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setembro 28, 2018

********* SEAN CONNERY no MUNDO de JAMES BOND



Altura: 1,88 m
Cor dos olhos: Marrom escuro
Cabelos: Pretos
Apelido: Big Tam



A trajetória de SEAN CONNERY (Edimburgo, Escócia. 1930) é uma odisseia. Primeiro foi leiteiro em sua terra natal, Escócia, e hoje é reconhecido como um dos maiores astros do cinema. Antes da primeira oportunidade na vida artística, serviu na Marinha Real e trabalhou como motorista de caminhão, operário, padeiro, salva-vidas, fisiculturista e modelo vivo para pintores e escultores. Por insistência de um amigo, em 1953, aos 23 anos, fez testes para uma peça musical. Aprovado - mais pela estampa, ele reconhece -, dois anos mais adiante estrearia no cinema.

Após trabalhos menores no cinema, o sucesso bateu na porta em 1962, contratado pelos produtores Harry Saltzman e Robert Broccoli para viver James Bond, agente inglês com licença para matar. Diversos outros nomes foram considerados para o lendário papel: Cary Grant, David Niven, Patrick McGoohan, Laurence Harvey, Richard Todd, Trevor Howard, Rex Harrison, James Mason, Steve Reeves, Richard Johnson, William Franklyn, Stanley Baker, Ian Hendry, Richard Burton, Rod Taylor e George Baker. “007 Contra o Satânico Dr. No” lançou uma das mais bem sucedidas séries cinematográficas, que resiste há mais de 50 anos. Nela, SEAN CONNERY fez seis filmes oficiais e um independente, marcando o personagem de maneira definitiva. Afinal, quem não o recorda pronunciado a frase emblemática: “Meu nome é Bond. James Bond”?

Considero o ator escocês o mais espetacular 007 que o cinema já viu, embora goste de muitos outros. Sexy, valente, atrevido, destemido e elegante espião a serviço de sua majestade britânica, tornou-se um dos símbolos fundamentais da cultura pop dos anos 1960. Frio na hora de matar e galanteador com as mulheres, o ícone não era uma unanimidade, acusado de violento e machista, mas se beneficiou de um fã célebre – o presidente dos EUA, John Kennedy, notório mulherengo, declarou não haver diversão melhor para desanuviar as pressões do cargo. SEAN CONNERY protagonizou o herói em “007 Contra o Satânico Dr. No”, “Moscou Contra 007”, “007 Contra Goldfinger”, “007 Contra a Chantagem Atômica”, “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” e “007 - 0s Diamantes São Eternos”.

Em 1971, o ator optou por investir numa carreira diversificada. No entanto, mais de dez anos depois, atendeu aos apelos dos produtores e do público, voltando a participar de uma nova aventura do espião em “007 - Nunca Mais Outra Vez”. Produção decepcionante, revelou-se fracasso de crítica e de bilheteria. Felizmente SEAN CONNERY não ficou restrito ao papel e, antes de abandoná-lo, usou a popularidade que a série lhe proporcionou para participar de projetos mais ambiciosos. Filmou com Alfred Hitchcock, Richard Brooks, Fred Zinnemann, Sidney Lumet, Martin Ritt e John Huston.

Alto e charmoso, sua presença na tela é radiante, fixando a personalidade, gestos e o inconfundível modo de falar de James Bond, numa combinação exata da atração exigida pelo herói literário criado por Ian Fleming em 1953. “Admito que me pagam muito bem, mas eu mereço. Afinal, nem as prostitutas, rodando bolsinha, foram mais abusadas do que eu na tela dos cinemas”, disse na época.  Conquistador nato, Lana Turner não resistiu aos seus encantos em “Vítima de uma Paixão / Another Time, Another Place” (1958), tampouco Tippi Hedren em “Marnie - Confissões de uma Ladra / Marnie” (1964) ou Lorraine Bracco em “Medicine Man - O Curandeiro da Selva / Medicine Man” (1992). Quase todas as bond-girls acabaram na sua cama. Ele tirou do sério beldades como Ursula Andress, Claudine Auger e Jill St. John.

