fevereiro 20, 2015

****************** OSCAR 2015: PALPITES


Fiquei encantado com dois dos oito filmes concorrentes ao OSCAR 2015: “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) / Birdman” e “O Grande Hotel Budapeste / The Grand Budapest Hotel”. Os outros são certinhos, acomodados, sem riscos ou toque de inovação, inclusive o subestimado “Boyhood: Da Infância a Juventude / Boyhood”, que vale mais pelo projeto incansável do diretor do que por mérito do resultado nas telas. Alguns dependem exclusivamente do seu protagonista para que seja memorável, já que todo o resto se arrasta numa narrativa regular. São eficazes para o público, mas definitivamente não precisam de nenhum Oscar.

Confesso que tenho problema com cinebiografia. Não gosto da forma habitual como romantiza a narrativa, transformando o retratado em uma figura heroica. Também tenho um certo preconceito com os longas sobre doença, sempre amparados em degradação, superação e sentimentos exacerbados. Ficam na memória pelas atuações marcantes, nada mais. Para meu desânimo, os dramas biográficos ou sobre enfermidades terríveis proliferam entre os concorrentes ao OSCAR 2015.

Assistir à premiação do OSCAR sempre foi uma diversão. Acho de um enorme gozo acompanhar a tudo ao vivo, vendo estrelas que admiro, figurinos luxuosos, belas joias, o momento nostalgia, piadas intraduzíveis e coreografias caretas. Torço pelos meus favoritos e fico com o sentimento típico do perdedor com as injustiças (a vitória da medíocre Sandra Bullock em 2010 deixou-me na boca um gosto agridoce, tive que tomar uma dose de uísque de um só gole para relaxar). Mas noto que de alguns anos para cá as escolhas da Academia tem se tornado mais interessantes, fugindo do óbvio e acreditando no cinema independente. Veremos o que vai acontecer no próximo domingo. A cerimônia, marcada para 22 de fevereiro, será realizada no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia, e terá como apresentador o ator Neil Patrick Harris. Transmitida ao vivo pela ABC e com sinal que chegará a mais de 225 países.

Enfim, a partir do convite das colegas blogueiras do “DVD, Sofá e Pipoca”, segue minha lista de favoritos ao OSCAR 2015, e façam suas apostas!


MELHOR FILME
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)

Um filme que discute arte, fama, decadência, o rolo compressor da indústria cultural e o vazio generalizado. Tudo isso dentro de um drama rotulado como comédia (nada encontrei de cômico, muito pelo contrário) absurdamente complexo, potente e perturbador. O resultado é outro inquietante e sensacional trabalho do mexicano Iñarritú, tão memorável quanto em “Amores Brutos / Amores Perros” (2000), “21 Gramas / 21 Grams” (2003) e “Biutiful / Idem” (2010). Merece ser o grande vitorioso da noite. Também ficaria feliz com a estatueta dourada nas mãos do alucinado “O Grande Hotel Budapeste”. Sempre que Wes Anderson anuncia um novo filme, podemos esperar algo, no mínimo, completamente diferente dos padrões hollywoodianos. A indicação desta versão cinematográfica refinada (e bastante pessoal) do clássico literário de Stefan Zweig parece indicar que finalmente a Academia se deixou seduzir pela ousadia e criatividade do diretor. Concluindo, poderia dizer que alguns candidatos são dispensáveis, de “Interestelar / Intersttelar” a “Sniper Americano / American Sniper”, entre outros, mas infelizmente não vejo substitutos à altura.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
IDA (idem) 

Com o Brasil mais uma vez fora da disputa do Oscar – o candidato nacional, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, não está entre os selecionados à indicação de Filme Estrangeiro –, fiquei sem saber se torcia por “Tangerinas / Mandariinid” ou “Ida”. Terminei optando pelo delicado drama do polonês Pawel Pawlikowski. O longa é um olhar sobre o período em que a Polônia esteve sob o domínio nazista. O enraizamento do antissemitismo nas relações cotidianas, o embate entre crença e liberdade, tudo permeia o roteiro complexo. Nesta viagem de descoberta - real e simbólica -, em tom sóbrio ampliado pela fotografia em preto e branco, o diretor constrói uma obra que parece um cartão postal trágico, um pequeno curativo sobre uma cicatriz que não se fecha no imaginário dos poloneses.

