outubro 30, 2014

***************** 17 PROFESSORES, COM CARINHO

sandy denis em "subindo por onde se desce"
Faz tempo que planejo escrever esse post. Tenho inúmeros e queridos amigos professores, além de apreciar esse profissional valoroso como protagonista de filmes. Nesse especial, vamos dialogar com 17 filmes sobre professores que fizeram de tudo para educar os seus alunos, mesmo diante de enfrentamentos do sistema e razões pessoais diversas. Alguns, a história é outra, mas não deixam de ser marcantes. 

Numa seleção sempre fica um ou outro de fora. Não significa que outras opções não sejam importantes. O painel de filmes sobre este profissional é extenso e torna-se complexo abordá-lo nesse pequeno espaço. Como habitualmente, minhas listas são pessoais e raramente ultrapassam a década de 1970. Destacam, principalmente, os clássicos. Nessa lista, 17 títulos interessantes, alguns inesquecíveis, nos quais esse profissional fundamental na vida de todos é o eixo da história. 

Eu tive vários professores brilhantes. E você, teve um (a)? Conto com os seus comentários após a leitura. Vote nos seus preferidos e conte pra gente se faltou algum.

ROBERT DONAT: Mr. Chips
em ADEUS MR, CHIPS
(Goodbye Mr. Chips, 1939), de Sam Wood.



Na década de 1920, Arthur "Chips" Chipping é o dedicado e severo professor de latim de uma tradicional escola inglesa. Ele se casa com uma jovem atriz de musicais, Katherine Bridges (a inglesa Greer Garson, no papel que a levaria ao estrelato, lançada em Hollywood como a “Nova Garbo”), que deixa o palco para ser sua esposa e acaba conquistando os alunos com sua alegria e espontaneidade. Ela também transforma o marido, que vai deixando de ser tão intransigente e passa a ser admirado por todos. Esta é a primeira das quatro vezes em que o livro de James Hilton foi adaptado às telas. As posteriores, também com o mesmo título, foram produzidas em 1969, 1984 e 2002, sendo que as duas últimas foram feitas para a TV. O inglês Donat levou o Oscar de Melhor Ator.

MARTHA SCOTT: Ella Bishop
em DONA DE SEU DESTINO
(Cheers for Miss Bishop, 1941), de Tay Garnett



Dedicada professora sofre quando seu amado noivo foge com sua prima (Mary Anderson). Mas a rival morre no parto e sua filha é deixada para ser cuidada pela professora. Excelente atuação de Martha Scott, uma atriz das melhores que nunca chegou ao estrelato.

BETTE DAVIS: Miss Lilly Moffat
em O CORACAO NAO ENVELHECE
(The Corn is Green, 1945), de Irving Rapper



A professora Lily Moffat se revolta com as condições nas quais um povoado do país de Gales é governado e decide montar uma escola para os habitantes. No entanto, as autoridades governamentais se opõem ao projeto e a impedem de encontrar um local propício para a instituição. Outra soberba atuação de Davis, sem qualquer glamour. Katharine Hepburn faria o remake dos anos 1970.

MICHAEL REDGRAVE: Andrew Crocker-Harris
em NUNCA TE AMEI
(The Browning Version, 1951), de Anthony Asquith



Após lecionar 18 anos em uma escola preparatória na Inglaterra, Andrew Crocker-Harris, um enérgico e pouco amigável professor de latim e grego, é forçado a se aposentar. O pretexto é que sua saúde não está boa. Além disso, Andrew é visto pelos alunos como "Hitler" e seu casamento está no fim, pois Millie (Jean Kent), sua esposa , lhe é infiel com Frank Hunter (Nigel Patrick), outro professor. Texto afinado de Terence Rattingan e expressiva atuação de Michael Redgrave, pai de Vanessa e Lynn, levando o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes

ROSALIND RUSSELL: Miss Rosemary Sydney
em FÉRIAS DE AMOR
(Picnic, 1955), de Joshua Logan



