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abril 16, 2015

**** ESCÂNDALOS na BABILÔNIA de CELULÓIDE

Sexo, drogas e morte. Em Hollywood, essas histórias não estão apenas em filmes. O lado negro da indústria do entretenimento se estende em vidas destruídas e carreiras comprometidas. No best-seller “Hollywood Babylon: It's Back” (literamente, “Hollywood Babilônia: Ela Está de Volta”, 2008), de Danforth Prince e Darwin Porter, que segue os passos de “Hollywood Babylon, de Kenneth Anger - publicado em 1959 -, e de sua continuação “Hollywood Babylon II”, de 1984, os autores dissecam estrelas de cinema, revelando fatos sórdidos, loucuras sexuais, bizarrices e imagens de nus frontais. Entre dezenas de revelações, cita Lucille Ball (que se prostituia antes de se tornar atriz), Elvis Presley (seu romance com o ator Nick “Yuma” Adams), James Dean (o envolvimento amoroso com um adolescente de 12 anos), Bette Davis (o assassinato suspeito de um dos seus maridos) e Judy Garland (o destino incerto do seu corpo pós-morte).

Tenho os dois volumes da obra de Anger, numa simpática edição espanhola. Ex-ator infantil, ícone underground, nascido em Hollywood, filho de atores e criado no meio artístico, ele rasga o véu que cobre certas histórias de celebridades, ilustradas quase sempre por fotos raras. Sobra até para a nossa Carmen Miranda, que segundo o autor guardava cocaína na plataforma dos sapatos. Um cult na biblioteca de cinéfilos, o livro abalou a puritana e dissimulada indústria cinematográfica norte-americana, foi perseguido e reeditado ao longo dos anos. Odiada por artistas e seus descendentes, mas adorada pelo público, a publicação em dois volumes decepciona na informação sem dados concretos e escrita fragmentada.

Reuni alguns fatos extravagantes da comunidade cinematográfica hollywoodiana, pescados nos livros de Prince-Porter e Anger, e também em diversas biografias, revistas especializadas, documentários e entrevistas. Confira.


GARRAFA MORTAL

O hilário gorducho ROSCOE “FATTY” ARBUCKLE (1887 - 1933) alcançou o sucesso através do produtor-diretor Mack Sennet, numa carreira marcada por êxitos espetaculares. Conhecido no Brasil como Chico Bóia, na vida privada se entregou a quantidades absurdas de álcool e amantes. No auge da popularidade, em 1921, numa orgia em uma suíte de um hotel luxuoso em San Francisco, o comediante provocou a morte de Virginia Rappe, introduzindo brutalmente uma garrafa de champanhe na vagina da aspirante a atriz, revoltado por não conseguir uma ereção. O julgamento foi um impressionante evento midiático. Mesmo se livrando das grades, nunca mais voltou a atuar. Abandonado por todos e falido, terminou na sarjeta, embriagado, morrendo aos 46 anos.


OVERDOSE

o velório da estrela
Uma das mais fascinantes estrelas do cinema mudo, BARBARA LAMARR (1896 - 1926) dormia apenas duas horas por dia, reinando incansavelmente em festas e nas telas. Viciada em cocaína e heroína, ela guardava seu pó em uma pequena caixa de ouro em cima do piano de cauda e o ópio que usava era considerado da melhor qualidade. Recomendada pela amiga Mary Pickford, brilhou como a Milady de Winter de “Os Três Mosqueteiros / The Three Musketeers” (1921), ao lado do astro Douglas Fairbanks. 

Casou-se aos 17 anos, e nos 12 anos seguintes se casaria outras quatro vezes, sem deixar de ter outros incontáveis parceiros sexuais, tanto homens como mulheres incapazes de resistir aos seus encantos. Morreu aos 26 anos de uma overdose e a história se tornou pública, provocando a ira dos conservadores e reforçando a fama de Hollywood como “a cidade do pecado”, afinal três anos antes, o encantador galã WALLACE REID (1891 - 1923), rei da Paramount, também havia morrido de overdose, aos 30 anos.


SUSPEITA de ASSASSINATO

Considerada por muitos a melhor comediante do cinema mudo, MABEL NORMAND (1892 - 1930) arruinou-se ao ser envolvida em 1922 no assassinato de William Desmond Taylor, o chefão da Famous Players-Lasky. Avisada do crime antes da polícia, a atriz correu até a casa do falecido para resgatar cartas que registravam seu vício em cocaína, além de expor a secreta relação sentimental deles. Flagrada pela polícia revistando o lugar, passou a ser considerada suspeita. O crime permaneceu insolúvel, mas sua carreira se acabou. Em 1927 abandonou o cinema e três anos depois, enfraquecida com o uso excessivo de drogas, morreu de tuberculose.


