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novembro 28, 2011

*********** AGATHA CHRISTIE NO CINEMA


agatha christie 
Os seus livros venderam centenas de milhões de exemplares. Ela é a autora mais publicada de todos os tempos em qualquer idioma, somente ultrapassada pela “Bíblia” e por William Shakespeare. Escreveu oitenta romances policiais, dezenove peças e seis romances escritos sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Ao morrer, deixou uma conta bancária com cerca de 20 milhões de dólares. A inventiva AGATHA CHRISTIE (1890-1976) foi pioneira ao fazer com que os desfechos de suas histórias fossem extremamente impressionantes e inesperados, sendo praticamente impossível ao leitor descobrir quem é o assassino. Britânica, conhecida como Duquesa da Morte e Rainha do Crime, dentre outros títulos, criou dois detetives exemplares: Hercule Poirot e Miss Marple. Poirot é um belga feioso, baixinho e com cabeça de ovo que usa de intuição e dedução para resolver seus crimes, sempre irritando os suspeitos, que o xingam de francês metido, ao qual ele responde: “Não. Belga metido”. Miss Jane Marple é uma idosa solteirona dona-de-casa que tem um raro faro policial. A obra instigante de AGATHA CHRISTIE foi sempre bem-vinda ao cinema, sendo retratada em cerca de trinta ocasiões. Mesmo assim, a autora não aceitou muito bem as versões cinematográficas de seus livros, especialmente as que contavam com seus dois mais notórios detetives: Poirot e Miss Marple. Mas o interesse da Sétima Arte nas tramas da Rainha do Crime começou cedo. Já em 1926 apareceu a primeira adaptação, um filme mudo alemão chamado “Die Abenteuer GmbH”, de Rudolph Walther-Fein, do livro  “O Inimigo Secreto”. A mais recente, baseada em “A Casa Torta”, ainda está sendo filmada sob a direção de Neil LaBute e com Julie Andrews, Matthew Goode, Gemma Arterton e Gabriel Byrne no elenco. A história gira em torno do assassinato de um milionário grego, que construiu a casa do título para que nela vivesse toda sua família. O caso é investigado pela neta mais velha em parceria com o namorado, o filho do inspetor chefe da Scotland Yard. Como é comum nos livros da autora, todos os presentes são suspeitos de ter cometido o crime.

12 VEZES A RAINHA DO CRIME

basil rathbone
AMOR DE UM ESTRANHO / Love From a Stranger (1937), de Rowland V. Lee. Com Ann Harding e Basil Rathbone.
Inspirado na peça de mesmo nome, que foi adaptada por Agatha Christie do conto “Philomel Cottage”, publicado em 1934. Uma jovem suspeita que o marido seja bígamo e assassino, e planeja matá-la para ficar com a herança. O diretor constrói uma atmosfera de angústia e terror realçada pelo irrepreensível desempenho de Basil Rathbone como um personagem frio e inalterável.

louis hayward, c. aubrey smith, barry fitzgerald, 
mischa auer e walter huston
O VINGADOR INVISÍVEL / And Then There Were None (1945), de René Clair. Com Walter Huston, Barry Fitzgerald, Louis Hayward, Roland Young, June Duprez, C. Aubrey Smith, Judith Anderson e Mischa Auer.
Adaptado da versão para o teatro de "O Caso dos 10 Negrinhos", escrita pela própria Agatha em 1943. Dez pessoas desconhecidas umas das outras são convidadas para um fim-de-semana em uma ilha incomunicável e uma a uma vão sendo mortas, enquanto a cada morte desaparece uma figura de um negro africano que enfeita o topo de uma lareira. No livro, todos morrem, inclusive o assassino. Agatha avaliou que a versão teatral precisava de um final mais feliz, então determinou que dois personagens sobrevivessem à experiência para construir uma vida juntos. O francês René Clair, em sua fase norte-americana, soube dosar humor e suspense, arrancando interpretações impecáveis de todo o elenco.

john hodiak
RECEIOS / Love From a Stranger (1947), de Richard Whorf. Com John Hodiak, Sylvia Sidney, Ann Richards e John Howard.
Remake hollywoodiano do filme inglês de 1937, com roteiro do escritor de livros de mistério Philip MacDonald. Inferior à obra de Lee, o resultado é lastimável, fracassando nas bilheterias. Como compensação, os ótimos Hodiak e Sidney.

