maio 23, 2015

*** A VISÃO DO MUNDO EM 20 DOCUMENTÁRIOS


O cinema é uma expressão artística e, como arte, encanta, sensibiliza, mobiliza e transforma. Lança o espectador dentro de realidades complexas, dramáticas, poéticas e o faz retornar modificado, com um novo olhar para a sua própria realidade. A arte, o lúdico e o conhecimento estão sempre juntos, é aí que está a força na relação entre cinema e educação.

Há filmes que despertam alguma coisa na gente. Isso acontece quando saímos do cinema querendo desesperadamente falar sobre o que acabou de ver com alguém. Ou com todo mundo, na verdade. Há filmes de ficção que fazem isso com a gente, e há DOCUMENTÁRIOS que são capazes de abrir nossa cabeça para mundo particular de determinados temas de maneira extraordinária.

Vez ou outra, eu acabo me deparando com um DOCUMENTÁRIO assim. Vasculhei a memória e descobri alguns pra reunir uma lista dos que mais me fizeram ver a vida de uma maneira diferente ou questionar coisas que sempre me pareceram inquestionáveis. A lista está aqui embaixo:

(por ordem de preferência)

(01)
NOITE E NEBLINA
(Nuit et Brouillard, 1955)
de Alain Resnais

Vencedor do Prêmio Jean Vigo na categoria Melhor Curta. Realizado sob encomenda do Comitê da História da Segunda Guerra Mundial, apresenta um perturbador registro dos locais em que até pouco tempo antes funcionavam os campos de concentração nazistas. Acompanhando as imagens do pós e da guerra, a narração de um texto do poeta francês Jean Cayrol, um sobrevivente.


(02)
A TRISTEZA E A PIEDADE
(Le Chagrin et la Pitié, 1969)
de Marcel Ophüls

De 1940 a 1944, o governo de Vichy, na França, colaborou ativamente com os nazistas que ocupavam o país. Imagens de arquivo e entrevistas com testemunhas, oficiais alemães e membros da resistência expõem a história que muitos franceses preferiam continuar ignorando.


(03)
TERRA SEM PÃO
(Las Hurdes, 1933)
de Luis Buñuel

Em uma remota região montanhosa da Espanha chamada Las Hurdes, a menos de 100 quilômetros da civilizada cidade universitária de Salamanca, os habitantes vivem em extrema pobreza na década de 1930. Eles sobrevivem sem as mínimas condições, em meio a doenças, desnutrição e ignorância.


(04)
QUE VIVA MÉXICO!
(Da Zdravstvuyet Meksika!, 1932)
de Sergueï M. Eisenstein

A história e a cultura do México, desde a pré-colonia até a época contemporânea, são descritas pelo cineasta russo.


(05)
O TRIUNFO DA VONTADE
(Triumph des Willens, 1935)
de Leni Riefenstahl

Um registro grandioso do sexto Congresso do Partido Nazista, que aconteceu em Nuremberg no ano de 1934. No início Adolf Hitler chega de avião, e é ovacionado por multidões, que saúdam o führer totalmente hipnotizadas. Mostrado de forma gigantesca, as paradas, os desfiles militares e os jovens que louvam a suástica parecendo em total estado de catarse.


(06)
PARÁGRAFO 175
(Paragraph 175, 2000)
de Rob Epstein e Jeffrey Friedman

Uma medida do Código Criminal Germânico em vigor a partir de 15 de maio de 1871. O Parágrafo 175 considerava as relações homossexuais como crime, sendo que nas primeiras edições também criminalizava as relações sexuais humanas com animais, conhecidas como bestialidade. O dispositivo legal sofreu várias emendas ao longo do tempo. Quando os nazistas assumiram o poder em 1933, as condenações através do Parágrafo 175 aumentaram na ordem de magnitude de 10 vezes. Milhares de pessoas morreram nos campos de concentração, independentemente da culpa ou inocência relativas às suas práticas sexuais.


(07)
MICROCOSMOS
(Microcosmos: Le Peuple de L’herbe, 1996)
de Claude Nuridsany e Marie Pérennou

Um belo registro daquilo que os nossos olhos não conseguem ver. Com o uso das tecnologias mais avançadas para a época, uma viagem pela natureza microscópica. O ciclo da vida de insetos e outros pequenos seres invertebrados na luta pela sobrevivência, por alimento e em sua relação com o meio ambiente.


(08)
BERLIM, SINFONIA DA METRÓPOLE
(Berlin: Die Sinfonie Der Grobstadt, 1927)
de Walter Ruttmann

Um trem cruza o país em seu trajeto até Berlim. Ainda não são cinco da manhã e ele para lentamente na estação. Quase toda cidade dorme, mas antes que vejamos seus primeiros sinais da atividade, vemos alguns trabalhadores que madrugam. É o início de um dia típico da capital alemã. Impressionante o poder das imagens e da música. A montagem, então, espetacular.


