abril 13, 2017

************************** ÍDOLOS do CINEMA NAZI

zarah leander

 
No cinema, o espectador deve saber,
com maior certeza do que no teatro, 
quem deve  amar e quem deve odiar.
FRITZ HIPPLER
(1909 - 2002. Berlim / Alemanha)
diretor de “O Judeu Eterno”


Ele era obcecado por cinema. Compreendia o poder da máquina cinematográfica de moldar a opinião das pessoas. Em 13 de março de 1933, na Alemanha, Adolf Hitler (1889 - 1945. Braunau am Inn / Áustria) criou o Ministério do Reich para Esclarecimento Popular e Propaganda, cujo titular, Joseph Goebbels (1897 - 1945. Rheydt / Alemanha), foi encarregado de controlar os aspectos da propaganda política e da comunicação de massa. Esse Ministério supervisionava a produção cinematográfica, da concepção à exibição de filmes.
A indústria cinematográfica alemã foi a melhor do mundo no cinema mudo, deixando um legado de obras-primas. Cortejando a população através das emoções e utilizando a sétima arte como instrumento de poder mediático, nos anos 1933 a 1945 o Terceiro Reich promoveu o escapismo fácil, distraindo e doutrinando o povo. Do pouco que conheço, considero os documentários de Leni Riefenstahl e o colossal “Titanic / Idem” (1943) como excelentes contribuições para a história do cinema. A grande maioria dos filmes do CINEMA NAZI possui qualidade técnica e proporciona bom entretenimento.

adolf hitler
Nos primeiros anos do falado, o cinema germânico passou por uma grave crise. Seus atores, cineastas e técnicos mais conceituados deixaram o país após a ascensão do nazismo. “Não-arianos” foram excluídos, afetando cerca de 3 mil pessoas que ficaram sem trabalho. Alguns profissionais aproveitaram a oportunidade oscilante para exigir salários mais elevados, aumentando consideravelmente os orçamentos de produção. Por fim, a exportação de filmes caiu drasticamente devido aos boicotes internacionais.

Em 1933, ano em que os nazistas chegaram ao poder, havia 5.071 cinemas em toda a Alemanha. Seis anos depois, em 1939, o número de cinemas aumentou para 6.923. Somente a produtora UFA (Universum Film Aktien Gesellschaft) tinha 159 cinemas em 69 cidades – um total de 162.171 lugares. O UFA Palast am Zoo, em Berlim, o maior deles, com mais de dois mil lugares, era onde acontecia a maioria das pré-estreias. Num esforço para atingir segmentos mais amplos da população, o ministro da propaganda instituiu o “Dia do Filme Popular”, no qual o público podia assistir exibições especiais por um preço simbólico. Os filmes eram exibidos como parte de um programa obrigatório, que consistia de cine-jornais politizados e documentários educativos. Nas “Horas de Filmes para a Juventude”, organizadas pela Juventude Hitlerista, mostravam-se documentários direcionados para crianças a adolescentes.

cinema da ufa em berlim
Durante o nazismo, vários estúdios faliram, restando apenas 38 de 114. Os sobreviventes trabalharam em dobro, produzindo inúmeros filmes, numa tentativa infundada de fortalecer o CINEMA NAZI. Goebbels comprou as ações das produtoras, inclusive da poderosa UFA, e estatizou a indústria cinematográfica. “Quando compramos a UFA”, se vangloriou em 1937, “nos tornamos a maior união mundial de   cinema,   imprensa,    teatro   e   rádio. Agora  eu   tenho um    instrumento    muito    útil    à    minha    disposição”. Ele fundou uma escola estatal para cineastas politicamente confiáveis; e uma organização profissional oficial e obrigatória para atores, cineastas, técnicos e distribuidores. Goebbels censurava manuscritos e roteiros; criou prêmio de incentivo a produção de filmes; empréstimos a juros baixos e benefícios fiscais.

