julho 23, 2011

***** AMOR ENTRE HOMENS NO CINE BRITÂNICO


peter finch em "os crimes de oscar wilde"
Tenho um pé atrás com filmes de temática HOMOSSEXUAL. É que muitos deles são oportunistas, descartáveis, caricatos ou focados no sexo, como se nada mais fosse importante. Já apostei em alguns no escuro e ao assisti-los constatava como eram ruins, amadores, com roteiro tosco, interpretações fracas e direção barata. Praticamente sustentados pelo fato de tratarem do universo HOMOSSEXUAL. Porém, não posso negar que ao longo dos anos os filmes sobre o tema evoluíram da mesma maneira que a percepção da sociedade mudou, gerando verdadeiros clássicos como “As Horas / The Hours” (2002) ou “O Segredo de Brokeback Mountain / Brokeback Mountain” (2005). Aproveitando a deixa do denso e honesto “Meu Passado me Condena / Victim” (1961), um drama inglês que vi recentemente, resolvi fazer um ranking com os melhores filmes gays, de todos os tempos, da Inglaterra. Provavelmente, deixei vários de lado porque toda lista é pessoal e incompleta. Como critério básico, optei por fitas cuja temática principal (ou em que é uma das temáticas principais) seja HOMOSSEXUAL. Evitei aqueles que fazem alusões indiretas, têm mensagens subliminares ou apenas tenham um ou outro personagem gay. Nada de filmecos eróticos, plumas e gracinhas. Os filmes aqui listados tratam o homossexualismo de maneira natural e digna como o tema merece. Sem estereótipos, caricaturas ou boiolices. São excelentes.

OS CRIMES DE OSCAR WILDE / The Trials of Oscar Wilde (1960), de Ken Hughes. Com Peter Finch, Yvonne Mitchell e James Mason.
No auge de sua fama, o dramaturgo Oscar Wilde tem um relacionamento romântico com rapaz aristocrata, e com isso vai aos tribunais, cavando sua ruína.

Nota: *** (bom)

sylvia syms e dirk bogarde
MEU PASSADO ME CONDENA Victim (1961), de Basil Dearden. Com Dirk Bogarde e Sylvia Syms.
Um advogado casado é chantageado por um desconhecido que tem fotos suspeitas suas com um jovem. O advogado enfrenta a situação e leva o pilantra para o tribunal.

Nota: **** (muito bom)

richard chamberlain
DELÍRIO DE AMOR / The Music Lovers (1970), de Ken Russell. Com Richard Chamberlain e Glenda Jackson.
A envolvente e bizarra vida do compositor Tchaikovsky. Nas próprias palavras de Ken Russell: "É a história do casamento entre um homossexual e uma ninfomaníaca".

Nota: **** (muito bom)

peter finch e murray head 
DOMINGO MALDITO / Sunday Bloody Sunday (1971), de John Schlesinger. Com Peter Finch, Glenda Jackson e Murray Head.
Em Londres, um sofisticado casal acaba se envolvendo em um triângulo amoroso com um jovem designer. Eles disputam a atenção do amante, mas a relação entre os três se resolve sem problemas, até que a situação começa a ficar insustentável.

Nota: **** (muito bom)


MINHA ADORÁVEL LAVANDERIA / My Beautiful Laundrette (1985), de Stephen Frears. Com Saeed Jaffrey, Roshan Seth, Daniel Day-Lewis e Shirley Anne Field.
O drama de um imigrante paquistanês gay, cercado de discriminação e preconceitos. Day-Lewis faz um punk que se enamora do rapaz, ajudando-o a montar uma lavanderia.

Nota: **** (muito bom)

gary oldman e alfred molina
O AMOR NÃO TEM SEXO Prick Up Your Ears (1987), de Stephen Frears. Com Gary Oldman, Alfred Molina e Vanessa Redgrave.
A história verídica de Joe Orton, dramaturgo de sucesso que foi assassinado em 1967 por seu amante. 

