Caros Amigos

janeiro 13, 2012

************** O IRRESISTÍVEL ROCK HUDSON


Roy Harold Scherer Júnior foi abandonado pelo pai aos oito anos de idade, passando a ser educado com muita dificuldade pela mãe, uma empregada doméstica. Trabalhou como carteiro, mecânico de aeronaves da marinha e motorista de caminhão antes de ser conhecido como ROCK HUDSON (1925-1985). Um dos mais populares sucessos de bilheterias dos anos 50 e 60, não era um grande ator, mas tinha carisma e uma bela presença em cena. Durante sua ascensão ao estrelato, a Universal escalou-o para papéis coadjuvantes, geralmente em faroestes, até receber destaque em “Bando de Renegados / The Lawless Breed” (1953). Um ano mais tarde, o melodrama “Sublime Obsessão / Magnificent Obsession”, do mestre Douglas Sirk, transformou-o em astro, uma posição que manteve por mais de uma década. Seu principal desempenho, indicado para o Oscar, foi como o fazendeiro casado com Elizabeth Taylor em “Assim Caminha a Humanidade / Giant” (1956), e o mais popular, na série de agradáveis comédias românticas com Doris Day, começando com “Confidências à Meia-Noite / Pillow Talk” (1959). Ganhou quatro vezes o Globo de Ouro. Nos anos 70, fez sucesso na série de tevê “O Casal MacMillan”.






Moreno, muito alto (1,93 m), másculo, com um belo corpo e uma voz viril, o ator estava acima de qualquer suspeita, ocultando habilmente suas inclinações sexuais. Em 1946, após dar baixa da marinha, mudou-se para Los Angeles, tornando-se amante de Ken Hodge, um produtor musical. Ken fez tudo o que pode por ele, inclusive mudar-se para mais perto de Hollywood e dar festas para apresentá-lo aos caçadores de talento. Um deles, o sórdido Henry Willson, contratou o inexperiente Rock. Willson era um homossexual notório, vivia rodeado de rapazes ambiciosos aos quais prometia as luzes da ribalta. Enquanto elas não se acendiam, circulava com eles e os levava para a cama. Terminaria por lançar Robert Wagner, Rory Calhoun, Tab Hunter, Troy Donahue, John Saxon e George Nader. Rock se deixou seduzir em nome de sua carreira. O agente arrumou seus dentes e lhe pagou lições de interpretação, dança, desinibição e dicção, que inicialmente de nada adiantou. O grande Raoul Walsh deu-lhe uma única linha para falar num filme e foram necessárias trinta e seis tomadas para que ROCK HUDSON a pronunciasse direito. Mas o diretor percebeu que seu rosto era bom para a câmera. Contratou-o por um ano, vendendo o contrato depois para a Universal.


Liz e Rock
O estúdio divulgou romances do seu novo contratado - com as atrizes Vera Ellen e Marilyn Maxwell - para que os fãs não fizessem uma idéia errada a seu respeito. Ele logo passou a receber uma média de cento e cinqüenta propostas de casamento por semana. As revistas de cinema não paravam de perguntar: “Quando Rock escolherá uma noiva?”. Isso tudo o tornou muito cuidadoso. Passara a encarnar o herói romântico e sua carreira terminaria se o público tivesse a mais leve suspeita de que era homossexual. O único problema era a inesgotável energia sexual de ROCK HUDSON. Ele necessitava de sexo diariamente e não apreciava afeminados, mas tipos masculinos, de preferência bissexuais. Enquanto isso, seus filmes destacavam seu vigoroso físico. As revistas estampavam fotos suas dedicando-se a tarefas típicas masculinas, como lavar seu conversível vermelho. Sem camisa, obviamente, para exibir seu belo tronco. Uma delas tinha a seguinte legenda: “Olhando-o de qualquer ângulo, a conclusão é: que homem!”. Liz Taylor admitiu que, durante as filmagens de “Assim Caminha a Humanidade”, se sentira atraída por ele. Tudo inútil, pois ele preferiu cair nos braços de James Dean. 