A crítica de cinema foi proibida. Jornalistas informavam sobre o conteúdo do filme, sem qualquer julgamento artístico, político ou ético. No comando, o brilhante e cruel Goebbels demonstrou sensibilidade para o espetáculo fílmico e manipulação do espectador digno de um David O. Selznick. Afinal, o CINEMA DO TERCEIRO REICH era dominado pelas estrelas. Adoradas pelos fãs, elas propiciavam o glamour. As mais famosas: as grandes atrizes Marianne Hoppe e Lil Dagover, Zarah Leander (anunciada como a “Garbo Alemã”), o premiado Emil Jannings, o comediante Heinz Rühmann, Kristina Söderbaum (“a ariana ideal”), Marika Rokk, Lilian Harvey etc.

marlene dietrich e os aliados
Cerca de 1.500 diretores, produtores, atores e outros profissionais de cinema emigraram da Alemanha no período pré-nazista ou logo depois. Entre eles, figuras míticas. Em Hollywood, esses refugiados iniciaram um trabalho de conscientização anti-nazi. A alemã Marlene Dietrich, convidada por Hitler para estrelar filmes na Alemanha, optou por fazer campanha pelos norte-americanos, causa que lhe granjeou ódio em sua terra natal. O ditador tomou a recusa como um desrespeito à pátria, e a acusou de traição. Marlene foi ao encontro das tropas aliadas, cantando para divertir e aliviar a dor dos soldados. Acabou condecorada com medalha do governo norte-americano.

Nem todos os ameaçados pelo regime nazista tiveram a sorte de escapar. O ator e diretor de origem judaica Kurt Gerron morreu em um campo de concentração, aos 47 anos de idade. Ele participou de “O Anjo Azul / Der Blaue Engel” (1930) e dirigiu vários filmes. Depois que a Gestapo o prendeu em Amsterdã, onde dirigia o Teatro Judeu, foi obrigado a supervisionar um documentário de propaganda, “Theresienstadt: Ein Dokumentarfilm aus dem Jüdischem Siedlungsgebiet”. Assim que o filme ficou pronto, Gerron e outros que trabalharam nele foram assassinados em câmara de gás.

renate muller 
em “victor ou vitória”
Sacerdotisa que cantava, atuava no cinema e era admirada por uma multidão, a popular e conceituada Renate Müller, aos 31 anos, em 1937, estava no auge do sucesso quando foi jogada por uma alta janela de um prédio em Berlim e se estatelou no chão, morrendo e deixando o mundo germânico de boca aberta. Pior, sem saber o que aconteceu. Ela seria lembrada na história do cinema, principalmente o alemão, por ser a primeira intérprete de “Victor ou Vitória / Viktor und Viktoria” (1933), um dos 26 filmes que interpretou e teve remake em 1982, com a talentosa Julie Andrews.

Há versões de que Hitler pessoalmente tentou persuadi-la a fazer filmes de propaganda, e ela não aceitou. Ao recusar a proposta de musa nazista, tornou-se uma suspeita vigiada pela Gestapo. Ela ainda fez “Togger” (1937), de propaganda política, mas as coisas continuaram mal resolvidas, porque em seguida foi morta. O anúncio oficial atribuiu a morte à epilepsia. Outra, não oficial, era a de que foi jogada pela janela por oficiais da Gestapo. Depois de sua morte, como se tratava de atriz popular, os nazis espalharam que era uma viciada - no caso, morfina – e por esta razão, veio a óbito. Uma grande mentira. Cerca de 500 artistas de cinema foram vítimas do terror do Terceiro Reich. 
 
O famoso humorista judeu Otto Wallburg, preso após a invasão das tropas alemãs na Holanda, morreu aos 55 anos na câmara de gás de Auschwitz, em 1944. O mesmo aconteceu com os atores Fritz Grünbaum (1880 – 1941) e Paul Morgan (1886 – 1938). Joachim Gottschalk (1904 - 1941) até 1940 desempenhava papéis principais no cinema, ao rejeitar a sugestão de se separar da esposa judia, passou a ser descartado. Em maio de 1941, na noite anterior à deportação a um campo de concentração, ele, esposa e filho de oito anos se suicidaram. Lale Andersen (1905 - 1972), uma cantora famosa, gravou em 1939 a canção “Lili Marleen”, popular tanto entre alemães como entre aliados, mas foi impedida em 1942 de cantar em público por se corresponder com judeus.

