janeiro 10, 2011

******** F. SCOTT FITZGERALD em HOLLYWOOD

f. scott fitzgerald


 
Um dos meus escritores bem-amados, figura trágica e romântica, F. SCOTT FITZGERALD (1896 - 1940. Saint Paul, Minnesota / EUA), morreu em Hollywood, Califórnia, com a reputação arruinada graças ao alcoolismo. Entre 1920 e 1940, publicou quatro romances, 160 contos e alguns fragmentos de autobiografia. Trabalhou em uma dúzia de roteiros para ganhar dinheiro; ganhou dinheiro, mas não se deu bem no mundo do cinema. Em 1927 entrou em contato pela primeira vez com o lugar onde iria viver e morrer, contratado pela United Artists para escrever um roteiro original para a estrela Constance Talmadge. Ofereceram um adiantamento de 3.500 dólares e 12.500 mais, caso aceitassem o roteiro. “Batom”, a fraca história que escreveu, terminou rejeitada pelo estúdio, principalmente depois da briga do escritor com a atriz protagonista. Ele ficou sem receber o pagamento adicional, e em dois meses de estadia gastou muito mais em Hollywood do que ganhou. Sem resistir à tentação da magia e do dinheiro, em 1931 voltou a Hollywood por um período de cinco semanas para adaptar a comédia picante “A Mulher Parisiense dos Cabelos de Fogo / Red-Headed Woman”, na Metro-Goldwyn-Mayer. O roteiro também não foi aproveitado e tudo terminou com um escândalo numa festa na mansão de Irving Thalberg e Norma Shearer, onde Fitzgerald fez besteira com um espetáculo cômico de bêbado. Mesmo com os amargos fracassos do passado, o esgotamento nervoso e a insegurança, arriscou novamente em 1937, cavando um contrato de seis meses na M-G-M. Com um salário semanal de mil dólares, era um dos roteiristas mais bem pagos, mesmo sendo incapaz de escrever por encomenda para o cinema e recebendo apenas crédito nos letreiros de um único filme. Claramente incompatível com muitos dos filmes que lhe entregaram, não conseguiu finalizar a colaboração com os roteiros de Um Ianque em Oxford / A Yank at Oxford” (1938), “Maria Antonieta / Marie Antoinette” (1938) e “E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939). Seu único trabalho significativo foi a adaptação do romance antinazista de Erich Maria Remarque, “Três Camaradas / Three Comrades” (1938). Mesmo assim teve diversas pelejas com o produtor Joseph L. Mankiewicz e a estrela do filme, Margaret Sullavan, protestou contra os diálogos muito literários, dizendo não conseguir interpretar as falas.

jennifer jones e jason robards 
em “suave é a noite”
Com o sucesso de “Três Camaradas”, se envolveu com vários roteiros, entre eles “As Mulheres / The Women” e “Infidelidade”, que seria protagonizado por Joan Crawford. O primeiro passou para outras mãos e o segundo nunca foi filmado. Em 1939, com a M-G-M deixando de renovar seu contrato, fez free-lancers em outros estúdios, enquanto procurava concluir “O Último Magnata”, sobre os bastidores da Meca do cinema. Mas o romance ficou inacabado. A mais sórdida e calamitosa experiência de Fitzgerald como roteirista ocorreu em 1939 quando foi contratado pelo poderoso produtor Walter Wanger. Ao fazer pesquisa de campo em Hanover, o escritor mergulhou numa jornada alcoólica, escrevendo muito pouco do roteiro. Foi despedido, ficou gravemente doente e nunca conseguiu outro emprego em um estúdio cinematográfico. Apesar de continuar tentando, terminava brigando com a maioria dos produtores e todos os projetos de filmes que apresentou foram rejeitados. Esmagado pelo sistema e pelo vício, o talentoso F. SCOTT FITZGERALD não fez o seu melhor no cinema. Depois de sua morte realizaram-se vários filmes com base em suas obras, incluindo “O Grande Gatsby / The Great Gatsby” (1949); “A Última Vez Que Vi Paris / The Last Time i Saw Paris”, adaptado de “Babilônia Revisitada”, em 1954; “Suave é a Noite / Tender is the Night”, em 1962; “O Grande Gatsby / The Great Gatsby”, em 1974; e “O Último Magnata / The Last Tycoon”, em 1976.

FONTE
“Scott Fitzgerald – Uma Biografia”, de Jeffrey Meyers e “De Fato e De Ficção – Ensaios Contra a Corrente”, de Gore Vidal.

“a última vez que vi paris”

3 comentários:

magno camargo disse...

parabens pelo trabalho que tens feito

Leandro Afonso Guimarães disse...

Antonio,

O Fitzgerald literário é das lacunas que me fazem corar. Sou louco para conhecê-lo mais. Não sabia (ou não lembrava?) da parte de E O VENTO LEVOU.

Que bom que o blog voltou!

Unknown disse...

A primeira é de 1927, eu tenho a segunda também em preto e branco década de 40 , com Allan Lad e as 2 últimas com Redford e Do Caprio