junho 09, 2019

********* SOPHIA LOREN: uma LINDA MULHER



Apelidos: “Vareta” e “Palito” (ainda criança)
e “Marilyn Monroe italiana”
Altura: 1,75 cm
Cabelos: negros
Olhos: verdes

ANTONIO NAHUD entrevista SOPHIA LOREN em Roma, Itália, 2005. Publicada na revista “Profashional” (SP)


Ela é encantadora. Passa poder, autoconfiança, sensualidade e sua personalidade é muito forte. Setenta e um anos, e nem parece. O tempo dá a impressão de arrastar para a “mulher mais bela do mundo” ou a “mais sexy do mundo”, como foi qualificada em passado recente a atriz italiana SOFIA LOREN (1934. Nápoles / Itália). Segue esguia e elegante, corpo escultural, as famosas pernas e um rosto belíssimo, olhos verdes vivos cheios de curiosidade, um caráter alegre e uma grande vontade de continuar em cena. Maravilhosamente bela, simpática e envolvente. 

Sofia Constanza Brigida Scicolone é o seu verdadeiro nome. Chegou em Roma aos 15 anos em busca da fama e da fortuna. Veio de uma infância miserável nos subúrbios de Nápoles. Brilhou, crescendo como atriz e protagonizando mais de 80 filmes, entre eles o memorável “Duas Mulheres” (1960). Atravessando fronteiras, tornou-se uma das primeiras divas da Itália a se impor na meca do cinema, Hollywood, onde recebeu dois Oscar. 

Vive entre Suíça e Estados Unidos, levando uma vida pacata e assistindo regularmente a desfiles de moda de Armani e Valentino. A imagem de mulher sofisticada não afeta sua dedicação como mamma de dois filhos, Carlo e Edoardo, e satisfeita dona de casa. Casada com o produtor cinematográfico Carlo Ponti, determinada até os limites inverossímeis, tem uma vontade de ferro. Clara, direta, fala olhando nos olhos. Confira a entrevista:

Sei da sua infância difícil. O que diz dela?

Vivi uma infância realmente dolorosa. Fiquei adulta antes do tempo. Conheci a guerra, dificuldades do pós-guerra, a necessidade e a fome. Minha mãe lutou como um leão para nos alimentar.

Li em algum lugar que sua mãe, Romilda Villani, sonhava em ser atriz.

Ela parecia a Greta Garbo. Quando saía na rua, paravam para olhá-la. Ganhou o concurso “Greta Garbo” entre trezentas candidatas e foi chamada para trabalhar em Hollywood, mas minha avó não permitiu. Para sua infelicidade, conheceu meu pai, engravidou e foi o fim das suas ambições cinematográficas.

Lembra-se dos primeiros passos no cinema?

Evidentemente. Convencida por um vizinho, minha mãe me inscreveu no concurso “A Rainha do Mar”. Desfilei com um vestido rosa, feito de retalhos de cortinas, e uns velhos sapatos negros cobertos com pintura branca. Entre duzentas garotas, fiquei em segundo lugar. A seguir mudamos para Roma, procurando trabalho no cinema. Não foi fácil, passamos dificuldades. Participei de outros concursos, fiz cursos de teatro, fotonovelas, figuração, alguns filmes, até que Carlo (Ponti) me contratou para uma série de sete longas. Alguns fizeram sucesso, como a comédia “O Ouro de Nápoles”.

Passados tantos anos, a sua extraordinária forma física é admirável. Como se sente?

Como pode ver, estou bem. Olho para mim e digo: não está nada mal essa Loren. Mas a idade não é uma coisa importante. Cuido do aspecto físico por respeito a mim mesma, mas sem fazer disso uma obsessão.

Qual o segredo da juventude?

Não faço uso frequente do bisturi como muita gente pensa. Só uma disciplina férrea pode retardar a velhice. Para continuar bela é preciso fazer esforços, levar uma vida saudável. Eu me deito cedo, levanto cedo, sou ativa, cuido do corpo.

O escritor inglês Anthony Burgess a definiu como “uma verdadeira heroína do nosso tempo, uma beleza na quarta dimensão: não só física, como total”. Se sente incomodada por ser vista como sex symbol?

Burgess é um grande escritor, e sua ênfase, que estou agradecida, também é grande, talvez mais do que eu realmente mereça. Quanto a fazer parte do imaginário erótico de tantas pessoas, não me desagrada em absoluto. Deixa-me honrada. De verdade que gosto imensamente, ainda mais agora que estou madura.

Quando começou, os símbolos de beleza eram mulheres robustas, curvas e decotes, de Silvana Mangano a Gina Lollobrigida. Hoje a mídia exalta anoréxicas top models. O que mudou?

Não me parece que é bem assim. A propagada beleza das modelos atuais é antes de tudo uma massiva e ilusória campanha dos meios de comunicação.

O que é importante para você?

A família, os amigos, a carreira. Tenho o cinema no sangue, é uma paixão que se repete a cada filme. Ainda hoje, quando faço um filme, é como se fosse a primeira vez, e, em consequência, faço com o mesmo entusiasmo e emoção da primeira vez que estive diante de uma câmara.

Sei que não duvidou em interromper a carreira por um tempo para gerar e cuidar dos seus filhos.

Com a maior alegria. A arte seria pouca coisa, ou até não existiria, se não estivesse vinculada a nossa vida, aos nossos sentimentos. Sou orgulhosa do meu trabalho, é muito importante na minha vida, mas meus filhos são outra coisa. A coisa maior da minha existência.

