março 24, 2011

****** ESTILO – TEU NOME É VINCENTE MINNELLI

lucille ball em "ziegfeld follies"
Durante as décadas de 40/50 do século passado, um artista criativo marcou o percurso do musical cinematográfico:  VINCENTE MINNELLI  (1903-1986). Com extraordinária imaginação e notável senso visual, elaborou um estilo incomparável, usando com muita audácia, cenários luxuosos, humor, sensualidade e elegância, forjando beleza e fantasia, e constituindo-se no mais importante diretor do cine-musical. Cineasta de referência, cuja obra revisito com regularidade e renovado prazer, em pleno apogeu do cinema-indústria ele conseguiu colocar sua própria personalidade em filmes a princípio sem relação entre si, servindo-se da riqueza de recursos da Metro-Goldwyn-Mayer para impor sua estética refinada e, conseqüentemente, abordar temas como a função da arte e do artista. Os motivos visuais que unem sua obra não são apenas um deleite estético, mas, também, uma estratégia para dar a ela um cunho íntimo, único. Os historiadores de cinema não têm dúvida ao afirmar que o musical se transformou radicalmente com a chegada de Minnelli à Hollywood, pois o seu talento fez integrar os elementos ficcionais da história com a música e as canções. Estas se tornaram o próprio assunto do filme.

minnelli e judy garland
Descendente de uma família de atores de vaudeville, ele começou com os pais, como ator itinerante, e depois trabalhou como cenógrafo, figurinista e diretor de balés e espetáculos musicais da Broadway. Em 1940, o produtor Arthur Freed o chamou para a M-G-M, dando o pontapé inicial de uma trajetória gloriosa que o levou duas vezes ao Oscar de Melhor Filme (“Sinfonia de Paris” e “Gigi”) e ao de Melhor Direção pelo segundo. Momento supremo do cinema minnelliano, "Sinfonia de Paris”, com Gene Kelly e a então desconhecida Leslie Caron como protagonistas, inaugurou a concepção moderna do cinema musical, culminando com a extraordinária cena final de 17 minutos, que homenageia a pintura de Dufy, Utrillo, Rousseau, Renoir, Van Gogh e Toulouse-Lautrec, ao som da partitura mágica de George Gershwin. Mas o instinto fílmico do diretor e sua tendência pelo onírico se manifestaram desde sua estréia, sendo surpreendente a mobilidade que fazia da câmera, inspirada, segundo declaração sua, nos sofisticados títulos de Max Ophuls.

"sinfonia de paris"
Culto e charmoso, ele escondia sua homossexualidade, inclusive casando-se com a superstar Judy Garland, de 1945 a 1951, e gerando a talentosa Liza. Famoso também como colecionador de pinturas e host de fabulosas festas em Hollywood, dirigiu cenas de “Calouros da Broadway/Babes on Broadway” (1941), de Busby Berkeley; “Quando as Nuvens Passam/Till the Clouds Roll By” (1946), de Richard Whorf; e “O Amor Nasceu em Paris/Lovely to Look At” (1951), de Mervyn LeRoy. Seu último musical, o premiado clássico “Gigi”, de 1958, baseou-se no romance de Colette, mas ele continuou filmando até os anos 70, encerrando a carreira com o drama “Questão de Tempo/A Matter of Time-Nina” (1976), com sua filha Liza Minnelli e Ingrid Bergman. VINCENTE MINNELLI fez ao todo 34 filmes, se incluirmos na sua filmografia o episódio feérico “Mademoiselle”, de “A História de Três Amores”. Embora tenha se expressado maravilhosamente no musical, ele demonstrou aptidão para a comédia e o drama, também deixando neles a sua marca. Listo aqui, os seus musicais:

UMA CABANA NO CÉU/Cabin in the Sky (1943)
Com: Ethel Waters, Eddie ”Rochester” Anderson,
Lena Horne e Louis Armstrong.
Um jogador inveterado morre durante um tiroteio e recebe uma 
segunda chance para provar à esposa que pode se regenerar. 
Para isso, terá de enfrentar a influência de forças do céu e do inferno, 
que lutam para controlá-lo.

