outubro 03, 2014

******** SALA VIP: 'E O VENTO LEVOU' - 75 ANOS

clark gable e vivien leigh
Os fãs norte-americanos de E O VENTO LEVOU / Gone with the Wind (1939) puderam apreciar novamente o filme, vencedor de 10 prêmios Oscar, nas comemorações de 75 anos de seu lançamento, com exibições especiais nas salas de cinema dos Estados Unidos. Nos dias 28 de setembro e 1º de outubro, quase 650 salas de cinema do país exibiram o filme em seu formato original, com uma apresentação especial por iniciativa do canal Turner Classic Movies (TCM), que preparou para a ocasião um DVD/Blu Ray especial de aniversário. O filme de 224 minutos de duração, adaptação do livro de mesmo nome de Margaret Mitchell, vencedor do prêmio Pulitzer, foi exibido pela primeira vez na cidade de Atlanta (Geórgia) em 15 de dezembro de 1939 e, desde então, foram nove relançamentos. A história de Scarlett O'Hara durante a conturbada Guerra de Secessão recebeu 10 estatuetas do Oscar, incluindo o primeiro prêmio da Academia para uma atriz afro-americana, Hattie McDaniel, vencedora na categoria Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel da aia Mammy. Segundo o site especializado Box Office Mojo, E O VENTO LEVOU ostenta o recorde de filme mais rentável de todos os tempos, com US$ 1,6 bilhão (reajustados de acordo com a inflação), à frente de "Guerra nas Estrelas / Star Wars" (1977), que arrecadou US$ 1,45 bilhão.


Associado ao TCM, o Harry Ransom Center da Universidade do Texas, em Austin, que abriga os arquivos do produtor independente David O. Selznick, apresenta desde o início de setembro e até 4 de janeiro de 2015 uma exposição sobre a história do filme. O vestido confeccionado com uma cortina verde de Scarlett e o vestido vermelho que ela usa no aniversário de Melanie, ambos de Walter Plunkett, estão entre os destaques da mostra. A exposição conta ainda com páginas do roteiro, que mostram que a famosa resposta final de Rhett Butler - "Frankly, my dear, I don`t give a damn" ("Francamente, minha querida, eu não dou a mínima") - quase foi alterada pela frase "Eu não me importo" porque a frase original em inglês tem um impacto mais profundo do que pode ser traduzido. A exposição recorda que Talullah Bankhead, Paulette Goddard, Susan Hayward, Lana Turner e Jean Arthur estavam entre as estrelas da época que fizeram testes para o papel de Scarlett, que finalmente acabou com Vivien Leigh. Cadiz, em Ohio, cidade natal de Clark Gable, que teve a casa transformada em museu, e a localidade vizinha de New Philadelphia, também celebrarão o aniversário na próxima semana com uma exibição do filme e o leilão de objetos relacionados com o longa-metragem.

olivia de havilland
DUAS OU TRES COISAS SOBRE 'E O VENTO LEVOU'

Símbolo máximo do romantismo, duelo entre o cinismo do galã e o mau-caratismo da mocinha, E O VENTO LEVOU, um dos clássicos mais populares da história do cinema, dirigido oficialmente por Victor Fleming e produzido por David O. Selznick, tem nos papéis principais Vivien Leigh como Scarlett O’Hara, Clark Gable como Rhett Butler, Olivia de Havilland como Melanie Hamilton e Leslie Howard como Ashley Wilkes. Trata-se de um suntuoso épico com a Guerra de Secessão (1861-1865) como pano de fundo - conflito armado entre os estados confederados (sul) e abolicionistas (norte), um dos mais sangrentos dos Estados Unidos, com 620 mil soldados mortos. Enquanto fortunas e famílias são destruídas, acompanhamos o percurso de altos e baixos da determinada Scarlett: juventude luxuosa e mimada; uma louca paixão não correspondida; o falecimento da mãe e a loucura do pai; pobreza e fome; casamentos oportunistas; união interesseira com o aventureiro Rhett Butler, numa relação de amor e ódio; a morte da filha etc. Mocinha egoísta e sem escrúpulos, Scarlett defende sua terra amada, Tara, a qualquer custo.
 
vivien leigh
Para os cinéfilos de plantão, uma obra obrigatória. Gostando ou não, ver E O VENTO LEVOU é uma experiência fundamental. Eu o assisti duas vezes, uma ainda menino, na tevê, dublado, e a segunda poucos anos atrás. Honestamente, não faz parte da minha lista de filmes favoritos. Inclusive, considero “O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights”, do mesmo ano, superior. Admiro a fotografia espetacular, trilha sonora, cenografia, figurino, o esforço colossal do genial Selznick e as atuações de Clark Gable, Olivia de Havilland, Thomas Mitchell, Hattie McDaniel e Ona Munson, mas o argumento me parece arrastado e Scarlett é uma das anti-heroínas mais intragáveis do cinema – amo Vivien Leigh por interpretações futuras. Além disso (ou principalmente por isso?), nunca consegui engolir a substituição de George Cukor pelo inexpressivo Victor Fleming. Mas tudo é uma questão de opinião. O evidente é que faz parte do imaginário coletivo e é amado por muitos em todo o mundo.