Hal Carter (William Holden, no auge da sedução) é um viajante errante, que chega em uma pequena cidade do Kansas para visitar e tentar conseguir emprego com um rico colega de faculdade, Alan (Cliff Robertson). Porém ele conhece e se apaixona por Madge Owens (Kim Novak), a linda namorada de Alan. Quando a mãe da jovem sente que esta paixão é correspondida entra em desespero. Hal, com seu jeito aventureiro, exerce um fascínio sobre as mulheres locais, inclusive a professora solteirona Rosemary (sensacional Rosalind Russell), que está interessada em um comerciante local. Na famosa cena da dança, ela se sente atraída pelo estranho e provoca um escândalo. Baseado na peça teatral homônima de William Inge, vencedor do Prêmio Pulitzer.

SIMONE SIGNORET: Nicole Horner
em AS DIABÓLICAS
(Les Diaboliques, 1955), de Henri-Georges Clouzot



Michel Delassalle (Paul Meurisse) é o sádico diretor da escola de Christina (a brasileira Vera Clouzot), sua esposa. Ele tem um caso com Nicole, uma professora que tem sido sua amante há muito tempo. Entretanto, ele a trata tão mal quanto sua própria esposa, assim, as duas resolvem se unir contra ele e, juntas, elaboram um plano para eliminar seu tormento. Adaptação do romance policial de Pierre Boileau e Thomas Narcejac. A dupla é responsável também pelo livro que originou "Um Corpo que Cai / Vertigo" (1958). Hitchcock tentou comprar os direitos, mas Clouzot foi mais rápido. Um clássico genial, Prix Louis Delluc de Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York.

JENNIFER JONES: Miss Dove
em O OCASO DE UMA ALMA
(Good Morning, Miss Dove, 1955), de Henry Koster



Internada em um hospital, uma rígida professora reflete sobre sua trajetória profissional e seus alunos. Solitária, só conta com a visita dos ex-alunos.

GLENN FORD: Richard Dadier
em SEMENTES DA VIOLENCIA
(Blackboard Jungle, 1955), de Richard Brooks



Na ousada trama para a década de 1950, Richard Dadier (Glenn Ford em um desempenho inesquecível, digno de Oscar) é um veterano de guerra expulso do exército e recém contratado pela escola North Manual, no subúrbio de Nova York, para ensinar inglês. Idealista, encara bravamente as gangues que dominam a instituição e ameaçam as mulheres que lá trabalham – a tentativa de estupro de uma delas na biblioteca é chocante. Ele pensa em desistir várias vezes, mas segue em frente, mesmo com o desinteresse dos colegas, que chamam os estudantes de animais. Um dos maiores problemas do mestre é lidar com o jovem irlandês Artie West (Vic Morrow), líder dos rebeldes envolvido com bebedeiras e roubo de automóveis. Dadier prova que, mesmo pagando um alto preço, a responsabilidade de educar fala mais alto, até mesmo quando sua esposa grávida é aterrorizada por West. Quem rouba a cena é Sidney Poitier, que faz um líder rebelde que acaba por se redimir – no filme, ele tem convincentes 17 anos, na vida real, 28. No Brasil, o filme provocou uma reação curiosa: quebradeiras em salas de cinema de todo o país, por adolescentes impressionados com o grau de rebeldia e agressividade dos personagens e por causa da música, o rock.

DORIS DAY: Erica Stone
em UM AMOR DE PROFESSORA
(Teacher's Pet, 1958), de George Seaton



Em Nova York, James Gannon (impecável Clark Gable), editor do jornal Evening Chronicle, nunca cursou o 2º grau e acredita que a única forma de aprendizado é a escola da vida. Assim manda uma carta ríspida ao "professor" Stone, quando este o convida para dar uma palestra na faculdade. Porém, seu chefe lhe explica que se trata de uma professora e o obriga a pedir desculpas, pois ele é membro do conselho da faculdade. Assim, Gannon tenta consertar a situação, mas antes que possa fazer qualquer coisa vê a carta que ele tinha enviado ser lida pela professora Erica Stone, que o ridiculariza. Ele se sente atraído e se torna um aluno dela, sem revelar sua identidade. Partindo de um bom roteiro, Seaton realiza uma ótima comédia romantica, no que é ajudado por um elenco de primeira linha. Apesar da diferença de idade, 23 anos, Clark Gable e Doris Day demonstram uma grande química em cena.