Rock e Jane Wyman em "Sublime Obsessão"
Quando a revista “Confidential” passou a farejar a vida privada do astro, o estúdio resolveu casá-lo urgentemente. A escolhida, uma tímida e ingênua secretária, Phyllis, não tinha a menor idéia de estar sendo manipulada, apenas se deliciava com a possibilidade de ser a esposa do homem que todas as mulheres cobiçavam. Pelo bem da carreira, ele agüentou tanto quanto pode, mas o casamento só durou dois anos. Durante as filmagens de “Adeus às Armas / A Farewell to Arms” (1957), teve um tórrido caso de amor com um ator italiano (seria Franco Interlenghi?), beirando o escândalo. Para cimentar de vez sua imagem heterossexual, foi colocado ao lado da comportada Doris Day em “Confidências à Meia-Noite”. O filme custou um milhão e arrecadou 25 milhões de dólares. Ele passou a ser o ídolo número um do mundo. Em 1962, ROCK HUDSON conheceu um jovem chamado Lee Garlington e convidou-o para viver com ele. O caso se arrastou por nove anos, e o ator revelou que Lee fora uma das poucas pessoas que realmente amara na vida. No entanto, isso não o impedira de ter outras relações. 



Doris Day e Rock em "Confidências à Meia-Noite"

Rock amava ter inúmeros parceiros e frequentava discretas festas exclusivamente masculinas, principalmente aquelas em que não conhecesse quase ninguém. Com o declínio de sua carreira, a partir dos anos 70, ele direcionou todas as suas energias para sua vida sexual. Nas suas festas privadas enchia a piscina com cinqüenta belos jovens nus e bronzeados. “Os louros são os Scott e os morenos são os Grant”, dizia para os raros convidados. Ninguém desconhecia o famoso caso entre Randolph Scott e Cary Grant. Nos anos 80, numa casa de massagem, conheceu o oportunista Marc Christian, de 29 anos. ROCK HUDSON o levou pra casa, deu-lhe um salário mensal, pagou um tratamento para melhorar seus dentes, arranjou-lhe um personal trainer, um carro e organizou para ele lições de tênis. Foi nesta época que apareceram os primeiros sintomas de que sua saúde não estava bem. Logo descobriu que tinha Aids. Quando a revista “Variety” revelou sua doença, o mundo ficou estupefato. Mas ele morreu cercado de amigos, entre eles, Elizabeth Taylor. Depois de sua morte, seu ex-amante foi para os tribunais, alegando que o ator fazia sexo com ele sabendo que podia contaminá-lo. Ganhou a causa, embolsando 14,5 milhões de dólares. A última aparição de Rock no cinema foi em “O Embaixador / The Ambassador” (1984), de J. Lee Thompson, co-estrelado por Robert Mitchum.


(Fontes: “Rock Hudson – História de Sua Vida”, de Rock Hudson e Sara Davidson, 
e “A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood”, de Nigel Cawthorne)















37 comentários:

Filmes Antigos Club disse...

ROCK HUDSON era sem dúvida não somente um tipão e um colírio para os olhos femininos (e certamente até hoje chama a atenção, passados 26 anos de seu falecimento, as fotos estão aí para comprovar), mas independente disso,de sua trajetória e de seus dramas pessoais, ele era um ótimo ator, com um talento genuíno.

Saudações cinéfilas!

Paulo Néry

pinguim disse...

Belíssima descrição da vida e da carreira de um dos actores mais carismáticos da segunda metade do século XX, em Hollywood.
Despertava atenção nas mulheres e também em muitos homens.

Victor Ramos (Jerome) disse...

Vi poucos filmes com esse senhor, meu caro Antônio. Tenho que aprofundar mais nessa face clássica dos grandes astros.

Abs!

Pudim de Cinema

Fábio Henrique Carmo disse...

Na realidade, costumamos dizer que hoje há muitos astros fabricados, mas isso acontece em Hollywood desde sempre. Rock Hudson foi um deles. Sustentou sua carreira apoiado principalmente no carisma e na beleza.

Astroterapia Junguiana disse...