MELHOR ANIMAÇÃO
O CONTO DA PRINCESA KAGUYA
(Kaguyahime no Monogatari)

Visualmente é belíssimo. Tem um olhar muito próprio. Animado como se fosse feito com nada além de lápis de cor e aquarelas – fazendo literalmente cada quadro do filme parecer com algo que poderia ser pendurado em uma galeria. Mas o que é realmente especial sobre essa animação japonesa de Isao Takahata é a forma como interage com a história e como ela é contada. Nos momentos mais tensos e cheios de pânico, as linhas se tornam mais irregulares, as imagens mais indistintas. As cores, por sua vez são silenciadas dando espaço para os tons pretos e cinzas. O oposto pode ser dito dos momentos surreais onde as cores ficam mais brilhantes e as imagens mais nítidas. Em outras palavras, o filme é puro deleite visual do início ao fim. Merece com louvor a estatueta. Uma queixa: achei incompreensível a exclusão do premiadíssimo “Uma Aventura Lego / The Lego Movie”.

MELHOR DIREÇÃO
ALEJANDRO GONZÁLEZ INÁRRITU

O prêmio de Melhor Direção anda quase sempre junto com o de Melhor Filme, mas eu gosto quando esta rotineira situação não acontece. Este ano filme e diretor estão casadíssimos, ambos merecem a estatueta. “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” é uma obra-prima surpreendente e ousada. Talvez a chance de Richard Linklater levar o Oscar seja maior. Pode ser, mas seria uma vitória absurda. Ele dirige e escreve roteiros com naturalidade e fluidez, acima da média, mas sua trajetória ainda não convence plenamente. Já Iñárritu mostra garra e talento desde sempre.

MELHOR ATRIZ
JULIANNE MOORE

Finalmente chegou a hora e vez de Juliane, uma atriz que acompanho deste os tempos de Robert Altman e dos primeiros filmes de Paul Thomas Anderson. Ela é a favorita ao prêmio, e merecidamente. Sua incômoda placidez em “Para Sempre Alice / Still Alice” nos deixa “engasgados”. Evitando o tom melodramático e a catarse emocional, o drama é todo centrado nela, que dá conta do recado tranquilamente. Há sensibilidade na atuação da atriz, impedindo que o filme mediano se torne um mero retrato deprimente de uma personagem definhando diante de nossos olhos. Sempre contida e segura do tom de sua interpretação, ela nos conecta a este papel cheio de nuances, mesmo quando a adocicada trilha sonora insiste em tentar nos levar às lágrimas. Além da agudeza do desempenho de Moore, as concorrentes são previsíveis, com exceção da francesa Marion Cotillard (que prefiro noutro filme lançado em 2014, “Era Uma Vez em Nova York / The Immigrant”). Rosamund Pike, Reese Whiterspoon e Felicity Jones dão vida, honestamente, a performances corretas, nada mais. Somente foram indicadas pela escassez de boas atuações femininas no ano passado. Mas a Amy Adams de “Grandes Olhos / Big Eyes merecia indicação.

MELHOR ATOR
EDDIE REDMAYNE 

A Academia adora atores que se transformam interpretando personagens que sofrem com algum tipo de doença ou limitação física, especialmente quando a conclusão é trágica. Portanto, este ano, Redmayne deve levar o Oscar. Não quero dizer que não mereça, muito pelo contrário, realmente é a melhor atuação masculina de 2014. Não será nenhuma novidade se o intérprete de “A Teoria de Tudo / The Theory of Everything” sair como vitorioso. O modo como interpreta as diversas fases da doença é incrível e digno de nota. Isso sem contar o fato de que ele conseguiu ficar fisicamente muito parecido com o biografado. O próprio Stephen Hawkins elogiou o trabalho do ator. Seu maior rival na disputa, o chato Michael Keaton, está impecável em “Birdman”, na melhor performance da sua carreira. Faz uma vítima do sistema, beirando o alter-ego. Benedict Cumberbatch, com cara de galinha choca inglesa, não me seduz. Um saco sua faceta estranha, antipática e arrogante. O roteiro indica que o matemático Alan Turing, considerado o pai da computação, era assim, mas a persona do ator se revela da mesma maneira noutros filmes. Entre os concorrentes, senti a ausência de Ralph Fiennes, muito bom como o Gustave de “O Grande Hotel Budapeste”, e David Oyelowo, que tem em “Selma / Idem” uma consistente interpretação como Martin Luther King.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
LAURA DERN

