janeiro 31, 2015

*************** VALIOSO FALCÃO MALTÊS!


TRAMA ENGENHOSA NESTE CLÁSSICO POLICIAL NOIR

Em 1539, os templários de Malta pagam tributo ao rei Carlos V da Espanha, enviando-lhe um falcão de ouro todo encrustado de joias raras. Mas piratas roubam este presente inestimável e seu destino permanece um mistério. Com esta introdução tem início o lendário policial noir O FALCÃO MALTÊS / The Maltese Falcon (1941) - ou “Relíquia Macabra”, título brasileiro. O enredo gira em torno dessa preciosidade medieval valiosíssima que é levada em sigilo desde o Oriente até a cidade de San Francisco, na Califórnia. Em seu rastro seguem aventureiros gananciosos que fazem de tudo para possuí-la. O detetive particular Sam Spade (Humphrey Bogart) entra nessa batalha ao receber a visita de uma possível cliente, a sedutora e esperta Brigid O’Shaughnessy (soberba Mary Astor). O que parecia ser mais um caso normal torna-se um emaranhado de problemas quando seu sócio é assassinado. Imune a ilusões sentimentais, habituado a lidar com gângsteres e policiais corruptos, Spade arma um jogo sutil de alianças e traições, decidido a sair vencedor. Preserva noções elementares de justiça, mas está disposto a ir até o limite. A intrincada e deliciosa narrativa, que mistura momentos sarcásticos com outros de puro suspense, estabeleceu padrões que seriam seguidos por muitos dos filmes posteriores, definindo também características clássicas do gênero, como os personagens ambíguos, os ambientes obscuros (inspirados no expressionismo alemão) e a mulher fatal (mais perigosa que serpente).

PERFEITO CONTROLE NDIREÇÃO

O romance policial “The Maltese Falcon”, de Dashiell Hammett, lançado em 1930, resulta da compilação de duas histórias publicadas em 1925 na revista Black Mask: “The Whosis Kid” e “The Gutting of Couffignal”. Além da versão de John Huston, existem outras três feitas para o cinema, todas fracassadas: “O Falcão Maltês / The Maltese Falcon” (1931), de Roy Del Ruth, com Bebe Daniels e Ricardo Cortez; “Satã Encontrou Uma Dama / Satan Met a Lady” (1936), de William Dieterle, com Bette Davis e Warren William; e “The Black Bird” (1975), de David Giler, com George Segal e Stephane Audran. O remake de Huston, filmado nos estúdios da Warner de Culver City, foi o primeiro longa-metragem do diretor, que até então trabalhava como roteirista (em filmes dirigidos por William Wyler, Raoul Walsh, Howard Hawks, Anatole Litvak e William Dieterle). Custou 300 mil dólares e foi rodado em apenas oito semanas. O jovem cineasta demonstrou um controle perfeito sobre a produção, surpreendendo o chefão do estúdio, Jack Warner. Huston lhe entregou um roteiro detalhista, que incluía o story board e o material necessário para a filmagem. Em sua autobiografia, escreveu: “Preparei-me bastante para meu primeiro trabalho como diretor. Tinha um roteiro muito bem estruturado, não apenas cena por cena, mas também plano por plano. Fiz um esquema de cada plano; indicava inclusive se tinha de fazer uma panorâmica ou um plano com grua. Eu não queria em nenhum momento ter dúvida diante dos atores e da equipe técnica. Apresentei meu roteiro para o produtor Henry Blanke. Tudo o que ele me disse foi: “Somente recomendo que cada cena seja tratada como a mais importante do filme”. Este é o melhor conselho que um diretor jovem pode receber”.

HUSTON E BOGART, UMA PARCERIA DE SUCESSO

lee patrick e bogart
A estética noir deixou marcas na cultura pop e se repete até hoje nos mais diversos tipos de narrativas cinematográficas. De modo geral, são chamadas noir (“preto”, literalmente do francês) produções criminais realizadas em larga escala nos anos 1940 e 1950 em Hollywood. Apresentam mocinhos de caráter duvidoso, mulheres perigosas e inteligentes, detetives calejados, paisagens urbanas sombrias, ambientes fechados, predomínio de cenas noturnas, trama policial e, obviamente, narrativa que gira em torno de algum crime. Sucesso absoluto de público e crítica. Não bastasse ser considerado o primeiro e um dos mais conhecidos representantes do film noir, O FALCÃO MALTÊS ainda pavimentou o caminho de sucesso de dois importantes nomes da história do cinema: John Huston e Humphrey Bogart (que estrelaria o clássico “Casablanca / Idem” um ano depois). Por pouco, eles não tiveram a oportunidade de iniciar uma parceria de sucesso. A Warner havia oferecido primeiro George Raft para o papel de Sam Spade. Mas o ator, uma estrela na época, não aceitou o trabalho devido à inexperiência do diretor. Foi então que Huston convidou Bogart, que havia terminado de protagonizar o genial “Seu Último Refúgio / High Sierra” (1941), personagem também recusado por Raft. As afinidades entre a dupla foram tantas que eles trabalharam juntos em outros cinco filmes espetaculares, sempre acompanhados de muito uísque: “Garras Amarelas / Across the Pacific” (1942), “O Tesouro da Sierra Madre / The Treasure of the Sierra Madre” (1948), “Paixões em Fúria / Key Largo” (1948), “Uma Aventura na África / The African Queen” (1951) e “O Diabo Riu por Último / Beat the Devi” (1953).

