outubro 03, 2021

************* MANSÕES de ESTRELAS de CINEMA





para Marc Mendonça, meu mano
 
 
Los Angeles é a cidade da indústria cinematográfica norte-americana. Entre suas infinitas colinas, desfiladeiros e litoral, celebridades construíram mansões. A casa palaciana do casal de atores mais famosos do cinema mudo, Mary Pickford e Douglas Fairbanks, era o sonho de muita gente e foi apelidada de “Pickfair”. Na época, nos anos 20, a revista “Life Magazine” a definiu como “local de reunião apenas um pouco menos importante do que a Casa Branca ... e muito mais divertido”. Considerada como o reduto da superficialidade e moradia de alguns dos maiores excêntricos do mundo, Los Angeles está sempre se renovando. Sendo assim, residências monumentais vêm e vão. Algumas se perdem em incêndios, outras na especulação imobiliária. Selecionei dezesseis luxuosas mansões de estrelas e astros de Hollywood. Quase todas em Los Angeles, mas há uma ou outra em cidades próximas e uma vila em Roma, Itália, da diva Sophia Loren. Confira.
 
01
AUDREY HEPBURN
(1929 – 1993. Ixelles, Bruxelas / Bélgica)

A estrela de “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” (1953) viveu na elegante casa colonial em 100 Delfern Drive, Holmby Hills, com seu primeiro marido, o ator Mel Ferrer. Construída em 1938, é tradicional e requintada. O vasto terreno inclui a majestosa casa principal, outra de hóspedes, apartamento para funcionários, quadra de tênis, jardins, piscina e escadaria imponente palaciana. Projetada pelo arquiteto Paul R Williams, que garantiu que a residência atemporal impressionaria por muitos anos, foi vendida em 2019 por um preço impressionante: US $ 11 milhões.


02
CARY GRANT
(1904 – 1986. Horfield, Bristol, Inglaterra / Reino Unido)

O palacete de um andar, construído em 1934, é belo e repleto de luz natural, combinando design contemporâneo com toques históricos. De pisos de madeira a lareiras de porcelana, portas em estilo Crittall com estrutura de aço a tetos com painéis. São oito quartos e 10 banheiros, além de academia, escritório, uma sala deslumbrante com teto de madeira e um bar. A maioria dos quartos está disposta ao redor do quintal. Há uma piscina e um amplo deck na cobertura que oferece vistas de Los Angeles. O charmoso astro de “Ladrão de Casaca / To Catch a Thief” (1955) viveu nesta mansão durante muito tempo, atualmente pertence a cantora Betty Moon.


03
ELVIS PRESLEY
(1935 – 1977. Tupelo, Mississippi / EUA)

O cantor e ator de “Ama-me com Ternura / Love Me Tender” comprou Graceland, em Memphis, Tennessee, em 1957. A mansão em estilo colonial, construída em 1939, tem 23 quartos, quadra e jardins, além do lendário portão de ferro com notas musicais. O sofá da sala foi estofado em tecido azul elétrico e as paredes pintadas de azul dresden. A sala da selva é um dos cômodos mais famosos, lembrando o Havaí. Com a morte de Elvis, em 1977, a propriedade passou a ser de sua filha, Lisa Marie Presley. Em 1982, tornou-se a segunda casa mais visitada dos EUA, com mais de 650 mil visitantes anuais, perdendo apenas para a Casa Branca. Em 2006, foi tombada como monumento histórico.


04
FRANK SINATRA
(1915 – 1998. Hoboken, New Jersey / EUA)

Com linhas elegantes, esta maravilha modernista é conhecida como Byrdview. Localizada na Avenida Farralone, em Los Angeles, pertenceu ao cantor e ator de “Deus Sabe Quanto Amei / Some Came Running” (1958), que morou nela nas décadas de 50 e 60. É um pedaço da história da arquitetura e da arte. Projetada pelo lendário William Pereira, foi uma das quatro casas que ele construiu. Na mansão de sete quartos, há janelas do chão ao teto que enchem a casa com luz natural. Inclui espaço para 100 carros na entrada - espaço mais do que suficiente para festas de arromba!


