outubro 28, 2023

******* LUZ e SOMBRA: CINEMA MUDO ALEMÃO

 

“Eu acredito que os filmes do futuro usarão cada vez mais esses ‘ângulos de câmera’ ou, como prefiro chamá-los, esses ‘ângulos dramáticos’. Eles auxiliam o pensamento cinematográfico.”
F.W. MURNAU
 
 
Em agosto de 1919, finalmente entrou em vigor uma nova Constituição na Alemanha. Pela primeira vez na história do país foi instituída uma forma de Estado democrático. Terminaria em 1933 com o fim da República de Weimar e a ascensão de Adolf Hitler. O período teve lados positivos e obscuros que foram retratados em inúmeros filmes, alguns conhecidos como expressionistas e influenciando diversos cineastas.
 
Nessa época, o cinema germânico foi extraordinariamente criativo. Transportou de forma impressionante para as telas as visões, os desejos e os perigos iminentes da vida real. A programação dos cinemas era bastante variada, e o preço dos bilhetes valia a pena. As invenções e inovações técnicas – como automóveis, aparelhos de rádio ou discos de vinil – apareciam nas produções cinematográficas.
 
Em muitos longas, mulheres emancipadas entram no mercado de trabalho e escrevem com toques rápidos em máquinas de escrever. O documentário da produtora UFA (Universum Film Aktiengesellschaft), “Wege zu Kraft und Schönheit” (1925), idealiza o culto ao corpo. “Berlim - Sinfonia de uma Metrópole” (1927), de Walter Ruttmann, se concentra na vida de uma grande cidade.
 
O expressionismo alemão é um dos estilos do cinema mais celebrados. Busca uma representação subjetiva do mundo, capaz de revelar as angústias da existência humana através de imagens distorcidas, remetendo a pesadelos. Com seu uso de sombras e contrastes, histórias abordando temas inquietantes, estabeleceu as bases para dois grandes gêneros do cinema: o terror e o noir.
 
Para compensar a falta de orçamentos orbustos, os filmes expressionistas usam cenários pouco realistas, com desenhos pintados nas paredes e nos pisos para representar luzes, sombras e objetos. As histórias e narrativas geralmente tratam de loucura, insanidade, traição e outros temas existenciais trazidos à tona pelas experiências traumáticas da Primeira Guerra Mundial.
 
A situação econômica da Alemanha era tensa, o abismo entre pobres e ricos crescia rapidamente. “A Última Gargalhada”, de Friedrich W. Murnau, mostra a vida de um porteiro de hotel, enquanto em “Metrópolis”, o mestre Fritz Lang desenvolve a sombria visão de uma cidade do futuro, onde os ricos se divertem na parte superior e os pobres trabalham e moram no subsolo.
 
Nos estúdios, surgiram cenários monumentais de produções históricas, exóticas ou sombriamente futuristas. A interação entre arquitetura, espaço, luz e câmera garantiam grande intensidade e efeitos surpreendentes, nos mais diferentes estilos. Filmes com imagens poderosas como “O Gabinete do Doutor Caligari” estabeleceram padrões internacionais de expressão cinematográfica. 
 
“o gabinete do dr. caligari
A capacidade técnica do cinema alemão se sobrepunha a qualquer outro país do mundo, sendo aclamado universalmente. Os estudos da vida da classe popular se caracterizavam pela sua dignidade, além de serem acompanhados de avanços nos efeitos visuais e fotográficos. Os diretores liberaram as câmeras dos tripés e as colocaram sobre rodas, alcançando uma mobilidade então inédita.
 
O cinema germânico da década de 1920 é inovador. Até 1932, o último da República de Weimar, um ano marcado por decretos, confrontos políticos e problemas econômicos. Na ocasião, o cinema oferecia uma programação deleitando-se na fantasia. E a estrela Lilian Harvey cantava “Irgendwo auf der Welt gibt's ein kleines bisschen Glück” (em algum lugar do mundo há um pouco de felicidade).
 
Este capítulo notável na história do cinema da Alemanha terminou abruptamente com a subida de Adolf Hitler ao poder. Essa escola de cinema sombria e melancólica acabou sendo levada para os EUA. Muitos diretores, roteiristas, fotógrafos e intérpretes não puderam mais exercer sua profissão por serem de origem judaica. Foram obrigados a emigrar – e levaram junto seu talento para Hollywood.
 