AS MURALHAS DE JERICÓ/I Dood it (1943)
Com: Red Skelton, Eleanor Powell, Lena Horne
e John Hodiak.
Estrela da Broadway aceita se casar com admirador, pensando que 
ele é um magnata da mineração.







AGORA SEREMOS FELIZES/Meet me in St. Louis (1944)
Com: Judy Garland, Margaret O`Brien, Mary Astor,
Lucille Bremer, Leon Ames, Tom Drake,
Marjorie Main e Harry Davenport.
Quatro irmãs vivem felizes junto da mãe e do pai, quando este anuncia 
que vai ser transferido para um novo cargo em Nova York. 
Desespero geral, pois cada uma das filhas tem um motivo para não 
querer sair da cidade natal.



ZIEGFELD FOLLIES/Idem (1945)
Com: Fred Astaire, Judy Garland, Gene Kelly,
Kathryn Grayson e Lucille Bremer.
Revista musical com 12 segmentos, nos quais se alternam 
esquetes cômicos e números de música e dança. 







 
YOLANDA E O LADRÃO/Yolanda and the Thief (1945)
Com: Fred Astaire, Lucille Bremer, Frank Morgan
e Mildred Natwick.
Malandro encontra uma mulher rica e tenta aplicar um golpe nela.








O PIRATA/The Pirate (1948)
Com: Judy Garland, Gene Kelly, Walter Slezak,
Gladys Cooper, Reginald Owen e George Zucco.
Jovem prometida em casamento ao prefeito da cidade, bem mais velho 
do que ela, para esquecer sua desventura sonha com 
um pirata aventureiro. Um ator itinerante apaixona-se por ela, 
fazendo se passar por pirata.




SINFONIA DE PARIS/An American in Paris (1951)
Com: Gene Kelly, Leslie Caron, Oscar Levant,
George Guetary e Nina Foch.
Um pintor norte-americano, protegido por uma influente milionária, 
apaixona-se pela namorada de um amigo, complicando as coisas.



A RODA DA FORTUNA/The Band Wagon (1953)
Com: Fred Astaire, Cyd Charisse, Oscar Levant,
Nanette Fabray e Jack Buchanan.
Ex-astro de Hollywood, cuja carreira está em declínio, tenta recuperar 
seu prestígio na Broadway sob a direção de um intelectual extravagante.




A HISTÓRIA DE TRÊS AMORES/ The Story of Three Loves
(episódio “Madamoiselle”) (1953)
Com: Leslie Caron, Farley Granger, Ethel Barrymore,
Zsa Zsa Gabor e Ricky Nelson.
Num navio, uma talentosa dançarina tem problemas amorosos.







A LENDA DOS BEIJOS PERDIDOS/Brigadoon (1954)
Com: Gene Kelly, Van Johnson, Cyd Charisse
e Elaine Stewart.
 Cidade encantada aparece no mundo que conhecemos apenas 
um dia em cada século.







ESTRANHOS NO PARAÍSO/Kismet (1955)
Com: Howard Keel, Ann Blyth, Dolores Gray,
Vic Damone e Monty Woolley.
Em Bagdá, um poeta pobre vai ao mercado para vender 
suas rimas por alimento, mas termina sendo seqüestrado 
e levado para o deserto.






GIGI/idem (1958)
Com: Leslie Caron, Maurice Chevalier, Louis Jourdan,
Hermione Gingold e Eva Gabor.
Uma adolescente treinada por uma tia e uma avó para ser uma 
disputada cortesã, sente-se atraída por um rico 
e bonitão amigo da família.





vincente minnelli

19 comentários:

Marcelo C,M disse...

Nada contra a ele e tão pouco Sinfonia em Paris, mas ter ganhado de Uma Rua Chmada Pecado na época foi demais para qualquer cinefilo que aguente.

Marcia Moreira disse...

