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março 08, 2015

*************** O IRRESISTÍVEL ROCK HUDSON


Roy Harold Scherer Júnior foi abandonado pelo pai aos oito anos de idade, sendo educado com dificuldade pela mãe, uma empregada doméstica. Trabalhou como carteiro, mecânico de aeronaves da marinha e motorista de caminhão antes de ser conhecido mundialmente como ROCK HUDSON (1925 - 1985). Um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 1950 e 60, não era bom ator, mas tinha carisma e bela estampa. Durante a ascensão ao estrelato, a Universal o escalou para pequenos papéis, geralmente em faroestes. Tornou-se protagonista em “Bando de Renegados / The Lawless Breed” (1953). 

O melodrama “Sublime Obsessão”, do mestre Douglas Sirk, transformou-o em astro, posição que manteve por mais de uma década. Seu principal desempenho, indicado ao Oscar, foi o fazendeiro casado com Elizabeth Taylor em “Assim Caminha a Humanidade”, e os mais populares, a série de agradáveis comédias românticas com Doris Day, destacando-se “Confidências à Meia-Noite”. Ganhou quatro vezes o Globo de Ouro. Nos anos 1970, fez sucesso na série de tevê “O Casal MacMillan”.


Moreno, muito alto (1,93 m), másculo, belo corpo e voz viril, ele estava acima de qualquer suspeita, ocultando habilmente suas inclinações sexuais. Em 1946, após dar baixa da marinha, mudou-se para Los Angeles, tornando-se amante do produtor musical Ken Hodge. Ken fez tudo o que pode por ele, inclusive transferindo-se para mais perto de Hollywood e dando festas para apresentá-lo aos caçadores de talento. Um deles, o sórdido Henry Willson, contratou o inexperiente Rock. Willson era um homossexual notório, vivia rodeado de rapazes ambiciosos aos quais prometia as luzes da ribalta. Enquanto elas não se acendiam, circulava com eles e os levava para a cama. No seu cast, Robert Wagner, Rory Calhoun, Tab Hunter, Troy Donahue, John Saxon e George Nader. 

Rock se deixou seduzir em nome da carreira. O agente arrumou seus dentes e pagou lições de interpretação, dança, desinibição e dicção. Inicialmente de nada adiantou. O grande Raoul Walsh deu-lhe uma única fala num filme e foram necessárias trinta e seis tomadas para que ROCK HUDSON a pronunciasse corretamente. Percebendo que seu rosto era bom para a câmera, o diretor contratou-o por um ano, negociando o contrato mais adiante com a Universal.

liz e rock
O estúdio divulgou romances do novo contratado - com as atrizes Vera Ellen e Marilyn Maxwell - para que os fãs não fizessem uma ideia errada a seu respeito. Ele logo passou a receber uma média de cento e cinqüenta propostas de casamento por semana. As revistas de cinema não paravam de perguntar: “Quando Rock escolherá uma noiva?”. Isso o tornou cuidadoso. Passou a encarnar o herói romântico e sua carreira terminaria se o público tivesse a mais leve suspeita de sua homossexualidade. 

O problema era a inesgotável energia sexual de ROCK HUDSON. Ele necessitava de sexo diariamente e não apreciava sujeitos masculinos, de preferência bissexuais. Enquanto isso, seus filmes destacavam seu vigoroso físico. As publicações estampavam fotos suas dedicando-se a tarefas típicas masculinas, entre elas lavando seu conversível vermelho. Sem camisa, obviamente, para exibir o formoso tronco. Uma delas vinha com a seguinte legenda: “Olhando-o de qualquer ângulo, a conclusão é: que homem!”. Liz Taylor admitiu que, durante as filmagens de “Assim Caminha a Humanidade”, sentiu-se atraída por ele. Foi inútil, ele preferiu cair nos braços de James Dean. 

rock e jane wyman 
em sublime obsessão
Quando a revista “Confidential” passou a farejar a vida privada do astro, o estúdio resolveu casá-lo urgentemente. A escolhida, uma tímida e ingênua secretária aspirante a atriz, Phyllis Gates, não tinha a menor ideia da farsa, apenas se deliciava com a possibilidade de ser a esposa do homem que todas as mulheres cobiçavam. Pelo bem da carreira, ele aguentou o máximo que pode, mas o casamento só durou três anos.