Nota: **** (muito bom)

james wilby e hugh grant
MAURICE / Idem (1987), de James Ivory. Com James Wilby, Rupert Graves, Hugh Grant e Ben Kingsley.
A dificuldade em assumir a homossexualidade é vivida por um sofisticado executivo inglês, no início do século 20. 

Nota: ***** (ótimo)

steven waddington e andrew tiernan
EDUARDO II / Edward II (1991), de Derek Jarman. Com Steven Waddington, Andrew Tiernan e Tilda Swinton.
Rei da Inglaterra, no séc. 14, renega sua esposa para viver um problemático relacionamento com seu amante plebeu.  

Nota: **** (muito bom)

linus roache
O PADRE / Priest (1994), de Antonia Bird. Com Linus Roache, Tom Wilkinson e Robert Carlyle.
Padre jovem e idealista chega a paróquia de Liverpool, descobrindo que seu superior vive abertamente com uma mulher. Desorientado, é levado por seus próprios desejos homossexuais, ao mesmo tempo em que presta socorro espiritual à uma garota que é violentada pelo pai.

Nota: **** (muito bom)

emma thompson e jonathan pryce
CARRINGTON – DIAS DE PAIXÃO / Carrington (1995), de Christopher Hampton. Com Jonathan Pryce, Emma Thompson e Steven Waddington.
Em 1915, na Inglaterra, nasce o amor de uma pintora conceituada por um escritor assumidamente gay e 15 anos mais velho. Com o passar dos anos, ela mantém relação com vários homens e ele com outros rapazes, mas nunca se separam emocionalmente.

Nota: **** (muito bom)

derek jacobi e daniel craig
O AMOR É O DIABO / Love is the Devil: Study for a Portrait of Francis Bacon (1998), de John Maybury. Com Derek Jacobi, Daniel Craig e Tilda Swinton.
A biografia intrigante do pintor inglês Francis Bacon, focada no turbulento e trágico relacionamento com seu amante ladrão. Trilha sonora de Ryuichi Sakamoto. 

Nota: **** (muito bom)

clive owen
BENT / Idem (1997), de Sean Mathias. Com Lothaire Bluteau, Clive Owen, Mick Jagger, Ian McKellen e Jude Law.
Na Alemanha nazista, gay é enviado para um campo de concentração. Ele tenta esconder sua homossexualidade usando uma estrela amarela, que era a forma de identificar judeus, em vez do triângulo rosa usado para "marcar" os homossexuais. No campo se apaixona por um prisioneiro que usa com orgulho seu triângulo rosa.

Nota: **** (muito bom)

jude law e stephen fry
WILDE / Wilde (1997), de Brian Gilbert. Com Stephen Fry, Jude Law e Vanessa Redgrave.
Poeta e dramaturgo escandaliza a sociedade por alardear sua homossexualidade. Casado e com filhos, vive um caso turbulento com jovem nobre. Por causa de seu comportamento sexual, sofre dois anos de cadeia.

Nota: *** (bom)

jonathan rhys meyers e ewan mcGregor
VOLVET GOLDMINE / Idem (1998), de Todd Haynes. Com Ewan McGregor, Jonathan Rhys Meyers e Christian Bale.
Para trazer um retrato do Glam Rock, movimento que fez estragos na música e na sociedade explorando temas como a androgenia, o filme conta a ascensão e decadência de um fictício músico símbolo do gênero. 

Nota: ***** (ótimo)

cillian murphy
CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÂO / Breakfast on Pluto (2005), de Neil Jordan. Com Cillian Murphy e Liam Neeson.
Jovem afeminado decide ir em busca de sua mãe, que o abandonou ainda bebê na porta da casa de um padre. Criado por uma família repressora, ele nunca pode se libertar sexualmente.

Nota: *** (bom)

37 comentários:

railer disse...

recentemente vi um filme com temática gay que foi o melhor em muito tempo: "orações para bobby".

em breve vou falar dele no blog.

pudimdecinema disse...

Coisa já antiga, mas ainda beeeeem estranha de se ver. Legal o artigo..


Abs!

M. disse...

Eu também adicionaria à lista, "Eclipse de uma paixão" sobre o relacionamento dos poetas Paul Verlaine (David Thewlis) e Arthur Rimbaud (Leonardo DiCaprio).

