Herói
das sagas de Visconti e de filmes de ação, tornou-se famoso por causa da
sua beleza de tirar o fôlego. Foi considerado por duas décadas como “o homem
mais belo do mundo”. Isto nunca o agradou, mas mesmo trabalhando com renomados
diretores continuou sendo visto pelo grande público como um rosto bonito e
nada mais. Toneladas de tinta foram derramadas na análise das características
profissionais e pessoais do charmoso ALAIN DELON (nascido em Sceaux, França,
1935), um dos mitos do cinema europeu, comparado aos atores Gérard Philipe e
Jean Marais. Protagonizou cerca de 80 filmes, ficando marcado como a estampa
ideal para personagens solitários, sombrios, frios, violentos, que tem algo a
esconder ou estão remoídos pela revolta e vingança.
Sua própria vida daria um filme emocionante. Quando fez quatro anos seus pais
se divorciaram, passando a ser criado por um casal que morava perto de uma
prisão, onde ele brincava com os guardas. Esses pais adotivos foram
misteriosamente assassinados e ele voltou a conviver com sua genitora, então casada
com outro homem. Teve uma infância problemática, inclusive sendo expulso de
várias escolas. Aos 15 anos parou de estudar e, aos 17, alistou-se na
marinha e depois se tornou paraquedista dos fuzileiros navais na Guerra da
Indochina. Em 1956, morando em Paris,
sem dinheiro, trabalhou como porteiro, garçom, secretário, vendedor e
açougueiro.
No ano seguinte, foi ao Festival de Cannes com o amigo gay Jean-Claude
Brialy (que havia feito curtas e pontas), chamando a atenção por sua formosura.
O mítico produtor norte-americano David O. Selznick (que levou Louis Jourdan
para Hollywood no final dos anos 1940) lhe ofereceu um contrato de sete anos,
desde que aprendesse a falar inglês. Retornando a Paris para estudar o idioma
de Tio Sam, conheceu o cineasta Yves Allégret, que o convenceu a começar a carreira
no seu próprio país. Com ele estreou num pequeno papel em “Uma Tal Condessa /
Quand la Femme s'en Mele” (1957).
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| alain e romy schneider |
Ela nunca superou o golpe, não
só por ter perdido o seu grande amor, mas pelo trauma de ser abandonada mais
uma vez, como havia acontecido na infância com o pai, fazendo dessa separação
um acontecimento ainda mais doloroso. Em 1977, cinco anos antes de morrer, confessou
que ALAIN DELON foi o homem mais importante de sua vida. O ator, mais
recentemente, também declarou que Romy foi o maior amor de sua vida. Ainda
vivendo com ela interpretou o primeiro grande papel: Tom Ripley no clássico de
suspense “O Sol por Testemunha”, de René Clément, adaptado do livro policial de
Patricia Highsmith. Pele bronzeada, olhos azuis faiscando sob o cabelo revolto,
causou frisson, numa aparição
mortalmente atraente. O mundo inteiro exclamou: “Como ele é sexy!”. Na época,
nos bastidores, muito se falou sobre o seu caso com Clément, então com 47 anos,
que o dirigiria outras vezes em “Que Alegria de Viver / Che Gioia Vivere”
(1961), “Jaula Amorosa / Les Félins” (1964) e “Paris Está em Chamas? / Paris
Brûle-t-il?” (1966).
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| com renato salvatori em “rocco e seus irmãos” |
Sob o
comando de Luchino Visconti, atuou em “Rocco e seus Irmãos”, um drama elogiado.
Ator e diretor se tornaram amantes, trabalhando juntos em outro clássico, “O
Leopardo”, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Rodou com
Monica Vitti “O Eclipse”, último filme da célebre “Trilogia da
Incomunicabilidade” de Michelangelo Antonioni. Sua parceria com Jean-Pierre
Melville também foi extraordinária, gerando longas inesquecíveis como “O
Samurai” - o matador de aluguel profissional Jef Costello é um dos seus papéis
mais famosos -, “O Círculo Vermelho” e “Expresso para Bourdeaux / Un Flic”
(1972). Trabalhou com outros notáveis cineastas: Alain Cavalier, Louis Malle,
Julien Duvivier, Valerio Zurlini, Joseph Losey, Jean-Luc Godard, Völker
Schlöndorf, Bertrand Blier, Patrice Leconte.
