novembro 14, 2012

****** EDWARD G. ROBINSON, o COLECIONADOR



 
Ele traduzia seu entusiasmo insaciável de colecionador como “obsessão”. Começou com figurinhas de jogadores de beisebol, prosseguiu com postais de atrizes de teatro/music hall, seguiu com caixas de charutos, cachimbos e livros (apreciando especialmente ensaios e biografias), chegando ao ápice com uma valiosa coleção de arte, cobiçada principalmente por inúmeras obras de impressionistas franceses. Quando morreu, os oitenta e oito quadros que EDWARD G. ROBINSON (1893 - 1973. Bucareste / Romênia) possuía foram vendidos por mais de cinco milhões de dólares. Em 1971, eles estamparam a publicação “Edward G. Robinson's World Of Art”, com textos do autor de sua autobiografia, “All my Yesterdays”, Leonard Spigelgass, e de sua esposa, além de ilustrações de algumas telas pintadas pelo ator. 

O fabuloso acervo pictórico incluía pinturas de Paul Cézanne, Marc Chagall, Jean-Baptiste-Camille Corot, Degas, Eugène Delacroix, Henri Matisse, Claude Monet, Berthe Morisot, Pablo Picasso, Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Georges Rouault, Georges Seurat, Vincent van Gogh e Grant Wood, entre outros. Em 1956, ele foi forçado a vender parte dessa coleção, uma das maiores do mundo de propriedade privada, para firmar o acordo de divórcio com sua esposa, a atriz Gladys Lloyd. Mesmo assim, restou um precioso lote para a segunda mulher, Jane Adler, depois da sua morte.
 
Nascido em uma família judaica que se mudou para os Estados Unidos no início do século XX, notabilizou-se por personagens desagradáveis ​​e violentos envolvidos no submundo, tornando-se o primeiro astro de Hollywood a fazer sucesso interpretando esse tipo de papel, marcando um estilo que seria seguido por Paul Muni, James Cagney, George Raft e Humphrey Bogart. Baixinho, feio, sofisticado, culto e excelente intérprete, acumulou fortuna e prestígio. 

Atuou em clássicos das décadas de 30, 40 e 50 - como “Alma no Lodo” (1931), “Pacto de Sangue” (1944), “Almas Perversas” (1945), “Paixões em Fúria” (1948) e “Os Dez Mandamentos” (1956). Em 1973, seis meses após o seu falecimento, a Academia de Cinema de Hollywood concedeu-lhe um Oscar póstumo, “como ator memorável, patrono das artes, dedicado cidadão, enfim, um homem renascentista”

EDWARD G. ROBINSON  teve uma vida pessoal assolada por problemas. Apesar de reconhecido por suas atividades patrióticas durante a Segunda Guerra – inclusive, doando 100.000 dólares para o esforço de guerra e trabalhando em transmissões para países ocupados pelos nazistas (falava sete idiomas, incluindo iídiche, romeno e alemão) -, seu nome foi associado ao comunismo e teve que depor perante a Comissão de Atividades Antiamericanas. Por fim, terminou inocentado de qualquer suspeita. 

Durante este período, ele também foi perturbado pelo desajuste de seu único filho, que entrou em atritos frequentes com a lei e tentou o suicídio várias vezes. Apesar dos contratempos, continuou sua incansável carreira atuando na tevê e no cinema até o ano de sua morte. Em 1956, voltou aos palcos da Broadway depois de uma longa ausência, fazendo grande sucesso com “Middle of the Night” e concorrendo ao Tony de Melhor Ator.

Comprando a sua primeira pintura a óleo em um leilão, em 1926, logo seu gosto fixou-se em pinturas impressionistas e pós-impressionistas. Comprometido e exigente, costumava visitar pintores e escultores em seu local de trabalho. Assim aconteceu com Henri Matisse, em Paris, e Marc Chagall, em Roma. Em 1939, encomendou a Édouard Vuillard um retrato de família. Em uma viagem ao México, visitou o muralista Diego Rivera, comprando pinturas dele. Rivera mostrou-lhe aquarelas de sua esposa Frida Kahlo e EDWARD G. ROBINSON adquiriu várias delas. Ainda pouco conhecida, Frida escreveu no seu diário: “Foi uma surpresa tão grande que fiquei maravilhada e disse: ‘Dessa maneira eu vou poder ser livre, vou poder viajar e fazer o que bem entender, sem precisar pedir dinheiro a Diego”

Sensível e educado, o ator era querido pelos colegas. Atuou em 40 peças e cerca de 100 filmes, sendo o último “No Mundo de 2020 / Soylent Green” (1973), ao lado de Charlton Heston. Em 1999, o American Film Institute (AFI) nomeou-o na vigésima quarta posição entre “As 50 Maiores Lendas do Cinema”.


