maio 23, 2011

******** UM SÉCULO DE REVISTAS DE CINEMA


jane wyman
As revistas de cinema foram inicialmente concebidas como instrumento publicitário direto dos setores de exibição e distribuição dos estúdios cinematográficos. Só depois é que nasceram projetos editoriais mais arrojados, com um teor mais jornalístico. A “Motion Picture Story Magazine”, a primeira publicação popular cinematográfica dos Estados Unidos, mudou definitivamente o perfil do setor. O dilúvio de periódicos que surgiu depois ajudou a criar o glamour das estrelas de Hollywood, a promover as suas bases de fãs, os novos filmes e a esculpir a mitologia da história do cinema. A capa da primeira edição, de fevereiro de 1911, não apresentava uma estrela de cinema, mas o influente inventor Thomas Edison, o homem que lançou a indústria do cinema com seu Kinetescope. 

No mesmo ano surgiu a PHOTOPLAY, da cidade de Chicago, reproduzindo as tramas e personagens de filmes da época. Em 1915, ela partiu para o formato de sucesso que celebrava a vida privada das estrelas, tornando-se conhecida como a primeira publicação com tal idéia: a invasão de privacidade. Atingiu seu ápice nas décadas de 20 e 30, considerada bastante influente dentro da indústria cinematográfica. As suas capas eram verdadeiras obras de arte geralmente assinadas por Earl Christy e Charles Sheldon, mas com o avanço da fotografia a cores, passou a utilizar fotografias de estrelas (a partir de 1937). Tinha na sua equipe colunistas famosos como Hedda Hopper, Walter Winchell, Louella Parsons e Sheila Graham, além dos conselhos de beleza e saúde da guru Sylvia de Hollywood. A revista premiava anualmente o melhor filme do ano com a Medalha de Ouro e promovia verdadeiras eleições entre os leitores, como a que escolheu Clark Gable para o protagonista de “... E o Vento Levou”. PHOTOPLAY deixou de ser publicada em 1980, depois de quase sete décadas de popularidade.

Em setembro de 1920 apareceu a grande concorrente da PHOTOPLAY, a SCREENLAND, uma revista de Los Angeles que também atravessou décadas, foi muito influente e só fechou as portas em 1971.  Ela enfrentou muitos processos legais por suas reportagens audaciosas. No Brasil, a "Scena Muda", lançada em 1921, foi a primeira revista de cinema realmente popular e reproduzia basicamente material estrangeiro. Todas essas revistas são documentos de indiscutível valor histórico, imprescindíveis para a preservação da memória do cinema. Abaixo, uma exposição de capas da PHOTOPLAY e da SCREENLAND.

joan bennett

miriam hopkins
marion davies 
martha mansfield
lillian e dorothy gish
pola negri
greta garbo
esther ralston
may mcavoy
luise rainer
nita naldi
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ESTRÉIA 

“HOMME AU BAIN”

O arrojado realizador francês Christopher Honoré sabe como poucos representar a sexualidade no cinema e especialmente as relações humanas. Provavelmente a visão sexual que vimos em “Minha Mãe/Ma Mère” (2004), com Isabelle Huppert e Louis Garrell, é uma das mais fortes do cinema mais recente. Surpreendendo novamente crítica e público, ele apresenta sua nova obra, “Homme au Bain”, que tem como fator choque uma figura pornô como um dos protagonistas. François Sagat, esse ícone pornográfico gay e fantasia sexual de muitos homens, vai de encontro aquilo que não se esperava: um protagonista trágico, sensível e frágil. É o estigma do corpo como objeto com que o cineasta joga para depois nos lançar no oposto e encontrarmos uma personagem densa. “Homme au Bain” é na realidade duas narrativas complementadas. Inicialmente planejado para curta-metragem, os cerca de 40 minutos filmados fizeram Honoré pensar que talvez tivesse material interessante o suficiente para criar um longa-metragem. A solução foi complementar com uma narrativa filmada em formato vídeo digital em Nova Iorque. O resultado vem sendo considerado pelos críticos uma das mais completas obras do diretor, pela sua genial desconstrução, naturalidade e intimidade. É sobretudo uma maneira de filmar livre de um cineasta que parece ter-se libertado dos padrões e filmado por puro gosto e prazer; um filme angustiante e trágico, sensível e sensual, mas sobretudo íntimo. É um homem no banho, desprotegido. Também no elenco, uma das musas do diretor, Chiara Mastroianni, a filha de Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni.

29 comentários:

Marcelo C,M disse...

Eu com revistas começei assim. Anos noventa era revista Heroi, depois Sfi-fi para então começar a colecionar revista SET apartir de março de 2001.
Bons tempos que publicavam matérias boas, mas então começou a andar mau das pernas e sumiu do mapa, infelismente.
Atualmente compro a Preview que possui uma boa qualidade e alguns que trabalhavam na SET anteriormente.

Mesmo com expansão da internet e tudo mais, é sempre bom ter uma revista sobre cinema nas bancas e que seja especialista no assunto.

Outra boa pedida é Teorema

Rubi disse...

Estava mesmo procurando revistas antigas; até então a única que eu conheço é a Life. Sempre com posts surpreendentes!