05
GINGER ROGERS
(1911 – 1995. Independence, Missouri / EUA)

Em uma estrada sinuosa, na Appian Way, 8782, esta vila em estilo espanhol foi construída para a premiada comediante e dançarina de “O Picolino / Top Hat” (1935) e seu então marido, o ator Lew Ayres. Perfeitamente posicionada, a linda residência oferece vistas panorâmicas de Los Angeles. Seus portões se abrem para um pátio repleto de folhagens exuberantes e oliveiras perfumadas. Possui salas amplas arejadas, cinco quartos e quatro banheiros. Foi vendida pela última vez em 2015.


06
JAMES DEAN
(1931 – 1955. Marion, Indiana / EUA)

Situada em Hollywood Hills, na 6225 Quebec Drive, nesta vila em estilo espanhol vivia o mito de “Juventude Transviada / Rebel Without a Cause” (1955) antes da fama. O aspirante a ator morava na suíte do andar de baixo, trabalhando como zelador do produtor Hal B Wallis. A propriedade fica em um gigantesco terreno, com a suíte de hóspedes, onde Dean morou, localizada abaixo da casa principal. Até hoje é mantida como alojamento privado para hóspedes. O antigo quarto do ator icônico tem sua própria área de estar espaçosa, além de uma lareira. A vila foi vendida em 2018.

 
07
JAMES STEWART
(1908 – 1997. Indiana, Pensilvânia / USA)

O carismático ator de A Felicidade Não se Compra / It's a Wonderful Life” (1946) viveu nessa mega-mansão por cinco décadas. Situada na cobiçada North Roxbury Drive, no coração de Beverly Hills, ao norte de Sunset Boulevard, tem estilo italiano. Cintilante e grandiosa, abriga nove quartos, 13 banheiros, uma biblioteca, uma sala de projeção, adega de mil garrafas, sala de lazer, academia, sauna e lareiras a lenha. Cada quarto possui janelas amplas, tetos altos, pisos de nogueira e tapetes orientais.


08
JAYNE MANSFIELD
(1933 – 1967. Bryn Mawr, Pensilvânia / EUA)

Em 1957, a atriz de “Sabes o que Quero / The Girl Can't Help It” (1956) comprou uma mansão que havia pertencido ao ator e cantor Rudy Vallee. Conhecida por sua extravagância, ela mandou pintar tudo de rosa, sua cor favorita, e destacou detalhes como uma banheira em formato de coração e paredes do banheiro revestidas de pelúcia cor-de-rosa. Batizada de Palácio Rosa, Jayne viveu nele até sua morte em 1967. Em 2002, foi demolida. Localizava-se no ‎10100 Sunset Boulevard, Holmby Hills, Los Angeles.


09
JUDY GARLAND
(1922 – 1969. Grand Rapids, Minnesota / EUA)

No alto de Hollywood Hills, acima da Sunset Strip, esta casa espetacular foi construída em 1941. Em meados da década de 1940, a talentosa cantora e atriz de Nasce Uma Estrela / A Star is Born” (1954) vivia nela com o marido, o excelente diretor Vincente Minnelli, e a filha Liza. Possui piso de madeira escura, tetos altos e portas francesas que se abrem para varandas. Distribuída em três andares e projetada pelo famoso arquiteto John Elgin Woolf, pertenceu mais adiante ao cantor Sammy Davis Jr.. É um oásis! Tem cinco quartos e sete banheiros. Em estilo art déco, abriga pomar e jardins extensos.


10
MARILYN MONROE
(1926 - 1962 Los Angeles, Califórnia / EUA)

Nas Hollywood Hills, em 2393 Castilian Drive, fica a mansão da lua de mel da estrela de “O Pecado Mora ao Lado / The Seven Year Itch” (1955) e Joe DiMaggio. Conhecido por seu relacionamento turbulento, o casal nela viveu pouco tempo. A estética rústica se destaca. Um terraço ensolarado atrás de enormes portas duplas com vista para um desfiladeiro. A piscina fica no fundo do jardim, cercada por árvores.

