outubro 18, 2010

*************** BOYER, TRACY E GASSMAN


boyer com olivia de havilland e paulette goddard

ROMÂNTICO E SEDUTOR

Além de francês e inglês, CHARLES BOYER falava italiano, alemão e espanhol. Da estréia em 1920, aos 23 anos, em “L'Homme du Large até “Questão de Tempo, realizado em 1976, e seu último trabalho, fez mais de oitenta filmes. Indicado quatro vezes ao Oscar, não venceu em nenhuma delas. Contudo, foi um dos atores mais prestigiados e atuantes nos anos 1930, 1940 e 1950. Nascido na França, estreou nos palcos parisienses em 1920 com sucesso imediato, aparecendo logo a seguir em vários filmes mudos. Partindo para Hollywood, teve sua primeira chance num pequeno papel ao lado da platinum-blonde Jean Harlow em "Cabelos de Fogo” (1932). No entanto, sua voz arrebatadora e porte charmoso logo fez dele uma estrela romântica, contracenando com as principais atrizes da época: Claudette Colbert, Katharine Hepburn, Marlene Dietrich, Greta Garbo etc. Teve sua interpretação mais popular como o bandido sedutor Pepe Le Moko, de “Argélia” (1938).


Em contraste com a imagem glamourosa, o baixinho Boyer perdeu cedo o cabelo e tinha a barriga acentuada. Em 1940, ao vê-lo pela primeira no set de “Tudo Isso e o Céu Também”, Bette Davis não o reconheceu e tentou impedi-lo de trabalhar no filme. Felizmente não conseguiu. Na década de 1950 voltou a fazer teatro, além de atuar na televisão. Com a peça “The Marrtiage-Go-Round” (1958-1960), ao lado de Claudette Colbert, ficou dois anos em cartaz na Broadway. Continuou fazendo sucesso no cinema com “Desejos Proibidos” (1953) de Max Ophuls, “Naná” (1955), “Fanny” (1961), “Como Roubar um Milhão de Dólares” (1966), “Descalços no Parque” (1967) e “Stavisky” (1974), pelo qual ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante dos Críticos de Cinema de Nova York e recebeu homenagem no Festival de Cannes. Em 1966, gravou um disco romântico muito vendido, “Where Does Love Go?”. Uma das maiores tragédia de sua vida aconteceu em 1965: o suicídio de seu filho único, Michael, aos 22 anos, após romper com a namorada. Inconformado com o fim de um casamento de 44 anos, CHARLES BOYER também se suicidou - com uma overdose de Seconal -, em 1978, aos 80 anos e dois dias depois do falecimento da esposa, a atriz Pat Paterson, acentuando ainda mais a sua mitologia romântica.

tracy e katie hepburn

SENHOR CARISMA E SIMPATIA

De uma família de origem irlandesa, SPENCER TRACY aos 21 anos fez o papel principal de uma peça amadora chamada "The Truth". Seguiu para a Broadway, atuando em vários espetáculos. Finalmente, em 1930, o renomado diretor John Ford o viu em cena e o convidou para seu filme "Up the River". Nos próximos 5 anos atuou em 25 longa-metragens, até ser despedido pela Fox após ser preso por embriaguez. Em 1935, contratado pela Metro-Goldwyn-Mayer – onde ficou por 20 anos como um dos grandes trunfos do estúdio -, converteu-se em uma estrela de primeira grandeza, ganhando seguidamente dois prêmios Oscar de Melhor Ator por "Marujo Intrépido", de 1937, e "Com os Braços Abertos", de 1938, num fato inédito até então. Ao longo de sua vitoriosa carreira recebeu 7 outras indicações. Mesmo casado, teve um namoro apaixonado com a atriz Loretta Young nos anos 1930. Em 1941, durante as filmagens da comédia “A Mulher do Dia”, iniciou um secreto relacionamento amoroso com Katharine Hepburn, o qual durou até sua morte. Terminou por separar-se de sua esposa Louise, mas como católico praticante nunca se divorciou dela. Com Katie fez 9 filmes, numa parceria que transbordava cumplicidade e talento, desenvoltura e classe, coração e alma, quase sempre dirigidos por excelentes diretores como George Cukor, Elia Kazan, Frank Capra ou George Stevens.


