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maio 05, 2012

**** PIORES DIRETORES e seus MELHORES FILMES

natalie wood em de ilusão também se vive
direção de george seaton


Diz a lenda que o outsider Ed Wood, imortalizado por Tim Burton e Johnny Depp, cometeu com entusiasmo as piores produções cinematográficas que o mundo já viu. Não conheço sua filmografia, mas tenho simpatia por seu universo trash. Obstinado diante dos obstáculos de trabalho, sempre com uma claque dedicada de colaboradores, Wood morreu aos 53 anos, em 1978, corroído pelo alcoolismo e escrevendo romances pornográficos para se sustentar. Não compartilho da teoria de que é o pior cineasta de todos os tempos, muitos outros merecem tal título, demonstrando visivelmente falta de talento. Diretores famosos, de grandes estúdios, que tiveram as maiores estrelas nas mãos – alguns indicados ao Oscar (George Roy Hill levou a estatueta em 1973, derrotando Ingmar Bergman e Bernardo Bertolucci; e em 1976, John G. Avildsen passou a perna em Bergman, Sidney Lumet e Alan J. Pakula). 

Eles fulminaram sem restrições filmes que tinham tudo para emocionar e ficar na história. Muitos desses títulos envelheceram rapidamente, ficaram datados, tornaram-se intragáveis. Pode ser dito também que na idade de ouro de Hollywood, a Metro-Goldwyn-Mayer e a Paramount tinham no cast o maior número de especialistas na arte de fazer filmes ruins, justamente porque rejeitavam profissionais audaciosos ou autorais (a Metro arruinou a carreira de Erich Von Stroheim, e a Paramount, a de Josef Von Sternberg).

Selecionei dezoito diretores que considero decepcionantes e os seus melhores filmes (se optasse pelos piores, não teria espaço para tanto). Cada um à sua maneira, eles contribuíram para um cinema impessoal, de olho unicamente no entretenimento. Parei nos anos 70, se fosse mais adiante com certeza listaria Quentin Tarantino. Numa versão nacional, colocaria Carlos Diegues, Aurélio Teixeira, Bruno Barreto, Neville D’Almeida e Fábio Barreto. Na europeia, Jean Dellanoy, Michel Boisrond, Roger Vadim, Claude Lelouch, Philippe De Broca, Jean Aurel, Dino Risi e Franco Zefirelli. 

Vou aguardar a saraivada de protestos. Aproveite o tiroteio e cite alguns que não estão nesta lista. Vamos lá.

ARTHUR HILLER
(nasceu em 1923)

Canadense, de carreira modesta, onde não se evitam desastres completos, concorreu ao Oscar e ganhou o Globo de Ouro por “Love Story”.

Melhores Filmes:
 “Love Story – Uma História de Amor 
(Love Story, 1970) 
Com Ali MacGraw, Ryan O’Neal e Ray Milland

“O Hospital 
(The Hospital, 1971)
Com George C. Scott e Diana Rigg

dmytryk, montgomery clift
e eva marie saint


EDWARD DMYTRYK
(1908 - 1999)

Também canadense, contribuiu para o ciclo do film noir. Com raras exceções, seus filmes parecem descaracterizados. Concorreu ao Oscar de Melhor Diretor por “Rancor”.

Melhores Filmes:
“Rancor
(Crossfire, 1947)
Com Robert Young, Robert Mitchum, Robert Ryan 
e Gloria Grahame

“A Lança Partida 
(Broken Lance, 1954)
Com Spencer Tracy, Robert Wagner, Jean Peters, 
Richard Widmark e Katy Jurado.

GEORGE ROY HILL
(1921 - 2002)

Dirigiu produções para a tevê e peças da Broadway, antes de estrear no cinema em 1962. Estabeleceu sua fama com “Butch Cassidy”, concorrendo ao Oscar. Levou o prêmio por “O Golpe de Mestre”.

Melhores Filmes:
 “Butch Cassidy  
(Butch Cassidy and the Sundance Kid, 1969)
Com Paul Newman, Robert Redford e Katharine Ross

“O Golpe de Mestre 
(The Sting, 1973)
Com Paul Newman, Robert Redford e Robert Shaw

seaton e ross hunter

GEORGE SEATON
(1911 - 1979)

Correto e pouco criativo, trabalhou quase sempre com o produtor William Perlberg, concorrendo ao Oscar de Melhor Diretor por “Amar é Sofrer / The Country Girl” (1954).