James Bond foi a principal inspiração para os diretores George Lucas e Steven Spielberg criarem Indiana Jones. Em sua homenagem, escolheram SEAN CONNERY para viver o pai do aventureiro imortalizado por Harrison Ford em “Indiana Jones e a Última Cruzada / Indiana Jones and the Last Crusade” (1989). Com versatilidade e carisma, o ator vem se destacando há décadas. Em 1999, aos 69 anos, careca (a calvície começou aos 21 anos e teve que usar peruca nos filmes de 007), a revista “People” o elegeu “o homem mais sexy do século”. Ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Os Intocáveis / The Untouchables” (1987). Na vida privada, casou-se com a atriz Diane Cilento (de 1962 a 1973) e, após a separação, ela escreveu um livro contando como ele foi péssimo marido. Desde 1975, vive com outra atriz, Michelline Roquebrune.

Aos 88 anos, mais de 60 filmes no currículo e aposentado, anda escrevendo um livro sobre sua vida, onde promete contar tudo.

CONNERY como JAMES BOND


007 – CONTRA o SATÂNICO Dr. NO
(Dr. No, 1962)

direção de Terence Young
Vilão: JOSEPH WISEMAN (“Dr. No”)
Bond-girl: URSULA ANDRESS (“Honey Ryder”)

O chefe de operações da Inteligência Britânica na Jamaica é assassinado. Em resposta, o agente James Bond - também conhecido como agente 007 - é enviado ao país caribenho para averiguar as circunstâncias. Durante a investigação, conhece um pescador das Ilhas Cayman que atuava juntamente com o falecido nas ilhas vizinhas. Uma das ilhas é Crab Key, habitada exclusivamente pelo misterioso Dr. No, um louco que pretende desviar o rumo dos foguetes norte-americanos.

MOSCOU CONTRA OO7
(From Russia with Love, 1963)

direção de Terence Young
Vilão: ROBERT SHAW (“Grant”)
Bond-girl: DANIELA BIANCHI (“Tatiana Romanova”)

A Spectre planeja roubar um leitor de códigos dos soviéticos e vendê-lo novamente aos mesmos, e simultaneamente se vingar de James Bond pelo assassinato de Dr. No. Uma ex-agente da Smersh é designada para chefiar a missão. Ela recruta profissionais para deter 007. Para a missão, Bond viaja primeiro à Istambul, onde conta com o apoio de Ali Kerim Bey. Ele não sabe que a terrível organização criminosa pretende executá-lo.

007 – CONTRA GOLDFINGER
(Goldfinger, 1964)

direção de Guy Hamilton
Vilão:  GERT FRÖBE (“Goldfinger”)
Bond-girl: HONOR BLACKMAN (“Pussy Galore”)

Bond investiga o magnata Auric Goldfinger. No primeiro encontro, ele impede que o vilão prossiga com suas trapaças nos jogos de cartas. Enviado para investigar seu contrabando de ouro, segue o bandido até sua base na Suíça. É capturado pelos capangas de Goldfinger ao invadir uma indústria e levado para uma fazenda no Kentucky, onde descobre que o criminoso tem planos muito maiores, pretendendo roubar as reservas norte-americanas guardadas no Fort Knox. 007 termina apaixonando-se por Pussy Galore, uma das capangas de Goldfinger, e que o ajuda a fugir.