ANTES DAS FILMAGENS

Margaret Mitchell, autora do romance no qual o filme se baseou, escreveu-o entre 1926 e 1929. Apenas um mês após o seu lançamento, em 1936, o produtor Selznick comprou os direitos de filmagem por 50 mil dólares - a mais alta quantia paga até então pela adaptação do primeiro livro de um autor -, embora com certa hesitação, motivada pelo tema (a Guerra Civil geralmente não garantia boas bilheterias) e pela própria grandiosidade do projeto;

Sidney Howard (que morreu antes da estreia do filme) condensou as 1.037 páginas do futuro best-seller, mas o seu trabalho sofreria sucessivas alterações por outros roteiristas, entre os quais os famosos escritores F. Scott Fitzgerald e William Faulkner, todos procurando cumprir as exigências do produtor que ordenava extrema fidelidade ao texto original. Somente o nome de Howard figuraria nos créditos;

A primeira convidada para o papel principal, a superstar da Metro-Goldwyn-Mayer, Norma Shearer, odiou o personagem, recusando-o. O nome seguinte, Bette Davis, desistiu por achar que teria que contracenar com um ator que odiava, Errol Flynn, na ocasião o mais cotado para Rhett Butler;

testes de atrizes

Ficou famosa a disputa pelo papel de Scarlett. Mais de 1.400 atrizes foram entrevistadas, sendo que mais de 400 fizeram leitura filmada do roteiro. Dentre as atrizes testadas estão Paulette Goddard (que por pouco não ganhou o papel), Jean Arthur, Lucille Ball, Tallulah Bankhead,  Claudette Colbert, Miriam Hopkins, Joan Crawford, Katharine Hepburn, Carole Lombard, Barbara Stanwyck, Loretta Young, Joan Bennett, Lana Turner, Susan Hayward e Margaret Sullavan. Com as filmagens iniciadas sem uma protagonista, o irmão de Selznick, Myron, visitou os sets acompanhado de Laurence Olivier e sua namorada Vivien Leigh, uma atriz inglesa de 27 anos. A apresentação de Vivien por Myron tornou-se célebre: “David, quero que conheça Scarlett O’Hara”. A busca chegara ao fim;

Desde que leu o livro, em 1936, Vivien Leigh passou a sonhar com o papel de Scarlett. Chegou a dizer em 1937, ainda vivendo em Londres: “Eu serei Scarlett O’Hara. Esperem e verão”. Isto era, no mínimo, curioso, uma vez que ela era na ocasião uma total desconhecida em Hollywood;

Chamada para o papel da irmã mais nova de Scarlett, Judy Garland terminou colocada pela M-G-M em “O Mágico de Oz / The Wizard of Oz” (1939), sendo substituída por Ann Rutherford;

Gary Cooper recusou interpretar Rhett Butler, alegando que o filme seria o maior fracasso da história de Hollywood. Errol Flynn e Ronald Colman também foram pensados para o papel, mas o público escolheu Gable por votação, em um concurso da revista Photoplay. A autora Margarert Mitchell queria Basil Rathbone. Gable, na verdade, nunca pensou em fazer o papel de Butler e levou muito tempo para ler E O VENTO LEVOU, lendo-o mais por insistência da esposa Carole Lombard e de amigos;

A fim de conseguir Gable, o produtor teve de entrar em acordo com seu então sogro Louis B. Mayer, que cederia o astro, mas em troca a Metro entraria com uma participação de metade do investimento previsto para a realização, seria responsável pela distribuição e receberia 50% dos lucros;

leslie howard
Para Ashley Wilkes, Selznick tinha em mente Leslie Howard desde sempre, embora Melvyn Douglas tivesse feito testes e Ray Milland e Lew Ayres chegassem a ser cogitados;

A contratação de uma atriz para a bondosa Melanie não tardou. Na lista de candidatas, Maureen O’Sullivan, Janet Gaynor, Geraldine Fitzgerald, Frances Dee e Joan Fontaine, mas venceu a irmã desta última, a rainha das matinês da Warner, Olivia de Havilland;

A competição para o papel de Mammy foi quase tão acirrada quanto o de Scarlett. A primeira dama dos EUA, Eleanor Roosevelt, escreveu para o produtor do filme pedindo-lhe que o papel fosse dado à sua empregada. Mas Clark Gable queria Hattie para o papel, o que ajudou bastante;

Foram confeccionados 2.500 figurinos para a superprodução.