marlene dietrich
TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO / Witness for the Prosecution (1957), de Billy Wilder. Com Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton, Elsa Lanchester, John Williams, Henry Daniell e Una O’Connor.
Acusado de matar uma senhora rica vai a julgamento, escolhendo um arrogante e inteligente advogado para defendê-lo, num enredo cheio de surpresas e reviravoltas. Com elenco magnífico e direção ardilosa, foi sucesso de crítica e público.

margareth rutherford
SHERLOCK DE SAIAS / Murder at the Gallop (1963), de George Pollock. Com Margareth Rutherford, Robert Morley e Flora Robson.
Em 1962, a MGM lançou uma série de quatro filmes estrelados por Miss Marple. Sucessos de público, eram odiados pela escritora. A começar pelos títulos, modificados totalmente apenas para ter mais apelo comercial. “After the Funeral / Depois do Funeral” se tornou “Murder at the Gallop” (aqui, Sherlock de Saias). Diferente do texto original, o caso era desvendado por Hercule Poirot. Substituído por Miss Marple, ela investiga a morte de um homem de meia idade. Após o enterro, a família se reúne em um clube de hipismo, onde surgem as primeiras insinuações de assassinato. 

anita ekberg
OS CRIMES DO ALFABETO / The Alphabet Murders (1966), de Frank Tashlin. Com Tony Randall, Anita Ekberg, Robert Morley e Margareth Rutherford.
Do livro “Os Crimes ABC”, publicado em 1936, essa produção adicionou elementos de comédia ao texto original. A trama básica foi mantida, mas as interpretações beiram à caricatura. Poirot às voltas com um assassino que mata pessoas cujos nome e sobrenome tenham a mesma inicial da cidade onde moram. Agatha não aprovou o primeiro roteiro, que continha muita violência e uma cena de amor de Poirot, apenas autorizando o filme depois da exclusão das cenas de violência e sexo, além da substituição do ator que havia sido originalmente escolhido para o papel principal, o comediante Zero Mostel.


NOITE INTERMINÁVEL / Endless Night (1971), de Sidney Gilliat. Com Hayley Mills, Hiwell Bennett, Britt Ekland, Per Oscarsson e George Sanders.
O romance homônimo publicado em 1967 conta sobre o casamento de um trabalhador com uma jovem herdeira e o mal que uma maldição cigana joga sobre eles. O filme segue basicamente o livro, mas a tentativa de deixar a história mais atrativa com cenas sexuais desagradou à autora.

albert finney
ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENT / Murder on the Orient Express (1974), de Sidney Lumet. Com Albert Finney, Lauren Bacall, Martin Balsam, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Cassel, Sean Connery, John Gielgud, Wendy Hiller, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave, Rachel Roberts, Richard Widmark e Michael York.
Em um cenário extremamente restrito - um trem ilhado pela neve -, apoiou-se em interpretações marcantes de talentosos nomes do cinema. Apesar da maestria da direção, entre sete indicações para o Oscar, somente Ingrid Bergman levou o de Melhor Atriz Coadjuvante. Sucesso de público e crítica, baseou-se no romance de mesmo nome publicado em 1934. Fiel ao texto original, não poupou esforços para caracterizar o glamour da época, com figurinos impecáveis e vagões reais do Expresso Oriente como cenário. Na trama, Poirot procura descobrir o assassino de um milionário norte-americano em um trem luxuoso.

mia farrow e olivia hussey
MORTE SOBRE O NILO / Death on the Nile (1978), de John Guillermin. Com Peter Ustinov, Jane Birkin, Bette Davis, Mia Farrow, Jon Finch, Olivia Hussey, George Kennedy, Angela Lansbury, David Niven e Maggie Smith.
Com roteiro do dramaturgo Anthony Schaffer, o longa se manteve fiel à trama original, na qual uma jovem norte-americana milionária é morta em um barco de turistas que navega no rio Nilo, no Egito dos anos 20. Todos a bordo tem motivos para matá-la.  

vanessa redgrave
O MISTÉRIO DE AGATHA / Agatha (1979), de Michael Apted. Com Dustin Hoffman, Vanessa Redgrave e Timothy Dalton.
De um fato real, o filme fala do desaparecimento de Agatha Christie no auge de sua fama. Ela simplesmente some sem deixar qualquer pista, enquanto 550 policiais procuram-na por toda a Inglaterra. Destaque para a fotografia e os efeitos luminosos do mestre Vittorio Storaro e para o desempenho hipnotizante de Vanessa.

