Mostrando postagens com marcador Marlon Brando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marlon Brando. Mostrar todas as postagens

julho 31, 2012

************ O MAIS BELO: MARLON BRANDO



Votação computada. As leitoras e os leitores de “O Falcão Maltes” escolheram MARLON BRANDO como O MAIS BELO ATOR da história do cinema. Ele arrebatou 21 votos. Mas a disputa foi duríssima. O francês Alain Delon chegou perto com 17 votos e Paul Newman, logo a seguir, conseguindo 12 votos. Em quarto lugar, o charmoso inglês Cary Grant com 5 votos. Por fim, quatro atores empataram com quatro votos na quinta colocação: Montgomery Clift (que não está na minha lista), Rock Hudson, Tyrone Power e Warren Beatty. Foi um resultado justo, a beleza de Brando eternizou-se no cinema durante cerca de vinte anos. O curioso é que ele não valorizava a formosura física num ator, deixando-se engordar e envelhecendo precocemente. Ele afirmou, em uma entrevista em 1990, ter sofrido essa decadência física devido ao estresse de estar constantemente sob a mira do público. “Sofri muita miséria em minha vida por ser famoso e rico”, declarou na ocasião.

Considerado um dos maiores atores cinematográficos de todos os tempos, MARLON BRANDO (Nebraska, EUA, 1924-2004) estudou no famoso Actors Studio, escola de arte dramática nova-iorquina. Consagrou-se primeiro no teatro, nos palcos da Broadway. Seu comportamento irreverente, rebeldia, juventude e boa aparência contribuíram para conquistar um grande apelo popular na década de 50. No seu primeiro filme, “Espíritos Indômitos / The Men” (1950), de Fred Zinnemann, faz um inválido de guerra. No ano seguinte, concorreria ao Oscar com sua performance como Stanley Kowalsky em “Uma Rua Chamada Pecado / A Streetcar Named Desire” (1951), de Elia Kazan. Levou seu primeiro Oscar com “Sindicato de Ladrões / On the Waterfront” (1954), mas fez escolhas erradas, protagonizando filmes ruins e recusando obras-primas como “Sedução da Carne / Senso” (1954), de Luchino Visconti, “Ben-Hur / Idem” (1959), de William Wyler, e “Lawrence da Arábia / Lawrence of Arabia” (1962), de David Lean. Voltaria a brilhar nos anos 70. “O Poderoso Chefão / The Godfather” (1972) lhe deu o segundo Oscar, que ele recusou para chamar a atenção para os problemas dos índios norte-americanos. “O Último Tango em Paris / Last Tango in Paris” (1972) e “Apocalypse Now / Idem” (1979) também foram grandes sucessos de crítica.

A vida pessoal de MARLON BRANDO foi marcada por escândalos e tragédias. Nos últimos anos, o brilhantismo de sua carreira foi ofuscado por sua excentricidade e reclusão, sua tumultuada família e disputas financeiras. Sua primeira mulher, Anna Kashfi, levou-o aos tribunais, revelando maldosamente fotografias em que o marido transava com o ator francês Christian Marquand. Em 1976, ele declarou que teve experiências homossexuais com vários homens, e que não ligava para o que as pessoas pensavam. Christian Brando, filho do primeiro casamento do ator, foi condenado a dez anos de prisão pelo assassinato do namorado de sua meia-irmã, Cheyenne, em 1990. Em 1995, Cheyenne cometeu suicídio aos 25 anos de idade. Brando morreu aos 80 anos, em 2004. Alguns meses depois da sua morte, sua ex-mulher Tarita escreveu suas memórias, as quais deu o nome de “Marlon, Meu Amor e Meu Tormento”, onde alega que ele teria abusado sexualmente de sua filha Cheyenne.








