dezembro 08, 2010

*************** ADEUS, CARO MONICELLI


mario monicelli

O lúcido e irônico cineasta MARIO MONICELLI, considerado um dos mestres da comédia à italiana, morreu no mês passado aos 95 anos. Ele suicidou-se saltando da janela do quarto andar do hospital San Giovanni, em Roma, onde estava internado devido a um câncer de próstata em fase terminal. Com uma carreira prolífica e extremamente irreverente, não é de se espantar que saia de cena desta maneira, surpreendendo a todos de forma trágica e com uma atitude totalmente inusitada. Filho de um crítico teatral e jornalista, o comunista ferrenho Monicelli nasceu em Viareggio, na Toscana (Itália), onde passou a infância. Até o final de 1940, colaborou em cerca de 40 filmes, às vezes como roteirista, outras como diretor-assistente. O começo oficialmente registrado de seu trabalho ocorre em 1949, em parceria com Steno, em “Totó Cerca Casa”, já começando a imprimir seu particular estilo narrativo, simples, mas eficaz e funcional. 

Em 1953, inicia a carreira solo, que seria marcada por vários êxitos. O primeiro deles é considerado a semente da tradicional “commedia all'italiana”, um gênero que floresceria nas duas décadas seguintes. Esse filme, “Os Eternos Desconhecidos” (1958), apresenta um elenco especial, composto por várias estrelas do cinema italiano. Em 1959, lança outra obra-prima, "A Grande Guerra", ganhando o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza, e rendendo sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A segunda viria em 1963, com "Os Companheiros", com Marcello Mastroianni no papel de um militante de esquerda que entrega a vida à causa. 
MARIO MONICELLI também produziu para o teatro e a televisão, mas ficou conhecido principalmente pelos 65 filmes. Sempre crítico, tinha o raro dom de fazer um cinema com conteúdo que diverte. Era o humor negro levado ao excesso, ao limite da ironia e do escárnio. Em contrapartida, podia ser terno, doce e melancólico. Se há algo que ligue os seus filmes, é seu olhar compreensivo em relação aos personagens ridículos e patéticos que ele acreditava que faziam parte de todos nós. 


7 comentários:

Octavio Caruso disse...

Ele merece todas as homenagens! Um diretor maravilhoso que não obteve em vida o reconhecimento que realmente merece!
"Parente é Serpente", "Mon Amici Miei" e "Brancaleone" são pérolas inesquecíveis.

HENRIQUE PASSOS WAGNER disse...

Meu querido e sempre gentil amigo,

Belo texto sobre o mestre italiano! Vc é rápido no gatilho! Eu demoro tanto a escrever um artigo, depois que decido escrevê-lo... Quanto ao blog, de um modo geral: raro caso de unanimidade inteligente. Todos, simplesmente todos, não só o aprovam como o idolatram! Mas o blog, de fato, é muito bem concebido, de muito bom gosto e com uma função imensa.
Parabéns!!

RUBENS EWALD FILHO disse...

Monicelli tem uma carreira de muitas obras-primas, que vão desde Parente é Serpente até os mais antigos: A Grande guerra, Os Companheiros, Quinteto Irreverente, Brancaleone. Um mestre da comédia de costumes à la italiana.

Jamil J. Landim disse...

Monicelli estava terminal. Talvez não tenha sido o desgosto pela vida que o levou a esperar quase pelos 100 anos – tinha 95 – para se suicidar. Nos seus filmes as histórias não importam tanto, ou não importam nada. O que vale é o poder de observação, a lucidez irônica que perpassa as histórias e personagens, e que terminam por dizer tudo sobre eles. Monicelli é imperdível e, para muita gente, depois do seu fim trágico, será a descoberta de um autor ao qual o circuito cinéfilo tem sido injustamente indiferente. Qual o filme dele que você mais gosta, Antonio?

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Jamil, me diverti muito com "Casanova 70". É hilário. Mas fico com "Tomara Que Seja Mulher" - com Catherine Deneuve e Stefania Sandrelli - e "Os Eternos Desconhecidos".

annastesia disse...

Um dos grandes nomes do cinema italiano. Seu talento nos brindou com filmes fantásticos. Eternos desconhecidos, Brancaleone, Parente é serpente (adoro!), Quinteto irreverente, sem esquecer de sua parceria com Totó. Perdemos um mestre mas o céu ficou cinematograficamente mais iluminado. Addio Mario.

Anônimo disse...

Monicelli foi diretor de obras
inesquecíveis, num período que cinema italiano foi o melhor da
Europa e um melhores do mundo.
Este post é uma bela lembrança de um tempo que nem para os italianos volta mais.