dezembro 06, 2014

***** GRACE, A VÊNUS IMPERIAL DE HOLLYWOOD


grace kelly
Há estrelas especiais, GRACE KELLY (1929-1982) é uma delas. Garota da alta sociedade, ela tinha tudo e estava destinada a se casar com um príncipe. Com refinado sotaque britânico, bela como uma estátua grega, aristocrática, a loura da Filadélfia foi apelidada ironicamente por Alfred Hitchcock como “Princesa da Neve”. Sua frieza fazia parte do estilo impecável, de aparência etérea e sensualidade reservada, sutil. Uma das mulheres mais famosas do mundo, tudo o que a atriz fazia era notícia. Sua passagem por Hollywood, de 1951 a 1956, mudaria sua vida para sempre e marcaria a história do cinema.


1951
Depois de trabalhar como modelo, brilhar nos palcos da Broadway - em “O Pai”, de August Strindberg, com Raymond Massey -, e se tornar uma reconhecida atriz de televisão, atuando em cerca de 60 teleteatros, estreou no cinema em “Horas Intermináveis / Fourteen Hours”, aos 22 anos. Dirigida pelo veterano Henry Hathaway em um pequeno papel, representa uma garota que discute com um advogado, desejosa de receber o divórcio do marido. Baseado em fatos reais que causaram comoção em Nova Iorque, o thriller narra a tentativa de suicídio de um rapaz infeliz (Richard Basehart), ameaçando jogar-se do alto de um edifício. Também no elenco, em pontas, duas futuras estrelas de matinês, Jeffrey Hunter e Debra Paget. A 20th Century-Fox, produtora do filme, convidou Grace para assinar um longo contrato, mas ela recusou, temendo ser confundida com apenas mais uma loura burra e sexy do estúdio.

com gary cooper
1952
O premiado Fred Zinnemann lhe ofereceu o papel de Amy, a esposa de Gary Cooper no clássico “Matar ou Morrer / High Noon”, onde um xerife pacato, preparando-se para partir em lua-de-mel, vê-se na obrigação de defender a cidade sem a ajuda de ninguém. Grace não gostou do personagem, tampouco o diretor do seu desempenho: “Ela era muito inexpressiva, mas isso se ajustava perfeitamente ao papel”. Além de revelá-la para o mundo, esse western campeão de bilheteria recebeu diversos prêmios, inclusive o segundo Oscar de Melhor ator para Cooper.

com clark gable
1953
Assinando um contrato-padrão de sete anos com a Metro-Goldwyn-Mayer, ela estreou no poderoso estúdio com o pé direito, como o terceiro nome de um elenco encabeçado por Clark Gable e Ava Gardner. Remake de “Terra de Paixões / Red Dust” (1932), de Victor Fleming, “Mogambo / idem” foi um dos grandes êxitos do ano. Na direção, John Ford. No papel de Linda Nordley, planejado para Gene Tierney, GRACE KELLY representa uma inglesa puritana, casada com um cinegrafista, que se apaixona por um caçador (Gable) em plena África. Ela conseguiu sua primeira indicação ao Oscar, de Melhor Atriz Coadjuvante, perdendo para a Donna Reed de “A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity”, mas levou o Globo de Ouro. No entanto, quem realmente rouba a cena é Ava Gardner.

com ray milland
1954
A essa altura, era visada por diversos diretores famosos. Foi o inglês Alfred Hitchcock que viu nela mais que um rosto bonito – a estrela que sempre procurara, a loura fria e distante que sugeria, de forma inconsciente, mil promessas. Hitch não hesitou em colocá-la no papel principal de “Disque M para Matar / Dial M for Murder”, inicialmente destinado a Deborah Kerr. Ela e o diretor se deram muitíssimo bem. Grace é a esposa infiel de Ray Milland, vivendo um caso com Robert Cummings. No mesmo ano, ela faria mais quatro filmes. O seguinte, “Janela Indiscreta / Rear Window”, uma obra-prima, verdadeira lição de voyeurismo, conta a história de um fotógrafo (James Stewart) que, de perna quebrada, imobilizado em seu apartamento, nada mais tem a fazer senão olhar pela janela de sua casa. Acaba presenciando um crime, e com a ajuda de sua namorada (Grace) o soluciona. Esse filme fez dela uma estrela, numa provocante presença erótica em cena.


