janeiro 11, 2011

******* O DIRETOR FAVORITO DE GRETA GARBO


greta garbo e john gilbert em "a carne e o diabo"
Submisso aos propósitos e à estética de um poderoso estúdio – Metro-Goldwyn-Mayer -, CLARENCE BROWN (1890-1987) dirigiu as estrelas mais populares de sua época – Greta Garbo e Clark Gable em sete filmes, Joan Crawford, Rudolph Valentino, Norma Shearer, Myrna Loy, John Gilbert, Dolores Del Rio, John Barrymore, Ramon Novarro, Ronald Colman, Spencer Tracy, Jean Harlow, Robert Taylor, Irene Dunne, Katharine Hepburn, James Stewart, Gene Tierney etc. – procurando sempre contar uma história da melhor maneira possível, com vistas sobretudo ao sucesso comercial. Sensato, entendia os atores, respeitando os seus sentimentos e, muitas vezes, incorporando suas sugestões em cena. Realizador romântico e sentimental, dotado de muito bom gosto e notável senso plástico, enriqueceu os variados temas que compõem sua filmografia com momentos privilegiados de mise-em-scène. Pelo estilo límpido e elegante e pela beleza visual de suas imagens, tornou-se um dos diretores mais refinados de Hollywood. Ele tinha habilidade para tratar de personagens femininas, senso de estrutura dramática e preocupação pelos detalhes.

Nascido em Clinton, Massachussetts, começou como assistente do famoso Maurice Tourneur, ainda no cinema mudo. Seu primeiro filme foi “Mulheres Levianas/Foolish Matrons” (1920) e o último, “O Veleiro da Aventura/Plymouth Adventure” (1952). Rico, devido a investimentos imobiliários, aposentou-se aos 63 anos. Na década de 1970, fez inúmeras palestras sobre o seu ofício no circuito de festivais de cinema, em parte graças à sua conexão com Garbo. Esta costumava dizer que ele era o seu diretor favorito. Dirigiu 53 filmes, sendo indicado ao Oscar por 6 vezes, mas nunca chegou a ganhá-lo: em 1930, “Anna Christie”; novamente em 1930, “Romance”; 1931, “Uma Alma Livre”; 1943, “A Comédia Humana”; 1945, “A Mocidade é Assim”; e 1946, por “Virtude Selvagem”. CLARENCE BROWN costuma dizer que “A Comédia Humana” era o seu filme predileto: “Cada cena saiu direto do meu coração”. No entanto, o mais ousado foi “O Mundo Não Perdoa”, um libelo contra o preconceito racial baseado numa novela de William Faulkner. Morreu de problemas no rim, beirando os 100 anos.

clarence brown
Os dez melhores filmes de CLARENCE BROWN:

O ÁGUIA/The Eagle (1925)
Um tenente cossaco (Rudolph Valentino) torna-se defensor dos pobres e oprimidos, e jura vingança contra um usurpador dos bens de sua família, mas se enamora pela filha deste (Vilma Banky).

A CARNE E O DIABO/Flesh and Devil (1926)
Dois amigos de infância (John Gilbert e Lars Hanson) se apaixonam por uma mulher casada (Greta Garbo). O marido dela descobre o idílio, trava-se um duelo e ele morre. Um dos amigos parte em missão no exterior, o outro fica consolando a viúva. Três anos depois, o outro volta, reacendo o triângulo amoroso e ameaçando uma velha amizade.

ANNA CHRISTIE/idem (1930)
Prostituta (Greta Garbo) se apaixona por um marujo (Charles Bickford). Ao saber de sua vida passada, ele a abandona.

ANNA KARENINA/idem (1935)
Na Rússia de 1897, aristocrata casada e infeliz (Greta Garbo) torna-se amante de um conde (Fredric March) e, apesar do afeto pelo filho (Freddie Battholomew), abandona o lar.
Melhor Filme Estrangeiro no Festival de Veneza


FÚRIAS DO CORAÇÃO/ Ah! Wilderness (1935)
O dia-a-dia de uma família do interior da Nova Inglaterra, por volta de 1906. Com Wallace Beery, Lionel Barrymore e Mickey Rooney.

INGRATIDÃO/Of Human Hearts (1938)
O filho (James Stewart) de um pregador religioso (Walter Huston), cirurgião durante a Guerra Civil, esquece suas raízes e afinal se redime.

E AS CHUVAS CHEGARAM/The Rains Came (1939)
Médico indiano (Tyrone Power), que se dedica aos necessitados, relaciona-se com uma fútil aristocrata inglesa (Myrna Loy) e seu grupo, quando ocorre um terremoto.

A COMÉDIA HUMANA/ The Human Comedy (1943)
A vida de uma família em cidadezinha interiorana durante a Segunda Guerra Mundial. Com Mickey Rooney, Van Johnson, Donna Reed e Robert Mitchum.