 
11
MARLON BRANDO
(1924 – 2004. Omaha, Nebraska / EUA)

A Laurel View Residence primeiro pertenceu a dançarina Ann Miller e depois ao lendário protagonista de “Uma Rua Chamada Pecado / A Streetcar Named Desire” (1951). Projetada por AF Leicht, combina a arquitetura da Renascença francesa e do Renascimento espanhol. Enormes janelas emolduram panoramas majestosos. A decoração é tão especial quanto o próprio edifício, ostentando imponentes lareiras de pedra e piso em estilo toscano. Esta propriedade imponente com torres, quartos octogonais e detalhes neogóticos, foi vendida no início deste ano.


12
MARY PICKFORD
(1892 – 1979. Toronto, Ontario / Canadá)

Inicialmente um chalé de caça, localizado na 1143 Summit Drive, em San Ysidro Canyon, Beverly Hills, foi reformada pelo célebre casal Mary Pickford e Douglas Fairbanks, sendo transformada em uma mansão de quatro andares, contendo 25 quartos e quadra de tênis. Na década de 1930, ampliada, elevou o número de quartos para 42. Após o divórcio da dupla, em 1936, a casa ficou em poder da atriz de “A Mulher Domada / Taming of the Shrew” (1929), que lá morou até sua morte, em 1979. Na década de 80, foi vendida para Pia Zadora. Ela demoliu a mansão e construiu um palácio estilo veneziano no lugar. Apenas algumas áreas, como os portões e a piscina, são originais.


13
RUDOLPH VALENTINO
(1895 – 1926. Castellaneta, Puglia / Itália)

O astro de “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse / The Four Horsemen of the Apocalypse” (1921) comprou a mansão na Bella Drive, em Beverly Hills, em 1925 para viver com sua esposa Natacha Rambova. Grandiosa, projetada por Wallace-Neff, construída em 1924, ocupava três hectares em colinas íngremes. A Falcon Lair”, em homenagem ao filme que ele e Rambova esperavam fazer juntos, baseado na vida de El Cid, ainda hoje apresenta o letreiro no portão. Com o divórcio, ele viveu nela um ano, morrendo em 1926. A milionária Doris Duke morou nela até 1993. Foi demolida em 2005.


14
SHARON TATE
(1943 – 1969. Dallas, Texas / EUA)

A fama da propriedade nas montanhas de Santa Mônica, em Cielo Drive, veio das páginas policiais, devido ao brutal assassinato da atriz de A Dança dos Vampiros / Dance of the Vampires” (1967), Sharon Tate, pelos membros da seita de Charles Manson, em 1969. A mansão pertenceu à estrela francesa Michèle Morgan, que mandou construí-la em 1942. Com o final da Segunda Guerra, ela retornou à sua terra natal e vendeu a propriedade. Roman Polanski e Sharon se mudaram para a residência em 1969. Alguns meses depois, no dia 9 de agosto, os seguidores de Manson invadiram o local e mataram a atriz, grávida de nove meses, e quatro amigos seus. Polanski encontrava-se na Europa, a trabalho. A mansão maldita terminou demolida em 1994.


15
SOPHIA LOREN
(1934. Roma / Itália)

O palacete Villa Sara, do século 16, perto de Roma, é o lar da estrela de Os Girassóis da Rússia / I Girasoli” (1970). Comprado em 1952 por seu futuro marido, o famoso produtor Carlo Ponti, foi restaurado pelo arquiteto e paisagista Imerio Maffeis e decorado por Ezio Altieri. O quarto do casal apresenta afrescos das quatro estações, transferidos de outro cômodo, e cama Luís XVI, além de diversas e preciosas obras de arte.