joachim gottschalk
O grande ator Curd Jürgens (1915 - 1982), crítico do regime nazista, foi enviado a um campo de concentração com o rótulo de cidadão “politicamente incorreto”, mas sobreviveu à guerra. Herbert Selpin, diretor de “Titanic”, não engoliu o famoso naufrágio como propaganda anti-britânica, entrando em conflito nas filmagens com Goebbels. Acabou assassinado em 1942, aos 40 anos. O filme foi finalizado por Werner Klingler (1903 - 1972). O mítico diretor Fritz Lang (1890 - 1976) conseguiu fugir, antes se divorciando da esposa e roteirista nazista Thea Von Harbou (1888 - 1954). Eles fizeram, entre outros, o clássico “Metrópolis / Idem” (1927). Para maquiar a imagem da Alemanha sanguinária, Goebbels não poupou esforços ao promover estrelas. O exemplo mais conhecido é o da sueca Zarah Leander. Contratada em 1937 pela UFA, tornou-se a atriz mais bem paga do país. Protagonizou dez filmes alemães entre 1937 e 1943. Suas canções e filmes são melodramas apaixonados. Elegância e voz poderosa contribuíram para sua consagração. Em 1943 regressou a Suécia, continuando a carreira sem o sucesso de antes.

Estrela atraente e atlética dos filmes de montanha de Arnold Fank, ela estreou no cinema nos anos vinte. Quando os nazistas chegaram ao poder, Leni Riefenstahl, ardente admiradora e amiga pessoal de Hitler, realizou o extraordinário documentário “Triunfo da Vontade / Triumph des Willens” (1935), promovendo o orgulho nacional. Uma visão impressionante de um espetáculo de massa e glorificação da figura do Führer. Após a Segunda Guerra Mundial, foi presa, acusada de ser amante do ditador e simpatizante do nazismo. Negou as acusações, mas jamais demonstrou sinal de arrependimento pela proteção especial nazista. Com a estética de seus filmes, determinou como nenhum outro cineasta a imagem do Terceiro Reich. Em 1952, uma corte a libertou e ela pode trabalhar de novo, passando a maior parte da vida fotografando na África. Nunca se soube até que ponto Riefenstahl se comprometeu com a ideologia ou se era uma oportunista.

leni riefenstahl
Hitler, Goebbels e o líder do Partido Nazi, Hermann Göring (1893 – 1946), apareciam em público com atrizes, sendo as preferidas Olga Tschechowa, Marika Rökk e Lil Dagover. As relações amorosas de Goebbels com várias delas são notórias. No topo do CINEMA NAZI, primeiro vencedor do Oscar de Melhor Ator, Emil Jannings estrelou filmes promovendo o nazismo. Goebbels o apelidou de “Artista do Estado”, em 1941. Quando os aliados invadiram a Alemanha, ele mostrou seu Oscar como prova da antiga associação com Hollywood. Desempregado, passou a viver em uma fazenda na Áustria.

Outro importante aliado de Adolf Hitler foi o popular comediante Heinz Rühmann. As conexões entre ele e o nazismo não o impediram de ser escolhido, numa pesquisa recente, como “o ator mais querido dos alemães”. Gozando de certa reputação como ator de teatro e cinema, após a ascensão do partido nazista ele não se distanciou do regime. Pelo contrário, as comédias que estrelou, em tempos de terror e genocídio, serviram perfeitamente à causa local. Em 1940, nomeado “Ator Nacional” e sob pressão,  separou-se da esposa judia, Maria Bernheim. No pós-guerra, caiu no ostracismo. Na década de 1950 surpreendentemente recuperou o sucesso. Poucos meses antes de morrer trabalhou em “Tão Longe, Tão Perto / In Weiter Ferne, so Nah!” (1993), de Wim Wenders. Apesar do vínculo nazista evidente, Rühmann sempre se definiu como apolítico.

goebbels
Importantes para a imagem do governo nacional-socialista, atores e diretores de destaque foram premiados, em 1938, com a isenção fiscal. Na guerra, eles fizeram shows para as tropas ou recolheram dinheiro da iniciativa privada. A maioria dos astros de cinema foi dispensada do serviço militar, mas um ou outro - como Heinz Rühmann – se alistou. O Terceiro Reich convidou vários artistas para atuar no CINEMA NAZI. Quem recusasse a oferta, caia em desgraça. Dezenas escaparam através da emigração. Quem ficou, cedeu à ditadura. Ingenuidade, ideologia, medo ou oportunismo? Possivelmente um pouco de cada. Os ídolos se prestaram ao culto nazista – até certo ponto, voluntariamente – e souberam se beneficiar dele.