LEIA TAMBÉM:

ACTORS STUDIO: DE BRANDO A AL PACINO

julho 24, 2012

**************** QUAL o MAIS BELO ATOR do CINEMA?


Na antiga Grécia, Pitágoras dizia que o belo consiste na combinação harmoniosa de elementos variados e discordantes.  Como somos razão, e também emoção, o meio envolvente nos desperta sentimentos de agrado ou desagrado, prazer ou tristeza, beleza ou fealdade. A contemplação estética é um dos nossos privilégios. Mas será a beleza definível? É uma qualidade que pertence às próprias coisas belas? Ou resulta de uma relação entre elas e a nossa mente? Ou ainda de uma dada predisposição que adquirimos para as reconhecermos como belas? 

Um juízo estético é a apreciação ou valorização que fazemos sobre algo. Nem sempre estes juízos são baseados em critérios explícitos que permitam fundamentar as nossas afirmações. Em termos gerais, se sinceros e maduros, baseiam-se no meio que vivemos e no que aprendemos. O certo é que a busca da beleza e a melhor forma de representá-la fazem parte do universo de preocupações humanas. Entretanto, na história da humanidade se pode notar que os padrões de beleza mudam de acordo com diferentes culturas e épocas. 

O cinema é uma prova disso. Nos anos cinquenta do século passado, a beleza era representada pela exuberância de uma Sophia Loren ou a elegância sedutora de uma Grace Kelly. Hoje, uma Scarlett Johansson ou um Robert Pattinson são considerados belíssimos. O desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação interfere na formação de padrões de gosto e redimensiona as noções de beleza. Essas mudanças podem ser percebidas mais facilmente com o advento da mídia, e são fortemente influenciadas por ela. Pelo poder desses veículos de comunicação de massa, esses ideais de beleza tornam-se cada vez mais uniformizados e voltados para o consumo. 

A comercialização que se faz em torno desses novos padrões de beleza gera “reis da beleza” que não merecem o trono. Basta a mídia anunciar que uma criatura insípida como Caroline Dickman é musa para meio mundo acreditar. No entanto, quem realmente merece o título do mais belo no cinema? Ao observar a lista abaixo se pode afirmar que todos eles são belos? São adequados ao padrão de beleza da nossa época? O que me fez pintá-los desse modo? Não saberia responder por que os considero os mais atraentes. 

É puramente uma questão pessoal. E para você, QUAL O MAIS BELO ATOR DO CINEMA? A enquete está lançada! Aguardo o seu voto. Na próxima postagem, saberemos quem foi o vencedor. Além disso, a seguir, abrirei espaço para a beleza das atrizes. Nota: você pode votar em ator que não foi listado aqui. Afinal, gosto não se discute.

ALAIN DELON
(nasceu em 1935)

CARLOS MOSSY
(nasceu em 1946)

CARY GRANT
(1904 - 1986)

ERROL FLYNN
(1909 - 1959)

FRANCO NERO
 (nasceu em 1941)

GUY MADISON
(1922 - 1996)

JOHN GAVIN
(nasceu em 1931)

LEONARD WHITING
(nasceu em 1950)

LOUIS JOURDAN
(1921 - 2015)

MARLON BRANDO
(1924 - 2004)

MASSIMO GIROTTI
(1918 - 2003)

PAUL NEWMAN
(1925 - 2008)

PIERRE CLEMENTI
(1942 - 1999)

ROBERT REDFORD
(nasceu em 1936)

ROBERT WAGNER
(nasceu em 1930)

ROCK HUDSON
(1925 - 1985)

TYRONE POWER
(1914 - 1958)

WARREN BEATTY
(nasceu em 1937)

março 15, 2012

QUAIS as MELHORES CENAS ERÓTICAS do CINEMA?

marlon brando e kim hunter em "uma rua chamada pecado"

Um dos primeiros registros sensuais do cinema, “O Beijo / The Kiss”, produção de 1896, gerou um grande escândalo ao exibir – durante 15 segundos – May Irwin e John C. Rice se beijando ingenuamente. Pouco anos depois surgiriam as voluptuosas vamps: Theda Bara, Pola Negri, Nazimova, Gloria Swanson, Barbara LaMarr, Clara Bow etc. Arrebatando corações e destruindo lares, elas provocaram a invenção do retrógado Código Hays de censura. Ainda assim, era praticamente impossível mascarar o erotismo latente de estrelas como Marlene Dietrich, Mae West, Jean Harlow, Betty Grable, Ava Gardner, Rita Hayworth ou Marilyn Monroe. 