DEZ  FILMES de EDWARD G. ROBINSON
(por ordem de preferência)

01
ALMAS PERVERSAS
(Scarlet Street, 1945)
direção de Fritz Lang
elenco: Joan Bennett e Dan Duryea

02
PACTO de SANGUE
(Double Indemnity, 1944)
direção de Billy Wilder
elenco: Barbara Stanwyck e Fred MacMurray

03
PAIXÕES em FÚRIA
(Key Largo, 1948)
direção de John Huston
elenco: Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Lionel Barrymore
e Claire Trevor

04
SANGUE do meu SANGUE
(House of Strangers, 1949)
direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Susan Hayward, Richard Conte e Debra Paget

05
Um RETRATO de MULHER
(The Woman in the Window, 1944)
direção de Fritz Lang
elenco: Joan Bennett, Raymond Massey e Dan Duryea

06
ALMA no LODO
(Little Caesar, 1931)
direção de Mervyn Leroy
elenco: Douglas Fairbanks Jr. e Glenda Farrell

07
Um PECADO em CADA ALMA
(The Violent Men, 1955)
direção de Rudolph Maté
elenco: Glenn Ford, Barbara Stanwyck e Brian Keith

08
O ESTRANHO
(The Stranger, 1946)
direção de Orson Welles
elenco: Orson Welles e Loretta Young

09
O HOMEM que NUNCA PECOU
(The Whole Town’s Talking, 1935)
direção de John Ford
elenco: Jean Arthur

10
A MESA do DIABO
(The Cincinnati Kid, 1965)
direção de Norman Jewison
elenco: Steve McQueen, Ann-Margret, Tuesday Weld
e Joan Blondell

 

novembro 09, 2012

***** JEAN SEBERG: SUICÍDIO ou ASSASSINATO?

jean seberg


Ela não atingiu, como atriz, o prestígio de uma Romy Schneider, nem de Jane Fonda, Claudia Cardinale ou outros nomes femininos célebres na sua época. Foi, pode-se dizer, uma pequena star, deixando sua marca na história do cinema através de dois longas, o cult francês “Acossado / À Boute de Souffle” (1960) e o charmoso drama romântico “Bom Dia, Tristeza / Bonjour Tristesse” (1958), adaptação do best-seller de Françoise Sagan estrelado por David Niven e Deborah Kerr. Mesmo sem talento, a meiga JEAN SEBERG (1938 - 1979) venceu dezoito mil candidatas para representar o disputado papel-título de “Joana D'Arc /  Saint Joan” (1957), sua estreia no cinema aos dezenove anos. 

O drama religioso fracassou e o seu desempenho criticado (assisti há pouco tempo, o filme foi injustiçado, é bom, com brilhante direção de Otto Preminger – como sempre – e sensacional atuação de Richard Widmark como o delfim Charles VII, embora não aprecie a duvidosa história da Virgem de Orleans e concorde que Jean não tem força dramática para segurar seu personagem), mas o seu belo rosto de cabelos curtos tornou-se um ícone moderno, estampando capas de revistas e sendo cortejado em todo o mundo.

Vinte e dois anos depois, em 1979, aos 40 anos de idade, o corpo nu e sem vida da musa da Nouvelle Vague, envolto em um cobertor, seria encontrado no banco traseiro de um Renault às margens do rio Sena, em Paris. A causa da morte foi uma overdose de barbitúricos, finalizando uma atribulada existência. 