com stewart granger
Logo após os dois filmes de Hitchcock, no auge da carreira, aceitou a proposta da Metro para filmar “Tentação Verde / Green Fire”, mas com um condição: que o estúdio a emprestasse à Paramount para atuar em “Amar é Sofrer / The Country Girl”. Ela queria provar que tinha talento, e com esse drama demonstrou qualidades dramáticas, levando o Oscar de Melhor Atriz - derrotando injustamente a Judy Garland de “Nasce Uma Estrela / A Star is Born” -, o Globo de Ouro e o prêmio do Circulo de Críticos de Cinema de Nova Iorque. Interpreta a mulher deprimida e obstinada de um ator alcoólatra e fracassado (Bing Crosby). Já o banal “Tentação Verde”, dirigido por um diretor ruim, Andrew Morton, é considerado o seu pior filme. Rian (Stewart Granger), um aventureiro em busca de esmeraldas, acaba conhecendo Catherine (Grace), dona de uma plantação de café. Com o período das chuvas, o rio inunda a plantação e a única solução de salvá-la seria explodir a montanha onde se encontram as pedras preciosas. Sob as ordens de Mark Robson fez o convencional “As Pontes de Toko-Ri / The Bridges at Toko-Ri”, como a doce esposa de um piloto (William Holden) em missão oficial arriscada. Também no elenco, Fredric March e Mickey Rooney.

com cary grant

1955
Ela já era uma das maiores bilheterias de Hollywood, e estava no ápice da beleza e fama, quando foi convocada novamente pelo mestre Alfred Hitchcock para contracenar com Cary Grant no charmoso “Ladrão de Casaca / To Catch a Thief”, muito mais uma comédia romântica ambientada na Baviera que um filme de suspense. Grant é John Robbie, “O Gato”, um ex-ladrão de jóias que vive em uma bela casa nas montanhas. Uma série de roubos de jóias acontece nos hotéis e ele é o principal suspeito. Para provar sua inocência, deve prender o verdadeiro criminoso que imita seus antigos roubos. No caminho, encontra Francie Stevens (GRACE KELLY), uma garota arrebatadora.

com alec guinness
1956
Depois de recusar uma série de filmes importantes – “Assim Caminha a Humanidade / Giant”, “Gata em Teto de Zinco Quente / Cat on a Hot Tin Roof”, “Teu Nome é Mulher / Designing Woman” etc. – ou outros de qualidade discutível – “Honra a um Homem Mau / Tribute to a Bad Man”, “A Coroa e a Espada / Quentin Durward” e “A Família Barrett / The Barretts of Wimpole Street” -, estrelou o delicado e charmoso “O Cisne / The Swan”, de Charles Vidor, como uma princesa, em um reino na Europa, dividida entre o amor de um monarca (Alec Guinness) e o de um professor (Louis Jourdan).


com frank sinatra
Neste mesmo ano faria também o belo e sofisticado musical “Alta Sociedade / High Society”, remake de “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940). No papel que reinventou a carreira de Katharine Hepburn, ela divide a cena com Frank Sinatra, Bing Crosby, Celeste Holm e Louis Armstrong. Num mundo de ricos, Tracy Lord e C. K. (Crosby), um casal que acaba de se divorciar. Ela quer começar uma nova vida, ao lado de um novo companheiro, mas está dividida entre o noivo pomposo, o ex-marido playboy e um jornalista sedutor, numa confusão romântica recheada de belas canções compostas por Cole Porter. Grace e Crosby gravaram “True Love”, que ficou no topo das paradas. Esse longa marca a sua despedida das telas. Ela logo se casaria, tornando-se a princesa de Mônaco e nunca mais voltando a filmar, mesmo com insistentes convites de Alfred Hitchcock, entre outros diretores.