007 – CONTRA a CHANTAGEM ATÔMICA
(Thunderball, 1965)

direção de Terence Young
Vilão: ADOLFO CELI (“Largo”)
Bond-girl: CLAUDINE AUGER (“Domino”)

Bond investiga o sequestro de um Avro Vulcan transportando duas bombas atômicas, que estavam sendo levadas pela Spectre. A organização exige a devolução das bombas e um pagamento de 100 milhões de dólares em diamantes para não explodir Miami. O agente segue uma pista até as Bahamas, encontrando um aliado da CIA. A dupla suspeita de um rico habitante local, Emilio Largo, e busca provas relacionadas às bombas roubadas em seu iate particular. 

COM 007 SÓ se VIVE duas VEZES
(You Only Live Twice, 1967)

direção de Lewis Gilbert
Vilão: DONALD PLEASENCE (“Blofeld”)
Bond-girl: KARIN DOR (“Helga Brandt”)

007 é enviado ao Japão para investigar o sequestro de uma nave espacial norte-americana por forças desconhecidas. Sua situação se complica quando uma espaçonave soviética some nas mesmas circunstâncias. Ele é obrigado a resolver o caso em poucos dias para evitar que ocorra uma Terceira Guerra Mundial. Ao chegar, Bond é contatado pelo Serviço Secreto Japonês. O agente inglês conclui que a mente por detrás do sequestro é Ernst Stavro Blofeld e a Spectre, em cooperação com um empresário local. Ele segue as pistas até a base operacional de Blofeld. Durante o confronto que se segue, o vilão consegue fugir e deixa a ilha em processo de auto-destruição. Bond e parceiros escapam antes da explosão e são resgatados por uma equipe.

007 – Os DIAMANTES são ETERNOS
(Diamonds Are Forever, 1971)

 direção de Guy Hamilton
Vilão: CHARLES GRAY (“Blofeld”)
Bond-girl: JILL ST. JOHN (“Tiffany Case”)

Encarregado de investigar um misterioso fluxo de diamantes envolvendo África, Estados Unidos e Holanda, Bond se disfarça como um contrabandista profissional de nome Peter Franks. Viaja a Amsterdam para contatar Tiffany Case. Recebe os diamantes e os leva aos Estados Unidos. Investigando os investimentos de Willard Whyte, o agente descobre a construção de um satélite a laser projetado pelo especialista Dr. Metz. Ele descobre que, mais uma vez, as operações estão sendo conduzidas por seu arqui-inimigo Blofeld.

OO7 – NUNCA MAIS OUTRA VEZ
 (Never Say Never Again, 1983)

direção de Irvin Kershner
Vilão: KLAUS MARIA BRANDAUER (“Maximilian Largo”)
Bond-girl: KIM BASINGER (“Domino Petachi”)

Remake de “007 Contra A Chantagem Atômica”, resultando em uma disputa judicial. James Bond é convocado para reaver bombas nucleares roubadas pela Spectre. A terrível organização criminosa pretende lançá-las em cidades norte-americanas. O agente terá que enfrentar uma sexy assassina profissional, contratada especialmente para eliminá-lo.

OUTROS 007


GEORGE LAZENBY
(1939. Goulburn, New South Wales / Austrália)

1
007 - A SERVIÇO SECRETO de sua MAJESTADE
(On Her Majesty's Secret Service, 1969)

ROGER MOORE
(1927 – 2017. Stockwell, Londres/ Inglaterra)

1
COM 007 VIVA e DEIXE MORRER
(Live and Let Die, 1973)

2
007 CONTRA o HOMEM com a PISTOLA DE OURO
(The Man with the Golden Gun, 1974)

3
007: O ESPIÃO que me AMAVA
(The Spy Who Loved Me, 1977)

4
007 CONTRA o FOGUETE da MORTE
(Moonraker, 1979)

5
007 - SOMENTE para SEUS OLHOS
(For Your Eyes Only, 1981)

6
007 CONTRA OCTOPUSSY
(Octopussy, 1983)

7
007 - NA MIRA dos ASSASSINOS
(A View to a Kill, 1985)

TIMOTHY DALTON
(1946. Colwyn Bay, Wales / Reino Unido)