16
YVETTE MIMIEUX
(1942. Hollywood, Los Angeles, Califórnia / EUA)

Uma das casas mais bonitas de Bel Air, pertence à Yvette Mimieux e seu marido, Howard Ruby. O casal a comprou em 1979 e manteve seu estilo mediterrâneo requintado. Conhecida como “Il Sogno” e datada de 1928, foi inspirada nas vilas da Costa Amalfitana, na Itália. Grandiosa e opulenta, está equipada com tetos pintados à mão, lareiras de pedra, mármore verde e grandes janelas. Há seis quartos, uma biblioteca, um salão de festas e uma sala de jantar desenhados por Kalef Alaton, responsável pelo icônico Hotel Bel-Air. Cada espaço é preenchido com tapetes persas e pinturas clássicas. Com piscina, fontes, jardins e árvores selecionadas por David Jones, o paisagista de Jackie Kennedy e Elizabeth Taylor. A atriz colocou a mansão à venda este ano.


setembro 19, 2021

********* HENRY FONDA, um ASTRO DISCRETO

 

Eu não sou uma pessoa muito interessante. 
Eu nunca fiz nada, exceto ser outras pessoas. 
Eu realmente não sou Henry Fonda! 
Ninguém pode ser. Ninguém poderia 
ter tanta integridade.
HENRY FONDA
 
Apelidos: One-Take Fonda e Hank
Altura: 1,87 cm
Olhos: azuis
Cabelos: castanho escuro
 
 
Considerado uma das maiores lendas dos velhos tempos de Hollywood, sua notável carreira no cinema, que durou quase 50 anos, é completada por performances significativas no teatro e na televisão. De fala mansa e andar felino, começou como um jovem tímido. Com o passar dos anos, amadureceu e se tornou um astro que simbolizava não apenas integridade e retidão, mas também um ideal de cidadão comum lutando contra a injustiça social e a opressão. Ele foi eleito como o sexto maior ator de todos os tempos pelo American Film Institute e o décimo maior astro da história do cinema pela “Premiere Magazine”. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
 
Seus atraentes olhos azuis cintilantes, rosto elegante e ar duro, mas honesto, fizeram desse jornalista sem vocação um dos clássicos da Hollywood dourada. Em uma entrevista, no início da carreira, ele afirmou que como ator queria apenas “ser bom e convincente. A verdade é que HENRY FONDA (1905 - 1982. Grand Island, Nebraska / EUA) foi mais, muito mais. A economia de gestos e a intensidade de sua persona, evidenciaram um estilo de interpretação que destaca uma autenticidade especial. Poucos, como ele, revelaram tanta profundidade emocional em seus personagens.
 
Muitas vezes interpretou figuras fortes, defensivas e heroicas, em busca de paz e justiça. A voz inconfundível, a sinceridade contagiante e a personalidade forte foram fundamentais para o sucesso e permitiram popularizar o protótipo de um herói justo e muito humano. Ele não tinha dificuldades de expressar os abismos da alma, muito pelo contrário, fluíam na intensidade do olhar azul. A naturalidade sempre foi sua maior virtude. Alfred Hitchcok o definiu como um típico homem comum”. A sua biografia começa em Grand Island, no Nebraska. Seu pai tinha uma gráfica modesta e daí surgiu o impulso de estudar jornalismo. Depois de ter uma história publicada em um jornal local, decidiu estudar comunicação na Universidade de Minnesota. Por um tempo, para pagar seu curso, ele tentou vários empregos temporários, de mecânico a vitrinista. Então, apesar da oposição dos pais, aceitou a oferta de Dorothy, mãe de Marlon Brando, para interpretar o papel-título em “Merton of the Movies”, uma produção de um grupo de teatro amador, o Omaha Community Playhouse. Seu pai não falou com ele por um mês. A peça e o protagonista receberam críticas bastante positivas na imprensa local.
 