elizabeth taylor
A MALDIÇÃO DO ESPELHO / Mirror Crack’d (1980), de Guy Hamilton. Com Angela Lansbury, Edward Fox, Elizabeth Taylor, Geraldine Chaplin, Rock Hudson, Kim Novak e Tony Curtis.
Baseado no romance lançado em 1962, narra os esforços de Miss Marple em descobrir o assassino de uma mulher envenenada em uma festa beneficente promovida por uma estrela de cinema que filma na cidade.

maggie smith
ASSASSINATO NUM DIA DE SOL / Evil Under the Sun (1982), de Guy Hamilton. Com Peter Ustinov, Jane Birkin, James Mason, Roddy McDowall, Sylvia Miles, Diana Rigg e Maggie Smith.
Adaptado para as telas do romance homônimo publicado em 1941, manteve-se fiel ao original. Nele, a proprietária de um hotel, que fora uma atriz sem sucesso, recepciona os clientes, que, na maioria, tem algum relacionamento com o universo teatral. Todos são suspeitos quando um corpo é encontrado na praia.


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QUEM SE FOI

KEN RUSSELL

Responsável por imagens surrealistas e deslumbrantes, Ken Russell foi durante muitos anos considerado o enfant terrible do cinema britânico, devido ao modo irreverente como abordava temas como sexo e religião. Ele morreu esta semana, aos 84 anos de idade. Agressivo e cínico, autor de filmes perturbadores, por vezes ruins, mas nunca indiferentes, tornou-se conhecido por trabalhos marcantes como “Mulheres Apaixonadas / Women in Love” (1969), sua obra-prima, onde os atores Oliver Reed e Alan Bates protagonizam uma ambígua cena de luta, totalmente pelados. Por esse filme foi nomeado ao Oscar de Melhor Diretor, mas quem levou a estatueta foi a atriz protagonista Glenda Jackson. Logo a seguir gerou controvérsia com "Os Demônios / The Devils” (1971), proibido pela censura brasileira e norte-americana, um drama com cenas de exorcismo e nudez sobre o autoritarismo da igreja, inspirado num livro de Aldous Huxley e com Vanessa Redgrave no elenco. A homossexualidade de Tchaikovsky em “Delírio de Amor / The Music Lovers” (1970) também foi um escarcéu na época. Mas o diretor só se popularizou definitivamente com o musical "Tommy / Idem" (1975), baseado na ópera-rock do The Who e estrelado por Roger Daltrey, Ann-Margret, Elton John, Tina Turner, Eric Clapton e Jack Nicholson. Foi um imenso sucesso de bilheteira. Nascido em Southampton, Inglaterra, em 1927, iniciou a sua carreira como fotógrafo na BBC. Como cineasta, explorou uma fórmula básica - edição frenética, cenas chocantes, despudor, alguma histeria e notável senso cinemático -, escandalizando meio mundo. Ao envelhecer, controlou sua fúria criativa, passando a atuar e a dirigir filmes banais. Estava praticamente esquecido, mas é uma figura imprescindível para entender a modernidade do cinema europeu e sua relação com outras artes como a música clássica, a dança e a pintura. Um cineasta viril, inclassificável e fascinante.

outubro 19, 2011

*** UM ANO DE BLOG: OS FAVORITOS DO FALCÃO


deborah kerr em "narciso negro", o melhor drama segundo o falcão maltês
OS MELHORES? OS MELHORES!

Qualquer cinéfilo que se preze tem sua lista sentimentalóide dos melhores filmes e melhores profissionais de cinema. Como não quero ficar de fora do assunto, selecionei uma relação de títulos e artistas para você conhecer melhor o conceito deste blog. Não foi nada fácil concluir esta lista gigantesca, dando assim continuidade à comemoração do PRIMEIRO ANIVERSÁRIO do “Falcão Maltês” e, por tabela, homenageando a arte de fazer filmes – no caso, filmes clássicos, de todos os tempos e países variados. Como era de se esperar, deixei maravilhas de fora e me surpreendi com algumas escolhas instantâneas (por exemplo, na última hora, troquei Barbara Stanwyck por Anna Magnani e “Sinfonia de Paris” por “Cantando na Chuva”). Procurando unir a grandiosidade e o intimismo, a sensibilidade única e o talento raro, movimentos cinematográficos e pura diversão, devo ter cometido algumas injustiças, mas qual a lista pessoal que não comete injustiças? Afinal, não há uma receita infalível. Para você, caro leitor, um tributo (em preto-e-branco) à Sétima Arte, dando o espaço que ela merece. Pode reclamar, exigir a hora e a vez de seus próprios favoritos ou locar um desses filmes e afundar deliciosamente na poltrona, desbravando temas e emoções inéditas.

