agosto 04, 2011

************** SALA VIP: “BONNIE E CLYDE”



UMA HISTÓRIA DE AMOR E VIOLÊNCIA

BONNIE E CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS/Bonnie and Clyde (1967), de Arthur Penn. Policial, 111 mins, colorido. Produção: Warren Beatty (Warner Bros. Pictures/Tatira-Hiller Productions). Roteiro: David Newman e Robert Benton. Fotografia: Burnett Guffey. Edição: Dede Allen. Música: Charles Strouse. Cenografia: Dean Tavoularis (d.a.); Raymons Paul (déc.). Vestuário: Theadora Van Runkle. Elenco: Warren Beatty (“Clyde Barrow”), Faye Dunaway (“Bonnie Parker”), Michael J. Pollard (“C. W. Moss”), Gene Hackman (“Buck Barrow”), Estelle Parsons (“Blanche Barrow”), Denver Pyle, Dub Taylor, Evans Evans e Gene Wilder (“Eugene Grizzard”).

Nota: ***** (ótimo)

Prêmios: Oscar de Melhor Fotografia e de Melhor Atriz Coadjuvante (Parsons); BAFTA de Atriz Revelação (Dunaway) e Ator Revelação (Pollard); David di Donatello de Melhor Atriz Estrangeira; Melhor Roteiro do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York.

O FILME EM 11 QUADROS

Bonnie (Faye Dunaway) e Clyde (Warren Beatty) acabam de se conhecer na pequena cidade dela. Eles estão tomando coca-cola.

Bonnie – Como é que é?
Clyde – Como assim? A prisão?
Bonnie – Não. Assaltar.
Clyde – É diferente de tudo.
Bonnie – Droga! Sabia que nunca assaltou lugar nenhum, seu mentiroso!

Ele mostra um grande revólver. Ela toca-o com sensualidade.

Bonnie – Aposto que não teria coragem de usá-la.
Clyde – Ok. Espere aqui mesmo e preste atenção.

Ele atravessa a rua, entra num mercadinho e volta com dinheiro e arma na mão. Correm. Tiros. Entram no carro dele.

Bonnie – Ei, como se chama?
Clyde – Clyde Barrow.
Bonnie – Oi, sou Bonnie Parker. Muito prazer.

Partem em disparada pelo campo.

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CURIOSIDADES

Planejado inicialmente como uma comédia romântica rodada em preto-e-branco, esteve para ser filmado por François Truffaut, mas acabou nas mãos de Arthur Penn, cineasta então desiludido com os cortes sofridos pelo seu filme "Caçada Humana/The Chase” (1966) e que estava determinado a abandonar o cinema;

Warren Beatty e Arthur Penn já haviam trabalhado juntos em “Mickey One/idem” (1965);

A publicidade norte-americana da estréia dizia: “Eles são jovens, estão apaixonados... e matam gente”;

Estrondoso sucesso de bilheteria e crítica, rejuvenesceu o cinema norte-americano, abrindo caminho para uma nova geração de diretores;

Bonnie estava destinado para Shirley MacLaine, irmã mais velha de Beatty. Jane Fonda, Natalie Wood, Ann-Margret, Cher e Sue Lyon também foram consideradas para o papel;

Antes de decidir interpretar ele próprio a personagem de Clyde Barrow, Warren Beatty pensou em Bob Dylan, devido a semelhança do cantor com o verdadeiro Clyde;

Quando Clyde mostra seu revólver pela primeira vez a Bonnie, ela o toca numa clara insinuação sexual. Nessa hora, Bonnie (e a platéia) ainda não sabem que ele é impotente, questão que logo virá à tona;

O filme a que Bonnie e Clyde vão assistir depois do frustrado assalto ao banco é “Cavadoras de Ouro/Gold Diggers of 1933” (1933);

Em sua primeira cena com Buck e Blanche, C. W. Moss diz que sua estrela de cinema favorita é Myrna Loy. Na verdade, a atriz era a favorita do gangster John Dillinger;

A produtora Warner Brothers tinha tão poucas esperanças no sucesso do filme que acedeu prontamente à pretensão de Warren Beatty de receber 40% das receitas. O grande sucesso - cerca de 70 milhões de lucro – engordou bastante a fortuna do ator;

A célebre cena final foi filmada simultaneamente por quatro câmaras a diferentes velocidades. Dura exatamente 54 segundos;

Teve dez nomeações ao Oscar (filme, diretor, roteiro, ator, atriz, coadjvs. – Hackman, Pollard e Parsons -, fotografia e figurino), ganhando apenas duas delas;

Inspirou obras de arte, canções, propaganda, vestuário etc.;

Classificado em 2007 pelo American Film Institute como o 42º melhor filme de todos os tempos.


