outubro 18, 2015

************* E O VENTO LEVOU SELZNICK



Supõe-se que o protagonista de “Assim Estava Escrito / The Bad and the Beautiful” (1952), o despótico produtor de cinema Jonathan Shields, interpretado por Kirk Douglas, foi criado pensando nele. Um dos mais lendários produtores de Hollywood, ele ficou famoso por produzir “...E o Vento Levou” e lançar a carreira de Alfred Hitchcock em Hollywood com “Rebecca, A Mulher Inesquecível” - ambos vencedores do Oscar de Melhor Filme. Astuto, confiante e extremamente talentoso, DAVID O. SELZNICK (1902 – 1965) alcançou o topo do sucesso com filmes que são agora clássicos, como “Ave do Paraíso / Bird of Paradise”, “Jantar às Oito / Dinner at Eight”, “David Copperfield”, “O Prisioneiro de Zenda / The Prisoner of Zenda”, “Nasce Uma Estrela” ou “Duelo ao Sol”. Ele foi fundamental na projeção de estrelas como Vivien Leigh, Ingrid Bergman, Joseph Cotten, Gregory Peck, Katharine Hepburn, Joan Fontaine, Fred Astaire, Leslie Howard, Myrna Loy e Jennifer Jones, sua esposa.

Trabalhando incansavelmente, produziu longas de qualidade com três marcas: estrelas de primeira grandeza, os melhores roteiristas e nenhuma despesa poupada. Enquanto produzia, praticamente se esgotava, buscando a perfeição nos mínimos detalhes e insistindo em suas próprias ideias. Estava preocupado com o melhor possível, e seu perfeccionismo levou a muitas lutas com os diretores. “… E o Vento Levou” começou com George Cukor na direção, seu amigo pessoal. Foi substituído por Victor Fleming, e este por Sam Wood. Durante as filmagens de “Coração Indômito / Gone to Earth”, desentendimentos com Michael Powell e Emeric Pressburger resultaram em praticamente dois filmes: a versão original britânica e a norte-americana (intitulada “The Wild Heart”), parcialmente refilmada por Rouben Mamoulian. “Adeus às Armas / A Farewell to Arms” viu uma rivalidade teimosa entre Selznick e John Huston, que foi substituído por Charles Vidor.

selznick, joan fontaine, hitchcock e sua esposa alma
PRIMEIROS ANOS

Nasceu em Pittsburgh, em 1902, filho um imigrante russo que ganhou e perdeu uma fortuna no negócio do cinema. Com confiança ilimitada nas habilidades de seus dois filhos, Myron e David, o patriarca não poupou despesas para criá-los. A fortuna da família foi varrida no crash (quebra) da bolsa de valores de Nova York. Todos os bens da família, inclusive as joias da Sra. Selznick foram vendidas. Aos quinze anos, DAVID O. SELZNICK passou a trabalhar como avaliador de histórias, e depois na condução do departamento de publicidade da Select Pictures, de seu pai. Com a falência da empresa, prometeu ao pai que um dia recuperaria o prestígio do seu nome no mundo do cinema. Para tal, concretizou cinejornais em Nova Iorque com algum êxito. Realizou também dois documentários, um sobre o treinamento de um lutador de boxe e outro que mostrava Rodolfo Valentino como jurado de um concurso de beleza no Madison Square Garden.

NA METRO-GOLDWYN-MAYER

Apesar da hostilidade entre Louis B. Mayer e seu pai, DAVID O. SELZNICK acabou contratado pela M-G-M em 1926. Sua ascensão foi meteórica: de leitor de roteiros, logo se tornou chefe do mesmo departamento. Em 1927, era o executivo mais promissor da equipe do lendário Irving G. Thalberg. Nesse ano, tornou-se assistente e, em seguida, editor de roteiros. Conseguiu aumentar a produtividade do departamento ao diminuir o número de profissionais e instituir a dead line date, isto é, prazos finais para cada fase dos trabalhos. Questionando Thalberg duramente, à vista de seus boquiabertos assistentes, foi despedido. Thalberg ainda disse que cancelaria a demissão desde que pedisse desculpas formalmente. Orgulhoso e arrogante, Selznick recusou-se e deixou o estúdio. Ele já tinha destino certo: a Paramount Pictures.