SEDUZINDO MARINHEIROS

Popular e elegante astro romântico da Metro-Goldwyn-Mayer, WILLIAM HAINES (1900 - 1973) contracenou com Joan Crawford, Mae Murray, Marion Davies, Norma Shearer e Mary Pickford. Muitos na comunidade cinematográfica sabiam de sua homossexualidade, mas o chefão Louis B. Mayer vivia à beira de um ataque de nervos com a possibilidade dos deslizes do ator parar nas páginas dos jornais. Quando a conservadora Brigada do Vício flagrou-o num sórdido hotel com um marinheiro, sua carreira chegou ao fim. Para piorar a situação, em 1936, membros da Ku Klux Klan o espancaram. Graças a amigos como Joan Crawford, Carole Lombard, Gloria Swanson e George Cukor, o ator deu a volta por cima, sendo celebrado como um dos mais disputados decoradores de Hollywood.


HOMENS aos MONTES

Conhecida como a It-Girl (a garota que tinha “aquilo”), a ruiva CLARA BOW (1905 - 1965) era uma sedutora estrela da Paramount conhecida em todo o planeta. De repente, tudo se acabou em 1930 quando sua secretária particular, Daisy DeVoe, vendeu sua intimidade para uma revista de fofocas nova-iorquina, a GraphiC”. Ela havia anotado todos os homens que haviam dormido com a patroa nos quatro anos em que trabalhou para ela. Entre eles, Gary Cooper, John Wayne e um time completo de futebol norte-americano. O caso parou nos tribunais e consideraram a secretária culpada, mas a carreira da atriz afundou de vez: o estúdio não renovou seu contrato e o público a rejeitou. Nos anos seguintes, internada várias vezes em sanatórios, morreu louca.


ORGASMO nas TELAS

O filme Êxtase / Ecstasy (1933) provocou um grande escândalo no seu lançamento. A atriz austríaca HEDY LAMARR (1914 - 2000) fica nua, corre entre árvores e mergulha num rio. Depois, há uma simulação de masturbação. Tudo de muito longe. Dura apenas poucos minutos, mas um comitê do governo norte-americano se escandalizou. A fita saiu de cartaz. Também por causa do buxixo mundial, Hedy foi espancada pelo marido, um milionário fabricante de armas, que gastou mais de 300 mil dólares para incinerar as cópias disponíveis do filme. Disfarçada com as roupas da empregada, ela fugiu para Paris e depois para os Estados Unidos, tornando-se uma das mais famosas estrelas da Metro-Goldwyn-Mayer.

DIÁRIO ERÓTICO

Ainda novinha se destacou em “O Belo Brummel / Beau Brummel” (1924), ao lado de John Barrymore, então seu amante. MARY ASTOR (1906 - 1987) nunca mais parou, seja como heroína ou como vilã. Em 1935, seu então marido descobriu casualmente o diário onde ela confessava com detalhes que o traía com o dramaturgo George S. Kaufman, exaltando a potência sexual do amante. Humilhado, ele pediu o divórcio e a custódia da filha única. O juiz responsável pelo caso recusou o diário como prova, mas a imprensa reproduziu trechos picantes do mesmo. O escândalo correu mundo, mas a atriz seguiu adiante, enfrentando piadinhas, ganhando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por A Grande Mentira / The Great Lie e atuando por mais três décadas.


FILHA ILEGÍTIMA

Escolhidos para a versão cinematográfica de William A. Wellman da saga de Jack London, "O Grito das Selvas / The Call of the Wild” (1935), a química entre CLARK GABLE (1901 - 1960) e LORETTA YOUNG (1912 - 2000) resultou ardente tanto nas telas como fora delas. Durante as filmagens, saíram notas na imprensa bisbilhotando o romance dos astros e garantindo que Gable pediria o divórcio de sua esposa para se casar com Loretta. Isso não ocorreu. Assim que o filme ficou pronto, a 20th Century-Fox anunciou que a atriz tiraria meses de descanso por questões de saúde. Naquela época, dar a luz fora do matrimônio era a ruína para qualquer estrela. Em 1937, Loretta revelou publicamente a adoção de uma menina de cerca de dois anos, Judy, que no futuro teria inegável semelhança física com a mãe. No entanto, a atriz nunca a assumiu como filha legítima, tampouco de Gable.


DECLÍNIO, ALCOOLISMO e MORTE

Astro de muita popularidade na era do cinema mudo, JOHN GILBERT (1897 – 1936) entrou em declínio ao desafiar o chefe da Metro-Goldwyn-Mayer, Louis B. Mayer, ofendendo-o e exigindo salário mais elevado. Demitido do estúdio e boicotado pelo produtor, ainda fez mais um filme na Columbia Pictures antes de morrer, aos 38 anos, de um ataque cardíaco causado pelo alcoolismo. O ator decadente Norman Maine (Fredric March) de “Nasce Uma Estrela / A Star is Born” (1937) foi inspirado nele.


DEVORADA MORTA

Depois de esplêndida reputação como uma das vamps mais populares do cinema mudo, MARIE PREVOST (1898 - 1937) fracassou no cinema falado devido a voz inadequada. Sobrevivendo como coadjuvante e dominada pela depressão, engordou rapidamente. Ao investir em um regime radical, em 1937, terminou morrendo. Sozinha, seu cadáver permaneceu esquecido por vários dias no sujo apartamento em que ela vivia, sendo devorado, em parte, aos pedaços, por um esfomeado cachorro salsicha de estimação.



APENAS BONS AMIGOS?