ATMOSFERA TENSA

huston, peter lorre, mary astor e bogart
O roteiro intrincado de Huston desenvolve a trama com cuidado, nos levando lentamente para a tensa conclusão, mas já fisgando o espectador logo no início, com a morte do parceiro de Sam. Da mesma forma, tem o cuidado de não tornar os personagens unidimensionais, deixando sempre uma dúvida no ar sobre o caráter de cada um deles. Através da linguagem despojada, cheia de gírias, e de atitudes ambíguas de praticamente todos os personagens, Huston jamais permite ao espectador antecipar o que acontecerá na trama, o que só colabora para que a narrativa se torne cada vez mais tensa e imprevisível. Os figurinos de Orry-Kelly e os ambientes fechados e sombrios (direção de arte de Robert M. Haas) colaboram com esta atmosfera tensa, além de criarem o visual marcante e obscuro pretendido pelo diretor. Ele faz questão de criar diversos momentos que nos colocam em dúvida a respeito do caráter dos personagens, o que só favorece o suspense criado, reforçado pela trilha sonora de Adolph Deutsch. Desta forma, fica difícil prever para onde a narrativa esta indo, o que, neste caso, só torna o filme ainda mais curioso. Ainda assim, a revelação final de que Brigid é a assassina não chega a surpreender, mas amarra bem a trama.

PERSONAGENS HOMOSSEXUAIS

peter lorre como joel cairo

Empregando um ritmo agradável ao longa, graças à montagem de Thomas Richards, e criando momentos interessantes, como quando a câmera simula o olhar embaçado de Sam antes de um desmaio, John Huston mostra muita competência atrás das câmeras e realiza um longa memorável. Destaque para as interpretações de Peter Lorre, como o nervoso, levemente afeminado e alucinado Joel Cairo; Sydney Greenstreet, como o obeso e cínico Kasper Gutman, indicado ao Oscar; Elisha Cook Jr., como o capanga-amante-psicopata de Gutman, Wilmer Cook; e Mary Astor, a primeira femme fatale do cinema. No romance, três personagens masculinos (Joel Cairo, Kasper Gutman e Wilmer) são homossexuais, mas para evitar problemas com a censura, decidiram representá-los sutilmente. O pai do diretor, o grande ator Walter Huston, faz uma participação especial como o Capitão Jacobi. O filme recebeu três indicações para o Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Sydney Greenstreet) e Melhor Roteiro Adaptado. A estatueta original do falcão foi vendida recentemente por US$ 3,5 milhões, em Nova York. O FALCÃO MALTÊS é pioneiro, tanto em estética, quanto na adaptação de roteiro. John Huston realizou um talentoso exercício de cinema que, sem dúvida, diverte tanto quanto impressiona.

O ESCRITOR

DASHIELL HAMMETT
(1894–1961)

Ao publicar “O Falcão Maltês” (1930), o autor transformou as histórias policiais de uma vez por todas. Com um estilo que já foi comparado ao de Ernest Hemingway, jogou os personagens nas ruas de uma cidade turbulenta, deu à trama um ritmo acelerado, usou a linguagem crua do dia-a-dia e adotou um realismo que o gênero policial até então desconhecia. Esse realismo se relaciona diretamente com a biografia do autor: Hammett abandonou a escola aos catorze anos e, depois de diversos trabalhos temporários (foi estivador, por exemplo), conseguiu emprego numa agência de investigações. Não se destacou como detetive, mas os oito anos em que exerceu a profissão lhe deram a matéria-prima de sua literatura.

O DIRETOR/ROTEIRISTA

JOHN HUSTON
(1906–1987) 

O FOTÓGRAFO

ARTHUR EDESON
(1891–1970)

O excepcional manejo de câmera utilizado pelo fotógrafo teve um papel importante no sucesso do filme. Há a presença marcante de ângulos inovadores e não usuais (como no nível do chão, por exemplo) enfatizando a personalidade dos personagens e a natureza de suas ações, além de claro, a predominância da clássica luz baixa. Edeson começou sua carreira em 1914, fotografando filmes fundamentais como “Sem Novidade no Front / All Quiet on the Western Front” (1930), “Frankenstein / Idem” (1931), “O Grande Motim / Mutiny on the Bounty” (1935), “Dentro da Noite / They Drive by Night” (1940) e “Casablanca / Idem” (1942).