Durante as filmagens de “Adeus às Armas / A Farewell to Arms” (1957), teve tórrido caso de amor com um ator italiano (seria Franco Interlenghi?), beirando o escândalo. Para concretizar sua imagem heterossexual, foi colocado ao lado da comportada Doris Day em “Confidências à Meia-Noite”. A comédia custou um milhão e arrecadou 25 milhões de dólares. Ele passou a ser o ídolo número um do mundo. Em 1962, ROCK HUDSON conheceu um jovem chamado Lee Garlington e o convidou para viver com ele. O caso se arrastou por nove anos, e o ator revelou que Lee foi uma das poucas pessoas que realmente amou. No entanto, isso não o impedia de traí-lo. 

doris day e rock em confidências à meia-noite
Rock teve inúmeros parceiros e frequentava discretas festas exclusivamente masculinas, principalmente aquelas em que não conhecia quase ninguém. Com o declínio, a partir dos anos 1970, ele direcionou toda a sua energia para o sexo. Nas suas festas enchia a piscina com dezenas de belos jovens, nus e bronzeados. “Os louros são os Scott e os morenos são os Grant”, dizia aos raros convidados. Ninguém desconhecia o famoso romance entre Randolph Scott e Cary Grant. Nos anos 1980, numa sauna, conheceu o oportunista Marc Christian, de 29 anos. ROCK HUDSON o levou pra casa, deu-lhe um salário mensal, pagou um tratamento para melhorar seus dentes, arranjou-lhe um personal trainer, um carro e lições de tênis. 

Nesta época que apareceram os primeiros sintomas de que sua saúde não estava bem. Logo descobriu a Aids. Quando a “Variety” revelou sua doença, o mundo ficou estupefato. No entanto, morreu cercado de amigos, entre eles, Elizabeth Taylor. Depois da sua morte, o ex-amante foi aos tribunais, alegando que o ator fazia sexo com ele sabendo que podia contaminá-lo. Ganhou a causa, embolsando 14,5 milhões de dólares. A última aparição de Rock no cinema foi em “O Embaixador / The Ambassador” (1984), de J. Lee Thompson, co-estrelado por Robert Mitchum.

Fontes
“Rock Hudson – História de Sua Vida”, de Rock Hudson e Sara Davidson; e “A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood”, de Nigel Cawthorne.


DEZ GRANDES FILMES de ROCK
(por ordem de preferencia)

01
ASSIM CAMINHA a HUMANIDADE
(Giant, 1956)
direção de George Stevens
com Elizabeth Taylor, James Dean,Carroll Baker,
Mercedes McCambridge, Dennis Hopper e Sal Mineo

02
TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All that Heaven Allows, 1955)
direção de Douglas Sirk
com Jane Wyman, Agnes Moorehead e Conrad Nagel

03
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1954)
direção de Douglas Sirk
com Jane Wyman, Agnes Moorehead e Barbara Rush

04
E o SANGUE SEMEOU a TERRA
(Bend of the River, 1952)
direção de Anthony Mann
com James Stewart, Arthur Kennedy e Julie Adams

05
CONFIDENCIAS a MEIA-NOITE
(Pillow Talk, 1959)
direção de Michael Gordon
Com Doris Day, Tony Randall, Thelma Ritter
e Marcel Dalio

06
PALAVRAS ao VENTO 
(Written on the Wind, 1956)
direção de Douglas Sirk
com Lauren Bacall, Robert Stack, Dorothy Malone
e Robert Keith

07
VOLTA, MEU AMOR
(Lover Come Back, 1961)
direção de Delbert Mann
com Doris Day, Tony Randall, Edie Adams
e Jack Oakie

08
O SEGUNDO ROSTO
(Seconds, 1966)
direção de John Frankenheimer
com Salome Jens, John Randolph e Will Geer

09
QUANDO SETEMBRO VIER
(Come September, 1961)
direção de Robert Mulligan
com Gina Lollobrigida, Sandra Dee, Bobby Darin
e Walter Slezak

10
O ÚLTIMO POR-DO-SOL
(The Last Sunset, 1961)
direção de Robert Aldrich
com Kirk Douglas, Dorothy Malone, Joseph Cotten
e Carol Lynley

GALERIA de FOTOS


fevereiro 21, 2012

******************** As ESTRELAS da WARNER BROS.

doris day
Fundada em 1923 e ainda hoje em atividade, a WARNER BROS. é a minha produtora de filmes favorita (seguida de perto pela RKO Radio Pictures). No seu auge, nos anos 30-40, tinha uma visão do mundo que era mais sombria, mais cínica e mais problemática que qualquer outra concorrente. Diretos e realistas, escuros e tensos, seus filmes dessa época falam de questões sociais, traduzem a cultura popular, defendem os explorados e oprimidos. Muitas vezes selvagens, sem limites, enveredam em matanças, diálogos fortes, verdade seminua e descida à escuridão. 

