janeiro 14, 2015

***** GLAUCE ROCHA: ILUMINANDO O CINEMA NOVO


Talvez esta seja uma oportunidade para muita gente conhecer o valioso trabalho desta que foi, sem dúvida, uma das mais célebres, ousadas, criativas e produtivas atrizes nascidas no Brasil. Intensa, com alta dose de dramaticidade e emoção à flor da pele, GLAUCE ROCHA (Campo Grande, MT, 1930 - São Paulo, SP, 1971) marcou época. Poucas viveram com tamanha grandeza seu ofício. Uma vida curta, vigorosa e expressiva, entregue à criação artística e a construção de uma sociedade mais justa. Militante política sem filiação partidária, vivia em permanente luta em defesa da liberdade de expressão e dos valores democráticos. Morreu jovem, aos 41 anos de idade, em meio às gravações da telenovela “O Hospital” (TV Tupi). Deixou na história a marca de uma atriz inigualável. Uma das maiores do cinema brasileiro. Morena, expressão dramática, transmitia uma extraordinária emoção - e ao longo de duas décadas de carreira atuou em dezenas de montagens teatrais, inúmeras participações na televisão (infelizmente, pouco ou quase nada mais resta) e em 24 filmes - alguns dos quais básicos do CINEMA NOVO. Numa entrevista ao jornal Zero Hora, em 1970, a atriz disse: “O cinema não vale a pena monetariamente, o teatro vale um pouco mais e a televisão mais ainda. Mas, quando a gente morre, pelo menos os filmes ficam. Não tive um filho, não escrevi um livro e não plantei uma árvore. Ao menos me lembrarão pelos meus filmes”.

Na década de 1950, as chanchadas eram, como o carnaval e o futebol, sinônimo de Brasil. O primeiro filme a citar GLAUCE ROCHA nos créditos foi justamente a chanchada “Uma Aventura no Rio” (1952), co-produção com o México estrelada pela famosa cubana Ninón Sevilla. Depois faria “Rua sem Sol”, de 1954, de Alex Viany, com toques do cinema neo-realista. Sua carreira no cinema teria destaque maior no ano seguinte, ao interpretar a namorada grávida de um fuzileiro naval (Roberto Bataglin) em “Rio, 40 Graus”, de Nelson Pereira dos Santos - o precursor do Cinema Novo, que iria eclodir anos depois, e com um outro filme referencial: “Cinco Vezes Favela” (1962), produzido pelo CPC-UNE. A atriz participa do episódio dirigido por Leon Hirzman, “Pedreira de São Diogo”, com imagens eisensteineanas. Em 1962, no papel de uma prostituta, aparecia logo nas primeiras sequências do polemico “Os Cafajestes”, de Ruy Guerra, outro filme-marco. Em “Sol sobre a Lama”, também de 1962, mostrou ser uma atriz à frente de seu tempo, aparecendo inteiramente nua na tela.


“Rio, 40 Graus”, de Nelson Pereira dos Santos, e “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, colocaram GLAUCE ROCHA no epicentro do chamado CINEMA NOVO. O primeiro foi proibido em todo o território nacional pelo conteúdo supostamente “comunista”, “ideologia contrária aos padrões de valores culturais coletivamente aceitos pelo país” e de “conter uma tônica violenta e comportar libertinagem e práticas de lesbianismo”. Ficou popular uma frase da atriz dita ao coronel Menezes Cortes, responsável pela proibição da obra: “Olha, o senhor me dá licença de acreditar na natureza humana?”. Liberado mais tarde e escolhido para representar o Brasil no Festival de Cannes, tornou-se um marco na história do cinema brasileiro, revelando o talento fundamental de Nelson Pereira dos Santos.

com clarice lispector numa passeata contra a censura
A atriz tem sua mais lendária atuação cinematográfica em “Navalha na Carne”, de 1969. Segundo a crítica Mariângela Alves de Lima, GLAUCE ROCHA atinge, na interpretação da prostituta Neusa Sueli, uma “singular construção reducionista”, economizando na configuração do trágico: “É incapaz de esboçar gestos à altura das violências que a atingem. O rosto, encoberto pelo cabelo em desalinho e a voz que não tem força para o grito, que, ao contrário, se reduz a um murmúrio quando o sofrimento se intensifica, reforçam a ideia de que há sempre um degrau mais baixo nesse calvário de humilhação. Glauce percorre, enfim, o caminho inverso ao da progressão dramática, retirando camadas de vitalidade da sua personagem até conduzi-la ao impressionante mutismo final”. Em outros filmes - mesmo os mais fracos - a presença da atriz sempre foi vigorosa, um toque de classe e qualidade, com atuações marcantes. Sua última aparição no cinema aconteceu na comédia “Cassy Jones, o Magnífico Sedutor” (1972), produção acima da média, mesmo aproveitando a onda de ressurgimento comercial do cinema brasileiro através das pornochanchadas.


