fevereiro 22, 2016

***** OSCAR 2016: OS FAVORITOS DO “FALCÃO”


Este ano a alegórica cerimônia de entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas acontece dia 28 de fevereiro, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia (EUA), e será transmitida ao vivo pela ABC. Como anfitrião, o comediante Chris Rock, o mesmo de 2005.

“O Regresso / The Revenant” lidera com doze nomeações. “Mad Max: Estrada Da Fúria / Mad Max: Fury Road” aparece logo atrás com dez. Outros bons filmes estão na disputa. Assisti a maioria. Portanto, a lista abaixo dos melhores foi feita a partir de crítica pessoal, mas teve alguma influência, acatando tendências do burburinho de cinéfilos de plantão.

A produção hollywoodiana de 2015 que realmente me derreteu foi “Carol / Idem”. Levou seis indicações ao OSCAR. O número é respeitável, mas é uma pena que tenha ficado de fora das categorias Melhor Filme e Melhor Diretor para Todd Haynes.

Por fim, os preferidos do nosso blogue. Como sempre, existem algumas suposições surpreendentes, algumas ausências lamentáveis, e fatos que merecem ser lembrados sobre concorrentes ao prêmio máximo do cinema nas categorias Filme, Direção, Atriz, Ator, Filme Estrangeiro, Documentário, Animação, Atriz Coadjuvante e Ator Coadjuvante.


MELHOR FILME
“O REGRESSO” 

Há competidores fortes nesta categoria, favorecendo a divisão de votos. Adaptando ao cinema o livro “The Revenant: A Novel of Revenge”, de Michael Punke, “O Regresso” é uma história real, acompanhando um guia de expedições de caça que ferido é abandonado pelos companheiros em um ambiente inóspito, no extremo norte dos EUA de 1820. À beira da morte, sobrevive e parte em busca de vingança.

Esperava-se que levasse várias indicações, mas os doze troféus aos quais concorre foram admiráveis. Há muita neve, muito frio, muito sangue e muito sofrimento no filme. Nem todo mundo suporta. Trata de sobrevivência num território selvagem e também é uma clássica trama de vingança.

Alegoria da desarmonia entre homem e natureza, presta reverência ao meio ambiente com inúmeros planos abertos, ressaltando a pequenez das pessoas diante da imensidão que as cerca. “O Regresso” tem muitas chances de levar a principal estatueta. E seria merecido. Ganhou o Globo de Ouro e o BAFTA, o Oscar britânico.

MELHOR DIREÇÃO
ALEJANDRO G. IÑÁRRITU
“O Regresso” 

O OSCAR 2016 de Direção deveria cair nas mãos sensíveis de Todd Haynes. “Carol”é delicado, envolvente, fascinante. Entretanto, como já disse, Haynes não ficou entre os cinco indicados. Ridley Scott era um dos favoritos ao prêmio por “Perdido em Marte / The Martian”, mas nem foi indicado. Steven Spielberg também saiu sem indicação pelo bonito “Ponte dos Espiões / Bridge of Spies”.

Mesmo concorrendo alguns diretores de currículo pouco expressivo, a disputa é difícil. Como o mexicano Iñárritu venceu no ano passado, os votos podem se dividir e qualquer um ganhar. Torço por um segundo prêmio para ele. O seu drama é magistral. Basta lembrar a impressionante cena em que o grupo é atacado por índios e empurrado para a selva coberta de neve.

MELHOR ATOR
LEONARDO DiCAPRIO
“O Regresso”

Todo mundo tá dizendo que será esse o ano de DiCaprio. Escutei isso outras vezes e não deu em estatueta nenhuma. Mas estou com ele, é um dos atores que me faz amar e ir ao cinema. Ele interpreta alguém real, Hugh Glass, numa caracterização sofrida. Sua transformação propriamente dita se dá quando quase é comido vivo por um urso, em uma das mais virulentas sequências do cinema.

Levará merecidamente o OSCAR. É a sua quinta indicação e arrebatou o Globo de Ouro. Os outros concorrentes também estão brilhantes, mas terão novas oportunidades para se aproximar da estatueta.

