setembro 29, 2011

******* A INFIDELIDADE AO ALCANCE DE TODOS


deborah kerr e burt lancaster em "a um passo da eternidade"
Casamentos em ruína, relações amorosas nem sempre saudáveis, traições que acabam em tragédia. A Sétima Arte aborda com alguma regularidade a inconstância amorosa, ou seja, a dicotomia fidelidade/INFIDELIDADE, quase sempre com conservadoras lições de moral: o adúltero (ou adúltera) pagando por sua traição na cena final (por exemplo, os suicídios da Anna Karenina de Greta Garbo ou da Madame Bovary de Jennifer Jones). Já as películas francesas, que têm tradição nesta área, geralmente não fazem o arcaico questionamento moralista, introduzindo mais o sentimento sofrido (culpa e definições de futuro) do que o maniqueísmo. Não há certo ou errado. Há escolhas que acarretam conseqüências diferenciadas. Alguns filmes que se arriscaram nessa temática provocaram escândalos na época do lançamento e tiveram problemas para serem exibidos em diversos países. Felizmente sobreviveram à cruzada dos “bons costumes” e permanecem como um olhar sobre as peripécias da sexualidade humana. Nessa lista de filmes sobre a INFIDELIDADE, veremos alguns sucessos do cinema que exploram as histórias daqueles que "pularam a cerca".

AMANTE DISCRETO/ Cynara (1932),
de King Vidor
Os amantes:
Jim Warlock (RONALD COLMAN) e Doris Emily Lea (PHYLLIS BARRY)
A esposa:
Clemency Warlock (KAY FRANCIS)
Um advogado casado e competente tem sua vida transtornada ao se apaixonar por bela jovem.

AS MULHERES / The Women (1939),
de George Cukor
Os amantes:
Crystal Allen (JOAN CRAWFORD) 
e Stephen Haines (não aparece na tela)
A esposa:
Mary Haines (NORMA SHEARER)
Ao descobrir sobre a traição de seu marido, uma mulher precisa decidir se o perdoa ou pede o divórcio.

DESENCANTO / Brief Encounter (1945),
de David Lean
Os amantes:
Laura Jesson (CELIA JOHNSON) e Dr. Alec Harvey (TREVOR HOWARD)
O marido:
Fred Jesson (CYRIL RAYMOND)
Médico e dona-de-casa se conhecem por acaso em uma estação de trem. A partir daí, os dois, casados, passam a se encontrar toda semana no mesmo lugar. A amizade cresce e acaba virando um amor impossível.

O DESTINO BATE À SUA PORTA
The Postman Always Rings Twice (1946), 
de Tay Garnett
Os amantes:
Cora Smith (LANA TURNER) e Frank Chambers (JOHN GARFIELD)
O marido:
Nick Smith (CECIL KELLAWAY)
Desempregado arruma emprego em bar de beira de estrada e envolve-se com a sedutora esposa de seu novo chefe. Os dois, então, decidem tramar a morte do marido dela.

ADÚLTERA / Le Diable au Corps (1947),
de Claude Autant-Lara
Os amantes:
Marthe Grangier (MICHELINE PRESLE) e François Jaubert (GÉRARD PHILIPE)
O marido:
Jacques Lacombe (JEAN VARAS)
No final da 1ª Guerra Mundial, uma enfermeira comprometida se apaixona por um rapaz bem mais novo.

PERDIÇÃO POR AMOR / Carrie (1952),
de William Wyler
Os amantes:
George Hurstwood (LAURENCE OLIVIER) e Carrie Meeber (JENNIFER JONES)
A esposa:
Julie Hurstwood (MIRIAM HOPKINS)
Um respeitável homem de família, de situação financeira confortável, joga tudo fora pelo amor de uma jovem ambiciosa.

A UM PASSO DA ETERNIDADE / From Here to Eternity (1953),
de Fred Zinnemann
Os amantes:
Karen Holmes (DEBORAH KERR) e Sargento Milton Warden (BURT LANCASTER)
O marido:
Capitão Dana Holmes (PHILIP OBER)
Durante a Segunda Guerra Mundial, à beira do ataque a Pearl Harbour, um sargento se envolve com a atraente mulher de seu superior, que é infeliz no casamento.