irene mayer selznick, a primeira esposa
NA PARAMOUNT

Contratado pela Paramount como assistente do diretor de produção, trouxe sangue novo para o estúdio. Entre suas contratações, Joseph L. Mankiewicz, os diretores de teatro George Cukor e John Cromwell, e também roteiristas famosos em Nova Iorque. A Paramount, uma das majors de Hollywood, planejava concluir a transição para o sistema sonoro. Para isso, ela via em Selznick o elemento capaz de coordenar o desenvolvimento de roteiros e permitir uma leva completa de filmes falados na temporada 1929-1930. Colocado atrás de uma mesa, restou ao ambicioso jovem escrever memorandos (pelos quais ficaria famoso em Hollywood, chegando a enviar centenas no decurso de cada filme) sobre elencos e roteiros de longas-metragens sob sua responsabilidade. Passou 1930 imerso nesse trabalho administrativo.

No ano seguinte, ficou decidido que supervisionaria cinco grandes produções. Entretanto, a Grande Depressão bateu às portas da Paramount e os lançamentos não saíram do papel. Cortes salariais foram anunciados. Selznick não aceitou essas condições, pedindo demissão. Em abril de 1930, casou-se com Irene Mayer, a filha mais nova de Louis B. Mayer, o chefe da M-G-M. Ele ficou furioso com o casamento da filha, até se recusou a falar com o genro por um tempo.

dolores del rio em ave do paraíso, produção de selznick para a rko
NA RKO

Em outubro de 1931, a RKO Radio Pictures, estúdio de médio porte criado em 1928, lhe ofereceu emprego. Sem alternativas, aceitou e, aos vinte e nove anos, tornou-se o vice-presidente encarregado da produção, com salário de dois mil e quinhentos dólares por semana. O estúdio nem de longe contava com artistas, técnicos e recursos do nível dos concorrentes. Duas únicas estrelas, Irene Dunne e Dolores del Rio, a quem se juntavam atores do segundo time, como Richard Dix, e também jovens promessas, como Joel McCrea e Fay Wray. A maioria dos diretores da casa também era fraca e ele fez uma limpeza, ficando apenas com Wesley Ruggles, Gregory La Cava e George Cukor.

Os resultados logo apareceram, apesar da falta de recursos. Ele supervisionava apenas os longas-metragens mais importantes. Como produtor executivo, trabalhou principalmente com George Cukor e Gregory La Cava. Em um ano, ele conseguiu reduzir em um terço as despesas da RKO, sem sacrificar a quantidade e a qualidade da produção. Apesar de seu desempenho, um novo executivo tentou diminuir sua autoridade. O conflito foi inevitável. Finalmente, em 1933, DAVID O. SELZNICK demitiu-se, aprovando antes o teste de Fred Astaire, bailarino da Broadway, magro, meio calvo e já meio velho, que ainda não tivera chance em Hollywood. Retornou aos braços do sogro, como vice-presidente da M-G-M e chefe de sua própria unidade de produção.

