março 25, 2012

** INGRID BERGMAN E HITCHCOCK: MUSA E MESTRE

ingrid bergman
Dona de uma beleza casta e saudável, INGRID BERGMAN era adorada por público e críticos. Convidada pelo produtor David O. Selznick, deixou a Suécia no final dos anos 30 diretamente para o superestrelato internacional. Recebeu duas vezes o Oscar de Melhor Atriz (“À Meia-Luz / Gaslight”, de 1945, e “Anastácia, a Princesa Esquecida / Anastasia”, de 1956) e um terceiro como Melhor Atriz Coadjuvante (“Assassinato no Expresso Oriente / Murder on the Orient Express”, de 1974), sendo ainda indicada outras quatro vezes (“Por Quem os Sinos Dobram / For Whom the Bell Tolls” (1943), “Os Sinos de Santa Maria / The Bells of St. Mary’s” (1945), “Joana D’Arc / Joan of Arc” (1948) e “Sonata de Outono / Hostsonaten”, de 1979). Seu nome está imortalizado em inúmeros clássicos, inclusive como musa favorita do mestre do suspense Alfred Hitchcock.

Dra. Constance Petersen em
QUANDO FALA O CORAÇÃO 
(Spellbound, 1945)
Com Gregory Peck e Rhonda Fleming

Concorreu ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção. Utilizando uma sedutora fotografia expressionista em contrastes de claro e escuro, é um dos primeiros filmes feitos em Hollywood cuja trama usa a psicanálise freudiana. Um amnésico, ao descobrir que não é quem pensa ser, convoca uma psiquiatra fria e mal-amada para ajudá-lo a descobrir sua verdadeira identidade, assim como o destino do indivíduo que ele aparentemente está personificando. Enorme sucesso de bilheteria (inclusive no Brasil, onde foi várias vezes reprisado), notável por suas atuações, cenografia e trilha sonora de Miklos Rozsa (ganhadora do Oscar). O pintor surrealista espanhol Salvador Dali concebeu as famosas sequências de sonho vislumbradas por Peck em estado de hipnose. Mas há outras sequências famosas: o primeiro beijo do casal, quando várias portas vão se abrindo, simbolizando a libertação da heroína, e a cena com o revólver que atira diretamente para a câmera. Ingrid foi a Melhor Atriz dos Críticos de Nova York. Repare em Rhonda Fleming em um dos seus primeiros papéis. Ela foi uma das mulheres mais bonitas do cinema e ainda hoje está viva, aos 89 anos de idade. Hitchcock mais tarde se referia ao longa como “apenas outro filme de perseguição disfarçada em pseudo-psicanálise”.


Ingrid e Peck
Alicia Huberman em
INTERLÚDIO 
(Notorious, 1946)
Com Cary Grant, Claude Rains e Louis Calhern

Último filme de Ingrid como contratada de Selznick, mas originalmente o produtor pretendia que Vivien Leigh interpretasse a sua personagem. Perto do fim da Segunda Guerra Mundial, espião recruta garota sem perspectivas para se infiltrar em um grupo de nazistas exilados no Brasil. Num Rio de Janeiro de estúdio, somos agraciados com vários personagens (como os de Cary e Claude Rains) falando em português e fazendo menção a locais brasileiros, como a cidade de Petrópolis. Além disso, temos um ator brasileiro em cena, Ricardo Costa, que interpreta o Dr. Barbosa. História cheia de classe e romance, fotografado de forma magnífica por Ted Tetzlaff em um preto-e-branco resplandecente e com seus astros mais belos (e inspirados) do que nunca. É impossível não ficar deslumbrado com a beleza e o talento de Ingrid e Cary. Os dois tem uma química impressionante, e fisgam a atenção da plateia de cara. Formando um dos melhores casais hitchockianos, fazem frente a James Stewart e Grace Kelly em “Janela Indiscreta / Rear Window” (1954) ou Cary e Grace em “Ladrão de Casaca / To Catch a Thief” (1955). Ambos convencem tanto como espiões quanto como amantes. Hitchcock demonstra controle total da narrativa num nível mais sofisticado do que em seus filmes anteriores, dando uma aula de cinema. É um dos melhores exemplos para provar que Hitch era de verdade o mestre do suspense, fazendo uso de suas capacidades de hipnotizador com aptidão e habilidade. Nas cenas em que contracenava com Ingrid, o excelente Claude Rains (que concorreu ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) estava sobre um caixote, para dar a impressão que era mais alto que a atriz. Foi refilmado para a tevê norte-americana em 1992.