gary cooper e claudette colbert em "a oitava esposa do barba azul"
(“Narciso Negro”)
Os diretores optaram por potencializar a atmosfera voluptuosa e a excitação física, num frenesi sem pudor e expressionista, beirando o fantástico ou o delírio. Obra-prima genuína, de cenários inquietantes e fotografia de sonho

Melhor Filme de Todos os Tempos:
ROCCO E SEUS IRMÃOS / Rocco e i suoi Fratelli (1960),
de Luchino Visconti.

Drama:
NARCISO NEGRO / Black Narcissus (1947),
de Michael Powell e Emeric Pressburger

Comédia:
A OITAVA ESPOSA DO BARBA AZUL / Bluebeard’s Eighth Wife (1938),
de Ernst Lubitsch

stephen boyd, sophia loren e alec guinness em "a queda do império romano"
(“2001 – Uma Odisséia no Espaço") 
A viagem se torna uma vertigem – e as imagens se sucedem, em formas e brilhos indescritíveis, como se estivéssemos chegando ao limiar do infinito, talvez alcançando uma dimensão nova

Aventura:
OS SETE SAMURAIS / Shichinin no Samurai (1954),
de Akira Kurosawa

Épico:
A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO
The Fall of the Roman Empire (1964),
de Anthony Mann

Ficção Científica:
2001 – UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO / 2001: A Space Odyssey (1968),
de Stanley Kubrick

gene kelly em "cantando na chuva"
(“Cantando na Chuva”) 
Uma ode à alegria. Trama original, clima festivo, diálogos espirituosos e inteligentes, divertido exercício de metalinguagem, números musicais de tirar o fôlego e, sobretudo, canções mágicas que grudam em nosso inconsciente aos primeiros acordes

Musical:
CANTANDO NA CHUVA / Singin' in the Rain (1952),
de Stanley Donen e Gene Kelly

Guerra:
A PONTE DO RIO KWAI / The Bridge on the River Kwai (1957),
de David Lean

Western:
O PREÇO DE UM HOMEM / The Naked Spur (1953),
de Anthony Mann

mia farrow em "o bebê de rosemary"
 (“O Bebê de Rosemary”)
Brilhante adaptação do romance best-seller de Ira Levin. Polanski mantém um clima permanente de mistério ao mostrar as dúvidas de Rosemary: estaria ela sonhando ou o pesadelo era mesmo real? Mia Farrow e Ruth Gordon, excelentes

Policial:
A MARCA DA MALDADE / Touch of Evil (1958),
de Orson Welles

Thriller:
O MENSAGEIRO DO DIABO / The Night of the Hunter (1955),
de Charles Laughton

Terror:
O BEBÊ DE ROSEMARY / Rosemary’s Baby (1968),
de Roman Polanski

kaa, a cobra, e mowgli em "mowgli, o menino lobo"
(“Flash Gordon”)
A cada capítulo, momentos frenéticos repletos de aventura, coragem, força e perspicácia. Além disso, com seus efeitos especiais e cenas inimagináveis, essa notável série abriu as portas para os filmes de o e aventuras de ritmo acelerado

Infantil:
O MÁGICO DE OZ / The Wizard of Oz (1939),
de Victor Fleming

Animação:
MOWGLI, O MENINO LOBO / The Jungle Book (1967),
de Wolfgang Reitherman / Walt Disney

Seriado:
FLASH GORDON / Idem (1936),
de Frederick Stephani

"que viva méxico"!
(“Tabu”)
Trama que tem por contexto uma trágica história de amor entre samurais. Nagisa Oshima propõe uma obra de grande beleza plástica, onde o estetismo só faz aumentar a violência dos sentimentos e do drama que tece

Documentário:
QUE VIVA MÉXICO! / Idem (1932),
de Sergei M. Eisenstein

Nacional:
LAVOURA ARCAICA (2001),
de Luiz Fernando Carvalho

LGBT:
TABU / Gohatto (1999),
de Nagisa Oshima

agnes moorehead
(Spencer Tracy)
Exalando simpatia, mesmo interpretando inúmeros personagens resmungões, é recordado como um dos maiores atores da história do cinema. Atuou em mais de setenta filmes em quatro décadas, realizando impressionantes interpretações