VIRTUDE SELVAGEM/ The Yearling (1946)
Filho único (Claude Jarman, Jr.) de um casal de fazendeiros (Gregory Peck e Jane Wyman), habitantes de um lugar ermo na Flórida, vive em comunhão com a natureza até entrar em choque com a cruel realidade da vida.

O MUNDO NÃO PERDOA/Intruder in the Dust (1949)
Numa cidade do Sul dos EUA, um negro (Juano Hernandez) é acusado do assassinato de um branco. Preso e ameaçado de linchamento, encontra apoio em um garoto branco (Claude Jarman, Jr.), que procura prova que o inocente.

(Fonte: “Os Profissionais de Hollywood, Vol.6: Capra, Cukor e Brown”, de Allen Estrin, e “Cinemin”)

otto kruger e joan crawford dirigidos por clarence brown

9 comentários:

Kley disse...

Virtude Selvagem é o clássico infantil de minha infância. Belo e trágico, é uma verdadeira obra-prima.

JAMIL J. LANDIM disse...

Ele era um diretor fraquinho. A Garbo trabalhou com outros bem melhores. Feyder, Mamoulian, Lubstich, Cukor. Mas confesso que sou apaixonado por "Virtude Selvagem". É uma obra prima.

siby13 disse...

Considero um poeta visual do cinema clássico, adoro seus filmes e a forma como ele retrata a GRETA.
Tenho um documentário em que ele fala dela e se vê paixão em suas palavras e em seus olhos.
Já ví grande parte de sua filmografia.
Um dos que mais gosto é " Edison, o Mago da luz", com Spencer Tracy.
Sou louca para ver "Redimida" com Joan Crawford & Robert Montgomery.
Também aprecio muito "Virtude Selvagem".

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Também admiro Clarence Brown, Sibely. Ele era competente e tinha um extremo bom gosto.
Também nunca vi REDIMIDA. A Crawford com o Montgmory deve ser tudo de bom. Gosto muito de EDISON, O MAGO DA LUZ. O Spencer Tracy está ótimo.

annastesia disse...

E essa parceria foi mesmo inspiradíssima. A carne e o diabo e Anna Karenina são os que mais gosto.

Danielle disse...

Oi, Antonio!

Hoje passo por aqui rapidinho (voltei de viajam ao meio dia e estou dando uma ordem nas coisas). Respondi sua pergunta lá no comentário do meu blog (quer dizer, a uma parte da pergunta). Esqueci de falar sobre o Clarence Brown. Hoje ele é quase que um desconhecido, né? Nos anos 20 e 30 era um dos melhores diretores de cinema. Uma coisa engraçada: eu estava vendo uma entrevista bem recente com Mickey Rooney. Perguntado sobre seu diretor preferido, ele, que tem 80 anos de carreira, afirmou: "sem sombra de dúvida, o Clarence Brown".

Eu adoro como Brown dirige a Greta Garbo. Ele é um dos principais responsáveis por construir a imagem de mulher exótica, misteriosa e inatingível que tanto nos fascina nela. Acho "A carne e o diabo" uma maravilha. Escrevi um artigo sobre a recepção do filme no Brasil (mando o link pra você quando ele sair publicado online).

No meu blog há um post sobre "A carne..." e também sobre o "Romeu e Julieta" com a Norma Shearer. Olha só:

http://ofilmequeviontem.blogspot.com/2009/11/greta-garbo-e-alla-nazimova-duas-vamps.html

http://ofilmequeviontem.blogspot.com/2009/08/romeu-e-julieta-de-george-cukor.html

Logo, logo passo por aqui com mais calma!

Bjos
Dani

PS: Pra fazer o índice é só entrar no "design" do blog, "adicionar um gadget" e em "marcadores". Porém, para isso é necessário que dentro de cada post você insira palavras chaves, pois são elas que aparecem nos marcadores. Se tiver dúvida, me escreva!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Gosto muito da "Anna Karenina" de Brown, Anastesia. O elenco está em estado de graça (Garbo, Fredric March, Rathbone, Bartholomew etc.)e a obra é bem fiel a Tolstoi.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Dani, o Mickey Rooney fez grandes filmes com Brown: "Fúrias do Coração", "A Comédia Humana", "A Mocidade é Assim" etc.
Quanto aos seus posts, já os tinha lido. São ótimos como tudo o que vc escreve.

Faroeste disse...

Jamais consegui ver um filme completo com Garbo. E com toda sinceridade; não tornarei a tentar. Acho-a sem sal, muito ruim interprete, amasculinizada, sem a tão decantada beleza e muito mais.
Quanto a Clarence Brown ele é um tanto quanto fora de meu tempo, já que chegou até a dirigir filmes mudos. No entanto, cheguei a ver um filme dele que foi Virtude Salvagem. Um belissimo pequeno espetáculo com Peck e Wyman. Um filme humano, belo e com momentos que somente o cinema nos oferta.
jurandir_lima@bol.com.br