O ELENCO

HUMPHREY BOGART
(1899–1957)
Sam Spade

MARY ASTOR
(1906–1987)
Brigid O`Shaughnessy

GLADYS GEORGE
(1900–1954)
Iva Archer 

PETER LORRE
(1904–1964)
Joel Cairo

BARTON MacLANE
(1902–1969)
Tenente Dundy

LEE PATRICK
(1901–1982)
Effie Perine

SYDNEY GREENSTREET
(1879–1954)
Kasper Gutman 

WARD BOND
(1903–1960)
Miles Archer 

ELISHA COOK JR.
(1903–1995)
Wilmer Cook

FRASES MARCANTES


Brigid (para Spade): “Tenho uma terrível confissão a fazer. O que lhe disse não passou de uma mentira.”
Spade (sobre o valor que recebeu dela para a investigação): “Realmente não acreditamos na sua história, acreditamos nos seus 200 dólares. Pagou mais do que se tivesse dito a verdade.”

Brigid (perguntando sobre o parceiro de Spade): “Ele era casado?
Spade: “Sim. Com um bom seguro e uma esposa infiel. Assim são as coisas.”

Brigid (para Spade): “Seja generoso. Você é valente e forte. Certamente irá me transmitir um pouco dessa coragem. Preciso desesperadamente de ajuda. Sei que não tenho direito de pedir, mas peço-lhe: ajude-me.”
Spade: “Você não precisa de ajuda de ninguém, você é boa nisso. Posso ver isso em seus olhos e na entonação que coloca na voz ao dizer: seja generoso.”
Brigid: “Eu mereço isso, mas a mentira está na maneira como eu disse e não no conteúdo.”

Brigid: “Thursby cobria o chão em volta da cama com jornal amassado para que ninguém entrasse no quarto silenciosamente.”

Spade: “O que tem me dado além de dinheiro? Alguma vez me disse uma verdade? Não tentou comprar minha lealdade?
Brigid: “De que outro modo posso comprá-la? ” (em resposta recebe um beijo de Spade)

Spade (para Brigid): “Não me interesso por seus segredos, mas não posso seguir em frente sem confiar em você. Precisa me convencer de que não está trapaceando.”
Brigid: “Estou cansada de mentir e inventar histórias, sem saber o que é mentira e o que é verdade.”

Brigid: “Você foi um presente dos céus.”
Spade: “Não exagere.”

Gutman: “Suspeito de gente calada. Sempre escolhe a hora errada para falar. Conversar é algo que não se faz ponderadamente sem antes colocar em prática. Gosto de falar com quem gosta de falar.”

Gutman: “Sinto muito em te perder, Wilmer. Gosto de você como um filho. Um filho pode ser substituído, mas só há um falcão maltes. Quando se é jovem não se entende estas coisas.”

Spade (para Brigid, antes de entrega-la para a polícia): “Se for boa, ficará 20 anos na cadeia. Estarei te esperando. Se te enforcarem, sempre me lembrarei de você.”

Brigid: “Você sabe se me ama ou não?
Spade: “Talvez a ame, mas acabarei esquecendo um dia.”



VEJA O TRAILER:



cartaz publicitário da primeira versão
a estatueta usada na versão de 1941

janeiro 23, 2015

* “MEU NOME É JOHN FORD, EU FAÇO FAROESTES”



“Assim como Shakespeare está cada vez mais vivo, 
a despeito da agonia tão lenta do teatro, 
Ford está cada dia mais presente, 
ainda que o cinema já não tenha mais a mesma alma”
(Antonio Moniz Vianna, crítico de cinema)

Ele amava os heróis e se considerava um deles. A biografia desse homem durão que se apresentava dizendo, firme: “Meu nome é John Ford, eu faço faroestes”, confunde-se com a própria biografia do cinema. Aos 21 anos, aparece como figurante em “O Nascimento de uma Nação / The Birth of a Nation” (1915), épico imortal de D. W. Griffith, nas controversas sequências que retratam ações da Klu Klux Klan sob uma luz perigosamente racista. Dois anos mais tarde, o cineasta começaria a fazer seus primeiros filmes. Aos 25 anos havia realizado nada menos que 50. No total, dirigiu 133 filmes (boa parte de suas películas mudas se perderam).

