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novembro 03, 2015

***** TYRONE POWER: um CAMPEÃO de BILHETERIA


No apogeu, anos 30-40, foi um dos principais astros de Hollywood. Olhar sedutor e carisma ajudaram a colocar a então iniciante 20th Century-Fox no mapa das poderosas produtoras cinematográficas. Nunca mais perderam o prestígio, nem a Fox, nem o ator ainda lembrado 57 anos após o seu falecimento. TYRONE POWER (1914 – 1958) agrada aos fãs mesmo nos filmes mais ingratos. Faz bem ao público o mix de personalidade suave, leveza atlética e beleza morena. Eu não me canso de assistir Sangue e Areia, A Marca do Zorro ou O Cisne Negro. Se era bom intérprete? Honestamente, não consigo vê-lo como o canastrão juramentado pelos críticos. Como Douglas Fairbanks e Errol Flynn, especialistas no gênero aventura, exibia habilidades físicas típicas desses filmes populares, mas quando testado em papéis dramáticos, saia-se muito bem. Assim como em comédias românticas, musicais e dramas de guerra.
                             
Ele impressiona no angustiado personagem de O Fio da Navalha, versão do romance clássico de Somerset Maugham, ao lado de Gene Tierney e Anne Baxter, e no suspense Testemunha de Acusação, do mestre Billy Wilder. Levou-me às lágrimas como o pianista Eddy Duchin em Melodia Mortal, morrendo de amores por Kim Novak. Talvez a sua atuação mais elogiada seja Stan Carlisle, vigarista de um parque de diversões em O Beco das Ilusões Perdidas, que ele insistiu em fazer contra a vontade de todos. Ótimo drama noir, fracasso de bilheteria, no mínimo merecia a nomeação ao Oscar de Melhor Ator.

tyrone power e madeleine carroll
em lloyd's de londres
Dono de um dos rostos mais formosos do cinema, TYRONE POWER tinha um corpo desproporcional, pernas finas e nenhuma bunda, ao contrário do físico harmonioso de Errol Flynn ou Rock Hudson. Mas foi o maior ídolo romântico da 20th Century-Fox. De tradicional família de artistas, seu pai, Tyrone Power II, firmou-se na Broadway como renomado shakespeareano, morrendo durante as filmagens de O Homem Miraculoso / The Miracle Man, de 1932. Ty (como era conhecido) deixou duas filhas – Romina e Taryn, da deslumbrante atriz Linda Christian -, e ambas tentaram carreira de atriz sem resultado positivo. Da última esposa, Debbie Minardos, nasceu postumamente Tyrone Power IV, que também tentou sem êxito brilhar nas telas.

Nasceu em Cincinatti, e logo seguiu a tradição familiar, debutando no teatro aos sete anos e aos dezoito no cinema, em Cadetes de Honra / Tom Brown of Culver (1932), de William Wyler. Nessa época, Darryl F. Zanuck montava um celeiro de talentos para a recém-formada 20th Century-Fox. A produtora tinha sob contrato Henry Fonda e Don Ameche, e por fim descobriu TYRONE POWER nos palcos. Zanuck não gostou do seu teste, mas por insistência da estrela Alice Faye ele foi escalado para um pequeno papel em Dormitório de Moças / Girl’s Dormitory (1936). Nas duas únicas cenas em que apareceu com Simone Simon, agradou tanto ao público feminino que milhares de cartas chegaram aos estúdios da Fox, todas perguntando quem era aquele jovem tão fascinante. O esperto chefão redigiu outro contrato em termos especiais: sete anos de exclusividade e aumentos progressivos de salário.

tyrone e sonja henie
Contrato assinado, Zanuck cismou com as sobrancelhas grossas demais do novato. O problema foi prontamente resolvido pelos maquiadores, embora o ator tenha relutado, desejando conservá-las naturalmente. Em relação à homossexualidade do futuro astro, sabendo-se na época do seu compromisso amoroso com o compositor Lorenz Hart, o departamento de publicidade da Fox inventou romances com as beldades Loretta Young, Sonja Henie e Janet Gaynor. Terminou casando-se com a atriz francesa Annabella, notoriamente lésbica. A união durou de 1939 a 1948, e mesmo separados continuaram bons amigos.