As salas de exibição seguiam regras e regulamentos. A importação de fitas dos países inimigos foi proibida. Fornecendo exibições cinematográficas em áreas rurais e remotas, o Departamento de Propaganda do partido operava 300 caminhões e dois trens levando o equipamento necessário para as projeções. Mesmo sob as condições severas dos últimos anos da II Guerra, os cinemas alemães funcionavam perfeitamente. Em Berlim, unidades antiaéreas os protegiam contra bombardeios.

documentário “o judeu eterno”
A ausência de crítica ao regime, predileção por musicais e comédias, diálogos conformistas e uma narrativa clássica são o perfil do cinema germânico daqueles anos. Nos dramas de guerra, o CINEMA NAZI exalta o heroísmo local e a brutalidade do inimigo. Os ingleses são apresentados como fracos, ridículos, imperialistas, opressores; os russos, brutos e bêbados; os judeus, “sub-humanos” que se infiltraram na sociedade ariana. De 1940, o documentário “O Judeu Eterno / Der Ewige Jude”, direção Fritz Hippler, mostra os judeus como parasitas, ávidos por sexo e dinheiro. Alguns longas glorificam Hitler e o Nacional Socialismo.

Como os alemães em geral, diretores e atores aderiram ao nazismo ou suportaram a situação insustentável. Passando a guerra, ninguém se identificou com os derrotados e mentiram, negando envolvimento.  O ator e diretor Veit Harlan, um dos gigantes do seu tempo, foi o único a enfrentar um tribunal de Justiça, sob a acusação de crimes contra a humanidade, principalmente por ter feito o antissemita “Judeu Süss / Jud Süss” (1940). Depois de dois interrogatórios, ele foi absolvido das acusações. Escapou com a defesa de que teria agido sob coerção. Em 1950, voltou a dirigir. Historiadores criaram uma imagem do CINEMA NAZI como um cinema de ódio e de terror. Enganam-se. Está mais para um cinema de ilusão. Nesse escapismo, muitas vezes interfere a propaganda subliminar, diluindo nos enredos valores básicos da ideologia nazista como obediência, auto-sacrifício, ordem, camaradagem, liderança etc. Mas nem sempre. No período 1933 a 1945, os filmes de entretenimento dominam o mercado. Dos 1094 filmes produzidos na Alemanha Nazista, somente 153 são diretamente políticos ou propagandísticos. Os outros 941 filmes são tradicionais, no estilo Hollywood na mesma ocasião.

willi forst e olga tschechowa em “bel ami”
No fim do conflito bélico, em 1945, com a Alemanha devastada e reduzida a escombros, filmes eram produzidos, entre eles “Kolberg” (1945), de Veit Harlan. Superprodução a cores, ambientada nas guerras napoleônicas, narra a resistência de uma cidade alemã diante das tropas francesas, numa tentativa de animar a destroçada moral nacional. Este objetivo não se concretizou, entretanto, comprova que, mesmo em irreversível queda, o Terceiro Reich acreditou e explorou a indústria cinematográfica até os últimos instantes.

FONTES
“Cinema no Terceiro Reich” 
blog “Histórias de Cinema” 
 
“Histoire du Cinéma Nazi” 
de Francis Courtade e Pierre Cadars
 
“Nazi Cinema as Enchantment: The Politics 
of Entertainment in the Third Reich” 
de Mary-Elizabeth O’Brien
 
“Popular Cinema in the Third Reich” 
de Sabine Hake  

“The UFA Story” 
de Klaus Kreimeier

camilla horn
ESTRELAS do CINEMA NAZISTA

BRIGITTE HORNEY
(1911 - 1988. Dahlem / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Der Gouverneur” (1939)
“Barão de Münchhausen / Münchhausen” (1943)

CAMILLA HORN
(1903 - 1996. Frankfurt / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Maria / Sein Letztes Modell” (1937)
“Guerra nas Sombras / Rote Orchideen” (1938)

EMIL JANNINGS
(1884 - 1950. Rorschach, St. Gallen / Suíça)

Filmes Selecionados
“O Governante / Der Herrscher” (1937)
“O Presidente Krüger / Ohm Krüger” (1941)

GUSTAF GRUNDGENS
(1899 - 1963. Düsseldorf / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Santa Joanna D'Arc / Das Mädchen Johanna” (1935)
“Friedemann Bach” (1941)

GUSTAV FRÖHLICH
(1902 - 1987. Hannover, Lower Saxony / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Terra em Chamas / Stadt Anatol” (1936)
 “O Grande Rei / Der große König”(1942)