Inquestionavelmente, JOHN FORD (1894-1973) é um dos principais responsáveis pelo status que o gênero faroeste adquiriu. A sua facilidade de trabalhar com atores, fazendo-os improvisar e realizando poucas (às vezes apenas uma) tomadas de cenas, era, na verdade, uma afirmação da sua capacidade produtiva. Autoritário e de personalidade forte, soube, melhor que ninguém, tirar proveito do sistema de produção dos poderosos estúdios. Trabalhou com alguns dos maiores técnicos, roteiristas e fotógrafos da indústria hollywoodiana. Henry Fonda, Will Rogers, Barry Fitzgerald, James Stewart, Maureen O’Hara, George O’Brien, Ward Bond, John Carradine, Jane Darwell, Victor McLaglen, e o seu ator-ícone e xará, John Wayne, estão em diversos trabalhos seus. Mas o rosto que se confunde com sua obra é o de John Wayne. Os dois fizeram 14 filmes juntos e tiveram uma relação turbulenta.

ford filmando “o delator”

Sua arte cinematográfica foi marcada pela clareza de opiniões sobre o homem, a história e a sociedade norte-americana. JOHN FORD jamais intencionou manter uma postura socialmente crítica, mas sempre foi profundamente dedicado à humanidade das pessoas, independentemente de sua posição social (um presidente, um pistoleiro ou uma prostituta), desde que a posição desses personagens ratificasse a ética valorativa dos pioneiros, daqueles que enfrentaram as adversidades para construir uma nova ordem social. Segundo Orson Welles, ele é “o maior poeta que o cinema já nos deu”.

Contraditório e complexo, compunha imagens com delicadeza e sofisticação, mas cultivava a impressão de homem rude e truculento. Tinha fama de ser um déspota no set, mas era chamado pelos atores e pela equipe de Pappy. Considerado por muitos um reacionário, foi voz ativa contra o macarthismo nos anos 1950. Como grande cineasta que era, percebeu que havia sido injusto com os indígenas e se aproximou deles para fazer em 1947 “Sangue de Heróis”, mais conhecido como “Fort Apache”, em que o foco é a crueldade dos colonizadores aos lhes roubarem terras. O seu último faroeste também segue linha similar. “Crepúsculo de uma Raça” — no original, “Cheyenne Autumn”, de 1964 —, uma história emocionante que mostra como todo um povo foi devastado pela ganância do explorador.


Filho de imigrantes irlandeses, nasceu em Cape Elizabeth, Maine, na fazenda de seus pais. Na nascente Hollywood, antes de dirigir, foi figurante, ator, assistente de direção, câmera, entre outras funções.  Em 1924, ele teria o primeiro sucesso com “O Cavalo de Ferro”. De uma maneira geral, a década de 1920 representou o período em que conquistaria enorme notoriedade e se consolidaria como importante diretor, com seu salário crescendo exponencialmente. Uma guinada na carreira do cineasta ocorreu quando o alemão Friedrich Wilhelm Murnau se mudou para os Estados Unidos a convite de William Fox e realizou “Aurora / Sunrise” (1927), que se tornaria um dos filmes mais influentes da história. O trabalho de Murnau provocou em JOHN FORD o interesse em trabalhar a cristalização estética como nunca havia feito antes, o que se consolidou ao longo dos anos como uma das características mais marcantes de seu cinema. Entre os diretores de Hollywood, ele foi um dos pioneiros a acreditar no som, realizando o primeiro filme inteiramente falado da Fox, “O Barbeiro de Napoleão / Napoleon´s Barber” (1928), que se perdeu.

Ao dirigir “Médico e Amante / Arrowsmith” (1931), adaptado do romance de Sinclair Lewis (que acabava de ser o primeiro norte-americano a conquistar o prêmio Nobel de literatura), foi reconhecido pela crítica, com cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme. O início da década de 1930 marcaria a parceria de JOHN FORD com Will Rogers, popular comediante com quem fez três filmes: “Doutor Bull / Doctor Bull” (1933), “Juiz Priest / Judge Priest” (1934) e “Nas Águas do Rio / Steamboat Round the Bend” (1935). O mais provável é que Rogers se tornasse um ator de predileção de Ford (como John Wayne e Henry Fonda) caso não tivesse falecido tragicamente em 1935.

james stewart, john ford e john wayne

Ainda em 1935, realizou o drama “O Delator”, que lhe rendeu seu primeiro Oscar de Melhor Diretor. Com baixo orçamento e filmado em apenas dezessete dias, o roteiro tem uma proposta muito pouco comercial, cheio de simbolismos, neblinas e sombras. Conta o drama de Gypo (Victor McLaglen, Oscar de Melhor Ator), um homem assombrado pelo passado — e pelo presente — além de uma paixão pouco ortodoxa: uma loira que se prostitui e cheia de pendências psicológicas com a vida. Em 1939, veio “No Tempo das Diligências” e, enfim, o retorno ao gênero pelo qual ficaria eternamente ligado.

