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setembro 05, 2018

******* TRIBUTO a VANESSA REDGRAVE - 81 ANOS



Altura: 1,81 m
Olhos: Azuis
Cabelos: Ruiva


Não é comum carreiras cinematográficas vitoriosas com mais de cinco décadas. A trajetória de VANESSA REDGRAVE (1937. Londres / Inglaterra) é uma delas. Nomeada ao Oscar em seis ocasiões, a atriz britânica recebeu a estatueta como Melhor Atriz Coadjuvante em 1978, pelo papel-título no clássico “Júlia”. Além do Oscar, ganhou outros prêmios importantes, como o Emmy, Globo de Ouro e nos festivais de Cannes e Veneza. Nascida em uma célebre linhagem de atores, formada por seu pai, sir Michael Redgrave, um extraordinário e consagrado ator; sua mãe, Rachel Kempson; e seus irmãos, Corin e Lynn. Estreia no teatro aos 20 anos. No ano seguinte, debuta no cinema com o drama hospitalar “Behind the Mask” (1958), em que contracena com o pai. Nessa época começa seu mergulho no ativismo político. Nos conturbados anos 1960, além de atuar como militante nos legou alguns dos seus melhores papéis.

Corpo magro, semblante expressivo, ela seguiu a tradição familiar e fez uma carreira brilhante no teatro, cinema e televisão. Laurence Olivier anunciou seu nascimento em uma apresentação de “Hamlet” no Old Vic: “Senhoras e senhores, esta noite uma grande atriz nasceu; Laertes (interpretado por Michael Redgrave) tem uma filha”. Em 1959 VANESSA REDGRAVE brilha como membro da aclamada Companhia de Teatro Stratford-Upon-Avon. Em 1960, foi a vez do primeiro papel principal em “O Tigre e o Cavalo”, de Robert Bolt. Ganhou destaque em 1961, interpretando Rosalind em “Como Gostais”, na Royal Shakespeare Company, e desde então atuou em mais de 35 peças de teatro, vencendo os prêmios Tony e Olivier.

Na década de 1960 torna-se ícone do inovador cinema britânico ao protagonizar a comédia “Deliciosas Loucuras de Amor / Morgan” (1966), em que interpreta a sofrida ex-esposa de um artista excêntrico ou meio louco (David Warner). Por sua interpretação, recebeu prêmio em Cannes, indicação ao Oscar, Globo de Ouro e BAFTA. Outros acertos do início da carreira cinematográfica incluem Guinevere na adaptação hollywoodiana do musical de Lerner e Loewe, “Camelot / Idem” (1967), com Richard Harris e Franco Nero, e o retrato encantador da inovadora bailarina Isadora Duncan em “Isadora” (1968), pelo qual ganhou um segundo prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Cannes, juntamente com indicação ao Globo de Ouro e ao Oscar. VANESSA REDGRAVE também se destacou em papéis históricos - de Andrômaca em “As Troianas” (1971) a trágica Mary Stuart em “Mary Stuart, Rainha da Escócia Mary / Mary, Queen of Scots” (1971).

Além de um dos mais significativos talentos dramáticos, a estrela investiu na militância política, que lhe fechou portas. Desde os anos 1960, apoia uma série de causas políticas, incluindo oposição à Guerra do Vietnã, desarmamento nuclear, ajuda aos muçulmanos bósnios e outras vítimas da guerra. Quando foi indicada ao Oscar em 1978, por “Júlia”, membros da Liga de Defesa Judaica (JDL) queimaram seu retrato e fizeram piquetes na porta da cerimônia do Oscar como protesto. Ao ser agraciada com o prêmio da Academia de Hollywood, a atriz aproveitou para discursar em favor dos palestinos de Israel. A controvérsia teve um efeito negativo sobre sua carreira. Ela se juntou ao Partido Revolucionário dos Trabalhadores (WRP), que defendia a dissolução do capitalismo e da monarquia britânica. Concorreu quatro vezes por um lugar no Parlamento Britânico. Em 2004, lançou com o irmão Corin o Partido da Paz e do Progresso, que fez campanha contra a Guerra do Iraque e pelos direitos humanos.