Atriz Protagonista:
ANNA MAGNANI

Ator Protagonista:
SPENCER TRACY

Ator Coadjuvante:
GEORGE SANDERS

Atriz Coadjuvante:
AGNES MOOREHEAD

brandon de wilde em "cruel desengano"
(Irmãos Marx)
Frenesi verborrágico, duplo sentido por todo lado, humor tresloucado e sem pé nem cabeça. Hilários, principalmente na primeira fase do grupo, na Paramount

Comediante:
IRMÃOS MARX

Dançarino(a):
GENE KELLY

Ator/Atriz Infantil:
BRANDON DE WILDE


robert riskin e frank capra
(David O. Selznick) 
Um dos produtores mais poderosos da história de Hollywood, tinha o controle artístico dos seus filmes, o que gerava choques freqüentes com os diretores. O momento mais marcante da sua carreira, "... E o Vento Levou / Gone With the Wind" (1939), resultou num triunfo absoluto, verdadeiro marco da história do cinema

Produtor:
DAVID O. SELZNICK

Diretor:
INGMAR BERGMAN

Roteirista:
ROBERT RISKIN

piero tosi, luchino visconti e silvana mangano 
(Bernard Herrmann) 
Entre os muitos méritos de Orson Welles, figura o fato de ter convidado Herrmann para musicar o clássico absoluto “Cidadão Kane/Citizen Kane" (1941), o que redundou num score formidável e na estréia de um compositor excepcional, fabuloso na parceria com Alfred Hitchcock

Fotógrafo:
GREGG TOLAND

Compositor:
BERNARD HERRMANN

Editor:
ERALDO DA ROMA

Diretor de Arte:
MARIO GARBUGLIA

Figurinista:
PIERO TOSI

selton mello e juliana carneiro da cunha em "lavoura arcaica"

maio 29, 2011

********** F. SCOTT FITZGERALD E O CINEMA


f. scott fitzgerald
MEDIOCRIDADE E INCOMPREENSÃO MARCAM RELAÇÃO 
DE F. SCOTT FITZGERALD COM O CINEMA

Sabe-se que o escritor F. SCOTT FITZGERALD teve uma relação difícil com Hollywood.  Precisando manter a mulher mentalmente perturbada, Zelda, em tratamento, e dependendo de vigorosos porres para escrever, ele precisava da profissão de roteirista. E, no entanto, não conseguia fazer o que lhe era pedido, talvez por ser literato demais e não entender as demandas dos diretores e produtores por histórias menos sofisticadas e matizadas psicologicamente. Hollywood queria profissionais que simplesmente respeitassem as regras daquele jogo, pagando-os bem para isso. Mas FITZGERALD era desajeitado ou orgulhoso demais para seguir aquelas regras – queria, como todo escritor que valha a definição, estabelecer as suas. E quebrava a cara, naturalmente, porque há pouca discussão possível com os que só têm o lucro como mirada e acham que pruridos artísticos são, no máximo, frescura.

O folclore em torno de dois grandes escritores americanos e suas dificuldades em Hollywood, ele e William Faulkner, é bastante conhecido. Entre os escritores, há uma espécie de compreensão respeitosa e solidariedade inevitável com o que eles padeceram; entre homens de cinema, como o diretor Billy Wilder, que também foi roteirista (ver entrevista no livro “As Entrevistas da Paris Review”), há uma visão um pouco diferente: para Wilder, FITZGERALD, como outros escritores (Dorothy Parker, entre eles) que tinham ido de New York para Hollywood atraídos pelo dinheiro fácil do cinema nunca se deram ao trabalho de entender como funcionava o trabalho de roteirista realmente. Não tinham, em resumo, respeito por Hollywood e por isso não sabiam veicular suas idéias fazendo as devidas concessões ao “box-office”. Talvez pareça filisteísmo de Wilder, mas é também sua visão pragmática e esperta do que era sobreviver naquela selva iletrada. FITZGERALD e Faulkner abominavam tudo isso e se amargavam com as concessões e mais: se fizessem sucesso nos termos exigidos por Hollywood, cairiam no total auto-desprezo. Um impasse que nunca foi resolvido e, que com o tempo, parece purista e ingênuo, visto que muita gente aprendeu as regras do jogo muito bem e acharia esse sofrimento todo desnecessário, hoje em dia. Mas também hoje a condescendência com o lixo aumentou terrivelmente. Atualmente, cineastas e roteiristas se improvisam como homens de negócios com maior facilidade e até leviandade e blefam com menos penitência e mais competência para fazer o que querem fazer, ainda que os resultados do “box-office” continuem como sempre implacáveis e tirem do jogo os fracassados, sem maior consideração pela arte ou pelas generosas idéias embutidas em projetos grandiosos. Nada mudou, para a indústria: filme bom é aquele que dá lucro.

