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abril 18, 2011

************** O "GADO" HITCHCOCKIANO


kim novak
Sem papas na língua, uma das declarações polêmicas de ALFRED HITCHCOCK jamais foi esquecida: "Os atores são gado", firmando seu perfil de figura excêntrica que implicava com atores. Ele nunca perdôo Ingrid Bergman por tê-lo abandonado por Roberto Rossellini, mas respeitava-a. Não guardava ressentimento de Grace Kelly, que deixou de filmar para se tornar princesa de Mônaco, mas lamentou sua escolha e durante muitos anos tentou recuperá-la. Não suportou dirigir Paul Newman e Julie Andrews em “Cortina Rasgada/Torn Curtain”, tampouco se sentiu satisfeito com Kim Novak (“Um Corpo que Cai/Vertigo”), Gregory Peck e Alida Valli (“Agonia de Amor/The Paradine Case”), Anne Baxter (“A Tortura do Silêncio/I Confess”), Ruth Roman e Farley Granger (“Pacto Sinistro/Strangers on a Train”), Priscilla Lane (“Sabotador/Saboteur”), Jane Wyman (“Pavor nos Bastidores/Stage Fright”) ou Joel McCrea e Laraine Day (“Correspondente Estrangeiro/Foreign Correspondent”). Seduzido por atrizes classudas, de sensualidade chique – como Ingrid Bergman e Grace Kelly – e atores com personalidade forte como Cary Grant e James Stewart, declarou numa entrevista a François Truffaut: “O que é que me dita a escolha de atrizes sofisticadas? Procuro mulheres do mundo, verdadeiras damas que se transformam em putas no quarto de dormir. A pobre Marilyn Monroe tinha o sexo estampado por toda a sua figura, como Brigitte Bardot, e isso não é muito fino”.


Inglês de rígida educação, marcada por forte repressão sexual, HITCHCOCK era obcecado pelas atrizes de seus filmes, mantendo com elas relações complicadas, muitas vezes meio sádicas. Ao mesmo tempo em que amava apaixonadamente algumas delas, com outras as coisas foram diferentes. Com Doris Day, ele foi  tão frio durante as filmagens que ela disse: "Tive a impressão de que ele estava preso a uma atriz  que não queria". O mestre torturou Madeleine Carroll, Joan Fontaine, Eva Marie Saint e Janet Leigh, exigindo delas que encarnassem suas fantasias fetichistas. Janet, imortalizada na célebre cena do assassinato de Marion Crane na ducha, em “Psicose”, de 1960, ficou horas sob um chuveiro que nunca parava de jorrar água, a ponto de sentir que sua pele murchava. A mais hitchcockiana das loiras, Grace Kelly, nunca perdeu a majestade pelo que outros consideravam desaforo, e numa carta de desculpas ao cineasta, explicando por que, como princesa de Mônaco, não poderia voltar aos sets de filmagem para fazer “Marnie, Confissões de Uma Ladra”, assinou como “a mais devotada de suas vacas (the most devoted of your cows)”. Kim Novak, pelo contrário, foi uma vaca rebelde. Ela implicou com o figurino de “Um Corpo Que Cai/Vertigo”, mas ele não cedeu aos caprichos da estrela, comentando anos depois: "Os atores, na maioria, são crianças burras. Por exemplo, Kim Novak. Na segunda parte de Vertigo, quando ela está morena e não parece tanto Kim Novak, até consegui que ela atuasse".

Teve graves conflitos com Tippi Hedren, que havia descoberto num comercial na televisão, e com a qual havia acariciado a idéia de fazer uma “nova Grace Kelly”. Desenvolvendo verdadeira tara pela atriz, isolava-a no set para que fosse somente sua. Não permitia que os atores a tocassem, exceto quando sua câmera estivesse filmando. Contava piadas sujas e versinhos pornográficos, especialmente depois de descobrir que Tippi detestava esse tipo de coisa. Ele não apenas a torturava fisicamente - as cenas de ataques dos pássaros levaram a lacerações reais -, como a humilhou no trabalho, exigindo que o tocasse nas partes íntimas. As atrizes foram os principais alvos da manipulação perversa do diretor. Com os atores era indiferente, e mesmo trabalhando com alguns diversas vezes, nunca estabelecia camaradagem. Listo cinco intérpretes com perfil essencialmente hitchcockiano.


