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agosto 18, 2015

*************** ALAIN DELON, o ÍCONE da BELEZA


Herói das sagas de Visconti e de filmes de ação, tornou-se famoso por causa da sua beleza de tirar o fôlego. Foi considerado por duas décadas como “o homem mais belo do mundo”. Isto nunca o agradou, mas mesmo trabalhando com renomados diretores continuou sendo visto pelo grande público como um rosto bonito e nada mais. Toneladas de tinta foram derramadas na análise das características profissionais e pessoais do charmoso ALAIN DELON (nascido em Sceaux, França, 1935), um dos mitos do cinema europeu, comparado aos atores Gérard Philipe e Jean Marais. Protagonizou cerca de 80 filmes, ficando marcado como a estampa ideal para personagens solitários, sombrios, frios, violentos, que tem algo a esconder ou estão remoídos pela revolta e vingança.

Sua própria vida daria um filme emocionante. Quando fez quatro anos seus pais se divorciaram, passando a ser criado por um casal que morava perto de uma prisão, onde ele brincava com os guardas. Esses pais adotivos foram misteriosamente assassinados e ele voltou a conviver com sua genitora, então casada com outro homem. Teve uma infância problemática, inclusive sendo expulso de várias escolas. Aos 15 anos parou de estudar e, aos 17, alistou-se na marinha e depois se tornou paraquedista dos fuzileiros navais na Guerra da Indochina.  Em 1956, morando em Paris, sem dinheiro, trabalhou como porteiro, garçom, secretário, vendedor e açougueiro. 


No ano seguinte, foi ao Festival de Cannes com o amigo gay Jean-Claude Brialy (que havia feito curtas e pontas), chamando a atenção por sua formosura. O mítico produtor norte-americano David O. Selznick (que levou Louis Jourdan para Hollywood no final dos anos 1940) lhe ofereceu um contrato de sete anos, desde que aprendesse a falar inglês. Retornando a Paris para estudar o idioma de Tio Sam, conheceu o cineasta Yves Allégret, que o convenceu a começar a carreira no seu próprio país. Com ele estreou num pequeno papel em “Uma Tal Condessa / Quand la Femme s'en Mele” (1957).

alain e romy schneider
No romântico “Christine / Idem” (1958) contracenou com a austríaca Romy Schneider, três anos mais nova, e eles se apaixonaram. Juntos formavam o casal ideal: pleno de beleza, juventude e fama. Em 1959, resolveram morar juntos, e o romance tempestuoso, marcado pela infidelidade bissexual do jovem ator, durou cinco anos, ajudando a desequilibrar a personalidade instável da atriz. A relação findou por causa de outra mulher, Nathalie. Ao voltar dos Estados Unidos, Romy encontrou o apartamento vazio e um bilhete com uma frase banal que a torturou pelo resto de sua vida: “Vou para o México com Nathalie”

Ela nunca superou o golpe, não só por ter perdido o seu grande amor, mas pelo trauma de ser abandonada mais uma vez, como havia acontecido na infância com o pai, fazendo dessa separação um acontecimento ainda mais doloroso. Em 1977, cinco anos antes de morrer, confessou que ALAIN DELON foi o homem mais importante de sua vida. O ator, mais recentemente, também declarou que Romy foi o maior amor de sua vida. Ainda vivendo com ela interpretou o primeiro grande papel: Tom Ripley no clássico de suspense “O Sol por Testemunha”, de René Clément, adaptado do livro policial de Patricia Highsmith. Pele bronzeada, olhos azuis faiscando sob o cabelo revolto, causou frisson, numa aparição mortalmente atraente. O mundo inteiro exclamou: “Como ele é sexy!”. Na época, nos bastidores, muito se falou sobre o seu caso com Clément, então com 47 anos, que o dirigiria outras vezes em “Que Alegria de Viver / Che Gioia Vivere” (1961), “Jaula Amorosa / Les Félins” (1964) e “Paris Está em Chamas? / Paris Brûle-t-il?” (1966).