fonda e margaret sulavan
Empolgado, passou a trabalhar na University Players, colega de James Stewart e Joshua Logan, e depois na Broadway, em Nova York, dedicando-se inteiramente a carreira teatral de 1926 a 1934. Seus primeiros papéis incluem “New Faces of America” e “The Farmer Takes a Wife”. Atuando ao lado da talentosa Margaret Sullavan, terminaram casando, mas a separação aconteceu em menos de três meses. Por fim, seu agente o convenceu a se tornar um ator de cinema, apesar das dúvidas iniciais e da relutância de HENRY FONDA. Os direitos de uma de suas peças foram adquiridos, e ele foi parar em Hollywood, integrando o elenco de “Amor Singelo / The Farmer Takes a Wife” (1935), com Janet Gaynor.
 
O filme fez sucesso, ele continuou na meca do cinema e dois anos depois estourou internacionalmente num clássico de Fritz Lang, “Vive-se Só Uma Vez” (1937). Seguiu-se outro excelente drama - de William Wyler, “Jezebel / Idem” (1938). Em 1939, fez “A Mocidade de Lincoln / Young Mr. Lincoln” (1939), de John Ford, emendando no mesmo ano com outro filme do diretor, “Ao Rufar dos Tambores / Drums Along the Mohawk” (1939). Por meio deles, e nos anos seguintes em “Vinhas da Ira”, a obra-prima de Ford; “Jesse James / Idem” (1939), de Henry King, e “A Volta de Frank James / The Return of Frank James” (1940), de Fritz Lang, entre outros, esculpiu um tipo de personagem sólido, íntegro, humano, uma espécie de herói cotidiano com senso de dever cívico.
 
Um dos seus maiores amigos foi James Stewart. A amizade surgiu antes do sucesso deles, quando trabalhavam juntos nos palcos. Por alguns anos, dividiram um quarto no Madison Square Hotel, em Nova York, e novamente em 1935 em Hollywood, alugando um lugar ao lado da mansão de Greta Garbo. Ambos se alistaram para lutar na Segunda Guerra Mundial. Na época, HENRY FONDA disse: “Eu não quero estar em uma guerra falsa em um estúdio.” Ele serviu por três anos e ganhou a Estrela de Bronze, a quarta maior condecoração por bravura em conflito com o inimigo.
 
jane darwell e henry fonda em
“as vinhas da ira 
De personalidade forte, ele era conhecido como mulherengo, tendo se envolvido em casos com muitas atrizes. Passou por cinco casamentos e uma relação distante com os filhos Jane e Peter, ambos atores. Ele era reservado e tinha imensa dificuldade em expressar seus sentimentos. Sua vida privada foi marcada pelo suicídio de duas de suas esposas. Descrito como frio, indiferente e frequentemente zangado fora da tela, seus filhos tiveram a melhor educação, mas nunca foram mimados. Jane ressentiu-se, mais até do que Peter. Muitos avaliam que suas diferentes fases - mito sexual, ativista política, etc. - podem ter sido para provocar o pai. Só se acertaram nos últimos meses da vida dele, quando atuaram juntos em “Num Lago Dourado / On Golden Pond” (1981). 

Em 1948, HENRY FONDA mudou-se para Nova York, só voltando para Hollywood em 1955. Embora o motivo central de sua estada prolongada longe das telas fosse seu papel principal em uma peça na Broadway, ele confidenciou a amigos que não tolerava o clima político na Califórnia naqueles tempos de macartismo. Durante anos, representou “Mister Roberts” com êxito, ganhando o Tony Award em 1948 como Melhor Ator Dramático. Quando virou filme, em 1955, voltou a fazer cinema, outra vez dirigido pelo genial John Ford. Mas tinha uma concepção do personagem, que representara durante anos nos palcos, que não era a mesmo do cineasta. A amizade e colaboração antiga terminou quando o diretor deu um soco nele e teve que ser substituído por Mervyn LeRoy.
 