O período pré-guerra seria um dos momentos mais importantes da sua longa trajetória, incluindo a realização de seu primeiro longa em cores, “Ao Rufar dos Tambores / Drums Along the Mohawk” (1939). Ele se esmerou, registrando com gênio pictórico, belas imagens das florestas e dos vales de Utah. Além dos aclamados dramas “A Mocidade de Lincoln / Young Mr. Lincoln” (1939), “As Vinhas da Ira” - que lhe rendeu um segundo Oscar de Melhor Direção -, e “Como era Verde meu Vale”, vencedor de cinco Oscars, incluindo os de Melhor Filme e, novamente, Diretor. Durante esse período se firmou a importante colaboração entre o cineasta e o ator Henry Fonda, que protagonizou três dos filmes mencionados acima.


Com o bombardeio a Pearl Harbor em 1941 e a entrada oficial dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, JOHN FORD, por iniciativa própria, reuniu uma equipe de técnicos de Hollywood e se colocou à disposição da Marinha de Guerra. Nomeado chefe do núcleo de fotografia de campo do Departamento de Serviços Estratégicos (a futura CIA), tinha por objetivo realizar registros para arquivo e para ajudar nas deliberações da Inteligência. Durante esse período, realizou importantes documentários sobre alguns dos eventos mais marcantes da Segunda Guerra, entre eles os vencedores consecutivos do Oscar de Melhor Documentário, “A Batalha de Midway / The Battle of Midway” (1942) e “December 7th” (1943), colocando-se na linha de frente do conflito para registrá-los.

Ao retornar da guerra e após realizar “Paixão de Fortes”, recebeu uma lucrativa proposta de Darryl F. Zanuck para trabalhar na 20th Century-Fox, mas negou-a para fundar seu próprio estúdio, a Argosy Pictures. A produtora contava com importantes financiadores, entre advogados e banqueiros, e com a essencial presença de Merian C. Cooper na produção. Contudo, a estreia da Argosy ocorreu com “Domínio de Bárbaros”, um absoluto fracasso comercial, e JOHN FORD acabou retornando ao western para salvar a produtora da falência. Assim nasceu a célebre “Trilogia da Cavalaria”, composta por “Sangue de Herói” (Fort Apache, 1948), “Legião Invencível” e “Rio Grande” (idem, 1950), todos protagonizados por John Wayne.

ava gardner, clark gable e john ford

Em 1952, realizou “Depois do Vendaval”, cujo projeto existia desde a década de 1930. Este foi seu longa mais lucrativo, e teve sete indicações ao Oscar, conquistando o quarto prêmio de Melhor Diretor. A partir de 1953, voltaria a trabalhar diretamente para os grandes estúdios, e em 1955 foi contratado pela Warner para dirigir a comédia “Mister Roberts / Idem”, mas um desentendimento com Henry Fonda, que acabou resultando em agressão física, ocasionou sua demissão e o fim de uma longa relação pessoal e profissional com o ator. Concluído por Mervyn LeRoy, tornou-se um enorme sucesso. Após este episódio, passou um longo período isolado em seu barco, bebendo abusivamente e recusando-se a ver qualquer pessoa. Também neste ano, o diretor trabalhou pela primeira vez na televisão, dirigindo o episódio “Rookie of the Year”, para a série “Studio Directors Playhouse”, e “The Bamboo Cross”, para a série “Fireside Theatre”.

Seu retorno ao cinema ocorreu com “Rastros de Ódio”, um dos filmes mais populares do ano, embora não tenha recebido nenhuma indicação ao Oscar. Sua reputação, no entanto, cresceu ao longo dos anos, a ponto de ser nomeado em 2008 pelo Instituto de Cinema Americano (AFI) como o melhor western de todos os tempos. A década de 1960 seria marcada pelo declínio das condições de saúde do veterano diretor. Sua visão começou a deteriorar-se rapidamente e a memória já não funcionava como outrora, necessitando de mais assistentes ao seu redor. Curiosamente, nesse período final, dirigiria um de seus filmes mais elogiados pela crítica, o western crepuscular “O Homem que Matou o Facínora / The Man Who Shot Liberty Valance” (1962). Faleceu em 31 de agosto de 1973.

ford filmando john wayne

Os que não conhecem a obra de JOHN FORD, podem estranhar o patriotismo exagerado ou o excesso de comédia. Vencida a desconfiança inicial, vale mergulhar de cabeça, porque ele influenciou de Ingmar Bergman a Akira Kurosawa, passando por Sergei Eisenstein, Orson Welles, Alfred Hitchcock, Elia Kazan, David Lean, Martin Scorsese e François Truffaut. A maioria de suas produções ainda servem de referencia a novos cineastas e estudiosos. A sua extensa obra sobreviveu às inúmeras transformações estéticas sofridas pelo cinema em sua já centenária história, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, com a chegada do chamado cinema novo em diversos países, tanto do ocidente quanto do oriente.

