Caros Amigos

novembro 20, 2010

************ A FORÇA BRUTA DE JEAN GABIN


Edição  07


Jean Gabin





Maior ator francês de todos os tempos, JEAN GABIN (1904-1976) era filho de modestos cantores do campo. Rebelde e pouco dado a qualquer estudo ou ocupação, foi obrigado pelo pai a fazer teatro como último recurso. De 1923 a 1930 apareceu em numerosas revistas musicais, inclusive atuando ao lado da célebre Mistinguette. Com o nascimento do cinema falado, debutou na opereta “Chacun as Chance”, fazendo seguidamente uma série de filmes sem importância. Em 1934, apadrinhado por Julien Duvivier, seu talento foi lapidado em “Marie Chapdelaine”, um belo filme pleno de sinceridade, sensibilidade e sutileza. Nunca mais a fama o abandonou. Com Duvivier – considerado por Gabin o seu “criador” – o ator faria “Gólgota” (1935), “A Bandera” (1936), “Camaradas” (1936) e “O Demônio da Algéria”, um sucesso mundial e talvez o melhor filme do diretor.

Sob a direção do mestre Jean Renoir, interpretou “Les Bas-fonds” (1936), “A Grande Ilusão” (1937) e uma das suas máximas interpretações, “A Besta Humana” (1938). Neste momento grandioso do Realismo Poético francês, filmou duas outras obras-primas, “Cais das Sombras” (1938) e “Trágico Amanhecer” (1939), ambos de Marcel Carné. Quando os nazistas invadiram a França, Gabin partiu para Hollywood, onde faz dois filmes menores: “Brumas” (1942), com Ida Lupino, e “O Impostor” (1943). Ainda em Hollywood, tem um ardente romance com Marlene Dietrich. Filmaram juntos, já na França, “Martin Roumagnac” (1946), de Georges Lacombe, onde Gabin vive um empreiteiro, numa pequena cidade, que se enamora de uma aventureira. Depois da Guerra, ele retorna ao seu reduto, disposto a reconquistar o seu público. Filma com René Clement, Carné, Max Ophuls, Renoir e Jacques Becker, incorporando uma grande quantidade de personagens, entre eles o inspetor Maigret das novelas policiais de Georges Simenon. Salvo uma ou outra exceção, seus filmes dos anos 1950 aos 1870 são dirigidos por artesãos competentes e comerciais, sem força criadora, tornando JEAN GABIN um dos fenômenos de bilheteria da França.

O astro investiu toda a sua fortuna no campo, criando vacas e apoiando politicamente aos humildes camponeses. Ele dizia que não era ator, e sim camponês e pai de família. “O cinema é vento, ilusão, pompa, passa como uma nuvem. O que fica depois de uma filmagem? A glória! Eu não trabalho pensando na glória. Não me interessa. Trabalho pelo dinheiro, dinheiro que não calculo em francos, mas em vacas para as minhas fazendas. O campo e os animais são a minha vida”, declarou o ator. Ainda assim, mesmo contra sua própria vontade, durante cinco décadas foi venerado como um grande ator. Honrado, de caráter firme, um tanto difícil, tinha um sentido de dever profissional que não permitia atrasos ou amadorismos. Dele, disse Jean Renoir: “É um verdadeiro ator de cinema, um Ator com um A maiscúlo. É uma força cinematográfica, é fantástico, é incrível. Tudo isso vem de uma profunda honestidade. É com certeza o homem mais honesto que encontrei em minha vida. Honestidade semelhante somente encontrei em Ingrid Bergman”. No seu último filme, “O Ano Santo” (1976), de Jean Girault, Gabin interpretou um velho bandido. Morreu de um infarto agudo de miocardio. Seu corpo recebeu honras militares e as cinzas foram espalhadas no mar.




Marlene Dietrich e Jean Gabin em "Martin Roumagnac"





10 comentários:

Marineuza Esperança disse...

EU ADICIONEI O SEU BLOG AO MEU.
SOU UMA APAIXONADA POR CINEMA DE QUALQUER ÉPOCA.
É ARTE QUE ME FASCINA.

BOM FIM DE SEMANA.

Adriana disse...

Suas dicas são maravilhosas.Bjs.

Jamil J. Landim disse...

Gabin teve um affair com Dietrich? Eu desconhecia. É um casal de grande magnetismo. Seria muito bem vindo vê-los em Martin Roumagnac. Vi na tevê Amar é minha profissão. Fiquei impressionado. Gabin é muito talentoso.

Nívea Maria Vasconcellos disse...

Olá,


Parabéns!!!!!


Sucesso sempre,

Kley disse...

Li A Besta Humana do Zola, mas ainda não tive a oportunidade de ver o filme. Vou aproveitar e ver também outros do Renoir como A Grande Ilusão e A Regra do Jogo. Qual desses é o seu prreferido, Antonio?

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Kley, todos os três são fantásticos... e diferentes um do outro. Mas se tivesse que escolher ficaria com A GRANDE ILUSÃO. O Fritz Lang também fez uma adaptação muito boa da obra de Zola: DESEJO HUMANO, com Glenn Ford e Gloria Grahame.

annastesia disse...

A grande ilusão e A besta humana são fantásticos!

Gabriel disse...

Já dei uma olhada no blog e gostei muito. Parabéns pela homenagem a Marlene Dietrich e Jean Gabin. Já estou seguindo e pretendo acompanhar as postagens.
Possuo um blog dedicado ao cinema de horror e gostaria que desse uma olhada. Por enquanto as postagens ainda são poucas pois acabei ficando um tempo sem internet, mas logo estarei postando mais textos (são todos de minha autoria).
O endereço é... ohorrornossodecadadia.blogspot.com
Espero que goste!
Abraço!

Ritinha Santana disse...

Parabéns, Antônio! O blog é lindíssimo, chega a ser constragedor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! É fino demais! Lindo demais!
beijos! Rita

Anônimo disse...

Caro editor certa vez li em um artigo sobre Jean Gabin, que durante a II Guerra ele se alistou voluntariamente as Forças Livres da Resistência que estavam na Africa sob o comando do general De Gaulle.