HEINRICH GEORGE
(1893 - 1946. Stettin, Pomerania / Polônia)

Filmes Selecionados
“Judeu Süß” (1940)
“Nostalgia, O Caminho da Perdição / Der Postmeister” (1940)

HEINZ RÜHMANN
(1902 - 1994. Essen / Alemanha)

Filmes Selecionados
“O Chapéu Florentino / Der Florentiner Hut” (1939)
“Ich Vertraue Dir Meine Frau Na” (1943)

HENNY PORTEN
(1890 – 1960. Magdeburg / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Komödianten” (1941)
“Symphonie eines Lebens” (1943)

JENNY JUGO
(1904 – 2001. Mürzzuschlag, Styria / Áustria)

Filmes Selecionados
“Pygmalion” (1935)
“Unser Fräulein Doktor” (1940)

JOHANNES HEESTERS
(1902 - 2011. Amersfoort, Utrecht / Holanda)

Filmes Selecionados
“Nanon” (1938)
“Immer Nur-Du!” (1941)

KARL-LUDWIG DIEHL
(1896 - 1958. Halle, Saxony-Anhalt / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Romance em Viena / Episode” (1935)
“Die Entlassung” (1942)

KRISTINA SÖDERBAUM
(1912 - 2001. Estocolmo / Suécia)

Filmes Selecionados
“Cidade da Ilusão / Die Goldene Stadt” (1942)
“O Grande Rei / Der Große König” (1942)

LA JANA
(1905 - 1940. Viena / Áustria)

Filmes Selecionados
“Mistérios da Índia / Der Tiger von Eschnapur” (1938)
“Ouvindo Estrelas! / Es Leuchten die Sterne” (1938)

LENI RIEFENSTAHL
(1902 - 2003. Berlim / Alemanha)

Filmes Selecionados
“O Triunfo da Vontade / Triumph des Willens” (1935)
“Olimpíadas e Mocidade Olímpica 1 e 2 / Olympia 1 e 2” (1938)

LÍDA BAAROVÁ
(1914 - 2000. Praga / Hungria)

Filmes Selecionados
“Hora de Tentação / Die Stunde der Versuchung” (1936)
“Os Homens Devem Ser Assim / Männer Müssen so Sein” (1939)

LIL DAGOVER
(1887 - 1980. Madioen / Indonésia)

Filmes Selecionados
“A Sonata de Kreutzer / Die Kreutzersonate” (1937)
“Bismarck” (1940)

LILIAN HARVEY
(1906 - 1968. Hornsey, Londres / Inglaterra)

Filmes Selecionados
“Morrer de Amor / Fanny Elssler” (1937)
“Capricho / Capriccio” (1938)

LUIS TRENKER
(1892 - 1990. St. Ulrich, Tyrol /Itália)

Filmes Selecionados
“Condottieri” (1937)
“Der Berg Ruft!” (1938)

MAGDA SCHNEIDER
(1909 - 1996. Augsburg, Bavaria / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Redenção / Liebelei” (1933)
“Wer küßt Madeleine?” (1939)

MARIANNE HOPPE
(1909 - 2002. Rostock, Mecklenburg-Vorpommern / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Até a Vista Francisca / Auf Wiedersehn, Franziska!”(1941)
“Romanze in Moll” (1943)

MARIKA RÖKK
(1913 - 2004. Cairo / Egito)

Filmes Selecionados
“Noite de Baile / Es War eine Rauschende Ballnacht” (1939)
“Kora Terry” (1940)

MARTHA EGGERTH
(1912 - 2013. Budapeste / Hungria)

Filmes Selecionados
“Canção da Lembrança / Das Hofkonzert” (1936)
“Quando Canta o Rouxinol / Wo die Lerche Singt” (1936)

OLGA TSCHECHOWA
(1897 - 1980. Alexandropol, Erivan Governorate / Rússia)

Filmes Selecionados
“Absolvida / Unter Ausschluß der Öffentlichkeit” (1937)
“Quatro Mulheres é Demais / Bel Ami” (1939)

POLA NEGRI
(1897 – 1987. Lipno / Polônia)

Filmes Selecionados
“A Mulher que Amou Demais / Madame Bovary” (1937)
“A Falsária / Die Fromme Lüge” (1938)