Especialista em cinebiografias, histórias de gangsteres, aventuras apaixonantes e dramas noir, o estúdio durante muito tempo teve o lendário judeu Jack Warner no comando. Rin-Tin-Tin foi sua primeira estrela, de 1928 a 1933. Depois do simpático cachorro, muitas outras estrelas marcaram a história da WARNER e do próprio cinema. Confira.

EDWARD G. ROBINSON
(1893 - 1973)
Na WB de 1930 a 1942
Total de filmes na WB: 22

Vindo de uma elogiada carreira na Broadway, estreou no cinema em 1923. Tornou-se estrela com o sucesso de “Alma no Lodo / Little Caesar” (1931), no papel de um cruel mafioso. Brilhou também sob a direção de Fritz Lang, Billy Wilder, John Huston, Orson Welles, Frank Capra e John Ford. Sua carreira abalou-se ao ser intimidado para depor perante o Comitê de Atividades Anti-Americanas, por ser supostamente simpatizante do comunismo. Depois de seu falecimento, recebeu um Oscar póstumo.

Principais filmes na Warner: “Alma no Lodo” (Mervyn LeRoy) e “Confissões de Um Espião Nazista / Confessions of a Nazi Spy” (Anatole Litvak, 1939).

JAMES CAGNEY
(1899 - 1986)
Na WB de 1930 a 1942
Total de filmes na WB: 40

Atarracado, baixinho e feio, foi também o mais versátil dos astros: seus memoráveis delinqüentes fanfarrões e agressivos transformavam-se em enérgicos e charmosos dançarinos. Seu bandido malvado de “O Inimigo Público / The Public Enemy” (1931), famoso por esmagar um grapefuit no rosto de Mae Clarke, fez dele, juntamente com Edward G. Robinson, o arquétipo do gangster de cinema. Recebeu o Oscar por sua atuação no alegre e patriótico musical “A Canção da Vitória / Yankee Doodle Dandy”, de 1942. Aposentou-se após um cômico tour de face como um gerente de vendas da coca-cola em “Cupido Não Tem Bandeira / One, Two, Three” (1961), de Billy Wilder, mas retornou vinte anos depois com um pequeno papel em “Na Época do Ragtime / Ragtime” (1981).

Principais filmes na Warner: “Heróis Esquecidos / The Roaring Twenties” (Raoul Walsh, 1939) e “Fúria Sanguinária / White Heat” (Raoul Walsh, 1949).

BETTE DAVIS
(1908 - 1989)
Na WB de 1932 a 1949
Total de filmes na WB: 52

Teve início na Broadway, em 1928. Sua longa e ilustre associação com a Warner gerou papéis famosos e dois Oscars, por “Perigosa / Dangerous” (1935) e “Jezebel / Idem” (1938). Temperamental, suas discussões com Jack Warner sobre salários e sobre a qualidade dos roteiros são famosas, resultando em batalha judicial. Ao sair do estúdio, interpretou a personagem Margo Channing de “A Malvada / All About Eve” (1950).

Principais filmes na Warner: “A Carta / The Letter” (William Wyler, 1940) e A Estranha Passageira / Now, Voyager” (Irving Rapper, 1942).


PAUL MUNI
(1895 - 1967)
Na WB de 1932 a 1939
Total de filmes na WB: 11

Tinha um cuidado perfeccionista com os papéis que desempenhava, analisando até o impacto da maquiagem em cada um. “Scarface, a Vergonha de Uma Nação / Scarface” e “O Fugitivo / I Am a Fugitive From a Chaing Gang”, ambos de 1932, lançaram-no como astro. Ganhou um Oscar em 1936. Depois de alguns atritos sobre os papéis que lhe foram oferecidos, saiu da Warner e sua carreira nunca mais foi a mesma.

Principais filmes na Warner: “A História de Louis Pasteur / The Story of Louis Pasteur” (William Dieterle, 1936) e “A Vida de Emile Zola / The Life of Emile Zola” (William Dieterle, 1937).