Ela se fez atriz numa época politicamente difícil do Brasil, em plena ditadura Getúlio Vargas, quando as atrizes eram consideradas, oficialmente, prostitutas e recebiam, dos órgãos do governo, a mesma “carteirinha” de identificação. GLAUCE ROCHA foi uma das primeiras a lutar pelo reconhecimento da sua profissão. O pai, tenente, morreu assassinado quando ela ainda era criança, marcando-a para sempre. Ela viveu intensamente. De gênio forte, sem papas na língua, ainda é uma personalidade viva, dona de uma estrela que reluz até os dias atuais. Viveu como uma predestinada. Sobre sua existência, a atriz confessou: “Gostaria de morrer jovem. Mas, se Deus me permitir, quero partir para a outra vida com a mocidade e a glória da minha arte”. “Eu me identifico na fixação pela luta, mesmo com tudo adverso ao meu redor. Não desanimo nunca, não me deixo dominar pelos reverses sofridos ou pelos obstáculos encontrados”, disse também. Gostava dos cineastas Michelangelo Antonioni, Luchino Visconti, Akira Kurosawa, François Truffaut e Jean-Luc Godard. Entre as atrizes prediletas, Anna Magnani, Geraldine Page, Alida Valli, Melina Mercouri, Jeanne Moreau, Cacilda Becker, Natália Thimberg, Fernanda Montenegro e Lilli Palmer. Atores, James Mason, Charles Laughton, Anthony Perkins, Laurence Olivier, Toshiro Mifune e Jean-Paul Belmondo. Time da pesada, como se vê.


com rubens de falco em “o exercício”
Deu vida a textos teatrais escritos por Garson Kanin, Eugène Ionesco, Jean Cocteau, Anton Tchecov, Tennessee Williams, Sófocles, Bertolt Brecht, Nelson Rodrigues, Molière, Samuel Taylor, William Gibson, Truman Capote, Ariano Suassuna e Eugene O`Neill, entre outros. Musa por seu estilo e personagens que interpretava, GLAUCE ROCHA atravessou duas gerações de criadores. Trabalhou sob a direção dos renovadores dos anos 1950 - Ziembinski, Flamínio Bollini Cerri, Adolfo Celi, Luís de Lima, Henriette Morineau - e se engajou no projeto dos novos encenadores – Rubens Correa, Ademar Guerra, Antunes Filho, Antônio Abujamra, Fauzi Arap, Joao das Neves, B. de Paiva. Com forte consistência intelectual, a profissão de atriz não lhe supre inteiramente, levando-a a desenvolver a direção, a produção, a dramaturgia e a crítica em sua vida artística. Começou a carreira em 1950, fazendo peças infantis. Estreia oficialmente em “Abertura de Um Testamento”, em 1951. Em 1952, ingressa no Teatro Duse, de Paschoal Carlos Magno. Seu desempenho em “João Sem Terra”, de Hermilo Borba Filho, lhe vale uma carta entusiasmada do diretor de teatro Renato Viana, que exalta seu talento. Em 1960, atua como protagonista de “Doce Pássaro da Juventude”, de Tennessee Williams, direção de Ademar Guerra, pelo qual recebe o prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT).

como electra
Participa de montagens do Grupo Decisão, com direção de Antônio Abujamra - “Terror e Miséria no III Reich”, de 1963; e “Electra”, 1965. O crítico Yan Michalski observa, a respeito de seu desempenho na cena em que a protagonista trágica recebe a urna contendo as cinzas do irmão, que “a atriz atinge um nível de inspiração excepcionalmente elevado e projeta sua emoção para a plateia com um impacto impressionante”. Em 1964 é dirigida por Rubens Corrêa em “Além do Horizonte”, de Eugene O'Neill; e “À Margem da Vida”, de Tennessee Williams. Para GLAUCE ROCHA, o papel mais difícil que viveu foi o de GH, extraído do romance de Clarice Lispector, “A Paixão Segundo GH”, no espetáculo “Perto do Coração Selvagem”, primeira direção de Fauzi Arap, em 1965. Em suas encenações a entrega era tanta que, ao final de alguns espetáculos, deixava o palco febril. Em 1968, ganha o Prêmio Molière de Melhor Atriz. Em 1969, atua em “O Exercício”, de Lewis John Carlino, direção B. de Paiva, ao lado de Rubens de Falco. Segundo o crítico Sábato Magaldi, um “magnífico desempenho”, conquistando em São Paulo o Prêmio Governador do Estado.