Boatos sugeriam que CARY GRANT (1904 – 1986) teria um romance com RANDOLPH SCOTT (1898 – 1987). Os dois moravam juntos e insistiam em não se casar. Pressionados por todos, acabaram se casando com duas amigas. Segundo algumas revistas de fofocas, eles chegaram a assumir o romance para os mais íntimos.


DUAS GAROTAS da PESADA

Acusado de estupro em 1942, ERROL FLYNN (1909 - 1959) na ocasião era uma das figuras mais estimadas de Hollywood. As supostas vítimas, duas menores, Peggy Satterlee e Betty Hansen, garantiram que foram levadas pelo ator ao seu iate, o Sirocco, após conhecê-lo numa festa, e se deixaram seduzir. Os jornais de todo o mundo estamparam na primeira página: “Robin Hood acusado de estupro”.  O disputado julgamento durou um certo tempo, mas o ator foi inocentado e o seu filme seguinte, “O Ídolo do Público / Gentleman Jim”, foi um tremendo sucesso.


RITUAL SUICIDA

Formosa mexicana que brilhou em Hollywood, a passional LUPE VELEZ (1908 - 1944) casou-se com o Tarzan Johnny Weissmuller em 1933. Em decadência e endividada, filmou no México “Naná” (1944), que foi bem recebido pela crítica. De volta a Hollywood, teve um caso com um cafajeste bonitão, Harald Ramond, ficando grávida. Ele pouco se importou, garantindo que não se casaria com ela. A atriz se negou a abortar e incapaz de encarar a vergonha de dar a luz a um filho ilegítimo, decidiu por fim a própria vida. Vestida sofisticadamente, recebeu suas duas melhores amigas para um suntuoso jantar mexicano. No final da noite, sozinha na alcova com velas e flores exóticas, engoliu muitas pílulas para dormir, passando mal - o estômago estava cheio de comida picante - e terminando por morrer com a cabeça enfiada no vaso sanitário, afogada no próprio vômito.


A CARREIRA ou o AMOR

Contratado pela 20th Century-Fox, WILLIAM EYTHE (1918 - 1957) cresceu em filmes com Jennifer Jones, Joan Bennett, Linda Darnell e Jeanne Crain. A máquina publicitária do estúdio insistia que o jovem ator estava namorando uma das estrelas mais quentes da temporada, Anne Baxter, mas na vida real ele era gay e amava um colega muito popular na época, LON McCALLISTER (1923 - 2005). Quando um fã publicou fotos comprometedoras dos dois, o presidente da Fox, Darryl F. Zanuck, furioso, obrigou-o a trabalhar um tempo na Inglaterra enquanto os comentários esfriavam.

McCallister não se conteve, indo ao encontro do amante e selando o fim da carreira de ambos, que tiveram seus contratos cancelados. Eythe procurou mudar a situação, casando-se rapidamente com a atriz Buff Cobb, mas o matrimônio arranjado durou pouco e acabou feio: a esposa exigiu dinheiro para fechar a boca. Ele nunca mais se reergueu, morrendo em 1957, de hepatite, aos 38 anos.


BAD BOY

saindo da prisão
Talento, carisma e estilo cínico e indolente fizeram de ROBERT MITCHUM (1917 - 1997) um dos grandes nomes de Hollywood. Encarnava nas telas desprezo pela autoridade e desrespeito aos bons costumes. Sempre com classe. Na adolescência, foi expulso da escola e viajou clandestinamente de trem pelo país. Aos 14, foi preso por vadiagem. Com seus olhos de ressaca, meio-sorriso irônico e voz grave e profunda, encarnou o anti-herói de inúmeros filmes noir. Em 1949, ficou 50 dias preso por uso de maconha e o escândalo, em vez de liquidar sua carreira, deu-lhe um novo impulso, tornando-o um astro. Apesar da bebida e das brigas, atuou em mais de 130 filmes e impôs respeito por seu talento e carisma. Uma vez Howard Hawks lhe disse: “Você é uma farsa. É um dos sujeitos que conheço que mais trabalham”. Mitchum respondeu: “Não espalhe”.


Os INFIÉIS

A grande diva italiana ANNA MAGNANI (1908 - 1973) estrelara “Roma, Cidade Aberta / Roma Città Aperta” (1945) e “O Amor / L'amore” (1948), ambos dirigidos pelo namorado ROBERTO ROSSELLINI (1906 - 1977), e esperava trabalhar com ele em seu filme seguinte, “Stromboli  / Idem” (1950). Contudo, uma mudança ocorreu após o cineasta receber uma inesperada carta da estrela INGRID BERGMAN (1915 - 1982) enaltecendo seu trabalho, e colocando-se a sua disposição como atriz. Os dois se encontram em Nova York, terminando no convite para ela protagonizar seu próximo filme. Casada com um dentista sueco, Ingrid cai de amores pelo cineasta durante as filmagens, então envolvido com a temperamental e ciumenta Anna. 

