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“decálogo” |
Durante os tempos de estudante, casou-se com Marysia, com quem viveu até o fim da vida e teve uma filha. Ao sair da faculdade, passou a dirigir uma série de documentários políticos como “Fabryka” (curta, 1971), “Murarz” (curta, 1973) e “Zyciorys” (curta, 1975). Em1976, realizou a primeira obra de ficção, “Blizna”. A partir de 1979, a carreira de KRZYSZTOF KIESLOWSKI começou a ganhar reconhecimento internacional, com a realização de “Amador / Amator”, premiado nos Festivais de Cinema de Moscou e Chicago. Este filme, que conta a história de um cineasta abandonado pela mulher, marcou nova, e definitiva, fase na sua carreira: uma cinematografia que foge de uma abordagem mais social e política e se aprofunda de vez nos dramas e tragédias pessoais que sufocam os seres humanos, independentemente dos regimes políticos a que estão submetidos. Foi o tempo de “Przypadek” (1981) e “Sem Fim / Bez Konca” (1985).
Em 1988, realizou “Não Amarás / Krótki Film o Milosci” e “Não Matarás / Krótki Film o Zabijaniu” (Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes), consagrando-se como um dos maiores cineastas do mundo. No primeiro, um funcionário do correio obcecado por uma mulher madura e independente, tenta uma aproximação. O segundo, narra uma visão amarga da vida. Entre 1989 e 1990, rodou o “Decálogo / Decalogue”, filmes magistrais realizados para a tevê, livremente inspirados nos dez mandamentos bíblicos. Um trabalho monumental que reúne em dez filmes, de cerca de uma hora cada, a vida de vários moradores de um condomínio em Varsóvia. O acaso, a tragédia e a beleza das coisas simples são o mote para o diretor polonês criar talvez o maior panorama do cotidiano já realizado na história do cinema.
Em 1988, realizou “Não Amarás / Krótki Film o Milosci” e “Não Matarás / Krótki Film o Zabijaniu” (Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes), consagrando-se como um dos maiores cineastas do mundo. No primeiro, um funcionário do correio obcecado por uma mulher madura e independente, tenta uma aproximação. O segundo, narra uma visão amarga da vida.
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irène jacob em “a dupla vida de veronique” |
No inicio dos 90, KRZYSZTOF KIESLOWSKI trocou Varsóvia por Paris e começou a mais importante fase da carreira, realizando suas obras mais fundamentais: “A Dupla Vida de Véronique / La Double Vie de Véronique” (1991) e a trilogia baseada nas cores da bandeira francesa: “A Liberdade é Azul / Trois Couleurs: Bleu” (1993), “A Fraternidade é Vermelha / Trois Couleurs: Rouge” (1994) e “A Igualdade é Branca / Trois Couleurs: Blanc” (1994). Em “A Liberdade é Azul”, o meu favorito, Leão de Ouro no Festival de Veneza, o drama toma conta da história. Conhecemos Julie (sensacional Juliette Binoche), que após perder o marido e a filha em um acidente de carro, renega tudo e todos e passa a viver evitando tudo que lhe cause qualquer emoção. O silêncio dá o tom, focando em objetos e pontos vazios para explorar a solidão da protagonista.
Já “A Igualdade é Branca”, Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim, é um filme mais leve, mas não menos tenso. Nele, Karol (Zbigniew Zamachowski) leva a vida com uma incrível falta de tato e principalmente de sorte. Sua mulher Dominique (Julie Delpy), o abandona às traças porque simplesmente ele não dá mais conta do recado de satisfazê-la. Karol então volta para a Polônia e trama calmamente sua vingança contra a ex-mulher. Em “A Fraternidade é Vermelha”, prêmio César de Melhor Diretor e indicado ao Oscar na mesma categoria, Valentine (Irène Jacob) é uma modelo que vive em Paris, longe do namorado e da sua família em ruínas. Ao conhecer um juiz aposentado (um extraordinário Jean-Louis Trintignant), que passa o tempo espionando os vizinhos, Valentine vê sua vida mudar e tomar rumos inesperados. Nesses três filmes da trilogia, KIESLOWSKI uniu emoção, sentimentos e degradação humana.