tyrone power e norma shearer 
em maria antonieta
Simpático, modesto, afável, encantador, todos o consideravam um bom sujeito. E foi Henry King quem o levou ao estrelato, insistindo com Darryl F. Zanuck para que TYRONE POWER fosse escolhido para um dos principais papéis de Lloyd’s de Londres / Lloyd’s of London (1936), um bem cuidado drama sobre a famosa companhia de seguros britânica. Depois do sucesso dessa produção requintada, passou a figurar entre as atrações de bilheteria de Hollywood. Emprestado a Metro-Goldwyn-Mayer, atuou no superespectáculo Maria Antonieta / Marie Antoinette (1938), escolhido para o papel do amante sueco da rainha francesa, Conde Axel de Fersen, pela estrela do filme, Norma Shearer.  Foi a primeira e única vez em que trabalhou fora da Fox em 16 anos de contrato milionário.

Rodou ainda em 1938, Suez / idem, épico de Allan Dwan, contracenando com a parceira habitual Loretta Young e a futura esposa Annabella. A fita conta a história romanceada do aventureiro que projetou o canal de Suez, e Annabella faz uma garota que se disfarça de rapazinho. A cena mais famosa é a de um tufão, um show de efeitos especiais. No ano seguinte, o sucesso se repetiu com o western Jesse James, narrativa da vida do famoso pistoleiro, com Henry Fonda interpretando seu irmão Frank e Henry King na direção. O hipnotizante Sangue e Areia foi o seu maior êxito de sempre. São magníficas as cenas de tourada e da sedução de Rita Hayworth, a majestosa Doña Sol. Ódio no Coração / Son of Fury, de 1942, dirigido por John Cromwell, é típica aventura dos mares do Sul. Ele interpreta um aristocrata que se refugia numa ilha para poder se vingar do tio que lhe roubou a fortuna. Um elenco espetacular é a maior atração do filme.

tyrone e annabella
Hipnotiza como o pirata Jamie Waring de O Cisne Negro, outra vez dirigido por Henry King, e certamente um clássico do cinema de aventura. Belíssima fotografia de Leon Shamroy (premiada com o Oscar), escapismo, charmosa diversão. Por três vezes, TYRONE POWER figurou entre os dez campeões de bilheteria dos EUA, no levantamento promovido anualmente pelo Motion Picture Herald entre os exibidores: em 1938, 1939 e 1940. No auge da popularidade e em companhia de Annabella, esteve no Brasil a passeio, em dezembro de 1938, sendo recebido em audiência especial pelo ditador-presidente Getúlio Vargas. Voltou a nos visitar em 1951, desta vez ao lado do fiel escudeiro César Romero, com quem percorreu as Américas num pequeno avião.

tyrone e cesar romero no brasil
E se alguém falar que a boa e velha fofoca não movimenta Hollywood está mentindo. Discutir a sexualidade de galãs é coisa bem antiga, e diversas publicações e depoimentos comprovam a bissexualidade de TYRONE POWER. O mais conhecido dos amigos de ator foi César Romero, homossexual assumido nos bastidores. Eram ainda amigos constantes o diretor George Cukor e os atores Clifton Webb e Van Johnson, reconhecidos gays da meca do cinema. Dizem que ele e Cesar Romero namoravam. Sabe-se que gostavam de voar por diversão no avião particular de Ty, adquirido do milionário Howard Hughes. O falatório sobre um affair entre os atores correu solto de forma contundente a partir de 1958, após o velório de Tyrone. A viúva Debbie pediu para que o amigo fizesse o discurso fúnebre. Romero então leu um poema que escreveu dizendo que Tyrone era um homem bonito. Bonito por fora e por dentro. Foi o suficiente para eclodir comentários.

Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra, Ty se alistou no Corpo de Fuzileiros Navais, ficando dois anos fora das telas. Ao retornar, não tinha mais o entusiasmo que cativava plateias, algo íntimo havia se perdido no conflito bélico. Ainda assim, continuou na Fox, e estourando bilheterias em O Fio da Navalha, O Capitão de Castela / Captain from Castile (1947) e O Favorito dos Bórgias / Prince of Foxes (1949). Depois de badalados casos com Lana Turner (segundo ela, ele foi o maior amor de sua vida), Gene Tierney e Corinne Calvet, casou-se com pompa e circunstância com a atriz Linda Christian, em 1949, na Europa. Em 1954, ela pediu o divórcio, recebendo um milhão de dólares. Na biografia A Vida Secreta de Tyrone Power, de Hector Arce, publicada em 1979, afirma-se que o galã era incapaz de satisfazer os desejos emocionais e sexuais de Linda.

tyrone e linda christian
Na década de 1950, TYRONE POWER se dedicou também ao teatro, louvado por Santa Joana, de Bernard Shaw; Liliom e Mister Roberts. Finalizado o contrato com a Fox, aceitou o convite do lendário John Ford para protagonizar A Paixão de Uma Vida / The Long Grey Line (1955). Elogiado pela crítica e formidável sucesso comercial, o filme deu nova vida a sua carreira, arrastada por sucessivos fracassos. Em 1956 fez Melodia Imortal, outro êxito. Com duas histórias de amor e um memorável score musical, o drama é um daqueles filmes em que ele é melhor lembrado. Atuou em ... E Agora Brilha o Sol, versão do romance de Ernest Hemingway, fazendo um jornalista que perdeu a potência sexual por causa de ferimentos na guerra, portanto não podendo satisfazer sua amada, a fogosa Lady Brett Ashley de Ava Gardner.

O último filme de TYRONE POWER, interpretando um cínico criminoso, foi um dos pontos altos de sua carreira: o suspense Testemunha de Acusação, de Billy Wilder. Com essa atuação, conquistou os críticos. O filme concorreu ao Oscar de Melhor Filme, entre outras nomeações. Com excelente elenco, no qual todos se destacam - Marlene Dietrich, Charles Laughton, Elsa Lanchester e Una O’Connor. Possibilitou ao astro um dos seus melhores desempenhos em 25 anos de cinema, encerrando com êxito uma vitoriosa carreira de 50 filmes.


Morreria tragicamente em 1958, na Espanha, filmando uma difícil cena de duelo de espadas com George Sanders, em Salomão e a Rainha de Sabá / Salomon and Sheba, de King Vidor. Substituído por Yul Brynner, o diretor diria que sem TYRONE POWER o épico perdia sua razão de ser. Ele morreu de um fulminante ataque do coração, exatamente como seu pai. O cinema perdia um de seus ídolos mais queridos. Tinha apenas 44 anos, partindo no momento em que reconquistara a popularidade. Henry King, grande amigo e diretor preferido (fizeram juntos 11 filmes), que o ensinou a pilotar aviões e sabia do seu amor pela aviação, fez voos rasantes sobre a procissão do funeral até a hora do sepultamento, e disse que ele estava ao seu lado no avião.

Poucos dias antes de morrer, entrevistado em Madri, o ator falou sobre sua carreira, surpreendendo a todos ao garantir ter gostado de apenas três filmes que fez: Sangue e Areia, O Beco das Ilusões Perdidas e Testemunha de Acusação. Rigoroso demais, eu sou capaz de citar dez filmes de primeira qualidade em que protagonizou com paixão, fascinando multidões. Vamos lá.

tyrone e nancy kelly em jesse james
DEZ FILMES de TYRONE POWER
(por ordem de preferencia)