A italiana foi substituída pela estrela de Hollywood no coração de Rossellini, provocando um escândalo internacional envolvendo a igreja e os bastidores de “Stromboli”. Os produtores originais do projeto mantém Anna Magnani e iniciam um outro filme, “Vulcano / Volcano” (1950), com história semelhante. Rejeitada por Hollywood e fãs, perseguida pela imprensa, Ingrid estrelaria seis filmes (incompreendidos na época) do cineasta italiano e, juntos, tiveram três filhos, entre eles a atriz Isabella Rossellini. Em 1956, ela recebeu o perdão oficial de Hollywood com o seu segundo Oscar de Melhor Atriz por “Anastácia, a Princesa Esquecida / Anastasia” (1956).


CIÚMES e TIROS

Lembrada por magníficos filmes noir dirigidos por Fritz Lang e Jean Renoir, no início dos anos 1950 JOAN BENNETT (1910 - 1990) teve a imagem arranhada quando seu marido, o lendário produtor Walter Wanger, deu dois tiros no agente Jennings Lang, acreditando que ele estava tendo um caso com ela. A vítima se recuperou, mas Wanger não se livrou da prisão de quatro meses. Vivendo um momento de sua trajetória em que se especializara em donas de casas sensatas e abnegadas, a atriz sofreu um certo boicote, pois muitos acreditavam que ela era realmente infiel. Acho que eu atirei em mim mesma, disse ela na ocasião, continuando casada com o enciumado produtor até 1965.


BELEZA DESTRUÍDA

Sua vida barra pesada foi contada em livros, filme e peça de teatro. BARBARA PAYTON (1927 - 1967) aprendeu cedo que tinha um efeito fulminante sobre o sexo oposto. Aos 16 anos fugiu de casa com um namorado. Começou sua carreira como modelo, estreando no cinema em 1949. Belíssima e boa atriz, seduziu o super star James Cagney, que lhe ofereceu um inesperado salário de US $ 5.000 por semana para ela protagonizar ao seu lado o violento O Amanhã que não Virá Kiss Tomorrow Goodbye (1950). Elogiada pela crítica, tudo garantia que seria uma estrela. 

Estrelou o western Resistência Heroica Only the Valiant (1951) com Gregory Peck, surgindo um comentado romance com o ator (casado) durante as filmagens. O discreto Peck ficou louco por ela. Em 1951, o declínio da atriz era evidente, boicotada pelos poderosos de Hollywood que não aceitavam sua vida de festas, bebedeiras e relações com homens casados ou de reputação duvidosa. Ela casou-se quatro vezes e teve romances badalados com Howard Hughes, Bob Hope, Woody Strode, Guy Madison, George Raft, John Ireland e Steve Cochran. 

Em 1950, noivou o veterano ator FRANCHOT TONE (1905 – 1968), tendo ao mesmo tempo um caso com outro colega, TOM NEAL (1914 – 1972). Em 14 de setembro de 1951, Neal, um ex-boxeador, atacou fisicamente Tone no apartamento de Barbara, deixando-o em coma por 18 horas, rosto esmagado e nariz quebrado. O incidente rendeu uma grande publicidade. Eles se casaram, mas o divórcio veio em menos de um ano. Destruída emocionalmente com o fim precoce da carreira, enveredou no alcoolismo e drogas, abrindo caminho para vários conflitos com a lei, incluindo prisões por cheques sem fundos e, eventualmente, uma prisão na Sunset Boulevard por prostituição. Dormiu em bancos de ônibus e sofreu espancamentos regulares como prostituta. Após uma breve internação para se desintoxicar, voltou a viver com os pais alcoólatras, morrendo em 1967, aos 39 anos, totalmente esquecida.


REJEIÇÃO


AVA GARDNER (1922 – 1990) despertava tórridas paixões. Uma de suas vítimas foi FRANK SINATRA (1915 – 1998). Eles chegaram a ficar casados durante alguns anos, de 1951 a 1957, entre bebedeiras e cenas de ciúmes. Mesmo depois da separação, Sinatra continuava apaixonado. Tanto que pediu que a amiga Lauren Bacall entregasse um bolo de coco a Ava, que estava filmando em Roma. Ava ignorou o presente. Ao saber disso, Sinatra cortou os pulsos com uma gilete, mas sobreviveu. No final da vida, adoentada e com dificuldades financeiras, Ava recebeu todo o apoio necessário do ex-marido.


O MARIDO da MELHOR AMIGA

A união de DEBBIE REYNOLDS (1932) e EDDIE FISHER (1928 - 2010) foi considerada o casamento do ano, mas, dois anos depois, a coisa desandou. Eddie, era amigo de Mike Todd, segundo marido de ELIZABETH TAYLOR (1932 - 2011). Os dois casais eram vistos juntos frequentemente e, quando Todd morreu em um acidente, um ano após o casamento, Eddie não perdeu tempo e, ao consolar a viúva, acabou se envolvendo com ela. Como todo traído, Debbie foi a última a saber do relacionamento dos dois, uma vez que os jornais já davam pistas e nas festas, o comentário era geral. O escândalo apareceu em todos os noticiários e Liz passou a ser odiada por muita gente.


