fevereiro 28, 2025

***************** MEMÓRIA BRASIL: nosso CINEMA

“o dragão da maldade contra o santo guerreiro”

ao meu outro, invisível,
que, como eu, gosta de cinema.
 

O cinema brasileiro
é feito com dinheiro público.
Com o dinheiro de um curta
se faz quatro casas populares,
com o dinheiro de um longa
dá para fazer um hospital.
Cinema, no Brasil,
é feito para os ricos
com dinheiro dos pobres.
JORGE FURTADO
(1959. Porto Alegre / Rio Grande do Sul)
cineasta
 
Minha intenção é mergulhar
na realidade brasileira,
suas lutas e lendas,
para chegar a exprimir
a alma do meu povo
em toda sua complexidade.
GLAUBER ROCHA
(1939 – 1981. Vitória da Conquista / Bahia)
 
 
Vejo filmes desde que me entendo por gente e, ainda garoto, colecionava fotografias, cartazes, sinopses e fichas técnicas de longas nacionais e estrangeiros. Na condição de repórter e comentarista da sétima arte desde os anos 80, sempre estive interessado no CINEMA BRASILEIRO e procurei abordar, com justeza e imparcialidade, os seus problemas e êxitos, em artigos e entrevistas com atores e diretores. Entrevistei Marília Pêra, Walter Salles, Sônia Braga, Vera Fischer, Mário Gusmão, Luiz Carlos Vasconcelos, Rita Assemany, Edgard Navarro, entre outros, além de dezenas de atores e diretores estrangeiros. Escrevi sobre Glauber Rocha, Vera Cruz, Norma Bengell, Grande Otelo, Florinda Bolkan, Cinema Baiano, Cinema Novo, Regime Militar no Cinema, Dina Sfat, Othon Bastos, Leila Diniz, Darlene Glória, Odete Lara, Carmen Miranda etc. Durante doze anos, morando na Europa, cobri os festivais de Cannes, Veneza, Berlim, San Sebastian e os prêmios Goya. Portanto, o cinema está entranhado na minha existência. 
 
olga breno em “limite”
A referência mais antiga ao CINEMA BRASILEIRO data de 1898. O italiano Afonso Segreto, radicado no Brasil, a bordo do navio Brésil, retornava ao Rio de Janeiro após passar um período em Nova Iorque e Paris. Ele registrou imagens da Baía da Guanabara com uma câmera Lumière, que acabara de adquirir em Paris, ficando historicamente registradas como as primeiras filmagens no nosso país. Foi assim que tudo começou, e dentro do meu espírito de conhecer a história da evolução da sétima arte tupiniquim, no final de 2024 resolvi vê-lo de forma sistemática. Com formação cinéfila e longa experiência lidando com filmes, confesso que não esperava muito. Mas me surpreendi. Vi (ou revi) mais de 100 longas-metragens. De Humberto Mauro a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, do Cinema Novo a chamada Retomada. Nesse período, li sobre o tema em livros, revistas, jornais, portais e blogues. Analisei a lista dos melhores filmes da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), da Cinemateca Brasileira e da “Bravo”.
 
Algumas produções icônicas, embora curiosas, não me comoveram (e cinema é emoção!). Entre elas, “O Cangaceiro” (1953), “Rio 40 Graus” (1955), “Os Cafajestes” (1962), “O Bandido da Luz Vermelha” (1969), “Macunaíma” (1969), “A Culpa” (1971) e “A Queda” (1978). Assisti a todos os filmes produzidos na Vera Cruz. Do geral, evitei os musicais dos anos 30, chanchadas, pornochanchadas, o experimentalismo marginal da Boca do Lixo de São Paulo e Amácio Mazzaropi (vi apenas suas comédias dos anos 50). Já conhecia o Cinema Baiano, o Pernambucano e o impressionante e maldito durante décadas “Limite”, de 1931. Vi filmes brasileiros sem qualidades, e talvez os piores da safra tenham sido “As Duas Faces da Moeda” (1969), “Mãos Vazias” (1972), o último filme de Leila Diniz; “Eu Matei Lúcio Flávio” (1979) e “Quem Matou Pixote?” (1996). Desconstruí os cineastas Nelson Pereira dos Santos, Carlos Diegues, Paulo César Saraceni e Bruno Barreto. Eles acertaram uma ou duas vezes, o resto é de nível médio.

josette bertal e jose lewgoy em “amei um bicheiro”
Para  Glauber Rocha, “fazer cinema é fundamentalmente necessário quatro coisas: amor, inteligência, sensibilidade e sobretudo insolência”. A produção cinematográfica local chegou bem perto dessa receita nos anos 60, em pleno Regime Militar. Foi o momento mais significativo do CINEMA NACIONAL. No presente, contamos com talentosos técnicos e bons atores, mas a insignificância fílmica predomina. Não é um cinema verdadeiro. Há inanição criativa e oportunismo ideológico. Parece não ter nenhum complexo de ter tomado a telenovela como modelo. A maior parte dos filmes que se faz hoje no Brasil tem como aspiração e inspiração a TV, numa quase sempre telenovela concentrada. Acerta muito raramente. Resumindo, são milhões de reais do dinheiro público investidos em produções banais, que em sua maioria nem são exibidas em salas de cinema ou streaming, e em custos de viagens a festivais internacionais de cinema, dando boa vida a artistas.
 