De todos os filmes indicados acima, só assisti "O Padre". Sem dúvida, um filme forte e interessante.

Felipe Rocha disse...

Tema cada vez mais comum nos dias de hoje... mas ainda um pouco estranho de se ver... mas não podemos negar que são ótimos filmes!!

alan raspante disse...

Como o railer lembrou, seria bacana se "Orações para Bobby" estivesse na lista. É um excelente filme!

Dos citados eu não vi nenhum. Acredita? Quero veeer todos!

Ricardo Leitner disse...

Maravilhosa postagem!!!!!!!!!!!

Elias Sampaio disse...

senti falta só de traídos pelo desejo

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Vi ORAÇÕES PARA BOBBY, Railer. Sensível. Retrata honestamente o drama de ser gay na adolescência.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

M., realmente foi uma falha minha. Gosto demais de ECLIPSE DE UMA PAIXÃO, já o vi umas três vezes. Sou fã de Rimbaud e DeCaprio tá muito bom. Mas não sabia que era inglês. Só hoje fui perceber ao checar sua ficha técnica.
Abraços

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Alan, só listei filmes ingleses. ORAÇÃO PARA BOBBY é norte-americano.
Abraços,

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Pois é, Elias, foi um esquecimento imperdoável. TRAÍDOS PELO DESEJO é muito bom. Creio que vou substituir o filme de Neil Jordan postado aqui por ele.

pinguim disse...

Eu tenho um hobby que é coleccionar filmes de temática LGBT e posso dizer que tenho uma excelente colecção, que vou sempre ampliando.
Sendo assim, vi todos estes filmes e acho uma boa selecção e embora goste do Breakfast at Pluto, prefiro outro filme do Neil Jordan, The Crying Game.

Danielle Crepaldi Carvalho disse...

Antonio, não conheço nenhum desses filmes :C.

Kate Winslet além de talentosa é linda. Aguardo ansiosamente por vê-la de novo no cinema - a contar pelo elenco, esse "Contagion" será sensacional.

Bjs
Dani

João Silvério Trevisan disse...

Mto legal, Antonio. Não me lembro de nenhum outro filme (inglês) q vc tenha deixado de lado. Abraço.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Esqueci-me de ECLIPSE DE UMA PAIXÃO e TRAÍDOS PELO DESEJO, João Silvério.
Abraços,

Jamil disse...

O Peter Finch era um ator audacioso, não? Fez o Oscar Wilde em 1960 e beijou outro ator na boca nos anos 70. E pensar que a rede Globo ainda vacila nesta questão... Que atrazo

Jamil disse...

Sim, dessa lista o melhor pra mim é O amor não tem sexo. Também fiquei de boca aberta com O amor é diabo. Muito forte! Que grande é o Derek Jacobi e o Daniel Craig exala virilidade.

debora disse...

Não me sinto muito a vontade vendo filmes gays. Ainda mais que perdi o grande amor de minha vida para outro homem...rs... Desses listados por você vi "Maurice" e "Bent". São ótimos.

Luiz Santiago disse...

MARAVILHOSA POSTAGEM!!! Concordo com você em fazer uma lista "sem plumas". E também concordo que é complicado os filmes com temática homossexual porque centram-se em outros propósitos que não são o filme. Gostei muito. Tem uns filmes que eu não conhecia e que com certeza vou procurá-los para ver.

Abraço, amigo.

CINEBULIÇÃO

disse...

Mês passado o TCM exibiu uma mostra especial sobre homossexualismo no cinema. Essa mostra e o seu post me alegram porque vejo como a arte colabora para formar opinião concisa e menos conservadora. Que ela ajude muito as novas gerações a ver o outro com mais tolerância.
Abraços, Lê.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Tem toda razão, Lê. Preconceito é um atraso de vida. Seja ele qual for.

GIANCARLO TOZZI disse...

Minha adorável lavanderia é o melhor de todos. Carrington também é da hora.

linezinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
linezinha disse...

Dos filmes citados só assiste Carrington-Dias de paixão que achei muito bom.

