outubro 18, 2010

*********** RECUSANDO GRANDES PAPÉIS


elizabeth taylor e montgomery clift

O cinema é repleto de filmes que conquistaram o público e promoveram estrelas, em início ou fim de carreira. Mas nem todos vistos em tais filmes foram considerados inicialmente como protagonistas. Constance Bennett e Myrna Loy perderam o Oscar para sempre ao recusaram o papel de Ellie Andrews em “Aconteceu Naquela Noite” (1934), e Claudette Colbert somente o aceitou porque o diretor Frank Capra prometeu dobrar o seu salário. George Raft desprezou “O Último Refúgio” (1941), permitindo o estrelato de Humphrey Bogart. Colbert abdicou também do convite para fazer o mítico “A Malvada” (1950), terminando nas mãos de Bette Davis e revigorando a carreira desta. A própria Bette esnobou a Lola Delaney de “A Cruz de Minha Vida” (1952), dando o Oscar e o Globo de Ouro de mãos beijadas para Shirley Booth. Ingrid Bergman desistiu de “Sedução da Carne” (1954), de Visconti, já que o seu marido na época, Roberto Rossellini, não queria que ela filmasse com outros diretores.

Cary Grant não aceitou ser o primeiro James Bond. A grã-fina de "A Doce Vida", pensada por Fellini para Silvana Mangano, recebeu o veto do marido dela, Dino De Laurentiis, que tinha ciúmes de Marcello Mastroianni. O papel terminou interpretado por Anouk Aimée. Marlon Brando deixou de lado “Lawrence da Arábia”. Laurence Olivier e Edward G. Robinson chegaram a ser convidados para o Vito Corleone de “O Poderoso Chefão”. Gene Hackman detinha os direitos de “O Silêncio dos Inocentes” e até pensou em fazer Hannibal Lecter, mas se sentiu inseguro e o filme foi oferecido a Sean Connery e Jeremy Irons. Ambos recusaram, permitindo que Anthony Hopkins fizesse história. Sean Connery não quis interpretar Gandalf na trilogia “O Senhor dos Anéis” (2001-2003). Ele receberia polpudo cachê e 15% da bilheteria, ainda assim assim disse não. O mesmo fez MONTGOMERY CLIFT em relação a “Crepúsculo dos Deuses” (1950), um dos clássicos imortais da história do cinema.


Aos 30 anos, Clift estava na crista da onda com o êxito de "Tarde Demais" (1949), de William Wyler, quando foi chamado para viver o escritor gigolô Joe Gillis, personagem escrito especialmente para ele. Durante algum tempo não deu nenhuma resposta. Faltando duas semanas para o início das filmagens, o agente do ator procurou o diretor com a informação: "Mr. Montgomery Clift não fará o filme, porque o que poderiam pensar suas fãs se ele tivesse um caso com uma mulher com duas vezes a sua idade?". Como resposta, ouviu de Billy Wilder: "Poderia esperar tal atitude de um ator de Hollywood, mas não de um ator sério de teatro de Nova York". Diante disso, William Holden foi o substituto. levando sua primeira indicação ao Oscar como Melhor Ator. 

4 comentários:

marcia1987 disse...

Muito bom o texto!... Tem também o caso de Hedy Lamarr, que recusou o convite para viver Ilsa Lund, em Casablanca!!! Ainda bem que ela recusou, não consigo nem imaginar outra Ilsa, que não a Ingrid...

O FALCÃO MALTÊS disse...

Sério? Não sabia. Realmente não consigo pensar em outra atriz como Ilsa Lund. Mas gosto muito de Hedy Lamarr. Se bem que não sabia atuar. Mas ninguém é perfeito.

Jamil J. Landim disse...

O rosto torturado de Mont é uma das marcas do cinema americano.

Eli disse...

Ótimo post! É sempre bom saber desses e outros casos que envolvem declinações de papéis!