dezembro 07, 2010

****** AVA GARDNER: UMA MULHER EM FOGO


ava gardner
A super estrela hollywoodiana AVA GARDNER (1922-1990) era sensual até a raiz dos cabelos. Considerada uma das maiores deusas do cinema, nasceu numa fazenda de tabaco, filha de fazendeiros pobres. Aos 18 anos, uma foto sua colocada na vitrine do estúdio fotográfico de seu cunhado, em Nova York, chamou a atenção da Metro-Goldwyn-Mayer, que a contratou por sua estonteante beleza. Participou de mais de 60 filmes e teve três casamentos fracassados. Segundo o dramaturgo e cineasta francês Jean Cocteau, era "o animal mais belo do mundo”, slogan que a atriz odiava. Amava os homens e as touradas. Teve tórridos affairs. Isso alimentou o seu mito. Em 1955, no auge do sucesso, mudou-se para a Espanha, tornando-se fã do flamenco e de toureiros. Tudo começou em 1950, antes da fama deste país como destino turístico. 

Filmando “Pandora” (1951), de Albert Lewin, em Tossa de Mar, ela descobriu o poder de sedução da vida noturna espanhola, sua cultura romântica e alguns ardentes toureiros, estabelecendo uma sincera e duradoura conexão com o país. A Pandora de Ava é essa mulher que destrói tudo e todos a seu redor, até que surge em sua vida o Holandês Voador, personagem enigmático que James Mason dota de uma aura mística. Ava/Pandora, como a mulher que aprende a amar, é a representação do belo. Na ocasião, a estrela estava na mira da imprensa internacional, tanto por sua agitada vida social como por seu trabalho cinematográfico. Era responsabilizada publicamente pela ruptura do matrimônio Frank-Nancy Sinatra. Seu apaixonado romance com “La Voz”, cheio de brigas, bebedeiras e tentativas de suicídio, não impediu que, uma vez na Espanha, aproveitasse para dar vazão a excessos sem o controle dos puritanos grandes estúdios norte-americanos.

Desenvolvendo sua paixão pela tauromaquia, Ava se envolveu inicialmente com o toureiro Mario Cabré, que lhe dedicou vários poemas e arriscou sua vida por ela nas arenas. Em 1953, enquanto rodava na África “Mogambo” – responsável por sua única indicação ao Oscar – e em plena crise com Sinatra, descobriu que estava grávida e foi abortar em Londres, mas uma escala em Madri levou-a aos braços de Luis Miguel Dominguín, o toureiro mais famoso da época. Ao filmar na Itália “A Condessa Descalça” (1954), de Mankiewicz, aprofundou sua relação com Dominguín, com o qual viveu maratonas de sexo. Comprando uma casa em La Moraleja, estabeleceu um quartel general para festas que duravam todo um final de semana e que incluíam corridas de touros e apresentações de flamenco, convertendo-a numa presença habitual na vida social espanhola.

Representado tudo o que os espanhóis censuravam – uma mulher que vivia sozinha, divorciada, não era católica e, além disso, atriz -, AVA GARDNER passou a ser considerada uma ameaça para a sociedade “respeitável”, sendo vetada em lugares como o Hotel Ritz, de Madri. Finalmente, em 1961, aos 39 anos, depois do suicídio de um dos parceiros de sua longa farra espanhola, o escritor Ernest Hemingway (ela havia protagonizado duas adaptações de seus romances: “As Neves de Kilimanjaro” e “E Agora Brilha o Sol”), do fracasso do filme “La Maja Desnuda” (1958) e de um acidente que deixou incômodas seqüelas, a formosa atriz finalizou sua popular, apaixonada e tormentosa relação com a Espanha, mudando-se para o sombrio Reino Unido.

(Fonte: “Ava Gardner: Una Diosa con Pies de Barro”, de Lee Server e “Beber-se a Vida, Ava Gardner em Espanha", de Marcos Ordóñez.)



11 comentários:

Octavio Caruso disse...

Como ela era linda.... sem dúvida uma das mais bonitas atrizes de todos os tempos!
E o Sinatra que não era bobo nem nada...rs

Marcelo C,M disse...

Com um olhar peculiar e sedutor, não falava nada mas dizia tudo

annastesia disse...

Ava, além de lindíssima, exalava uma sensualidade e sexualidade indiscutíveis e invejáveis. Sem artifícios, vulgaridades e apelações. Não tentava ser, simplesmente era.

Kley disse...

Ela dizia: "tive três maridos asquerosos". Não sabia escolher os maridos, mas era linda demais.

RUBENS EWALD FILHO disse...

Noites de flamenco, tardes de touradas, festas, amantes, bebedeiras e cinema. A lenda das telonas Ava Gardner deixou tudo isso em sua passagem pela Espanha franquista dos anos 1950 e 60, onde viveu por longas temporadas, fugindo da vida cheia de restrições que lhe era exigida em Hollywood. Viver na Espanha permitia a Ava escapar do sistema de Hollywood e da vida nos Estados Unidos, da qual não gostava, sobretudo porque sofria muita pressão da imprensa. O que ela encontrou na Espanha e que a fascinou foi não ter que levar uma vida dupla. Na Espanha ela não distinguia vida pública de vida privada, e praticamente tudo era muito extrovertido e espontâneo. Naquela época, em Hollywood, os atores eram obrigados a comportar-se, até mesmo em sua vida privada, segundo os códigos determinados pela produtora. Na Espanha, de repente, a vida podia ser vivida à vontade.

Jamil J. Landim disse...

Ava Gardner era um negócio muito sério. Um mulherão. Era também uma atriz tão natural, e tão sensual. O movimento das narinas, dos lábios, o andar felino. Transmitia intensidade. É eterna. Uma das maiores estrelas de Hollywood. Não conhecia esse seu momento espanhol. Parabéns pelo texto.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Acho o romance entre Ava-Sinatra um dos mais interessantes do século 20. Havia intensidade, amor e loucura. Duas figuras lendárias que se apaixonaram e o choque foi inevitável.

Danilo Ator disse...

Obrigado pelos elogios ao meu blog. Achei o seu ótimo e muito rico em informações, virei seguidor.

Ava (o animal mais belo do mundo) tinha uma beleza fascinante (e uns traços da Loren), como todos acima já concordaram; mas o que sempre me vem à cabeça quando vejo filmes com essas divas do passado, falo das que se destacaram mais pela beleza, é quanto seria interessante se elas tivessem tido mias oportunidades de explorar o talento dramático. Quando tiveram, mostraram emocionantes fagulhas de uma fogueira nunca acesa.

Abraços.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Tem razão, Danilo. Lembra da Sophia em DUAS MULHERES e a própria Ava em A CONDESSA DESCALÇA? Deram um show.

Pedro Vicente Costa Sobrinho disse...

Júnior, nossa Ava foi e continua eternamente divina.Eu revi recentemente Pandora do Lewin,e a impressão que me ficou dela há mais de 50 anos atrás quando ví pela primeira vez esse filme, simplesmente voltou com uma força extraordinária. Que elegância, que primor de desempenho. Ave Ava.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Realmente ela está maravilhoso em PANDORA, Pedro. acabo de adquirir três filmes dela e já estou louco para assisti-los: MUNDOS OPOSTOS,TENTAÇÃO e SETE DIAS DE MAIO.
Abraços.