greta garbo e fredric march em “anna karenina
OUTRA VEZ NA M-G-M

Recebido com frieza pela maioria dos executivos do estúdio, ele rapidamente provou seu talento, produzindo “Jantar às Oito, um grande sucesso que calou a boca daqueles que viam em sua contratação um mero exemplo de nepotismo. Mayer lhe oferecera a vaga logo que Irving Thalberg ficara doente, pois se adivinhava que sua convalescença seria demorada. Ainda em 1933, produziu dois triunfos, ambos estrelados por Clark Gable - “Asas da Noite / Night Flight” e “Amor de Dançaina / Dancing Lady”. Já no ano seguinte, ampliou seu campo de experiências com duas películas importantes. A primeira foi “Vencido pela Lei /Manhattan Melodrama”, saga sobre gângsteres de baixo orçamento que rendeu mais de um milhão de dólares e reviveu a carreira em baixa de William Powell. A outra, “David Copperfield”, adaptação cinematográfica do romance clássico de Charles Dickens. O filme foi um enorme sucesso, tendo faturado quase três milhões de dólares durante as oitenta e seis semanas em que ficou em cartaz nos EUA, sem contar um rendimento excepcional no exterior.

Entretanto, apesar de seu prestígio na M-G-M, DAVID O. SELZNICK estava incomodado com o conservadorismo e a crescente preocupação com os custos demonstrados pelo estúdio. Ele desejava produções de primeira linha e, sobretudo, sua própria companhia, sem ter que dar satisfações a ninguém. Anunciou, então, que criaria uma produtora independente, que produziria poucos filmes de prestígio anualmente, com distribuição da United Artists. Demitiu-se em 1935, antes concluindo seus dois últimos projetos: “Anna Karenina” e “A Conquista da Bastilha / A Tale of Two Cities”, triunfos que faturaram, cada um, mais de dois milhões de dólares.


SELZNICK INTERNATIONAL PICTURE

Produtor respeitado pela comunidade cinematográfica, não foi difícil para DAVID O. SELZNICK conseguir mais de três milhões de dólares para fundar sua sonhada Selznick International Picture. Assim, no verão de 1935, aos trinta e três anos de idade, tornava-se o presidente, principal executivo e único produtor de um estúdio dedicado exclusivamente a películas de luxo. Para ele, sua companhia teria sempre um filme na fase de elaboração do roteiro, outro sendo rodado e um terceiro na sala de edição. Em 1936, após concluir dois dramas de época, “O Pequeno Lord Fauntleroy / Little Lord Fauntleroy” e “O Jardim de Alah / The Garden of Allah”, um dos primeiros filmes coloridos, protagonizado por Marlene Dietrich, comprou por cinquenta mil dólares os direitos sobre o romance “...E o Vento Levou”, de Margaret Mitchell. Seu “Nasce Uma Estrela”, também em Technicolor, foi um grande sucesso em 1937 e lhe deu um lucro de cem mil dólares.

Ele contratava estrelas, diretores e roteiristas apenas para um ou dois filmes. O projeto seguinte, “O Prisioneiro de Zenda”, foi marcado por conflitos com o diretor John Cromwell, além de demissões, interferências indevidas e problemas com a censura (devidos à menção a um filho ilegítimo, nascido muito antes do início da história). Durante a produção, contratou Ben Hecht para escrever “Nada é Sagrado”, dirigido por William A. Wellman. Foram quatro caóticos meses, as filmagens realizadas sem um roteiro definitivo e a história reescrita inúmeras vezes. Sanados os problemas, estreou com sucesso. Em dezembro de 1937, a Selznick International Pictures tinha cinco produções em seu currículo, realizadas em quatorze meses. Foi o período mais fecundo de DAVID O. SELZNICK enquanto produtor.


... E O VENTO LEVOU

Pela grandiosidade do projeto, DAVID O. SELZNICK contratou o consagrado escritor Sidney Howard, Premio Pulitzer de 1937, para condensar as 1.037 páginas do caudaloso best-seller. Tallulah Bankhead, Norma Shearer, Bette Davis, Joan Bennett, Miriam Hopkins, Claudette Colbert e Loretta Young foram mencionados para o papel de Scarlett O'Hara em “...E o Vento Levou”. Tão forte era o interesse público que, quando Norma Shearer recusou o papel, o The New York Times lamentou sua decisão em um editorial. Vivien Leigh, uma jovem e promissora atriz britânica, apresentada por seu irmão Myron, foi finalmente a escolhida. “Quero que conheça Scarlett O'Hara”, disse Myron. A procura chegara ao fim. Na busca de Clark Gable, ele concordou com um acordo financeiro com o estúdio do astro, em que a M-G-M investiu metade dos custos de produção em troca da distribuição e uma participação nos lucros. Selznick pensou inicialmente para o papel em Gary Cooper, Ronald Colman e Errol Flynn, enquanto Basil Rathbone era o preferido da autora do romance. Mas o público escolheu Gable.

