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outubro 25, 2010

*********** CLAIRE TREVOR: CORPO E ALMA



Notável atriz de origem irlandesa e francesa, famosa por interpretar amantes, criminosas e prostitutas, estreou em 1931 no teatro e em 1933 no cinema, prolongando sua carreira por seis décadas. Carismática, charmosa e intérprete fascinante, freqüentemente contracenou com astros como Spencer Tracy, Humphrey Bogart, Edward G. Robinson, Glenn Ford, William Holden, Clark Gable e John Wayne. Com forte presença em cena, o sucesso finalmente chegou para CLAIRE TREVOR como a meretriz Dallas do western de John Ford, “No Tempo das Diligências (1939). Ganhou um Oscar de coadjuvante por “Paixões em Fúria” (1948), de John Huston, interpretando uma ex-cantora que se entrega ao alcoolismo. Foi indicada duas outras vezes.

Destacou-se como mulheres inteligentes e frias em filmes noir clássicos: “Até a Vista, Querida” (1944), “Nascido para Matar” (1947), “Entre Dois Fogos” (1948) e “Império do Crime” (1950). Dirigida por William Wyler, Vincente Minnelli, King Vidor, William A. Wellmann, Anthony Mann, Robert Wise, Anatole Litvak e Raoul Walsh, participou de várias séries famosas de TV (“Os Intocáveis”, “Dr. Kildare”, “Alfred Hitchcock Apresenta” etc.) e ganhou um Emmy como melhor atriz. Sua última participação no cinema aconteceu na comédia “Meu Adorável Fantasma” (1982), de Robert Mulligan, adaptada do romance de Jorge Amado. Faleceu em 2000, aos 90 anos. Casada três vezes, seu único filho morreu num acidente de avião.

************ CENA DE "ALMAS PERVERSAS"


joan bennett como kitty march

O FURADOR DE GELO

Descobre-se que o primeiro marido de Adele ainda vive. Christopher (Edward G. Robinson), o segundoi marido, está livre para se casar com Kitty March (Joan Bennett), a prostituta que ele vem sustentando e pela qual desviou fundos da empresa. Ao correr para o quarto dela, convicto de que ela o escolherá, em detrimento de seu namorado vigarista Johnny (Dan Duryea), encontra-a na cama, de négligé.

Kitty: O que você veio fazer aqui?
Christopher: Pedir-lhe que case comigo.
Kitty: E a sua mulher?
Christopher: Não tenho mulher alguma. Acabou.
Kitty: Pelo amor de Deus, você não...
Christopher: O marido dela apareceu. Estou livre. (Ela esconde o rosto num travesseiro) Não me importa o que aconteceu. Posso casar com você agora. Quero que seja minha mulher. Vamos embora juntos. Para bem longe, assim você poderá esquecer esse outro homem. Por favor, não chore, Kitty.
Kitty (erguendo-se e encarando-o): Não estou chorando, seu imbecil. Estou rindo.
Christopher: Kitty!
(Chocado, ele dá um passo para trás e esbarra no balde de gelo. Pega o furador de gelo.)
Kitty: Tive vontade de rir na sua cara desde a primeira vez que o vi. Você é velho e feio e estou cheia de você. Cheia, cheia, cheia!
Christopher: Kitty, pelo amor de Deus!
Kitty (sentando-se em atitude de desafio, com as mãos nos quadris): Você vai matar Johnny? Queria ver você tentar. Ora, ele lhe quebraria todos os ossos do corpo. Ele é um homem. Você quer casar comigo? Você? Caia fora daqui! Fora! Vá para longe de mim.
(Enquanto ele avança ameaçadoramente na direção dela com o furador de gelo) Chris! Chris! Fique longe de mim! Chris! Chris!
(Ela tenta se esconder sob as cobertas. Ele a perfura repetidas vezes)

ALMAS PERVERSAS (Scarlet Street), de Fritz Lang, 1945, EUA, policial. P& B, 103 mins. Com Edward G. Robinson, Joan Bennett, Dan Duryea, Margaret Lindsay e Rosalind Ivan.

outubro 18, 2010

*********** RECUSANDO GRANDES PAPÉIS


elizabeth taylor e montgomery clift

O cinema é repleto de filmes que conquistaram o público e promoveram estrelas, em início ou fim de carreira. Mas nem todos vistos em tais filmes foram considerados inicialmente como protagonistas. Constance Bennett e Myrna Loy perderam o Oscar para sempre ao recusaram o papel de Ellie Andrews em “Aconteceu Naquela Noite” (1934), e Claudette Colbert somente o aceitou porque o diretor Frank Capra prometeu dobrar o seu salário. George Raft desprezou “O Último Refúgio” (1941), permitindo o estrelato de Humphrey Bogart. Colbert abdicou também do convite para fazer o mítico “A Malvada” (1950), terminando nas mãos de Bette Davis e revigorando a carreira desta. A própria Bette esnobou a Lola Delaney de “A Cruz de Minha Vida” (1952), dando o Oscar e o Globo de Ouro de mãos beijadas para Shirley Booth. Ingrid Bergman desistiu de “Sedução da Carne” (1954), de Visconti, já que o seu marido na época, Roberto Rossellini, não queria que ela filmasse com outros diretores.

Cary Grant não aceitou ser o primeiro James Bond. A grã-fina de "A Doce Vida", pensada por Fellini para Silvana Mangano, recebeu o veto do marido dela, Dino De Laurentiis, que tinha ciúmes de Marcello Mastroianni. O papel terminou interpretado por Anouk Aimée. Marlon Brando deixou de lado “Lawrence da Arábia”. Laurence Olivier e Edward G. Robinson chegaram a ser convidados para o Vito Corleone de “O Poderoso Chefão”. Gene Hackman detinha os direitos de “O Silêncio dos Inocentes” e até pensou em fazer Hannibal Lecter, mas se sentiu inseguro e o filme foi oferecido a Sean Connery e Jeremy Irons. Ambos recusaram, permitindo que Anthony Hopkins fizesse história. Sean Connery não quis interpretar Gandalf na trilogia “O Senhor dos Anéis” (2001-2003). Ele receberia polpudo cachê e 15% da bilheteria, ainda assim assim disse não. O mesmo fez MONTGOMERY CLIFT em relação a “Crepúsculo dos Deuses” (1950), um dos clássicos imortais da história do cinema.


Aos 30 anos, Clift estava na crista da onda com o êxito de "Tarde Demais" (1949), de William Wyler, quando foi chamado para viver o escritor gigolô Joe Gillis, personagem escrito especialmente para ele. Durante algum tempo não deu nenhuma resposta. Faltando duas semanas para o início das filmagens, o agente do ator procurou o diretor com a informação: "Mr. Montgomery Clift não fará o filme, porque o que poderiam pensar suas fãs se ele tivesse um caso com uma mulher com duas vezes a sua idade?". Como resposta, ouviu de Billy Wilder: "Poderia esperar tal atitude de um ator de Hollywood, mas não de um ator sério de teatro de Nova York". Diante disso, William Holden foi o substituto. levando sua primeira indicação ao Oscar como Melhor Ator.