com vanda lacerda em “as três irmas”
Teve também presença marcante na TV brasileira. Entre 1952 e 1971 participou de 64 teleteatros, especiais e telenovelas, na Tupi, Rio e Globo. Atuou com destaque em “Passos dos Ventos” (Janete Clair, 1968), “A Última Valsa” (Glória Magadan, 1969), “Véu de Noiva” (Janete Clair, 1969), “Irmãos Coragem” (Janete Clair, 1969) e “O Hospital” (Benjamin Cattan, 1971). GLAUCE ROCHA era uma das prediletas da célebre escritora Janete Clair, que sempre a escalava. Conhecida no meio artístico pela incrível capacidade de trabalho, a atriz passava o dia inteiro na TV, à noite no teatro e ainda conseguia tempo para fazer cinema, lutar politicamente pela regulamentação da carreira de ator e contra a censura (que tanto na ditadura de Getúlio quanto na ditadura militar campeava solta). Acontece que para fazer tudo isso, tomava remédios para dormir e remédios para acordar. Fumava muitíssimo. Engravidou nove vezes, mas nunca teve filhos, numa maternidade negada que a deixava frustrada. 



Também não era feliz no amor. Casou-se com o ator cearense Milton Moraes, em 1952, vivendo apenas seis meses com ele. Juntos, trabalharam em duas peças: “Madame San Gene” (1952) e “Dona Xepa” (1953). Moraes, para quem não se lembra, tem carreira longa e importante, destacando-se em cerca de 30 filmes como “Gimba, Presidente dos Valentes” (1963), “Os Senhores da Terra” (1970) e “Sagarana, o Duelo” (1973). Morreu em 1993, aos 63 anos. Glauce teve outros companheiros. O ator Jardel Filho foi um deles. Começaram em 1966, quando juntos fizeram a peça “Tartufo”, mas terminariam definitivamente durante as filmagens de “Terra em Transe”. E ela continuava trabalhando demais. A televisão não poupava seus profissionais. Trabalhar no veículo era verdadeira maratona, sem descanso. GLAUCE ROCHA incorporou o ritmo, mas seu corpo logo cedeu. Em seus últimos anos de vida, chegou a passar doze horas gravando para TV, vestida em quentes roupas de veludo. Depois seguia direto para o teatro, onde encarava mais duas horas de espetáculo, e de madrugada fazia cinema. Nunca dava a mínima importância ao dinheiro. Mal remunerada, muitas vezes trabalhando de graça (principalmente no cinema), sempre ajudava a todo mundo, sem olhar a quem.

antonio abujamra, glauce e jardel filho
Nos últimos anos de vida, consagrada, vivia freneticamente. Além da intensa atuação política, não relutava em abrir mão do sono das madrugadas para trabalhar. Adorava ler, de Clarice Lispector a Guimaraes Rosa, passando por Jorge Amado. Gostava de MPB e música clássica. Era carinhosa, inclusive com os animais. Não fazia pose, não se importava em ser conhecida. Sorria pouco, quase sempre calada e seca. Franqueza, lealdade e generosidade são as características mais lembradas por seus amigos. Sempre que podia visitava no Rio de Janeiro, o Retiro dos Artistas, casa de abrigo a atores aposentados. Depois do seu falecimento, o jardim do lugar passou a ser chamado “Jardim Glauce Rocha”. O fim da censura foi uma de suas maiores lutas. Viveu de perto o drama de ter de ficar em silêncio vendo seu trabalho proibido. No seu camarim, havia um bocado de remédios, entre calmantes e excitantes, que tomava regularmente. Morre precocemente, de súbito enfarte, aos 41 anos de idade (ou 38, como alguns afirmam), em 1971, recebendo um Prêmio Molière póstumo, pelo conjunto de trabalhos. GLAUCE ROCHA, mais do que uma atriz, foi um marco na dramaturgia brasileira. Atriz maravilhosa, um dos maiores símbolos de um país sem memória, sempre perfeita em todos os papéis, hoje pouco lembrada.


FILMOGRAFIA COMPLETA

(1952)
UMA AVENTURA NO RIO
de Alberto Gout
Produção mexicana com exteriores no Brasil e estrelada pela estonteante rumbeira Ninon Sevilla. Glauce passou oito dias filmando, resultando quinze minutos em cena.

(1954)
 RUA SEM SOL
de Alex Viany
Um dos melhores críticos cinematográficos do país, este foi o segundo longa-metragem de Viany. Glauce faz Marta, um papel de grande dramaticidade, uma mulher digna e corajosa que se vê obrigada a trabalhar num sórdido cabaré por problemas financeiros. Foi muito elogiada, ganhando o seu primeiro premio, o de Melhor Atriz no Festival de Cinema do Distrito Federal. Mas o filme foi mal assimilado pelo público e pulverizado pela crítica.