Sou daqueles que toda vez em que Meryl Streep aparece como candidata ao Oscar, não hesito em torcer por ela. Atriz fabulosa, tem uma carreira impecável e está há quase quarenta anos no topo, algo raríssimo na história de Hollywood (lembro-me de Ingrid Bergman, Katharine Hepburn, Joan Crawford, Bette Davis, Elizabeth Taylor e Marlene Dietrich). Como a bruxa má da decepcionante fábula musical “Caminhos da Floresta / Into the Woods”, mais uma vez rouba a cena. Sua participação pra lá de especial vale o ingresso. Mas este ano o Oscar deve ser levado pra casa por outra veterana bem-preparada: Laura Dern, cativante em “Livre / Wild”. Ela é o ponto alto desse simpático road-movie. Inspiradíssima, apaixonante, muito bem aproveitada como a mãe da protagonista. A estatueta estaria bem também nas mãos de Patricia Arquette, apesar de eu não ser fã de “Boyhood”. Por fim, Emma Stone surpreende no pequeno papel de filha desajustada em “Birdman”. Quem destoa do grupo é Keira Knightley. Bonitinha e coisa e tal, carismática, esforçada, não faz feio, mas não passa daí.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
J. K. SIMMONS

A categoria mais empolgante deste ano. Sou fã de Robert Duvall, Mark Ruffalo, Ethan Hawke e Edward Norton. Com exceção do adorável Hawke, que mais uma vez parece interpretar ele mesmo, todos os outros estão excelentes. Norton brilha ao fazer uma paródia de si mesmo em Birdman”. Mas tudo indica que Simmons será o premiado. Ele dá um show no bonito e tenso “Whiplash – Em Busca da Perfeição / Whiplash”. É o papel de sua vida! São vários aspectos que o agigantam durante o filme: seu olhar, a forma imponente com que se coloca diante dos alunos e, principalmente, a maneira sutil como demonstra as emoções. Ele é mestre e vilão. Aceito sua vitória (embora seja o protagonista do filme, jamais coadjuvante), mas meu coração é de Norton, ator injustiçado, um dos melhores de sua geração.

MELHOR FOTOGRAFIA
EMMANUEL LUBEZKI

Ele levou o Oscar do ano passado pela ficção científica “Gravidade / Gravity”, mas tem todas as chances de repetir o feito. A fotografia de “Birdman” deslumbra e já arrebatou o principal prêmio do Sindicato dos Diretores de Fotografia dos EUA, além de outras honrarias. Apaixonei-me pelo trabalho do mexicano Lubezki desde “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça / Sleepy Hollow” (1999), mas pularia de alegria se houvesse uma reviravolta e o talentoso Roger Deakins levasse a estatueta. Aos 65 anos, concorre pela décima segunda vez e nunca ganhou.

“o grande hotel budapeste”
LISTA COMPLETA

Os FAVORITOS do Blog O FALCÃO MALTÊS

MELHOR FILME
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
(Alejandro González Iñárritu, John Lesher, Arnon Milchan
 e James W. Skotchdopole / New Regency Pictures,
M Prods e Le Grisbi Productions)

MELHOR DIRETOR
ALEJANDRO GONZÁLEZ INÁRRITU
(“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)

MELHOR ATRIZ
JULIANNE MOORE
(“Para Sempre Alice”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
LAURA DERN
(“Livre”)

MELHOR ATOR
EDDIE REDMAYNE
(“A Teoria de Tudo”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
JK SIMMONS
(“Whiplash – Em Busca da Perfeição”)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
IDA 
(Polônia | Dinamarca | França | Inglaterra)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
CITIZENFOUR

MELHOR ANIMAÇÃO
O CONTO DA PRINCESA KAGUYA

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
ALEJANDRO G. IÑÁRRITU, NICOLÁS GIACOBONE,
ALEXANDER DINELARIS JR. e ARMANDO BO
(“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
ANTHONY MCCARTEN
(“A Teoria de Tudo”)

MELHOR FOTOGRAFIA
EMMANUEL LUBEZKI
(“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)

MELHOR EDIÇÃO
SANDRA ADAIR
(“Boyhood: Da Infância a Juventude”)

MELHOR TRILHA SONORA
ALEXANDRE DESPLAT
(“O Grande Hotel Budapeste”)

