agosto 14, 2012

** QUAL O MELHOR FILME DE TODOS OS TEMPOS?

"a marca da maldade", de orson welles

Alguns filmes nos divertem e logo a seguir esquecemos. Outros nos envolvem, nos apaixonam, queremos vê-los mais de uma vez. São nossos “filmes do coração”. Mas sabemos que público e crítica geralmente só dão cabeçadas na hora de escolher os melhores do cinema. São visões completamente distintas. Portanto, por instantes, esqueça os críticos cinematográficos e suas verdades questionáveis. Delete da cabeça todas as listas famosas do American Film Institute, da revista Sight & Sound etc. Com honestidade, lembre-se daqueles filmes que marcaram profundamente sua trajetória de cinéfilo (a)... e vote: QUAL O MELHOR FILME DE TODOS OS TEMPOS? Sem ordem de preferência, liste de 1 a 10 fitas, de qualquer país, qualquer época ou qualquer gênero; produções milionárias ou independentes, clássicos do cinema ou raridades; títulos indispensáveis, filmes inesquecíveis que lhe impressionaram, que são eternos na sua filmografia existencial. Filmes com espírito de aventura, de prazer, de inovações e de experimentação.

Sei que decisões radicais são por vezes dolorosas. Afinal, não é fácil escolher quem entra e quem sai de uma lista de filmes fundamentais da história do cinema. “Por que este e não aquele?” é a pergunta mais frequente que se faz nessas ocasiões. De cara, me senti um traidor, deixando de fora filmes que venero como “A Oitava Esposa do Barba Azul / Bluebeard’s Eighth Wife” (1938), de Ernst Lubitsch; “As Mulheres / The Women” (1939), de George Cukor; “Cantando na Chuva / Singing’in the Rain” (1952), de Stanley Donen e Gene Kelly; “Lolita / Idem” (1961), de Stanley Kubrick, ou “A Noite / La Notte” (1961), de Michelangelo Antonioni. Mas os votos do blog “O Falcão Maltês” não são válidos nesta enquete, nem pretendem influenciar ninguém. Ainda assim, revelo a minha lista pessoal. Todos eles me seduziram. Alguns assisti várias vezes. E a sua lista? O resultado final pertence a você. Vamos lá?!

AMÉRICA, AMÉRICA – TERRA DE UM SONHO DISTANTE
(America, America, 1963, EUA)
de Elia Kazan
com Stathis Giallelis, Lou Antonio e John Marley


Globo de Ouro de Melhor Direção. Num afresco ao mesmo tempo lírico e épico, talvez seja a obra mais perfeita de Kazan. Baseada na vida do seu avô, conta como um jovem turco de origem grega deixa para trás sua pátria devastada pela guerra para começar uma vida nova. Mas o sonho não é muito fácil de realizar e se torna um pesadelo. Filme preferido de Kazan. Tem um elenco formado quase que exclusivamente por atores desconhecidos.


OS ASSASSINOS
(The Killers, 1946, EUA)
de Robert Siodmak
com Burt Lancaster, Ava Gardner, Edmond O`Brien,
Albert Dekker e Sam Levene


Um ex-pugilista se envolve com uma mulher de reputação duvidosa (o papel que transformou Ava em estrela), um roubo e uma traição. Perigo e perdição num excelente noir inspirado no conto de Ernest Hemingway. Seu remake, de 1964, dirigido por Don Siegel, também é perfeito. Estreia de Lancaster no cinema aos 33 anos, mas belo do que nunca.


FAUSTO
(Faust – Eine Deutsche Volkssage, 1926, Alemanha)
de F. W. Murnau
com Gosta Ekmann, Emil Jannings, Camilla Horn
e William Dieterle


Intensa mobilidade da câmera, uma montagem inventiva e artifícios astuciosos. O expressionismo hipnotizante de Murnau (diretor magistral que morreu jovem) divaga sobre a vaidade humana. Técnica deslumbrante, virtuosismo da mise-em-scène e impactante performance de Emil Jannings, grande ator alemão que se deu mal ao se aliar ao nazismo.


A MARCA DA MALDADE
(Touch of Evil, 1958, EUA)
de Orson Welles
com Charlton Heston, Janet Leigh, Orson Welles,
Joseph Calleia, Akim Tamiroff, Marlene Dietrich
e Zsa Zsa Gabor


Famoso por seu plano de abertura sem cortes com três minutos de duração e por sua cena final de perseguição, com um visual extravagante e efeitos sonoros experimentais. Policial barroco e diabólico que supera de longe “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941). Charlton Heston usou todo o seu prestígio de estrela para que o filme fosse realizado. Welles está assustador na pele de um velho policial coxo e desiludido. Marlene tem participação especial como dona de prostíbulo. Destaque também para um ótimo coadjuvante recorrente na filmografia wellesniana: Akim Tamiroff.