RENATE MÜLLER
(1906 - 1937. Munique, Bavária / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Victor ou Vitória / Viktor und Viktoria” (1933)
“Allotria” (1936)

SABINE PETERS
(1912 - 1982. Berlim / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Segundo Amor / Das Mädchen Irene” (1936)
“Preußische Liebesgeschichte” (1938)

SYBILLE SCHMITZ
(1909 - 1955. Düren, North Rhine-Westphalia / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Clarissa” (1941)
“Titanic / Idem” (1943)

VIKTOR STAAL
(1909 - 1982. Frankenstadt, Moravia / República Tcheca)

Filmes Selecionados
“Recomeça a Vida / Zu Neuen Ufern” (1937)
“Die Große Liebe” (1942)

WERNER KRAUSS
(1884 - 1959. Gestungshausen, Sonnefeld, Bavaria / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Judeu Süß” (1940)
“Paracelsus” (1943)

WILLY BIRGEL
(1891 - 1973. Colônia, North Rhine-Westphalia / Alemanha)

Filmes Selecionados
“Recomeça a Vida / Zu Neuen Ufern” (1937)
“Das Herz der Königin” (1940)

WILLY FRITSCH
(1901 - 1973. Kattowitz, Upper Silesia / Polônia)

Filmes Selecionados
“A Pequena de Outra Noite / Das Mädchen von Gestern Nacht” (1938)
“Wiener Blut” (1942)

ZARAH LEANDER
(1907 - 1981. Karlstad, Värmlands län / Suécia)

Filmes Selecionados
“La Habanera” (1937)
“Noite de Baile / Es War eine Rauschende Ballnacht” (1939)

MARLENE e os SOLDADOS


abril 01, 2017

******** TONY CURTIS – o GALÃ de OLHOS AZUIS



 
Ele foi um dos mais populares atores de Hollywood. Morreu de uma parada cardíaca, aos 85 anos, em sua casa em Henderson, no Estado de Nevada, EUA. Os problemas cardíacos de TONY CURTIS (1925 – 2010. Nova York / EUA) começaram em 1994. Ele havia se submetido a uma cirurgia, recebendo uma ponte de safena. “Na realidade, eu era perfeito: bonito, são de corpo e de espírito.”, disse o astro, pouco antes de morrer, recordando sua juventude. Tem fundamento. No auge do sucesso, na segunda metade da década de 1950, poucas garotas resistiam ao seu charme. Namorador incorrigível, na sua lista de conquistas figuraram nomes como Marilyn Monroe, Natalie Wood, Janet Leigh e mil mulheres, de acordo com sua autobiografia. Contudo, nos anos 70, a cocaína, o álcool e filmes ruins lhe roubaram a beleza e energia.

Filho de imigrantes húngaros, batizado como Bernard Schwartz, cresceu nos fundos da humilde alfaiataria do pai. Tão pobre que foi obrigado a passar um tempo num orfanato. Em sua autobiografia de 2008, “American Prince: A Memoir”, fala abertamente sobre a infância miserável e os abusos que sofreu nas mãos da mãe diagnosticada como esquizofrênica. Em 1938, perdeu a pessoa mais importante para ele, seu único irmão, Julius, que foi atropelado e morreu. Pai da atriz Jamie Lee Curtis, de quem viveu separado, admitiu que foi um fracasso como pai.

Serviu a marinha na Segunda Guerra Mundial. Começando a atuar depois de dar baixa. Fez algumas peças, até ser descoberto pelo famoso produtor David O. Selznick (“... E o Vento Levou / Gone with the Wind”). Em 1948, devido ao belo porte, assinou contrato de sete anos com a Universal International Pictures, sendo matriculado em aulas de esgrima e montaria. Trocaram seu nome para TONY CURTIS, e logo se tornou uma estrela. Como Elvis Presley, ditou moda, com muita gente imitando seu corte de cabelo com topete e gel modelador. Sua primeira performance foi uma aparição de dois minutos no clássico noir “Baixeza / Criss Cross” (1949), em que faz ciúmes a Burt Lancaster dançando com Yvonne De Carlo.  