MELHOR CENOGRAFIA
ADAM STOCKHAUSEN, STEPHAN O. GESSLER, GERALD SULLIVAN     
e STEVE SUMMERSGILL  
(“O Grande Hotel Budapeste”)

MELHOR FIGURINO
MILENA CANONERO
(“O Grande Hotel Budapeste”)

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
DISQUE-CRISE PARA VETERANOS

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM
O BANQUETE

MELHOR CURTA-METRAGEM EM 'LIVE-ACTION'
THE PHONE CALL

MELHORES EFEITOS VISUAIS
PAUL FRANKLIN, ANDREW LOCKLEY, IAN HUNTER e SCOTT FISHER 
(“Interestelar”)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
FRANCES HANNON e MARK COULIER
(“O Grande Hotel Budapeste”)

MELHOR CANÇÃO
GLORY”, de JOHN STEPHENS e LONNIE LYNN
(“Selma”)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
MARTÍN HERNÁNDEZ e AARON GLASCOCK
(“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)

MELHOR MIXAGEM DE SOM
JON TAYLOR, FRANK A. MONTAÑO e THOMAS VARGA
(“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)


fevereiro 14, 2015

******* A ESTRELA QUE O MUNDO ESQUECEU


Uma das estrelas mais queridas do cinema mudo, adorada por público e críticos, NORMA TALMADGE atuou em 141 filmes e era conhecida pela versatilidade e sofisticação. De beleza morena, sorriso de covinhas, personalidade calorosa e amigável, destacou-se pela sutileza e naturalismo de suas performances em melodramas. Hoje quase ninguém mais se lembra dela, porque seus filmes inexplicavelmente são menos acessíveis do que os de outros famosos da época. Alguns historiadores mencionam o seu nome apenas de passagem ou emitem um julgamento impreciso sobre a sua capacidade artística. Como se isto não bastasse, a atriz foi alvo de caricaturas injustas em clássicos famosos. No musical “Cantando na Chuva / Singin’ in the Rain” (1952) é parodiada como Lina Lamont (Jean Hagen), uma estrela da cena muda, cujo sotaque prejudica sua estreia no cinema falado num drama histórico francês (muita gente atribuiu o fracasso do segundo filme sonoro de Norma, “Du Barry, a Sedutora / Du Barry, Woman of Passion”, ao seu sotaque do Brooklyn). Billy Wilder a usou como modelo de Norma Desmond, a decadente diva do cinema silencioso de “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” (1950). Interpretada por Gloria Swanson, uma das maiores rivais de Norma nos anos 1920, a personagem inspira-se na reclusão de atriz (que abandonou o cinema no começo da década de 1930, passando a morar numa mansão em Beverly Hills com a enorme fortuna que ganhou nos seus dias de glória); no seu badalado romance com um ator onze anos mais jovem do que ela, o belo Gilbert Roland, seu parceiro em vários filmes de sucesso; e no seu comportamento excêntrico.

Nascida em Jersey City, New Jersey (EUA), em 1894, filha mais velha de Fred Talmadge, um alcoólatra que estava sempre desempregado, e da audaciosa “Peg” Talmadge, sua infância foi marcada pela pobreza. Num dia de Natal, o pai saiu de casa para comprar alimentos e nunca mais voltou, deixando para a esposa a tarefa de criar as três filhas pequenas do casal (além de Norma, Constance e Natalie, também atrizes). NORMA TALMADGE, a mais bonita, foi a primeira a ser estimulada pela mãe a iniciar uma carreira como atriz de cinema. Mãe e filha rumaram para os estúdios da Vitagraph, em Nova York. A jovem de 16 anos terminou sendo contratada para pequenos papéis em filmes curtos, entre 1910 e 1912, e, em 1911, chamou a atenção como Mimi, a costureirinha que acompanha o mocinho para a guilhotina na primeira versão cinematográfica de “A Tale of Two Cities”, de Charles Dickens.