Na Europa nada conservadora, o ardor de Brigitte Bardot, Jeanne Moreau, Sophia Loren e Gina Lollobrigida fazia a festa dos marmanjos. Já na dissimulada Hollywood imperava o sugestivo, a insinuação, e longas picantes como “Duelo ao Sol / Duel in the Sun” (1946) chocavam o público. Entretanto, os cineastas encontraram inúmeras maneiras de contornar a censura e sutilmente introduziam cenas e personagens de impacto orgástico, enfatizando o SEXO no CINEMA. Ernst Lubtisch, Alfred Hitchcock e Billy Wilder, por exemplo, eram mestres na arte da alusão libidinosa. 

Pensando no cinema abusando do fetiche lascivo, selecionei dezoito cenas excitantes das telas. O que acha? Faltaram algumas de sua predileção? 

01
NATALIE WOOD e WARREN BEATTY
CLAMOR do SEXO
(Splendor in the Grass, 1961)
de Elia Kazan

Numa época em que as mulheres devem optar entre a virgindade e a leviandade, Bud (Beatty) e Deanie (Wood) se torturam acossados por uma paixão sexualmente reprimida. Saltam faíscas quando eles se beijam dentro de um carro estacionado próximo a uma cachoeira.

02
SUE LYON e JAMES MASON
LOLITA
(Idem, 1962)
de Stanley Kubrick

Quarentão acadêmico perde a cabeça por sedutora menor de idade. Preste atenção no momento em que ele pinta as unhas dos pés da ninfeta. Um desejo absurdo e obsessivo.

03
ELIZABETH TAYLOR e PAUL NEWMAN
GATA em TETO de ZINCO QUENTE
(Cat on a Hot Tin Roof, 1958)
de Richard Brooks

Mesmo casado com uma mulher atraente, o personagem de Newman continua fisgado pela atração homossexual reprimida por um amigo falecido. A cena mais escaldante é aquela em que Liz envolve seus braços em volta de Newman pedindo atenção sexual e ele se afasta de suas garras. Inacreditável.

04
JENNIFER JONES e GREGORY PECK
DUELO ao SOL
(Duel in the Sun, 1946)
de King Vidor

Uma mestiça vai morar em uma fazenda e acaba dividida entre o amor de dois irmãos, um cavalheiro e um desordeiro. No entanto, como um imã, ela não consegue tirar o cafajeste da cabeça. As cenas amorosas entre Jones e Peck são incendiárias.

05
VIVIEN LEIGH, KIM HUNTER e MARLON BRANDO
UMA RUA CHAMADA PECADO
(A Streetcar Named Desire, 1951)
de Elia Kazan

O magnetismo animal de Brando em contraste com a fragilidade etérea de Viv eletriza a platéia, aflorando a sexualidade mundana.  O triângulo se completa com Kim passando as mãos nas costas musculosas do marido e perguntando: “Está muito quente aqui ou sou eu que estou me sentindo assim?”.

06
DEBORAH KERR e BURT LANCASTER
A um PASSO da ETERNIDADE
(From Here to Eternity, 1953)
de Fred Zinnemann

Numa base militar, às véspera do ataque japonês a Pearl Harbour, esposa de major se deixa seduzir por sargento bonitão. Tornou-se icônica a tórrida cena em que eles rolam e se beijam numa praia. Tudo começa quando a personagem de Débora, à procura de seu marido, ouve de Burt, de uma forma muito sedutora: Existe algo que eu possa fazer por você?.

07
ANITA EKBERG e MARCELLO MASTROIANNI
A DOCE VIDA
(La Dolce Vita, 1960)
de Federico Fellini

Jornalista barato se vê babando por estrela de cinema de passagem por Roma. A cantada dele na Fontana di Trevi é antológica: “Você é a primeira mulher no primeiro dia da criação”.

