novembro 06, 2026

*** TEMPO de VIOLÊNCIA: PSICOPATAS do CINEMA

anthony hopkins em “o silêncio dos inocentes”
 

 

Um recenseador tentou me testar uma vez.  
Comi o fígado dele com favas e um bom Chianti.
Dr. HANNIBEL LECTER
em “O Silêncio dos Inocentes”

A incômoda palavra psicopata surgiu no século XIX e vem do alemão psychopatisch e do grego psykhé, mente, mais phatos, sofrimento. O conceito foi popularizado pouco depois, na década de 1940, ao descrever os psicopatas como homicidas charmosos, inteligentes e calculistas. Incluso no Transtorno de Personalidade Antissocial (TPA), 3% da população mundial sofre desse distúrbio. Caracterizado por um padrão comportamental antissocial, pouca empatia e quase nenhum controle das próprias ações, estão presentes em qualquer sociedade. Eles têm, em seu histórico sinistro, casos de assassinato, tortura, estupro, agressão, roubo e fraude. Neles, existe uma distorção permanente de como percebe, interpreta a si mesmo, outras pessoas e situações do cotidiano. Em sua mente, as regras sociais funcionam de maneira completamente diferente. Isso os leva a cometer atos pavorosos sem sentir remorso, dor ou culpa, não se ajustando a normas legais e envolvendo-se em crimes, situações de falsidade, mentiras repetidas, identidades forjadas. Sem jamais se arrepender por ter maltratado ou matado suas vítimas.
 
Há séculos, eles praticam atos hediondos, assombram e horrorizam. Vlad, o Empalador, na Transilvânia, foi a base para o vampiro Drácula; a condessa húngara Elizabeth Báthory torturou, matou e bebeu o sangue de mais de 600 mulheres; Jack, o Estripador, que nunca foi identificado, e muitos outros. Estão em livros, séries, filmes, quadrinhos e até em games. O cinema explora sua figura desde a década de 1930, com o ciclo criminal de gangsters, que tornaram estrelas os magníficos Paul Muni, Edward G. Robinson e James Cagney. Seus personagens estão representados em assassinos ou criminosos compulsivos, retratados nas telas em centenas de filmes, entre os gêneros suspense, terror e drama. Seja no clássico “O Mensageiro do Diabo” ou no impactante “Laranja Mecânica”, psicopatas sempre chamam a atenção de público e crítica. Geralmente são representados ao extremo da condição, explorando principalmente assassinos, mas se todo serial killer se enquadra como psicopata, a grande maioria dos psicopatas não é serial killer. Confira abaixo os psicopatas mais marcantes do cinema. 
A ENCARNAÇÃO do MAL
30 PSICOPATAS CINEMATOGRÁFICOS
 
01
ALEX DELARGE (Malcolm McDowell)
em “Laranja Mecânica / A Clockwork Orange” (1971)

direção de Stanley Kubrick
 
Liderando uma gangue em atos de violência desenfreada, ele rouba, agride, mata e estupra inocentes puramente por diversão, premeditando todos os atos sinistros que faz.
 
02
ALEX FORREST (Glenn Close)
em “Atração Fatal / Fatal Attraction” (1987) 

direção de Adrian Lyne
 
Executiva de editora em Nova York, abandonada por um advogado casado, se recusa a ser descartada e sua afeição transforma-se em uma obsessão perigosa e violenta.
 
Indicado ao Oscar de Melhor Atriz
 
03
AMON GOETH (Ralph Fiennes)
em “A Lista de Schindler / Schindler's List” (1993)

direção de Steven Spielberg
 
Oficial nazista comandante de campo de concentração na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, assassina milhares de pessoas sem piedade e sem motivo aparente.
 
Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante
BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante
Melhor Ator Coadjuvante da National Society
of Film Critics Awards
Melhor Ator Coadjuvante do Círculo de Críticos
de Cinema de Nova Iorque

 
04
ANNIE WILKES (Kathy Bates)
em “Louca Obsessão / Misery” (1990) 

direção de Rob Reiner
 
Uma enfermeira fã insana de um famoso escritor, ela resgata o seu ídolo de um acidente de carro em uma nevasca e o aprisiona em casa, torturando-o física e psicologicamente.
 
Oscar de Melhor Atriz
Globo de Ouro de Melhor Atriz – Drama

 
05
ANTON CHIGURH (Javier Bardem)
em “Onde os Fracos não Tem Vez / 
No Country for Old Men” (2007)

direção de Ethan Coen e Joel Coen
 
Assassino decide o destino das vítimas na base da moeda. Numa ausência de empatia, mata com uma pistola de ar comprimido enquanto exibe semblante frio e aterrorizante.
 
