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maio 16, 2011

******* RITA e ORSON: a DEUSA do AMOR e o GÊNIO

orson e rita
Protótipo da star, RITA HAYWORTH (1918 - 1987) nasceu como produto made in Hollywood para o consumo da fantasia amorosa do mundo inteiro. No entanto, essa indústria que ainda hoje fabrica ídolos e arquétipos, poucas vezes teve um êxito mais significativo. Escultural e esbelta, vestida num longo brilhante e negro, a falsa ruiva arrepiou multidões cantando “Put the Blame on Mame” em “Gilda / Idem” (1946). No mesmo ano, os Estados Unidos realizaram uma experiência atômica no Atol de Bikini, e a infeliz bomba nuclear que lançaram levou o nome de “Gilda”.  Na mesma década, depois do reboliço em torno de “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941), ORSON WELLES (1915 - 1985) enfrentava inúmeras dificuldades, entre elas, o fim do noivado com a atriz mexicana Dolores Del Rio, a falta de grana e o cancelamento do seu documentário “É Tudo Verdade”, que estava filmando no Brasil. 

Ao ver a foto de Rita na capa da revista “Life”, ele se animou e resolveu casar com ela, mesmo sem ao menos conhecê-la pessoalmente. Organizou uma festa para o encontro inicial dos dois. Consciente de sua falta de cultura, ela não o levou a sério, pensando que o maldito do cinema zombava dela. Mas não era nada disso. A atração real do diretor transformou-se em paixão ao perceber que o símbolo sexual retratado nas telas era uma mulher gentil, tímida, sensível e acuada com o intelecto dele. Durante cinco semanas ela recusou seus convites de um novo encontro, porém casaram logo depois, no mesmo ano de 1943, sem ao menos ela dar um basta no seu badalado namoro com o ator Victor Mature. Fascinado, o diretor confirmou na intimidade a simplicidade da atriz, ao contrário da ex, Del Rio, que estava sempre arrumada e penteada.


Apesar de Welles estar inteiramente enamorado, Rita começou a dar sinais de sua profunda insegurança. Ao menor pretexto, acusava-o de flertar com outras. Isso o irritava profundamente. Para completar, ela ficou grávida contra a vontade dele, dando a luz a uma menina, Rebecca. Com sua inteligência e sua personalidade exuberante, ORSON WELLES tinha muitos inimigos, e andava amargurado por sentir que fracassara como diretor. 

Para afagar seu ego, Orson teve um caso com Judy Garland, considerando que não fazia nada demais. Anos mais tarde, confessou-se constrangido ao pensar no sofrimento que causou a esposa naquele período. Sua infidelidade levou-a ao alcoolismo. Ela saía de casa bêbada e ele tinha medo de que se matasse. Apesar disso, passava mais tempo na companhia de prostitutas. A tragédia real estava no fato de serem opostos. Enquanto RITA HAYWORTH ansiava por largar o cinema e levar uma tranqüila vida doméstica, ele vivia para seu trabalho.


À beira de um colapso nervoso, a estrela convenceu o chefão da Columbia Pictures, Harry Cohn, a convidar seu marido para dirigir um filme de grande orçamento. ORSON WELLES deu a idéia do suspense “A Dama de Shangai”, mas desejava Barbara Laage, uma atriz francesa, como protagonista. Rita e Cohn não cederam. Por fim, ele mergulhou no trabalho, procurando fazer um veículo digno de uma das maiores estrelas da época. 

Para dar maior veracidade psicológica ao roteiro, incluiu nele referências ao passado da esposa: desde uma tentativa de estupro a desintegração simbólica da personalidade numa sala de espelhos. No set, RITA HAYWORTH sentia-se hipnotizada, fazendo tudo o que ele mandava, inclusive cortar seu cabelo ruivo, sua marca registrada, e pintá-lo de louro metálico. Ele pretendia mostrar ao mundo uma Rita como jamais fora vista. O casal trabalhava junto, em perfeita harmonia, mas notava-se que não havia mais a chama da paixão.


Terminado o filme, ORSON WELLES parou de dar-lhe atenção. Raramente estava em casa. Pouco depois, ela anunciou publicamente o divórcio, indo passar férias em Paris. Ele filmava “Macbeth / idem” e namorava Marilyn Monroe quando ela voltou a Hollywood. No mesmo dia em que o divórcio foi concedido, 10 de novembro de 1947, a “Life” publicava uma matéria sobre a atriz com a manchete “A Deusa do Amor”. RITA HAYWORTH viu isto como uma grotesca ironia. Estava convencida de ser um fracasso no amor. Mas a marca pegou e o refinado erotismo da star ficou na história. Suntuosa, sensual, encarnação do sex-appeal, inventou a mulher cuja força de atração e destruição radicava em sua beleza; a mulher como objeto erótico. Certa vez, narrando sua infelicidade com os homens, disse: “Eles dormiam com Gilda e acordavam comigo”.