08
JESSICA LANGE e JACK NICHOLSON
O DESTINO BATE à sua PORTA
(The Postman Always Rings Twice, 1981)
de Bob Rafelson

Uma esposa insatisfeita se entrega a um vagabundo apaixonado. Fique de olho na cena em que o casal adúltero faz sexo numa mesa de cozinha.

09
MARIA SCHNEIDER e MARLON BRANDO
O ÚLTIMO TANGO em PARIS
(Ultimo Tango a Parigi, 1972)
de Bernardo Bertolucci

Um caso sexual sem perguntas dá lugar a cenas espantosas, escatológicas, notáveis. Nunca mais o cinema foi o mesmo depois desse clássico. A famosa cena da manteiga, quando Brando unta a bunda de Maria, foi censurada no Brasil na época do lançamento, tornando-se quase mítica.

10
MARILYN MONROE e TOM EWELL
O PECADO MORA ao LADO
(The Seven Year Itch, 1955)
de Billy Wilder
      

Marilyn está mais sexy do que nunca como uma gostosona em pleno verão escaldante nova-iorquino. O vizinho casado se rende completamente ao seu fascínio louro e exuberante. Impossível escolher apenas uma cena erótica, todas estão impagáveis, inclusive a mais famosa de todas: quando o vestido da estrela é levantado, revelando suas coxas formosas.

11
ANTONIO BANDERAS e EUSEBIO PONCELA
A LEI do DESEJO
(La Ley Del Deseo, 1987)
de Pedro Almodóvar

O galã Banderas impressiona como um jovem de classe média alta que tem dificuldades em assumir sua homossexualidade e sempre está em torno de um diretor de teatro. A cena em que ele finalmente leva o cara para a cama é antológica, tornou-se cult.

12
GRACE KELLY e CARY GRANT
LADRÃO de CASACA
(To Catch a Thief, 1955)
de Alfred Hitchcock

A química entre Grace Kelly e Cary Grant gera eletricidade na tela. Reveja a cena em que eles, num quarto de hotel, beijam-se apaixonados enquanto fogos de artifício explodem do lado de fora, sugerindo que muita coisa ainda está por acontecer.

13
CARROLL BAKER e ELI WALLACH
BONECA de CARNE
(Baby Doll, 1956)
de Elia Kazan

A sedutora Carroll Baker vive uma mulher infantil, casada e tentada por outro homem (o grande Wallach). A cena do balanço é muito sensual: ele ataca e ela finge não estar interessada.


14
SILVANA MANGANO
ARROZ AMARGO
(Riso Amaro, 1949)
de Giuseppe de Santis

A deslumbrante Silvana é uma bóia-fria contratada para trabalhar numa colheita de arroz em condições precárias. Ela se envolve com um vigarista (Vittorio Gassman) que já tem uma amante. As pernas da futura estrela causaram frisson em todo o mundo.

15
KIM NOVAK e WILLIAM HOLDEN
FÉRIAS de AMOR
(Picnic, 1955)
de Joshua Logan

Um viajante errante, que chega a uma pequena cidade para tentar conseguir emprego com um rico colega de faculdade, apaixona-se pela linda namorada do amigo. O encontro é de um impacto sexual explosivo. Se ligue na cena da dança.

16
LAURENCE OLIVIER e TONY CURTIS
SPARTACUS
(idem, 1960)
de Stanley Kubrick

Destaque para a relação ambígua entre o escravo rebelde Antoninus (Curtis) e seu patrão romano (Olivier). A audaciosa cena nos banhos tinha sido cortada no lançamento por conta das evidentes referências homossexuais.