clara bow em "grit"
Sob esse ponto de vista, natural que os filmes que Hollywood fez a partir de livros de FITZGERALD pareçam sempre dominados pela mediocridade e talvez por um desprezo inconsciente dos produtores e diretores pelo escritor, como uma revanche. Andei vendo alguns desses filmes, e, francamente, não os recomendo a ninguém, a não ser como curiosidades e por alguns atrativos aqui e ali, especialmente para os que curtem nostalgia sem maior senso crítico.

DRAMALHÕES, MISCASTING E OUTRAS FALHAS

gregory peck e deborah kerr em "o ídolo de cristal"
O filme está em DVDs pelas bancas até e vai iludir muita gente pelo chamariz dos astros, Gregory Peck e Deborah Kerr, e os ares de importância, mas é um fracasso constrangedor. Chama-se “O Ídolo de Cristal”, é de 1959 e foi dirigido por Henry King. É a história da relação amorosa de FITZGERALD com a colunista inglesa Sheila Graham, que reinou em Hollywood com suas notícias e fofocas sobre o mundo do cinema. O tema era promissor, mas o “miscasting” foi fatal: nem Gregory Peck tinha jeito para incorporar o FITZGERALD embriagado, lúcido e amargo sob o despotismo de Hollywood que temos em imaginação nem Kerr, sempre encarnando a virtude e a elegância de senhora burguesa, era apropriada para passar a língua ferina e a ambição desvairada de Graham. O filme até começa bem, quando Sheila aparece já com uma frase peçonhenta dita a uma atriz medíocre durante uma filmagem, mas daí a pouco ela vai se tornando a santa mulher apaixonada pelo marido e abnegada, disposta a sofrer todos os caprichos masculinos por amor, de todos os melodramas. E o filme até comove os de choro fácil, mas como “novelão”, pois sente-se que um manto de falsidade e pieguice conveniente cobriu todo o projeto – FITZGERALD e Graham jamais seriam aqueles dois. Curiosamente, o filme só é convincente num curto trecho em que os dois brigam feio, ele embriagado, partindo até para a violência sobre ela. E há algo de forte quando ele morre, em meio à criação daquele que Edmund Wilson consideraria seu melhor romance, o inacabado “O Último Magnata”. Mas é só.

joan fontaine, jason robards jr. e jennifer jones
em "suave é a noite"
O curioso é que o diretor, King, não se mancou: em 1962 voltou ao terreno de FITZGERALD, mas aí saindo da biografia dúbia e partindo para a ficção do próprio, e realizou “Suave é a Noite”, baseado no romance homônimo bem conhecido. A produção foi cara, a fotografia é bonita, o figurino é convincente, mas o pecado capital foi cometido a partir do elenco, novamente: como acreditar em Jason Robards no papel do psiquiatra Dick Diver? Ele tinha que carregar o filme nas costas, e Robards não tinha matizes suficientes para dar conta do personagem – era apenas uma versão inferior de Humphrey Bogart. Jennifer Jones se esforçou para ser Nicole e conseguiu dar um pouco de vida ao personagem, mas já era uma atriz veterana e não conseguia esconder certas marcas de envelhecimento (ou plásticas mal feitas?) que a tornaram um pouco esquisita (em “Adeus às armas”, contracenando com Rock Hudson, isso já era notório). Tom Ewell como o amigo pianista de Diver estava constrangedor, e a música da trilha-sonora, com Earl Grant (gravada em versão brasileira por Moacyr Franco), fez sucesso. Mas o filme, revisto, parece longo, interminável, e oprime, porque sabemos que a história – ainda que não tenhamos lido o livro original - só poderá terminar mal. Para quem é nostálgico, um ou outro trecho pode ser compensador. Mas, no conjunto, o filme é medíocre e a gente mais o tolera que o vê.

elizabeth taylor e roger moore
em "a última vez que vi paris
"
Parece que os atores ruins, chatos ou inexpressivos ficavam sempre à frente dos projetos baseados em livros de FITZGERALD. Outro caso é “A Última Vez que Paris”, filme de 1954  baseado no conto “Babylon Revisited”. O inexpressivo da vez foi Van Johnson, que tinha que fazer um escritor alcoólatra que retorna a Paris no fim da Segunda Guerra Mundial e recorda o romance que teve com uma garota americana, e Johnson seguiu sua lógica de canastrão esforçado, pois não era mais que isso. O diretor, Richard Brooks, dizem, estava apaixonado por Elizabeth Taylor (ele e o resto da população masculina da Terra), e o filme só se sustenta pelo encanto da estrela e a beleza de uma canção da trilha sonora, até hoje muito lembrada. Além do mais, circula em DVD brasileiro numa cópia sofrível.