MELHOR ATRIZ
CHARLOTTE RAMPLING
“45 Anos / 45 Years” 

As cinco indicadas estão excelentes. Brie Larson, de “O Quarto de Jack / Room”, é a favorita. Ganhou o Globo de Ouro e o BAFTA. Este drama sobre uma jovem mãe que cria seu filho em cativeiro recebeu indicações a Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. A performance de Brie vem sendo considerada a que tem mais carga dramática entre as competidoras.

Prefiro a respeitável atriz britânica Charlotte Rampling, que inclusive entrevistei. Neste papel ela levou prêmios no Festival de Berlim, European Film Awards e Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles. Seu belo filme mostra um casal se preparando para celebrar um aniversário de casamento, quando recebe notícias chocantes.

Outro OSCAR para Cate Blanchett também seria uma ótima opção. Seu desempenho em “Carol” emociona. Apaixonada por uma mulher, casada e mãe de uma menina, ela ousa lutar contra um casamento de conveniência. Adorada pelo público, já existe uma fila de pessoas esperando pela terceira estatueta de Cate. Se ganhar, ela entra para o seleto grupo dos três Oscars composto por Walter Brennan, Ingrid Bergman, Jack Nicholson, Meryl Streep e Daniel Day-Lewis.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
“FILHO DE SAUL” 
(Saul fia)
HUNGRIA
de László Nemes

Com “Cinco Graças / Mustang” é a 37º vez que a França chega perto da estatueta dourada. Conseguiu doze vitórias. É a 9º indicação da Hungria ao OSCAR. Ganhou com “Mephisto / Idem” (1981). O húngaro “O Filho de Saul” reina como favorito absoluto. Não é para menos. Longa metragem de estreia do diretor, impressiona pela originalidade em um tema bastante utilizado no cinema.

Em Auschwitz, prisioneiro judeu é obrigado a trabalhar recolhendo os corpos da câmara de gás para que sejam encaminhados aos fornos de cremação. A certa altura, se depara com o cadáver de um menino e inicia um obsessivo esforço para dar a ele um sepultamento judaico em vez da cremação comum.

O longa não segue o caminho da manipulação sentimental fácil. A dureza da sua história é carregada de um sentimento seco, angustiante. Um grande filme sobre o Holocausto.

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“AMY”
(Idem)
de Asif Kapadia e James Gay-Rees

Disputada acirrada. Bonitos trabalhos. Aposto em “Amy”, um retrato comovente da vida complicada da arrebatadora cantora britânica Amy Winehouse. Ela recebe um tratamento honesto, sem floreios ou sensacionalismo. Entre relatos ora emocionados, ora resignados de amigos de infância e adolescência, e graças a um vasto material preservado, brota uma personalidade doce e fragilizada que encontrava sua sobrevivência emocional na música e nas relações amorosas. Também ficaria contente com a vitória de “What Happened, Miss Simone?”, em pauta outra diva musical: Nina Simone.

MELHOR ANIMAÇÃO
“AS MEMÓRIAS DE MARNIE”
(Omoide no Mânî)
de Hiromasa Yonebayashi

Dos indicados, vi apenas o japonês “As Memórias de Marnie”. Muito bom. Na trama, uma menina de 12 anos, filha de pais adotivos, solitária e não exatamente feliz, conhece uma garota loira de vestido branco em um castelo numa ilha isolada. Mas descobrirá que a nova amiga não é exatamente quem parece ser.

Os cinéfilos dizem que “Divertida Mente / Inside Out” é o mais cotado para levar a estatueta (ganhou o Globo de Ouro). Conta como crescer pode ser uma jornada turbulenta. Uma garota é retirada de sua vida no meio-oeste norte-americano quando seu pai arruma um novo emprego em São Francisco.

A tristeza de muita gente por não ter “Que Horas Ela Volta?” entre os indicados a Melhor Filme Estrangeiro foi parcialmente compensada pela presença brasileira entre as melhores animações. Segundo dizem, “O Menino e o Mundo” é excelente e conquistou uma merecida indicação, roubando a vaga de “O Bom Dinossauro / The Good Dinosaur” ou de “Snoopy & Charlie Brown - Peanuts, O Filme / The Peanuts Movie”. Tomara que surpreenda. Na opinião dos críticos, não será nada fácil.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
MARK RYLANCE
“Ponte dos Espiões”

Claramente uma legião de fãs e a mídia estão juntas na torcida para que Sylvester Stallone ganhe a sua primeira estatueta, aos 69 anos, por “Creed: Nascido para Lutar / Creed”. “Rocky: um Lutador / Rocky” acaba de fazer 40 anos, venceu as categorias de Melhor Filme e Melhor Direção, e é sabido que a Academia adora grandes retornos de estrelas. Esse pode ser o trunfo do veterano ator.

