD LAMARQUE
(Argentina. 1908 - 2000)

Antes de se tornar a maior atriz do cinema argentino, já era a mais conhecida voz feminina do tango. Iniciou carreira no cinema mudo e estrelou o primeiro filme sonoro de seu país, em 1933. Reinou absoluta em sua terra e ao se exilar no México – resultado da bofetada que deu em Eva Duarte, futura Perõn e Primeira-Dama -, continuou em alta. Fez mais de sessenta filmes e aos 80 anos ainda protagonizava musicais na Broadway, México, Argentina e no Brasil.

Principais Filmes: “Grande Cassino / Gran Casino” (1947) e “Outra Primavera / Outra Primavera” (1950).

LUPE VELEZ
(México. 1908 - 1944)

Iniciou sua carreira como dançarina, ainda no México, antes de se mudar para os Estados Unidos, onde trabalhou em teatro de vaudeville. Em 1924 começou a atuar no cinema, protagonizando vários filmes. Tinha a fama de “latina temperamental”, mas o seu caráter incendiário atraía a atenção dos homens. Teve como amantes Charles Chaplin, Tom Mix e ainda um tórrido caso com Gary Cooper. Sua vida pessoal era frequentemente motivo de coberturas sensacionalistas pela mídia. Um turbulento casamento de cinco anos com Johnny Weissmuller, o Tarzan, foi motivo de muita especulação. Em 1944, cometeu suicídio.

Principais Filmes: Amor de Índio / The Squaw Man (1931) e “A Verdade Seminua / The Half Naked Truth” (1932).

MARÍA ELENA MÁRQUES
(México. 1926 - 2008)

Descoberta por um vizinho diretor de cinema, estreou nas telas aos 16 anos. Apareceu em mais de cinquenta filmes, em uma carreira de três décadas (aposentou-se no final dos anos 70), trabalhando ao lado de grandes nomes como Cantinflas, Arturo de Córdova e Pedro Armendáriz. Em Hollywood filmou com Clark Gable e John Derek.  

Principais Filmes: “A Pérola / La Perla” (1947) e “Assim São os Fortes / Across the Wide Missouri” (1951).

MARÍA FÉLIX
(México. 1914 - 2002)

Sua beleza e personalidade marcantes a levaram ao sucesso internacional e ao status de ícone. Uma das mais famosas estrelas de língua espanhola, estrelou filmes românticos no México, Espanha, Argentina, França e Itália durante muitas décadas. Nos anos 40 ter o seu nome no elenco era garantia de grandes bilheterias. Recusou trabalhar em muitos filmes hollywoodianos, mas em 1945 perdeu o papel de Pearl Chavez - em Duelo ao Sol / Duel in the Sun - para Jennifer Jones, embora ele tenha sido escrito com ela na cabeça. Filmou com Luis Buñuel e Jean Renoir. Colecionava jóias e suas roupas eram desenhadas pelos estilistas Christian Dior e Balenciaga. Belíssima, despertava intensas paixões e, até abandonar a carreira nos anos 70, casou-se cinco vezes, entre eles com o ator Jorge Negrete, o compositor Agustín Lara e o milionário francês Alex Berger. Quando este morreu em 1974, herdou sua fabulosa fortuna.

Principais Filmes: “Enamorada / Idem” (1946) e “French CanCan / Idem” (1954).

MARIA MONTEZ
(República Dominicana. 1912 - 1951)

Em dez anos de carreira, essa diva atuou em aventuras exóticas e populares na Universal. Sua imagem nas telas era sedutora, de cabelos vermelhos, vestida com roupas e jóias  espetaculares. Conhecida como A Rainha do Technicolor, participou de 26 filmes e se casou com o ator francês Jean-Pierre Aumont, mudando-se para a França, onde participou de alguns filmes. Também escreveu três livros, dois deles publicados. Faleceu em Paris, aos 39 anos, depois de aparentemente sofrer um ataque cardíaco e se afogar na banheira.

Principais Filmes: “Mulher Cobra / Cobra Woman” (1944) e “O Exilado / The Exile” (1947).

NORMA BENGELL
(Brasil. 1935 - 2013)

Depois de ser aplaudida como cantora e vedete, começou no cinema em 1959, ao lado de Oscarito. Uma das principais estrelas do Cinema Novo, protagonizou clássicos de Ruy Guerra, Walter Hugo Khoury e Domingos de Oliveira. Contratada pelo produtor Dino de Laurentiis, fez diversos longas na Itália e se casou com o ator italiano Gabriele Tinti. Estreou como diretora de longa-metragem em 1988. Seu mais recente filme como atriz, "Vagas Para Moças de Fino Trato", foi rodado em 1993.

Principais Filmes: “Os Cafajestes” (1962) e “Noite Vazia” (1964).

RITA MORENO
(Porto Rico, n. em 1931)

Dançarina desde criancinha, estreou na Broadway aos 13 anos. Ganhou logo no ano seguinte – em 1945 - o primeiro papel no cinema. Trabalhou em diversos gêneros, levando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1961. Recebeu também o Tony e o Emmy, os prêmios máximos do teatro e tevê norte-americanos.

Principais Filmes: “Amor, Sublime Amor / West Side Story” (1961) e “Ânsia de Amar / Carnal Knowledge” (1971).

SARITA MONTIEL
(Espanha. 1928 - 2013)

Em 1958, emocionou o mundo no campeão de bilheteria “La Violetera”. Reverenciada pela comunidade gay ainda hoje, a estréia da diva latina aconteceu em 1944, na Espanha. Depois se dividiu entre o seu país natal, México e Estados Unidos. O diretor norte-americano Anthony Mann se tornou o seu primeiro marido. A partir dos anos 70 abandonou o cinema, mas continuou nos palcos e na tevê. Pedro Almodóvar a homenageou em De Salto Alto / Tacones Lejanos (1991) e Má Educação / La Mala Educación (2004).

Principais Filmes: “Vera Cruz / Idem” (1954) e “La Violetera / Idem” (1958).

SILVIA PINAL
(México. N. em 1931)

Fez seu primeiro filme aos 17 anos, destacando-se tanto em comédias quanto em melodrama urbanos. Nos anos 50 se converteu na estrela favorita do público mexicano, ganhando prêmios. Casou-se com o produtor Gustavo Alatriste e a seguir com o ator Enrique Guzmán, 12 anos mais jovem. Brilhou também no teatro musical e na televisão, sendo reconhecida internacionalmente com filmes polêmicos de Luis Buñuel. Em 1985, estrelou a série “Mujer”, ficando mais de duas décadas no ar.

Principais Filmes: “Viridiana / Idem” (1961) e “O Anjo Exterminador / El Ángel Exterminador” (1962).