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O QUE ESTÁ FAZENDO

FESTIVAL DE VENEZA

O Festival de Veneza deste ano terá uma programação de peso em sua 68ª edição, entre 31 de agosto e 10 de setembro. Os novos filmes de Roman Polanski, "God of Carnage/Deus da Carnificina", e "A Dangerous Method", de David Cronenberg, vão estar na disputa pelo Leão de Ouro ao lado de outros prestigiados realizadores do cinema mundial. "The Ides of March", de George Clooney, será o filme de abertura. Baseado na peça de Yasmina Reza, "God of Carnage" é o primeiro filme de Polanski depois que o diretor saiu da prisão domiciliar em um chalé na Suíça. O elenco encabeçado por Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly vive a história de dois casais que tentam solucionar suas diferenças após a briga de seus filhos. "A Dangerous Method" é o terceiro trabalho na seqüência de Cronenberg com Viggo Mortensen, depois de "Marcas da Violência" e "Senhores do Crime". Desta vez, o ator interpreta o lendário Sigmund Freud. O britânico Steve McQueen participa do festival com "Shame", estrelado pela excelente Carey Mulligan. O sueco Tomas Alfredson, de "Deixa Ela Entrar", estréia fora de seu país com "Tinker, Taylor, Soldier, Spy", adaptação do romance de espionagem "O Espião que Veio do Frio", de John le Carré. Já Abel Ferrara apresenta "4:44 Last Day on Earth", protagonizado por Willem Dafoe. No panteão de cineastas veteranos estão o norte americano William Friedkin com “Killer Joe”, o russo Aleksander Sokurov ("Faust", versão da lenda celebrizada por Goethe), Todd Solondz ("Dark Horse", com Mia Farrow) e o francês Philippe Garrel (“Un Été Brulant”). Outros destaques são o novo filme de Marjane Satrapi que, depois de "Persépolis", dirige com Vincent Paronnaud uma nova adaptação de uma história em quadrinhos sua, "Frango com Ameixas", agora com atores (Isabella Rossellini e Maria de Medeiros). Em "Wuthering Heights", Andrea Arnold faz uma nova versão do clássico "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë. Se a briga pelo Leão de Ouro já garante a presença de diversas celebridades no Lido, ilha onde o Festival é realizado, os filmes fora de competição vão atrair ainda mais estrelas. Al Pacino receberá uma homenagem especial e mostra seu terceiro trabalho como cineasta, "Wilde Salome", experimento a partir da obra de Oscar Wilde, similar ao que fez em "Ricardo III - Um Ensaio". O polivalente James Franco atua e dirige "Sal", cinebiografia de Sal Mineo, ícone gay que trabalhou com James Dean em "Juventude Transviada" e foi morto a facadas por um amante em sua casa, em 1976. Madonna, por sua vez, deve ser responsável pelo maior barulho no evento. "W.E.", seu segundo longa-metragem como diretora, é aguardado com ansiedade e há quem diga que até pode pleitear uma vaga no Oscar. Steven Soderbergh exibe o filme de catástrofe "Contagion" e chega acompanhado por um elenco poderoso – Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard, Laurence Fishburne. Kate Winslet também deve ir a Itália graças a exibição no festival da minissérie “Mildred Pierce”, de Todd Haynes. O italiano Marco Bellocchio ("Vencer") vai exibir uma cópia restaurada de “Nel Nome del Padre” (1972) e receber um Leão de Ouro especial pelo conjunto da obra. Também haverá sessões especiais dos novos filmes de Chantal Ekerman (“La Folie Almayer”) e Jonathan Demme (o documentário “I'm Carolyn Parker: The Good, The Mad and The Beautiful”). Fora da competição, o Brasil estará representado na mostra Horizontes (Orizzonti) pelo longa-metragem mineiro "Girimunho", de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina. "On the Road", adaptação de Walter Salles para a obra de Jack Kerouac, não ficou pronto a tempo para participar do festival. O júri será presidido pelo diretor Darren Aronofsky, que ganhou o festival em 2008 com "O Lutador" e concorreu no ano passado com "Cisne Negro". 

20 comentários:

Leandro Afonso Guimarães disse...