(1955)
 RIO, 40 GRAUS
de Nelson Pereira dos Santos
Uma mistura de drama, comédia, melodrama e chanchada, com interpretações musicais e toque neo-realista, contando várias histórias interligadas umas nas outras, tendo como ponto de referencia os meninos que descem dos morros cariocas para vender amendoim torrado em locais turísticos. Feito em regime cooperativo e com precárias condições materiais. Glauce personifica Rosa, a nordestina seduzida pelo fuzileiro naval (Roberto Bataglin), formando o par amoroso desde filme preocupado com a realidade urbana das grandes cidades, com o qual nascia o cinema brasileiro de ideias, como instrumento de avanço cultural. No elenco, o mítico Jece Valadão.

(1957)
O NOIVO DA GIRAFA
de Victor Lima
A história das confusões vividas por Aparício Boamorte (Amácio Mazzaropi) que trabalha no Jardim Zoológico e tem uma girafa como confidente para desabafar as broncas que leva de todas as pessoas com quem se relaciona. Glauce faz Inesita.

(1958)
TRAFICANTES DO CRIME
de Mario Latini
Policial com Glauce como Marina, uma moça que é assassinada, por engano, pelo chefe de uma quadrilha de traficantes de drogas.

(1959)
UM CASO DE POLÍCIA
de Carla Civelli
Comédia baseada numa história de Dias Gomes. Com Sebastião Vasconcelos. Glauce faz Belinha.

(1961)
 MULHERES E MILHÕES
de Jorge Ileli
Depois de assalto a agencia bancária, bandidos são perseguidos pela polícia. Com diálogos adicionais de Nelson Rodrigues, é um policial eficiente com abordagem social e temperatura tensa. Com as divas Norma Bengell e Odete Lara. Num papel coadjuvante, como a irmã de Jece Valadão, Glauce ganhou vários prêmios, entre eles, o Governador do Estado (SP) e o Saci.

(1962)
OS CAFAJESTES
de Rui Guerra
Moderno e audacioso, com nítidas influencias da Nouvelle Vague, centra-se no comportamento estúpido de personagens desocupados da classe média. Num papel bastante expressivo no prólogo do filme, faz uma prostituta, sendo premiada como Melhor Atriz Coadjuvante pela Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos. Censurado na época, tem no elenco Jece Valadão e Norma Bengell.

(1962)
CINCO VEZES FAVELA
Episódio de “Pedreira de São Diego”, de Leon Hirszman
Um dos primeiros ícones do Cinema Novo. Soma de esforços, divide-se em cinco episódios passados em favelas. Revelou grandes diretores, principalmente Joaquin Pedro de Andrade e Leon Hirszman. No episódio de Glauce, Sadi Cabral, Joel Barcellos e Zózimo Bulbul.

(1962)
QUATRO MULHERES PARA UM HERÓI
(Homenaje a la Hora de la Siesta)
de Leopoldo Torre Nilson
Co-produção franco-argentina protagonizada pela estrela italiana Alida Valli. Repórter francês assiste a uma homenagem em honra de quatro protestantes assassinados por indígenas. Glauce é uma das viúvas, Berenice Bellington. Nunca foi exibido comercialmente no Brasil.

(1963)
MARAFA
de Adolfo Celi
Baseia-se numa história de Marques Rebelo. Roteiro de Millôr Fernandes. Não chegou a ser concluído, filmaram apenas uns dez minutos. Glauce Rocha e Agildo Ribeiro eram os protagonistas. Foram rodadas cenas durante o carnaval do Rio de Janeiro, no centro da cidade, com Glauce pegando fogo pela rua afora, que era justamente a última sequencia do filme.

(1963)
 SOL SOBRE A LAMA
de Alex Viany
Tendo como cenário a feira de Água de Meninos, em Salvador, conta a história de dois feirantes líderes interpretados por Geraldo Del Rey (Valente) e Roberto Ferreira (Vadu). O primeiro defendendo uma política de não violência contra os métodos agressivos do segundo. Glauce vive Pureza, a explosiva namorada de Valente, vendedora de carimã. No elenco de luxo, Othon Bastos, Teresa Rachel, Antonio Pitanga e Jurema Penna.

(1965)
O BEIJO
de Flávio Tambellini
Adaptação da peça “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues. O drama de um homem (Reginaldo Faria) que, assistindo a um moribundo, recém-atropelado, atende-lhe ao pedido de um beijo, provocando uma reviravolta em sua vida. Glauce faz uma dona de boate, uma mulher misteriosa e cheia de sabedoria. O filme gerou muita polemica.