FONTE


“Los Grandes Nombres del Cine”, de Manuel Villegas López, e “A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood”, de Nigel Cawthorne)


A DAMA de SHANGAI
The Lady From Shanghai
(1948)

País: EUA
Gênero: Policial
Duração: 87 min.
P & B
Produção, Direção e Roteiro:
Orson Welles (Columbia Pictures)
Adaptação do livro de Sherwood King
Fotografia: Charles Lawton, Jr.
Edição: Viola Lawrence
Música: Heinz Roemheld
Cenografia: Stephen Goosson e Sturges Carne (d.a.); 
Wilbur Menefee e Herman Schoenbrun (déc.)
Vestuário: Jean Louis
Elenco:
Rita Hayworth (“Elsa Bannister”), Orson Welles
(“Michael O'Hara”), Everett Sloane (“Arthur Bannister”),
 Glenn Anders, Ted de Corsia, Erskine Sanford
e Harry Shannon

Nota: ***** (ótimo)

PAIXÃO e CRIME

Cinema noir da melhor extirpe, esta pérola barroca de ORSON WELLES é uma das mais interessantes realizações do gênero. Hermético e estranho, cruel e sádico, conta a trama muito bem construída do irlandês Michael O'Hara (interpretado pelo diretor), envolvido em um caso escabroso por uma loira misteriosa e casada, Elsa Bannister (Rita). Inválido, mas poderoso, o rico marido da moça tem num luxuoso iate o seu principal passatempo. Ela convence o apaixonado Michael a juntar-se a eles para um cruzeiro no Pacífico. Entretanto, outro convidado propõe-lhe um estranho negócio: ajudá-lo a forjar sua morte para receber o milionário seguro de vida. Ele topa a parada, planejando fugir com Elsa depois que receber a sua parte. Mas quando o seu cúmplice é realmente assassinado, ele é acusado do  homicídio, percebendo que foi enganado. 

No clímax final, acontece um tiroteio dentro de uma sala de espelhos em um parque de diversões, com imagens distorcidas e referências ao expressionismo alemão, numa cena clássica bastante copiada ao longo do tempo. O elenco está perfeito e RITA HAYWORTH mais bela do que nunca. Outro ponto alto é a milagrosa fotografia em preto-e-branco de Charles Lawton, Jr. O filme teve locações em São Francisco e Acapulco, no México. Na sua narração em off, o protagonista faz referências aos pescadores do Brasil. O poeta Vinícius de Moraes, então diplomata, esteve no set de filmagem, acompanhado do jornalista brasileiro Alex Viany. O nosso país também está presente na canção “Na Baixa do Sapateiro”, de Ary Barroso, que faz parte da trilha.


novembro 04, 2010

********************* ESTRELAS NUAS



Em 1949, a futura mais famosa loira platinada do cinema, Marilyn Monroe, então uma jovem modelo, posou nua para o calendário “Golden Dreams”, do fotógrafo Tom Kelley. Estava desempregada, sem dinheiro e jurava que não seria reconhecida. A atriz ganhou apenas 50 dólares e duas das 24 fotos foram para o disputado calendário que praticamente parou a nação de Tio Sam. Quatro anos depois, uma dessas cobiçadas fotos estamparia a capa da edição de lançamento da revista “Playboy”. Algo parecido aconteceu com YUL BRYNNER em 1942, na França, antes de se tornar uma celebridade e ainda protegido de Jean Cocteau, um escritor e cineasta homossexual. Ele posou totalmente pelado para as lentes do talentoso George Platt Lynes. Na década seguinte, esses retratos do ator conhecido pela cabeça raspada – mas que não era careca - e papéis exóticos, foram disputados por colecionadores. São fotos belas e sensuais. Imagine o escândalo. Na época, o nu era tabu. As fotos de Yul podem ser vistas num museu na sua cidade natal, a russa Vladvostock.