DURANTE AS FILMAGENS

Foram rodados 113 minutos da primeira cena filmada, a do incêndio em Atlanta, queimando-se antigos cenários de filmes (“O Rei dos Reis / The King of Kings”, 1927; “King Kong / Idem”, 1933, etc.). Contudo, o fogo provocado foi tão intenso que moradores próximos ao estúdio ligaram para os bombeiros, pensando que a RKO estivesse ardendo em chamas;

As filmagens propriamente ditas começaram em 26 de janeiro de 1939 por George Cukor, que dirigiu apenas 4% da fita, mesmo sendo amigo pessoal e homem de confiança de Selznick. Ele iniciou a sequência do baile de Atlanta e, logo depois, foi despedido devido ao tom intimista que imprimia à narrativa e a influência de Clark Gable, que entrara em choque com o caráter disciplinador do diretor e não queria ser dirigido por um homossexual bem próximo ao seu passado de garoto de programa;

Desejando uma narrativa épica, Selznick pensou até em convocar o pioneiro D. W. Griffith (“Intolerância / Intolerance”, 1916) para prestar consultoria;

Visando agradar Gable, Selznick forneceu-lhe uma lista de diretores disponíveis: King Vidor, Jack Conway, Robert Z. Leonard e Victor Fleming. Sem vacilar, o galã optou por um dos mais fracos, Fleming (só ganha de Leonard), que dirigiu aproximadamente 45% do filme;

Esgotado pelos aborrecimentos seguidos com Vivien Leigh (que, a exemplo de Olivia de Havilland, ia ensaiar, em sigilo, na casa de Cukor), e insatisfeito com as reclamações constantes do tirano Selznick, Victor Fleming sofreu um colapso nervoso;

Sam Wood assumiu a direção, iniciando seus 15% de participação no filme. Quando Fleming recuperou-se e voltou ao trabalho, os dois diretores continuaram na direção, mas em horários e sets diferentes. William Cameron Menzies e Sidney Franklin também dirigiram várias cenas;


Cerca de mil figurantes, misturados com outros tantos bonecos de cera, contribuíram para a magnificência da sequência em que Scarlett caminha entre os corpos de sobreviventes da batalha de Gettysburg;

Vivien Leigh trabalhou nos sets de filmagem por 125 dias, recebendo a quantia de 25 mil dólares, já Clark Gable trabalhou por 71 dias e ganhou 120 mil dólares;

Ninguém na produção acreditava que Vivien Leigh fosse resistir ao charme de Gable. Mas, na verdade, eles não se entenderam, pois ela considerava pouco profissional que ele deixasse o estúdio sempre às seis da tarde todos os dias. Já ele achava um abuso oferecer um papel essencialmente norte-americano a uma britânica. Os dois chegaram a protagonizar acesas discussões e a atriz muitas vezes ameaçou abandonar as filmagens;

Vivien odiava o hálito de seu parceiro – ele comia cebolas de propósito e bebia licor poucas momentos antes de gravar –, deixando-a com náuseas. Ele revelou que, quando a beijava, pensava em um bife. Na pele de Rhett Butler e Scarlett O'Hara ou na de Clark Gable e Vivien Leigh, eles jamais se entenderam;

As diferenças entre o produtor e o fotógrafo Lee Garnes culminaram com a demissão deste, sendo substituído por Ernest Haller, que nunca havia experimentado um filme colorido antes. O talentoso Garmes queria tons suaves, mas Selznick insistia em cores artificiais de cartão-postal.

clark gable
DEPOIS DAS FILMAGENS

Em 1º de julho de 1939 terminaram as filmagens e Selznick tinha diante de si uma montanha de celuloide revelado (cerca de 60.000 metros de filme), equivalente a 28 horas de projeção;

A trilha sonora é uma das mais longas concebidas para um filme (apenas 30 dos 222 minutos não possuem comentário musical). No mesmo ano, o vienense Max Steiner criou nada menos que outras 11 partituras;

Trancado dia e noite com o editor Hal C. Kern e seu assistente, James E. Newcom, o produtor montou a fita sem consultar nenhum dos diretores que nela tomaram parte e ordenou a filmagem de cenas adicionais, como a que Scarlett se esconde debaixo da ponte numa tempestade enquanto uma tropa da União passa sobre a mesma;

A produção custou pouco mais de cinco milhões de dólares e, quatro anos depois de seu lançamento, a renda obtida nas bilheterias superava a marca dos 32 milhões de dólares;