Cerca de 200 filmes anuais enchem os bolsos desses oportunistas. Em 2020-2025 cresceu o número de FILMES BRASILEIROS, mas seu público sumiu sem dizer adeus. Calcula-se que apenas 20% entraram em cartaz. A maioria dos títulos nunca ouvimos falar: “A Morte Habita à Noite” (2020), “A Primeira Morte de Joana” (2021), “Mundo Novo (2021), “Sol (2021), o comunista “O Pastor e o Guerrilheiro” (2022), “Mato Seco em Chamas” (2023) etc. Essa série de filmes “invisíveis” tiveram patrocínio da Ancine e do Fundo Setorial do Audiovisual, ferramentas públicas e estatais. Conforme a OCA (Observatório Brasileiro de Cinema e do Audiovisual), da Ancine, foram 281 obras brasileiras exibidas nos cinemas em 2023 e 209 em 2024. Um festival de fracassos de crítica e de bilheteria. Somente 8,4% do público total optou por assistir a filmes nacionais. A maioria absoluta, formada por 91,6% da audiência, escolheu produções internacionais.

leonardo villar em a hora e a vez de augusto matraga
Segundo dados do Sistema de Controle de Bilheteria (SCB), liderou os três primeiros lugares do Top 10 dos filmes brasileiros de maior arrecadação em 2024-5: “Os Farofeiros 2”, “Minha Irmã e Eu” e “Nosso Lar 2 – Os Mensageiros”, mas não houve nenhum fenômeno

de bilheteria comparável a Os Dez Mandamentos - O Filme (2016), Nada a Perder(2018) ou Minha Mãe é uma Peça 3 (2019). Há anos nenhuma produção brasileira fica no Top 10 da bilheteria geral, nem mesmo “Ainda Estou Aqui”, que gastou 50 milhões de reais (dados da IstoÉ Dinheiro) na produção, e outra fortuna sigilosa em marketing mundial e campanha de premiações. Na pesquisa, vi fitas sensíveis como “O Menino e o Vento” (1967), de Carlos Hugo Christensen, ou “Antes, o Verão” (1968), de Gerson Tavares. Até a década de 1950, a cinematografia brasileira apresenta poucas obras significativas. Descartando as chanchadas da companhia carioca Cinédia (1930 - 1951) e da Atlântida Cinematográfica (1941 - 1962), apreciei filmes dignos do pioneiro Humberto Mauro. Da Vera Cruz (1949 - 1955), aplaudo o policial noir “Na Senda do Crime” (1954), de Flaminio Bollini Cerri. Nos anos 60, filmes fundamentais ganharam as telas, embora muitos deles estejam contaminados pelo esquerdismo-nacionalista.
 
As sessões domésticas resultaram na escolha de 25 FILMES BRASILEIROS significativos, visando estabelecer uma videoteca básica para cinéfilos. Diferentes fases e estilos encontram-se representados – o filme mudo, o movimento Cinema Novo e a Retomada –, dando prova de um cinema que aos trancos e barrancos supera obstáculos. A fita mais antiga da lista é a obra-prima “Limite”, único longa-metragem dirigido por Mario Peixoto, lançado em 1931 e provocando escândalo. Em primeiro lugar aparece “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, um dos filmes mais importantes do Cinema Novo. “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de Roberto Santos, baseado no conto homônimo de João Guimarães Rosa, de 1965, fica na segunda posição. A obra mais recente listada é o realista “Carandiru” (2003). Destaco o caráter democrático do ranking e a especial ênfase dada a aquele que considero um dos maiores cineastas brasileiros: o baiano Glauber Rocha, com três produções entre as eleitas. Polêmico, incompreendido e premiado, buscou um cinema original e de vanguarda.
 