com renato salvatori 
em rocco e seus irmãos
Sob o comando de Luchino Visconti, atuou em “Rocco e seus Irmãos”, um drama elogiado. Ator e diretor se tornaram amantes, trabalhando juntos em outro clássico, “O Leopardo”, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Rodou com Monica Vitti “O Eclipse”, último filme da célebre “Trilogia da Incomunicabilidade” de Michelangelo Antonioni. Sua parceria com Jean-Pierre Melville também foi extraordinária, gerando longas inesquecíveis como “O Samurai - o matador de aluguel profissional Jef Costello é um dos seus papéis mais famosos -, “O Círculo Vermelho” e “Expresso para Bourdeaux / Un Flic” (1972). Trabalhou com outros notáveis cineastas: Alain Cavalier, Louis Malle, Julien Duvivier, Valerio Zurlini, Joseph Losey, Jean-Luc Godard, Völker Schlöndorf, Bertrand Blier, Patrice Leconte.

nathalie e alain
Lançou sua carreira em Hollywood, mas os resultados ficaram longe do desejável. “O Rolls-Royce Amarelo / The Yellow Rolls Royce (1964), “A Marca de Um Erro / Once a Thief” (1965) e “A Patrulha da Esperança / Lost Command” (1966) foram fracassos de bilheteira e crítica. Em 1964, casou-se com Nathalie, separando-se dela em 1969 após um badalado escândalo. Um dos seus guarda-costas, o bonito iugoslavo Stevan Markovic, apareceu morto a tiros, e as investigações revelaram um triângulo sexual entre o casal e o guarda-costas. Por alguma razão, ele foi assassinado depois de uma noite de álcool, drogas e sexo. Em casa só estavam os três. A seguir, novo escarcéu o envolveu em orgias bissexuais e mostrou suas ligações com o gangster corso François Marcantoni. Ainda assim, nada parecia abalar sua idolatrada reputação pública. Nos anos seguintes, teve um longo relacionamento com outra atriz, Mireille Darc.


Na década de 1970 a carreira de ALAIN DELON deu uma reviravolta. Ele optou por protagonizar filmes comerciais, de ação, geralmente também como produtor, e em três deles como diretor. Em 1973, sua amiga de longa data e ex-amante, a cantora Dalida, convidou-o para fazer um dueto com ela na canção “Paroles, Paroles”, revelando-se um enorme sucesso. Em 1987 conheceu a modelo holandesa Rosalie Van Bremen, 32 anos mais nova que ele, iniciando outro casamento. O divórcio aconteceu em 2001. Essa separação foi difícil para ele, convivendo com períodos de depressão, pensando em suicídio. Ganhou o prêmio César de Melhor Ator por “Quartos Separados / Notre Histoire” (1984) e o Urso de Ouro Honorário, no Festival de Berlim, em 1995. Mesmo anunciando o fim de sua carreira em 1998, retornou em “Asterix nos Jogos Olímpicos / Astérix aux Jeux Olympiques” (2008), no papel do conquistador romano Júlio César. Pouco antes, atuou em minisséries televisivas (“Fabio Montale”, 2001, e “Frank Riva”, 2003), dirigindo também com competência a empresa Alain Delon Diffusion, que imprime até hoje o seu nome em relógios, roupas, óculos, champanhe, conhaque, papelaria, cigarros.

Durante muito tempo ALAIN DELON foi o astro francês mais rentável, tendo atraído às salas de cinema mais de 100 milhões de espectadores. A imprensa estrangeira costumava lhe chamar de “Brigitte Bardot masculino”, pelo físico atraente e sucesso internacional. Há cerca de dez anos, após o lançamento da autobiografia do ator Helmut Berger e de uma biografia não autorizada, do jornalista Bernard Violet, ele assumiu publicamente sua bissexualidade. Berger revelou o caso do ator com Luchino Visconti, na época de “Rocco e seus Irmãos”, e Violet foi ainda mais longe, contando detalhes sobre suas aventuras amorosas com figuras de ambos os sexos e envolvimento com mafiosos e políticos de reputação duvidosa, além de problemas com álcool e drogas. Aos 80 anos, Cavaleiro da Legião de Honra Francesa, ele ainda atua. Sem dúvida é uma das maiores estrelas europeias de todos os tempos.