A famosa frase final de Rhett Butler: “Frankly, my dear, I don’t give a damn / Francamente, querida, eu pouco me importo”, foi censurada pelo Código Hays. A palavra “damn” era considerada pesada à época, mas, ao pagar uma multa de 5 mil dólares, Selznick conseguiu sua liberação;

ona munson
O filme idealiza a sociedade branca do velho sul dos Estados Unidos: os senhores de escravos são protetores benevolentes e a causa confederada uma nobre defesa da terra natal e de um modo de vida. Com isso, apresenta tendenciosamente uma visão positiva sobre a sociedade sulista ou o próprio conceito sulista sobre a Guerra Civil;

Enquanto uma multidão de um milhão de pessoas se acotovelava pelas calçadas e ruas de Atlanta – então com 300 mil habitantes -, na Geórgia, uma pequena carreata rumava lentamente ao cinema Loew’s Grand, com a fachada decorada como a mansão de Twelve Oaks. Nesta noite gelada de 15 de dezembro de 1939, os atores Vivien Leigh, Clark Gable e Olivia de Havilland receberam o público na cerimônia de estreia. “Foi o maior evento que presenciei no sul dos EUA", disse o ex-presidente Jimmy Carter ao “The New York Times”, em 1999;

O elenco negro sequer foi convidado para a première do filme, devido as leis racistas da Geórgia;

No Brasil, a estreia de gala aconteceu no Rio de Janeiro, no Cine Metro, em 12 de setembro de 1940, às 20h45m, com os 1.400 lugares do cinema inteiramente ocupados. A primeira dama do país, Darcy Vargas, patrocinou o evento, leiloando exemplares da obra de Margaret Mitchell autografados pelos astros principais do filme. No mesmo dia, diretamente de Hollywood, numa transmissão da Hora do Brasil, Gable, Vivien Leigh e Selznick saudaram o evento e contaram alguns detalhes da filmagem. O filme permaneceu oito semanas em cartaz com casa cheia;

selznick, vivien e o oscar
Foi a primeira fita a cores a ganhar o Oscar de Melhor Filme. Levou também Oscar de Melhor Diretor (Fleming), Melhor Atriz (Leigh), Melhor Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniel), Melhor Roteiro Adaptado (Sidney Howard), Melhor Fotografia a Cores (Ernest Haller e Ray Rennahan), Melhor Montagem (Hal C. Kern e James E. Newcom) e Melhor Cenografia (Lyle R. Wheeler), além de prêmios especiais. Concorreu ao Oscar de Melhor Ator (Gable), Melhor Atriz Coadjuvante (de Havilland), Melhor Trilha Sonora, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Som;

Na mesma cerimônia da Academia em que E O VENTO LEVOU arrebatou o Oscar de Melhor Filme, o versátil Thomas Mitchell - que faz Gerald O’Hara, pai de Scarlett - ganhou o Oscar de Ator Coadjuvante por “No Tempo das Diligências / Stagecoach”, de John Ford, como o bêbado doutor Josiah “Doc” Boone. Neste mesmo ano, ele faria três outros clássicos: “Paraíso Infernal / Only Angels Have Wings” (Howard Hawks), “A Mulher Faz o Homem / Mr. Smith Goes to Washington” (Frank Capra) e “O Corcunda de Notre Dame / The Hunchback of Notre Dame” (William Dieterle);

Este é o quarto de cinco filmes em que o diretor Victor Fleming e o ator Clark Gable trabalharam juntos. Os demais foram “Terra de Paixão / Red Dust” (1932), “A Irmã Branca / The White Sister” (1933), “Piloto de Provas / Test Pilot” (1938) e “Aventura / Adventure” (1945);

Está entre os 10 primeiros na lista dos 100 Filmes de Todos os Tempos do American Film Institute (AFI);

Do elenco, ainda está viva Olivia de Havilland, aos 98 anos de idade;

Lady Vivien Leigh (1913-1967), uma das maiores atrizes do teatro britânico, teve morte súbita por tuberculose aos 54 anos. Ao concluir “Os Desajustados”, O “Rei de Hollywood” Clark Gable (1901-1960) sofreu um infarto do miocárdio e morreu dez dias depois, em 1960.  Leslie Howard (1893-1943) partiu para sempre durante a Segunda Guerra Mundial, aos 50 anos, quando o avião em que viajava de Lisboa para a Inglaterra foi abatido por aviões alemães. Hattie McDaniel (1895-1952) faleceu aos 57 anos, na Califórnia. Thomas Mitchell (1892-1962), um dos maiores coadjuvantes do cinema hollywoodiano, aos 70 anos.
















2 comentários:

As Tertulías disse...

tao difícil se encontrar fotos "desconhecidas" de GWTW, nao é? Mesmo assim voce colocou duas que eu nao conhecia! Parabéns!

Kahlil Appel disse...

Um dos meus filmes favoritos. De vez em quando revisito ele e sempre me encanto com essa história. A história da produção é tão interessante quanto o proprio filme. Os extras presentes no DVD são um deleite pra quem gosta dessas coisas.
http://filme-do-dia.blogspot.com.br/