Alerto para a insatisfação que a lista pode causar em questões como posição de classificação e ausência de nomes emblemáticos. Como costumo dizer, toda lista é acima de tudo uma questão pessoal. Por fim, num todo, deixo o resumo para quem deseja entender a história dos 127 anos de produção de CINEMA no BRASIL, com seus diferentes momentos, propostas estéticas e abordagens temáticas. E com esta contribuição faço minha modesta homenagem a todos os diretores, roteiristas, atores e técnicos que, cada um a seu modo, difundiram e valorizaram a nossa cinematografia.
 
yoná magalhães em “deus e o diabo na terra do sol”

VINTE e CINCO FILMES NACIONAIS
(por ordem de preferência)
 
01
DEUS e o DIABO na TERRA do SOL (1964)

direção de Glauber Rocha

Copacabana Filmes
 
Manuel (Geraldo Del Rey), um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo seu patrão, acaba matando-o em uma briga. Ele foge com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães), juntando-se aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), que promete o fim de qualquer sofrimento, passando a ser perseguido por jagunços. Enquanto isso, Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel que presta serviço à Igreja Católica e aos latifundiários da região, extermina os seguidores do beato e caça o cangaceiro Corisco, o diabo louro (Othon Bastos, formidável). Causou impacto. Considerado um marco do Cinema Novo, lança mão de simbologias que apresentam as forças conflitantes no Nordeste empobrecido, imprimindo imagens de grande força visual.
 
02
A HORA e a VEZ de AUGUSTO MATRAGA (1965)

direção de Roberto Santos

Difilm / Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas
 
Baseado num conto de João Guimarães Rosa do clássico “Sagarana”, Roberto Santos realiza o seu melhor filme, triunfo de crítica e de público. Um homem violento do interior de Minas Gerais, abandonado pela mulher e ferido numa emboscada por inimigos, faz-se passar por morto. Tocado pela religiosidade de seus modestos salvadores, sofre uma transformação mística. Leonardo Villar em extraordinário desempenho, secundado por Jofre Soares, Maria Ribeiro, Maurício do Valle e Flávio Migliaccio.
 
03
O PADRE e a MOÇA (1965)

direção de Joaquim Pedro de Andrade

Difilm
 
O documentarista Joaquim Pedro de Andrade estreando na ficção de longa-metragem, mostra sensibilidade. O roteiro baseou-se no poema de Carlos Drummond de Andrade, relatando a história de um jovem padre que descobre a força do amor numa bela e corajosa garota de pequena localidade, até serem ambos consumidos pelo sexo e a fúria de uma cidade escandalizada. Paulo José, Helena Ignez, Fauzi Arap e Mário Lago personificam os personagens centrais de modo avassalador e impecável.
 
04
Os FUZIS (1964)

direção de Ruy Guerra

Copacabana Filmes / Daga Filmes / Inbracine Filmes
 
Agrupamento de soldados se encontra face a uma população de flagelados, famintos da seca do sertão da Bahia, que tenta saquear um armazém. Há indecisão, temor e um motorista gaúcho, impaciente com a passividade da população, incita-os à rebelião e acaba sendo morto por um dos soldados. O roteirista Miguel Torres morreu em viagem para as locações. No elenco, Nelson Xavier, Átila Iório, Hugo Carvana, Maria Gladys, entre outros. Cenografia de Calazans Neto. Melhor Direção no Festival de Berlim.
 
05
SÃO BERNARDO (1972)

direção de
Leon Hirzsman

Embrafilme / Mapa Filmes / Saga Filmes
 
Do romance de Graciliano Ramos, um homem ambicioso que consegue ser um grande proprietário de terras, mas, roído pelo maldito ciúme, leva a esposa ao suicídio e abraça a solidão como companheira. O protagonista do drama encontrou em Othon Bastos o intérprete perfeito. No elenco, a magistral Isabel Ribeiro, uma das nossas maiores atrizes; Vanda Lacerda, Nildo Parente, Mário Lago, Rodolfo Arena e Jofre Soares. Melhor Ator no Festival de Gramado. Melhor Atriz, Roteiro, Direção, Figurino e Ator Coadjuvante (Parente) da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
 