1
007 MARCADO para a MORTE
(The Living Daylights, 1987)

2
007 - PERMISSÃO para MATAR
(Licence to Kill, 1989)

PIERCE BROSNAN
(1953. Drogheda, County Louth / Irlanda)

1
007 CONTRA GOLDENEYE
(GoldenEye, 1995)

2
007 - O AMANHÃ NUNCA MORRE
 (Tomorrow Never Dies, 1997)
           
3
007 - O MUNDO NÃO é o BASTANTE
(The World Is Not Enough, 1999)
           
4
007 - UM NOVO DIA para MORRER
(Die Another Day, 2002)

DANIEL CRAIG
(1968. Chester, Cheshire / Inglaterra)

1
007: CASSINO ROYALE
 (Casino Royale, 2006)

2
007 - QUANTUM of SOLACE
(Quantum of Solace, 2008)

3
007 - OPERAÇÃO SKYFALL
(Skyfall, 2012)

4
007 CONTRA SPECTRE
(Spectre, 2015)

ENTREVISTA
O BOND DEFINITIVO


Enquanto James Bond era um ricaço formado em Oxford, que parecia perfeitamente confortável dirigindo seu Aston Martin, vestindo ternos de Saville Row e bebendo vodka martinis “batidas, não mexidas”, SEAN CONNERY é um escocês que prefere cerveja, nascido numa família da classe trabalhadora de Edimburgo. Por anos, o ator se sentiu aprisionado por uma imagem que impediu muitos cineastas de trabalharem com ele, por temer que o público não tirasse da mente o agente fictício de Ian Fleming. É claro que, com “O Homem que Queria ser Rei”, “Os Intocáveis” (pelo qual ganhou um Oscar) e “A Casa da Rússia”, tornou-se muito mais do que Bond. Nessa entrevista, ele conta sua trajetória.

Mr. Connery, como é a sensação de ter sido o ator que transformou James Bond em um ícone cultural

Eu odiava Bond. Fiquei terrivelmente deprimido por anos, pensando em como Bond havia tomado minha vida. Digo, não é que eu não gostasse do dinheiro que ganhei ou de toda a atenção que eu estava recebendo, eu só me sentia frustrado por ser identificado constantemente com esse personagem – o que, se você é um ator sério, é tipo a morte. Eu me senti preso. Mas era tudo o que o público queria me ver fazendo, e passei anos tentando convencer os cineastas de que eu poderia quebrar a imagem de Bond. Pensei que havia matado minha carreira ao ter passado muito tempo com um mesmo personagem – durante os anos 70, nenhum de meus amigos ousava tocar nesse assunto, porque eu estava realmente amargurado. Mas então fui capaz de reverter esse processo atuando nos papéis que pensei que iria atuar com trinta ou quarenta e poucos anos. Afinal das contas, fiz as pazes com Bond. Ele é tipo um velho camarada que se parecia comigo.

Qual tipo de características pessoais você acha que “trouxe” para Bond?

Você tem de ser você mesmo nesse mundo. Se você não é, então não quero conhecê-lo. Eu não sacaneio as pessoas e não faço intriga sobre elas pelas costas. Chame isso de minha natureza escocesa ou do que preferir, mas eu mantenho minha palavra, o que é uma comodidade bastante traiçoeira na indústria cinematográfica. É por isso que processei quase todos os grandes estúdios de Hollywood, exceto Paramount. Acho que, se você me traiu, se você roubou o dinheiro que eu deveria ter ganho de acordo com nosso contrato, então você merece ser preso. É bem simples… Eu prefiro acreditar na integridade dos outros homens. É aí que eu penso na vantagem que as mulheres sobre os homens – elas são bem mais leais aos próprios sentimentos e tem maior consideração pelos outros. O homem é uma espécie mais implacável.

Como é que dois produtores norte-americanos, Cubby Broccoli e Harry Saltzman, decidiram oferecer para você o papel de James Bond?