Como nunca gostei de Stallone, fico com o ator inglês Rylance, do eficiente thriller de Steven Spielberg. Numa interpretação discreta, ele faz Rudolf Abel, preso pelo FBI acusado de ser um espião estrangeiro agindo a mando da União Soviética. Acredito também que o personagem do mal de Tom Hardy tem mais chances do que imagina. É um vilão para ficar na história do cinema. O ator tem uma interpretação magnífica, além de ter protagonizado “Mad Max: Estrada da Fúria”, segundo filme com mais indicações do OSCAR deste ano.

Ficaria feliz também com a vitória de Mark Ruffalo - “Spotlight: Segredos Revelados / Spotlight -, um velho conhecido desta categoria. Esta é sua terceira indicação. Seu filme, baseado em uma história real, mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram os casos transferindo os padres de região, ao invés de puni-los.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
JENNIFER JASON LEIGH
“Os Oito Odiados / The Hateful Eight”

A extraordinária Kate Winslet é a favorita por “Steve Jobs / Idem”. A vitória no Globo de Ouro e no BAFTA é um bom sinal. Ela e Leonardo DiCaprio, a dupla de “Titanic / Idem” (1997), como vencedores do ano seria uma bomba! Interpreta belamente Joanna Hoffman, uma das mais importantes executivas de marketing da Apple e um dos pilares da companhia. Aos 40 anos, é a 6.ª indicação de Kate, considerada a melhor atriz britânica de sua geração.

Adoro Kate e ela está magnífica, mas seria mais justo a estatueta nas mãos de Jennifer, uma atriz pouco reconhecida, que tem no currículo filmes dirigidos por Robert Altman, David Cronenberg, Sam Mendes, Ethan Coen e Joel Coen. É sua primeira indicação. Está na disputa como a assassina Daisy Domergue. Ganhou o National Board of Review. A transformação do seu personagem e o apogeu final são impactantes, valem uma bem merecida estatueta.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
JOSH SINGER e TOM MCCARTHY
“Spotlight: Segredos Revelados”

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
PHYLLIS NAGY
“Carol”

MELHOR FOTOGRAFIA
EMMANUEL LUBEZKI
“O Regresso”

MELHOR TRILHA SONORA
ENNIO MORRICONE
“Os Oito Odiados”

MELHOR EDIÇÃO
MARGARET SIXEL
“Mad Max: Estrada da Fúria”

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
COLIN GIBSON e LISA THOMPSON
“Mad Max: Estrada da Fúria”

MELHOR FIGURINO
JENNY BEAVAN
“Mad Max: Estrada da Fúria”


fevereiro 11, 2016

******************** A LUMINOSIDADE ENIGMÁTICA de CHARLOTTE RAMPLING


Aos 69 anos, ela concorre este mês ao Oscar pelo magnífico “45 Anos / 45 Years”, drama pelo qual arrebatou prêmios de Melhor Atriz no Festival de Berlim, European Film Awards e Associação dos Críticos de Los Angeles. Compõe com Tom Courtenay um casal prestes a celebrar 45 anos de casados, mas que é sobressaltado por uma dúvida que ficara enterrada no passado.

Entrevistei CHARLOTTE RAMPLING há 15 anos, em Barcelona. A oportunidade surgiu durante a coletiva que concedeu à imprensa espanhola ao lançar o premiado “Sob a Areia / Sous le Sable”. Entrevista publicada no jornal “A Tarde” e no livro “ArtePalavra – Conversas no Velho Mundo” (2003). 

Vale ainda hoje pela autenticidade da estrela. A sua postura é honesta. Mostra-se como é. Com o seu olhar do qual não ousamos desviar a atenção. Deslumbrante. O momento ficou. Confira.