O GANGSTER

A super estrela de “A Caldeira do Diabo / Peyton Place”, LANA TURNER (1921 - 1995), apaixonou-se por um gangster sexy e notório gigolô, bem mais novo que ela, Johnny Stompanato. Constantemente agredida por ele e ameaçada de ter seu rosto desfigurado caso ela deixasse de o sustentar, vivia em pânico, bebendo como um cossaco para relaxar. Em 1958, a adolescente Cheryl Christina, depois de presenciar sua mãe ser surrada mais uma vez pelo bandido, o assassinou com uma faca de cozinha. Numa atuação impecável no tribunal, vestida lindamente de negro e com óculos escuros, a loura Lana chorou e quase desmaiou, resultando na absolvição da filha.

o cadáver de 
johnny stompanato




FOTOS COMPROMETEDORAS


ANNA KASHFI (1934) era conhecida como uma beldade de origem hindu. Atraído por mulheres exóticas, MARLON BRANDO (1924 – 2004) ficou louco por ela. Pouco depois do casamento, explodiu a bomba: um operário do País de Gales reconheceu nos jornais sua filha fugitiva. Brando pediu o divórcio, mesmo com ela grávida. No tribunal, exigindo uma alta soma de dinheiro, ela mostrou fotos comprometedoras do marido com o belo ator francês Christian Marquand. A carreira dela foi para o limbo, mas pelo resto da vida ganhou do ex-marido a quantia de meio milhão de dólares anuais.



MORTE BRUTAL

Foi um dos grandes latin lovers do cinema mudo. Em 1925, alcançou o seu maior sucesso como protagonista de “Ben-Hur / Idem”, causando grande sensação. Mas RAMON NOVARRO (1899 – 1968) não escondia sua homossexualidade, enlouquecendo a Metro-Goldwyn-Mayer, que exigiu um casamento de fachada. Como ele recusou a farsa, seu contrato não foi renovado. Em decadência, trabalhou em filmes de B e tentou sem êxito a sorte na Broadway. Na década de 1960, foi assassinado em sua casa por dois irmãos prostitutos. Depois de torturá-lo, eles asfixiaram-no e o degolaram com uma pequena faca, alem de saquear sua casa.


ASSASSINADA por ACIDENTE?

Estrela desde a década de 1950, NATALIE WOOD (1938 - 1981) foi casada duas vezes com o ator ROBERT WAGNER (1930), de 1957 a 1962, e de 1972 a 1981, num romance explorado durante anos pelas publicações de fofocas. Em 1981, aos 43 anos, ela, o marido e o ator CHRISTOPHER WALKEN (1943) - colega dela no filme “Projeto Brainstorm / Brainstorm” (lançado em 1983) - foram fazer um passeio de barco. Ela desapareceu numa noite e foi encontrada na manhã seguinte, afogada, e o bote salva vidas do barco estava próximo ao corpo da atriz. Sua morte foi considerada um acidente. 

Em 2011, o capitão do barco apareceu em um programa de TV falando que havia mentido no primeiro depoimento e que havia ouvido uma discussão violenta entre Natalie e um enciumado Robert. Isso reabriu a investigação sobre o caso. A necrópsia revelou que ela tinha hematomas e arranhões pelo corpo, incluindo pescoço e rosto, que ocorreram antes da queda. O atestado de óbito foi refeito, considerando que ela morreu por “afogamento e outros fatores indeterminados”. Nenhum dos dois atores comenta sobre o assunto e a causa da morte de Natalie continua sendo um mistério.


ACONTECEU em uma LOJA de LUXO

Surgindo para o mundo em filmes de Tim Burton, WINONA RYDER (1971) mostrou-se como um dos nomes mais promissores da nova geração de atrizes.  Concorreu duas vezes ao Oscar de Melhor Atriz, firmando sua reputação com público e crítica. Protagonizou grandes filmes, sendo dirigida por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen. Porém, em 2001, um escândalo abalou a sua carreira de forma quase irreversível. A atriz foi detida pela polícia, após ser flagrada roubando mais de seis mil dólares em itens de uma loja de luxo em Beverly Hills. Livrou-se das grades ao pagar uma fiança de trinta mil dólares, mas o dano causado pelo escândalo arruinou sua carreira. O seu nome, que outrora tinha força e representatividade, caiu em descrédito perante a indústria.

janeiro 09, 2015

*********** DESNUDANDO MARILYN MONROE


Nascido em 24 de setembro de 1924, o escritor norte-americano TRUMAN CAPOTE estaria com 90 anos hoje. Polêmico e excêntrico, ele morreu cerca de um mês antes de completar 60 anos, em 1984. Escreveu com acidez, beleza, inovação e escândalo, produzindo contos e romances. “Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany's” (1958) e “A Sangue Frio / In Cold Blood” (1965) são suas obras mais conhecidas. Ele era abertamente homossexual, além de um socialite ativo. Apresentado a MARILYN MONROE por John Huston durante as filmagens de “O Segredo das Joias / The Asphalt Jungle” (1950), tornaram-se amigos confidentes e parceiros de festas e bebedeiras.