QUANDO A MULHER ERRA / Stazione Termini (1953),
de Vittorio De Sica
Os amantes:
Mary Forbes (JENNIFER JONES) e Giovanni Doria (MONTGOMERY CLIFT)
O marido:
Não aparece na tela
Uma norte-americana casada tenta pegar um trem para Paris numa estação de Roma, mas reencontra o amante que está tentando deixar.

SEDUÇÃO DA CARNE / Senso (1954),
de Luchino Visconti
Os amantes:
Condessa Livia Serpieri (ALIDA VALLI) e 
Tenente Franz Mahler (FARLEY GRANGER)
O marido:
Conde Serpieri (HEINZ MOOG)
Durante a primavera de 1866, a Itália está ocupada pela Áustria e prepara seu principal movimento de libertação. Em meio ao caos, a Condessa Serpieri, que participa da resistência, começa a nutrir um amor proibido: o tenente austríaco Franz Mahler.

CHAMAS QUE NÃO SE APAGAM / There's Always Tomorrow (1956),
de Douglas Sirk
Os amantes:
Clifford Groves (FRED MacMURRAY) e Norma (BARBARA STANWYCK)
A esposa:
Marion Groves (JOAN BENNETT)
Homem com casamento tranqüilo, de repente se vê atormentado pelo passado na figura de uma antiga paixão.

OS AMANTES / Les Amants (1958),
de Louis Malle
Os amantes:
Jeanne Tournier (JEANNE MOREAU), Bernard Dubois-Lambert (JEAN-MARC BORY) e Raoul Flores (JOSÉ LUIS DE VILALLONGA)
O marido:
Henri Tournier (ALAIN CUNY)
Uma senhora casada se diverte com outros homens. O casal mora no interior, onde ele é dono de um jornal que acaba com sua vida afetiva. Para escapar à rotina, ela deixa a filha com a babá e vai a Paris ao encontro de amantes.

ALMAS EM LEILÃO / Room at the Top (1959),
de Jack Clayton
Os amantes:
Alice Aisgill (SIMONE SIGNORET) e Joe Lampton (LAURENCE HARVEY)
O marido:
George Aisgill (ALLAN CUTHBERTSON)
Apesar da crise, rapaz consegue um bom emprego numa fábrica. A filha do chefe se apaixona por ele, e pensando em subir na vida ele fica com ela, mas se apaixona por mulher casada e começa a sair com as duas.

A MULHER INFIEL /La Femme Infidèle (1969),
de Claude Chabrol
Os amantes:
Hélène Desvallées (STEPHANE AUDRAN) e Victor Pegala (MAURICE RONET)
O marido:
Charles Desvallées (MICHEL BOUQUET)
Desconfiado que sua esposa o trai, marido contrata um detetive particular para segui-la. Os resultados das investigações o levarão a tomar drásticas atitudes.

fred macmurray e barbara stanwyck em "chamas que não se apagam"
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O QUE ESTÁ FAZENDO