MORANGOS SILVESTRES
(Smultronstallet, 1957, Suécia)
de Ingmar Bergman
com Victor Sjostrom, Ingrid Thulin, Gunnar Bjornstrand,
Bibi Andersson, Max Von Sydow e Gunnel Lindblom


Cinema intimista e reflexivo, lírico e perturbador. O ponto máximo da carreira de Bergman. Uma obra que alterna o onírico e a realidade, expondo as dúvidas e recordações de um velho professor (Sjostrom, um dos grandes diretores do cinema mudo). Poética fotografia de Gunnar Fischer. Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim.


NARCISO NEGRO
(Black Narcissus, 1947, Inglaterra)
de Michael Powell e Emeric Pressburger
com Deborah Kerr, Sabu, David Farrar,
Flora Robson, Kathleen Byron e Jean Simmons


Cinco freiras, chefiadas pela jovem e inexperiente irmã Clodagh (a inglesa Kerr, que levou o prêmio de Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York e se transformou em estrela internacional, fazendo primorosa carreira em Hollywood), passam a tomar conta de um convento no isolado Himalaia, em meio a um povo não-católico. Funciona como um estudo sutil, quase inconsciente, do desejo carnal dessas freiras, tão jovens. Powell e Pressburger transmitem uma atmosfera exótica, produto da natureza em estado puro. Grande fotografia de Jack Cardiff (que ganhou o Oscar e o Globo de Ouro), com cores vivas como as paixões humanas. Excelente atuação de Kathleen Byron como uma freira histérica, que não controla seus desejos. Jean Simmons, belíssima, também brilha num papel menor.


NOITES DE CABÍRIA
(Le Notti di Cabiria, 1957, Itália / França)
de Federico Fellini
Com Giulietta Masina, François Périer, Amedeo Nazzari
e Dorian Gray


Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. As ilusões e decepções de prostituta romântica, que vive entre a escória, mas sonha com um príncipe encantado. Atuação primorosa de Masina, que levou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Uma fantástica galeria de personagens, numa composição que vai do sublime ao burlesco.


O PODEROSO CHEFÃO
(The Godfather, 1972, EUA)
de Francis Ford Coppola
com Marlon Brando, Al Pacino, Diane Keaton,
Robert Duvall, James Caan, Richard S. Castellano,
Sterling Hayden, Talia Shire, John Marley,
 John Cazale e Richard Conte


A saga do mafioso Don Corleone no submundo dos anos 40/50. Cenas clássicas (a cabeça do cavalo de raça na cama luxuosa do produtor de cinema é antológica), interpretações marcantes e trilha sonora elegante e decadente de Nino Rota. Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator (Brando, que recusou o prêmio e criou um personagem ícone de voz gutural). Levou também o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama, Diretor e Ator em Drama. A saga dos Corleone se estendeu em “O Poderoso Chefão Parte 2 / The Godfather Part II” (1974) e “O Poderoso Chefão Parte 3 / The Godfather Part III” (1990).


RASHOMON
(Rashomon, 1951, Japão)
de Akira Kurosawa
com Toshiro Mifune, Machiko Kyo, Masayuki Mori,
Takashi Shimura e Masayuki Mori


Deu a Kurosawa o Leão de Ouro em Veneza, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o reconhecimento internacional. Extraído de dois contos de Ryunosuke Akutagawa. Um casal é atacado na floresta por um bandido, que estupra a mulher e mata o marido. Mas as versões dos envolvidos mostram-se contraditórias. Definido pelo diretor como “parece-se com uma estranha pintura num pergaminho, que o ego desenrola e expõe”. Foi adaptado em Hollywood como “Quatro Confissões / The Outrage” (1964), com Paul Newman, Claire Bloom e Edward G. Robinson.


ROCCO E SEUS IRMÃOS
(Rocco e i Suoi Fratelli, 1960, Itália / França)
de Luchino Visconti
com Alain Delon, Renato Salvatori, Annie Girardot,
Katina Paxinou e Claudia Cardinale


Beleza plástica e força dramática. Visconti, um grande esteta do cinema, une grandiosidade e intimismo, sensualidade e drama social, numa sensibilidade diferenciada e arquitetura rigorosa. Um elenco em estado de graça, com destaque para Katina Paxinou (Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo clássico hollywoodiano “Por Quem os Sinos Dobram / For Whom the Bell Tolls”, 1943) e para a francesa Annie Girardot.