Eles me procuraram após perceberem que não tinham dinheiro o suficiente para contratar uma celebridade como David Niven ou Richard Burton para interpretar Bond. Eles tinham apenas um orçamento de umas 500.000 libras, e eu ganharia 6.000 libras. Eles queriam que eu fizesse uma audição e alguns testes, porque Ian Fleming (o autor dos livros) tinha o direito de recusar o homem que eles escolhessem como Bond. Mas eu recusei porque detestava a ideia de fazer qualquer teste. Eu lhes disse que havia trabalhado por cinco anos no teatro e que havia feito vários filmes, e que essas eram minhas qualificações, gostassem ou não. Então eles pediram que eu conhecesse Ian Fleming. Nós nos damos bem e o papel foi meu.

Como era Ian Fleming?

Ele era meio esnobe, mas cheio de energia e de entusiasmo. Tinha vivido uma vida bem interessante e passado por várias situações exóticas. Muitas das situações pelas quais Bond passou foram baseadas em suas próprias experiências. É claro que ele exagerou, mas tinha um conhecimento incrível das últimas tecnologias e das técnicas de espionagem, que o ajudaram a dar uma base concreta para Bond. Bond era uma composição dele mesmo e de um amigo com quem estudou em Eton. Bond foi escrito originalmente como um ricaço inglês que falava com um acento britânico bem aristocrático. Eu não tinha nada a ver com isso, mas Fleming gostou bastante de mim e pensou que eu poderia adicionar algum tempero no papel. Acho que, no fundo, ele queria que Cary Grant interpretasse Bond, mas Grant havia se aposentado e contratá-lo teria custado milhões.

Por fim, como você classificaria James Bond?

Como um sexy filho da puta! (Ri e levanta-se para apertar minha mão).


abril 18, 2011

************** O "GADO" HITCHCOCKIANO


kim novak
Sem papas na língua, uma das declarações polêmicas de ALFRED HITCHCOCK jamais foi esquecida: "Os atores são gado", firmando seu perfil de figura excêntrica que implicava com atores. Ele nunca perdôo Ingrid Bergman por tê-lo abandonado por Roberto Rossellini, mas respeitava-a. Não guardava ressentimento de Grace Kelly, que deixou de filmar para se tornar princesa de Mônaco, mas lamentou sua escolha e durante muitos anos tentou recuperá-la. Não suportou dirigir Paul Newman e Julie Andrews em “Cortina Rasgada/Torn Curtain”, tampouco se sentiu satisfeito com Kim Novak (“Um Corpo que Cai/Vertigo”), Gregory Peck e Alida Valli (“Agonia de Amor/The Paradine Case”), Anne Baxter (“A Tortura do Silêncio/I Confess”), Ruth Roman e Farley Granger (“Pacto Sinistro/Strangers on a Train”), Priscilla Lane (“Sabotador/Saboteur”), Jane Wyman (“Pavor nos Bastidores/Stage Fright”) ou Joel McCrea e Laraine Day (“Correspondente Estrangeiro/Foreign Correspondent”). Seduzido por atrizes classudas, de sensualidade chique – como Ingrid Bergman e Grace Kelly – e atores com personalidade forte como Cary Grant e James Stewart, declarou numa entrevista a François Truffaut: “O que é que me dita a escolha de atrizes sofisticadas? Procuro mulheres do mundo, verdadeiras damas que se transformam em putas no quarto de dormir. A pobre Marilyn Monroe tinha o sexo estampado por toda a sua figura, como Brigitte Bardot, e isso não é muito fino”.