17
SOPHIA LOREN e LUIGI GIULIANI
BOCCACCIO 70 (episódio “A Rifa”)
(Idem, 1962)
de Vittorio De Sica

Belíssima, provocadora (o seu decote é de cortar a respiração!), divertida e sempre muito sensual, Sophia Loren faz uma deliciosa mulher que causa todo o tipo de problemas a si própria quando decide ser ela mesmo o prêmio de uma rifa num parque de diversões. O coitado do Giuliani fica sem saber o que fazer.

18
MIRIAM HOPKINS, GARY COOPER e FREDRIC MARCH
SÓCIOS no AMOR
(Design for Living, 1933)
de Ernst Lubitsch

Uma garota indecisa entre dois homens resolve se relacionar com ambos. Eles não ficam satisfeitos com a avançada decisão dela, mas também não querem perdê-la. O clímax se passa em um carro. Sentada entre os dois, Hopkins beija um e outro. Um “Jules e Jim” made in Hollywood.

outubro 27, 2011

********** SALA VIP: “AMARGO PESADELO”


burt reynolds e jon voigt
Não há heróis nesta história. Nem mesmo o formoso rio Cahulawassee, que está prestes a ser extinto em nome do progresso, devido a construção de uma gigantesca represa. A sua violência natural é tão assustadora e crescente que aniquila qualquer identificação com o espectador. Burt Reynolds, marcado por papéis heróicos, desta vez é um inconformado se rebelando contra a vida moderna, mas não encontra saída na sua própria imprudência (situação parecida vivida por Robert De Niro em “Taxi Driver / Idem”, 1976, e Edward Norton em “Clube da Luta / Fight Club”, 1999). É dele a ideia da aventura selvagem. “Não há riscos”, garante. Seus três amigos ingênuos e conformados com a domesticação capitalista, mesmo não tão ansiosos em relação ao perigo, topam a suposta diversão. A intenção deles é descer de canoa as corredeiras do arrebatado rio e acampar nas encostas, num fim de semana em contato com a natureza. Jamais imaginariam que trilhariam o caminho do coração das trevas, sendo testados, agredidos e ameaçados constantemente.

cox, voight, beatty e reynolds
billy redden
O argumento de AMARGO PESADELO se centra nesses quatro amigos suburbanos, de classe média. Lewis (o canastrão Burt Reynolds, no auge de sua exuberância sexual) é o valentão audacioso; Ed (Jon Voight), o sujeito tranqüilo, certinho e inseguro; Bobby (Ned Beatty), o típico gorducho fanfarrão, algo estúpido; e, por fim, Drew (Ronny Cox), músico sensível repleto de princípios e moralidade. No início, parece uma aventura corriqueira com homens desafiando águas furiosas, mas a adrenalina pueril se transforma num desafio pela sobrevivência, resultando em sequelas morais e emocionais. Nenhum deles jamais será o mesmo depois dessa estranha façanha. O roteiro sólido e simples, que beira a perfeição, cresce ao retratar personagens de personalidades contrastantes, que, diante de contratempos, reage cada um ao seu modo, com julgamentos, escolhas e sentenças particulares.


voigt e cox
Com certeza, um dos melhores e mais excitantes filmes que vi este ano. Um clássico imune à passagem do tempo, porque vai ao encontro dos medos alojados nos nossos subconscientes. Está repleto de momentos de impacto, como aquele em que Ed e Bobby se encontram na floresta com dois caipiras irracionais - que molestam sexualmente um deles (uma cena espantosa, censurada nos cinemas, mas felizmente liberada em DVD) - ou o duelo de banjos entre Drew e um garoto autista. São cenas fortíssimas, difíceis de tirar da cabeça. Através de uma atmosfera aterrorizante (um dos grandes trunfos da obra), John Boorman deixa claro que o homem por mais que reinvente o mundo por meio da tecnologia, a discutível segurança da cidade perde-se quando se tem de sobreviver contra as forças da natureza e dos instintos dos seres mais próximos de suas raízes. Diretor de longas marcantes como “Inferno no Pacífico / Hell in the Pacif” (1968), “Excalibur / Idem” (1981) e “Esperança e Glória / Hope and Glory” (1987), o inglês Boorman tem em AMARGO PESADELO o melhor momento de sua carreira. Entre os competentes atores, destacam-se Jon Voight, personificando com realismo o sujeito civilizado obrigado a se tornar um bárbaro para reagir à violência com mais violência, e Ned Beatty, estreando no cinema.