Melhores Filmes:
 “De Ilusão Também se Vive
(Miracle on 34th Street,1947)
Com Maureen O’Hara, John Payne, Edmund Gwenn 
e Natalie Wood

“Ilusão Perdida 
(The Big Lift, 1950)
Com Montgomery Clift e Paul Douglas

GEORGE SHERMAN
(1908 - 1991)

A partir de 1937 dirigiu uma série de faroestes Classe C. Sem nada de especial, nos anos 70 passou a trabalhar para a tevê.

Melhores Filmes:
 “Mártires da Traição 
(Target Unknown, 1951)
Com Mark Stevens

“Contra Todas as Bandeiras 
(Against all Flags, 1952)
Com Errol Flynn, Maureen O’Hara e Anthony Quinn

richard basehart, paul douglas e hathaway

HENRY HATHAWAY
(1898 - 1985)

Ex-ator infantil, teve sua oportunidade de dirigir em 1932. O faroeste foi o gênero que o consagrou. Concorreu ao Oscar por “Lanceiros da Índia / The Lives of a Bengal Lancer” (1935).

Melhores Filmes:
 “O Beijo da Morte 
(Kiss of Death, 1947)
Com Victor Mature, Brian Donlevy, Coleen Gray 
e Richard Widmark

“A Raposa do Deserto 
(The Desert Fox: The Story of Rommel, 1951)
Com James Mason e Jessica Tandy

betty grable e kostner

HENRY KOSTER
(1905 - 1988)

Alemão que dirigiu o primeiro filme em Cinemascope, “O Manto Sagrado”, passou pela Universal, Metro e Fox, quase sempre dirigindo fitas leves. Concorreu ao Oscar por “Um Anjo Caiu do Céu / The Bishop’s Wife” (1947).

Melhores Filmes:
 “Meu Amigo Harvey 
(Harvey, 1950)
Com James Stewart e Josephine Hull

“O Manto Sagrado 
(The Robe, 1953)
Com Richard Burton, Jean Simmons e Victor Mature

HERBERT ROSS
(1927 - 2001)

Dançarino e ator, revelou alguma habilidade ao dirigir comédias leves, sofisticadas e provocativas. Concorreu ao Oscar por “Momento de Decisão”.

Melhores Filmes:
 “Momento de Decisão 
(The Turning Point, 1977)
Com Anne Bancroft, Shirley MacLaine e Mikhail Baryshnikov

“A Garota do Adeus 
(The Goodbye Girl, 1977)
 Com Richard Dreyfuss e Marsha Mason

gregory peck, anthony quayle e thompson

J. LEE THOMPSON
(1914 - 2002)

Inglês, dirigiu o seu primeiro filme em 1950. Saltou para a fama internacional com “Os Canhões de Navarone”, substituindo de última hora Alexander Mackendrick e concorrendo ao Oscar.

Melhores Filmes:
 “Os Canhões de Navarone 
(The Guns of Navarone, 1961)
Com Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn 
e Irene Papas

 “Círculo do Medo 
(Cape Fear, 1962)
Com Gregory Peck e Robert Mitchum

JACK CONWAY
(1887 - 1952)

Também ator e produtor, dirigiu inúmeros sucessos na Metro.

Melhores Filmes:
 “A Queda da Bastilha 
(A Tale of Two Cities, 1935)
Com Ronald Colman e Basil Rathbone

“Fruto Proibido 
(Boom Town, 1940)
Com Clark Gable, Spencer Tracy, Claudette Colbert e Hedy Lamarr

leroy e jean seberg

MERVYN LeROY
(1900 - 1987)

Lançou o ciclo de filmes de gangsteres da Warner. Trabalhou também na Metro, antes de montar sua própria produtora nos anos 50. Concorreu ao Oscar por “Na Noite do Passado / Random Harvest” (1942).

Melhores Filmes:
 “Alma no Lodo 
(Little Caesar, 1931)
Com Edward G. Robinson, Douglas Fairbanks Jr.
 e Glenda Farrell

“Quo Vadis 
(Idem, 1951)
Com Robert Taylor, Deborah Kerr e Peter Ustinov

RICHARD THORPE
(1896 - 1991)

Determinado, sua produção é extremamente variada. Contratado da Metro, dirigiu as maiores estrelas do estúdio em comédias, musicais e dramas.