Atriz de olhar enigmático e voz profunda, desnuda-se de corpo e alma no papel de Marie Drillon, uma professora de literatura desesperada diante do enigma do desaparecimento de seu marido, Jean (Bruno Cremer), que possivelmente se afogou numa praia da cidade onde o casal passava suas férias. “Sob a Areia”, um drama psicológico do francês François Ozon, tem recebido críticas entusiasmadas, principalmente pela atuação comovente da protagonista. Este ano, ela abriu o Festival de Cannes, recebeu o prêmio César especial por sua longa carreira e atuou em quatro filmes, alimentando uma filmografia atraente e versátil.

Praticamente adotada pelo cinema francês, a veterana inglesa CHARLOTTE RAMPLING debutou no cinema aos 19 anos, numa pontinha em “A Bossa da Conquista / The Knack and How to Get It” (1965), de Richard Lester, uma comédia que capta o clima moderninho do swinging London. O reconhecimento internacional veio pelo pequeno e importante papel no clássico “Os Deuses Malditos / La Caduta degli Dei” (1969), do mestre italiano Luchino Visconti, reafirmado com o escândalo provocado ao estrelar “O Porteiro da Noite / Il Portiere di Notte” (1974), fazendo uma judia sobrevivente do nazismo que transa com seu torturador.

Nascida em Gibraltar, acabaria por dividir a sua vida (e carreira) entre vários países, tornando-se uma atriz inclassificável. Um talento que haveria de ser moldado por cineastas consagrados e diversos como John Boorman, Patrice Chéreau, Liliana Cavani, Arturo Ripstein, Woody Allen, Sidney Lumet, Michael Cacoyannis e Nagisa Oshima, entre muitos outros, associando seu nome a personagens misteriosos. Foi casada quase 20 anos com o músico Jean-Michel Jarre. CHARLOTTE RAMPLING, ainda hoje, seduz com penetrantes olhos azuis e elegante fragilidade. Não é à toa que foi considerada pela revista “Empire” como uma das 100 estrelas mais sensuais da história do cinema.

Parabéns por este filme magnífico. Ozon ficou satisfeito em tê-la como protagonista e a crítica exalta sua atuação. Foi difícil encontrar o ponto exato para dar vida à sofrida Marie?

Obrigada, ainda bem que gostou. Não usei nenhum método diferenciado de interpretação, nenhuma técnica especial. O personagem me caiu como uma luva. Eu simplesmente utilizei a memória, porque havia passado por algo parecido. Tive uma grave depressão e um sentimento de perda com a morte precoce de minha irmã Sarah. Com a Marie repeti na ficção a dor e a incredulidade sentidas com o desaparecimento repentino de um ser amado. É um personagem complexo. Acho formidável quando no meio do seu desespero se dá conta, depois de tantos anos, que não conhece realmente o marido, não sabe como ele é de verdade. Mas o filme antes de tudo é uma história de amor que fala de perda e obsessão. Marie na verdade só se dá conta de que ama muito o marido depois de perdê-lo. E isso acontece na vida das pessoas. Muitas vezes, só valorizamos algo depois que não o possuímos mais.

Prefere personagens densos e estranhos?

As almas que habitam os nossos papéis, somos nós. Talvez por isso prefira a força dramática dos personagens introspectivos. Necessito de papéis que me alimentem emocionalmente. Não me atraem personagens superficiais, caricatos. Afinal, é a viagem da minha alma. Preciso de alguma interioridade para fazer este tipo de profissão. Nem todos, mas muitos dos personagens que interpretei têm uma parte da minha intimidade. É isso que me interessa. É isso que me torna a atriz que eu sou. É isso que transparece nesses papeis. Sei que esse direcionamento limita minha carreira, mas não estou no cinema para acumular todo tipo de filmes ou ganhar rios de dinheiro, prefiro fazer o que me dá prazer. Evito fitas simplórias, descartáveis, mesmo que o público se incomode com as minhas escolhas.

charlotte em "os deuses malditos"
Como foi trabalhar com François Ozon?

Já trabalhei com grandes diretores do cinema francês e posso dizer que Ozon dirige como um veterano. Ele tem um bom caráter e se envolve com sua equipe, permitindo um resultado empolgante. A filmagem foi muito agradável. Ele é um tipo comum, sem esquisitices. O “cinema de autor” de antes era muito mais complicado.