CLASSIFICAÇÃO DOS FILMES DE GRACE KELLY

***** (Ótimo)
JANELA INDISCRETA; LADRÃO DE CASACA;

**** (Muito Bom)
MATAR OU MORRER; DISQUE M PARA MATAR;
O CISNE; ALTA SOCIEDADE;

*** (Bom)
HORAS INTERMINÁVEIS; MOGAMBO;

** (Regular)
AMAR É SOFRER; AS PONTES DE TOKO-RI;

* (Ruim)
TENTAÇÃO VERDE





32 comentários:

Márcio Sallem disse...

Gene Kelly era impecavelmente linda e nas lentes de Hitchcock, ficava angelical.

No mais, sugeri ao Luiz Santiago do Cinebulição para explorarmos conjuntamente alguns clássicos e publicar simultaneamente impressões pessoais nos nossos Blogs, o que acha?

Abraços!

disse...

Que excelente dissecação da curta mas prolífica carreira de Grace Kelly, cheia de detalhes! A foto que abre a postagem está maravilhosa.
Abraços!

pinguim disse...

Sem qualquer dúvida uma actriz "diferente" em Hollywood, uma autêntica princesa, antes de o ser na vida real.

Marcelo C,M disse...

Talentosa e sem sombra de duvida uma das mais belas atrizes de todos os tempos. Devido ao fato de eu estar me preparando para fazer parte do curso sobre o mestre do suspense na próxima semana, decidi rever alguns de seus filmes, dentre eles, o magistral Janela Indiscreta. Sem sombra de duvida esse é o melhor filme da atriz, onde ela esbanja um talento refinado e uma beleza que enfeitiça. A sua primeira cena do filme, onde se aproxima para beijar James Stuart, é sem sombra de duvida a melhor cena que Alfred Hitchcock conseguiu da atriz.

Rodrigo Mendes disse...

Amo GRACE KELLY!!! Fiquei mal acostumado em vê-la com frequência nas fitas de Hitch, mas sem dúvidas que ela teve excelentes papéis como em "Amar é Sofrer".

Diva!

Abs.

Filmes Antigos Club disse...

Grace Kelly foi toda MARAVILHA que o cinema já teve. Beleza, elegância, e talento combinavam juntas, e faziam dela uma verdadeira deusa quase no sentido ipisis literis da palavra. Post bem elaborado. Saudações!

Rato disse...

Grace Kelly foi uma mulher muito bela, de enorme classe, que não precisou de ser uma grande actriz para brilhar no écran, sobretudo quando dirigida por mãos competentes - o velho Hitch à cabeça, é claro. Inesquecível é aquele longo, longo beijo (e os olhares, "antes" e "depois") que dá a Cary Grant no "Ladrão de Casaca"

O Rato Cinéfilo

Celo Silva disse...

A mais bela de tds! Somenter vendo as fotos já me emociono. Uma das grandes e mesmo com poucos filmes virou lenda, tanto pelo talento qt pela beleza. ABs!

Suzane Weck disse...

Que beleza de documentário sobre a Grace.Está ótimo demais.Grande ab raço.

Faroeste disse...

Uma beleza não fria, mas gelada, um talento que não consigo descobrir onde e uma seleção de filmes que lhe deram sorte, apesar de não ter feito os melhores que lhe foram oferecidos.
Salva-se em Disque M ao lado de Milland e em Janela Indiscreta, desta vez contracenando com o magistral Stewart.
No mais uma lenda marcada por uma face bonitinha e um casamento que a elevou à condição de princesa.
Afora isso, muito pouco mais.
jurandir_lima@bol.com.br

As Tertulías disse...

Faroeste... falta de conhecimento nao justificativa para tal bobo comentário... palavra chave: Country Girl...