selznick, vivien leigh e o oscar
As filmagens começaram em 26 de janeiro de 1938. Durante as 22 semanas de trabalho, os hábitos do produtor se tornaram piadas. Ficava três dias sem dormir, alimentando-se de Benzadrine e jogando poker e roleta para relaxar. Usou três diretores principais e quinze roteiristas, mas escreveu a maior parte do roteiro e dirigiu algumas cenas. Tamanha foi sua interferência, inclusive na montagem e na pós-produção em geral, que poucos são aqueles que não o consideram o único “dono" do filme. Um marco do cinema, “...E o Vento Levou foi indicado a treze prêmios Oscar, tendo vencido em oito categorias, inclusive as de Melhor Filme e Melhor Atriz. A produção proporcionou a DAVID O. SELZNICK, ainda, o Prêmio Memorial Irving G. Thalberg daquele ano. Na época, o filme foi o mais caro ($ 4250000) e um dos mais longos (3 horas e 45 minutos) já produzidos. Desde então, arrecadou mais de US $ 50 milhões. Representa o ápice da carreira do produtor e um dos principais filmes da história do cinema. Em 1944, a marca do leão adquiriu direitos totais sobre o filme e Selznick perdeu milhões com os vários relançamentos ao longo dos anos. Afogado em dívidas, nos bastidores seus inimigos e invejosos repetiam a frase recorrente, o vento levou Selznick”.


HITCHCOCK SOB CONTRATO

Desde 1937, DAVID O. SELZNICK tentava atrair Alfred Hitchcock, o já respeitado diretor britânico. Na verdade, cortejara vários outros produtores-diretores, pois precisava aumentar a produção. No entanto, sabedores dos métodos tirânicos do produtor, todos se recusavam a trabalhar para ele, de Frank Capra a Mervyn LeRoy, de Gregory La Cava e Leo McCarey. Ao encontrar Hitchcock em 1938, em mais uma investida infrutífera, escreveu à esposa: “Enfim conheci Hitchcock. O homem é até simpático, mas não é o gênero de sujeito que se leva para um acampamento”. Finalmente, em março de 1939, depois de muitas idas e vindas, o diretor assinou um contrato de exclusividade por sete anos. Seu primeiro trabalho seria a adaptação do romance “Rebecca”, da escritora Daphne Du Maurier, best-seller lançado em 1938.

selznick e hitchcock
Apesar de alguns poucos percalços, o relacionamento entre DAVID O. SELZNICK e Alfred Hitchcock foi surpreendentemente tranquilo. A falta de maiores atritos durante a realização de “Rebecca, a Mulher Inesquecível” pode ser explicada pelo envolvimento quase total de Selznick na produção de “...E o Vento Levou”. Por sua vez, “Rebecca, a Mulher Inesquecível” foi outro sucesso comercial e de crítica, com onze indicações ao Oscar e duas estatuetas, uma de Melhor Filme e outra de Melhor Fotografia. A parceria continuou com “Quando Fala o Coração / Spellbound” e terminou com “Agonia de Amor / The Paradine Case” pelo fato de Selznick ser um maníaco por controle em todas as suas produções.