Marcelo C,M disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo C,M disse...

Um outro filme interessante com tematica gay é Querelle. Apesar de algumas cenas fortes, o filme ganha pontos por possuir uma trama imprevisivel e uma fotografia que remete a época de ouro do cinema.

Quanto a Kate, eu sempre achei (e ainda acho) que ela ganhou o Oscar pelo filme errado. Pois naquele ano, ela estava muito melhor no filme Foi Apenas Um Sonho.

Cristiano Contreiras disse...

Curioso você alertar aqui para todos que admira mais um cinema homoafetivo que mostre conteúdo, sentimento e que fique fora de focar apenas no desejo e sexo - mas, comenta no meu post do filme "De repente, califórnia" de maneira casual e até com leve deboche.

Se não sabe, esse filme representa bem o sentimento entre dois homens - por sinal, eu apontei isso no meu texto, chegou a ler realmente? - sem se preocupar apenas com o sexo homossexual. Teu comentário pareceu até bem preconceituoso...

Comentando teu post, boa a lista, gosto desses filmes e, realmente, são bons representantes da esfera homoafetiva, sem afetação e com bons enredos.

Pra mim, "Bent" e "Meu passado me condena" e "Minha adorável lavanderia" são ótimos filmes. Marcantes!

abraço

annastesia disse...

Incrível seleção de filmes. É claro que vou puxar a sardinha para o meu queridíssimo Gary Oldman e sua excelente atuação e ótima parceria com Molina e Frears. Eu, como adoro Bogarde, não posso deixar de citar Victim. Gosto muito também de Minha adorável lavanderia, outro acerto de Frears com o lindo Day-Lewis, Velvet Goldmine e o menage-à-trois (não literal) de Myers, Ewan e Bale, Domingo maldito, Carrington e Maurice, onde Hugh Grant foi muito bem aproveitado antes de descambar para os filmes "engraçadinhos".
Parabéns pelo texto!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

QUERELLE é uma obra-prima, Marcelo. Não está aqui porque é alemão. Somente listei filmes britânicos.
Abração

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Cristiano, não houve nenhuma intenção de debochar do seu post, apenas brinquei com a história romântica. O seu texto é interessante e bem escrito, mas realmente DE REPENTE, CALIFÓRNIA me parece mais um filme gay simpático e descartável. Posso estar enganado, afinal ainda não o assisti.
Abração e grato pela visita

Gabriel Neves disse...

Gostei bastante da tua lista. Não basta focar no homossexualismo se só se aposta em relações sexuais para descrever o amor. Dos filmes que você listou, já me deparei com 3: Bent, Wilde e Café da Manhã em Plutão. De resto, não conhecia e com certeza vou procurar.
Abraços.

Rubi disse...

Mas que interessante!
Confesso que não conhecia nenhum desses filmes. Antigamente, acho que era muito mais difícil expor-se dessa forma não?

Aliás, tenho uma dúvida;esse Sunday Bloody Sunday tem alguma relação com os massacres na Rússia/Irlanda? Ou é só o nome mesmo?

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Com certeza, Rubi. Agora as coisas estão mais tranquilas, embora ainda exista preconceito. Em relação ao filme de Schlesinger, não tem qualquer alusão aos massacres.
tudo de bom

Marta Scarpa disse...

O filme Maurice é muito fiel ao romance de E. M. Forster, resultando em delicadeza e honestidade. Vi também O amor não tem sexo, e não gostei. Muito sórdido.

LC disse...

Ótimo top (alguns eu já conhecia, os demais anotei e já estou procurando pra baixar), mas fiquei com uma dúvida sobre o comentário do 'Velvet Goldmine':

"Para trazer um retrato do Glam Rock, movimento que fez estragos na música e na sociedade (...)"


Sobre os "estragos na música" ... O sentido foi o mesmo que aplicado à sociedade (do choque e turbulência) ou foi realmente algo depreciativo, literalmente "estragar a música"?

Abraços.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Nada depreciativo, LC. Falo da força do diferente, do inovador...
Abração

willian velbas theophilo disse...

Parabéns 😤 assisti a todos,lindos..lindos.