06
VIDAS SECAS (1964)

direção de Nelson Pereira dos Santos

Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas / Sino Filmes
 
07
SÃO PAULO, SOCIEDADE ANÔNIMA (1965)

direção de
Luiz Sérgio Person

Socine Produções Cinematográficas
 
08
LAVOURA ARCAICA (2002)

direção de
Luiz Fernando Carvalho

Vídeo Filmes / Tibet Filme
 
09
LIMITE (1931)

direção de Mário Peixoto

Cinédia
 
10
NOITE VAZIA (1964)

direção de
Walter Hugo Khouri

Kamera Filmes / Vera Cruz
 
11
TERRA em TRANSE (1967)

direção de Glauber Rocha

Mapa / Difilm
 
12
TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA (1973)

direção de Arnaldo Jabor

Ipanema Filmes / Ventania Filmes
 
13
PIXOTE, a LEI do MAIS FRACO (1981)

direção de Hector Babenco

HB Filmes / Embrafilmes
 
14
O DRAGÃO da MALDADE CONTRA o SANTO GUERREIRO (1969)

direção de Glauber Rocha

Mapa Filmes / Cinemas Associés / Telepool
 
15
CABRA MARCADO para MORRER (1984)

direção de
Eduardo Coutinho

Eduardo Coutinho Produções Cinematográficas / Mapa Filmes
 
16
CENTRAL do BRASIL (1998)

direção de Walter Salles

VideoFilmes / RioFilme / Mact Pruction / E.S.R. Films / Superfilmes
 
17
ELES NÃO USAM BLACK-TIE (1981)

direção de Leon Hirszman

Embrafilme / Leon Hirszman Produções Cinematográficas
 
18
BYE BYE, BRASIL (1979)

direção de
Carlos Diegues

Produções Cinematográficas L. C. Barreto
 
19
O PAGADOR de PROMESSAS (1962)

direção de Anselmo Duarte

Cinedistri / Produções de Castro
 
20
TODAS as MULHERES do MUNDO (1967)

direção de Domingos de Oliveira

D.O. Produções Cinematográficas / Saga Filmes
 
21
O CASO dos IRMÃOS NAVES (1967)

direção de
Luis Sérgio Person

Lauper Films / MC Filmes
 
22
MEMÓRIAS do CÁRCERE (1984)

direção de Nelson Pereira dos Santos

Embrafilme / L. C. Barreto Produções Cinematográficas / Regina Filmes
 
23
DONA FLOR e seus DOIS MARIDOS (1976)

direção de
Bruno Barreto

Carnaval Unifilme / Cia Serrador / Coline
 
24
CARANDIRU (2003)

direção de
Hector Babenco

BR Petrobrás / Columbia TriStar Filmes do Brasil / Globo Filmes
 
25
O DESCOBRIMENTO do BRASIL (1937)

direção de Humberto Mauro

Instituto Brasileiro de Cacau
 
reginaldo faria e ana maria magalhães em “lúcio flávio...”

TRÊS DIRETORES do CINEMA BRASILEIRO
 
GLAUBER ROCHA
(1939 – 1981. Vitória da Conquista / Bahia)

Três Filmes:

“Barravento” (1962)
“Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964)
“Terra em Transe” (1967)
 
HECTOR BABENCO
(1946 – 2016. Mar del Plata / Argentina)

Três Filmes:

“Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977)
“Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1981)
“Carandiru” (2003)
 
HUMBERTO MAURO
(1897 – 1983. Volta Grande / Minas Gerais)

Três Filmes:

“Ganga Bruta” (1933)
“O Descobrimento do Brasil” (1937)
“Argila” (1940)
 
odete lara em “noite vazia”

TRÊS ATRIZES do CINEMA BRASILEIRO
 
ELIANE LAGE
(1928. Paris / França)

Três Filmes:

“Caiçara” (1950)
“Sinhá Moça” (1953)
“Ravina” (1958)
 
NORMA BENGELL
(1935 – 2013. Rio de Janeiro / RJ)

Três Filmes:

“O Pagador de Promessas” (1962)
“Os Cafajestes” (1962)
“Noite Vazia” (1964)
 
ODETE LARA
(1929 – 2015. São Paulo / SP)

Três Filmes:

“Boca de Ouro” (1963)
“Noite Vazia” (1964)
“O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969)
 
othon bastos e isabel ribeiro em “são bernardo”

TRÊS ATORES do CINEMA BRASILEIRO
 
JECE VALADÃO
(1930 – 2006. Campo dos Goytacazes / Rio de Janeiro)

Três Filmes:

“Os Cafajestes” (1962)
“Boca de Ouro” (1963)
“Navalha na Carne” (1969)
 
OTHON BASTOS
(1933. Tucano / Bahia)

Três Filmes:

“Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964)
“Os Deuses e os Mortos” (1970)
“São Bernardo” (1972)
 
PAULO JOSÉ
(1937 – 2021. Lavras do Sul / Rio Grande do Sul)

Três Filmes:

“O Padre e a Moça” (1966)
“Todas as Mulheres do Mundo” (1966)
“Macunaíma” (1969)
 
nelson xavier em “os fuzis”

TRÊS FOTÓGRAFOS do CINEMA BRASILEIRO
 
AFFONSO BEATO
(1941. Rio de Janeiro / RJ)

Três Filmes:

“Copacabana me Engana” (1968)
“O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969)
“Pindorama” (1970)
 
RICARDO ARONOVICH
(1930. Buenos Aires / Argentina)

Três Filmes:

“Os Fuzis” (1964)
“São Paulo, Sociedade Anônima” (1965)
“Vereda de Salvação” (1965)
 
WALTER CARVALHO
(1940. João Pessoa / Paraíba)

Três Filmes:

“Central do Brasil” (1998)
“Abril Despedaçado” (2001)
“Lavoura Arcaica” (2001)
 
dionísio azevedo e leonardo villar em “o pagador de promessas”

FONTES
“Cinema Brasileiro, Propostas para uma História” (1978)
de Jean-Claude Bernardet
 
“Cinema e Verdade: Marylin, Buñuel etc,
por um Escritor de Cinema” (1988)
de Francisco Luiz de Almeida Salles
           
“Dicionário de Cineastas Brasileiros” (1990)
de Luiz F. A. Miranda
 
“Enciclopédia do Cinema Brasileiro” (2000)
de Fernão Ramos
 
“Escritos sobre Cinema – Trilogia de um Tempo Crítico” (2010)
de André Setaro
 
“História Ilustrada dos Filmes Brasileiros (1929 – 1988)” (1989)
de Salvyano Cavalcanti de Paiva
 
“Olhar crítico: 50 anos de Cinema Brasileiro” (2009)
de Ely Azeredo
 
“Um Filme por Dia: Crítica de Choque (1946-1973)” (2004)
de Antônio Moniz Vianna 
 
sônia braga em “dona flor e seus dois maridos”

SOBRE o CINEMA BRASILEIRO
01
O ADMIRÁVEL CINEMA BAIANO
http://ofalcaomaltes.blogspot.com/2012/01/o-admiravel-cinema-baiano.html
 

02
ANATOMIA de uma AGONIA MILITANTE
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2024/12/anatomia-de-uma-agonia-militante.html
 

03
ANDRUCHA e a ESPANHA do SÉC. de OURO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2010/12/lope-trailer.html

 
04
CARMEN MIRANDA: VIVENDO de ALEGRIA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2015/04/carmen-miranda-vivo-de-alegria.html

 
05
CINEMA BRASILEIRO: GRITOS e SILÊNCIOS
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2023/12/cinema-brasileiro-gritos-e-silencios.html

 
06
CONDENSANDO RITA ASSEMANY
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2024/05/condensando-rita-assemany.html
 

07
DINA SFAT, à FLOR da PELE
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2012/04/dina-sfat-estrela-flor-da-pele.html
 

08
EDGARD NAVARRO, o INDOMÁVEL
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/02/edgard-navarro-o-indomavel-bom-moco.html

 
09
ERA UMA vez SONIA BRAGA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/06/sonia-braga-bela-e-bendita.html

 
10
FLORINDA: do CEARÁ para o MUNDO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2016/10/florinda-do-ceara-para-o-mundo.html

 
11
GLAUBER ROCHA - os ÚLTIMOS DIAS de VIDA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/03/glauber-rocha-os-ultimos-dias-de-vida_11.html

 
12
GLAUCE ROCHA: ILUMINANDO o CINEMA NOVO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2015/01/glauce-rocha-iluminando-o-cinema-novo.html

 
13
GRANDE OTELO: COMÉDIA e TRAGÉDIA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2016/01/grande-otelo-comedia-e-tragedia.html
 

14
JORGE AMADO no CINEMA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2017/01/jorge-amado-no-cinema.html

 
15
MARÍLIA – TALENTO a TODA PROVA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2017/02/marilia-talento-toda-prova.html

 
16
NORMA BENGELL: O OCASO de uma MUSA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2012/10/norma-bengell-o-ocaso-de-uma-musa.html

 
17
NOSSAS MUSAS NUAS
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2019/04/nossas-musas-nuas.html

 
18
PEQUENA HISTÓRIA do CINEMA BRASILEIRO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2016/10/pequena-historia-do-cinema-brasileiro.html

 
19
REGIME MILITAR no BRASIL: FILMES
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2019/03/o-regime-militar-brasileiro-no-cinema.html

 
20
Uma CÂMARA na MÃO, uma IDEIA na CABEÇA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2010/11/cinema-novo-uma-camara-na-mao-e-uma.html

 
21
VERA CRUZ: AMBIÇÃO e DECLÍNIO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/08/vera-cruz-ambicao-e-declinio.html

 
22
A VIDA e os FILMES da BELA TÔNIA CARRERO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2025/02/vida-e-os-filmes-da-bela-tonia-carrero.html

 
23
20 GRANDES ATORES do CINEMA BRASILEIRO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2025/01/20-grandes-atores-do-cinema-brasileiro.html

 
24
WALTER SALLES com o PÉ na ESTRADA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2010/11/walter-salles-com-o-pe-na-estrada.html
 
 
GALERIA de FOTOS
 
 


fevereiro 15, 2025

***** A VIDA e os FILMES da BELA TÔNIA CARRERO



 

Era de tal beleza que encabulei 
e não consegui olhá-la nos olhos.
CARLOS DRUMMOND de ANDRADE
(1902 – 1987. Itabira / Minas Gerais)
 