Pensava-se que FITZGERALD seria um dia redimido pelo cinema americano, mas nos anos 70, o que aconteceu? Ver “O Grande Gatsby”, de 1974, chega a dar pena: um filme que tinha um orçamento gigantesco, um roteirista que era ninguém menos que Francis Ford Coppola, astros como Robert Redford e Mia Farrow nos papéis principais e a direção do inglês Jack Clayton (que fez a obra-prima “Os Inocentes”), simplesmente se afundou na inexpressividade e na indiferença, só chegando a ter algum sucesso de público por impor à moda uma voga passageira de roupas e carros dos anos 20. Nele, o estigma de papel principal estragado ficou para Robert Redford, que não conseguiu injetar paixão alguma a um personagem apaixonado que chega ao gangsterismo por amor. E nem o objeto de sua paixão convenceu ninguém – Mia Farrow está simplesmente esquisita, ora histérica ora apática como Daisy Buchanan, tanto que o filme foi escandalosamente roubado por dois atores menores, Bruce Dern e Karen Black, fazendo um casal secundário. Aliás, um outro escritor, Truman Capote, ficou incumbido do roteiro no início, mas a Paramount não gostou do que ele fez e ele, profético, ao sair da produção, disse: “Eles terão problema com o filme”.

robert de niro em "o último magnata"
Quanto a “O Último Magnata”, de 1976, quem topar com ele nas locadoras vai se deslumbrar com o elenco: De Niro, Tony Curtis, Robert Mitchum, John Carradine, Jeanne Moreau, Jack Nicholson e Anjelica Huston. E com o nome da direção: Elia Kazan. Tudo o recomenda, porque traz ainda a fama de obra-prima inconcluída do original. Mas é um filme que ninguém verá duas vezes, a menos que seja um caso de devoção masoquista. Lento, amargo, abordando a vida do grande produtor dos anos dourados de Hollywood, Irving Thalberg, traz esses atores que valem ser vistos, seguindo um roteiro do célebre dramaturgo Harold Pinter, mas, decididamente, não deu certo. E como, nesse caso, tudo, do elenco ao diretor, passando pelo diretor, conspirava para que fosse um clássico indispensável, é quase infalível concluir que FITZGERALD dava azar com o cinema.

Melhorou alguma coisa a adaptação do conto “O Estranho Caso de Benjamin Button”, realizado em anos recentes, com Brad Pitt à frente do elenco e David Fincher na direção? Há muita gente que considera este filme uma alegoria poética bem realizada. Quanto a mim, achei-o visualmente bonito e insosso, como uma versão catatônica de “Forrest Gump”, e Fincher, o diretor, não é bom nem para melodrama, porque a história não chega a comover, a despeito do personagem apelativo de Cate Blanchett que nos quer fazer chorar no seu leito de morte, onde relembra seu amado Button. Claro que Brad Pitt às vezes até surpreende (eu o acho bom é para comédias) num filme ou noutro, mas não sei se não deve ser enfileirado entre os muitos atores fracos que vieram liderando elencos dos vários filmes adaptados de histórias de FITZGERALD até hoje.

PROMESSAS OU AMEAÇAS?

