março 24, 2011

******** SETE ESTRELAS PARA SETE MUSICAIS



Os exuberantes musicais de Hollywood me fascinam, principalmente se são coloridos, super coloridos, quase artificiais; se há canto e dança, pois fico entediado com os somente cantados, sem o ritmo das coreografias frenéticas; se são dirigidos por Vincente Minnelli, Charles Walters, George Sidney ou Busby Berkeley. O MUSICAL surgiu em Hollywood com o primeiro filme falado, “O Cantor de Jazz/The Jazz Singer” (1927), e se caracteriza por argumentos que mesclam danças e canções, sofrendo inicialmente forte influência teatral. Sua dimensão tem uma lógica particular, segundo a qual um personagem, no meio de uma cena, pode sair cantando e dançando para em seguida retomar a ação como se nada tivesse acontecido – e sem que ninguém, na tela ou fora dela, considere estranho. Imediatamente, os produtores enxergaram a possibilidade de se investir nesse novo gênero. Nos dois primeiros anos foram produzidos 80 títulos, e o número aumentou para 104 em 1930. Nascia assim o musical cinematográfico. A fita que definitivamente estabeleceu o gênero, “Melodia da Broadway/Broadway Melody” (1929), de Harry Beaumont, levou o Oscar de Melhor Filme. Seu êxito provocou uma onda de espetáculos filmados que rapidamente se tornaram populares. Mas a chamada era de ouro dos musicais iniciou-se logo após a Segunda Guerra Mundial, indo até os primeiros anos da década de 1960. São dessa fase as produções mais monumentais e bem-sucedidas, como  “Cantando na Chuva/Singin'in the Rain” (1952), que talvez seja o MUSICAL mais famoso da história do cinema. Ele realizou uma espécie de síntese de toda a essência do gênero, sendo reconhecido como um dos melhores filmes de todos os tempos. Nos anos 70, a fórmula parecia esgotada, mas mesmo assim o modelo continua surgindo vez ou outra com expressividade, retomando o hábito de utilizar músicas populares para costurar a trama e lembrando os velhos tempos dos extraordinários Cole Porter, George Gershwin e Irving Berlin. 

Para ilustrar este texto, selecionei 14 estrelas do MUSICAL clássico, sete homens e sete mulheres, cantores e dançarinos. Por fim, escolhi sete musicais estrelados por cada um deles, desde o Dick Powell das melodias românticas da Warner Brothers a nossa Carmen Miranda em esfuziantes comédias coloridas na 20th Century-Fox.


SETE VEZES ELES


BING CROSBY
(1903-1977)

CUPIDO AO LEME (We’re Not Dressing,1934)
DINHEIRO DO CÉU (Pennies from Heaven,1936)
MELODIA ROUBADA (Rhythm on the River,1940)
DUAS SEMANAS DE PRAZER (Holiday Inn, 1942)
ROMANCE INACABADO (Blue Skies,1946)
NATAL BRANCO/White Christmas (1954)
ALTA SOCIEDADE (High Society, 1956)


DICK POWELL
(1904-1963)

CAÇADORAS DE OURO (Gold Diggers of 1933, 1933)
RUA 42 (42ND Street, 1933)
BELEZAS EM REVISTA (Footlight Parade, 1933)
WONDER BAR (idem, 1934)
CAPRICHOS DE ESTRELA (Stage Struck, 1936)
AVENIDA DOS MILHÕES (On the Avenue, 1937)
HOTEL DE HOLLYWOOD (Hollywood Hotel, 1937)


FRANK SINATRA
(1915-1998)

MARUJOS DO AMOR (Anchors Aweigh, 1945)
BEIJOU-ME UM BANDIDO (The Kissing Bandit, 1948)
UM DIA EM NOVA IORQUE (On the Town, 1949)
A BELA DITADORA (Take Me Out to the Ball Game,1949)
ELES E ELAS (Guys and Dolls,1955)
ALTA SOCIEDADE (High Society,1956)
MEUS DOIS CARINHOS (Pal Joey,1957)


FRED ASTAIRE
(1899-1987)

O PICOLINO (Top Hat,1935)
YOLANDA E O LADRÃO (Yolanda and the Thief,1945)
DESFILE DE PÁSCOA (Easter Parade, 1948)
NÚPCIAS REAIS (Royal Wedding,1951)
A RODA DA FORTUNA (The Band Wagon,1953)
MEIAS DE SEDA (Silk Stockings,1957)
CINDERELA EM PARIS (Funny Face,1957)


GENE KELLY
(1912-1996)

