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| sissy spacek em "carrie, a estranha" |
Reconhecido
como um dos mais populares escritores de literatura de horror de sua geração, STEPHEN KING (Portland, EUA, 1947)
vendeu 350 milhões de cópias de seus livros em mais de 40 países. Ele
passou da pobreza à riqueza em poucos anos, tornando-se um dos nomes mais
poderosos das listas de best-sellers. Há quem diga que é um escritor de
terceira categoria. Também há quem o considere um gênio do terror. Eu fico com outra
opinião: não o vejo como um excelente escritor, mas é um mestre na arte de
provocar calafrios. Alguns dos seus livros são verdadeiros clássicos. Ainda
pequeno, ele descobriu Lovecraft, Ray Bradbury, histórias em quadrinhos e
filmes B de ficção científica – a matéria prima de sua bagagem literária. Publicou
o primeiro romance, “Carrie”, em 1974, narrando a história de uma garota com poderes
telecinéticos. Atirou a primeira versão do trabalho no lixo, mas foi resgatada
pela esposa, Tabitha, que o encorajou a reescrevê-la. A obra não teve, a
princípio, senão um sucesso modesto, mas a adaptação cinematográfica alavancou
instantaneamente a carreira do autor.
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| stephen king |
Ao
constatar, estupefato, que baseou o protagonista Jack Torrance, de “O
Iluminado”, em sua própria pessoa, deixou de lado todos os vícios de muitos
anos, cortando o álcool e qualquer tipo de droga. Mantém-se sóbrio desde então.
Escreve ao som do AC/DC, Metalica, Anthrax, Judas Priest etc. Em 1999, sofreu
um acidente gravíssimo. Atropelado durante uma de suas caminhadas, perdeu a
memória, fraturou o quadril, quebrou a perna e teve danos pulmonares. Mas se
recuperou. No mês seguinte, começou a publicar uma série de folhetins no seu
website stephenking.com, sendo um dos primeiros escritores famosos a recorrer
ao suporte virtual. Na primeira história, uma videira sobrenatural começa a
crescer numa editora de livros de bolso, trazendo sucesso e riquezas em troca
de sangue e carne fresca. Aos 65 anos, multimilionário, vive numa mansão
vitoriana de 24 cômodos em Bangor, no Maine (EUA), com um portão em forma de
aranha emoldurado por dois gigantescos morcegos.
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| jack nicholson em "o iluminado" |
Sua
obra literária alcançou um sucesso tão grande, que o tornou um dos autores mais
filmados na história do cinema de horror, ao lado de mestres como Edgar Allan
Poe, Robert Louis Stevenson e H. P. Lovecraft. São muitos os títulos de STEPHEN
KING que acabaram se tornando filmes: cerca de 50 livros (ou contos) seus já
foram levados a telona. Boa parte deles, um fracasso; em outras ocasiões, sucesso
absoluto. Ele chegou ao ponto em que seu nome estampado num cartaz de cinema
ajuda na bilheteria. Muitos dos seus leitores vão correndo ver qualquer longa,
telefilme ou série que leve sua gripe, independente dos atributos artísticos. Possivelmente,
a qualidade essencialmente visual da narrativa alucinada de STEPHEN KING é o
que o faz um dos queridinhos de Hollywood. Desnecessário dizer que o terror é o
seu gênero de filme favorito. Em alta novamente, ele tem quatro novas versões
cinematográficas de suas histórias prontas para estrear nos cinemas: “Carrie -
A Estranha”, “O Braço do Mar”, “Ten O'Clock People”, “A Good Marriage” e “A
Dança da Morte”. Fique de olho.