A ambiciosa “Peg” percebeu que poderia levar mais adiante a carreira da filha, partindo com a família para a Califórnia. Numa festa, em 1916, NORMA TALMADGE conheceu um milionário, Joseph M. Schenck, que tinha a pretensão de produzir filmes. Dois meses depois eles casaram. Ela chamava o marido bem mais velho de “Papai”. Ele passou a dirigir, controlar e impulsionar a carreira da esposa. Em 1917, o casal fundou a Norma Talmadge Film Corporation, uma empresa que se tornaria muito lucrativa. Schenck queria fazer de sua amada a maior de todas as estrelas, reservando para ela as melhores histórias, os figurinos mais luxuosos, os cenários mais opulentos, os elencos mais talentosos e os diretores de maior prestígio, juntamente com uma publicidade espetacular (o mesmo que faria anos depois, Irving G. Thalberg com Norma Shearer, David O. Selznick com Jennifer Jones, Alexander Korda com Merle Oberon, Walter Wanger com Joan Bennett, Carlo Ponti com Sophia Loren, Dino De Laurentiis com Silvana Mangano e Franco Cristaldi com Claudia Cardinale). Em pouco tempo, as mulheres de todo o mundo queriam ser a romântica estrela e corriam em massa para ver seus filmes extravagantes.

A primeira produção da companhia, “Pantéia / Panthea” (1917), de Allan Dwan, teve como assistente de direção o genial e incompreendido Erich Von Stroheim. Neste melodrama, com a Rússia Imperial como pano de fundo, NORMA TALMADGE é a pianista que perde a honra para salvar o marido. Filme de grande sucesso, consagrou-a como uma excelente atriz dramática. No mesmo ano, brilharia também em “Cidade Proibida / The Forbidden City”, de Sidney Franklin. Em 1921, celebrada como a atriz mais popular do mundo, sua ascensão parecia imbatível. Na primeira metade da década de 1920, protagonizaria inúmeros êxitos, especialmente “Morrer Sorrindo / Smilin’ Through” (1922), considerado o filme mais popular de toda a sua carreira, e “Segredos / Secrets” (1924). O primeiro seria refilmado duas vezes pela Metro-Goldwyn-Mayer: com Norma Shearer, em 1932; e Jeanette MacDonald em 1941.

Seu virtuosismo para viver personagens de variadas etnias, classes sociais e idades, era uma das características marcantes da atriz. Em 1926, inovando, atuou na comédia “Kiki / Idem”, ao lado de Ronald Colman. Depois rodou “A Dama das Camélias / Camille” (1927), “A Mulher Cobiçada / The Dove” (1928) e “Pecadora sem Mácula / The Woman Disputed” (1928). Durante a filmagem de “A Dama das Camélias”, NORMA TALMADGE se apaixonou perdidamente pelo ator mexicano Gilbert Roland, pedindo o divórcio para Schenck, porém este não estava pronto para concedê-lo. Apesar de seus sentimentos pessoais, ele produziu os próximos três filmes dela, que passaram a ser distribuídos pela United Artists, companhia da qual acabara de assumir a presidência. A estrela nada fez em 1929, preparando-se para a estreia no cinema sonoro, ou seja, aperfeiçoando a voz com a veterana atriz Laura Hope Crews. 

norma e gilbert roland
Retornou às telas em 1930 com “Noites de Nova York / New York Nights” e “Du Barry, a Sedutora”, dois fracassos, mas não pelo motivo geralmente citado. Sua voz não tinha qualquer traço de sotaque do Brooklyn. Na verdade, o público desejava caras novas, desprezando as estrelas do cinema mudo, particularmente aquelas que, como Norma, estavam em cena desde os primeiros tempos. Com a carreira encerrada, nunca mais fez outro filme. Pouco depois de sua aposentadoria precoce, ao sair de um restaurante em Hollywood, uma horda de caçadores de autógrafos cercou-a. Docemente, ela disse para eles: “Vão embora, meninos, não preciso mais de vocês”.

Em 1927, ao pisar acidentalmente no cimento fresco na calçada do Chinese Theater, NORMA TALMADGE deu origem a uma famosa tradição em Hollywood: a Calçada da Fama. Schenck, em 1929, finalmente desistiu de fazer parte da vida dela, embora eles ainda não estivessem divorciados. A separação oficial aconteceu em 1934 e, nove dias depois, ela se casou, não com Gilbert Roland, mas com o comediante George Jessel. A estrela, que nunca esteve à vontade com o fardo da celebridade, transformou-se em uma reclusa, evitando principalmente a imprensa. Muito rica, passava o tempo viajando, vindo a falecer em 1957, aos 63 anos. Foi premiada em 1956 como uma das cinco estrelas mais importantes do cinema mudo.