MARUJOS DO AMOR (Anchors Aweigh,1945)
O PIRATA (The Pirate,1948)
UM DIA EM NOVA IORQUE (On the Town,1949)
SINFONIA DE PARIS (Na American in Paris,1951)
CANTANDO NA CHUVA (Singin’in the Rain,1952)
A LENDA DOS BEIJOS PERDIDOS (Brigadoon,1954)
LES GIRLS (idem, 1957)


HOWARD KEEL
(1919-2004)

BONITA E VALENTE (Annie Get Your Gun (1950)
O BARCO DAS ILUSÕES (Show Boat (1951)
DÁ-ME UM BEIJO (Kiss Me Kate (1953)
ARDIDA COMO PIMENTA (Calamity Jane (1953)
ROSE MARIE (idem,1954)
SETE NOIVAS PARA SETE IRMÃOS
(Seven Brides For Seven Brothers,1954)
KISMET (idem,1955)


MAURICE CHEVALIER
(1888-1972)

ALVORADA DO AMOR (The Love Parade,1929)
O TENENTE SEDUTOR (The Smiling Lieutenant,1931)
UMA HORA CONTIGO (One Hour with You,1932)
AMA-ME ESTA NOITE (Love-me Tonight,1932)
A VIÚVA ALEGRE (The Merry Widow,1934)
GIGI (idem,1958)
CAN-CAN (idem,1960)


SETE VEZES ELAS



CARMEN MIRANDA
(1909-1955)

SERENATA TROPICAL (Down Argentine Way,1940)
UMA NOITE NO RIO (That Night in Rio,1941)
ACONTECEU EM HAVANA (Week-End in Havana,1941)
ENTRE A LOURA E A MORENA (The Gang’s All Here,1943)
SERENATA BOÊMIA (Greenwich Village,1944)
ALEGRIA, RAPAZES! (Something for the Boys,1944)
                COPACABANA (idem,1947)


CYD CHARISSE
(1921-2008)

AS GARÇONETES DE HARVEY (The Harvey Girls,1946)
FESTA BRAVA (Fiesta,1947)
CANTANDO NA CHUVA (Singin’in the Rain,1952)
MÉXICO DOS MEUS AMORES (Sombrero,1953)
A RODA DA FORTUNA (The Band Wagon,1953)
A LENDA DOS BEIJOS PERDIDOS (Brigadoon,1954)
MEIAS DE SEDA (Silk Stockings,1957)


ESTHER WILLIAMS
(1921- )

ESCOLA DE SEREIAS (Bathing Beauty,1944)
PAIXÃO EM JOGO (Thrill of a Romance,1945)
FESTA BRAVA (Fiesta,1947)
A BELA DITADORA (Take Me Out to the Ball Game,1949)
A FILHA DE NETUNO (Neptune’s Daughter,1949)
A RAINHA DO MAR (Million Dollar Mermaid,1952)
FÁCIL DE AMAR (Easy to Love,1953)


GINGER ROGERS
(1911-1995)

A ALEGRE DIVORCIADA (The Gay Divorcee,1934)
O PICOLINO (Top Hat,1935)
ROBERTA (idem,1935)
RITMO LOUCO (Swing Time,1936)
VAMOS DANÇAR? (Shall We Dance?,1937)
A HISTÓRIA DE VERNON E IRENE CASTLE,The Story of
Vernon and Irene Castle,1939)
CIÚME, SINAL DE AMOR (The Barhleys of Broadway,1949)


JEANETTE MacDONALD
(1903-1965)

ALVORADA DO AMOR (The Love Parade,1929)
MONTE CARLO (idem,1930)
AMA-ME ESTA NOITE (Love-me Tonight,1932)
A VIÚVA ALEGRE/ (The Merry Widow,1934)
OH! MARIETTA (Naughty Marietta,1935)
ROSE MARIE (idem,1936)
PRIMAVERA Maytime,1937)


LESLIE CARON
(1931- )

SINFONIA DE PARIS (Na American in Paris,1951)
ESCRAVO DE UM SEGREDO (Glory Alley 1952)
LILI (idem,1953)
A HISTÓRIA DE TRÊS AMORES (The Story of Three Loves
- epis. “Mademoisellke”,1953)
O SAPATINHO DE CRISTAL (The Glass Slipper (1955)
PAPAI PERNILONGO (Daddy Long Legs,1955)
GIGI (idem,1958)

RITA HAYWORTH
(1918-1987)

AO COMPASSO DO AMOR (You’ll Never Get Rich,1941)
MINHA NAMORADA FAVORITA (My Gal Sal,1942)
BONITA COMO NUNCA (You Were Never Lovelier,1942)
MODELOS (Cover Girl,1944)
CORAÇÃO DE UMA CIDADE (Tonight and Every Night,1945)
QUANDO OS DEUSES AMAM (Down to Earth,1947)
MEUS DOIS CARINHOS (Pal Joey,1957)

rita hayworth

14 comentários:

Alan Raspante disse...