ERROL FLYNN
(1909 - 1959)
Na WB de 1935 a 1950
Total de filmes na WB: 34

Não era um grande ator, mas possuía uma personalidade atlética e atraente, agitando clássicos de aventura. Rei das matinês juntamente com sua parceira nas telas, a dócil Olivia de Havilland, era um conhecido farrista, cuja reputação foi seriamente abalada após acusações de relacionamento sexual com menores. Enveredou pela bebida e perdeu o encanto, morrendo jovem.

Principais filmes na Warner: “Capitão Blood / Captain Blood” (Michael Curtiz, 1935) e “As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood” (Michael Curtiz e William Keighley, 1938).

HUMPHREY BOGART
(1899 - 1957)
Na WB de 1936 a 1948
Total de filmes na WB: 49

Personificação do sujeito durão, apesar do seu jeito seco tornou-se muito influente e popular e virou um dos maiores mitos de Hollywood. Sua maneira arrastada de falar e seu rosto de pedra, duas características marcantes, foram resultado de um incidente, ocorrido na Primeira Guerra Mundial, que quase dilacerou seu lábio superior. Tornou-se um astro em 1941, quando George Raft e Paul Muni recusaram rodar “Seu Último Refúgio / High Sierra”. Consolidou-se com uma série de filmes notáveis, permanecendo no topo até sua morte precoce, aos 57 anos.

Principais filmes na Warner: “Casablanca / Idem” (Michael Curtiz, 1942) e “O Tesouro de Sierra Madre / The Treasure of the Sierra Madre (John Huston, 1948).

ANN SHERIDAN
(1915 - 1967)
Na WB de 1937 a 1948
Total de filmes na WB: 40

Considerada símbolo sexual, o que ajudou sua carreira, contudo, tal estigma, juntamente com filmes e papéis medíocres, ocultou sua inteligência e charme naturais. Impressionou com sua atuação como a garçonete de “Dentro da Noite / They Drive by Night” (1940). Mas alcançou realmente o sucesso trabalhando ao lado de Ronald Reagan em “Em Cada Coração um Pecado / Kings Row” (1942). Sua popularidade decaiu na década de 50 e ela fez telenovelas antes de morrer prematuramente por câncer.

Principais filmes na Warner: “Dentro da Noite” (Raoul Walsh) e “Em Cada Coração um Pecado” (Sam Wood).

JOHN GARFIELD
(1913 - 1952)
Na WB de 1938 a 1946
Total de filmes na WB: 22

Cria da ribalta, sua personalidade forte excitava o público mais jovem de um modo não visto novamente até Marlon Brando surgir nas telas. Ele personificava na Warner o solitário insatisfeito, mas teve em outros estúdios os seus melhores papéis: o vagabundo de “O Destino Bate à Sua Porta / The Postman Always Rings Twice” (M-G-M, 1946); uma vítima do boxe em “Corpo e Alma / Body and Soul” (Entreprise, 1947); e um rebelde cubano em “Resgate de Sangue / We Were Strangers” (Columbia Pictures, 1949). A paranóica marca anticomunista do macartismo arruinou sua carreira, levando-o a uma morte prematura.

Principais filmes na Warner: “Dias Sem Fim / Castle on the Hudson” (Anatole Litvak, 1940) e “Acordes do Coração / Humoresque” (Jean Negulesco, 1940).

IDA LUPINO
(1918 - 1995)
Na WB de 1940 a 1947
Total de filmes na WB: 13

Por um momento pareceu que ela iria superar Bette Davis aos olhos do público. Com rosto de boneca, estreou no cinema aos treze anos. Passou pela Paramount e pela Columbia, mas realmente se fortaleceu na Warner. Depois de inúmeras atuações notáveis, começou a dirigir em 1950. Apareceu pela última vez nas telas em 1978.

Principais filmes na Warner: “Dentro da Noite” e “Seu Último Refúgio”.

JOAN CRAWFORD
(1905 - 1977)
Na WB de 1944 a 1952
Total de filmes na WB: 9

Ocultando o passado de dançarina de cabaré e atriz pornô, reinou na Metro-Goldwyn-Mayer por quinze anos. Era um exemplo da típica estrela de cinema, estabelecendo-se após muita luta e intrigas como a perfeita personificação de charme, firmeza e sensualidade. Excelente atriz, passou a trabalhar no estúdio da sua arqui-rival Bette Davis, em 1944, e no ano seguinte ganharia o Oscar de Melhor Atriz. Nos anos 60, sua carreira se reergueu com o êxito de “O Que Aconteceu com Baby Jane? / What Ever Happened to Baby Jane?” (1962). Seguiram-se filmes de terror de pequeno orçamento e no final de sua vida, riquíssima (seu último marido era dono da Pepsi Cola), tornou-se reclusa e alcoólatra.