CARY GRANT (1904-1986)

John Aysgarth em
SUSPEITA/Suspicion (1941)

Devlin em
INTERLÚDIO/Notorious (1945)

John Robie em
LADRÃO DE CASACA/To Catch a Thief (1955)

Roger Thornhill em
INTRIGA INTERNACIONAL/North by Northwest (1959)

GRACE KELLY (1929-1982)

Margot Wendice em
DISQUE M PARA MATAR/Dial M For Muder (1954)

Lisa Fremont em
JANELA INDISCRETA/Rear Window (1954)

Frances Stevens em
LADRÃO DE CASACA/To Catch a Thief (1955)


INGRID BERGMAN (1915-1982)

Dra. Constance Petersen em
QUANDO FALA O CORAÇÃO/Spellbound (1945)

Alicia Huberman em
INTERLÚDIO/Notorious (1945)

Lady Harrietta Flusky em
SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO/Under Capricorn (1949)

JAMES STEWART (1908-1997)

Rupert Cadell em
FESTIM DIABÓLICO/Rope (1948)

L. B. Jeffries em
JANELA INDISCRETA/Rear Window (1954)

Dr. Ben MacKenna em
O HOMEM QUE SABIA DEMAIS/The Man Who Knew Too Much (1956)

John “Scottie” Ferguson em
UM CORPO QUE CAI/VERTIGO (1958)


TIPPI HEDREN (1930-)

Melanie Daniels em
OS PÁSSAROS/The Birds (1963)

Marnie Edgar em
MARNIE, CONFISSÕES DE UMA LADRA/Marnie (1964)


grace kelly

outubro 18, 2010

************* O AMOR SECRETO de ERROL FLYNN




Na autobiografia de ERROL FLYNN, “My Wicked, Wicked Ways”, ele afirma que durante muito tempo foi apaixonado por OLIVIA DE HAVILLAND, sua partner em 9 filmes de sucesso (dos estúdios da Warner Bros.), no período de 1935 a 1941. A atriz, ainda viva, garante que o romance não foi consumado, mesmo com a proposta de casamento feita por ele e rejeitada por ela, justamente porque o astro era casado com a também atriz Lili Damita. Uma desculpa esfarrapada, já que Flynn era conhecido por bebedeiras e insaciáveis peripécias sexuais. 

Amantes na tela, numa parceria empolgante e popular, eles arrastaram multidões para ver os bacanérrimos “Capitão Blood” (1935), “As Aventuras de Robin Hood” (1938) e “Meu Reino Por Um Amor” (1939), entre outros. Depois que a parceria foi desfeita, ela e Flynn ainda se encontraram rapidamente no badalado “Graças à Minha Boa Estrela”, em 1943.


Cansada de interpretar ingênuas e recatadas donzelas em perigo, OLIVIA DE HAVILLAND deixou de ser a Rainha das Matinês, ganhando nos anos seguintes dois Oscar de Melhor Atriz: em 1946, por Só Resta Uma Lágrima e em 1949, por Tarde Demais. Irmã (e inimiga desde sempre) da atriz Joan Fontaine e nascida no Japão, hoje tem 94 anos e vive em Paris. Deixou de atuar na década de 1980, levando para casa um Globo de Ouro. 

Uma das maiores estrelas da era de ouro de Hollywood, o sexy ERROL FLYNN se destacou no cinema até morrer, embora tenha partido relativamente jovem, em 1959, aos 50 anos, de ataque cardíaco. Tal como nos seus filmes, sua vida foi também uma inspirada aventura. Apaixonado pelo mar, comprou um barco, onde passava boa parte do seu tempo livre. Seus últimos filmes importantes foram E Agora Brilha o Sol (1957), baseado num romance de Ernest Hemingway, e Raízes do Céu (1958), de John Huston, filmado na África. Seu filho, Sean Flynn, um correspondente de guerra fisicamente muito parecido com ele, desapareceu no Comboja, em 1970, durante a guerra do Vietnam.