(1966)
 ENGRAÇADINHA DEPOIS DOS TRINTA
de J. B. Tanko
No segundo semestre de 1959, os leitores do jornal Última Hora se deliciaram e se escandalizaram diariamente com as aventuras dos personagens de “Asfalto Selvagem”. O folhetim de Nelson Rodrigues tinha sexo, violência e adultérios saindo pelo ladrão. Nesta adaptação, revela-se essa rede de relações perigosas. Há mesmo uma sugestão de atração homossexual disfarçada de violência, o que leva a história para as páginas policiais. Pode ser visto também como uma espécie de crônica do Rio de Janeiro dos anos 1960, na visão do grande dramaturgo moralista. As cenas de abertura, com o calçadão de Copacabana e o trem chegando a Vaz Lobo, fazem a cartografia das classes sociais. A Barra da Tijuca, ainda bastante inexplorada, era o território da evasão e do pecado. O Centro da cidade, com suas lojas e redações de jornal, era onde se dava o comércio de desejos. No papel de Engraçadinha, está Irma Álvarez, uma das musas do cinema brasileiro de então. Nascida na Argentina, Irma foi vedete de Carlos Machado e uma das “Certinhas do Lalau”, concurso de beleza promovido pelo escritor Stanislau Ponte Preta na década de 50. Foi uma atriz dada a ousadias, como protagonizar a primeira fotonovela brasileira, desfilar de biquíni no Copacabana Palace e raspar completamente a cabeça para filmar com Ruy Guerra o inacabado “Cavalo de Oxumaré”. Irma faleceu em 2007, aos 73 anos. A voz de Engraçadinha, no entanto, não é dela, mas de Glauce Rocha, que a dublou (além de atuar no filme).

(1967)
 A DERROTA
de Mario Fiorani
Um homem (Luís Linhares) é aprisionado por um bando, num velho casarão. Procuram-lhe tirar informações. O prisioneiro resiste aos maus tratos e tentativas de persuasão. Sua mulher (Glauce), porém, rende-se às exigências, satisfazendo, inclusive, aos desejos do chefe. O diretor, Fiorani, um italiano radicado no Brasil, era também poeta e escritor. A atmosfera do filme é opressiva e angustiante. Libelo contra a violência e a brutalidade, revela cenas de tortura. Na direção de fotografia, o extraordinário Mário Carneiro. Com Ítalo Rossi e Eugenio Kusnet.

 (1967)
TERRA EM TRANSE
de Glauber Rocha
Contraditório como a própria realidade espelhada, esse filme barroco brilha no lirismo dos diálogos e na beleza plásticas de suas cenas, refletindo a realidade social e o pensamento politico de um tempo. O inquieto Glauber fala de mazelas e incoerências. Glauce faz Sara, uma líder estudantil apaixonada por um poeta atormentado (Jardel Filho). Ainda no elenco, Paulo Autran, Paulo Gracindo, Jofre Soares e José Lewgoy. Censurado, foi premiado em Cannes e ganhou elogios mundo a fora. Glauce levou o premio Governador do Estado (SP) de Melhor Atriz.

(1968)
NA MIRA DO ASSASSINO
de Mario Latine
Criminal modesto. Baseado no romance de Berliet Jr., conta uma aventura policial algo ingênua. Com Agildo Ribeiro, Milton Gonçalves e Paulo Gracindo. Glauce faz Magricela.

(1968)
JARDIM DE GUERRA
de Neville D`Almeida
Primeiro longa-metragem do mineiro D`Almeida, inicialmente interditado pela censura federal. Na trama, Edson, sem dinheiro e sem emprego, recorre a um tipo estranho que tem contato com o submundo. Incumbido de missão, termina nas mãos de uma organização criminosa. Glauce interpreta uma interrogadora neste filme politizado e experimental. Fotografia do lendário Dib Lutfi. Com Joel Barcellos e Zózimo Bulbul.

 (1969)
TEMPO DE VIOLÊNCIA
de Hugo Kusnet
Primeiro filme do argentino Kusnet. Glauce, em participação especial, faz dona Maria da Glória, esposa de um jornalista, que ousada e corajosamente denuncia, através da imprensa, uma quadrilha de contrabandistas e passa a ser perseguido. Fotografia do mestre Ricardo Aronovich. Tônia Carrero é a estrela deste eficiente policial. Por este desempenho, Glauce abiscoitou o Troféu Candango de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Brasília.

 (1969)
INCRÍVEL, FANTÁSTICO, EXTRAORDINÁRIO
de C. Adolpho Chadler
Quatro episódios baseados no programa radiofônico de Almirante e casos relatados no Jornal O Dia. Com Cyl Farney e Sônia Clara.

(1969)
 NAVALHA NA CARNE
de Braz Chediak
Filme de estreia de Chediak, ficaria nas mãos dos censores durante um ano. Filmado logo após o sucesso da peça teatral de Plínio Marcos, fala da relação conturbada de três marginalizados: um faxineiro gay (Emiliano Queiróz), uma prostituta (Glauce) e seu amante rude (Jece Valadão). Como Norma Sueli, Glauce foi elogiada até pelo prestigioso crítico do New York Times, Vincent Canby: “Ela é soberba, demonstra grande personalidade, controle e disciplina, sustentando o melodrama. Lembra Jeanne Moreau”.