Adoro musicais, e lendo este seu excelente artigo, me deparei com uma coisa: preciso ainda conferir muuuito filme do gênero!

abs :)

disse...

Olá, Antonio! Adoro musicais! Só achei um probleminha: onde está Judy Garland? É um nome inesquecível do gênero!
Abraços, Lê

Rubi disse...

Adoro musicais *-*.
Dos que você citou, a maioria eu já conheço e sou fã. Por exemplo, Bing Crosby, Frank Sinatra, Fred Astaire, Gene Kelly, Carmen Miranda e Ginger Rogers são os meus favoritos.

Mas confesso que de todos os filmes acima, o que mais me encanta é High Society. Aquela musiquinha " Well Did You Evah" interpretada por Bing e Frank é simplesmente fantástica!

Parabéns pelo post, que está excelente.

Rato disse...

De todos os filmes listados permitam-me destacar os meus 10 favoritos, aqueles que considero imprescindíveis, mesmo (ou sobretudo) para todos aqueles que não são especialmente fans do género:

1935 - Top Hat
1936 - Swing Time
1937 - Shall We Dance?
1951 - An American in Paris
1952 - Singin' in the Rain
1953 - The Band Wagon
1954 - 7 Brides for 7 Brothers
1955 - Guys and Dolls
1956 - High Society
1957 - Pal Joey

Mas é claro que os grandes musicais não se esgotam na década de 50. Aqui ficam mais 14 para completar as duas dúzias:

1960 - West Side Story
1961 - Let's Make Love
1964 - My Fair Lady
1965 - The Sound of Music
1968 - Funny Girl
1969 - Sweet Charity
1969 - Paint Your Wagon
1969 - Hello, Dolly!
1971 - Fiddler on the Roof
1972 - Cabaret
1977 - New York, New York
1979 - All That Jazz
1980 - The Blues Brothers
1981 - Pennies From Heaven

Façam o favor de cantar e de swingar!

O Rato Cinéfilo

linezinha disse...

Amo musicais! adoro os musicais em que a Carmem Miranda fez e Antônio faltou vc citar a Judy Garland! excelente post bjs!

annastesia disse...

Antônio, sua lista está estupenda. Sou suspeita pois amoooo musicais. Adoro as estripulias geniais de Berkeley, as maravilhas de Minnelli, a elegância e a leveza de Fred, a virilidade e o charme de Gene, a imponência de Keel (fiquei feliz por ter citado Howard), as pernas invejáveis de Cyd, a beleza e a graça de Rita, a vitalidade inconfundível da "pequena notável" e, claro, Cantando na chuva.
Parabéns pelo tópico.

Leandro Afonso Guimarães disse...

Lista é bem interessante e existem nomes cujos filmes me escapam, mas admito que uma das minhas preferidas nem selecionada foi: Liza Minelli.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Lê e Linezinha, jamais iria esquecer a Judy. Para ela, um post inteirinho logo a seguir.
Abraços,

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Bacana suas listas, Rato. Só não conheço THE BLUES BROTHERS. Ah, não gosto de GUYS AND DOLLS.
Abração

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Também gosto de Liza, Leandro, mas a idéia era selecionar estrelas que no mínimo atuaram em sete musicais (numa referência a SETE NOIVAS PARA SETE IRMÃOS). Portanto, gente do porte de Liza, Julie Andrews e Shirley MacLaine ficaram de fora, já que não filmaram tantos musicais.

Tudo de bom,

Jamil disse...

A Rita dançava como ninguém. Uma leveza, um toque de graça, uma ninfa.Dos bailarinos, fico com Astaire e sua classe e agilidade impressionantes.
Magistral homenagem ao musical, Antonio.

GIANCARLO TOZZI disse...

A Jeanette MacDonald é chatinha, não? O Howard Keel também não me convence. Mas quando o assunto é dança, nenhuma bailarina supera Cyd Charysse. A mulher era um avião a todo motor.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Também não sou fã da Jeanette, Giancarlo. Vi um dia desses um filme maravilhoso, AMA-ME ESTA NOITE, do Rouben Mamoulian. Tudo perfeito, mas a pieguice da atriz compromete a obra.
Até a próxima

Marcelo C,M disse...

Junto com o faroeste, foi um genero muito filmado, tanto que ficou meio que desgastado durante os anos 60. A coisa só voltou a ter força com Noviça Rebelde e Cabaré, mas dai então o genero se esgotou de vez.
Só de uns anos para cá que o musical tenta voltar. Dificil mas não impossivel.