CLAUDIA CARDINALE


Alegre, divertida, sensível, acessível e sempre com um cigarro. Aos 73 anos a musa italiana Claudia Cardinale segue atuando, distante do mito da diva em que se consomem muitas atrizes com o currículo parecido com o seu. Atualmente ela roda “El Artista y La Modelo”, a mais recente criação do espanhol Fernando Trueba (“Sedução / Belle Epoque”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1992), na zona vulcânica de La Garrotxa, uma encantadora região da província catalã de Girona. Além da atriz, o elenco conta também com o veterano ator francês Jean Rochefort e a hilária Chus Lampreave, de várias comédias de Almodóvar. Trueba planejava esse projeto em preto & branco há muitos anos, juntamente com o roteirista Jean-Claude Carrière. Quem produz é sua própria companhia, Fernando Trueba P. C., com a colaboração da TVE. A idéia do diretor é retratar o sul da França, muito perto da fronteira espanhola, ocupado pelos nazistas durante o verão de 1943.  Marc Cros (Rochefort), um famoso escultor, encontra-se cansado de uma vida castigada por tantas guerras. Porém, um dia, sua mulher Léa (Cardinale) recolhe na rua a uma jovem camponesa espanhola (ainda Folch), fugitiva de um campo de refugiados. Essa chegada inesperada permite que o escultor recupere o desejo de trabalhar e esculpir sua última obra. No atelier, enquanto trabalham, modelo e artista estabelecem, com sensibilidade, uma cálida relação que discute todos os temas que os rodeiam: a vida e a morte, a insensatez da guerra, a juventude e a velhice; além da busca da beleza em tempos de horror, e o sentida e a necessidade da arte. Um filme que promete. Apaixonado por Billy Wilder, o diretor Trueba tem mão segura e a dupla Cardinale-Rochefort é para se aplaudir de pé. A atriz, que já atuou até o momento em 108 filmes, assim que acabar as filmagens de “El Artista y La Modelo”, parte para protagonizar, ao lado de Jeanne Moreau, mais um filme do veterano português Manoel de Oliveira. Antes, esse mesmo diretor de 102 anos de idade promete “A Igreja do Diabo”, com Fernanda Montenegro e Lima Duarte, baseado em vários contos de Machado de Assis.

32 comentários:

Edivaldo Martins disse...

UM PASSO DA ETERNIDADE, UM EXCELENTE FILME. NESTE FILME BURT LANCASTER E DEBORAH KERR DERAM UM DOS MAIS FAMOSOS BEIJOS DO CINEMA, QUIÇÁ O MAIS FAMOSO!

pinguim disse...

A infidelidade é um tema quase inesgotável na história do cinema. Dos vários filmes que citas, dois marcaram-me muito: "Breve Encontro" e "Até à eternidade".

Marcelo C,M disse...

Demorou um pouco para o cinema americano tocar em certos assuntos como a infidelidade, porque o povo americano nos anos 40 e 50 era um dos mais conservadores do mundo. Era preciso ter empenho para fazer driblar o que o publico sentia sobre isso, e quando driblava, era uma chuva de elogios por terem conseguido tal feito. Bom exemplo disso foi Dr. Jivago, em que o publico mau se importava quando via o protagonista saindo da cama onde estava a esposa e ia para a cama da jovem a amante que conheceu durante a guerra. Um feito e tanto.
Quanto a Claudia Cardinale... caraça, o que tenho que dizer sobre ela? Beleza e talento de mãos dadas. Nunca vou me esquecer de sua primeira cena ao descer do trem no filme Era uma vez no oeste, onde a magistral trilha sonora do filme se fundia com os primeiros passos da personagem na historia. Com certeza um dos melhores filmes de sua carreira e um dos meus filmes favoritos.

Jorge Domingos de Feitas disse...

"A Um Passo da Eternidade" teve uma versão com Natalie Wood e William Devane...

Edivaldo Martins disse...

Jorge, Essa versão foi uma Série feita para TV, que não emplacou, apesar da maravilhosa Natalie!

Edelzio Sanches disse...

Parabéns pelo blog
cada vez melhor

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Considero o beijo na praia entre Deborah e Burt (A Um Passo da Eternidade) o número um da história do cinema, Edivaldo.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Bem lembrado, Marcelo... DOUTOR JIVAGO... Tinha me esquecido da infidelidade do protagonista... Também considero ERA UMA VEZ NO OESTE um dos melhores filmes de sempre.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Vi essa versão, Jorge. Gostei. A Natalie está ótima. Só o William Windon é que deixa a desejar.

JÚLIA XAVIER disse...

Antonio querido, adorei os posts desta semana, não cheguei ler todos, pois estou com um pouco de pressa, e essa sala de cinema se faz necessário uma leitura devagar, saboreando cada palavra escrita, textos e imagens que você nos oferece. Voltarei a noite para concluir.
Adorei ler sobre P. Bausch, adorei ouvir seus videos, e adoro você.
Obrigada sempre, Beijos!!