01
TESTEMUNHA de ACUSAÇAO
(Witness for the Prosecution, 1957)
de Billy Wilder
com Marlene Dietrich

02
SANGUE e AREIA
(Blood and Sand, 1941)
de Rouben Mamoulian
com Linda Darnell e Rita Hayworth

03
A MARCA de ZORRO
(The Mark of Zorro, 1940)
de Rouben Mamoulian
com Linda Darnell

04
O CISNE NEGRO
(The Black Swan, 1942)
de Henry King
com Maureen O’Hara

05
O FIO da NAVALHA
(The Razor’s Edge, 1946)
de Edmund Goulding
com Gene Tierney e Anne Baxter

06
O BECO das ILUSÕES PERDIDAS
(Nighmare Alley, 1947)
de Edmund Goulding
com Joan Blondell e Coleen Gray

07
MELODIA IMORTAL
(The Eddy Duchin Story, 1956)
de George Sidney
com Kim Novak

08
... E AGORA BRILHA o SOL
(The Sun Also Rises, 1957)
de Henry King
com Ava Gardner
      
09
JESSE JAMES
(Idem, 1939)
de Henry King
com Nancy Kelly

10
E as CHUVAS CHEGARAM
(The Rains Came, 1939)
de Clarence Brown
com Myrna Loy

gene tierney e tyrone power em ódio no coração
DEPOIMENTOS

Trabalhar com Ty foi emocionante. Naquele momento, ele era o maior espadachim romântico do mundo. Mortalmente bonito! Mas o que eu mais amava nele era o seu senso de humor.
MAUREEN O'HARA

Ty era quente e atencioso. Tinha também um rosto muito bonito.
GENE TIERNEY

Sem dúvida, o homem mais lindo que conheci.
ALICE FAYE

Ele tinha uma aura em torno dele que o distinguia de todos os outros. Eu tive uma paixão enorme por ele e sentia que seus pés nunca tocavam a terra
COLEEN GRAY


julho 11, 2015

**** BARBARA STANWYCK - DURONA e SEDUTORA


para Sibely Vieira Cooper

Alguns navegantes sabem que BARBARA STANWYCK (1907 - 1990) é a minha atriz clássica favorita. E também da adorável cinéfila Sibely Vieira Cooper. Perto dela, nessa admiração, lembrando estrelas poéticas made in Hollywood, também me comovem Jennifer Jones, Ingrid Bergman, Claudette Colbert, Lillian Gish, Gene Tierney, Joan Crawford, Joan Bennett, Irene Dunne, Jean Arthur, Miriam Hopkins, Mary Astor, Norma Shearer, Merle Oberon, Gloria Grahame, Patricial Neal e Anne Bancroft. Desde sempre, considero BARBARA STANWYCK a maior das estrelas de Hollywood. Vez ou outra fico com Jennifer Jones ou Joan Crawford, embora termine voltando aos seus encantos. Sedutora, ela inúmeras vezes assumiu personagens provocantes, mas era uma intérprete versátil, capaz de fazer qualquer papel. “Meu único problema é encontrar uma maneira de interpretar a minha quadragésima mulher fatal de um jeito diferente da trigésima nona”, confessou, com ironia, numa entrevista da época.

Considerada uma joia no trabalho, pela responsabilidade profissional e descontração no set, era muito requisitada, no auge atuava em três a quatro filmes ao ano. Em 1944, foi a mulher que mais ganhou dinheiro nos Estados Unidos, graças aos constantes sucessos cinematográficos. Ela surgiu em Hollywood no final do cinema mudo, durante a invasão de atores da Broadway, ao lado de outras notáveis atrizes de teatro - Claudette Colbert, Miriam Hopkins, Helen Hayes, Margaret Sullavan, Ann Harding, Kay Francis, Katharine Hepburn etc. Embora seja mais lembrada pela imagem sedutora e perigosa em célebres filmes noir, igualmente foi hábil em comédias, dramas e westerns. Fazendo um filme atrás do outro - praticamente aceitando todas as ofertas que lhe eram oferecidas -, ao longo de três décadas brilhou como a mulher mais durona das telas, superando inclusive Bette Davis e Joan Crawford. E o público amava essa combinação de tenacidade, independência e erotismo.