Com sua beleza, inocência, e voz infantil, Marilyn fez enorme sucesso. Mas, como costuma acontecer com astros que ficam presos a um só papel, ela queria mais. Não se sentia bem sendo apenas uma deusa do sexo e atriz de comédias românticas. Ela desejava ser levada a sério, não ser pintada como loira burra. Queria um Oscar, e sabia que a academia raramente premia comediantes. Morreu aos 36 anos, em 5 de agosto de 1962, devido a uma overdose de barbitúricos. A morte foi caracterizada, segundo a versão oficial, como “suicídio acidental”. Em virtude de seu relacionamento com o presidente John F. Kennedy, o fato gerou suspeitas à época. Cogitou-se envolvimento da própria CIA, com o objetivo de queima de arquivo.

marilyn e capote
Quando “Bonequinha de Luxo” foi adaptado para o cinema, TRUMAN CAPOTE tinha em mente MARILYN MONROE como protagonista. Hollywood escolheu Audrey Hepburn. Sem dúvida alguma, o filme ficou lindo com Audrey, mas Marilyn  nao teria deixado por menos como a calculista, descomprometida e comovente Holly Golithtly. No seu livro de histórias reais “Música para Camaleões / Music for Chameleons” (1980), o escritor publicou uma célebre entrevista-conversa com a atriz. Depois do funeral de uma amiga comum, professora de representação, Truman e Marilyn foram beber champanhe, falar de amor, de morte e comprimidos, e no fim, vendo a célebre solidão da atriz, resumiu: “É uma criança linda.” Confira. Tradução de ANTONIO NAHUD.

Época: 28 de abril de 1955.

Cena: A Capela da Casa Universal, de funerais, na Lexington Avenue com a rua 52, New York City. Uma galáxia interessante se comprime nos bancos: gente famosa, na maioria, de uma arena internacional de teatro, filmes, literatura, todos presentes para prestar um tributo a Constance Collier, a atriz inglesa que morrera no dia anterior, aos 75 anos de idade. Durante as últimas décadas de sua vida, srta. Collier morou em New York onde trabalhava como professora de arte dramática de calibre único – ela aceitava apenas profissionais que já eram estrelas. Katharine Hepburn era uma aluna permanente; outra, Audrey, era uma protegée de Collier, assim como Vivien Leigh e, por alguns meses antes de sua morte, uma neófita ao qual a srta. Collier se referia como “meu problema especial”: MARILYN MONROE.

constance collier
“Ah, sim”, a srta. Collier me disse sobre Marilyn, “Há algo ali. Ela é uma criança linda. Não quero dizer na forma óbvia. Não acho que seja uma atriz, não no sentido tradicional. O que ela tem – essa presença, essa luminosidade, essa inteligencia vacilante – jamais poderia emergir no palco. É tao frágil e sutil – só pode ser mostrada pela câmera. É como um beija-flor voando: somente uma câmera pode congelar sua poesia. Mas qualquer pessoa que pensa que ela é apenas outra Jean Harlow, ou meretriz, ou o que seja, está louca. Falando de louca – é nisso que temos trabalhado juntas, em Ofélia. Suponho que as pessoas ririam só de pensar nisso, mas ela realmente poderia ser uma Ofélia requintadíssima. Eu estava falando com Greta Garbo semana passada e contando-lhe sobre a Ofélia de Marilyn, e Greta disse que sim, ela podia acreditar, pois ela havia visto dois filmes de Marilyn, lixo muito ruim e vulgar, mas tinha visto suas possibilidades. Na verdade, Greta tem uma ideia engraçada. Sabe que ela quer fazer um filme de Dorian Gray? Com ela no papel de Dorian, é claro. Bem, ela disse que gostaria que Marilyn trabalhasse com ela como uma das meninas que Dorian seduz e destrói. Greta! Tao mal aproveitada! E com um dom tao grande! Mais ou menos como o de Marilyn, se você considerá-lo. É claro que Greta é uma atriz consumada, uma atriz com controle máximo. Já a Marilyn, essa linda criança, não tem qualquer conceito de disciplina. E a não ser que ela aprenda – disciplina, sacrifício - ... Bem, de certo modo não acho que ela viva até uma idade muito avançada. É absurdo dize-lo, mas acho que ela vai morrer cedo. Espero, realmente rezo para que ela sobreviva por um tempo suficiente para liberar esse belo talento estranho que está vagueando dentro dela como um espírito enjaulado.”


Mas a srta. Collier morreu, e aqui estava eu no velório esperando Marilyn. Ela estava meia-hora atrasada; ela estava sempre atrasada, mas eu pensei que uma vez na vida! Pelo amor de Deus! Maldição! Daí, de repente, lá estava ela. Seu cabelo estava completamente coberto por um lenço de chiffon preto; seu vestido era longo e comprido e parecia emprestado; meias de seda pretas apagavam o brilho dourado de suas pernas finas. Sapatos pretos de salto alto, vagamente eróticos, e óculos escuros tipo-coruja que dramatizavam a palidez de baunilha de sua pele fresca como o leite.

MARILYN MONROE: Ah, baby, desculpe. Mas voce ve, eu me maquiei inteira, daí decidi que nao deveria usar cílios, batom, e tudo isso, entao tive que lavar o rosto e nao conseguia resolver o que deveria usar.