brad pitt e cate blanchett
em "o curioso caso de benjamin button"
Eu não poderia concluir este artigo sem dizer que estou apreensivo por três novas adaptações de obras de FITZGERALD que apontam no horizonte e poderão estar circulando pelos cinemas em 2012: “O Grande Gatsby”, “Suave é a Noite” e “Belos e Malditos”. Os erros das adaptações de Jack Clayton e Henry King devem ter convencido alguns diretores que, com remakes apropriados, talvez FITZGERALD finalmente pudesse ser salvo. Quanto a “Belos e Malditos”, até onde sei, não foi adaptado para o cinema e passará por sua prova de fogo. Anuncia-se que “Suave é a Noite” pode voltar com Matt Damon e Keira Knightley. São dois bons atores, e Keira provou talento especial como a excelente Cecília de “Desejo e Reparação”. Curiosamente, é o nome dela que é cogitado também para viver Zelda, a mulher de FITZGERALD, na adaptação de “Belos e Malditos”, que seria dirigida por Nick Cassavetes (este me dá medo, pois fez aquele dramalhão constrangedor com Denzel Washington, “Um Ato de Coragem”). Mas o que me inspira mais apreensão é a notícia de que Baz Luhrman, diretor voltado para a estética pop de “Moulin Rouge” ou o drama épico fracassado de “Austrália”, estaria filmando “O Grande Gatsby”. É pelo menos um alívio saber que esse novo Jay Gatsby será vivido por Leonardo DiCaprio, ator que foi se tornando cada vez melhor e tem o tipo físico adequado para o papel, mas ainda assim, temo que Luhrman faça um Gatsby rodopiante, musical, estridente, “pop”, em suma, diluindo por completo o romance original. É pagar para ver. Com FITZGERALD, marcado pela sombra do bico do urubu em sua vida de roteirista falhado e de romancista incompreendido por Hollywood, os azares têm se provado sucessivos, mas pode ser que este novo milênio venha a dar filmes sobre ele ou a partir das obras dele que sejam finalmente dignos e “fitzgeraldianos”.

Texto de CHICO LOPES
Escritor

"o grande gatsby" (1926)
F. SCOTT FITZGERALD NO CINEMA

THE CHORUS GIRL’S ROMANCE (1920)
de William C. Dowlan

THE HUSBAND HUNTER (1920)
de Howard M. Mitchell

THE OFF-SHORE PIRATE (1921)
de Dallas M. Fitzgerald

BELOS E MALDITOS/The Beautiful and Damned (1922)
de William A. Seiter

GRIT (1924)
de Frank Tuttle

O GRANDE GATSBY/The Great Gatsby (1926)
de Herbert Brenon



O GRANDE GATSBY/The Great Gatsby (1949)
de Elliott Nugent

A ÚLTIMA VEZ QUE VI PARIS/The Last Time I Saw Paris (1954)
de Richard Brooks

O ÍDOLO DE CRISTAL/Beloved Infidel (1959)
de Henry King

SUAVE É A NOITE/Tender is the Night (1962)
de Henry King

O GRANDE GATSBY/The Great Gatsby (1974)
de Jack Clayton

O ÚLTIMO MAGNATA/The Last Tycoon (1976)
de Elia Kazan

SUAVE É A NOITE/Tender is the Night (1985)
de Robert Knights

EINER MEINER ALTESTEN FREUNDE (1994)
de Rainer Kaufmann

O GRANDE GATSBY/The Great Gatsby (2000)
de Robert Markowitz

O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON/The Curious Case of Benjamin Button (2008)
de David Fincher

BELOS E MALDITOS/The Beautiful and Damned (2010)
de Richard Wolstencroft

mia farrow como daisy em "o grande gatsby"
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CONFIDENCIAL


TALLULAH BANKHEAD E LIZABETH SCOTT

Segundo experts nos bastidores de Hollywood, o clássico “A Malvada/All About Eve” (a história de uma fã que se aproxima de uma atriz famosa e, aos poucos, ocupa seu lugar), com Bette Davis e Anne Baxter, teria se baseado em um incidente real. Qualquer semelhança entre o mostrado no filme e o acontecido entre a atriz Tallulah Bankhead (1902-1968) e Lizabeth Scott (1922 - ) não seria mera coincidência. Tallulah era uma famosa diva da Broadway, lésbica, e teria se deixado seduzir pela bela Scott, que utilizou de seus atributos sensuais para encantar a poderosa e já madura estrela. A relação oportunista durou mais de um ano e terminou por abrir as portas do cinema para a bela Scott, que se tornou famosa durante alguns anos como protagonista de policiais noir como “O Tempo Não Apaga” (1946), “Confissão” (1947) e “A Estrada dos Homens Sem Lei” (1951). Antes, a aspirante a atriz tomou o papel da companheira no espetáculo “Skin of Our Teeth”. Morrendo de raiva, Tallulah jamais a perdoou, e sempre que ouvia seu nome batia três vezes na madeira. Quando isto aconteceu Tallulah estava com 42 anos e Lizabeth 22. Exatamente como Margo e Eve. Relevante registrar que a jornalista brasileira Dulce Damasceno de Brito comenta o caso em seu livro “Hollywood Nua e Crua”.