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante
BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante
Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante
Melhor Ator Coadjuvante do Círculo de Críticos
de Cinema de Nova Iorque

 
06
BUD CORLISS (Robert Wagner)
em “Um Beijo Antes de Morrer / A Kiss Before Dying” (1956) 

direção de Gerd Oswald
 
Universitário de origem pobre, ambicioso e sem escrúpulos, deseja ascender socialmente e conquistar uma fortuna a qualquer custo, mesmo assassinando jovens mulheres.
 
07
CAESAR ENRICO 'RICO' BANDELLO (Edward G. Robinson)
em “Alma no Lodo / Little Caesar” (1931)

 
direção de Mervyn LeRoy
 
Criminoso implacável e arrogante sai do interior para Chicago em busca de status no submundo do crime, usando de violência e frieza para se tornar um chefão do crime.
 
08
Dr. CHRISTIAN SZELL (Laurence Olivier)
em “Maratona da Morte / Marathon Man” (1976) 

direção de John Schlesinger
 
Calmo, frio e assustador, médico nazista que realizou experimentos e torturas em prisioneiros nos campos de concentração, no presente persegue um estudante.
 
Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante
Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante

 
09
CODY JARRETT (James Cagney)
em “Fúria Sanguinária / White Heat” (1949) 

direção de Raoul Walsh
 
Líder de quadrilha sádico e mentalmente instável, propenso a violentas crises de enxaqueca que refletem seu desequilíbrio, tem dependência emocional de sua mãe.
 
10
CORINGA (Joaquin Phoenix)
em “Coringa / Joker” (2019) 

direção de Todd Phillips
 
Identidade assumida por comediante fracassado. No passado, ele sofreu um inesperado acidente que o levou a distúrbios mentais, cometendo a seguir crimes sádicos.
 
Oscar de Melhor Ator
Globo de Ouro de Melhor Ator – Drama

 
11
EDWARD BARE (Dirk Bogarde)
em “A Sombra do Pecado / Cast a Dark Shadow” (1955)

direção de Lewis Gilbert
 
Vilanesco, arrogante e charmoso, casa com mulheres ricas e velhas com o objetivo de herdar suas fortunas após assassiná-las. Para fragilizá-las, usa táticas cruéis.
 
12
FRANK BOOTH (Dennis Hopper)
em “Veludo Azul / Blue Velvet” (1986)

direção de David Lynch
 
Chefe do crime e traficante de drogas sádico, violento e imprevisível, sequestra o filho e o marido de cantora de boate para chantageá-la e transformá-la em escrava sexual.
 
Melhor Ator Coadjuvante da Associação dos Críticos
de Cinema de Los Angeles
Melhor Ator Coadjuvante da National Society
of Film Critics Award
 
13
Dr. HANNIBAL LECTER (Anthony Hopkins)
em “O Silêncio dos Inocentes /  
The Silence of the Lambs” (1991)

direção de Jonathan Demme
 
Respeitado psiquiatra e serial killer canibal, fascinado pelo preparo da carne humana para refeições sinistras, depois de ser preso, ajuda o FBI como consultor.
 
Oscar de Melhor Ator
BAFTA de Melhor Ator
Melhor Ator Coadjuvante do National Board of Review
Melhor Ator do Círculo de Críticos
de Cinema de Nova Iorque

 
14
HANS BECKERT (Peter Lorre)
em “M – O Vampiro de Düsseldorf / M - Eine Stadt Sucht Einen Mörder” (1931) 

direção de Fritz Lang
 
Assassino perturbado ataca meninas em Berlim, gerando pânico e fazendo com que tanto a polícia quanto as gangues do submundo do crime se mobilizem para caçá-lo.
 
15
HARRY POWELL (Robert Mitchum)
em “O Mensageiro do Diabo / The Night of the Hunter” (1955)

direção de Charles Laughton
 
Criminoso religioso viaja pelos EUA na Grande Depressão, casando-se com viúvas solitárias para assassiná-las e roubá-las, convencido de fazer “o trabalho de Deus”.
 
16
HENRY LEE LUCAS (Michael Rooker)
em “Henry, o Retrato de um Assassino /  
Henry: Portrait of a Serial Killer” (1986)

direção de John McNaughton
 
Serial killer, assassino de sua própria mãe em 1960 e de inúmeras outras pessoas. Frio e cruel, confessou dezenas de assassinados e foi condenado a prisão perpétua.
 
17
JACK TORRANCE (Jack Nicholson)
em “O Iluminado / The Shining” (1980)

direção de Stanley Kubrick
 
Em um hotel isolado, escritor sofre de delírios e possui nítidos desvios psicológicos, sendo afetado por atividades paranormais e ameaçando matar sua esposa e filho.
 18
JOHN DOE (Kevin Spacey)
em “Se7en — Os Sete Crimes Capitais / Se7en” (1995)

 
direção de David Fincher
 
Assassino religioso e fanático executa suas vítimas com base nos sete pecados capitais, com objetivo de dar uma lição a uma sociedade que ele considera corrompida.
 