Lembro-me que na época quando souberam da doença de Hudson e de sua opção sexual foi uma bomba. Eu estava entrando na adolescência. Acho que hoje os impactos desse tipo de acontecimento é mais brando. Boas vibrações, Cynthia.

Marcelo C,M disse...

Fazia um par perfeito com a Taylor.
Para mim, Assim Caminha a Humanidade foi o seu melhor momento na carreira.

Enaldo disse...

James Dean e Rock Hudson? Novidade para mim,rs...

Danielle Carvalho disse...

Ah, Rock podia não ser nenhum gênio como ator, mas era lindo de morrer!
Antonio, que histórias você conta aqui!... Preciso confessar que as achei curiosas mas, sem querer ser advogada do diabo, acho que muito disso é fofoca. O fato de ele ter caído nos braços de James Dean! Quem viu? E o caso amoroso entre Cary e Randolph? Eles dividiam a mesma casa; acreditar que houve um romance não seria fantasiar demais?
Na verdade, me incomoda um pouco quando as histórias dos artistas se restringem à vida sexual deles. As biografias fazem isso porque sensacionalismo vende livro...

Tunin disse...

Ele, realmente não era um grande ator, mas tinha presença em cena e a mulherada gostava.
Abraços.

linezinha disse...

Adoro as comédias do Rock com a Doris Day.
Abç

Suzane Weck disse...

Adorei o novo visual da abertura do excelente Falcão Maltês.Obrigado pela visitinha e espero também que este novo ano te traga as maiores alegrias ,muita prosperidade e imensa felicidade.Grande abraço.

Dilberto L. Rosa disse...

Rapaz, se a vida sexual do Rock Hudson for a metade da mostrada naquele filme feito para a TV norte-americana sobre a sua vida, ele era uma bichona louquíssima: incrível como conseguiu manter sua carreira longe dos escândalos! Acho que o interesse pelos seus escândalos homossexuais é maior devido à sua falta absoluta de talento como ator.

Gostei da viagem pelo Cinema da sua terra, um foco de grandes artistas da Sétima Arte, sem dúvida. Provocação: seria essa uma forma de redimir-se pelas grosserias que você falou, certa feita, sobre o Cinema nacional, hein?!

Você só pisou na bola quando afirmou que James "Sony" Caan hoje é um ator quase desconhecido: como?! E o gigante sucesso na TV norte-americana, em séries como "Las Vegas", e a filmografia profícua nos anos 2000 ("Nova Iorque, eu te amo", "Middle Men", "Um duende em Nova Iorque", "Agente 86", "Dogville", só para citar quatro)?!?! Desconhecido?!

Abração, meu caro!

As Tertulías disse...

Inesquecível Rock!!!!!!!!

Antonio - estou batalhando aqui para poder gravar o "Opposite sex" e o DVD nao permite ser copiado que chatisse!!!!!!!!!

Gilberto Carlos disse...

Também adorava Rock Hudson. Ele sofreu um pouco tendo que se casar para manter as aparências, mas mesmo assim não deixou de aproveitar a vida.

Hugo disse...

Rock Hudson foi um astro em virtude da aparência, pois como ator foi apenas mediano.

Não muito diferente do que acontece com vários astros atuais.

Abraço

Eddie Lancaster disse...

Phyllis Gates num programa do Larry King que assisti afirmou categoricamente que foi uma grande surpresa saber que Rock Hudson era homossexual, e que durante o tempo que esteve casada ele era um verdadeiro touro. Se for verdade a declaração da Phyllis, o Rock, provavelmente CORTAVA DOS DOS LADOS.

Faroeste disse...