Equilibrou sua fabulosa carreira entre grandes produções, como “Missão: Impossível / Mission: Impossible” (1996), e performances em filmes independentes. VANESSA REDGRAVE fez a sufragista Olive Chancellor em “Um Triângulo Diferente” (1984); a tenista transexual Renée Richards em “Second Serve” (1986); e a agente literária Peggy Ramsay no filme biográfico “O Amor Não Tem Sexo” (1987). Sua atuação como uma lésbica que lamenta a perda de sua parceira de longa data em “Desejo Proibido / If These Walls Could Talk 2” (2000), rendeu o Globo de Ouro e o Emmy. Em 2003, ganhou o Tony pelo revival da Broadway de “Longa Jornada Noite Adentro”, texto imortal de Eugene O'Neill.

Casada com o diretor britânico Tony Richardson de 1962 até 1967, tiveram dois filhos, as atrizes Natasha Richardson e Joely Richardson (a primeira teve um acidente fatal numa estação de esqui do Canadá, morrendo em 2009). Foi dirigida por ele em três filmes: “O Marinheiro de Gibraltar / The Sailor de Gibraltar” (1967), “Vermelho, Branco e Zero / Red and Blue” (1967) e “A Carga da Brigada Ligeira / The Charge of the Light Brigade” (1968). No divórcio, por adultério, o nome da atriz francesa Jeanne Moreau foi citado. Durante as filmagens de “Camelot” ela conheceu o astro italiano Franco Nero. Eles tiveram um filho, Carlo Gabriel Nero, agora escritor e diretor de cinema. Em 1971, separaram-se. VANESSA REDGRAVE viveu então um longo relacionamento com o ator Timothy Dalton, de 1971 a 1986. Em 2006, casou-se com seu antigo amor Franco Nero.

Em 2010, ela retornou aos palcos da Broadway para estrelar “Conduzindo Miss Daisy”, contracenando com James Earl Jones. A peça recebeu ótimas críticas. Em uma enquete da revista “The Stage”, foi classificada como uma das maiores atrizes de teatro de todos os tempos. Aos 81 anos, acaba de atuar no filme “The Aspern Paper”, direção de Julien Landais.


10 FILMES de VANESSA REDGRAVE
(por ordem de preferência)

01
BLOW-UOP - DEPOIS DAQUELE BEIJO
(Blowup, 1966)

Direção de Michelangelo Antonioni
Elenco: David Hemmings, Sarah Miles e Jane Birkin

02
As TROIANAS
(The Trojan Women, 1971)

Direção de Michael Cacoyannis
Elenco: Katharine Hepburn, Geneviève Bujold e Irene Papas

03
JÚLIA
(Idem, 1977)

Direção de Fred Zinnemann
Elenco: Jane Fonda, Jason Robards, Maximilian Schell
e Meryl Streep

04
Os DEMÔNIOS
(The Devils, 1971)

Direção de Ken Russell
Elenco: Oliver Reed e Gemma Jones

05
A GAIVOTA
(The Sea Gull, 1968)

Direção de Sidney Lumet
Elenco: James Mason, Simone Signoret e David Warner

06
RETORNO a HOWARDS END
(Howards End, 1992)

Direção de James Ivory
Elenco: Anthony Hopkins, Emma Thompson, Helena Bonham Carter,
James Wilby e Samuel West

07
ISADORA
(Idem, 1968)

Direção de Karel Reisz
Elenco: James Fox e Jason Robards

08
O AMOR NÃO TEM SEXO
(Prick Up Your Ears, 1986)

Direção de Stephen Frears
Elenco: Gary Oldman, Alfred Molina e Julie Walters

09
Um TRIÂNGULO DIFERENTE
(The Bostonians, 1984)

Direção de James Ivory
Elenco: Christopher Reeve, Jessica Tandy, Madeleine Potter
e Linda Hunt

10
SOMBRAS do PASSADO
(Wetherby, 1985)

Direção de David Hare
Elenco: Ian Holm, Judi Dench e Tom Wilkinson

GALERIA de FOTOS


janeiro 16, 2016

********** STUDIO HARCOURT: a ARTE do RETRATO

romy schneider, 1960
“Na França, ninguém é ator se não tiver sido
fotografado pelo Studio Harcourt.”