Surgiram rumores de que o “suicídio” camuflava um crime planejado pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), mas nunca provado. Enterrada em Paris, o seu funeral contou com celebridades como os escritores Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Muitos chegaram a afirmar que, na verdade, ela já havia morrido há algum tempo, dadas as dificuldades que encontrava para superar as sucessivas crises. Mais de 30 anos depois da sua morte, a bela e sofrida JEAN SEBERG continua a ser uma figura lembrada na Europa, especialmente na França.

jean e godard

Nascida em Marshalltown, Iowa, EUA, radicou-se na França, onde sempre viveu. Casou-se quatro vezes e confessou nunca ter sido feliz com nenhum dos maridos. O primeiro, o cineasta François Moreuil; depois, o escritor Romain Gary, o diretor Dennis Berry e o ator marroquino Ahmed Hasni. Seu badalado casamento com Romain Gary, tempestuoso e infeliz,  despertou-a intelectualmente. Bem mais velho do que ela, ele a fez ler Stendhal, Flaubert e Balzac, entre outros, e a estudar a história da arte. Meses após a morte da ex-esposa, Romain se matou com um tiro, deixando um bilhete esclarecendo que sua morte não tinha nada a ver com JEAN SEBERG. O fracasso dos relacionamentos da atriz levaram aos excessos de barbitúricos, tornando sua vida insuportável. 

Em constante estado de depressão, ela tentou o suicídio oito vezes, inclusive atirando-se sobre os trilhos do metrô parisiense. Depois de um período internada em uma clínica especializada em doenças nervosas, declarou, em entrevista, que se sentia extremamente confusa. “Sou um misto de fragilidade, de sinceridade e de orgulho”, confessou, afirmando ter caminhando sozinha pela vida, sem jamais receber ajuda e que desde garotinha aprendeu a enfrentar as dificuldades sem apoio dos outros.

belmondo e jean em acossado
Com o fiasco dos seus dois primeiros filmes, a atriz parecia não ter futuro em Hollywood. Teve sorte ao ser convidada por Jean-Luc Godard para contracenar com Jean-Paul Belmondo em “Acossado”. Na história, o malandro sedutor Michel Poiccard (Belmondo odiou o filme e nunca entendeu sua repercussão mundial) mata um policial, que tentou prendê-lo por excesso de velocidade, persuadindo Patricia Franchisi (Seberg), estudante norte-americana, para escondê-lo até receber um dinheiro que lhe devem. No apartamento dela, conversam e namoram. 

A partir dessa obra-prima de Godard fez uma série de fitas sem êxito, dirigida vez ou outra por nomes de gabarito como Claude Chabrol e Joshua Logan. Intercalou produções francesas com norte-americanas, mas sempre sendo mais apreciada na Europa. Em 1964, teve um desempenho memorável como uma esquizofrênica em “Lilith / Idem”, de Robert Rossen, ao lado de Warren Beatty e Gene Hackman, pelo qual foi nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz Dramática. Era o seu filme favorito.

Inacreditavelmente, recusou protagonizar A Primeira Noite de um Homem / The Graduate” (1967), “A Noite Americana / La Nuit Américaine” (1973) e “Esposas em Conflito / The Stepford Wives” (1975). Quase foi a Lara de “Doutor Jivago / Doctor Zhivago” (1965), mas David Lean felizmente terminou optando pela inglesa Julie Christie. Durante os anos 70, JEAN SEBERG continuou a fazer filmes ruins, destacando-se sua participação no famoso suspense-catástrofe “Aeroporto / Airport” (1970), de George Seaton, ao lado de Burt Lancaster e Jacqueline Bisset. 

Publicou também dois livros, “Blue Jean”, um ensaio sobre a esquizofrenia, e “How top Escape Oneself” (Como Escapar de Si Mesmo), um manual com instruções para o suicídio. Em 1979 interpretou o seu último papel no cinema, em “Le Bleu des Origines”, de Philippe Garrell, concluindo trinta e quatro filmes em sua não muito bem sucedida carreira. Um musical, intitulado “Jean Seberg”, baseado em sua vida, estreou no Royal National Theatre, em Londres, em 1983. Ele foi escrito por Julian Barry com música de Marvin Hamlisch.