Rudolph Valentino, Louise Brooks, Ramon Novarro, Errol Flynn e Burt Lancaster também devem ter se arrependido dos ensaios fotográficos sem roupa que ousaram fazer antes da consagração no cinema. Já Carmen Miranda e Victor Mature foram flagrados por paparazzis e essas fotografias correram mundo. A falada foto da cantora-atriz brasileira com o sexo à mostra, nos braços de César Romero durante ensaio de uma cena de dança, foi considerada obscena e duramente criticada. Mature, lendo nu no seu camarim, no intervalo entre uma cena e outra de “Sansão e Dalila”, revela o membro bem dotado, e tal imagem pirateada rodou durante anos no mercado negro. Tenho todas essas elas. Pena que não posso expô-las neste blog. Em maio de 1986, a revista Playgirl Magazine publicou a maioria delas, numa matéria com o título “Hollywood's Legendary Lovers Nude”.

O nudismo de uma formosa atriz também provocou falatório nos primeiros anos da década de 30. Considerada uma das mais formosas estrelas da história do cinema, lembrada principalmente pela Dalila de Cecil B. DeMille e inspiração de Walt Disney para o desenho de Branca de Neve, a austríaca HEDY LAMARR (ainda como Hedy Kiesler) conquistou a fama aparecendo nua no impetuoso “Êxtase” (1933). Aos 20 anos, era a sua primeira atuação nas telas. Desnuda, Hedy corre entre árvores e mergulha num rio. O filme acabou por ser retirado de cartaz e a maioria de suas cópias queimadas. Por causa do escarcéu, levou uma brutal surra do marido, um milionário fabricante de armas, que gastou mais de 300 mil dólares para incinerar as cópias disponíveis na Europa. Hedy drogou a criada que a vigiava e fugiu para a Inglaterra. Em 1937, em Hollywood, filmou “Argélia” e se tornou uma estrela. O resto é história. Na sua biografia, disse que a sua beleza foi uma maldição, por tê-la afastado da sua verdadeira vocação, a física.

yul brynner

YUL BRYNNER 
(filmes selecionados)

O REI E EU (1956), de Walter Lang - Musical
Com: Deborah Kerr e Rita Moreno
Cor – Legendado – 133 mins.
Oscar de Melhor Ator
Melhor Ator do National Board of Review

ANASTÁCIA, A PRINCESA ESQUECIDA (1956),
de Anatole Litvak – Drama
Com: Ingrid Bergman, Helen Hayes e Akim Tamiroff
Cor – Legendado – 105 mins.

OS DEZ MANDAMENTOS (1956), de Cecil B. DeMille - Épico
Com: Charlton Heston, Anne Baxter, Edward G. Robinson
e Yvonne De Carlo
Cor – Legendado – 232 mins.

OS IRMÃOS KARAMAZOV (1957), de Richard Brooks - Drama
Com: Maria Schell, Claire Bloom e Lee J. Cobb
Cor – Dublado – 146 mins.

O CORSÁRIO SEM PÁTRIA (1958), de Anthony Quinn - Aventura
Com: Charlton Heston, Claire Bloom e Charles Boyer
Cor – Legendado – 119 mins.

SALOMÃO E A RAINHA DE SABÁ (1959), de King Vidor - Épico
Com: Gina Lollobrigida e George Sanders
Cor – Legendado – 139 mins.

SETE HOMENS E UM DESTINO (1960), de John Sturges - Western
Com: Eli Wallach, Steve McQueen e Charles Bronson
Cor – Legendado – 128 mins.

OS REIS DO SOL (1964), de J. Lee Thompson - Aventura
Com: Shirley Anne Field e Richard Basehart
Cor – Legendado – 108 mins.

MORITURI (1965), de Bernhard Wicki - Guerra
Com: Marlon Brando e Trevor Howard
P & B – Legendado – 128 mins.

hedy lamarr

HEDY LAMARR 
(filmes selecionados)

ÊXTASE (1933), de Gustav Machaty – Drama
P & B – Legendado – 82 mins.

ARGÉLIA (1938), de John Cromwell – Aventura
Com: Charles Boyer
P & B – Legendado – 95 mins.

INIMIGO X (1940), de King Vidor – Comédia
Com: Clark Gable e Oscar Homolka
P & B – Dublado – 90 mins.

IDÍLIO PERIGOSO (1944), de Jacques Tourneur – Suspense
Com: George Brent e Paul Lukas
P & B – Legendado – 91 mins.

SANSÃO E DALILA (1949), de Cecil B. deMille – Épico Religioso
Com: Victor Mature, George Sanders e Angela Lansbury
Cor – Legendado – 128 mins.

O VALE DA AMBIÇÃO (1950), de John Farrow - Western
Com: Ray Milland e MacDonald Carey
Cor – Legendado – 84 mins.