A lisa tem os olhos e a sobrancelha do pai.

Luiz Santiago disse...

Eu idolatro "Sinfonia de Paris", mas não consigo gostar muito de "Gigi", e até hoje não entendo todo o afã em relação ao filme.

Mas a genialidade de Minnelli é algo realmente impressionante. E como você bem colocou, os dramas e comédias que dirigiu são ótimos exemplos dessa capacidade.

Rato disse...

Mas o melhor filme do Minnelli nem sequer é um musical - o sublime "Some Came Running", de 1958

O Rato Cinéfilo

linezinha disse...

Dos filmes do Minnelli vi Sinfonia de Paris,O Pirata e o subestimado Adeus as Ilusões com Dame Taylor e Richard Burton,Gigi achei mediano e esse filme Some Came Running não conheço qual é o título dele em português? ótimo post Antônio bjs

Rato disse...

Em português essa maravilha chamou-se "Deus Sabe Quanto Amei". Com o Frank Sinatra, Shirley MacLaine e Dean Martin. Um dia destes vou falar dele na toca do Rato

Danielle disse...

Oi, Antonio!

Eu vou ser eternamente grata ao Vincente Minnelli pelas maravilhas que ele fez dentro e fora do campo do musical. "Sinfonia de Paris", "A roda da fortuna" e "O Pirata" são três dos meus dez musicais preferidos. Sem contar "The Clock", "O Pai da Noiva", "Madame Bovary". O homem era um gênio.

Bjinhos

linezinha disse...

valeu Rato! vou procurar esse filme para assitir bj

annastesia disse...

Estilo, luxo, elegância, charme, beleza, sofisticação, magia, encantamento e muito, muito mais. Quem nunca assistiu um filme de Minnelli (isso é possível?) não sabe o que está perdendo. Eu sou louquíssima por Assim estava escrito e gosto muito de A roda da fortuna e O pirata. Grande homenagem!

Daniele Moura disse...

Antonio, é muito bom saber que vc está mergulhado nos musicais. Eu os amo!
A primeira foto é arrasadora. "Ziegfeld Follies é um espetáculo! Aliás, Minnelli era um espetáculo!
Bjos!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Marcelo, acredite, acho UMA RUA CHAMADA PECADO uma maravilha, mas sou muito mais SINFONIA EM PARIS.
Abração,

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Luiz, também não acho GIGI uma obra-prima. É um dos filmes de Minnelli de que menos gosto.
Até a próxima

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

DEUS SABE QUANTO AMEI é comovente, Rato. Um grande filme. Mas fico com ASSIM ESTAVA ESCRITO como o melhor filme de Minnelli.
Abração,

Jamil disse...

A minha lista minnelliana inclui Chá e Simpatia (estupenda Deborah Kerr), Herança da Carne e A Cidade dos Desiludidos. São filmes de muito talento e competência.

GIANCARLO TOZZI disse...

O talento de Minnelli como papa dos musicais é inegável, mas o meu musical preferido é.... francês... isso: Os Guarda Chuvas do Amor, com a Catherine Deneuve. É lindo.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Os três filmes são ótimos, Jamil. Na verdade, não conheço nenhuma obra ruim de Minnelli. Até mesmo OS 4 CAVALHEIROS DO APOCALIPSE, que ninguém gosta, eu acho bem bacana.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Não posso ver OS GUARDA-CHUVAS DO AMO, caio no choro... rs... verdade... O final é brilhante, comovente...

Kley disse...

Agora Seremos Felizes é muito bom, O Pirata e Sinfonia de Paris são ótimos, Gigi beira ser um dos piores vencedores do Oscar de melhor filme (quem engole seus 9 Oscars?!). A dupla Minnelli/Kirk Douglas rendeu obras-primas como Assim Estava Escrito e Sede de viver. Além de Uma Rua Chamada Pecado, Sinfonia em Paris teve outro páreo duro naquele ano: Um Lugar ao Sol.

Anônimo disse...

thank you