Ao apoiar o grupo antirracista “Panteras Negras”,  fechou muitas portas em Hollywood para o seu trabalho. Grávida, o FBI espalhou o boato de que o pai era um conhecido líder do movimento negro. A notícia correu os jornais, abalou o casamento da atriz e a criança nasceu prematura, morrendo dois dias depois. Para provar sua inocência, JEAN SEBERG exibiu a falecida em um caixão de cristal para que os linguarudos tivessem certeza que era branca. O incidente contribuiu para sua depressão persistente ao longo dos anos. Chocada emocionalmente, a cada aniversário de morte da filha, sucumbia à depressão. Se sentindo perseguida pelo órgão investigativo criminal norte-americano, contratou seguranças para acompanhá-la a qualquer parte e dizia que seu telefone estava grampeado. Muitos a consideravam paranoica. 

Nos anos seguintes, constatou-se que estava sendo realmente vigiada pelo FBI. Recentemente, seu filho Alexandre Diego Gary mobilizou a mídia francesa, acusando o FBI de ser responsável pela morte da mãe. No entanto, como o moço tem um passado marcado pelo alcoolismo e prostituição, não vem sendo levado a sério. Parece que essa morte mal contada nunca será devidamente esclarecida. Assim como aconteceu com Jean Harlow, Maria Montez, Marilyn Monroe, Linda Darnell, Natalie Wood, Pier Paolo Pasolini, Brandon Lee, River Phoenix e Heather Ledger.

GALERIA de FOTOS


novembro 06, 2012

***** O HORROR muito LOUCO de STEPHEN KING

sissy spacek em “carrie, a estranha”


Reconhecido como um dos mais populares escritores de literatura de terror, STEPHEN KING (1947. Portland, Maine / EUA) vendeu 350 milhões de cópias de seus livros em mais de 40 países. Ele passou da pobreza à riqueza em poucos anos, tornando-se um dos nomes mais poderosos das listas de best-sellers. Há quem diga que é um escritor de terceira categoria. Também há quem o considere um gênio do terror. Eu fico com outra opinião: não o vejo como um excelente escritor, mas é um mestre na arte de provocar calafrios. Alguns dos seus livros são verdadeiros clássicos. Ainda pequeno, descobriu Lovecraft, Ray Bradbury, histórias em quadrinhos e filmes B de ficção científica – a matéria prima de sua bagagem literária. Publicou o primeiro romance, “Carrie”, em 1974, narrando a história de garota com poderes telecinéticos. Atirou a primeira versão no lixo, mas foi resgatada pela esposa, Tabitha, que o encorajou a reescrevê-la. A obra não teve um sucesso modesto, mas a adaptação cinematográfica alavancou as vendas.

Ao constatar, estupefato, que baseou o protagonista de “O Iluminado” em sua própria pessoa, deixou os vícios de muitos anos, cortando o álcool e droga. Mantém-se sóbrio desde então. Escreve ao som do AC/DC, Metalica, Anthrax, Judas Priest etc. Em 1999, sofreu um acidente grave. Atropelado em uma de suas caminhadas, perdeu a memória, fraturou o quadril, quebrou a perna e teve danos pulmonares. Se recuperou. Pouco depois, publicou uma série de folhetins no seu website, sendo um dos primeiros escritores famosos a recorrer ao virtual. Numa das histórias, uma videira cresce numa editora de livros de bolso, trazendo sucesso e riqueza em troca de sangue e carne fresca. Aos 65 anos, multimilionário, vive numa mansão vitoriana de 24 cômodos em Bangor, no Maine (EUA), com portão em forma de aranha emoldurado por gigantescos morcegos.

jack nicholson em “o iluminado”
Sua obra literária alcançou um sucesso tão grande, que o tornou um dos autores mais filmados na história do cinema de horror, ao lado de mestres como Edgar Allan Poe, Robert Louis Stevenson e H. P. Lovecraft. São muitos os títulos de STEPHEN KING que acabaram se tornando filmes: cerca de 50 livros (ou contos) seus já foram levados a telona. Boa parte deles, um fracasso; em outras ocasiões, sucesso absoluto. Ele chegou ao ponto em que seu nome estampado num cartaz de cinema ajuda na bilheteria. Muitos dos seus leitores vão correndo ver qualquer longa, telefilme ou série que leve sua gripe, independente dos atributos artísticos. Possivelmente, a qualidade essencialmente visual da narrativa alucinada de STEPHEN KING é o que o faz um dos queridinhos de Hollywood. Desnecessário dizer que o terror é o seu gênero de filme favorito. Em alta novamente, ele tem quatro novas versões cinematográficas de suas histórias prontas para estrear nos cinemas: “Carrie - A Estranha”, “O Braço do Mar”, “Ten O'Clock People”, “A Good Marriage” e “A Dança da Morte”. Fique de olho.