Melhores Filmes:
 “A Noite Tudo Encobre 
(Night Must Fall, 1937)
Com Robert Montgomery e Rosalind Russell

“Ivanhoé, o Vingador do Rei 
(Ivanhoe, 1952)
Com Robert Taylor, Elizabeth Taylor, Joan Fontaine 
e George Sanders

leonard e joan crawford

ROBERT Z. LEONARD
(1989 - 1968)

Começou no cinema mudo. Na Metro fazia filmes sofisticados, valorizando a beleza de suas estrelas. Concorreu ao Oscar por “A Divorciada” e “Ziegfeld – O Criador de Estrelas / The Great Ziegfeld” (1936).

Melhores Filmes:
 “A Divorciada 
(The Divorcee” (1930)
Com Norma Shearer, Chester Morris e Robert Montgmery

“Orgulho e Preconceito 
(Pride and Prejudice, 1941)
Com Greer Garson, Laurence Olivier e Maureen O’Sullivan

ROY DEL RUTH
(1893 - 1961)

Fez seu primeiro longa em 1925, dirigindo principalmente comédias e musicais.

Melhores Filmes:
 “Melodia da Broadway de 1936 
(Broadway Melody of 36, 1935)
Com Jack Benny, Eleanor Powell e Robert Taylor

“O Fantasma da Rua Morgue 
(Phantom of the Rue Morgue, 1954)
Com Karl Malden e Patricia Medina

norma shearer e dyke

W. S. VAN DYKE
(1889 - 1943)

Realizou grandes sucessos para a Metro. Tinha fama de trabalhar rápido e superficialmente. Concorreu ao Oscar por “A Ceia dos Acusados” e “São Francisco, a Cidade do Pecado”.

Melhores Filmes:
 “A Ceia dos Acusados 
(The Thin Man, 1934)
Com William Powell, Myrna Loy e Maureen O’Sullivan

“São Francisco, a Cidade do Pecado
(San Francisco, 1936)
Com Clark Gable, Jeanette MacDonald e Spencer Tracy

WALTER LANG
(1896 - 1972)

Especializado em comédias e musicais, sempre com grande sucesso. Concorreu ao Oscar por “O Rei e Eu”.

Melhores Filmes:
 “Meu Coração Canta 
(With a Song in my Heart, 1952)
Com Susan Hayward, Rory Calhoun, Thelma Ritter 
e Robert Wagner

 “O Rei e Eu
(The King and I, 1956)
Com Yul Brynner, Deborah Kerr e Rita Moreno

paul muni e dieterle

WILLIAM DIETERLE
(1893 - 1972)

Alemão, começou a dirigir em 1923. Trabalhou na Warner e na RKO. Concorreu ao Oscar por “A Vida de Emile Zola / The Life of Emile Zola” (1937).

Melhores Filmes:
 “O Corcunda de Notre Dame 
(The Hunchback of Notre Dame, 1939)
Com Charles Laughton, Maureen O’Hara e Thomas Mitchell

“O Retrato de Jennie 
(Portrait of Jennie, 1948)
Com Jennifer Jones, Joseph Cotten, Ethel Barrymore 
e Lillian Gish

WILLIAM KEIGHLEY
(1889 - 1984)

Começou como ator na Broadway, passando a dirigir filmes em 1932. Contratado da Warner, foi despedido das filmagens de “As Aventuras de Robin Hood”, sendo substituído por Michael Curtiz.

Melhores Filmes:
 “As Aventuras de Robin Hood 
(The Adventures of Robin Hood, 1938)
Com Errol Flynn, Olivia de Havilland, Basil Rathbone 
e Claude Rains

“A Morte me Persegue 
(Each Dawn I Die, 1939)
Com James Cagney e George Raft

robert taylor, joan fontaine e richard thorpe 

abril 13, 2011

*************************** ALAN LADD é SHANE




Depois do sucesso de “Um Lugar ao Sol / A Place in the Sun” (1951), o premiado George Stevens queria Montgomery Clift como Shane, William Holden como Joe Starrett e Katharine Hepburn como Marian para o seu novo projeto, um faroeste. A recusa destes quase inviabilizou as filmagens de “Os Brutos Também Amam / Shane” (1953). Felizmente, o diretor acabou por aceitar a prata da casa da Paramount para tais papéis. As filmagens foram entre julho e outubro de 1951, mas o filme só foi lançado em 1953, devido ao enorme tempo tomado pela edição. Seguramente, Shane é o melhor papel da carreira de mais de 30 anos e 95 títulos de ALAN LADD (1913 - 1964).