JENNIFER JONES

Os melodramas, os filmes sobre paixões destrutivas e as personagens excessivamente apaixonadas serviam à atriz como uma luva, e DAVID O. SELZNICK sempre procurou os melhores de entre estes para a atriz. Nos seus anos de ouro, da década de 1940 a meados da de 1950, ela filmou com realizadores como John Cromwell, Ernst Lubitsch, Vincente Minnelli, John Huston, Michael Powell e Emeric Pressburger, William Wyler, Vittorio de Sica ou King Vidor. Muito tímida e ciosa da sua privacidade, era também emocionalmente frágil e teve uma vida pessoal agitada. Separou-se do ator Robert Walker, com o qual tinha dois filhos, para se tornar amante de Selznick, em 1943. Walker começou a beber demais, a abusar dos anti-depressivos e chegou a estar internado num sanatório. A sua morte, em 1951, é associada ao desgosto que teve com o divórcio.

robert walker e jennifer jones
Ainda muito jovem, ela foi apresentada a DAVID O. SELZNICK, e este se encantou com seus grandes olhos cor de mel. Chamava-se Phylis Isley e acabara de fazer um teste desastroso para o filme “Cláudia / Idem”, de Edmund Goulding, e chorava copiosamente. O produtor a viu assim, bela e frágil, e se encantou irremediavelmente. Decidiu fazer dela a maior das atrizes. Mudou-lhe tudo: nome, vida, talentos. Chamou-lhe Jennifer Jones, pagou-lhe lições de interpretação, dança, até literatura. Dois anos depois, já devidamente moldada, ela conquistaria o Oscar por sua primeira atuação como protagonista, em “A Canção de Bernadette / The Song of Bernadette”, de Henry King. No dia seguinte à cerimônia, em fevereiro de 1944, a atriz anunciava seu divórcio do ator Robert Walker. O produtor e sua estrela casaram-se em 1949.

jennifer jones e selznick
Dona de uma beleza agreste e de um estilo de atuação marcado mais pela intensidade do que pela técnica, numa crise de depressão Jennifer Jones tentou o suicídio jogando-se de um penhasco, em 1967, dois anos depois da morte de Selznick. A única filha do casal matou-se saltando de um 20º andar em 1976. Definitivamente, a vida da estrela não foi um mar de rosas.

DAVID O. SELZNICK PRODUCTIONS

O sucesso de “Rebecca, a Mulher Inesquecível” e, principalmente, de “... E o Vento Levou”, estabeleceu novos parâmetros para as produções de luxo na era de ouro de Hollywood e colocaram DAVID O. SELZNICK no topo da indústria cinematográfica. No entanto, tudo isso teve um preço. Após tanto esforço, o produtor encontrava-se esgotado, física, mental e emocionalmente. Além disso, sem uma extensa grade de produções, não havia como reinvestir os lucros e nem desaguá-los em pagamento de despesas, o que gerou uma enorme tributação. Desgostosos, em agosto de 1940, os acionistas majoritários decidiram liquidar a produtora. Selznick anunciou que se retiraria dos negócios por tempo indeterminado. Contudo, incansável, pouco depois fundou a David O. Selznick Productions.

ingrid bergman
Ele descobriu que poderia ganhar mais dinheiro emprestando seus contratados para outros estúdios do que produzindo filmes. Tinha sob contrato nomes como Alida Valli, Dorothy Mcguire, Gregory Peck, Ingrid Bergman, Jennifer Jones, Joan Fontaine, Joseph Cotten, Louis Jourdan, Shirley Temple e Vivien Leigh. A prática do empréstimo de astros e pessoal técnico já era largamente utilizada na época, mas Selznick redefiniu a função do agente e produtor ao criar uma espécie de agente de pacotes. Esse agente reunia os principais elementos de uma produção - especialmente estrela, roteirista e diretor - e vendia o pacote ao estúdio interessado.