jon voight
jon voigt
Filme-irmão de outra obra espetacular dos anos 1970, sobre confrontos violentos entre caipiras e forasteiros da cidade (“Sob o Domínio do Medo / Straws Dog”, 1971, de Sam Peckinpah), essa produção de baixo orçamento - US$ 2 milhões - parece jogar na cara do espectador a pergunta “E se fosse com você?”. E não é para menos, os eventos fictícios poderiam acontecer com qualquer um, pois isoladas e acuadas as pessoas certamente podem chegar ao nível de selvageria dos protagonistas. Escrito por James Dickey, aborda também o conflito que o progresso gera. Neste caso em especial, é como se a chegada de figuras urbanas representasse o fim da rotina que aqueles nativos se acostumaram a viver, algo ilustrado no próprio rio, que antes servia para a pesca e a recreação, e agora passaria a gerar energia. A ironia é que a amada natureza revelaria uma face igualmente agressiva para todos eles, resultando em um espetáculo cinematográfico inesquecível, com uma direção de fotografia fascinante de Vilmos Zsigmond ("Espantalho / Scarecrow", 1973; "O Franco Atirador / The Deer Hunter", 1978; "Dália Negra / The Black Dahlia", 2006, etc.) - realçando o caráter sinistro e ameaçador da paisagem através do uso de sombras e tonalidades verde-escuras - e uma trama de pesadelos, cheia de suspense, mostrando a ilimitada perversidade humana. Durante duas horas, somos sugados por essa história tensa, repleta de aventura, é verdade, mas com muito mais a dizer do que podíamos imaginar, explorando a fina fronteira que nos separa dos animais. Não deixe de assisti-lo.

a cena do estupro
ned beatty
CURIOSIDADES

Sam Peckinpah queria dirigir o filme, mas John Boorman conseguiu os direitos de filmagem em primeiro lugar;

Boorman convidou Lee Marvin e Marlon Brando para interpretarem Ed e Lewis, respectivamente. Depois de ler o roteiro, Marvin afirmou que ele e Brando estavam velhos para este tipo de papel e sugeriu que fossem utilizados atores mais jovens;

Durante a subida de Ed pela pedra, Zsigmond utilizou um filtro azul para dar a sensação de que a ação se passa durante a noite, numa técnica conhecida como “Noite Americana”;

Para reduzir os custos de produção e dar maior realismo, os atores foram seus próprios dublês. Por exemplo, Jon Voight realmente subiu aquela encosta;

jon voigt e ed ramey
Com o mesmo intuito, os habitantes de locais próximos foram escalados nos papéis dos moradores da região retratada na história;

O autor do livro e também roteirista James Dickey aparece em uma ponta como o xerife;

Burt Reynolds quebrou seu cóccix enquanto filmava cenas nas corredeiras;

Billy Redden (o garoto com o banjo) não sabia tocar banjo e foi incapaz de fingir convincentemente, então outro jovem permaneceu escondido atrás de sua cadeira com a tarefa de manusear o instrumento;

burt reynolds
Ned Beatty era o único dos quatro atores principais que sabia remar uma canoa antes das filmagens. Os demais aprenderam no set;

O duelo de banjos foi a primeira cena filmada. O resto do filme foi quase inteiro filmado em seqüência;

Rodado no rio Chattooga, que divide os estados da Carolina do Sul e Geórgia, no ano que se seguiu ao lançamento do filme, 31 pessoas se afogaram na tentativa de descer as corredeiras;

Um final alternativo foi rodado, mas cortado na edição final. Nele, um corpo é dragado do rio e mostrado aos três sobreviventes. O corpo nunca seria visto pelo espectador, que precisaria adivinhar a identidade do morto.