A mulher bonita precisa ter certas qualidades 
para que sua beleza se torne menos esmagadora.
ANÍBAL MACHADO
(1894 – 1964. Sabará / Minas Gerais)
 
Votei e fiz campanha para José Serra na eleição presidencial em 2002. Não votei no Lula. Acho ele engraçadíssimo. Parece um ator cômico. Ele fala besteira, muitas gafes. Não tem cultura nenhuma. Diz que seu governo está preocupado com a fome, embora, verdade seja dita, não esteja resolvendo o problema da fome.
TÔNIA CARRERO
Folha de S. Paulo
agosto de 2004
 
Olhos: azuis
Cabelos: loiros
Apelidos: Mariinha e Tônica
 

 
Ela foi uma das mulheres mais bonitas do Brasil e durante décadas a nossa mais bela atriz. Sua beleza era um elixir, um bálsamo, um imã. Arrancava suspiros por onde passava. “Ela iluminava Ipanema, as salas, as praias, as ruas…”, escreveu Paulo Mendes Campos. Dona de formosura estonteante, batalhou para se tornar atriz respeitada. Não era levada a sério no início da carreira. Nasceu em uma família de militares. O patriarca, um intelectual, recebia em casa artistas famosos como Procópio Ferreira, Oscarito, Grande Otelo e Dulcina de Moraes. Casou-se cedo com o artista plástico e diretor de cinema Carlos Thiré, e tornou-se mãe de Cecil, futuro ator. Em seguida, TÔNIA CARRERO (1922 – 2018. Rio de Janeiro / RJ) estudou teatro na França com o lendário Jean-Louis Barrault, fazendo o curso “Éducation par le Jeu Dramatique”. Ao voltar de Paris, estreou aos 25 anos no filme “Querida Suzana”, ao lado de Anselmo Duarte e Nicette Bruno. Apadrinhada por Rubem Braga, é contratada por Fernando de Barros para os filmes “Caminhos do Sul” (1949) e “Perdida pela Paixão” (1950). 
 
O cinema é o primeiro palco da estrela. Em 1949 assiste Paulo Autran em cena, e o convida para seu lançamento no teatro em “Um Deus Dormiu lá em Casa”, de Guilherme Figueiredo. A bem-sucedida montagem e a alquimia entre os dois atores são o ponto de partida para diversos outros espetáculos.
A convite do empresário Franco Zampari, entra para a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, o estúdio paulistano que alimentou o sonho de um cinema industrial nacional e lançou diversos nomes ao estrelato. Nele, ela protagoniza dois dramas, “Apassionata” (1952) e “Tico-Tico no Fubá” (1952), e a comédia “É Proibido Beijar” (1954). O segundo, dirigido por Adolfo Celi, foi um estrondoso sucesso de bilheteria e ganhou vários prêmios importantes. Trata-se de uma biografia romanceada do popular compositor Zequinha de Abreu (1880 – 1935). Um quarto filme na Vera Cruz, “Ana Terra”, baseado no romance de Érico Veríssimo, ficou incompleto com a falência do estúdio. 
 
Projetada como diva, TÔNIA CARREIRO recebeu convite para jantar – e aceitou! - com Getúlio Vargas, o ditador-presidente do Brasil à época, no Palácio do Catete. Em 1953, de volta ao palco, estreou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) na comédia “Uma Certa Cabana”, com direção do italiano Adolfo Celi. Depois da Vera Cruz, nunca deixou de filmar, inclusive participando de produções internacionais, mas não fez grandes filmes em sua longa carreira. Resumindo sua trajetória cinematogáfica, o melhor deles foi o policial “Tempo de Violência”, de 1969, com Raul Cortez, Glauce Rocha, Mário Lago e Isabel Ribeiro no elenco. Interpreta Marta, a esposa de bancário que presencia o assassinato de um jornalista e é perseguido implacavelmente pelos criminosos. Separada de Thiré, se relacionou com Celi, que tinha um caso com Cacilda Becker, a primeira-dama do teatro brasileiro, gerando tensão no meio teatral. As duas só fizeram as pazes pouco antes da morte de Cacilda em 1969. Tônia já estava separada de Celi e Cacilda apaixonada por Walmor Chagas. Numa conversa franca, revelou que Cacilda era seu paradigma de atriz. Resolveram as diferenças. Em 1956, o casal mais Paulo Autran formaram a Companhia Tônia-Celi-Autran, estreando em “Otelo”, de William Shakespeare. Seu desempenho rendeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte de Melhor Atriz.  
 