jennifer jones, claudette colbert e shirley temple em “desde que partiste
Em 1944, voltou a produzir filmes, e o primeiro, “Desde que Partiste / Since You Went Away” foi um enorme sucesso. Uma história lacrimosa de uma abnegada mãe e suas duas filhas, que permaneciam em casa enquanto o pai lutava na II Guerra Mundial. Além de Jennifer Jones, ele queria promover duas aquisições recentes, Joseph Cotten e Shirley Temple. Na fase de pós-produção do longa foi abalado pela morte do irmão Myron, em decorrência de alcoolismo. Seu filme seguinte, um faroeste extravagante com elenco estelar, Duelo ao Sol”, mostrou um DAVID O. SELZNICK completamente obcecado, usando nada menos que oito diretores. Greves contínuas e outros problemas o abalaram emocional e financeiramente. No final de 1946, quando finalmente o filme foi concluído, ele estava exausto e não tinha mais condições e recursos para continuar a produzir. Sua equipe técnica estava esfacelada e suas estrelas recusavam-se a renovar os contratos. Sabia que alcançara seu limite. O lucro de mais de dois milhões de dólares alcançado por “Duelo ao Sol” ainda o animou, mas ele estava cada vez mais isolado em Hollywood.

rock hudson, jennifer jones e selznick
O FIM

Na década de 1950 continuou desenvolvendo a carreira de Jennifer Jones. Em 1953, co-produziu “Quando a Mulher Erra / Stazione Termini”, mas a experiência de Vittorio De Sica foi um injusto fracasso de público e de crítica. Com os astros Montgomery Clift e Jennifer Jones no elenco, narra um caso de amor proibido que tem uma estação ferroviária como cenário. O derradeiro filme de DAVID O. SELZNICK, “Adeus às Armas” (1957), uma malograda versão do clássico de Ernest Hemingway estrelada por Jennifer Jones e Rock Hudson, não foi bem recebido, e quase o quebrou financeiramente. Desde 1949, ele se envolvia em co-produções internacionais e venda de seus filmes para a televisão. Entre seus projetos cinematográficos nunca concretizados, a versão do romance de Leon Tolstoi, “Guerra e Paz”; da peça de Shakespeare, “Antonio e Cleópatra”, e até pensou na possibilidade de uma remake musical de “...E o Vento Levou”.

Maior produtor independente da história de Hollywood, DAVID O. SELZNICK faleceu em 22 de junho de 1965, aos sessenta e três anos de idade, após uma sequência de ataques cardíacos. Deixou dois filhos do primeiro matrimônio e uma filha com Jennifer Jones. Eles viviam em uma elegante casa no topo de uma colina com vista para Beverly Hills. Na aposentadoria, confessou que em algumas manhãs se levantava com a determinação de produzir outro filme, mas depois de alguns telefonemas e a leitura de esboços de roteiros, decidia esquecê-lo.


FILMOGRAFIA: 10 MELHORES FILMES
(por ordem de preferencia)

(01)
DUELO AO SOL
(Duel in the Sun, 1946)
de King Vidor
com Jennifer Jones, Joseph Cotten, Gregory Peck,
Lionel Barrymore, Herbert Marshall, Lillian Gish
e Walter Huston

(02)
NASCE UMA ESTRELA
(A Star Is Born, 1937)
de William A. Wellman
com Janet Gaynor, Fredric March e Adolphe Menjou

(03)
O TERCEIRO HOMEM
(The Third Man, 1949)
de Carol Reed
com Orson Welles, Joseph Cotten, Alida Valli
e Trevor Howard

(04)
… E O VENTO LEVOU
(Gone with the Wind, 1939)
de Victor Fleming
com Clark Gable, Vivien Leigh, Leslie Howard,
Olivia de Havilland, Thomas Mitchell e Hattie McDaniel

(05)
ANNA KARENINA
                                                 (Anna Karenina, 1935)         
de Clarence Brown
com Greta Garbo, Fredric March, Freddie Bartholomew,
Maureen O’Sullivan e Basil Rathbone

(06)
REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL
(Rebecca, 1940)
de Alfred Hitchcock
com Laurence Olivier, Joan Fontaine e Judith Anderson

(07)
NADA É SAGRADO
(Nothing Sacred, 1937)
de William A. Wellman
com Carole Lombard, Fredric March e Walter Connolly