BONNIE & CLYDE é daqueles que simpatizo mais do que gosto. respeito história e o que representou, não apenas como tema e abordagem, mas também como forma feita mesmo - Susan Korda, em oficina de montagem aqui em Salvador, chegou a exibir trechos dele como exemplo de. preciso rever para ver se mudo algo.

com relação à Veneza, melhor coisa dele foi premiar em 2008 O LUTADOR, pra mim o melhor Aronofsky, talvez por ser o que carrega menos suas manias. bonito.

Edivaldo Martins disse...

UM ÓTIMO FILME.Antonio Nahud Júnior, por acaso você conhece o filme MORTALMENTE PERIGOSA(GUN CRAZY E DEPOIS MUDADO PARA DEADLY IS THE FEMALE) DE JOSEPH H. LEWIS. Com um pequeno orçamento Lewis realizou uma obra prima. Esse filme é uma espécie de Bonnie e Clyde, produzido em 1950.

Luiz Santiago disse...

Que dizer de Bonny & Clyde? Filmaço do começo ao fim. Assisti pela primeira vez por indicação do meu pai, e desde a primeira vez amei o filme.

renatocinema disse...

Filmaço, filmaço.

Preciso rever urgente.

Acho injusto o 42º lugar nesse ranking. Merecia, na minha opinião, estar entre os 30 primeiros.


Grandes atuações para um grande filme.

Marcelo C,M disse...

Invejo a pessoa que teve o privilegio de assistir a esse filme no cinema na época. Fico imaginando a cara das pessoas com a cena final, espetacular.
Vale lembrar também uns dos primeiros grandes desempenhos de Gene Hackman como irmão de Clyde e da hilaria participação especial de Gene Wilder.

Kley disse...

Arthur Penn ao lado de Peckinpah definiu a violência no cinema. Outro filme do Penn que eu gosto muito também é Pequeno Grande Homem.

Jamil disse...

Uma policial inesquecível, sedutor...O Beatty teve aqui o papel de sua vida. Já a Faye, sempre tive dúvidas em relação ao talento dela. Ela não consegue disfarçar um certo artificialismo corporal, uma postura caricata que compromete o rosto expressivo. Mas tá linda como Bonnie.

Jamil disse...

Rapaz, fiquei curioso com o "Sal" de James Franco. O garotão parece ter uma certa atração por personagens homossexuais... E o que acontece com o Walter Salles? Ele filma rápido e demora séculos para montar um filme.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Reveja o filme, Leo. Arthur Penn sempre vale a pena.
Vc sabe que o cinema de Aronofsky não me empolga. O que mais gosto dele ninguém gosta... rs... A FONTE DA VIDA.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

PEQUENO GRANDE HOMEM é irresistível, Kley. O Dustin Hoffman está fascinante. Gosto de todos os filmes de Penn.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Também não admiro muito a Faye Dunaway, Jamil. Com exceção sua atuação em CHINATOWN.

linezinha disse...

tudo de bom o filme Bonny & Clyde vale a pena ser sempre revisto!

GIANCARLO TOZZI disse...

Não lembrava da impotência de Clyde... Vi menino, creio que me passou despercebido.
Mas o que é que Mildred Pierce estará fazendo em Veneza? Não já foi exibido mundo afora?

pinguim disse...

É um filme magnífico.
A cena final fica na História do cinema.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Também não entendi, Giancarlo. MILDRED PIERCE é brilhante, mas Veneza só exibe filmes inéditos ou homenageia filmografias do passado.

Marta Scarpa disse...

O Warren está incrivelmente sexy neste filme

Marta Scarpa disse...

Antônio, você nada falou das magníficas interpretações de Gene Hackman e Estelle Parsons.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Marta, não fiz nenhuma análise do filme, somente citei algumas curiosidades, além da ficha técnica e trecho do roteiro. Mas eles estão soberbos.

Adalberto Meireles disse...

Bela lembrança, Antonio Júnior. Peter Biskind coloca o filme de Arthur Penn, em seu inestimável livro Como a Geração Sexo, Drogas e Rock'n'roll Salvou Hollywood, ao lado de Sem Destino, como um dos inventores de uma nova época no cinema norte-americano cansado dos grandes studios.

Já viu Melancolia? Acabo de postar comentário sobre o filme de Von Trier. http://pontocedecinema.blog.br/blog/

annastesia disse...

Grande representante do cinema da cinematografia dos anos 60. Excelente filme!