(1970)
UM HOMEM SEM IMPORTÂNCIA
de Alberto Salvá
Flávio (Oduvaldo Vianna Filho), filho de um mecânico rude, com recortes de anúncios classificados no bolso, percorre diversos escritórios, em busca de melhor colocação. Amargo e humano, o filme cresce nas duas sequencias em que introduz Selma, a desquitada interpretada por Glauce.

(1971)
DIA MARCADO
de Iberê Cavalcanti
Glauce faz Glória, uma tenente de polícia disfarçada de enfermeira, que se apaixona por um ladrão internado. Fotografia de Jorge Bodansky. Com Leila Diniz.

(1972)
CASSY JONES, O MAGNÍFICO SEDUTOR
de Luiz Sérgio Person
Comédia colorida onde se enfocam as aventuras de um conquistador inveterado, que promove uma série de trapalhadas. Person cria situações cheias de absurdo e non sense, desenvolvendo uma narrativa intencionalmente marcada pelo descompromisso e pelo humor erótico. Inspira-se nas comédias leves do cinema italiano. Glauce faz a zelosa Frida, cuidando a toda hora da integridade sexual de Clara (Sandra Bréa) contra as investidas do protagonista (Paulo José).


SOBRE GLAUCE ROCHA

ANTUNES FILHO
(Diretor Teatral)
“Eu tenho da Glauce assim uma lembrança extraordinária como atriz, porque toda a minha geração considerava a Glauce, ao lado da Cacilda Becker e da Fernanda Montenegro, as três maiores atrizes do país. Mas o que é fundamental dizer é que a inteligência e a sensibilidade da Glauce Rocha eram uma coisa assim, pra mim, estarrecedora, brilhante mesmo, ela era muito inteligente, muito sensível, discutia qualquer assunto, sabia das coisas”

BIBI FERREIRA
(Atriz e Diretora Teatral)
“Era uma mulher sem defeitos para representar. Não tinha truques, não usava lugares comuns. Ela era pura, simples, dedicada ao trabalho. Não busca nunca o brilho narcisístico. Tinha uma voz extraordinária e a usava como ninguém, sem rebuscamentos, sem artifícios”

CLARICE LISPECTOR
(Escritora)
“Como explicar o que aconteceu no palco? (...) A GH surgiu de rosto nu e exposto no palco. A voz falava de uma profundidade que me fez entender então ainda mais o que GH significava para mim. Os gestos de Glauce eram sóbrios, no entanto ela vibrava. E eu, sentada na plateia, fui obrigada a me respeitar: Glauce Rocha tinha feito isso por mim. Ela é uma grande atriz, não só pelo fino talento mas, também, porque é uma grande pessoa”
glauce, clarice lispector e dirce migliaccio
JOSÉ WILKER
(Ator)
“No Rio dos anos 1960, descobri uma companhia teatral incrível, o Grupo Decisão, dirigido pelo Abujamra, onde vi um dos maiores momentos de teatro da minha vida: Glauce Rocha fazendo Electra! Se não me engano, assisti a esse espetáculo umas 40 vezes! O trabalho dessa mulher foi a maior lição de teatro que aprendi na vida”

SÁBATO MAGALDI
(Crítico Teatral)
“Tinha a verdade inata das grandes atrizes. Que se distinguia nela? Lembre-se a elegância e a firmeza de seus movimentos no palco. A expressão corporal dava-lhe um domínio raro em cena. O que mais impressionava nela, porém, era a máscara flexível, cheia de personalidade, que registrava com extrema rapidez os mais desencontrados sentimentos. Uma voz de timbre agradável, que se prestava aos diálogos suaves, adquiria uma autoridade exemplar nos momentos dramáticos”

TÔNIA CARRERO
(Atriz)
“Não sou atriz de talento. Sou uma atriz de trabalho. Tudo que fiz na minha vida foi por determinação. Sei que não nasci tão atriz quanto uma Cacilda Becker ou uma Glauce Rocha”

YAN MICHALSKI
(Crítico teatral)
“Em talento puro, vibração dramática, força de personalidade, ela podia rivalizar com as nossas melhores atrizes. Em dedicação, seriedade de trabalho, garra, consciência de seu papel social de atriz, ela estava um passo à frente de muitas das suas mais famosas colegas. O desaparecimento de Glauce aos 38 anos, tem algo de particularmente chocante e escandaloso, talvez por sentirmos que aquilo que ela tinha para nos dar era bem mais do que o muito que já nos dera”


SAIBA MAIS SOBRE GLAUCE ROCHA

Documentário “A Estrela Anunciada”, de Sônia Garcia. Conta a trajetória da atriz em 51 minutos.

Monólogo “O Belo Indiferente”, de Jean Cocteau, gravado em vinil pela artista em 1967.

Livro “Glauce Rocha, Atriz, Mulher, Guerreira” (1996), de José Octávio Gizzo.