com claudia cardinale em o leopardo
OS 10 MELHORES FILMES de ALAIN DELON

01
ROCCO e seus IRMÃOS
(Rocco e i Suoi Fratelli, 1960)
de Luchino Visconti
com Renato Salvatori, Annie Girardot,
Katina Paxinou e Claudia Cardinale

02
O LEOPARDO
(Il Gattopardo, 1963)
de Luchino Visconti
com Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Pierre Clémenti

03
O CÍRCULO VERMELHO
(Le Cercle Rouge, 1970)
de Jean-Pierre Melville
com Gian-Maria Volonté, Yves Montand e François Périer

04
A PRIMEIRA NOITE de TRANQUILIDADE
(La Prima Notte di Quiete, 1972)
de Valerio Zurlini
com Lea Massari, Giancarlo Giannini,
Renato Salvatori e Alida Valli

05
O SAMURAI
(Le Samouraï, 1967)
de Jean-Pierre Melville
com François Périer e Nathalie Delon

06
O SOL por TESTEMUNHA
(Plein Soleil, 1960)
de René Clément
com Maurice Ronet e Marie Laforêt

07
O ECLIPSE
(L’Eclisse, 1962)
de Michelangelo Antonioni
com Monica Vitti e Francisco Rabal

08
CIDADÃO KLEIN
(Mr. Klein, 1976)
de Joseph Losey
com Jeanne Moreau, Suzanne Flon e Massimo Girotti

09
GANGSTERS de CASACA
(Mélodie en Sous-sol, 1963)
de Henri Verneuil
com Jean Gabin e Viviane Romance

10
A PISCINA
(La Piscine, 1969)
de Jacques Deray
com Romy Schneider, Maurice Ronet e Jane Birkin

GALERIA de FOTOS

 
 
 
 

janeiro 08, 2012

****************** ANJOS & DEMÔNIOS


"um anjo caiu do céu"
Segundo a tradição judaico-cristã, os ANJOS são seres celestiais que servem como ajudantes ou mensageiros de Deus. O catolicismo conta que muitas vezes eles foram autores de fenômenos miraculosos, ajudando a humanidade em seu processo espiritual. Já o príncipe das trevas, resultado da fusão de crenças de diferentes culturas, com o poder da Igreja Católica - a partir do séc. XV - passou a representar a maldade, os vícios, os pecados e os sofrimentos do mundo; numa luta eterna contra Deus, os santos e os anjos, e corrompendo a humanidade na sua trajetória. Essa antiga rixa entre o bem e o mal deu origem a variados argumentos cinematográficos. Em um bom número deles, o anjo ou o demônio são personagens importantes, fundamentais para a trama. Entre anjos (Cary Grant, por exemplo) e demônios (Laird Cregar, o melhor de todos), comédias ou dramas sombrios, grandes diretores e prêmios, sucessos de bilheterias e cult movies, o pioneirismo de George Méliès – o primeiro diabo das telas, em 1906 – e a poesia melancólica de Wenders, selecionei os meus filmes favoritos que retratam em destaque anjos ou demônios. Mas será que terminei por esquecer algum longa importante?

ANJOS

robert monrgomery e claude rains
Os Anjos: Claude Rains e Edward Everett Horton
QUE ESPERE O CÉU
(Here Come Mr. Jordan, 1941)
de Alexander Hall
Duas vezes vencedor do Oscar - Melhor História Original e Melhor Roteiro -, conta com atuações tocantes e diálogos inteligentes. Um lutador de boxe (Robert Montgomery) que está a caminho de uma competição, acaba morrendo em um acidente de avião. Ele não deveria ter morrido naquela hora, mas foi levado para o céu por um anjo ansioso (Edward Everett Horton). Agora, a decisão é do chefe do anjo (Claude Rains), que tem que achar um novo corpo para a vítima e dar-lhe uma segunda chance de lutar pelo título. No caminho, o protagonista conhece uma jovem idealista (Evelyn Keyes) pela qual imediatamente se apaixona, e que lhe dá uma nova razão para viver além do boxe.