nelson xavier e tonia em navalha na carne
Na década de 60, ela ingressa na Excelsior, na telenovela histórica
“Sangue do Meu Sangue” (1969), fazendo enorme sucesso como a atriz Pola Renon. Em 1967, como a prostituta Neusa Sueli de “Navalha na Carne”, desempenha um dos seus papéis mais emblemáticos. Abandona padrões de beleza e dá vida ao texto de Plínio Marcos. A peça marca o seu reconhecimento profissional, recebendo o Prêmio Molière de Melhor Atriz. Foi um dos espetáculos mais aplaudidos da temporada, além de divisor de águas em sua brilhante carreira no teatro, que inclui clássicos de Tchekhov, Albee, Sartre, Pirandello, Shaw, Shakespeare e Ibsen.
Entre outras, participou das telenovelas “Pigmalião 70” (1970) e “Água Viva” (1980), interpretando Stella Simpson, uma socialite excêntrica. Acompanhei essa última do início ao final, uma impactante criação de Gilberto Braga e Manoel Carlos. Pouco depois,
morei um ano e meio no Rio de Janeiro, fazendo amizades com artistas – Jorge Fernando, Antônio Cícero, Lauro Corona, Maria Sílvia, Edson Celulari, Elke Maravilha, Caíque Ferreira etc. - e figuração em programas de humor da Rede Globo. 
 
Nessa época, soube de diversas verdades secretas da classe artística. Uma delas, sobre TÔNIA CARRERO, afirmava que era “um amor de pessoa”, mas bebia sem limites e costumava assediar sexualmente jovens atrizes. Não sei se é verdade, mas quem me confidenciou, um conhecido diretor de telenovelas, era sério. Vi a atriz em cena apenas uma vez, em 1999, no drama “Um Equilíbrio Delicado”, de Edward Albee, dividindo palco com Walmor Chagas, Ítala Nandi e Camila Amado, e comemorando meio século de ribalta. Com quase 80 anos, ainda bonita, chamava a atenção, roubando a cena. No entanto, parecia de pileque. Com atuações marcantes e uma ousada presença de palco, a diva permanece como uma referência na arte da interpretação. Heroína, vilã ou cortesã, personificou inúmeros tipos. Uma das maiores estrelas brasileiras do século 20, mulher de fibra e talento, despertou paixões arrebatadoras. Foi amante do cronista Rubem Braga, que dedicou inspiradas crônicas à amada. Inteligente, engraçada e irônica, tinha Paulo Autran, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, Villa-Lobos, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Vinicius de Moraes como amigos da vida inteira.
 
No seu último filme, “Chega de Saudade” (2008), TÔNIA CARRERO interpreta dona Alice, frequentadora do clube de dança de salão que dá nome ao longa. Ela faleceu aos 95 anos, de parada cardíaca. Deixou um legado de 54 peças, 19 filmes e 15 telenovelas.
 

FONTES
“Tônia Carrero: O Monstro de Olhos Azuis” (1986)
de Tônia Carrero
 
“Tônia Carrero: Movida pela Paixão”
(2008)
de Tania Carvalho

 
“Eu acho que poderia ter sido uma boa atriz de cinema. O teatro iria me ajudar a ser uma atriz de cinema. Mas cinema no Brasil é quase impraticável. Cinema é indústria e precisa de dinheiro. Sem dinheiro, fica difícil. É claro que aqui acontece uma ou outra produção que acaba dando certo, mas, na maioria das vezes, não sai nada que preste.”
TÔNIA CARRERO
 
anselmo duarte e tônia
 

TODOS os FILMES de TÔNIA
 
QUERIDA SUSANA (1947)

direção de
Alberto Pieralisi

elenco: Anselmo Duarte e Nicette Bruno

CAMINHOS do SUL (1949)

direção de
Fernando de Barros

elenco: Maria Della Costa, Orlando Villar e Sadi Cabral
 
QUANDO a NOITE ACABA (1950)

direção de
Fernando de Barros

elenco: Roberto Acácio, José Lewgoy e Nídia Lícia
 
APASSIONATA (1952)

direção de Fernando de Barros

elenco: Anselmo Duarte, Alberto Ruschel, Ziembinski
e Paulo Autran
 
TICO-TICO no FUBÁ (1952)

direção de Adolfo Celi

elenco: Anselmo Duarte, Marisa Prado e Ziembinski
 
É PROIBIDO BEIJAR (1954)

direção de Ugo Lombardi

elenco: Mário Sérgio, Ziembinski, Otelo Zeloni
e Inezita Barroso
 
MÃOS SANGRENTAS (1955)

direção de
Carlos Hugo Christensen

elenco: Arturo de Córdova, Sadi Cabral e Dionísio Azevedo
 
ALIAS GARDELITO (1961)      

direção de
Lautaro Murúa

elenco: Alberto Argibay e Walter Vidarte
 
COPACABANA PALACE (1962)

direção de Steno

elenco: Sylva Koscina, Walter Chiari e Mylène Demongeot
 
ESSE RIO QUE EU AMO (1962)

direção de
Carlos Hugo Christensen

elenco: Agildo Ribeiro, Daniel Filho e Hugo Carvana
 
SÓCIO de ALCOVA (1962)

direção de
George Cahan

elenco: Jean-Pierre Aumont, Jardel Filho e Norma Bengell
 
TEMPO de VIOLÊNCIA (1969)

direção de
Hugo Kusnet

elenco: João Bennio, Raul Cortez, Hugo Carvana,
Glauce Rocha, Isabel Ribeiro, Mário Lago
e Rubens de Falco
 