AUDREY HEPBURN: Karen Wright
em INFÂMIA
(The Children's Hour, 1961), de William Wyler



Duas professoras (magistrais Shirley MacLaine e Audrey Hepburn) de uma escola particular têm suas vidas viradas do avesso quando uma das crianças denuncia um sentimento um pouco maior que amizade entre as duas. A avó da garota, poderosa na cidade, trata de espalhar a história e fazer com que todos se voltem contra as pecadoras. Ainda em 1936, apenas dois anos após a estreia da peça de Lillian Hellmann, que deu origem aos filmes, o mestre William Wyler dirigiu a história pela primeira vez, mas a roteirista teve que fazer tremendas concessões à censura da época (nos anos 30, o Código Hays, que estabelecia o que podia e não podia ser mostrado nos filmes, imperava, e era absolutamente rígido). Como diz o livro “The United Artists Story”, “de acordo com Hollywood, homossexualismo não existia na América até os anos 60, e por isso These Three foi despojado de seu tema de lesbianismo”. Esta versão é mais audaciosa, com a surpreendente e lendária cena de Shirley MacLaine declarando seu amor frustrado por Audrey. Comovente.

LAURENCE OLIVIER: Graham Weir
em MENTIRA INFAMANTE
(Term of Trial, 1962), de Peter Glenville



O professor, Graham Weir, devido ao seu jeito tímido e reservado, é tratado com desdém por seus colegas, seus alunos e sua esposa. Uma de suas alunas, Shirley Taylor (Sarah Miles, estreando no cinema muito bem), é a única que aprecia seu jeito, aproximando-se. O professor passa a dar aulas particulares para Shirley, que cada vez mais se encanta por ele. A garota termina expondo seus sentimentos e propondo sexo. No entanto, Shirley o acusa de estrupo, a fim de destruir o que resta de sua vida.  Sir Laurence Olivier, com 54 anos, e Sarah Miles, com 19 anos, tiveram um caso durante as filmagens. A personagem Shirley Taylor ia ser interpretada por Natalie Wood, mas a atriz não queria ficar o tempo necessário para as filmagens fora do seu país. Olivier foi indicado ao BAFTA de Melhor Ator.

ANNE BANCROFT: Annie Sullivan
em O MILAGRE DE ANNIE SULLIVAN
(The Miracle Worker, 1962), de Arthur Penn



A incansável tarefa de Anne Sullivan, uma professora, ao tentar fazer com que Helen Keller (Patty Duke), uma garota cega, surda e muda, se adapte e entenda (pelo menos em parte) as coisas que a cercam. Para isto entra em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha e a mimaram, sem nunca terem lhe ensinado algo nem lhe tratado como qualquer criança. Oscar, BAFTA e National Board of Review de Melhor Atriz. Refilmado duas vezes, ambas para a televisão, em 1979 e 2000. Patty Duke, que interpreta a garota Helen Keller, interpretou a própria Anne Sullivan na primeira refilmagem.

SANDY DENNIS: Sylvia Barrett
em SUBINDO POR ONDE SE DESCE
(Up the Down Staircase, 1967), de Robert Mulligan



Uma jovem professora de literatura, Sylvia Barret, chega a Calvin Coolidge cheia de ideias e entusiasmo. Mas, pela sua falta de experiência comete alguns deslizes, que irão atrapalhar seus planos em transformar o comportamento de seus alunos. Dos filmes que retratam o relacionamento entre jovens desordeiros e docentes, esse é um dos maiores representantes do gênero. Bela obra cinematográfica, baseada no romance de Bel Kaufman e filmada nos subúrbios de Nova York. Influenciou um grande número de cineastas a realizarem filmes sobre o tema. Sandy Dannis, no auge de sua carreira, tem atuação antológica, levando o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Moscou.