Falando em “cinema de autor”, tem boas recordações de Luchino Visconti?

Eu era muito jovem, desconhecia o mundo em que Visconti vivia e fiquei bastante impressionada. Ele me ensinou a apreciar filmes profundos e extravagantes. Nunca mais pude rodar filmes convencionais depois de ter trabalhado com ele. Uma pena que não foi concretizada a nossa segunda colaboração. Havia me convidado para fazer um dos papéis centrais de “Em Busca do Tempo Perdido”, adaptação da obra de Marcel Proust, mas infelizmente o projeto não teve continuidade.

Visconti marcou a sua carreira. Ele a lançou mundialmente. “Os Deuses Malditos” hoje é um clássico.

Engraçado, muita gente pensa isso. Realmente Visconti foi importante para a minha carreira, jamais negaria, porém a influência de Woody Allen foi bem maior. Quando fiz “Memórias / Stardust Memories”, em 1980, Allen foi vital na minha vida pessoal e profissional. Eu estava perdida, fragilizada, sem saber como agir e ele me ensinou que a vida poderia ser divertida.

"o porteiro da noite"
Passados quase trinta anos, ainda é lembrada pela Lúcia de “O Porteiro da Noite”. Incomoda-se?

Com ela encontrei a minha linha de interpretação, o meu estilo. Ela me revelou o que eu queria fazer. Sei que muita gente se chocou com o filme e eu poderia ter direcionado minha carreira para outros papéis após o escândalo mundial, mas preferi seguir a minha intuição, investindo na repetição da luminosidade enigmática do personagem. Acho que foi uma decisão acertada.

Por que focou sua carreira no cinema francês?

Filmei em diversos países. Itália, Espanha, Grécia, Suécia, Estados Unidos, Inglaterra... Com o cinema francês tenho um relacionamento amoroso. Ele é generoso com atrizes de qualquer idade. A maturidade não é um problema, como acontece habitualmente em outras cinematografias.

A imprensa tem alardeado sua volta, mas nunca deixou de filmar.

Exatamente. Eu nunca abandonei o cinema. Tenho uma visão poética de minha carreira, preferindo atuar em filmes significativos, e muitos deles são de baixo orçamento ou de distribuição deficiente, passando despercebidos em inúmeros países. Entusiasmo-me correndo riscos, optando por produções irreverentes. Nos últimos meses, fui dirigida por Cacoyannis, Tony Scott e John Irvin. No momento, preparo-me para rodar a comédia francesa “Beije Quem Você Quiser / Embrassez qui Vous Voudrez”, de Michel Blanc, com Jacques Dutronc e Carole Bouquet. Jamais deixei de filmar. Pretendo continuar nas telas por muitos anos.


10 FILMES DE CHARLOTTE RAMPLING

01
OS DEUSES MALDITOS
de Luchino Visconti
com Dirk Bogarde, Ingrid Thulin, Helmut Berger
e Florinda Bolkan

02
GIORDANO BRUNO
(Idem, 1973)
de Giuliano Montaldo
com Gian-Maria Volonté e Mathieu Carrière

03
O PORTEIRO DA NOITE
de Liliana Cavani
com Dirk Bogarde, Gabrielle Ferzetti e Isa Miranda

04
A MARCA DA ORQUÍDEA
(La Chair de l’Orchidée, 1975)
de Patrice Chéreau
com Bruno Cremer, Edwige Feuillère, Simone Signoret
e Alida Valli

05
MEMÓRIAS
de Woody Allen
com Woody Allen e Marie-Christine Barrault

(06)
O VEREDITO
(The Verdict, 1982)
de Sidney Lumet
com Paul Newman e James Mason

07
VIVA LA VIE!
(1984)
de Claude Lelouch
com Michel Piccoli, Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée

08
MAX MON AMOUR
(1986)
de Nagisa Oshima
com Anthony Higgins e Victoria Abril

09
CORAÇÃO SATÂNICO
(Angel Heart, 1987)
de Alan Parker
com Mickey Rourke e Robert De Niro

10
SOB A AREIA
de François Ozon
com Bruno Cremer

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