TRUMAN CAPOTE: Você está ótima.

MARILYN: Você tem certeza? Quero dizer, estou tao nervosa. Onde é o banheiro? Se eu pudesse ir um minutinho.

TRUMAN: É tomar um remedinho? Não! A cerimonia vai começar.

Na ponta dos pés, entramos na capela cheia de gente e nos esprememos num espaço na última fila de bancos. Durante os discursos, Marilyn tirava os óculos de tempos em tempos para enxugar numerosas lágrimas que brotavam de seus olhos azuis acinzentados. Finalmente, a cerimonia finalizou e todos começaram a se dispersar.


MARILYN: Por favor, vamos ficar sentados aqui. Vamos esperar até que todo mundo tenha ido embora.

TRUMAN: Por que?

MARILYN: Não quero ter que falar com ninguém. Nunca sei o que dizer.

TRUMAN: Então fique aqui sentadinha e eu espero lá fora. Tenho que fumar um cigarro.

MARILYN: Você não pode deixar-me sozinha. Meu Deus! Fume aqui.

TRUMAN: Aqui? Na capela?

MARILYN: Por que não? O que quer fumar? Um baseado?

TRUMAN: Muito engraçado. Vamos, vamos embora.

MARILYN: Por favor, há muitos fotógrafos na escadaria. E eu certamente não queria que eles me fotografassem com essa cara.

TRUMAN: Não te culpo por isso.

MARILYN: Você disse que eu estava ótima.

TRUMAN: Você está. Perfeita. Para ser a noiva de Frankenstein.

MARILYN: Agora está rindo de mim.

TRUMAN: Eu estou com cara de quem está rindo?

MARILYN: Está rindo por dentro. E esse é o pior tipo de risada. Aliás eu poderia ter usado maquiagem. Vejo que todas estas pessoas estão usando.

TRUMAN: Eu estou. Quilos.

MARILYN: Falo sério. É meu cabelo. Preciso fazer a tintura. Eu não tive tempo. Foi tudo tao inesperado. A morte da srta. Collier e tudo mais. Quer ver?

Ela levanta um pouco seu lenço para mostrar uma margem escura onde o cabelo se dividia.

truman capote
TRUMAN: Pobre de mim, tao inocente. Todo esse tempo eu achei que você fosse uma loira de verdade.

MARILYN: Sou. Mas ninguém é tao natural. E, antes que eu me esqueça, foda-se.

TRUMAN: OK. Todo mundo já saiu. De pé.

MARILYN: Aqueles fotógrafos ainda estão lá embaixo. Eu sei.

TRUMAN: Se eles não a reconheceram na entrada, não vão reconhece-la na saída.

MARILYN: Um deles me reconheceu. Mas eu já tinha passado pela porta quando ele começou a berrar.

TRUMAN: Tenho certeza que há uma saída pelos fundos. Podemos ir por lá.

MARILYN: Não quero ver defuntos.

TRUMAN: Por que veríamos defuntos?

MARILYN: Este é um velório. Eles tem que guardar os defuntos em algum lugar. É só isso que me falta hoje. Entrar por acaso numa sala cheia de defuntos. Seja paciente. Eu levo a gente para algum lugar e podemos estourar uma borbulhante. Odeio enterros. Ainda bem que não terei que ir ao meu. Só que eu não quero um enterro, só quero que minhas cinzas sejam jogadas nas ondas por um dos meus filhos, se eu tiver filhos. Eu não teria vindo hoje, mas a srta. Collier se preocupava comigo, com meu bem-estar, e ela era exatamente como uma avó. Ela me ensinou muito. Ela me ensinou como respirar. Eu usei isso muito, e não quero dizer só atuando. Há outras horas em que a respiração é um problema. Todo mundo diz que eu não sei atuar. Eles falavam a mesma coisa de Elizabeth Taylor. E eles estavam errados. Ela foi ótima em “Um Lugar ao Sol”. Eu nunca conseguirei pegar um papel certo, nada do que eu realmente quero. Minha aparência está contra mim. Ela é muito específica.


TRUMAN: Acha que podemos dar o fora daqui? Você me prometeu champanhe, lembra-se?

MARILYN: Me lembro, mas não tenho dinheiro.

TRUMAN: Você está sempre atrasada e nunca tem dinheiro. Por acaso pensa que é a rainha Elizabeth?

MARILYN: Quem?

TRUMAN: A rainha Elizabeth. Rainha da Inglaterra.

MARILYN: O que essa putona tem a ver com isso?

TRUMAN: A rainha Elizabeth nunca leva dinheiro. Ela não pode. A riqueza nojenta não pode manchar a palma da mão real. É uma lei ou algo parecido.

MARILYN: Bem que eu queria uma lei assim para mim.

TRUMAN: Continue do jeito que é e quem sabe chega lá.

MARILYN: Puxa vida. Como ela paga as suas coisas quando vai fazer compras?

TRUMAN: Uma lady vai trotando ao lado dela com o saco cheio de dinheiro.

MARILYN: Quer saber de uma coisa? Aposto que lhe dão tudo de graça. Em troca de avais.