As Tertulías disse...

Antonio, voce cortou meu outro comentário?????

linezinha disse...

Belissíma Grace,de seus filmes o meu preferido é Janela Indiscreta,ontem(sábado)faria 82 anos se fosse viva.
Abraços

DarkNinja disse...

Uma atriz que não era muito talentosa, mas que possuía um inegável carisma, além de ser a mais bela atriz de seu tempo. Destaco seus três filmes com Alfred Hitchcock. Só espero que no futuro os catalães não a "homenageiem" com um boneco de presépio seu, os famosos 'caganers'.

M. disse...

Ela era linda glamourosa, atriz nem tão sensasional assim, mas aproveitou muita a vida.

Dilberto L. Rosa disse...

Taí uma incontestável bela de talento mais do que contestável: nunca me apeteceu, assim como outras "divas" (como tua amada Garbo). Pensei que, no final, como normalmente fazes em tuas "biografias", fosses falar das polêmicas envolvendo sua morte...

Mas cá entre minhas orelhas ficou a dúvida: o que tem a ver o clássico 'outsider' de Bertollucci com esta bela, porém chata loira fria? Mistério... Abração!

P.S.: tem postagem nova nos Morcegos (aproveita e olha a resposta ao teu comentário do 'post' anterior)!

Pedro Ferreira de Freitas disse...

Achei ela deslocada em Matar ou Morrer, não por culpa dela e sim de quem a escalou.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Gosto mais dela em LADRÃO DE CASACA, Marcelo. Esse é também um dos filmes de Hitch que mais gosto. A química entre Grace e Cary é exata.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Jurandir, também não a considero muito talentosa, mas era carismática, bela como uma deusa e carismática. Além dos filmes de Hitch, está muito bem em O CISNE e ALTA SOCIEDADE.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Não, Ricardo (As Tertúlias). Nunca deleto qualquer comentário. Daria para postá-lo outra vez?

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Vi a resposta no seu blog, Dilberto. Vê se publica logo esse livro. E você está enganado, não tenho esse chamego todo por Garbo (como já disse, su mais Crawford, Davis, Shearer, Colbert, Stanwyck etc., mas o mito merece ser cultivado.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Concordo com você, Pedro. Grace não se encaixa no contexto geral de MATAR OU MORRER. A presença de Katy Jurado é bem mais marcante.

Jamil disse...

A Grace era linda de morrer, mas uma atriz ruim. O Oscar que ganhou foi uma grande injustiça.

Jamil disse...

E ninguém comentou sobre a obra prima de Bertolucci?!! Filme sensacional, verdadeiro, ainda totalmente atual. É o papel da vida de Brando.

annastesia disse...

Uma das grandes estrelas dos áureos tempos de Hollywood, beleza hipnotizante, charme e classe, atriz talentosa e muito amiga do meu querido mestre Hitch. Parabéns pelo texto Antônio.

Não posso deixar de dizer que gosto demais de O último tango em Paris. Forte, intenso, triste e desconcertante. Fotografia linda e a performance de Brando que mais gosto.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Também acho O ÚLTIMO TANGO EM PARIS uma maravilha, Annastesia.
Beijos e volte sempre

tozzi disse...

Não vejo nada de especial na Grace Kelly como atriz. Era inexpressiva como a Kim Novak ou a Tippi Hedren. Sua imagem só resiste pelo marketing fabricado do conto de fadas principesco.

tozzi disse...

Nahud, vale lembrar a temporada de Maria Schneider no Brasil, quando veio filmar Mar de Rosas, da Ana Carolina, e aprontou todas. Dê uma pesquisada.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Ótima ideia, Márcio. Conte comigo.

Soraya Silva disse...

Maravilhosa, mas esse título tem dona: Gina Lollobrigida. Mas Grace é mesmo uma Venus Imperial.

Jorge Domingos de Freitas disse...

Beleza e classe...

Rose disse...

Adorei seu blog. Parabéns!