Já “A Igualdade é Branca”, Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim, é um filme mais leve, mas não menos tenso. Nele, Karol (Zbigniew Zamachowski) leva a vida com uma incrível falta de tato e principalmente de sorte. Sua mulher Dominique (Julie Delpy), o abandona às traças porque simplesmente ele não dá mais conta do recado de satisfazê-la. Karol então volta para a Polônia e trama calmamente sua vingança contra a ex-mulher. Em “A Fraternidade é Vermelha”, prêmio César de Melhor Diretor e indicado ao Oscar na mesma categoria, Valentine (Irène Jacob) é uma modelo que vive em Paris, longe do namorado e da sua família em ruínas. Ao conhecer um juiz aposentado (um extraordinário Jean-Louis Trintignant), que passa o tempo espionando os vizinhos, Valentine vê sua vida mudar e tomar rumos inesperados. Nesses três filmes da trilogia, KIESLOWSKI uniu emoção, sentimentos e degradação humana.
Consagrado, KRZYSZTOF KIESLOWSKI surpreendeu o mundo dizendo que iria deixar de realizar filmes. “Estou cansado, achando tudo muito chato. Para mim, atualmente viver é mais importante que fazer cinema. E quero viver!”, disse em entrevista em 1995. Ele cumpriu a promessa: não fez mais filmes. Não teve tempo: morreu de enfarte, às vésperas de completar 55 anos, em 1996. Ainda assim, escreveu o roteiro da trilogia “Paraíso, Purgatório e Inferno”, baseada na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Em 2002, o alemão Tom Twyker filmou o roteiro de “Paraíso / Heaven”; e o polonês Stanislaw Mucha completou a trilogia do mestre com “Purgatório / Nadzieja”, de 2007.
18 comentários:
Conhecia muito pouco sobre ele, obrigada pelo aprendizado =)
Kieslowski é um dos grandes. Genial e marcante, sua obra virou obrigação para qualquer cinéfilo. Gosto muito de "A Dupla Vida de Véronique", "A Liberdade é Azul" e "A Igualdade é Branca". Pena que morreu ainda cedo. Tinha mais contribuições da dar com sua arte apurada.
Kieslowski é um dos meus favoritos. Sua acuidade foi intensamente emocionante. Deixou obras-primas indeléveis, lindas!
Dele, o que mais gosto ainda é "Não amarás", tenho esse DVD, quando não o tinha ainda ia muitas vezes à locadora e o alugava.
O caso a Natalie me faz lembrar o seriado Cold case, acho legal esclarecer uma morte que nao foi bm contada sua real versão.
Pra mim, Kieslowski é rei. Adoro o estilo humanista do diretor. Gosto muito da trilogia das cores (A Liberdade é Azul é o meu preferido), o Decálogo é monumental, mas meu Kieslowski do coração, e um dos filmes de minha vida, é Não Amarás. É um dos melhores filmes sobre as potencialidades do amor, mesmo que já não acreditemos mais nele.
E uma curiosidade, além do Tykwer ter dirigido Paraíso, o diretor bósnio Danis Tanovic dirigiu Inferno, e um outro cineasta fez o Purgatório.
Foi pena ter morrido tão cedo, sem dúvida um realizador que ficava melhor a cada novo filme que fazia... Cumprimentos
Descobrindo coisas novas... Oba!!! Obrigado, amigo!!!!
Tai uma filmografia que preciso conhecer.
Além da "trilogia das cores" um filme do Kieslowski que amo é "Não Amarás"!
Não é um realizador de filmes lineares, mas é sempre muito interessante.
Infelizmente, só vi dele "A Dupla Vida de Véronique" (que música fantástica) e a trilogia das cores, mas gostei muito.
NAHUDE, LIGUE PRA MIM.
L.HELENA
8821 5195
do Kieslowski só assisti "Não Amarás",belo filme!
e sobre a Natalie eu espero que o que aconteceu no dia da sua morte seja esclarecido.
bj
Um bom artigo! Bem feito!
Alexandre Fabbri
KIESLOWSKI'S WORLD
Dona de uma beleza natural, e que ainda me encanta, Natalie Wood não é tão cultuada, como outras atrizes de sua geração, mas, certamente, possui um lugar importante na história do cinema. Merece a lembrança.
Quanto ao Kieslowski, gosto bastante de "Amador" (muitas vezes reprisado no canal Futura).
Kieslowski é uma das melhores coisas que aconteceram nos últimos 30 anos. Ainda me falta o Decálogo, embora eu já tenha visto Não Matarás.
Meu favorito também é "A Liberdade é Azul". Adorei conhecer mais sobre a carreira desse ótimo cineasta de nome impronunciável.
Abraços!
Maravilhoso e existencialista, lindamente filosófico, original, sensível, transcendente e essencial. Decálogo realmente é uma beleza, em especial o episódio cinco (e sua versão longa). A trilogia das cores é uma das mais belas criações do cinema de todos os tempos. A liberdade é azul é o meu favorito dos três. Parabéns pela merecida homenagem a Kieslowski, Antônio!
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