Inglês de rígida educação, marcada por forte repressão sexual, HITCHCOCK era obcecado pelas atrizes de seus filmes, mantendo com elas relações complicadas, muitas vezes meio sádicas. Ao mesmo tempo em que amava apaixonadamente algumas delas, com outras as coisas foram diferentes. Com Doris Day, ele foi  tão frio durante as filmagens que ela disse: "Tive a impressão de que ele estava preso a uma atriz  que não queria". O mestre torturou Madeleine Carroll, Joan Fontaine, Eva Marie Saint e Janet Leigh, exigindo delas que encarnassem suas fantasias fetichistas. Janet, imortalizada na célebre cena do assassinato de Marion Crane na ducha, em “Psicose”, de 1960, ficou horas sob um chuveiro que nunca parava de jorrar água, a ponto de sentir que sua pele murchava. A mais hitchcockiana das loiras, Grace Kelly, nunca perdeu a majestade pelo que outros consideravam desaforo, e numa carta de desculpas ao cineasta, explicando por que, como princesa de Mônaco, não poderia voltar aos sets de filmagem para fazer “Marnie, Confissões de Uma Ladra”, assinou como “a mais devotada de suas vacas (the most devoted of your cows)”. Kim Novak, pelo contrário, foi uma vaca rebelde. Ela implicou com o figurino de “Um Corpo Que Cai/Vertigo”, mas ele não cedeu aos caprichos da estrela, comentando anos depois: "Os atores, na maioria, são crianças burras. Por exemplo, Kim Novak. Na segunda parte de Vertigo, quando ela está morena e não parece tanto Kim Novak, até consegui que ela atuasse".

Teve graves conflitos com Tippi Hedren, que havia descoberto num comercial na televisão, e com a qual havia acariciado a idéia de fazer uma “nova Grace Kelly”. Desenvolvendo verdadeira tara pela atriz, isolava-a no set para que fosse somente sua. Não permitia que os atores a tocassem, exceto quando sua câmera estivesse filmando. Contava piadas sujas e versinhos pornográficos, especialmente depois de descobrir que Tippi detestava esse tipo de coisa. Ele não apenas a torturava fisicamente - as cenas de ataques dos pássaros levaram a lacerações reais -, como a humilhou no trabalho, exigindo que o tocasse nas partes íntimas. As atrizes foram os principais alvos da manipulação perversa do diretor. Com os atores era indiferente, e mesmo trabalhando com alguns diversas vezes, nunca estabelecia camaradagem. Listo cinco intérpretes com perfil essencialmente hitchcockiano.


CARY GRANT (1904-1986)

John Aysgarth em
SUSPEITA/Suspicion (1941)

Devlin em
INTERLÚDIO/Notorious (1945)

John Robie em
LADRÃO DE CASACA/To Catch a Thief (1955)

Roger Thornhill em
INTRIGA INTERNACIONAL/North by Northwest (1959)

GRACE KELLY (1929-1982)

Margot Wendice em
DISQUE M PARA MATAR/Dial M For Muder (1954)

Lisa Fremont em
JANELA INDISCRETA/Rear Window (1954)

Frances Stevens em
LADRÃO DE CASACA/To Catch a Thief (1955)


INGRID BERGMAN (1915-1982)

Dra. Constance Petersen em
QUANDO FALA O CORAÇÃO/Spellbound (1945)

Alicia Huberman em
INTERLÚDIO/Notorious (1945)

Lady Harrietta Flusky em
SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO/Under Capricorn (1949)

JAMES STEWART (1908-1997)

Rupert Cadell em
FESTIM DIABÓLICO/Rope (1948)

L. B. Jeffries em
JANELA INDISCRETA/Rear Window (1954)

Dr. Ben MacKenna em
O HOMEM QUE SABIA DEMAIS/The Man Who Knew Too Much (1956)

John “Scottie” Ferguson em
UM CORPO QUE CAI/VERTIGO (1958)


TIPPI HEDREN (1930-)

Melanie Daniels em
OS PÁSSAROS/The Birds (1963)

Marnie Edgar em
MARNIE, CONFISSÕES DE UMA LADRA/Marnie (1964)


grace kelly