Minha opinião é um tanto oposta à de nosso querido editor. Rock Hudson pode ter tateado em interpretações no primeiro e segundo anos de sua carreira. Entretanto, ninguém pode negar que ele desempenhou papéis maravilhosos depois disso, que seu talento despontou e que ele fez filmes onde seu perfil de excelente ator ficou visivel como; Assim Caminha a Humanidade, Adeus às Armas e diversos outros dramas. Não podemos esquecer sua performance em Labirinto de Paixões, de Mulligan, num papel extremamente dificil e que ele o desempenhou com brilhamtismo. Independente disso teve destaque impressionante em comédias, principalmente as que fez com Doris Day. Isso tudo sem esquecer dos filmes que fez com Donglas Sirk e que esteve muito bem em todos, principalmente em Palavras ao Vento, onde dá um show de atuação ao lado de Stack e Malone.
Portanto, apesar de sua vida particular, mesmo porque somente viemos a saber de tudo isso já perto de sua morte, Hudson foi um ator no quilade dos mais brilhantes do cinema.
jurandir_lima@bol.com.br

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Também gosto muito das comédias de Rock com Doris, Linezinha. São deliciosas, super divertidas.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Obrigado, Suzane. Apareça sempre!
Abraços,

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Dilberto, sei que James Caan trabalha até hoje, mas não se tornou uma estrela ou um ator conceituado como deveria ter acontecido. Ele poderia estar no mesmo nível hoje de um Al Pacino ou um Robert Duvall, mas se perdeu.

Dilberto L. Rosa disse...

Não creio que James Caan pudesse chegar ao nível dos citados, independentemente de se melhores escolhas houvesse tomado... E quanto a minha provocação: fizeste as pazes com o Cinema Nacional?! Abração!

Jamil disse...

Não nego que o Rock era um bonitão, mas sempre me pareceu inseguro em cena. Só veio a relaxar ao lado de Doris Day. Mas gosto bastante dos comoventes melodramas que fez com Sirk.

Jamil disse...

Sim, assisti recentemente O Segundo Rosto, John Frankenheimer. Fiquei decepcionado. Começa bem, mas não decola. E o Rock não aproveita o seu complexo papel.

Marta Scarpa disse...

Sou fã! É o mais belo ator de sempre. Confesso que fiquei constrangida quando soube de sua homossexualidade.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Você entendeu mal - ou não me expressei muito bem -, amigo Dilberto. Gosto do cinema nacional. Acompanho toda a sua trajetória. Mas acho que ainda falta muito chão para percorrer, solidificando assim uma cinematografia.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Eu também criei muita expectativa em relação a O SEGUNDO ROSTO, Jamil. Gostei de verdade só da fotografia de James Wong Howe.

Karla Hack dos Santos disse...

Divo Total!!!
;D

André disse...

Muito boa a matéria... pretendo ler
sua biografia.

Abraço

tozzi disse...

Gostaria que os atores de hoje tivessem o charme e o carisma de Rock Hudson. Mas tá difícil.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

A biografia escrita pelo próprio Rock é bastante sincera, André. Vale a pena.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Talvez o George Clooney e o Ralph Fiennes, Tozzi.

Rubi disse...

Grande Rock Hudson!
Confidências à Meia-Noite é simplesmente fantástico. Tanto ele quanto a Doris Day estão incríveis.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Com certeza, Rubi, CONFIDÊNCIAS À MEIA-NOITE é uma comédia charmosa e divertidíssima. Gosto de todos os filmes da dupla, inclusive o desprezado NÃO ME MANDEM FLORES.

Elaine Sarmento disse...

Perdoem-me os incomodados, mas não resisto... sem qualquer preconceito, Rock é um "desperdício" de homem, ou como dizia minha mãe, um pedaço de mau caminho.
Excelente blog. Vou aparecer muitas vezes.

Rafa Amaral disse...

Adoro "Tudo o que o Céu Permite". Espetacular. Mas sempre reservo um tempinho para "O Segundo Rosto": sombrio e enigmático. Acho que esses dois filmes são os melhores com o Rock. Abraços!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Gosto bastante de TUDO O QUE O CÉU PERMITE, Rafa. Tão belo visualmente, tão emocionante. Sirk é um mestre e a Wyman uma atriz de mão cheia.

Anônimo disse...

É para rir. Minha mãe adorava Rock Hudson como machão e beleza do cinema. Passou anos sonhando com ele. Depois de sua morte por aids e saber que era homossexual, ficou irada. Eu era adolescente e gostava dos seus filmes. Nunca imaginei que fosse homossexual.