SIDNEY POITIER: Mark Thackeray
em AO MESTRE, COM CARINHO
(To Sir with Love, 1967), de James Clavell



O negro Mark Thackeray é engenheiro, mas fica desempregado e resolve dar aulas em Londres, ensinando alunos brancos em uma escola no bairro operário de East End. Mas se depara então com adolescentes indisciplinados e desordeiros, e que estão determinados a destruir suas aulas. Só que ele, acostumado com hostilidades, não se amedronta e enfrenta o desafio de ensinar uma turma de baderneiros. Ao receber um convite para voltar a atuar como engenheiro, ele tem que decidir se pretende seguir como mestre ou voltar ao antigo cargo. O filme foi inesperadamente bem nas bilheterias. Judy Geeson e Lulu se reuniriam novamente com Sidney Poitier na sequência para a televisão, “To Sir, With Love II”, dirigida por Peter Bogdanovich. A África do Sul baniu o filme, alegando que era "ofensivo ver um homem negro ensinando uma classe de crianças brancas".
                                                                                     
MAGGIE SMITH: Jean Brodie
em PRIMAVERA DE UMA SOLTEIRONA
(The Prime of Miss Jean Brodie, 1969), de Ronald Neame



Uma professora em uma escola para meninas inspira suas alunas com suas ideias sobre arte, música e política, sendo que a última é baseada em noções românticas, que a levam a expressar sua admiração pelo fascismo na Itália. Amorosamente envolvida com Teddy Lloyd (Robert Stephens), professor que se dedica à pintura, Jean tem um pequeno círculo social de alunas que a adoram. Paralelamente, a senhorita MacKay (Celia Johnson), a séria diretora da escola, desaprova a influência de Jean, tendo suspeitas sobre a impropriedade das ações da professora. Oscar e BAFTA de Melhor Atriz.

ALAIN DELON: Daniele Dominici
Em A PRIMEIRA NOITE DE TRANQUILIDADE
(La Prima Notte di Quiete, 1972), de Valerio Zurlini



No início dos anos 70, um angustiado professor de literatura, em crise no casamento, se envolve afetivamente com uma de suas alunas, numa tentativa de preencher o vazio existencial de sua vida. Conhecido como "O Poeta da Melancolia", Zurlini teve uma carreira no cinema de apenas oito filmes; mas, de extrema qualidade. Esta obra-prima se tornou um marco na prolífica carreira de Delon, cuja atuação brilhante lhe rendeu excelentes elogios da crítica. Zurlini apresenta neste filme ecos de um movimento influente naquela época: o existencialismo. Filósofos como Albert Camus e Sartre escreveram sobre homens que vivem sem rumo, nômades ateus que escondem seu passado e ignoram seu futuro. E essas características definem o protagonista Dominici, um intelectual introvertido, cuja psique casa perfeitamente com o ideal do existencialismo. Maravilhoso sob todas óticas, um filme inesquecível e indispensável.

JON VOIGHT: Pat Conroy
em CONRACK
(Idem, 1974), de Martin Ritt 



Numa pequena ilha na Carolina do Sul (EUA), vive uma comunidade negra praticamente isolada do mundo. Em 1969, chega um novo professor à escola local, branco, recebido de modo pouco amistoso pela diretora negra. Logo na primeira aula, ele percebe a falta de repertório das crianças, não somente em relação ao conhecimento escolar como também em relação à vida. Conrack (esse é o nome que os estudantes adotam para o professor, pois não sabem pronunciar a última sílaba do nome irlandês!) apresenta esse problema para a diretora, que responde de forma incisiva: "Crianças negras são lentas, elas só entendem o chicote e… querem o chicote!". Aos poucos, Conrack conquista a confiança dos alunos e também da comunidade, resgatando a autoestima de muitos. Retrato sensível das mudanças sociais nos EUA no final dos anos 1960, com a Guerra do Vietnã e a luta pelos direitos civis das minorias negras.


Um comentário:

Prof. Gustavo Atallah Haun disse...

Tonho

Acrescente aí também o excelente A Caça e também Sociedade dos Poetas Mortos. Valem a pena, sem falar de dois reais, o americano Escritores da Liberdade, e o chinês Nenhum a Menos.

Abraços,

Gustavo A. Haun