Nascida Ruby Stevens em Nova York, no Brooklyn, e a mais nova de cinco irmãos, ficou órfã de mãe aos dois anos. Logo seu pai abandonou os filhos e partiu para o Panamá, morrendo quatro anos depois. Criada, alternadamente, por uma família amiga e pela irmã corista, ainda passou por uma família judaica, os Cohens, de Flatbush. Ao sentir-se rejeitada, omitiu a idade para trabalhar como empacotadora de uma Loja de Departamentos e, em seguida, como funcionária de uma Companhia Telefônica. Aos 15 anos sobrevivia como corista de cabaré. Em 1926, um amigo a apresentou a Willard Mack, um produtor e diretor que a contratou para um de seus shows, mudando o seu nome para BARBARA STANWYCK. Um ano depois, como estrela absoluta, fez “Burlesque” e 338 apresentações. 

Ainda em 1927 partiu para Hollywood, sendo rejeitada em todos os testes até conseguir um pequeno papel em “Noites da Broadway / Broadway Nights” (1927), sem nenhuma repercussão. O sucesso aconteceu com Frank Capra em “A Flor dos Meus Sonhos / Ladies of Leisure”, em 1930. A produção teve um começo difícil, pois diretor e atriz não se entenderam inicialmente, tornando-se bons amigos mais adiante. O drama foi um fabuloso e inesperado sucesso crítico e comercial, dando início, assim, a uma carreira bem-sucedida. A atriz casou-se duas vezes. A primeira delas com um conhecido ator teatral, Frank Fay, que, convencido do talento da esposa, a levou para Hollywood. No entanto, enquanto a carreira dela crescia, a dele mergulhou no ostracismo, provocando uma relação tensa.

Quando a Warner Bros. cancelou o contrato do ator, ele passou a beber compulsivamente e a passar momentos sóbrios na igreja, num fanatismo religioso doentio. As notórias brigas do casal tornaram-se públicas, inclusive sabendo-se que ele a espancava. A infelicidade conjugal levou BARBARA STANWYCK aos braços de Capra durante as filmagens de “A Mulher Miraculosa” (1931). Procurando salvar o casamento, adotaram uma criança em 1932. Bêbado, Fay agredia brutalmente o menino, culminando no divórcio em 1936. Viciada em trabalho, a atriz nunca deu uma constante atenção ao filho, deixando-o em internatos ou aos cuidados de babás. Ao morrer em 1961, ele já não a considerava como mãe.

robert taylor e barbara
Em 1936, ao rodar “A Mulher do seu Irmão / His Brother’s Wife”, BARBARA STANWYCK passou a viver com Robert Taylor, causando um frenesi de fofocas. Com a pressão da mídia, casaram-se em 1939. A primeira crise aconteceu em 1941, quando Bob teve um caso com Lana Turner nas filmagens de “A Estrada Proibida / Johnny Eager”, pedindo o divórcio. Descontrolada, Barbara tentou o suicídio, cortando os pulsos, mas logo Bob se arrependeu da infidelidade. Em 1944 o casamento novamente se abalou com o tórrido romance do galã com Ava Gardner. Superaram, mas nunca mais foram felizes. Seis anos depois ele a abandonou, deixando-a numa amargura que nunca cessou totalmente. Ela prometeu que não voltaria a se casar, e cumpriu a promessa. Citou Robert Taylor como o amor de sua vida. A morte do ex-marido em 1969 foi um golpe muito duro e a atriz começou uma longa pausa no cinema e na televisão. Houveram rumores de que teria sido bissexual, mas nenhuma prova sólida veio à luz; rumores também circularam sobre um relacionamento lésbico com sua assessora, Helen Ferguson.