GALERIA MALDITA de STEPHEN KING

CARRIE, a ESTRANHA
(Carrie, 1976)
direção de Brian de Palma
elenco: Sissy Spacek, Piper Laurie, Amy Irving,
William Katt e John Travolta


Do romance “Carrie”, de 1974. Teve uma sequência em 1999 e uma refilmagem de 180 minutos para a TV em 2002. Concorreu aos Oscars de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Rendeu elogios – e uma bela bilheteria – a Brian de Palma. Carrie White (a ótima Sissy Spacek) é uma garota que não tem amigos por conta de sua mãe, Margareth (a veterana Piper Laurie, bela mocinha da Universal ao lado de Tony Curtis e Rock Hudson), uma pregadora religiosa que se torna mais louca a cada dia que passa e mantém a filha em isolamento quase total. Motivo de piada na escola, ela é ridicularizada diante de todos os colegas num baile. O que ninguém imaginava é que a estranha menina possui poderes paranormais que ficam mais fortes quando ela fica com raiva. King acha que o filme tem estilo. Eu concordo com ele.

O ILUMINADO
(The Shining, 1980)
direção de Stanley Kubrick
elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall e Danny Lloyd


De “O Iluminado” (1977), tornou-se uma minissérie homônima para a TV em 1997. Não é apenas uma das melhores adaptações de Stephen King, mas também um dos grandes filmes de terror do cinema. Um cult. Inexplicavelmente, o escritor não ficou satisfeito com essa versão, considerando-a fria e intelectualizada. O escritor Jack Torrance (Jack Nicholson, excepcional, embora mais careteiro do que nunca) é contratado para vigiar um hotel no Colorado durante o inverno. Ele leva sua esposa (Shelley Duvall, uma das musas de Altman) e seu filho (Danny Lloyd). Por ser inverno e a região estar cheia de neve, o hotel deixa de funcionar e Jack e sua família acabam ficando isolados. A situação começa a se complicar quando ele passa a ter problemas mentais devido ao isolamento, ficando cada vez mais agressivo e perigoso. Pra piorar a situação, seu filho Danny começa a ter visões de acontecimentos terríveis ocorridos no passado.

A HORA da ZONA MORTA
(The Dead Zone, 1983)
direção de David Cronenberg
elenco: Christopher Walker, Brooke Adams, Tom Skerritt
e Martin Sheen


Do livro “Zona Morta”, de 1979, transformado em série de TV homônima em 2002. Sóbrio e um dos filmes mais controlados de Cronenberg. Johnny Smith (Christopher Walken), um professor de literatura prestes a se casar, sofre um acidente de carro e fica cinco anos em coma. Ao recobrar a consciência, descobre que perdeu sua carreira e sua noiva (Brooke Adams), mas em compensação ganhou poderes paranormais que o permitem antever o futuro. Assim, ele tem o poder de alterar o curso dos acontecimentos e este é o seu dilema: interferir ou sofrer sozinho, sabendo das tragédias que estão por acontecer.

CONTA COMIGO
(Stand  by Me, 1986)
direção de Rob Reiner
elenco: Will Wheaton, River Phoenix, Kiefer Sutherland
e Richard Dreyfuss


Do conto “O Corpo”, de 1982. A história é autobiográfica, baseada num fato realmente ocorrido na infância de King. Inclusive, o próprio autor é retratado, no personagem que se torna um escritor quando adulto. Uma obra sensível, terna e intimista, embalada por uma bonita trilha sonora. Talvez a mais atípica do universo literário do autor. Conta a história de quatro amigos que partem em uma jornada em busca de um cadáver, e que acabam aprendendo valiosas lições durante o caminho. Quando encontram marginais, que também procuram o corpo, descobrem uma força que não sabiam ter. Filme que trata com delicadeza o tema da amizade e da experiência do amadurecimento.