Magda Miranda disse...

Viajei no tempo vendo essas fotos de revistas antigas. Para mim isto é o achado!

Francorebel disse...

Insuportavelmente chique e de bom gosto o seu blog, em especial o final desse pot falando do filme francês... arrebentou!

Sempre aqui.


http://phebbo.blogspot.com/

Danielle disse...

Oi, Antonio!

Sinto muito por não passar por aqui tanto quanto gostaria. Esse post está belíssimo - não só pela escolha do assunto, mas também pelas imagens. Muitos parabéns pelo seu blog - já te disse que invejo sua agilidade de escrita, né? :D

Bem, esse assunto me interessa muitíssimo, porque estou estudando esse tipo de publicação. Você já deu uma olhada na Scena Muda ou na Cinearte? Elas estão disponíveis na internet. É espantoso percebermos quão pouco as publicações (comerciais) sobre cinema mudaram em 100 anos de história.

Fiquei curiosa pra ver o filme que você resenhou. A filha do Mastroianni é ótima atriz, além de ser muito parecida com ele.

Bjinhos e até logo
Dani

Cefas disse...

Como diria Jack, o estripador, vamos por partes:
1) Ótimo o texto sobre as revistas. Gosto muito deste visual vintage e é bom que este estilo esteja sendo resgatado.
2) De C. Honoré sou encantado por "Canções de amor", que considero um dos melhores e mais criativos filmes dos últimos anos. E Chiara Mastroanni cantando "Au parc" é uma das cenas mais intensas do filme.
3) Pois é, amigo, conforme sua torcida e sua expectativa Mallick ganhou Cannes. E claro que não foi receber a palma, anti-social que é. Que venha o filme. Abração.

Fabrício Brandão disse...

Meu caro, bacana é ver você engajado num ofício que ama profundamente. Tenho acompanhado seus convites. É preciso realizar mesmo.

Desejo-lhe bastante sucesso!

Abração!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Comecei pela Cinemim, Marcelo. Ainda garoto. Passei pela SET e, por fim, revistas espanholas e francesas...

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Sabia da Scena Muda. Dei umas folheadas. Mas qual o endereço onde posso encontrar a Cinelândia, Dani?
Beijos

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Fico contente com sua presença por aqui, Fabrício. Estou sempre visitando o seu blog super-bacana.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Pois é, Cefas, fiquei feliz com a vitória de Malick. Ele merece.

GIANCARLO TOZZI disse...

Verdadeiras obras de arte. A capa com a Joan Bennett merece uma exposição.

Jamil disse...

Honoré é um realizador instingante.

Alesselma Pereira disse...

O blog continua muito bom, sempre com novas postagens!
Parabéns!
Abraço

Danielle disse...

Lá vai o link, Antonio.

http://www.bjksdigital.museusegall.org.br/busca_revistas.html

Divirta-se!
Bjs
Dani

disse...

Olá, Antonio! Grande post, ótimas imagens! É ótimo saber que as revistas brasileiras estão disponíveis na internet. Gostaria de ver essas americanas disponíveis também.
Abraços, Lê

Andre de P.Eduardo disse...

Olá, obrigado pela visita ao modesto Byron & Shelley. Também apreciei muito seu blog. Aquele abraço!

Luiz Santiago disse...

Olha essas capas de revista! Que coisa maravilhosa!

Katia Cristina disse...

Que lidas essas revistas! Passarei menos cansada por aki.bjs

Gilberto Carlos disse...

Adoro ler sobre cinema na Internet, mas nada se compara ao prazer de ler uma boa revista de cinema. Pena que estamos meio órfãos nesse quesito, já que a SET praticamente faliu, a Preview não é distribuida em todas as bancas de revista e a Sci-Fi só é publicada esporadicamente.

Apresentando Brasil disse...

Fantástico seu blog!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Concordo com você, Gilberto. Tenho a maior dificuldade para encontrar a Preview.

Marta Scarpa disse...

Meu ex-marido colecionava essas revistas antigas. Lembro muito bem. Belas, artísticas.

As Tertulías disse...

TODAS lindas... vou ver se escaneio umas capas de "Cinelandia" para voce (Comprei uma vez mais de cem na Rodoviária de Resende... Arrastei-as com muita dificuldade até minha csa no Rio mas sao um "tesouro"!!!)

Leandro Afonso Guimarães disse...

Não conhecia algumas delas. Na Filme Cultura acho que de janeiro, inclusive, tem-se um texto histórico sobre publicações no Brasil.

Sobre Honoré, também gosto dele, apesar de MA MÈRE não ter batido tanto. Seu próximo filme tem cara de coletânea: (novamente) Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Ludivine Sagnier e Louis Garrel. Pra completar, ainda tem Milos Forman.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Que tesouro precioso, Ricardo (As Tertúlias). Imagino as reportagens...

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Sou suspeito, Leandro. Sou louco por Isabele Huppert e Louis Garrel.

David C. disse...

Bonitos posters.

annastesia disse...

Excelente idéia! Fantástico resgate das primeiras publicações dedicadas ao cinema e suas estrelas.
Antônio, seu blog está se tornando referência. Verdadeiras aulas de História cinéfila!