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| nathalie e alain |
Na década de 1970 a carreira de ALAIN DELON deu uma reviravolta. Ele optou por
protagonizar filmes comerciais, de ação, geralmente também como produtor, e em três
deles como diretor. Em 1973, sua amiga de longa data e ex-amante, a cantora
Dalida, convidou-o para fazer um dueto com ela na canção “Paroles, Paroles”, revelando-se
um enorme sucesso. Em 1987 conheceu a modelo holandesa Rosalie Van Bremen, 32
anos mais nova que ele, iniciando outro casamento. O divórcio aconteceu em
2001. Essa separação foi difícil para ele, convivendo com períodos de depressão,
pensando em suicídio. Ganhou o prêmio César de Melhor Ator por “Quartos
Separados / Notre Histoire” (1984) e o Urso de Ouro Honorário, no Festival de
Berlim, em 1995. Mesmo anunciando o fim de sua carreira em 1998, retornou em
“Asterix nos Jogos Olímpicos / Astérix aux Jeux Olympiques” (2008), no papel do
conquistador romano Júlio César. Pouco antes, atuou em minisséries televisivas
(“Fabio Montale”, 2001, e “Frank Riva”, 2003), dirigindo também com competência
a empresa Alain Delon Diffusion, que imprime até hoje o seu nome em relógios,
roupas, óculos, champanhe, conhaque, papelaria, cigarros.
Durante
muito tempo ALAIN DELON foi o astro francês mais rentável, tendo atraído às
salas de cinema mais de 100 milhões de espectadores. A imprensa estrangeira
costumava lhe chamar de “Brigitte Bardot masculino”, pelo físico atraente e sucesso
internacional. Há cerca de dez anos, após o lançamento da autobiografia do ator
Helmut Berger e de uma biografia não autorizada, do jornalista Bernard Violet,
ele assumiu publicamente sua bissexualidade. Berger revelou o caso do ator com Luchino
Visconti, na época de “Rocco e seus Irmãos”, e Violet foi ainda mais longe,
contando detalhes sobre suas aventuras amorosas com figuras de ambos os sexos e
envolvimento com mafiosos e políticos de reputação duvidosa, além de problemas
com álcool e drogas. Aos 80 anos, Cavaleiro da Legião de Honra Francesa, ele ainda
atua. Sem dúvida é uma das maiores estrelas europeias de todos os tempos.
OS 10 MELHORES FILMES de ALAIN DELON
01
ROCCO e seus IRMÃOS
(Rocco e i Suoi Fratelli, 1960)
de Luchino Visconti
com Renato Salvatori, Annie Girardot,
Katina Paxinou e Claudia Cardinale
02
O LEOPARDO
(Il Gattopardo, 1963)
de Luchino Visconti
com Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Pierre Clémenti
03
O CÍRCULO VERMELHO
(Le Cercle Rouge, 1970)
de Jean-Pierre Melville
com Gian-Maria Volonté, Yves Montand e François Périer
04
A PRIMEIRA NOITE de TRANQUILIDADE
(La Prima Notte di Quiete, 1972)
de Valerio Zurlini
com Lea Massari, Giancarlo Giannini,
Renato Salvatori e Alida Valli
05
O SAMURAI
(Le Samouraï, 1967)
de Jean-Pierre Melville
com François Périer e Nathalie Delon
06
O SOL por TESTEMUNHA
(Plein Soleil, 1960)
de René Clément
com Maurice Ronet e Marie Laforêt
07
O ECLIPSE
(L’Eclisse, 1962)
de Michelangelo Antonioni
com Monica Vitti e Francisco Rabal
08
CIDADÃO KLEIN
(Mr. Klein, 1976)
de Joseph Losey
com Jeanne Moreau, Suzanne Flon e Massimo Girotti
09
GANGSTERS de CASACA
(Mélodie en Sous-sol, 1963)
de Henri Verneuil
com Jean Gabin e Viviane Romance
10
A PISCINA
(La Piscine, 1969)
de Jacques Deray
com Romy Schneider, Maurice Ronet e Jane Birkin















