Inicialmente mocinho em películas de aventura, converteu-se em intérprete elogiado graças a dramas como “A Embriaguez do Sucesso” e “Acorrentados”, pelo qual recebeu sua única indicação ao Oscar de Melhor Ator, como um fugitivo racista convicto algemado a um negro, interpretado por Sidney Poitier. O seu primeiro papel principal foi em “O Príncipe Ladrão / The Prince Who Was a Thief” (1951), em que foi criticado por fazer um príncipe árabe com sotaque nova-iorquino. Apesar das críticas, se tornou um ídolo adolescente, graças à sua boa aparência e ao carisma. 

tony e janet leigh
Em 1959, TONY CURTIS protagonizou uma das comédias mais aclamadas de Hollywood, “Quanto mais Quente Melhor”, do mestre Billy Wilder, contracenando com Marilyn Monroe e Jack Lemmon. Seu personagem se disfarça de mulher para fugir da máfia. Anos depois, revelou ter engravidado a estrela. Fez sucesso com o épico  “Spartacus” (1960), onde se destaca a cena, com conotações homossexuais, ao lado de Laurence Olivier.

Atuou em mais de uma centena de filmes e casou-se seis vezes. - o primeiro deles com a atriz Janet Leigh, 1951 a 1962. Por um bom tempo eles foram o casal de ouro de Hollywood, capas de inúmeras revistas. Fizeram juntos cinco filmes. Depois de se divorciar de Janet, casou com a atriz austríaca Christine Kaufman, que conheceu ao filmar “Taras Bulba / Idem” (1962). Após uma batalha contra o álcool e as drogas retornou ao cinema. Outra tragédia em sua vida aconteceu quando seu filho Nicholas morreu de overdose de heroína, aos 23 anos.

Depois de parar de atuar, ele se dedicou à pintura. Em 1989, vendeu obras no valor de mais de US$ 1 milhão em uma exposição em Los Angeles, na Califórnia. Uma das suas telas faz parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York. Em 1989, lançou um vídeo de exercícios físicos para pessoas com mais de 50 anos. Sua última mulher, Jill Vanderberg, 45 anos mais nova, o ajudava em um refúgio para cavalos abandonados, entre Califórnia e Nevada. 

Não sou fã de TONY CURTIS. Antipático, cara de playboy bebum, ator de pouco fôlego. Tampouco nego sua importância cinematográfica, principalmente como comediante. Em 2008, numa entrevista, falou sobre sua carreira, marcada pelo sexo, e a decadência ao mergulhar nas drogas. “Não fiz os filmes que deveria ter feito”, concluiu, admitindo ter recusado papeis importantes que acabaram nas mãos de Marlon Brando e Paul Newman, entre outros.

tony no clássico “quanto mais quente melhor”
 
DEZ FILMES de TONY
(por ordem de preferência)

01
EMBRIAGUEZ do SUCESSO
(Sweet Smell of Success, 1957)

direção de Alexander Mackendrick
  elenco: Burt Lancaster

02
QUANTO mais QUENTE MELHOR
(Some Like It Hot, 1959)

 direção de Billy Wilder
  elenco: Marilyn Monroe e Jack Lemmon

03
SPARTACUS
(Idem, 1960)

direção de Stanley Kubrick
 elenco: Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons,
Charles Laughton, Peter Ustinov e John Gavin

04
VIKINGS, os CONQUISTADORES
(The Vikings, 1958)

direção de Richard Fleischer
  elenco: Kirk Douglas, Ernest Borgnine e Janet Leigh

05
ACORRENTADOS
(The Defiant Ones, 1958)

direção de Stanley Kramer
  elenco: Sidney Poitier

06
Um AMOR do OUTRO MUNDO
(Goodbye Charlie, 1964)

direção de Vincente Minnelli
  elenco: Debbie Reynolds, Walter Matthau, Pat Boone
e Ellen Burstyn

07
O HOMEM que ODIAVA as MULHERES
(The Boston Strangler, 1968)

direção de Richard Fleischer
  elenco: Henry Fonda e George Kennedy

08
De FOLGA para AMAR
(The Perfect Furlough, 1958)

direção de Blake Edwards
  elenco: Janet Leigh, Linda Cristal e Troy Donahue

09
MÉDICA, BONITA e SOLTEIRA
(Sex and the Single Girl, 1964)

direção de Richard Quine
  elenco: Natalie Wood, Henry Fonda,  Lauren Bacall
e Mel Ferrer

10
O GRANDE IMPOSTOR
(The Great Impostor, 1961)

direção de Robert Mulligan
  elenco: Karl Malden, Edmond O`Brien, Arthur O`Connell
 e Raymond Massey

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