Atraente, com um belo rosto ao mesmo tempo frágil e tristonho, louro, olhos verdes, baixinho, interpretou quase sempre personagens fortes, em especial em policiais de sucesso ao lado de Veronica Lake. Morreu jovem, aos 50 anos de idade, devido a uma mistura de sedativos e álcool, provavelmente por livre e espontânea vontade de não mais continuar vivendo. No seu último filme, “Os Insaciáveis / The Carpetbaggers” (1964), de Edward Dmytryk, fez Nevada Smith, um astro do cinema de faroeste dos anos 20/30.

ladd e brandon de wilde
Baseado no best-seller  homônimo de Jack Schaefer, “Os Brutos Também Amam” é, sem dúvida, um dos melhores faroestes produzidos por Hollywood, abordando temas como amizade, lealdade, honra e coragem. Embora haja uma meia-dúzia de mortes, gira mais em torno de princípios do que de ação. Conta a história de um misterioso cowboy  chamado Shane (Alan Ladd), recém-chegado a uma região de pequenos fazendeiros, num vale do Wyoming. Esses colonos lutam por seus direitos contra os poderosos criadores de gado que controlam a maior parte da terra. 

Shane, pistoleiro que quer mudar de vida, aceita trabalhar na pequena fazenda de Joe Starret (Van Heflin, em uma interpretação inesquecível), sentindo-se atraído pela esposa deste, Marian (a ótima Jean Arthur no seu último papel no cinema, aos 53 anos). O filho do casal, Joey (maravilhoso Brandon De Wilde, no seu segundo filme), apaixona-se por Shane à primeira vista. O cavaleiro solitário com um revólver no coldre é a coisa mais heróica, mais mítica, mais perfeita que o garoto poderia imaginar. A tensão entre as facções em conflito aumenta quando um rico fazendeiro contrata o temível vilão Jack Wilson (assustador Jack Palance) para pressionar os humildes colonos, culminando com um duelo final.

de wilde, jean arthur, heflin e ladd
Estrondoso êxito de público e crítica no mundo todo, teve remakes declarados como “O Cavaleiro Solitário / Pale Rider”, de Clint Eastwood, rodado em 1985, ou disfarçados como “No Rastro da Violência / The Quick and the Dead”, de 1987, e uma série de TV em 1966. Aparece em 45º posição na lista dos 100 melhores filmes do American Film Institute (AFI). 

Concorreu aos Oscar de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Atores Coadjuvantes (Palance e De Wilde), ganhando o de Melhor Fotografia (Loyal Griggs). ALAN LADD não levou nenhum prêmio por sua delicada atuação, mas sua popularidade cresceu como nunca. Shane, silencioso e justo, pode ser considerado todos os heróis do western reunidos em uma única pessoa. Já o filme de George Stevens, poético e mítico, num evidente tributo ao lendário Oeste selvagem, sempre será lembrado como um dos principais exemplares do gênero.


OUTROS FAROESTES de ALAN LADD

ABUTRES HUMANOS
(Whispering Smith, 1948)
direção de Leslie Fenton
com Brenda Marshall

MARCA RUBRA
(Branded,1950)
direção de Rudolph Maté
com Mona Freeman

O ÚLTIMO CAUDILHO
(Red Mountain ,1951)
direção de William Dieterle
com Lizabeth Scott

NENHUMA MULHER VALE TANTO
(The Iron Mistress, 1952)
direção de Gordon Douglas
com Virginia Mayo

PACTO de HONRA
(Saskatchewan, 1954)
direção de Raoul Walsh
com Shelley Winters

RAJADAS de ÓDIO
(Drum Beat, 1954)
direção de Delmer Daves
com Audrey Dalton e Marisa Pavan

ENCONTRO com o DIABO
(The Big Land, 1957)
direção de Gordon Douglas
com Virginia Mayo

O REBELDE ORGULHOSO
(The Proud Rebel, 1958)
 direção de Michael Curtiz
com Olivia de Havilland

Os HOMENS das TERRAS BRAVAS
(The Badlanders, 1958)
 direção de Delmer Daves
com Katy Jurado

GIGANTES em LUTA
(Guns of the Timberland, 1960)
 direção de Robert D. Webb
com Jeanne Crain

A SENDA do ÓDIO
(One Foot in Hell, 1960)
 direção de James B. Clark
com Dolores Michaels