O Anjo: Henry Travers
A FELICIDADE NÃO SE COMPRA
(It’s a Wonderful Life, 1946)
de Frank Capra
O personagem de James Stewart sempre ajudou a todos, mas pressionado por maquinações de rico vilão (Lionel Barrymore), pensa em suicídio. Um anjo, que está há 220 anos esperando para ganhar suas asas, desçe à Terra para tentar convencê-lo a desistir. Através de flash-backs, ele mostra sua importância na comunidade. Grande filme de Capra. Fracassou nas bilheterias, mas em compensação concorreu ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator.

grant e loretta
O Anjo: Cary Grant
UM ANJO CAIU DO CÉU
(The Bishop’s Wife, 1947)
de Henry Koster
Boas interpretações na história de um anjo que desce à Terra para ajudar um bispo protestante (David Niven) e sua mulher (formosa Loretta Young) a levantar fundos para a construção de uma Igreja. Indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção.

O Anjo: James Mason
EU E MEU ANJO
(Forever, Darling, 1956)
de Alexander Hall
Último filme da dupla Lucille Ball-Desi Arnaz, ainda no tempo da série “I Love Lucy”. Anjo da Guarda vem à Terra tentar salvar casamento em crise.

law e fonda
O Anjo: John Phillip Law
BARBARELLA
(Barbarella, 1968)
de Roger Vadim
No século 41, uma bela astronauta - Jane Fonda - recebe a missão de capturar um criminoso (Milo O'Shea). Na sua busca, ela seduz um anjo cego que a acompanhará. Fracasso de bilheteria, mas curioso em seus excessos, principalmente para quem gosta de história em quadrinhos. Às vezes me pergunto se Jane Fonda teria vergonha desse trabalho. Possivelmente.

O Anjo: James Mason
O CÉU PODE ESPERAR
(Heaven Can Wait, 1978)
de Warren Beatty e Buck Henry
Um jogador de futebol (Warren Beatty) é mandado para o céu antes da hora. Para arrumar o erro, ele é reencarnado no corpo de um poderoso industrial que acaba de ser assassinado pela esposa (Dyan Cannon) e o amante dela. Enquanto treina para jogar novamente em seu time, envolve-se com uma inglesa (Julie Christie) que protesta contra a poluição causada por uma das indústrias do magnata. Refilmagem de "Que Espere o Céu". Globo de Ouro de Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante (Cannon) de Musical/Comédia. Grande sucesso. A química entre Beatty e Julie é visível (na época eles viviam um romance apaixonado).

jessica
O Anjo: Jessica Lange
ALL THAT JAZZ – O SHOW DEVE CONTINUAR
(All That Jazz, 1979)
de Bob Fosse
Relato musical semi-autobiográfico da vida do escritor/diretor/coreógrafo Bob Fosse. No filme, ele (Roy Scheider) sofre um enfarte e, com a vida por um fio, revê momentos do passado, transformando-os em sua imaginação em números musicais. Sua atenção é disputada por quatro mulheres: a namorada, a ex-esposa, a filha e o anjo da morte. Concorreu ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção, entre outros. Um dos últimos grandes musicais do cinema.

bruno ganz
Os Anjos: Bruno Ganz e Otto Sander
ASAS DO DESEJO
(Der Himmel über Berlin, 1987)
de Wim Wenders
Dois anjos vagam na Berlim do pós-guerra. Embora invisíveis aos seres humanos, dão sua ajuda e apoio a todas as almas solitárias e deprimidas que vão conhecendo. Um deles se encontra infeliz com seu estado de imortalidade e deseja tornar-se humano para poder experimentar a vida. Poético e filosófico. Um dos melhores filmes da história do cinema. Wenders levou o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes.