O cinema de JOHN FORD é simples, claro, fluente, na melhor tradição clássica. Ele espalha sobre seus filmes não somente seu estilo, mas também seu espírito, sua poesia, seu sentimento, que tão profundamente nos atinge. Um filme de sua autoria é antes de tudo um prazer visual. Ele usa a câmera como um pincel, criando imagens bonitas. Para ajudar aos não iniciados no universo fordiano, fiz uma lista com os meus dez filmes favoritos (cinco westerns, cinco em outros gêneros).

o fotógrafo bert glennon e john ford

OS CINCO MELHORES WESTERNS
 (por ordem de predileção)

(01)
RASTROS DE ÓDIO
(The Searchers, 1956)

Com John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond, Natalie Wood e Harry Carey Jr. Um ex-confederado (Wayne em sua maior atuação) descobre que sua sobrinha foi sequestrada durante um ataque de índios Comanche. Ao lado do sobrinho, ele parte para resgatá-la, mas seu ódio crescente pelos índios confunde suas intenções. É a obra-prima de John Ford. Homenageado por Martin Scorsese em “Motorista de Taxi / Taxi Driver” (1976) e por Wim Wenders em “Paris, Texas / Idem” (1984). Interpretações pulsantes,  diálogos antológicos, trilha sonora inspirada de Max Steiner e imagens inacreditáveis de Winton C. Hoch. O roteiro de Frank S. Nugent explora diversas ambiguidades ao dosar revelações e omissões de informações no decorrer da narrativa. Aborda os grandes temas do western: o racismo, os problemas dos prisioneiros brancos, as guerras com os índios com seu cortejo de massacres de ambas as partes etc. Entretanto, o diretor se apega ao seu herói, este “homem só”, irremediavelmente perdido e afastado da civilização, do calor do lar e da vida, enigmático e taciturno, movido pelo ódio que, em busca da sobrinha, empreende uma imensa odisseia, que se desenrola sob a neve e no deserto, em uma impressionante variedade de paisagens.

(02)
PAIXÃO DOS FORTES
(My Darling Clementine, 1946)

Com Henry Fonda, Linda Darnell, Victor Mature, Cathy Downs, Walter Brennan, Tim Holt, Ward Bond, John Ireland e Jane Darwell. Após o assassinato do irmão mais novo, cowboy aceita o cargo de xerife, com a determinação de vingar a morte do irmão. Nessa missão, envolve-se com o outrora médico e agora um alcoólatra, assaltante e tuberculoso, sua ex-noiva enfermeira e uma bela mexicana de vida suspeita. Baseado na história verídica do famoso tiroteio no O.K. Corral, tem como tema a chegada da civilização no Oeste. Ford faz um paralelo entre a transformação do vaqueiro independente em um homem da lei responsável e a transformação daquela vila da fronteira onde reina a anarquia, em uma comunidade ordeira. Destaque para a poética fotografia de Joe MacDonald, a beleza irradiante de Linda Darnell e a atuação antológica de Henry Fonda. Filmado em Kayenta, no Arizona, e no decantado Monument Valley, no Utah, figura entre os maiores westerns de todos os tempos. Marco importante nas carreiras de Ford e Fonda.

(03)
NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS
(Stagecoach, 1939)

Com John Wayne, Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine, Thomas Mitchell, George Bancroft e Tim Holt. Um bêbado, uma prostituta, uma grávida, um jogador, um banqueiro e um vendedor atravessam o oeste dos EUA, dividindo a mesma diligência. Sua travessia é dificultada pelo domínio indígena na região. Narrado com precisão, critica acidamente o preconceito e a hipocrisia. É o primeiro dos quatorze filmes estrelados por John Wayne. O cineasta escolheu um cenário grandioso, filmando pela primeira vez no Monument Valley, área isolada da reserva dos índios Navajos, onde o Utah faz limite com o Arizona. O instinto artístico de Ford parece ter sido estimulado por esse panorama arrebatador, sendo admiráveis alguns planos gerais da diligência correndo através dessa região. No mesmo local, ocorrem os instantes mais excitantes de ação, quando os índios perseguem a diligência. Esse faroeste é, sem cessar e ao mesmo tempo, uma epopeia trágica e um drama psicológico, uma aventura coletiva e uma série de aventuras individuais, destacando-se entre estas a do fora-da-lei heroico e a da prostituta de bom coração. Como o western na época passava por um enorme descrédito, John Ford enfrentou dificuldades em financiá-lo, e conseguiu apenas com o suporte de Walter Wanger, produtor independente da United Artists a quem recorreu após a recusa de David O. Selznick. Contrariando as exigências de Wanger, que desejava Gary Cooper no papel principal, convidou seu amigo John Wayne, na época um desconhecido ator de westerns B. O arriscado investimento seria recompensado com um absoluto sucesso de bilheteria e sete indicações ao Oscar (levando o de Melhor Ator Coadjuvante para Thomas Mitchell e de Trilha Sonora), elevando Wayne ao status de estrela. Iria se tornar um dos filmes mais importantes do cinema norte-americano – Orson Welles disse tê-lo assistido 40 vezes durante a preparação de “Cidadão Kane / Citizen Kane (1941)”.