  

agosto 03, 2012

************ A MAIS BELA: AUDREY HEPBURN

audrey hepburn
Um resultado surpreendente. Seria capaz de jurar que a vitória ficaria entre as loiras Marilyn Monroe e Brigitte Bardot, garotas cobiçadas por sua sensualidade latente, embora estivesse torcendo por minhas morenas favoritas: Ava Gardner e Sophia Loren. Bardot não ficou nem entre as cinco mais votadas. Fiquei pasmo também com apenas os dois votos para Gene Tierney, a mítica Laura, considerada por muitos a atriz mais bela de Hollywood. Duas estrelas europeias que não estavam na lista foram recorrentemente lembradas, Audrey Hepburn e Vivien Leigh. A grande vitoriosa foi a rainha da elegância AUDREY HEPBURN com 12 votos. Logo a seguir, em segunda colocação (8 votos cada), Ava Gardner, Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe. Em terceiro, com sete votos, Grace Kelly. A italiana Sophia Loren levou o quarto lugar com seis votos. Finalizando, Claudia Cardinale e Greta Garbo com cinco votos cada.

Nascida na Bélgica, filha de uma aristocrata inglesa e de um britânico, AUDREY HEPBURN (1929-1993) enfrentou a Segunda Guerra Mundial antes de estudar no Ballet Rambert. Depois de trabalhar como modelo fotográfico, corista e fazer pontas em filmes na Grã-Bretanha, interpretou na Broadway “Gigi”, da escritora francesa Colette e ganhou o estrelato. Uma jovem graciosa que falava com um encantador sotaque anglo-europeu, ela mostrou a Hollywood que as estrelas não precisam ajustar-se a estereótipos para conquistar plateias. Recebeu o Oscar de Melhor Atriz por “A Princesa e o Plebeu”. Conheceu seu marido, Mel Ferrer, durante as filmagens do épico “Guerra e Paz / War and Peace” (1956), de King Vidor. Seu estilo e classe foram destacados pelo estilista Givenchy em diversos filmes. Aposentou-se em 1967, mas retornou em 1976 para interpretar uma Lady Marian envelhecida, porém eternamente apaixonada por Robin Hood (Sean Connery) em “Robin e Marian / Robin and Marian” (1976). Passou seus últimos anos como embaixadora da Unicef, confortando crianças do Terceiro Mundo mesmo enquanto sofria do câncer que a matou.


OS 10 MELHORES FILMES DE AUDREY
(por ordem de preferência)

(01)
BONEQUINHA DE LUXO
(Breakfast at Tiffany’s, 1961)
de Blake Edwards
com George Peppard, Patricia Neal e Mickey Rooney
David di Donatello de Melhor Atriz Estrangeira

(02)
SABRINA
(Idem, 1954)
de Billy Wilder
com Humphrey Bogart, William Holden e Martha Hyer

(03)
A PRINCESA E O PLEBEU
(Roman Holiday, 1953)
de William Wyler
com Gregory Peck e Eddie Albert
Oscar de Melhor Atriz
BAFTA de Melhor Atriz
Globo de Ouro de Melhor Atriz/Drama
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

(04)
CINDERELA EM PARIS
(Funny Face, 1957)
de Stanley Donen
com Fred Astaire

(05)
MINHA BELA DAMA
(My Fair Lady, 1964)
de George Cukor
com Rex Harrison
David di Donatello de Melhor Atriz Estrangeira

(06)
INFÂMIA
(The Children’s Hour, 1961)
de William Wyler
com Shirley MacLaine, James Garner e Miriam Hopkins

(07)
AMOR NA TARDE
(Love in the Afternoon, 1957)
de Billy Wilder
com Gary Cooper e Maurice Chevalier

(08)
O PASSADO NÃO PERDOA
(The Unforgiven, 1960)
de John Huston
com Burt Lancaster, Charles Bickford e Lillian Gish

(09)
UM CAMINHO PARA DOIS
(Two for the Road, 1967)
de Stanley Donen
com Albert Finney

(10)
UMA CRUZ À BEIRA DO ABISMO
(The Nun’s Story, 1959)
de Fred Zinnemann
com Peter Finch
BAFTA de Melhor Atriz
David di Donatello de Melhor Atriz Estrangeira
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York
Melhor Atriz no Festival de Cinema de San Sebastian