GORDOS e MAGROS (1976)

direção de Mário Carneiro

elenco: Roberto Bonfim, Sérgio Britto, Hugo Carvana
e Carlos Kroeber
 
SONHOS de MENINA MOÇA (1988)

direção de
Tereza Trautman

elenco: Marieta Severo, Louise Cardoso, Zezé Motta,
Jofre Soares e Selma Egrei
 
A BELA PALOMERA (1988)

direção de Ruy Guerra

elenco: Ney Latorraca, Cláudia Ohana, Chico Díaz,
Dina Sfat e Cecil Thiré
 
FOGO e PAIXÃO (1989)

direção de Marcio Kogan e Isay Weinfeld

elenco: Mira Haar, Cristina Mutarelli, Carlos Moreno,
Fernanda Montenegro e Paulo Autran
 
O GATO de BOTAS EXTRATERRESTRE (1990)

direção de Wilson Rodrigues

elenco: Maurício Mattar, Zezé Motta, Carmem Silva
e Jofre Soares
 
VINICIUS (2005)

direção de Miguel Faria Jr.

 
CHEGA de SAUDADE (2008)

direção de Laís Bodanzky

elenco: Leonardo Villar, Cássia Kiss, Betty Faria
e Selma Egrei
 
“Tônia Carrero é uma lenda brasileira. Uma lenda que se deixou impregnar pela beleza, luta, o talento, o espírito de aventura, o obstinado trabalho, sua severa paixão.”
NÉLIDA PIÑON
(1937 – 2022. Rio de Janeiro / RJ)
 

QUINZE PEÇAS de TÔNIA CARRERO
 
CÂNDIDA
de Bernard Shaw
direção de Ziembinski
1954
 
ENTRE QUATRO PAREDES
de Jean-Paul Sartre
direção de Adolfo Celi
1956
 
OTELO
de William Shakespeare
direção de Adolfo Celi
1956
 
SEIS PERSONAGENS à PROCURA de um AUTOR
de Luigi Pirandello
direção de Adolfo Celi
1959
 
Os CORRUPTOS
de Lillian Hellman
direção de João Augusto
1967
 
NAVALHA na CARNE
de Plínio Marcos
direção de Fauzi Arap
1967
 
MACBETH
de William Shakespeare
direção de Fauzi Arap
1970
 
CASA de BONECAS
de Henrik Ibsen
direção de Cecil Thiré
1971
 
CONSTANTINA
de Somerset Maugham
direção de Cecil Thiré
1974
 

DOCE PÁSSARO da JUVENTUDE
de Tennessee Williams
direção de Carlos Kroeber
1976
 
QUEM TEM MEDO de VIRGÍNIA WOOLF?
de Edward Albee
direção de Antunes Filho
1978
 
A DIVINA SARAH
de John Murrell
direção de João Bethencourt
1985
 
QUARTETT
de Heiner Müller
direção de Gerald Thomas
1986
 
O JARDIM das CEREJEIRAS
de Anton Tchekhov
direção de Élcio Nogueira
2000
 
A VISITA da VELHA SENHORA
de Friedrich Dürrenmatt
direção de Moacyr Góes
2002
 
“Ser bom faz bem à alma, e à face, e nada envelhece mais que a mesquinharia gravado na cara; nada embeleza tanto quanto a doçura interior. Tônia é toda bela.”
RUBEM BRAGA
(1913 – 1990. Cachoeiro do Itapemirim / Espírito Santo)
 

A LISTA de TÔNIA CARRERO
 
GOSTO
Carlos Drummond de Andrade
Teatro
Dança
Bom papo
Júlio Iglesias
Dostoievski
Perfume
Crianças
Ingmar Bergman
Millôr Fernandes
Futebol
Champanha
Mar
Sol
Beijo demorado
 
DETESTO
Telefonemas longos
Cabelos maltratados
O som dos nossos cinemas
O sofrimento das crianças pobres
Ruas sujas
Dormir cedo
Falta de educação
Teatro vazio
Lula da Silva
Sentir medo
Amores curtos
Aperto de mão frouxo
Chiclete
Falta de responsabilidade
Tráfico intenso
 
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