(04)
CARAVANA DE BRAVOS
(Wagon Maste, 1950)

Com Ben Johnson, Joanne Dru, Harry Carey Jr., Ward Bond e Jane Darwell. Verdadeiro filme-poema, construído episodicamente, no qual Ford expressa seu amor pelo Oeste e pelos verdadeiros cowboys, usando imagens encantadoras e uma comovente trilha musical de hinos e canções folclóricas, inclusive a obrigatória “Shall We Gather at the River”. Alternando drama e humor em uma coleção de incidentes apresentados de maneira natural, espontânea, singela, é obra-prima de um cineasta agindo como pintor e músico (pelo seu andamento, pelas suas repetições), uma mistura de epopeia lírica com realidade cotidiana, impregnada de valores humanistas e religiosos (a fé, os esforços e a tolerância dos mórmons, a amizade sincera e solidária dos dois vaqueiros, a mulher perdida tocada pela graça, o valor da família, a busca da paz etc.). “O western mais puro e mais simples que já fiz”, declarou o cineasta, referindo-se a um de seus filmes prediletos.

(05)
O CAVALO DE FERRO
(The Iron Horse, 1924)

Com George O'Brien, Madge Bellamy e Charles Edward Bull. Para construir a primeira ferrovia transcontinental americana, um grupo de homens enfrenta índios, bandidos e uma série de outros problemas em busca de um sonho. Conjugando com felicidade a ação individual (a história privada de um jovem que pretende vingar a morte do pai) e a epopeia coletiva (a construção da ferrovia transcontinental), esta superprodução tem aspectos notáveis, entre eles a magnificência visual dos cenários selvagens e de outros elementos originais da mitologia do Oeste (rebanho de gado bovino, manada de búfalos, confrontos com índios, tiroteio no saloon, contribuição das comunidades pioneiras integradas por imigrantes chineses; aparição de figuras como Wild Will Hickock e Buffalo Bill. Filmado em locações no deserto de Nevada. Ao ser escolhido para o papel protagonista, depois de testados oitenta candidatos, George O`Brien só havia feito alguns pequenos papéis em filmes sem importância. Transformou-se em estrela da noite para o dia e um dos atores favoritos de Ford. Retratado pela magia da câmara de George Schneiderman, o espetacular ataque de índios à locomotiva marcou época.

fredric march e john ford

OS CINCO MELHORES EM OUTROS GÊNEROS
 (por ordem de preferencia)

(01)
AS VINHAS DA IRA
(The Grapes of Wrath, 1940)

Com Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Charley Grapewin e Dorris Bowdon. Baseado no romance homônimo de John Steinbeck, narra a saga de uma família de miseráveis que, no auge da Depressão norte-americana, amontoa-se num caminhão e parte para a Califórnia em busca de trabalho e com esperança de uma nova vida. As atuações vigorosas e sensíveis de Henry Fonda, John Carradine e Jane Darwell, são marcantes. A fotografia de Gregg Toland, inspirada nos retratos tirados por Walker Evans, é simplesmente esplendorosa.  Sete indicações ao Oscar, ganhando o de Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante (Darwell). Premios de Melhor Filme e Melhor Diretor do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York.

(02)
COMO ERA VERDE O MEU VALE
(How Green Was My Valley, 1941)

Com Walter Pidgeon, Maureen O'Hara, Anna Lee, Roddy McDowall, John Loder, Sara Algood e Barry Fitzgerald. Prestes a deixar a aldeia mineradora onde cresceu, no interior do País de Gales, rapaz recorda os anos vividos e as dificuldades que passou ao lado de sua família. Levou apenas duas semanas para ser realizado. Baseado no popular livro de Richard Llewellyn, marca a estreia da ruiva Maureen O`Hara no cinema fordiano. Fotografia sublime do mestre Arthur C. Miller. Melhor Diretor do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York. Cinco Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor , Melhor Fotografia e Melhor Ator Coadjuvante (Donald Crisp).

(03)
DOMÍNIO DE BÁRBAROS
(The Fugitive, 1947)

Com Henry Fonda, Dolores del Rio, Pedro Armendáriz, J. Carrol Naish, Leo Carrillo, Ward Bond e Robert Armstrong. Em um ditatorial país da América do Sul, onde a religião se tornou ilegal, um padre passa a ser perseguido e luta contra sua consciência. Baseado no romance “O Poder e a Glória”, de Graham Greene. Magnífica fotografia do mexicano Gabriel Figueroa, a beleza e o talento da diva Dolores del Rio e Henry Fonda roubando a cena.