Os Anjos: Bruno Ganz e Otto Sander
TÃO LONGE, TÃO PERTO
(In Weiter Ferne, So Nah!, 1993)
de Wim Wenders
Continuação de “Asas do Desejo”. Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Dois anjos da guarda voam sobre Berlim. São invisíveis e benevolentes, porém não podem interferir na vida das pessoas. Então, o anjo das lágrimas (Sander), transforma-se em humano para saber como as pessoas se sentem de verdade.

O Anjo: Penélope Cruz
SEM NOTÍCIAS DE DEUS
(Sin Noticias de Dios, 2001)
de Agustín Díaz-Yanes
A chefe (Fanny Ardant) de um céu cada vez mais vazio, destaca anjo (Penélope Cruz) para salvar a alma de um boxeador, mas ela terá que disputar com outro anjo (Victoria Abril), representante do inferno, que também quer essa alma por razões estratégicas. Uma divertida comédia em que a ótima Victoria Abril rouba facilmente a cena.

DEMÔNIOS

conrad veidt
O Demônio: Conrad Veidt
SATANÁS
(Idem, 1920)
de F. W. Murnau
De origem germânica e nitidamente influenciado por “Intolerância / Intolerance” (1916), de D. W. Griffith, consta de três partes, em cada qual o protagonista representa uma encarnação distinta de Satanás. A primeira delas, “O Tirano”, passa-se no antigo Egito. A segunda parte, “O Príncipe”, decorre no palácio da família Bórgia. A terceira, “O Ditador”, acontece em 1917, na Revolução Russa. Considerado perdido, porém um pequeno fragmento está conservado na Cinématheque Française. Nele, com forte carga erótica para a época, o trecho mostra os amantes egípcios Amenhotep e Nouri deitados em uma almofada. Eles conversam (não há legendas) enquanto trocam carícias. Roteiro de Robert Wiene e fotografia expressionista do mestre Karl Freund.

jannings
O Demônio: Emil Jannings
FAUSTO
(Faust - Eine Deutsche Volkssage, 1926)
de F. W. Murnau
Deus e Satã lutam pelo domínio da Terra. Para isso, fazem uma aposta pela alma de um alquimista erudito e religioso. Quando este se revolta com a enorme quantidade de vítimas da peste bubônica, Satã envia Mefisto para tentá-lo, aproveitando-se de seu momento de fraqueza. Obra-prima universal. Fotografia de sonho e grande atuação de todo o elenco. Murnau é gênio!

O Demônio: Walter Huston
O HOMEM QUE VENDEU A ALMA
(All That Money Can Buy, 1941)
de William Dieterle
Adaptação de um conto de O. Henry sobre fazendeiro (Edward Arnold) que vende sua alma ao diabo. Oscar de Melhor Trilha Sonora (Bernard Herrmann, futuro e habitual colaborador de Hitchcock) e indicado para o Oscar de Melhor Ator (Huston, impecável). Também no elenco, a francesa Simone Simon e a sensacional Jane Darwell, Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Vinhas da Ira / The Grapes of Wrath” (1940).

berry em cena
O Demônio: Jules Berry
OS VISITANTES DA NOITE
(Les Visiteurs du Soir, 1942)
de Marcel Carné
No final da Idade Média, um menestrel (Alain Cuny) e sua amiga (a lendária Arletty) chegam ao castelo de um barão (Fernand Ledoux), que está prestes a casar sua filha (Marie Déa). Possuídos pelo diabo, enquanto o menestrel seduz a jovem, sua amiga conquista o prometido (Marcel Herrand). Haverá, no entanto, um embate tenso entre o amor e as forças do mal. Chamado pelos críticos de “irrealismo poético”, para o roteirista-poeta Jacques Prévert, o diabo representava Hitler. O diretor e o roteirista recorreram à Idade Média como um álibi. A direção e os cenários inspiraram-se com êxito nas miniaturas medievais. E teve um sucesso considerável.