GALERIA MALDITA DE STEPHEN KING
(1976)
CARRIE, A ESTRANHA
(Carrie)
de Brian de Palma
Com: Sissy Spacek, Piper Laurie, Amy Irving,
William Katt e John Travolta
Do romance “Carrie”, de 1974. Teve uma sequência em 1999 e uma refilmagem de 180
minutos para a TV em 2002. Concorreu aos Oscars de Melhor Atriz e Melhor Atriz
Coadjuvante. Rendeu elogios – e uma bela bilheteria – a Brian de Palma. Carrie
White (a ótima Sissy Spacek) é uma garota que não tem amigos por conta de sua
mãe, Margareth (a veterana Piper Laurie, bela mocinha da Universal ao lado de
Tony Curtis e Rock Hudson), uma pregadora religiosa que se torna mais louca a
cada dia que passa e mantém a filha em isolamento quase total. Motivo de piada
na escola, ela é ridicularizada diante de todos os colegas num baile. O que ninguém imaginava é que a estranha
menina possui poderes paranormais que ficam mais fortes quando ela fica com
raiva. King acha que o filme tem estilo. Eu concordo com ele.
(1980)
O ILUMINADO
(The Shining)
de Stanley Kubrick
Com: Jack Nicholson, Shelley Duvall e
Danny Lloyd
De “O Iluminado” (1977), tornou-se uma minissérie homônima para a TV em
1997. Não é apenas uma das melhores adaptações de Stephen King, mas também um
dos grandes filmes de terror do cinema. Um cult. Inexplicavelmente, o escritor
não ficou satisfeito com essa versão, considerando-a fria e intelectualizada. O
escritor Jack Torrance (Jack Nicholson, excepcional, embora mais careteiro do
que nunca) é contratado para vigiar um hotel no Colorado durante o inverno. Ele
leva sua esposa (Shelley Duvall, uma das musas de Altman) e seu filho (Danny
Lloyd). Por ser inverno e a região estar cheia de neve, o hotel deixa de
funcionar e Jack e sua família acabam ficando isolados. A situação começa a se
complicar quando ele passa a ter problemas mentais devido ao isolamento,
ficando cada vez mais agressivo e perigoso. Pra piorar a situação, seu filho
Danny começa a ter visões de acontecimentos terríveis ocorridos no passado.
(1983)
A HORA DA ZONA MORTA
(The Dead Zone)
de David Cronenberg
Com: Christopher Walker, Brooke
Adams, Tom Skerritt
e Martin Sheen
Do
livro “Zona Morta”, de 1979, transformado em série de TV homônima em 2002. Sóbrio
e um dos filmes mais controlados de Cronenberg. Johnny Smith (Christopher
Walken), um professor de literatura prestes a se casar, sofre um acidente de
carro e fica cinco anos em coma. Ao recobrar a consciência, descobre que perdeu
sua carreira e sua noiva (Brooke Adams), mas em compensação ganhou poderes paranormais
que o permitem antever o futuro. Assim, ele tem o poder de alterar o curso dos
acontecimentos e este é o seu dilema: interferir ou sofrer sozinho, sabendo das
tragédias que estão por acontecer. Um thriller político dos melhores.
(1986)
CONTA COMIGO
(Stand by Me)
de Rob Reiner
Com: Will Wheaton, River Phoenix,
Kiefer Sutherland
e Richard Dreyfuss
Do
conto “O Corpo”, de 1982. A história é autobiográfica, baseada num fato
realmente ocorrido na infância de King. Inclusive, o próprio autor é retratado,
no personagem que se torna um escritor quando adulto. Uma obra sensível, terna
e intimista, embalada por uma bonita trilha sonora. Talvez a mais atípica do
universo literário do autor. Conta a história de quatro amigos que partem em
uma jornada em busca de um cadáver, e que acabam aprendendo valiosas lições durante
o caminho. Quando se encontram com marginais, que armados de navalhas também
procuram o corpo, eles descobrem uma força que não sabiam ter. Filme muito
especial, que trata com delicadeza da amizade e da inesquecível experiência que
é crescer.
(1990)
LOUCA OBSESSÃO
(Misery)
de Rob Reiner
Com: James Caan, Kathy Bates e Lauren Bacall
Do romance “Angústia”, de 1987. Kathy Bates ganhou o Oscar de Melhor Atriz por sua
atuação ensandecida da psicopata que prende um escritor - de quem se diz “fã
número 1” - depois que ele sofre um acidente de carro. Chocante o momento em
que seu personagem quebra os pés do ídolo com uma pá. Sem poder se locomover,
ele se vê à mercê das loucuras da “fã”. Duelo de atores com extrema tensão
física. Reiner revisita o universo de King em mais uma narrativa pé-no-chão,
sem delírios sobrenaturais.