LOUCA OBSESSÃO
(Misery, 1990)
direção de Rob Reiner
elenco: James Caan, Kathy Bates e Lauren Bacall


Do romance “Angústia”, de 1987. Kathy Bates ganhou o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação ensandecida da psicopata que prende um escritor - de quem se diz “fã número 1” - depois que ele sofre um acidente de carro. Chocante o momento em que seu personagem quebra os pés do ídolo com uma pá. Sem poder se locomover, ele se vê à mercê das loucuras da “fã”. Duelo de atores com extrema tensão física. Reiner revisita o universo de King em mais uma narrativa pé-no-chão, sem delírios sobrenaturais.

A METADE NEGRA
(The Dark Half, 1993) 
direção de George A. Romero
elenco: Timothy Hutton, Amy Madigan, Michael Rooker
e Julie Harris


Do romance “A Metade Negra”, de 1989. Um escritor, Thad Beaumont (Hutton), cria um pseudônimo para obter sucesso. Ao decidir eliminá-lo, dá origem a um duplo sanguinário. A partir daí estranhos e violentos assassinatos são cometidos, sempre precedidos de uma revoada de pardais. O roteiro tem paralelos com a carreira de King.

Um SONHO de LIBERDADE
(The Shawshank Redemption, 1994)
direção de Frank Darabont
elenco: Tim Robbins, Morgan Freeman e James Whitmore


Do conto “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”. Fala de Andy Dufresne (Tim Robbins), um jovem e bem sucedido banqueiro que é condenado a prisão pelo assassinato de sua esposa e do amante dela. Cumprindo pena perpétua, faz amizade com Ellis Boyd Redding (o talentoso Morgan Freeman), um prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro da instituição. Primeiro filme dirigido por Darabont. Concorreu aos Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator (Freeman), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora Original.

ECLIPSE TOTAL
(Dolores Claiborne, 1995)
direção de Taylor Hackford
elenco: Kathy Bates, Jennifer Jason Leigh, Christopher Plummer
e John C. Reilly


Do livro “Eclipse Total”, de 1992. Selena St. George (Jennifer Jason Leigh), escritora de sucesso que vive em Manhattan, fica surpresa com a notícia de que a sua mãe, de quem se encontra afastada, foi acusada de homicídio. Com ressentimento, regressa à sua pequena cidade natal para oferecer ajuda. Não que ela acredite que Dolores (Kathy Bates) seja inocente. Yem suspeitas acumuladas desde há vinte anos. O passado e fatos atuais revelam a verdade aterradora por detrás de misteriosas mortes.

O APRENDIZ
(Apt Pupil, 1998)
direção de Bryan Singer
elenco: Ian McKellen, Brad Renfro e Elias Koteas


Do conto “Aluno Inteligente”, narra a história de um adolescente que descobre que um de seus vizinhos é um criminoso nazista, passando a chantageá-lo para que ele lhe conte as mais terríveis histórias sobre a Segunda Guerra Mundial. A partir de então um tenso jogo psicológico surge entre os dois, ameaçando a sanidade do garoto. Firme direção de Bryan Singer e impecável atuação da dupla central, McKellen e Renfro.

À ESPERA de um MILAGRE
(The Green Mile, 1999)
direção de Frank Darabont
elenco: Tom Hanks, Michael Clarke Duncan, David Morse,
Graham Greene e Patricia Clarkson


Adaptada da minissérie literária “O Corredor da Morte” (1996), a primeira e única escrita por Stephen King. Somente depois da produção do filme é que os capítulos foram reunidos em um único livro. Retrata o cotidiano - e o relacionamento muito especial do policial Paul Edgecomb (Tom Hanks) com o condenado John Coffey (Michael Clark Duncan) - no corredor da morte de uma prisão norte-americana. Aos poucos, desenvolve-se entre eles uma relação incomum, baseada na descoberta de um dom  misterioso. Arrecadou nos EUA 130 milhões de dólares, concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Duncan), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som.

SOBRE o AUTOR

“Dissecando Stephen King / Bare Bones: 
Conversations on Terror with Stephen King” (1988)
de Tim Underwood e Chuck Miller