setembro 30, 2026

****************** No MUNDO de CHAPLIN na SUÍÇA

 

 EM CONSTRUÇÃO


Vista de perto,
a vida é uma tragédia.
Vista de longe,
é uma comédia.
 
Eu não sou nenhum gênio.
Não é nada fácil fazer um filme.
CHARLES CHAPLIN
 
Fotografias:
ANTONIO NAHUD
e
MARCELO MENDONÇA
 

 
Desde a infância, o romântico vagabundo Carlitos me cativa. Vi a maior parte de suas comédias. Lembro-me das noites passadas em frente à grande TV em preto & branco, que ficava na biblioteca de um tradicional sobrado. Enquanto meu pai lia infinitos jornais e minha mãe se emocionava com fotonovelas, eu e meus irmãos nos contentávamos em dar risadas discretas assistindo episódios de Chaplin, “Os Três Patetas”, “A Feiticeira”, “Jeannie é um Gênio” e “O Gordo e o Magro”. Era a nossa janela para o mundo desses clássicos cômicos. Nunca imaginei que um dia estaria na casa do famoso comediante, até receber o convite do meu irmão mais novo, Marcelo. Foi uma aventura mágica. Um dia inteiro na antiga mansão Manoir de Ban, onde o astro exilado viveu os seus últimos 25 anos de vida. Na região francesa da Suíça, mais especificamente em Corsier-sur-Vevey, uma pequena e charmosa cidade à beira do lago Léman e cerca de 90 km de Genebra. A residência histórica, transformada em museu íntimo, inaugurada em 2016, conta a gloriosa história da sua vida, acolhendo o legado artístico desse gênio do cinema.

Divide-se em três áreas sensacionais. A casa majestosa do século XVIII que retrata a trajetória pessoal e familiar do artista mundialmente amado, um pavilhão que mostra seus filmes e personagens icônicos, e um parque bucólico com uma bela vista de Vevey, dos Alpes e do Lago Léman. Muitos pertences pessoais e fotografias do astro do cinema mudo estão em exposição no local. A propriedade onde CHARLES CHAPLIN (1889 – 1977. Londres / Reino Unido) viveu com sua esposa Oona e seus filhos, ocupa um terreno de 15 hectares cercado por jardins, árvores e áreas verdes. Preserva cômodos com móveis originais, dezenas de fotos de família e objetos íntimos que recontam sua rotina na Suíça. A sensação de estar na moradia de alguém que definitivamente marcou a história do cinema é perturbadora. Um local fabuloso, organizado, dinâmico e surpreendente, com cenários interativos, figurinos, adereços originais (do chapéu coco a bengala) e bonecos de cera de personalidades famosas. No moderno museu, recursos multimídia, sala de cinema e experiências imersivas inspiradas em seus principais filmes.

chaplin, oona e os filhos
Além das instalações preservadas, há imagens e vídeos da rotina do diretor-ator no local. Em um dos vídeos caseiros, ele aparece brincando no gramado com dois dos filhos mais novos. Em outra gravação, reúne toda a família durante o jantar, faz truques com o chapéu e diverte as crianças. Um dos maiores mitos da história do cinema mundial, CHARLES CHAPLIN comprou a mansão em 1952, e se mudou para o local com a esposa e os filhos no ano seguinte. Ele viveu nela até sua morte, em 1977. Poucos sabem, mas a mudança para a Suíça aconteceu em meio a um momento delicado da sua vida. Durante uma viagem de navio à Europa, em 1952, ele foi informado de que ao retornar aos EUA seria interrogado sobre suas posições políticas. Na época, o ator era investigado pelo FBI e pelo Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso por supostas ligações com o comunismo. Em sua autobiografia, “Minha Vida” (1964), disse que escolheu a Suíça como lar por sua neutralidade política e ambiente pacífico, ideal para trabalhar seus projetos.
 
A mansão recebeu muitas visitas ilustres ao longo dos anos, incluindo Winston Churchill e Albert Einstein. Em 1977, quando seu proprietário faleceu numa manhã de Natal, a Manoir de Ban ainda se mantinha fiel à opulência original. Entretanto, essa casa entrou em declínio. Restaurada pelo arquiteto Philippe Meyler, levou mais de 15 anos para o projeto ser concluído com sua metamorfose em museu. Atualmente é visitada por fãs de todo o mundo. Inclusive o túmulo da família Chaplin, em um pequeno cemitério na região.
 
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