jane, henry e peter fonda
Seguiu sua carreira cinematográfica com filmes de excelentes diretores: King Vidor, Alfred Hitchcock, Anthony Mann, Sidney Lumet, Otto Preminger, Richard Fleischer, Don Siegel, Sergio Leone, Joseph L. Mankiewicz e Billy Wilder, entre outros. Ao contrário de muitas estrelas que começaram na Broadway, HENRY FONDA voltou regularmente aos palcos ao longo da vida. Em 1968, formou uma parceria com os atores Robert Ryan e Martha Scott, co-fundando a produtora teatral Plumstead Playhouse, em Nova York. Ganhou um prêmio especial Tony em 1979. No entanto, a doença restringiu seu trabalho, terminando por desmaiar de exaustão, em 1974, após uma apresentação. Em 1978, ele seguiu o conselho de seus médicos e abandonou os palcos, continuando a estrelar filmes e televisão. 

Seu último papel no cinema foi em “Num Lado Dourado”, no qual se juntou a Katharine Hepburn e a sua filha Jane numa sensível história de reconciliação com a morte como pano de fundo. Por esse trabalho ganhou um Oscar (havia recebido um especial, pela carreira, no ano anterior). Pouco tempo depois, o grande HENRY FONDA, aquele que deu vida ao duro fazendeiro Tom Road, ao lendário xerife Wyatt Earp, ao músico Manny Balestrero e tantos personagens memoráveis, morreu aos 77 anos, deixando um legado duradouro. Foi um grande astro, um dos maiores. Destacou-se no drama, no western, em filmes de guerra e comédias. Mas o que o torna singular é que foi seletivo e intenso.
 

DEZ FILMES de HENRY FONDA
(por ordem de preferência)
 
01
VINHAS da IRA
(The Grapes of Wrath, 1940)

direção de John Ford
elenco: Jane Darwell e John Carradine
 
02
TEMPESTADE SOBRE WASHINGTON
(Advise & Consent, 1962)

direção de Otto Preminger
elenco: Charles Laughtn, Don Murray, Franchot Tone, Walter Pidgeon e Gene Tierney
 
03
CONSCIÊNCIAS MORTAS
(The Ox-Bow Incident, 1942)

direção de William A. Wellman
elenco: Dana Andrews, Anthony Quinn, William Eythe e Jane Darwell
 
04
PAIXÃO dos FORTES
(My Darling Clementine, 1946)

direção de John Ford
elenco: Linda Darnell, Victor Mature, Walter Brennan, Tim Holt e Jane Darwell
 
05
DOZE HOMENS e uma SENTENÇA
(12 Angry Men, 1957)

direção de Sidney Lumet
elenco: Lee J. Cobb, E. G. Marshall, Martin Balsam, Jack Warden e Ed Begley
 
06
As TRÊS NOITES de EVA
(The Lady Eve, 1941)

dreção de Preston Sturges
elenco: Barbara Stanwyck, Charles Coburn e Eugene Pallette
 
07
O HOMEM ERRADO
(The Wrong Man, 1956)

direção de Alfred Hitchcock
elenco: Vera Miles e Anthony Quayle
 
08
VASSALOS da AMBIÇÃO
(The Best Man, 1964)

direção de Franklin J. Schaffner
elenco: Cliff Robertson, Edie Adams, Margareth Leighton e Ann Sothern
 
09
VIVE-SE uma SÓ VEZ
(You Only Live Once, 1937)

direção de Fritz Lang
elenco: Sylvia Sidney, Barton MacLane e Ward Bond
 
10
O MAIS LONGO dos DIAS
(The Longest Day, 1962)

direção de Ken Annakin, Andrew Marton e Bernhard Wicki
elenco: Richard Burton, Sean Connery, Robert Mitchum, Robert Ryan, Arletty, Curt Jurgens, Rod Steiger e John Wayne
 
“Eu realmente não gosto de mim mesmo. Nunca gostei. As pessoas me confundem com os personagens que interpreto. Não sou um grande cara como o Doug Roberts de Mister Roberts. Eu gostaria de ser, mas não sou.”
HENRY FONDA

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