Principais filmes na Warner: “Almas em Suplício / Mildred Pierce” (Michael Curtiz, 1945) e “Acordes do Coração”.

LAUREN BACALL
(n. em 1924)
Na WB de 1944 a 1950
Total de filmes na WB: 6

Assim que surgiu nas telas, conquistou imediatamente seu posto de musa em Hollywood e criou um novo estilo de heroína, glacialmente distante. A trajetória de sua carreira sofreu um grave abalo durante a luta de seu marido, Humphrey Bogart, contra o câncer. Também enfrentou brigas com a Warner, que lhe entregava papéis inadequados. Nunca deixou de fazer sucesso, inclusive na Broadway, e ainda hoje atua, aos 86 anos.

Principais filmes na Warner: “Uma Aventura na Martinica / To Have and Have Not” (Howard Hawks, 1944) e “Paixões em Fúria / Key Largo” (John Huston, 1948).

DORIS DAY
(n. em 1924)
Na WB de 1948 a 1954
Total de Filmes na WB: 15

Começou como cantora, até encontrar a fama como heroína pouco inteligente nos musicais e comédias da Warner. Chamada de “a eterna virgem”, era uma das mais populares e bem pagas estrelas dos anos 50. Na década de 60, com a revolução sexual, ficou fora de moda, mas o tempo lhe fez justiça, reconhecendo seu talento.

Principais filmes na Warner: “Êxito Fugaz / Young Man with a Horn” (Michael Curtiz, 1950) e “Ardida Como Pimenta / Calamity Jane” (David Butler, 1953).

VIRGINIA MAYO
(1920 - 2005)
Na WB de 1949 a 1954
Total de filmes na WB: 17

Dona de uma beleza glamorosa e sensual em seus traços perfeitos, cabelos louros e levemente estrábicos olhos verdes, nunca foi uma atriz que dominasse todas as sutilezas da profissão. Contratada por Samuel Goodwyn e depois pela Warner, era querida pelas platéias das décadas de 40 e 50, atuando ao lado de grandes astros, como Burt Lancaster, Gregory Peck, Alan Ladd e Paul Newman. Fez muitos filmes de aventura, policiais e westerns. Em 1947, casou-se com o ator Michael O'Shea, com quem viveu até a morte deste, em 1973, e com quem contracenou no cinema, tevê, rádio e teatro.

Principais filmes na Warner: “Fúria Sanguinária” e “O Gavião e a Flecha / The Flame and the Arrow” (Jacques Tourneur, 1950).

abril 18, 2011

************** O "GADO" HITCHCOCKIANO


kim novak
Sem papas na língua, uma das declarações polêmicas de ALFRED HITCHCOCK jamais foi esquecida: "Os atores são gado", firmando seu perfil de figura excêntrica que implicava com atores. Ele nunca perdôo Ingrid Bergman por tê-lo abandonado por Roberto Rossellini, mas respeitava-a. Não guardava ressentimento de Grace Kelly, que deixou de filmar para se tornar princesa de Mônaco, mas lamentou sua escolha e durante muitos anos tentou recuperá-la. Não suportou dirigir Paul Newman e Julie Andrews em “Cortina Rasgada/Torn Curtain”, tampouco se sentiu satisfeito com Kim Novak (“Um Corpo que Cai/Vertigo”), Gregory Peck e Alida Valli (“Agonia de Amor/The Paradine Case”), Anne Baxter (“A Tortura do Silêncio/I Confess”), Ruth Roman e Farley Granger (“Pacto Sinistro/Strangers on a Train”), Priscilla Lane (“Sabotador/Saboteur”), Jane Wyman (“Pavor nos Bastidores/Stage Fright”) ou Joel McCrea e Laraine Day (“Correspondente Estrangeiro/Foreign Correspondent”). Seduzido por atrizes classudas, de sensualidade chique – como Ingrid Bergman e Grace Kelly – e atores com personalidade forte como Cary Grant e James Stewart, declarou numa entrevista a François Truffaut: “O que é que me dita a escolha de atrizes sofisticadas? Procuro mulheres do mundo, verdadeiras damas que se transformam em putas no quarto de dormir. A pobre Marilyn Monroe tinha o sexo estampado por toda a sua figura, como Brigitte Bardot, e isso não é muito fino”.