Melhor Ator Coadjuvante do National Board of Review
Melhor Ator Coadjuvante do Círculo de Críticos
de Cinema de Nova Iorque

 
19
KIT (Martin Sheen)
em “Terra de Ninguém / Badlands” (1973) 

direção de Terrence Malick
 
Jovem, com visual e atitudes inspirados em rebeldia juvenil, mata o pai da namorada e foge com ela praticando uma onda de assassinatos no Meio-Oeste norte-americano.
 
20
KURTZ (Marlon Brando)
em “Apocalypse Now / Idem” (1979)

direção de Francis Ford Coppola
 
Coronel do Exército dos EUA abandona ordens militares e se refugia na selva do Camboja, passando a liderar tribo de nativos com métodos extremamente violentos.
 
21
MARK LEWIS (Karlheinz Böhm)
em “A Tortura do Medo / Peeping Tom” (1960)

direção de Michael Powell
 
Jovem solitário e sexualmente reprimido é um assassino e um voyeur obsessivo. Através de espelho, força as vítimas a assistirem a própria morte enquanto são filmadas.
 22
MAX CADY (Robert De Niro)
em “Cabo do Medo / Cape Fear” (1991) 

direção de Martin Scorsese
 
Ex-presidiário brutal, astuto, manipulador e obcecado por retaliação, marcado por um forte tom religioso e amedrontador, persegue um advogado e sua família.
 
Indicado ao Oscar de Melhor Ator
 
23
MR. BLONDE (Michael Madsen)
em “Cães de Aluguel / Reservoir Dogs” (1992) 

direção de Quentin Tarantino
 
Psicopata envolvido com a máfia. Numa cena, tortura um policial, cortando sua orelha e despejando gasolina nele, enquanto dança ao som de “Stuck in the Middle With You”.
 
24
NORMAN BATES (Anthony Perkins)
em “Psicose / Psycho” (1960)

 
direção de Alfred Hitchcock
 
Gerente de motel decadente, após relação abusiva com a mãe, desenvolve outra personalidade cometendo crimes contra mulheres que deseja ou geram ciúmes nele.
 
25
PATRICK BATEMAN (Christian Bale)
em “Psicopata Americano / American Psycho” (2000) 

direção de Mary Harron
 
Yuppie narcisista desconta frustrações no escritório com assassinatos. Combina futilidade e ego inflado com o vazio existencial e a solidão típica da modernidade.
 
26
PHYLLIS DIETRICHSON (Barbara Stanwyck)
em “Pacto de Sangue / Double Indemnity” (1944) 

direção de Billy Wilder
 
Dona de casa manipuladora seduz agente de seguros e o convence a assassinar seu marido para embolsar rico seguro. Sem remorsos, admite que é “podre até a alma”.
 
Indicada ao Oscar de Melhor Atriz
 
27
TOM RIPLEY (Alain Delon)
em “O Sol por Testemunha / Plein Soleil” (1960) 

direção de René Clément
 
Vigarista, falsificador e assassino dotado de charme e inteligência. Fascinado pelo estilo de vida luxuoso de um playboy, decide assassiná-lo e assumir sua identidade.
 
28
TOMMY DEVITO (Joe Pesci)
em “Os Bons Companheiros / GoodFellas” (1990)

 
direção de Martin Scorsese
 
Mafioso implacável, associado à família mafiosa em Nova York. Explosivo e temido, é capaz de cometer assassinatos e atos de extrema crueldade por motivos banais.
 
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante
Melhor Ator Coadjuvante da Associação de Críticos
de Cinema de Los Angeles
Melhor Ator Coadjuvante da National Board of Review

 
29
TONY CAMONTE (Paul Muni)
em “Scarface, Vergonha de uma Nação / Scarface” (1932)

 
direção de Howard Hawks e Richard Rosson
 
Gângster italiano sobe ao poder no mundo do crime de Chicago. Suas ações e traços psicológicos são marcados por excessos, violência e obsessão doentia por controle.
 
30
TRAVIS BICKLE (Robert DeNiro)
de “Taxi Driver / Idem” (1976)
 

direção de Martin Scorsese
 
Veterano da Guerra do Vietnã trabalha como motorista de táxi no turno da noite em Nova Iorque. Desequilibrado, decide “limpar” a sociedade cometendo assassinatos.
 
Indicado ao Oscar de Melhor Ator
Melhor Ator da Associação de Críticos
de Cinema de Los Angeles
Melhor Ator do Círculo de Críticos
de Cinema de Nova Iorque
FONTES
“Mentes Perigosas: o Psicopata Mora ao Lado”
(2008)
de Ana Beatriz Barbosa Silva
 
“Mindhunter: o Primeiro Caçador de Serial Killers”
(1995)
de John Douglas e Mark Olshaker
 
“Sem Consciência: o Mundo Perturbador dos Psicopatas
que Vivem Entre Nós”
(1993)
de Robert D. Hare

O MAL CINEMATOGRÁFICO NESTE BLOG
 
01
CRIMES à FRANCESA - 20 FILMES
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