(09)
UM HOMEM COM UMA CÂMARA
(Cheloveks Kinoapparatom, 1929)
de Dziga Vertov

Mostra um dia normal, bastante típico. Um cinegrafista filma um dia despretensioso na vida da cidade moderna: primeiro as ruas vazias ao amanhecer que vão gradualmente se enchendo, depois os habitantes de Moscou, ou de outra cidade soviética no trabalho ou no lazer. São as pessoas comuns mostrando a verdade da vida cotidiana.


(10)
KOYAANISQATSI – UMA VIDA FORA DE EQUILÍBRIO
(Koyaanisqatsi, 1983)
de Godfrey Reggio

As relações entre os seres humanos, a natureza, o tempo e a tecnologia. Cidade, campo, paisagem, rotina, pessoas, construções, destruição. Um documentário sem diálogos, composto por uma impressionante coleção de imagens e uma marcante trilha sonora.


(11)
NANOOK, O ESQUIMÓ
(Nanook of the North, 1922)
de Robert J. Flaherty

Um ano da vida do esquimó Nanook e de sua família, que vivem em Hudson Bay, no Canadá. A caça (a animais como o leão marinho), a pesca e as migrações de um grupo que estão totalmente à parte da industrialização da década de 1920. O cotidiano de uma família que realiza as atividades do dia-a-dia em volta basicamente de uma única questão: ter o que comer.


(12)
OLYMPIA I e II
(Olympia– Teil I – Fest der Volker e Olympia: 
Teil 2 - Fest der Schönheit, 1938)
de Leni Riefenstahl

Financiada pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, narra os monumentais Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim.


(13)
CABRA MARCADO PARA MORRER
(1984)
de Eduardo Coutinho

Início da década de 1960. Um líder camponês é assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste. As filmagens de sua vida, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. Dezessete anos depois, o diretor retoma o projeto e procura a viúva e seus dez filhos, espalhados pela onda de repressão que seguiu ao episódio do assassinato. O tema passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar.


(14)
CORAÇÕES E MENTES
(Hearts and Mind, 1974)
de Peter Graves

Uma investigação sobre a Guerra do Vietnã, através de imagens da guerra e entrevistas com ex-combatentes norte-americanos e sobreviventes vietnamitas, analisando assuntos como a duração do conflito, o militarismo e o racismo entranhado na cultura dos Estados Unidos.


(15)
O OUTRO LADO DE HOLLYWOOD
(The Celluloid Closet, 1995)
de Rob Epstein e Jeffrey Friedman

Sobre como a homossexualidade foi abordada no cinema norte-americano desde seus primórdios.


(16)
ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO
(Undergangens Arkitektur, 1992)
de Peter Cohen

Fala sobre a estética do Partido Nacional Socialista Alemão e como o empenho em criar o Ideal ariano provocou o extermínio de milhões. Alguns aspectos são mencionados, como a epifania de Hitler enquanto assistia à ópera de Wagner, "Rienzi"; a ascensão do ideal greco-nórdico homoerótico; os paralelos traçados entre a arte degenerada dos cubistas e dadaístas e os doentes mentais/deficientes físicos; a obsessão nazista pela pureza e higiene e, finalmente, o rebaixamento dos judeus a vermes.


(17)
SOBRE SUSAN SONTAG
(Regarding Susan Sontag, 2014)
de Nancy D. Kates

Um olhar minucioso na trajetória de vida de um dos maiores símbolos da literatura, do feminismo e da política. Repleto de imagens e arquivos pessoais, o longa conta com depoimentos de familiares, amigos e amores de uma das mulheres mais fascinantes que o mundo já viu.


(18)
O SAL DA TERRA – UMA VIAGEM COM SEBASTIAO SALGADO
(The Salt of the Earth, 2014)
de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado

Conta um pouco da longa trajetória do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e apresenta seu ambicioso projeto "Gênesis", expedição que tem como objetivo registrar, a partir de imagens, civilizações e regiões do planeta até então inexploradas.


(19)
CINZAS E NEVE
(Ashes and Snow, 2005)
de Gregory Colbert

O extraordinário fotógrafo Gregory Colbert mostra seu trabalho, que explora a interação entre humanos e animais. Nenhuma imagem foi manipulada por computador, sendo exatamente como viu o artista.


(20)
ANDY GOLDSWORTHY – RIOS E MARÉS
(Andy Goldsworthy Rives And Tides – Working with Time, 2000)
de Thomas Riedelsheimer

A arte efêmera de Andy Goldsworthy, envolvida de forma muito íntima com a natureza.



3 comentários:

Adriano Martins disse...

Lista de primeira.

Lucas Gastaldello disse...

Esse blog é um espetaculo , parabens pelo trabalho

Carmen Djortouian disse...

películas muy buenas!