barbara e fred macmurray
em “pacto de sangue”
Um dos maiores êxitos de BARBARA STANWYCK, “Pacto de Sangue”, de 1944, tem origem em um romance policial de James M. Cain, adaptado ao cinema por um outro grande autor do policial, Raymond Chandler, argumento que contém ainda a assinatura talentosa do próprio diretor, Billy Wilder. O que está em causa é a intenção de uma mulher (uma verdadeira “femme fatal” com uma ambição desmedida) em matar o marido para ficar com o seguro, enrolando no esquema um empregado de uma agência de seguros que se deixa prender de amores pela bandida de falinha mansa. O filme, tenso e obsessivo, liberta alguns dos piores sintomas de uma sociedade doente, obcecada pelo dinheiro, viciada pela ganância, corrupta e inebriada pelo sucesso fácil. Neste ambiente noir quase todas as personagens agem em função de desprezíveis intenções.

O ambiente é de tal maneira doentio que BARBARA STANWYCK, ao ser convidada para interpretar o papel principal, depois de ler o argumento o recusou, por o achar demasiado ignóbil. Foi Billy Wilder quem a convenceu, em boa hora: “É um rato ou uma atriz?”, ao que ela respondeu “quero ser uma atriz”. “Então aceita o papel”, ela aceitou e triunfou. Na trama, no meio deste lamaçal de más intenções que idealizam o crime perfeito e a avultada recompensa financeira, aparece um astuto diretor de serviços da seguradora, Barton Keyes (um fabuloso Edward G. Robinson), que instintivamente descobre que nem tudo o que parece é. O filme é admiravelmente contado, com magnífica fotografia preto e branco de John F. Seitz, iluminação que sublinha a sordidez dos ambientes, e trilha musical de Miklós Rózsa, daquelas que ficaram para a história. Obra-prima.


A carreira de BARBARA STANWYCK atingiu o auge entre 1940 e 1946, período em que rodou algumas das suas melhores fitas. Seu declínio começou ao perder o papel principal de “Almas em Suplício / Mildred Pierce” (1945) para sua grande amiga Joan Crawford. Ela havia lutado bravamente para atuar nesse melodrama. Também brigou por “Vontade Indômita / The Fountainhead” (1949), sendo trocada por Patricia Neal. Entretanto, seu erro crucial foi recusar “A Malvada / All About Eve” (1950), de Joseph L. Mankiewicz, para tentar controlar os passos de Robert Taylor na Europa, enquanto ele filmava “Quo Vadis / Idem” (1951). Perdeu o filme magistral que revitalizaria a sua carreira e perdeu o marido. Ainda assim, fez boas fitas nos anos 1950, sendo dirigida por Robert Siodmak, Fritz Lang, Anthony Mann, Douglas Sirk, Robert Wise, John Sturges e Samuel Fuller.

Nos anos 1960, apresentou com sucesso o programa de tevê “The Barbara Stanwyck Show” e permaneceu cinco temporadas no ar (de 1965 a 1969) com o seriado “Big Valley”, sempre com grande audiência devido em parte à sua forte performance como a matriarca Victoria Barkley. BARBARA STANWYCK foi injustiçada pela Academia de Artes de Hollywood, pois mesmo com excelentes atuações jamais levou a estatueta de Melhor Atriz. Recebeu quatro indicações para o prêmio: por “Stella Dallas, Mãe Redentora”, “Bola de Fogo”, “Pacto de Sangue” e Uma Vida por Um Fio”. Sua primeira nomeação, em 1938, disputava com outras grandes atuações, todas as indicadas mereciam a estatueta. Em 1942, Babs e a Bette Davis de “Pérfida The Little Foxes” eram as melhores do ano, mas o premio foi parar injustamente nas mãos de Joan Fontaine. Três anos depois, ela chegou bem perto, mas a vitória de Ingrid Bergman foi merecida. Sua última nomeação, em 1949, um ano notável, de marcantes atuações femininas.