laird cregar
O Demônio: Laird Cregar
O DIABO DISSE NÃO
(Heaven Can Wait, 1943)
de Ernst Lubitsch
Certo de que não será aceito no céu, milionário (Don Ameche) morre e vai parar no inferno, onde é recebido pelo diabo, que não tem certeza de que ali é seu lugar. Para convencê-lo, o morto começa a relembrar sua vida, recheada de traições à mulher (belíssima Gene Tierney!), entre outros problemas. Concorreu ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção. Espetáculo sofisticado, inteligente e muito divertido. No elenco, coadjuvantes importantes: Charles Coburn, Marjorie Main, Spring Byington, Louis Calhern... e Laird Cregar, como um dos diabos mais sedutores e convincentes do cinema. Pena que o ator morreu tão jovem.

O Demônio: Claude Rains
EU E O SR. SATÃ
(Angel on My Shoulder, 1946)
de Archie L. Mayo
Último filme da fértil carreira de Archie L. Mayo. Gangster (Paul Muni, um dos atores mais elogiados da década de 30, ex-estrela da Warner) é morto por seu parceiro e amigo de confiança. Acaba no inferno, onde diabo lhe oferece uma oportunidade para voltar à Terra no corpo de um juiz honesto. Ele aceita a proposta, mas pensa em passar a perna no senhor do mal. Um belo e desconhecido filme independente, lançado pela United Artists.

philipe e simon
O Demônio: Michel Simon
A BELEZA DO DIABO
(Le Beauté Du Diable, 1950)
de René Clair
Velho alquimista (Gérard Philipe) decide se aposentar depois de ver seus esforços frustrados para descobrir os segredos da natureza. Então surge Mefistófeles, seguidor de Lúcifer, lhe oferecendo a juventude perdida e uma nova vida. Só que rejuvenescido, ele desvia o interesse que tinha pela ciência para as conquistas amorosas. Isso fará com que Mefistófeles arme uma série de armadilhas para capturar sua alma. Ótima oportunidade para conferir Gérard Philipe, um dos maiores atores de sua geração.

O Demônio: Claude Rich
O DIABO E OS DEZ MANDAMENTOS
(Le Diable et lês Dix Commandements, 1962)
de Julien Duvivier
O diabo narra os dez mandamentos de forma bem humorada – inclusive confessa gostar da Nouvelle Vague -, em episódios estrelados pela nata do cinema francês: Michel Simon, Alain Delon, Micheline Presle, Charles Aznavour, Lino Ventura, Louis de Funès, Jean-Claude Brialy, Fernandel, Micheline Presle, Charles Aznavour, Lino Ventura, Danielle Darrieux, Françoise Arnoul, Marcel Dalio, Jean-Claude Brialy e Fernandel. Eles valem o ingresso para essa comédia simpática e charmosa. Foi um dos últimos filmes do veterano Duvivier.    

terzieff e clémenti
O Demônio: Pierre Clémenti
O ESTRANHO CAMINHO DE SÃO TIAGO
(La Voie Lactée, 1969)
de Luis Buñuel
Causou bastante polêmica e repercussão. Dois vagabundos (Laurent Terzieff e Paul Frankeur) partem pelo místico caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. No decorrer da história, são apresentadas as grandes heresias do cristianismo. O ateu Buñuel no auge de seu talento.  Ainda no elenco, Alain Cuny e Michel Piccoli (como o Marquês de Sade).

O Demônio: Robert De Niro
CORAÇÃO SATÂNICO
(Angel Heart, 1987)
de Alan Parker
Grandes atuações, clima sombrio. Um detetive particular (Mickey Rourke) é contratado por um homem misterioso para descobrir pistas de um cantor desaparecido. A investigação esbarra numa série de mortes violentas e o próprio detetive torna-se suspeito de assassinato. Bonita participação da musa inglesa Charlotte Rampling.