 “a caixa de pandora”
 
DEZ FILMES ALEMÃES MUDOS
(por ordem de preferência)
 
01

Direção de F.W. Murnau
Elenco: Gösta Ekman, Emil Jannings, Camilla Horn, Frida Richard e William Dieterle
 
02
A ÚLTIMA GARGALHADA
(Der Letzte Mann, 1924)

Direção de F.W. Murnau
Elenco: Emil Jannings, Maly Delschaft, Max Hiller e Emilie Kurz
 
03
METROPÓLIS
(Metropolis, 1927)

Direção de Fritz Lang
Elenco: Gustav Fröhlich, Brigitte Helm, Alfred Abel, Theodor Loos e Heinrich George  
 
04
NOSFERATU
(Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922)
Direção de F.W. Murnau
Elenco: Max Schreck, Gustav von Wangenheim, Greta Schröder e Georg H. Schnell
 
05
O GABINETE do DR. CALIGARI
(Das Cabinet des Dr. Caligari, 1920)

Direção de Robert Wiene
Elenco: Werner Krauss, Conrad Veidt, Lil Dagover e Rudolf Klein-Rogge
 
06
A CAIXA de PANDORA
(Die Büchse der Pandora, 1929)

Direção de Georg Wilhelm Pabst
Elenco: Louise Brooks, Fritz Kortner, Francis Lederer, Alice Roberts e Gustav Diessl
 
07
Os NIBELUNGOS – 1 e 2
(Die Nibelungen, 1924)

Direção de Fritz Lang
Elenco: Gertrud Arnold, Margarete Schön, Hanna Ralph, Paul Richter e Theodor Loos
 
08
RUA das LÁGRIMAS
(Die Freudlose Gasse, 1925)

Direção de Georg Wilhelm Pabst
Elenco: Asta Nielsen, Greta Garbo, Ágnes Eszterházy e Werner Krauss
 
09
As MÃOS de ORLAC
(Orlacs Hände, 1924)

Direção de Robert Wiene
Elenco: Conrad Veidt, Alexandra Sorina e Fritz Strassny
 
10
A MULHER do FARAÓ
(Das Weib des Pharao, 1922)

Direção de Ernest Lubitsch
Elenco: Emil Jannings, Harry Liedtke, Paul Wegener e Lyda Salmonova
 
 
“o gabinete do dr. caligari”
 CINCO DIRETORES do CINE MUDO ALEMÃO
(por ordem de preferência)
 
01
F.W. MURNAU
(1888 – 1931. Bielefeld / Alemanha)

02
FRITZ LANG
(1890 – 1976. Viena / Áustria)

03
ERNST LUBITSCH
(1892 – 1947. Berlim / Alemanha)

04
GEORG WILHELM PABST
(1885 – 1967. Roudnice nad Labem / Tchéquia)

05
ROBERT WIENE
(1873 – 1938. Breslávia / Polônia)
 
 
“metrópolis”

CINCO ATRIZES do CINE MUDO ALEMÃO
(por ordem de preferência)
 
01
LIL DAGOVER
(1887 – 1980. Madiun, East Java / Indonésia)

02
BRIGITTE HELM
(1906 – 1996. Berlim / Alemanha)

03
POLA NEGRI
(1897 – 1987. Lipno / Polônia)

O4
LYA de PUTTI
(1897 – 1931. Vojcice / Slovakia)

05
HENNY PORTEN
(1890 – 1960. Magdeburg / Alemanha)


“nosferatu”

CINCO ATORES do CINE MUDO ALEMÃO
(por ordem de preferência)
 
01
EMIL JANNINGS
(1984 – 1950. Rorschach / Suíça)

02
CONRAD VEIDT
(1893 – 1943. Berlim / Alemanha)

03
WERNER KRAUSS
(1884 – 1954. Baviera / Alemanha)

04
GUSTAV FRÖHLICH
(1902 – 1987. Hanôver / Alemanha)

05
MAX SCHRECK
(1879 – 1936. Berlim / Alemanha)

Um comentário:

Marcelo Castro Moraes disse...

Tenho dois box desse período e que ainda não assisti tudo.