Nove anos antes de sua morte, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra, ficando mais uma vez provada a sua importância para o cinema. Nos Globos de Ouro, recebeu em 1986 o Cecil B. DeMille Award, de carreira, além de uma estatueta para Melhor Atriz Coadjuvante de televisão em 1984, por “Pássaros Feridos / The Thorn Birds” (1983), tendo ainda sido nomeada por mais três ocasiões, 1966, 1967 e 1968, por “The Big Valley”. Acumulou prêmios e nomeações ao longo de toda a sua carreira. Em cerca de 60 anos, atuou em mais de 70 filmes, além de participações em séries e shows para a tevê. Seu último êxito, a fazendeira Mary Carson da minissérie “Pássaros Feridos”, rendeu-lhe também o Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante. A atriz morreu de insuficiência cardíaca, aos 82 anos.

gary cooper e barbara stanwyck em bola de fogo
19 PERSONAGENS MARCANTES

Florence 'Faith' Fallon em
A MULHER MIRACULOSA
(The Miracle Woman, 1931)
dirigido por Frank Capra
com David Manners

Lili em
SERPENTE de LUXO
(Baby Face, 1933)
dirigido por Alfred E. Green
com George Brent e John Wayne

Nora Clitheroe em
HORAS AMARGAS
(The Plough and the Stars, 1936)
dirigido por John Ford
com Preston Foster

Stella Martin Dallas em
STELLA DALLAS, MÃE REDENTORA
(Stella Dallas, 1937)
dirigido por King Vidor
com John Boles

Mollie Monahan em
ALIANÇA de AÇO
(Union Pacific, 1939)
dirigido por Cecil B. DeMille
com Joel McCrea

Lee Leander em
LEMBRA-TE DAQUELA NOITE
(Remember the Night, 1940)
dirigido por Mitchell Leisen
com Fred MacMurray

Ann Mitchell em
ADORÁVEL VAGABUNDO
(Meet John Doe, 1941)
dirigido por Frank Capra
com Gary Cooper

Jean Harrington em
As TRÊS NOITES de EVA
(The Lady Eve, 1941)
dirigido por Preston Sturges
com Henry Fonda

Sugarpuss O’Shea em
BOLA de FOGO
(Ball of Fire, 1941)
dirigido por Howard Hawks
com Gary Cooper

Phyllis Dietrichson em
PACTO de SANGUE
(Double Indemnity, 1944)
dirigido por Billy Wilder
com Fred MacMurray e Edward G. Robinson

Martha Ivers em
O TEMPO NÃO APAGA
(The Strange Love of Martha Ivers, 1946)
dirigido por Lewis Milestone
com Van Heflin e Kirk Douglas

Leona Stevenson em
Uma VIDA POR um FIO
(Sorry, Wrong Number, 1948)
dirigido por Anatole Litvak
com Burt Lancaster

Vance Jeffords em
ALMAS em FÚRIA
(The Furies, 1950)
dirigido por Anthony Mann
com Wendell Corey e Walter Huston

Mae Doyle D’Amato em
SÓ a MULHER PECA
(Clash by Night, 1952)
dirigido por Fritz Lang
com Robert Ryan

Julia O. Tredway em
UM HOMEM e DEZ DESTINOS
(Executive Suite, 1954)
dirigido por Robert Wise
com William Holden e Fredric March

Martha Wilkison em
UM PECADO em CADA ALMA
(The Violent Men, 1955)
dirigido por Rudolph Maté
com Glenn Ford e Edward G. Robinson

Norma em
CHAMAS que NÃO se APAGAM
(There’s Always Tomorrow, 1956)
dirigido por Douglas Sirk
com Fred MacMurray

Jessica Drummond em
DRAGÕES da VIOLÊNCIA
(Forty Guns, 1957)
dirigido por Samuel Fuller
com Barry Sullivan

Jo Courtney em
PELOS BAIRROS do VÍCIO
(Walk on the Wild Side, 1962)
dirigido por Edward Dmytryk
com Laurence Harvey

GALERIA de FOTOS


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