(08)
DAVID COPPERFIELD
(The Personal History, Adventures, Experience, 
& Observation of David Copperfield the Younger, 1935)
de George Cukor
com Freddie Bartholomew, W. C. Fields, Edna May Olivier
Basil Rathbone, Lionel Barrymore e Elsa Lanchester

(09)
O PREÇO DA GLÓRIA
(What Price Hollywood, 1932)
de George Cukor
com Constance Bennett, Lowell Sherman e Neil Hamilton

(10)
O RETRATO DE JENNIE
 (Portrait of Jennie, 1948)
de William Dieterle
    com Jennifer Jones, Joseph Cotten, Ethel Barrymore
e Lillian Gish

GALERIA SELZNICK

 

14 comentários:

Eraldo Urano disse...

Ficou excelente.

Guiga Francisco Francisco disse...

ADOREI.

Kley Coelho disse...

O melhor.

Suely Magalhaes disse...

Sempre o melhor.

Luiz Barbosa disse...

Beleza

Chico Lopes disse...

Megalomaníaco, tinha talento era para os negócios das superproduções e dos contratos de estrelas. Mas Hithcock é que teria muito a dizer sobre suas ingerências prepotentes, já que mais tarde, livre do produtor, acabou até por satirizá-lo cruelmente no assassino vivido por Raymond Burr em Janela Indiscreta.

Arlindo Gonçalves disse...


O tempo leva e traz.

Cida Machado disse...


E o vento levou sempre será o melhor.

Zita Salviano disse...

E o vento levou é um filme inesquecível. Elenco extraordinário, vai permanecer ainda por muitas gerações um dos melhores filmes.

Laércio Morais Dos Anjos Dos Anjos disse...

Como o filme retratou bem a euforia ilógica do Sul! A cena, antes ou pós baile, em que se chegou a notícia do início da guerra, com a aristocracia sulista festejando, recebeu, em seguida, um balde de água fria do sensato Rhett Butler, o mocinho do filme, viajado como era, bom conhecedor de ambas as partes em conflito, dizendo a todos que não tivessem muita ilusão e insensatez, dada a potência econômica e industrial que era o norte, em contraste com o sul, praticamente agrário.A verdade dói, mas ouviram. Estava certo Butler. Embora o Sul tenha demonstrado uma resistência além de suas potencialidades, acabou sendo vencido..

Moacir Zerlin Junior disse...

...E o Vento Levou ficará para sempre em nossas mentes e corações.

Impressionante é notar a visão desse produtor. Realmente o cara era muito fera. A começar pela escolha precisa da atriz principal, e isso contra a vontade de Clark Gable, o maioral na época.

É de se tirar o chapéu. Pena que não teve juízo.

Laércio Morais Dos Anjos Dos Anjos disse...

Valéry , Paul

A guerra é um massacre entre pessoas que não se conhecem para proveito de pessoas que se conhecem mas não se massacram.

Roberto Morrone disse...

E o vento levou é um super clássico!!! Já assisti diversas vezes!!!

Claudio disse...

Grande produtor e visionário, mas também um cabeça dura, não confiava no talento dos diretores e não dava a liberdade para eles realizarem o filme que eles poderiam fazer. Um exemplo disso estáno no site (http://starsandletters.blogspot.com.br/),que mostra as duas edições de algumas cenas de “Quando a Mulher Erra / Stazione Termini”, uma editada por Selznick e outra pelo Vittorio De Sica. O diretor usava seu estilo neorealista dando voz e ação aos figurantes, tornando tudo mais verdadeiro e Selznick focava mais na estrela Jones. Vendo as cenas tem-se um vislumbre do que o filme poderia ter sido se a visão de De Sica tivesse prevalecido, com certeza o filme seria melhor.

Ele podia ser bem cruel também, obrigou Robert Walker, que estava devastado com o divórcio a fazer par romântico com Jenifer Jones em Desde que partiste (Since You Went Away).