(1994)
A METADE NEGRA
(The Dark Half)
de George A. Romero
Com: Timothy Hutton, Amy Madigan,
Michael Rooker
e Julie Harris
Do
romance “A Metade Negra”, de 1989. Um escritor, Thad Beaumont (Hutton), cria um
pseudônimo para obter sucesso. Ao decidir eliminá-lo, dá origem a um duplo
sanguinário. A partir daí estranhos e violentos assassinatos são cometidos,
sempre precedidos de uma revoada de pardais. O roteiro tem paralelos com a
carreira de King.
(1994)
UM SONHO DE LIBERDADE
(The Shawshank Redemption)
de Frank Darabont
Com: Tim Robbins, Morgan Freeman e
James Whitmore
Do
conto “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”. Fala de Andy Dufresne (Tim
Robbins), um jovem e bem sucedido banqueiro que é condenado a prisão pelo
assassinato de sua esposa e do amante dela. Cumprindo pena perpétua, faz
amizade com Ellis Boyd Redding (o classudo e talentoso Morgan Freeman), um
prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro da
instituição. Primeiro filme dirigido por Darabont. Concorreu aos Oscars de Melhor
Filme, Melhor Ator (Freeman), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor
Edição, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Som.
(1995)
ECLIPSE TOTAL
(Dolores Claiborne)
de Taylor Hackford
Com: Kathy Bates, Jennifer Jason
Leigh, Christopher Plummer
e John C. Reilly
Do
livro “Eclipse Total”, de 1992. Selena St. George (Jennifer Jason Leigh), uma escritora
de sucesso que vive em Manhattan, fica surpresa com a notícia de que a sua mãe,
de quem se encontra afastada, foi acusada de homicídio. Com algum
ressentimento, regressa à sua pequena cidade natal no Maine para oferecer
ajuda. Não que ela acredite que Dolores (Kathy Bates) é inocente. Na verdade, tem
suspeitas acumuladas desde há vinte anos. A memória do passado e fatos do
presente revelam a verdade aterradora que existe por detrás das duas
misteriosas mortes.
(1998)
O APRENDIZ
(Apt Pupil)
de Bryan Singer
Com: Ian McKellen, Brad Renfro e Elias Koteas
Do
conto “Aluno Inteligente”, narra a história de um adolescente que descobre que
um de seus vizinhos é um criminoso nazista, passando a chantageá-lo para que
ele lhe conte as mais terríveis histórias sobre a Segunda Guerra Mundial. A
partir de então um tenso jogo psicológico surge entre os dois, ameaçando a sanidade
do garoto. Firme direção de Bryan Singer e impecável atuação da dupla central, McKellen
e Renfro.
(1999)
À ESPERA DE UM MILAGRE
(The Green Mile)
de Frank Darabont
Com: Tom Hanks, Michael Clarke
Duncan, David Morse,
Graham Greene e Patricia Clarkson
Adaptada
da minissérie literária “O Corredor da Morte” (1996), a primeira e única escrita
por Stephen King. Somente depois da produção do filme é que os capítulos foram
reunidos em um único livro. Retrata o cotidiano - e o relacionamento muito
especial do policial Paul Edgecomb (Tom Hanks) com o condenado John Coffey
(Michael Clark Duncan) - no corredor da morte de uma prisão norte-americana.
Aos poucos, desenvolve-se entre eles uma relação incomum, baseada na descoberta
de que o prisioneiro possui um dom mágico que é, ao mesmo tempo, misterioso e
milagroso. O filme arrecadou, apenas nos Estados Unidos, mais de 130 milhões de
dólares, concorrendo aos Oscars de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Duncan),
Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som.
MAIS SOBRE O AUTOR
“Dissecando Stephen King / Bare Bones:
Conversations on Terror with Stephen King”, de Tim Underwood e Chuck Miller,
1988.