ned beatty, ed ramey, burt reynolds e jon voigt
AMARGO PESADELO
Deliverance
(1972)

País: EUA
Gênero: Drama
Duração: 110 mins.
Cor
Produção: John Boorman 
(Warner Bros. Pictures / Elmer Enterprises)
Direção: John Boorman
Roteiro: James Dickey
Adaptação do seu romance
Fotografia: Vilmos Zsigmond
Edição: Tom Priestley
Cenografia: Fred Harpman (d.a.); (déc.)
Vestuário: Bucky Rous
Elenco: Jon Voight (“Ed”), Burt Reynolds (“Lewis”),
Ned Beatty, Ronny Cox, Ed Ramey e Billy Redden

Nota: ***** (ótimo)


*******

CONFIDENCIAL

RAUL ROULIEN


No começo da década de 1930, Raul Roulien foi chamado para trabalhar em Hollywood, tornando-se o primeiro brasileiro a atuar na Meca do Cinema. Contratado pela Fox Film Corporation, o ator de 26 anos, nascido no Rio de Janeiro, contracenou com estrelas como Janet Gaynor, Joan Bennett, Spencer Tracy, Gloria Stuart e Madeleine Carroll, além de ter sido dirigido por John Ford. No seu maior sucesso, o musical da RKO Radio Pictures “Voando Para o Rio / Flying Down to Rio” (1933), dividia a cena com Dolores Del Rio, Fred Astaire e Ginger Rogers. Ele vinha de uma destacada carreira como cantor e ator. Ao visitar um irmão em Buenos Aires, terminou por ganhar fama como chansonier, pianista e compositor. No Brasil obteve destaque primeiramente no teatro. Também foi o maior galã brasileiro de sua época. No ano de 1928 formou a Companhia Abgail Maia - Raul Roulien, investindo em um gênero denominado "teatro de frivolidade", e introduzindo espetáculos rápidos nos intervalos das sessões de cinema. Já entre os anos de 1928 a 1930, fez sucesso como cantor, tendo gravado nove discos na extinta Odeon. Ele era o autor de quase todas as músicas, e no repertório, tangos. Em 1931 mudou-se para Los Angeles, onde viveu seis anos. Em plena ascensão como Latin Lover, sua carreira sofreu um violento golpe, em 1933: sua segunda esposa, a atriz e bailarina Diva Tosca, foi atropelada e morta na Sunset Boulevard por um jovem embriagado, John Huston. O viúvo inconformado abriu processo judicial, atraindo a fúria de Walter Huston, pai do motorista e ator muito influente naquela época. Huston contou com o apoio de Louis B. Mayer, todo poderoso chefão da M-G-M, o estúdio mais importante do período. A investigação apurou a inocência do futuro diretor no atropelamento. Em contrapartida, o primeiro ator brasileiro ficou, evidentemente, arranhado na alta roda. Naquele mesmo ano, publicou o livro “A Verdadeira Hollywood”. Depois de “Te Quiero con Locura” (1935), seu último filme norte-americano, filmou como diretor “O Grito da Juventude” (1937) no Brasil e “El Grito de la Juventud” (1939) na Argentina, estrelado pela diva espanhola Conchita Montenegro. Em 1938, a Companhia Teatral de Raul Roulien encenou a peça “Malibu”, de Henrique Pongetti, da qual participava a cantora Elisa Coelho. Na década de 40, dedicou-se ao teatro. Em sua Companhia, Cacilda Becker se afirmaria como atriz em 1941, na peça "Trio em Lá Menor". Dirigiu mais quatro filmes no Brasil, entre eles o curioso “Maconha, Erva Maldita” (1950). Com atividades bastante diversificadas, foi também apresentador de programas de televisão, repórter de jornais brasileiros e estrangeiros, e promotor do Concurso Miss São Paulo para os Diários Associados, que perdurou por muitos anos. Em 1995, vitimado por um derrame afastou-se definitivamente da carreira artística. Ele passou seus últimos tempos esquecido, falecendo em 2000 devido a problemas cardíacos.