TRUMAN: Muito possível. Eu não me surpreenderia. Por determinação de Sua Majestade. Guloseimas. Maconha. Camisinhas.

MARILYN: O que ela iria fazer com camisinhas?

TRUMAN: Não ela, bobona. Para aquele gigolô que anda três passos atrás dela, o príncipe Phillip.

MARILYN: Ah, é. Ele é uma graça. Tem cara de ter um pau legal. Eu já te contei da vez que eu vi Errol Flynn por o pau de fora e tocar piano com ele? Faz cem anos, eu tinha acabado de começar a trabalhar como modelo, e fui numa festa imbecil, e Errol, tao satisfeito com ele mesmo, estava lá e tirou o pau e tocou piano com ele. Batia nas teclas. Ele tocou “You Are my Sunshine”. Meu Deus! Todo mundo diz que Milton Berle tem o maior caralho de Hollywood, mas quem se importa com isso? Escuta, você tem dinheiro?

TRUMAN: Talvez uns cinquenta dólares.

MARILYN: Isso deve dar para pagar uma borbulhante.

Na rua, olhamos as vitrines de antiquários. Numa delas, uma bandeja de anéis antigos.

MARILYN: Eu queria tanto poder usar anéis, mas eu odeio que as pessoas reparem nas minhas mãos. Elas são gordas demais. A Elizabeth Taylor tem mãos gordas. Mas com aqueles olhos quem quer olhar para as mãos delas? Eu gosto de dançar nua na frente de espelhos e ver meus peitos pulando. Não há nada de errado com eles. Mas eu queria tanto que minhas mãos não fossem tao gordas.


TRUMAN: Estou pronto para comprar aquela champanhe.

Fomos parar na Segunda Avenida, num restaurante chines deserto. Pedimos a borbulhante.

MARILYN: Isto é divertido. É como estar filmando. Se você gosta de filmar em locação. O que eu certamente não gosto. “Torrente de Paixão / Niágara” (1953). Aquele lixo.

TRUMAN: Conte-me sobre seu amante escriba secreto.

MARILYN: (risadinha)

TRUMAN: Garçom, outra champanhe, por favor.

MARILYN: Você está tentando soltar minha língua?

TRUMAN: Estou. Vou dizer uma coisa. Vamos fazer uma troca. Eu conto uma história e se você achar interessante podemos discutir sobre o seu amigo escritor.

MARILYN: Sobre quem é a sua história?

TRUMAN: Errol Flynn.

MARILYN: Vá em frente.

TRUMAN: Se lembra do que estava falando sobre o Errol? De como ele estava satisfeito com o pau dele? Pode acreditar nisso. Uma vez passamos uma noite aconchegante juntos. Se você me entende.


MARILYN: Você está inventando. Está tentando me enganar.

TRUMAN: Estou jogando limpo. Isso aconteceu quando eu tinha dezenove anos. Foi durante a guerra. O inverno de 1943. Aquela noite a Carol Marcus estava dando uma festa para sua melhor amiga, Gloria Vanderbilt. Na Park Avenue. Festa grande. Umas cinquenta pessoas. Lá pela meia-noite, o Errol Flynn entra gloriosamente com seu alter-ego, um playboy esnobe e rebolante chamado Freddie McEvoy. Os dois estavam bem mais pra lá do que pra cá. O Errol começou a papear comigo, e ele é inteligente, a gente estava rindo, e de repente ele disse que queria ir ao El Morocco, e se eu não queria ir com ele. Eu disse tudo bem, só que não fomos ao El Morocco. Pegamos um táxi até o Gramercy Park, onde eu tinha um apartamento de um quarto. Ele ficou até o meio-dia.

MARILYN: E qual sua nota? Numa escala de um a dez.

TRUMAN: Francamente, se não tivesse sido Errol Flynn, acho que teria esquecido.

MARILYN: Essa história é meio sem graça. Não vale a minha. Nem sonhando.

TRUMAN: Garçom, onde está nossa champanhe? Tem duas pessoas sedentas aqui.

MARILYN: Não é nenhuma novidade. Sempre soube que Errol andava em ziguezague. Eu tenho um massagista que é como se fosse uma irmã para mim. Ele me contou sobre a transa entre o Errol e o Tyrone Power. Ele era massagista do Ty.
errol flynn

TRUMAN: Esqueça. Não precisa contar nada. Eu sei quem é sua maravilha mascarada: Arthur Miller. Adivinhei na hora que disse que ele era escritor.

MARILYN: Mas como? Quero dizer, ninguém.... Quero dizer, quase ninguém...

TRUMAN: Só não se esqueça de me convidar para o casamento.

MARILYN: Se você falar sobre isso eu o mato. Mando alguém acabar com voce. Conheço uns homens que me fariam esse favor com prazer.

TRUMAN: Não duvido.

MARILYN: Se alguém lhe perguntasse quem é Marilyn Monroe de verdade, o que responderia? Aposto que diria que sou uma palerma, uma estúpida, uma sentimental.

TRUMAN: É claro. Mas eu também diria... que você é uma criança linda.

 Fotografias de BERT STERN, 1962
(úlimas fotos de Marilyn)