(04)
DEPOIS DO VENDAVAL
(The Quiet Man, 1952)

Com John Wayne, Maureen O'Hara, Barry Fitzgerald, Ward Bond, Victor McLaglen e Mildred Natwick. Boxeador encerra sua carreira e decide voltar à Irlanda, seu país de origem, onde se apaixona por uma ruiva teimosa. Contudo, para se casar com ela, terá de conquistar o consentimento do irmão de sua pretendida. Diálogos inspirados, vivacidade nas interpretações e timing perfeito de comédia. Indicado a sete Oscars, ganhou o de Melhor Diretor e Melhor Fotografia (Winton C. Hoch e Archie Stout).

(05)
HORAS AMARGAS
(The Plough and the Stars, 1936)

Com Barbara Stanwyck, Preston Foster, Barry Fitzgerald e Una O`Connor. Gerente de uma hospedaria em Dublim procura ficar longe da agitação política em torno de sua região, de modo que se revolta ao descobrir que seu marido se juntou a uma milícia de rebeldes irlandeses tentando expulsar os britânicos. Ela teme pela segurança dele. Emocionante, com magistral fotografia expressionista de Joseph E. August, coadjuvantes de luxo e excelente interpretação de Barbara Stanwyck, merece ser valorizado pelos cinéfilos.

ELENCO FORDIANO

BARRY FITZGERALD
(1888–1961)

5 Filmes:
Horas Amargas (1936), Quatro Homens e uma Prece (1938), A Longa Viagem de Volta (1940), Como Era Verde o Meu Vale (1941) e Depois do Vendaval (1952)

GEORGE O`BRIEN
(1899–1985)

10 Filmes:
O Cavalo de Ferro (1924), Thank You (1925), Coração Intrépido (1925), Três Homens Maus (1926), A Águia Azul (1926), Em Continência (1929), Sob as Ondas (1931), Sangue de Heróis (1948), Legião Invencível (1949) e Crepúsculo de Uma Raça (1964)

HENRY FONDA
(1905–1982)

7 Filmes:
A Mocidade de Lincoln (1939), Ao Rufar dos Tambores (1939), As Vinhas da Ira (1940), Paixão dos Fortes (1946), Domínio dos Bárbaros (1947), Sangue de Heróis (1948) e Mister Roberts (1955)

JANE DARWELL
(1879–1967)

6 Filmes:
As Vinhas da Ira (1940), Paixão dos Fortes (1946), O Céu Mandou Alguém (1948), Caravana de Bravos (1950), O Sol Brilha na Imensidão (1953) e O Último Hurra (1958)

JOHN CARRADINE
(1906–1988)

11 Filmes:
O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões (1936), Mary Stuart, Rainha da Escócia (1936), O Furacão (1937), Quatro Homens e uma Prece (1938), Patrulha Submarina (1938), Ao Rufar dos Tambores (1939), No Tempo das Diligências (1939), As Vinhas da Ira (1940), O Último Hurra (1958), O Homem que Matou o Facínora (1962) e Crepúsculo de Uma Raça (1964)

JOHN WAYNE
(1907–1979)

14 Filmes:
No Tempo das Diligências (1939), A Longa Viagem de Volta (1940), Fomos os Sacrificados (1945), Sangue de Heróis (1948), O Céu Mandou Alguém (1948), Legião Invencível (1949), Rio Bravo (1950), Depois do Vendaval (1952), Rastros de Ódio (1956), Asas de Águias (1957), Marcha de Heróis (1959), O Homem que Matou o Facínora (1962), A Conquista do Oeste (1962) e O Aventureiro do Pacífico (1963)

MAUREEN O`HARA
(nasceu em 1920)

5 Filmes:
Como Era Verde o Meu Vale (1941), Rio Bravo (1950), Depois do Vendaval (1952), A Paixão de uma Vida (1955) e Asas de Águias (1957)

MILDRED NATWICK
(1905–1994)

4 Filmes:
A Longa Viagem de Volta (1940), O Céu Mandou Alguém (1948), Legião Invencível (1949) e Depois do Vendaval (1952)

VICTOR McLAGLEN
(1886–1959)      

     9 Filmes:
Justiça do Amor (1928), A Guarda Negra (1929), A Patrulha Perdida (1934), O Delator (1935), Queridinha do Vovô (1937), Sangue de Heróis (1948), Legião Invencível (1949), Rio Bravo (1950) e Depois do Vendaval (1952)

WARD BOND
 (1903–1960)

18 Filmes:
Médico e Amante (1931), Patrulha Submarina (1938), A Mocidade de Lincoln (1939) , Ao Rufar dos Tambores (1939) , As Vinhas da Ira (1940), A Longa Viagem de Volta (1940), Caminho Áspero (1941), Fomos os Sacrificados (1945), Paixão dos Fortes (1946), Domínio dos Bárbaros (1947) , Sangue de Heróis (1948), O Céu Mandou Alguém (1948), Caravana de Bravos (1950), Depois do Vendaval (1952), A Paixão de uma Vida (1955), Mister Roberts (1955), Rastros de Ódio (1956) e Asas de Águias (1957)