Inglês de rígida educação, marcada por forte repressão sexual, HITCHCOCK era obcecado pelas atrizes de seus filmes, mantendo com elas relações complicadas, muitas vezes meio sádicas. Ao mesmo tempo em que amava apaixonadamente algumas delas, com outras as coisas foram diferentes. Com Doris Day, ele foi  tão frio durante as filmagens que ela disse: "Tive a impressão de que ele estava preso a uma atriz  que não queria". O mestre torturou Madeleine Carroll, Joan Fontaine, Eva Marie Saint e Janet Leigh, exigindo delas que encarnassem suas fantasias fetichistas. Janet, imortalizada na célebre cena do assassinato de Marion Crane na ducha, em “Psicose”, de 1960, ficou horas sob um chuveiro que nunca parava de jorrar água, a ponto de sentir que sua pele murchava. A mais hitchcockiana das loiras, Grace Kelly, nunca perdeu a majestade pelo que outros consideravam desaforo, e numa carta de desculpas ao cineasta, explicando por que, como princesa de Mônaco, não poderia voltar aos sets de filmagem para fazer “Marnie, Confissões de Uma Ladra”, assinou como “a mais devotada de suas vacas (the most devoted of your cows)”. Kim Novak, pelo contrário, foi uma vaca rebelde. Ela implicou com o figurino de “Um Corpo Que Cai/Vertigo”, mas ele não cedeu aos caprichos da estrela, comentando anos depois: "Os atores, na maioria, são crianças burras. Por exemplo, Kim Novak. Na segunda parte de Vertigo, quando ela está morena e não parece tanto Kim Novak, até consegui que ela atuasse".

Teve graves conflitos com Tippi Hedren, que havia descoberto num comercial na televisão, e com a qual havia acariciado a idéia de fazer uma “nova Grace Kelly”. Desenvolvendo verdadeira tara pela atriz, isolava-a no set para que fosse somente sua. Não permitia que os atores a tocassem, exceto quando sua câmera estivesse filmando. Contava piadas sujas e versinhos pornográficos, especialmente depois de descobrir que Tippi detestava esse tipo de coisa. Ele não apenas a torturava fisicamente - as cenas de ataques dos pássaros levaram a lacerações reais -, como a humilhou no trabalho, exigindo que o tocasse nas partes íntimas. As atrizes foram os principais alvos da manipulação perversa do diretor. Com os atores era indiferente, e mesmo trabalhando com alguns diversas vezes, nunca estabelecia camaradagem. Listo cinco intérpretes com perfil essencialmente hitchcockiano.


CARY GRANT (1904-1986)

John Aysgarth em
SUSPEITA/Suspicion (1941)

Devlin em
INTERLÚDIO/Notorious (1945)

John Robie em
LADRÃO DE CASACA/To Catch a Thief (1955)

Roger Thornhill em
INTRIGA INTERNACIONAL/North by Northwest (1959)

GRACE KELLY (1929-1982)

Margot Wendice em
DISQUE M PARA MATAR/Dial M For Muder (1954)

Lisa Fremont em
JANELA INDISCRETA/Rear Window (1954)

Frances Stevens em
LADRÃO DE CASACA/To Catch a Thief (1955)


INGRID BERGMAN (1915-1982)

Dra. Constance Petersen em
QUANDO FALA O CORAÇÃO/Spellbound (1945)

Alicia Huberman em
INTERLÚDIO/Notorious (1945)

Lady Harrietta Flusky em
SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO/Under Capricorn (1949)

JAMES STEWART (1908-1997)

Rupert Cadell em
FESTIM DIABÓLICO/Rope (1948)

L. B. Jeffries em
JANELA INDISCRETA/Rear Window (1954)

Dr. Ben MacKenna em
O HOMEM QUE SABIA DEMAIS/The Man Who Knew Too Much (1956)

John “Scottie” Ferguson em
UM CORPO QUE CAI/VERTIGO (1958)


TIPPI HEDREN (1930-)

Melanie Daniels em
OS PÁSSAROS/The Birds (1963)

Marnie Edgar em
MARNIE, CONFISSÕES DE UMA LADRA/Marnie (1964)


grace kelly