Conhecido por sua personalidade complexa, SPENCER TRACY era duro, seco, de poucas palavras, depressivo. No final dos anos 1940, foi diagnosticado com diabetes, agravada pelo alcoolismo. Ele costumava se isolar durante dias em quartos de hotéis, bebendo sem parar. Em 1963 sofreu um ataque cardíaco, que acabou por afastá-lo do cinema. Retornou em 1967 para protagonizar a comédia romântica anti-racista “Adivinhe Quem Vem para Jantar”. Com a saúde debilitada, três semanas após a conclusão das filmagens, levantou-se para beber em plena madrugada, caiu e morreu de ataque cardíaco logo depois nos braços de Katharine Hepburn, aos 67 anos. Exalando simpatia, mesmo interpretando inúmeros personagens resmungões, é recordado como um dos maiores atores da história do cinema. Atuou em mais de setenta filmes em quatro décadas, realizando impressionantes interpretações como as de “Paraíso de um Homem” (1933), “Fúria” (1936), “O Médico e o Montro” (1941), “A Costela de Adão” (1949), “A Lança Partida” (1954), “O Velho e o Mar” (1958) e “Julgamento em Nuremberg” (1961).


IL MATTATORE

 Desde que o vi no hilário “Aquele Que Sabe Viver”, de Dino Risi, como Bruno, o bon-vivant anti-herói, me encantei com o charme e o talento de VITTORIO GASSMAN. Conhecido na Itália como “Il Mattatore” (o protagonista, em italiano), aclamado como ator e diretor de teatro, teve "Arroz Amargo" (1949) como o seu primeiro sucesso no cinema, interpretando um escroque que tenta seduzir a bela camponesa Silvana Mangano. O filme impulsionou as carreiras de Mangano, Gassman e Raf Vallone, o outro personagem do triângulo amoroso da história. Um ano depois, Alberto Lattuada escalou o mesmo trio para o drama “Anna”. Ele dominava com segurança o seu ofício, sendo capaz de interpretar o bruto Kowalski de “Um Bonde Chamado Desejo” no teatro com a mesma eficiência com que fazia no cinema um bonachão como o Brancaleone. Nascido em 1922, estreou no teatro em 1942, protagonizando desde comédias burguesas a um sofisticado teatro intelectual, sem aparentar dificuldades em passar de um estilo a outro. Nessa época, seduziu público e crítica como um dos atores da companhia teatral de Luchino Visconti. Anos depois, fundaria uma conhecida escola de teatro em Florença.

Nos anos 1950, comandando um programa de televisão chamado “Il Mattatore”, obteve um inesperado êxito, O título deste show televisivo ficou como um apelido que viria a lhe acompanhar pelo resto da vida. Apareceu nas telas pela primeira vez em 1946, emocionando com personagens inesquecíveis em mais de 100 filmes: o boxeador fracassado de “Os Eternos Desconhecidos” (1958), de Mario Monicelli; o burguês oportunista Gianni em “Nós que Nos Amávamos Tanto” (1974), de Ettore Scola; o capitão cego Fausto Consolo de “Perfume de Mulher” (1974), de Dino Risi e prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. Atuou em filmes mundo afora. Durante uma de suas estadias em Hollywood, contratado pela Metro-Goldwyn-Mayer, casou-se com a magistral Shelley Winters. Além dela, casou-se com as atrizes Nora Ricci, Juliette Maynel (mãe de filho Alessandro, também ator) e Diletta D'Andrea. Homem de intensas emoções e excepcional honestidade intelectual, VITORIO GASSMAN era eventualmente criticado por conta de sua conturbada vida privada, com seus divórcios (que suscitaram escândalo nos anos 1950 e 1960) e ateísmo (posteriormente substituído por uma fé bastante pessoal). Nas suas declarações e entrevistas, costumava emitir comentários francos e pouco convencionais, colecionando inimigos no mundo das artes. Nos últimos anos de vida, acometido de depressão, isolou-se. Morreu de ataque cardíaco em 2000. 

2 comentários:

Jamil J. Landim disse...

O charme de Charles Boyer é incrível. Era também um belíssimo ator. Merecia o Oscar poe À Meia-Luz.

Marcelo Bonavides disse...

Obrigado pelo comentário. Gostei muito de seu Blog. Espero que troquemos idéias. Grande abraço!
Marcelo