Évelyn Smith disse...

Obrigada, Antonio. Fico feliz por um jornalista e escritor visitar o meu blog e ainda gostar do meu texto. Nunca pensei que isso fosse acontecer um dia, ter reconhecimento de um grande profissional. Seus textos sobre filmes são ótimos, muito bons para termos mais conhecimento sobre o mundo intelectual dos cinemas.

disse...

A lista é quase interminável. Não podiam ficar de fora "Desencanto", "A um passo da eternidade" e "Dr. Jivago". Logo que vi o tema me lembrei deles, todos ótimos!
Gostei de ter mencionado "As Mulheres".

Jamil disse...

A Claudia Cardinale nunca foi uma boa atriz, mas era bela e encantadora, além de ter feitos filmes ótimos. Fico contente em saber que continuar trabalhando e, como sempre, nas mãos de um bom diretor.

Jamil disse...

Falando de traição definitivamente "Doutor Jivago" tinha que estar nesta lista. Quem não sofreu com o amor proibido de Lara e Jivago?

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Júlia, Evelyn, fico feliz com vocês por aqui. Voltem sempre. O blogue é nosso.
Abraço bom

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Ah, Lê, estimo profundamente "As Mulheres". Fico babando com os diálogos inteligentes, o show de tantas atrizes e a elegância da direção de Cukor. E não é que me esqueci de "Doutor Jivago"?! Imperdoável.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Pois é, Jamil, já chorei vivenciando a romântica história de Lara e Jivago... Com certeza aconteceu o mesmo com muita gente... Esse blogue está devendo um tributo a David Lean.

Antonio Luz Reis disse...

Votar p/ teu sucesso e/ou qualquer promoção vinda a partir de vc é uma espécie de obrigação ! O Falcão deveria ser patrimônio cultural!Abração!!

Eunice Nascimento Gonçalves disse...

com certeza vc é top blog, top 10 e tudo mais

Luiz Santiago disse...

Ótima postagem e com a musa Cardinale na abordagem final. Maravilha!!!

WIR CAETANO disse...

Oi, Antônio. Ponha a Hanna Schygulla no blog. Adoro a moça e tô sentindo falta. Abç.

tozzi disse...

Nahud, você me fez reencontrar a monumental Claudia Cardinale. Já baixei dois filmes dela para ver nesse próximo final de semana: "Vagas estrelas na ursa" e "A tenda vermelha".

tozzi disse...

O seu blogue é editado na medida exata: informações raras, sofisticação ímpar e linguagem gostosa de ser ler. Meus parabéns.

Maxwell Soares disse...

Madame de Bovary ou Ligações Perigosas são filmes que em nada deixa a desejar no quesito infidelidade...

Rubi disse...

Como foi dito acima, a lista é quase interminável. Existem excelentes filmes, porém As Mulheres é o meu preferido. Sou fã do trabalho de Joan Crawford.

Carla Marinho disse...

Olá querido, tudo bem? gostei do novo layout, mais suave.
Post indicado aos leitores do Grupo de Blogs de Cinema Clássico:
http://blogsdecinemaclassico.blogspot.com/2011/10/links-da-semana-de-26-de-setembro-2-de.html

boa semana pra vc!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Também gosto da Schygulla, Wir. Aguarde post. Abração.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Tozzi, vi VAGAS ESTRELAS NA URSA duas vezes. Ele beira à perfeição. A Cardinale tá no auge de sua beleza e encantadora como a irmã incestuosa.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Tem toda razão, Maxwell.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Eu também sou fã da Crawford, Rubi. Vi recentemente PRECIPÍCIOS D'ALMA e fiquei impressionado com a expressividade da atriz. Ela é fabulosa.

Sonia Brazão disse...

O título é excepcional: Infidelidade ao Alcance da Galera.
O cinema é lindo e pedagógico. Parabéns, Antonio.

Zia Guimarães disse...

Inesquecível o beijo de Deborah Kerr e Burt Lancaster em "A um passo da Eternidade"...