52 comentários:

LFGallego disse...

Quem viu Glauce nos palcos teve um privilegio extraordinario: impossivel esquecer como ela fazia rir em Tartufo, como era versatil em "O Exercicio" e como deixava a plateia impactada como atriz de tragedia (a unica desse nivel que ja tivemos em Electra. Sua morte precoce me frustra ate hoje, mais de 40 anos depois pois nao tivemos nem nas grandes Cacilda e Fernanda uma atriz tao visceral como Glauce.

LFGallego disse...

Quem viu Glauce nos palcos teve um privilegio extraordinario: impossivel esquecer como ela fazia rir em Tartufo, como era versatil em "O Exercicio" e como deixava a plateia impactada como atriz de tragedia (a unica desse nivel que ja tivemos em Electra. Sua morte precoce me frustra ate hoje, mais de 40 anos depois pois nao tivemos nem nas grandes Cacilda e Fernanda uma atriz tao visceral como Glauce.

Adriana Costa disse...

Que fantástica a história dessa mulher! Muito obrigada pela oportunidade de conhecer gente tão gente assim.

Marcelo Castro Moraes disse...

Bela matéria

Jonas Simões disse...

Atuações antológicas e inesquecíveis. Que atriz maravilhosa! Aplausos eternos.

José Miguel Marcarian Júnior disse...

que mulher linda. e que força.

David Goldenberg disse...

me lembro de Glauce, eu um menino mesmo, na Tupi no Sumaré, a Campo Grandensse Glauce que morreu de exaustão por trabalhar com uma paixão desenfreada, linda, forte, brasileirissima, Matogrossensse, olhinhos puxados, inesquecível. Temos pudores com memórias e filmes e peças de nossos astros, que tem coisas lindas em suas vidas. Glauce fazia platéias suspirarem e eu já sabia o que era uma diva. Esteja linda en seu céu, Glauce., com um pé de guavira por perto.

Geber Almeida disse...

Amava!

Jesus Chediak disse...

Gláuce, um amor se pessoa... Além de excelente atriz!

Mariângela Varisco disse...

Eu tive o privilégio e a honra de dividir o palco com ela!!

Gilberto Bezerra de Brito disse...

Uma grande e intensa atriz

João Eudes Piraí disse...

Divina .

ANTONIO BIVAR disse...

Em "O noivo da girafa", com Mazzaropi, divina Glauce.

Nina de Pádua disse...

Excepcional atriz!!!! Eu amava!!! Fonte de inspiração

ANTONIO BIVAR disse...

Em Perto do coração selvagem, de Clarice Lispector, no teatro dirigida pelo grande e tb saudoso Fauzi Arap.

Ana Maria Magalhães disse...

Glauce foi única e de uma linhagem que desapareceu com Isabel Ribeiro

Lígia Werneck disse...

Seu melhor papel foi em NAVALHA NA CARNE, dirigida pelo Braz Chediak. Não sei por que insistem em esquecer, também, este que é um dos maiores filmes do cinema brasileiro em todos os tempos.

Maria Leocoadia disse...

Concordo. É um dos maiores filmes que já vi na vida. Glauce Rocha, Emiliano Queiroz e Jece Valadão dão um show inesquecível. Braz Chediak é um grande cineasta. Glauce Rocha é genial. Assistam NAVALHA NA CARNE e constatem.

Pedro Salada disse...

Glauce Rocha fez algum trabalho com Jardel Filho ?.Vi os dois juntos em um restaurant a anos no Rio.

BRAZ CHEDIAK disse...

Havíamos terminado de filmar NAVALHA NA CARNE e fui para Vassouras dirigir os atores de MEU PÉ DE LARANJA LIMA.
No final de semana, Glauce foi nos visitar. Quando chegou, estávamos fazendo uma cena e resolvi colocar um figurante passando numa esquina, para dar equilíbrio ao quadro. Não tinha figuração.
Então ela se aproximou, toda séria e humilde, e pediu para fazer.
Ponderei que era só uma figuração.... e ela me respondeu: “não faz mal, fica o registro da minha presença no filme!”
Ela fez a cena. Não sei se foi editada. Coisas do cinema daquela época.
MAS MOSTRA BEM QUEM ERA GLAUCE, QUE MULHER QUE AMAVA SUA ARTE, E A TRATAVA COM HUMILDADE E RESPEITO.

Anne Cristielle De Carvalho disse...

Viva a grande Glauce Rocha e a todos os que fizeram esse filme maravilhoso, dirigido pelo Braz Chediak. É preciso lançar ele mais vezes.

Alfredo Sterheim disse...

Que bom ver Glauce Rocha sendo lembrada. Uma atriz admirável que estava nos meus planos dirigir. Uma pessoa doce, incrível. Acho que sim, ela teve um caso com Jardel Filho. ,

ANTONIO BIVAR disse...