Representa um modelo  de elegância e também de perfeita dona de casa. Inclusive, sabe-se que cozinha muito bem.

Adoro a vida doméstica, ao lado dos filhos, cozinhando. Quando era criança, sonhava em poder comprar o que tivesse vontade e cozinhar para todos. Felizmente a vida me deu muito mais do que eu havia sonhado. Realmente gosto de cozinhar, o que me levou a publicar no ano passado um livro de culinária nos Estados Unidos, “Recipes and Memories”. Creio que é um bom trabalho, genuíno e útil.

Está com Carlo Ponti há quase cinquenta anos. Como o conheceu?

Participei do concurso “Miss Roma”, ganhando o título de “Miss Elegância”. Carlo fazia parte do júri. Tinha quinze anos e ele me ajudou muito, mas no início era só uma boa amizade. Carlo me inspirou confiança desde o nosso primeiro encontro. Logo a amizade cresceu, transformou-se em admiração, carinho, amor, embora eu tentasse não pensar nele, porque estava casado, tinha dois filhos.

Trabalhou com grandes cineastas. Qual deles mais a impressionou?

Vittorio De Sica. O nosso primeiro encontro aconteceu no set de “Ouro de Napóles”, em 1954, e já naquela ocasião descobrimos a sintonia que nos unia. Com ele fiz “Duas Mulheres” e “Matrimônio a Italiana”, dois filmes que gosto muito.

São os seus favoritos?

Ao lado de “Um Dia Especial”, de Ettore Scola.

Marcello Mastroianni está inesquecível nesse drama melancólico. Sua parceria cinematográfica com ele é mítica. Guarda boas recordações?

Claro. Marcello era um ator maravilhoso. Fizemos juntos uma dezena de filmes, praticamente uma vida juntos. Entre nós havia amizade e uma profunda conexão profissional.

Acaba de lançar o filme “Peperoni Fritti e Pesci in Faccia”. O que espera interpretar a seguir?

Depois deste filme da Lina Wertmuller espero que surjam novos convites. Tenho vontade de continuar trabalhando. E não tenho preferências. Basta que seja um bom papel e um bom roteiro. Enquanto espero, procuro ser uma representante eficiente da Agência Italiana para a Moda, da qual sou a presidente. A moda italiana é importante e estou honrada em fazer promoções neste campo.

Continua tendo muitos convites para filmar?

Tenho sorte. Nos últimos anos fiz três ou quatro filmes que gosto, verdadeiramente adequados para a meu estilo. Mesmo com uma idade avançada, escolho os papéis e só faço o que gosto. Como sempre aconteceu na minha trajetória de atriz.

Considera-se satisfeita?

Se estivesse totalmente satisfeita sentiria o peso da vida. Viver, ao contrário, é estar aberta a novas iniciativas, projetar-se na vida dos filhos e enriquecer nossas próprias experiências. Sou uma mulher contente, feliz. Realmente a vida me deu muito mais do que eu esperava. Talvez por isso faça as coisas com o coração, com a alma, respeitando-me e ao próximo.


10 FILMES de SOPHIA
(por ordem de preferência)

01
Um DIA MUITO ESPECIAL
(Una Giornata Particolare, 1977)

Direção de Ettore Scola
Elenco: Marcello Mastroianni e John Vernon

David de Donatello de Melhor Atriz

02
MATRIMÔNIO à ITALIANA
(Matrimonio all'Italiana, 1964)

Direção de Vittorio De Sica
Elenco: Marcello Mastroianni, Tecla Scarano e Marilù Tolo

Melhor Atriz no Festival de Cinema de Moscou
David di Donatello de Melhor Atriz

03
DUAS MULHERES
(La Ciociara, 1961)

Direção de Vittorio De Sica
Elenco: Jean-Paul Belmondo, Raf Vallone, Eleonora Brown,
Andrea Checchi e Pupella Maggio

Oscar de Melhor Atriz
Melhor Atriz no Festival de Cannes
David di Donatello de Melhor Atriz
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova Iorque
BAFTA de Melhor Atriz Estrangeira

04
ONTEM HOJE e AMANHÃ
(Ieri Oggi Domani, 1963)

Direção de Vittorio De Sica
Elenco: Marcello Mastroianni e Tecla Scarano

David di Donatello de Melhor Atriz

05
A QUEDA do IMPÉRIO ROMANO
 (The Fall of the Roman Empire, 1964)

Direção de Anthony Mann
Elenco: Stephen Boyd, Alec Guinness, James Mason,
Christopher Plummer, Anthony Quayle, Omar Sharif
e Mel Ferrer

06
A ORQUÍDEA NEGRA
(The Black Orchid, 1958)

Direção de Martin Ritt
Elenco: Anthony Quinn e Ina Balin

Melhor Atriz no Festival de Veneza

07
Os GIRASSÓIS da RÚSSIA
(I Girasoli, 1970)

Direção de Vittorio De Sica
Elenco: Marcello Mastroianni e Lyudmila Saveleva

08
EL CID
(Idem, 1961)

Direção de Anthony Mann
Elenco: Charlton Heston, Raf Vallone, Geneviève Page,
Hurd Hatfield e Massimo Serato

09
DESEJO
 (Desire Under the Elms, 1957)

Direção de Delbert Mann
Elenco: Anthony Perkins e Burl Ives

10
ORGULHO e PAIXÃO
(The Pride and the Passion, 1957)

Direção de Stanley Kramer
Elenco: Cary Grant e Frank Sinatra


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