(Roland Barthes, Mythologies, 1957)

O retrato é um dos mais poderosos gêneros da história das artes visuais, com uma presença que se estende desde pelo menos o século 270 a.C. até os dias de hoje. O mais antigo exemplo de retrato em pintura sobre tela é uma madona de 1410. Em meados do século 19, a iniciante fotografia cresceu com o avanço tecnológico das lentes e do suporte sensível à luz, possibilitando o registro de retratos fotográficos. Surgiram grandes estúdios mundo afora, ajudando a transformar a fotografia num dos mais lucrativos negócios. Em Paris, França, 1934, nasceu o lendário STUDIO HARCOURT

Memória pictórica de icônicas figuras artísticas, culturais e políticas do século XX. Um belo trabalho fotográfico num jogo lúdico - e misterioso - de sombra e luz. O STUDIO HARCOURT retratou alguns dos mais célebres nomes da sétima arte na França, estrelas como Brigitte Bardot, Alain Delon, Jean Gabin, Joséphine Baker, Jean Cocteau, Serge Gainsbourg, Yves Montand e Simone Signoret. Ainda no campo do cinema, Marlène Dietrich, Jean Marais, Jeanne Moreau, Catherine Deneuve e Michèle Morgan. “Deixar uma marca, uma imagem enaltecida, é essa a vocação da foto Harcourt.”, disse um de seus proprietários, Francis Dagnan. 

Desde o início da empresa que a marca “Harcourt Paris”, qual selo hierático, assina o retrato. Transformado em mito, ganhou fama acreditando na “fotografia de arte”, enaltecendo o retrato fotográfico. A grife STUDIO HARCOURT, reconhecida em todo o mundo, inspira-se nas raízes glamourosas do cinema clássico preto e branco. São imagens inconfundíveis: muitas vezes um facho de luz corta o quadro, contornando a expressão, dando vida ao olhar, revelando texturas. E o fotografado ganha a dimensão de personagem, afirmando sua personalidadeHá um elo privilegiado entre a razão e o espírito mágico. O retrato tanto se entrega ao olhar do observador como o observa atentamente, o que pode ser ao mesmo tempo reconfortante e ameaçador.

cosette harcourt
Tudo começou graças a Cosette Harcourt. Com o nome verdadeiro de Germaine Hirschefeld, ela nasceu em Paris no ano de 1900, filha de comerciantes judeus alemães estabelecidos na França. Com o deflagrar da Primeira Guerra Mundial, a família imigrou para Inglaterra. Voltamos a encontrar Mademoiselle Harcourt em Paris, em 1930, aprendendo fotografia nos estúdios Manuel Frères. Em 1933, conheceu Jacques Lacroix. Ele e seu irmão, Jean Lacroix, tinham criado, em 1927, uma sociedade de imprensa, então em expansão.  Em 1928, a sua revista Guérir registra um enorme sucesso junto do grande público. Depois fundaram com Robert Ricci, filho de Nina Ricci, uma agência de publicidade, a Pro-Publicité. Após conhecer Cosette, Jacques Lacroix cria, com o seu irmão e Robert Ricci, o STUDIO HARCOURT, ficando a responsabilidade da organização com Cosette. Muito rapidamente, o renome se instala e o sucesso acontece. Toda Paris vem ampliar sua fama e imortalizá-lo.

Com o intuito de protegê-la dos nazistas, no início da Segunda Guerra Mundial, Jacques Lacroix se casa com a judia Cosette, em agosto de 1940. Eles se divorciam em 1946, mas permanecem juntos durante toda a vida. Então, Cosette deixa Paris, instalando-se no sul da França, depois na Inglaterra. O estúdio continua sua atividade, apesar de tudo. É a era dourada. Está em todo lugar: nos títulos de imprensa dos irmãos Lacroix, na Agência France Presse e em muitos cinemas, que exibem os retratos de atrizes e atores. Na década de 1950, tinha mais de mil clientes por mês, ou cerca de quarenta por dia. Eles talvez nao soubessem que as culturas ditas primitivas não deixavam de ter razão quando instruíam seus membros a evitarem a fotografia: não é só a aparência do fotografado que a máquina captura, mas também seu espírito, sua essência. O retrato é, assim, um constante exercício de psicologia social e individual.

marlene dietrich
Os irmãos Lacroix separam-se em 1969, ficando somente Jacques à frente dos negócios. Cosette Harcourt morre em 1976, e em 1980 Jacques Lacroix liquida o estúdio. Desde então, ele muda de mãos sucessivamente, oscilando entre a tradição e a modernidade. Por iniciativa de Jack Lang, então ministro da cultura francês, o acervo HARCOURT de negativos e arquivos foi adquirido pelo governo francês e depositado na Midiateca da Arquitetura e do Patrimônio, no forte de Saint-Cyr.


MOSTRA FOTOGRÁFICA

joséphine baker
yves montand
edwige feuillère
jean marais
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