Teve, sim.

ANTONIO BIVAR disse...

Mas não foram felizes. Jardel, maracilhoso, Alfredo Sternheim, não era fácil. E adoro o teu livro da Dulce Damaceno de Brito.
Jardel era muito temperamental. Diz que uma vez ele jogou Miriam Persia, com quem tava casado, vestida, na piscina.

Roberto Francovalente disse...

Minha maior emoção em teatro até hoje foi vê-la em Electra, nos anos 1960.

Atualpa Frota disse...

Uma das melhores atrizes brasileiras !

Júlia Favaron Magoulas disse...

não esqueço o trabalho da atriz na peça "o exercício", no teatro glaucio gil.

Ivo Andrade disse...

Tenho os DVDs da novela Irmãos Coragem, em que ela interpretou Estela. Acredito que um dos últimos trabalhos dela...

disse...

Lembro-me muito bem de Glauce em Terra em Transe. Não sabia nada sobre a vida tão intensa e dedicada à arte!
Abraços!

Antonio Francovalente disse...

Minha maior emoção em teatro até hoje foi vê-la em Electra, nos anos 1960.

Jorge Gomes disse...

Uma atriz e tanto!

Eleonora Rocha Guedes Martins disse...

E um ser humano maravilhoso! Amiga, parceira, solidária... E fez a diferença politicamente, defendendo a democracia.

Jorge Gomes disse...

Alguém se lembra de uma peça chamada" Soraia Posto 6," com a Glauce?

BRAZ CHEDIAK disse...

Ôi, Jorge Gomes. A peça era SORAIA POSTO DOIS, com Glauce e Jece Valadão. O autor era o Pedro Block. Houve outra que era POSTO 6, mas não me lembro do nome do autor, do diretor e dos atores. Creio que o título era: COPACABANA POSTO 6", mas não tenho certeza.

Luis Francisco Wasilewski disse...

Magnífica Glauce Rocha.

Elisa Araújo Rocha disse...

Aplausos eternos para a Glauce.
Brasil é um país de difícil memória.

Teca La Macchia disse...

INESQUECÍVEL....

JOEL DIAS BARCELLOS disse...

SAUDOSA COLEGUINHA, TRABALHAMOS EM "PEDREIRA DE SÃO DIOGO" E "JARDIM DE GUERRA, SENSIBILIDADE A FLOR DA PELE, VIVA EM MINHA MEMÓRIA!!!! ONDE ESTIVER JAMAIS SERÁS ESQUECIDA!!!!!

Mariângela Varisco disse...

Jamais, Joel querido! Fui "filha" dela em "O Milagre de Ana Sullivan", em 1961, e, depois de 54 anos, ainda tenho na memória o misto de força e doçura que moravam em seu olhar. Grata por essas lembranças!

Adriana Costa disse...

Muito obrigada pela oportunidade de conhecer essa história tão extraordinária!!

José Araripe Jr. disse...

Glauce, Glauce...

EVA LIMA disse...

Ah Antonio Nahud.....vc sempre nos trazendo imgens bárbaras...gerando comentarios bacanas..

Celina de Freitas disse...

Inesquecível!!!!

JOEL DIAS BARCELLOS disse...

Ela morreu há 17 anos de um infarto e seu nome hoje está em praças, teatros - inclusive o que pertence à Fundação Nacional das Artes Cênicas e outros locais. Em Curitiba, por iniciativa de Antônio Carlos Guerber, quando diretor artístico da Fundação Teatro Guaíra, deu nome à biblioteca do antigo Curso de Arte Dramática mantido por aquela instituição. Glauce Rocha, mais do que uma atriz, foi um marco no teatro brasileiro dos anos 50 a 60.

POLA RIBEIRO disse...

Linda. Joel Pizzini tem um belo filme chamado Glauces

Eleonora Rocha Guedes Martins disse...

Aqui em Campo Grande, cidade natal dela, onde vivo, há um acervo doado pela família e amigos. Está no MIS. E também tem o Teatro Glauce Rocha, em pleno funcionamento, na Universidade Federal, UFMS. Gostaria de fazer mais... Talvez, preparar para agosto, seu mês natalino, um dia de filme com ela... Brasil afora, onde alguém lembra e puder ajudar a fazer...

José Rocha disse...

A expressiva interpretação no filme (A Navalha na Carne)

Rochelle Maxwell disse...

Gran atriz e gran mulher

Magda Miranda disse...

Infelizmente o Brasil não tem memória. Uma pena!

Jorge Domingos de Freitas disse...

Uma grande atriz... vi em Teatro , Cinema e TV...

Luiz Barbosa disse...

Vi varias novelas 1 peça de teatro e conheço o teatro Glauche Rocha no Rio.

Mariza Ferreira Dourado disse...

É um País sem memória mesmo.