cary e ingrid
Lady Henrietta Flusky em
SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO 
(Under Capricorn, 1949)
Com Joseph Cotten, Michael Wilding 
e Margaret Leighton

Sem um pingo de suspense, talvez seja o pior filme da atriz e do diretor, mas tem suas qualidades – como a cuidadosa construção da narrativa -, que são o suficiente para torná-lo agradável de assistir. Fracasso de bilheteria (o público sempre esperava de Hitch uma narrativa tensa e instigante), esse melodrama de época conta a história de aristocrata frágil que vai definhando quando se muda da Irlanda para a Austrália do século XIX, a fim de ficar perto do seu marido, um ex-presidiário acusado de ter assassinado o irmão dela. A chegada de um primo provoca desconfianças e revelações inesperadas. O forte da produção é a evolução do argumento e a interação entre os três personagens principais, que fogem do senso comum e deixam a trama imprevisível. Hitch revelou que fez esse filme apenas para contar com a presença de sua adorada amiga Ingrid Bergman, que era, naquela época, a maior estrela de Hollywood. Ele não gostava do história, mas achava que seria um bom veículo para a atriz, que está menos deslumbrante aqui do que nos outros filmes que fez com o mestre. Mas o seu talento continua impecável, destacando-se em muitos momentos, principalmente num monólogo de oito minutos no último terço do filme. As filmagens foram um pesadelo para a estrela, que sofreu vários colapsos nervosos. Desconsolado com o fracasso comercial e crítico, o diretor caiu numa tremenda depressão, engordou ainda mais e se viu obrigado a fechar a sua produtora Transatlantic Pictures. O título nacional é péssimo, afinal o “Capricorn” original se refere ao trópico e nunca ao signo astrológico.


cotten e ingrid
alfred hitchcock

hitch e ingrid em "sob o signo de capricórnio"
reencontro nos anos 60

março 22, 2012

*************** THE HOLLYWOOD LESBIANS

tallulah bankhead
A vida privada das estrelas de cinema sempre alimentou especulação e fofocas. Nas décadas de 1930-40-50, algumas atrizes fizeram parte do chamado “círculo da costura”, uma gíria gay supostamente inventada pela diva Alla Nazimova, descrevendo encontros discretos lésbicos, salvaguardando o segredo sexual (maridos ausentes ou gays cooperavam para a freqüência dessas reuniões). Impedidas de revelarem sua sexualidade, essas mulheres famosas - com diferentes graus de sigilo - se relacionavam amorosamente ou sexualmente entre elas. 

Com a aplicação do conservador Código Hays, na década de 1930, a repressão aumentou e o cast hollywoodiano teve sua intimidade ainda mais controlada. A situação levou lésbicas a recuarem cada vez mais para dentro do armário, namorando ou se casando com homens, a fim de parecerem heterossexuais. O chamado “casamento perfumado, termo cunhado na Hollywood clássica para descrever núpcias entre astros gays e estrelas lésbicas. Viviam uma existência pública de casal, enquanto, na intimidade, habitavam quartos separados e dormiam com amantes do mesmo sexo. 

marlene dietrich
A abertamente bissexual Marlene Dietrich e a insaciável sedutora Tallulah Bankhead pareciam não se preocupar com os rumores em torno da sua sexualidade, inclusive procurando incentivá-los. A imagem pública de La Dietrich e a de alguns dos seus filmes incluem fortes conotações lésbicas. Seus casos amorosos são parte do folclore da meca do cinema. Andrógina, tinha predileção por roupas masculinas (ternos, cartolas, etc), representando uma ambiguidade sexual audaciosa, atraente e lendária.  


janet gaynor e margaret lindsay
Celebridades femininas bissexuais em geral são mais aceitas do que as exclusivamente lésbicas, especialmente aquelas que não aparecem com companheiras em público. Quando a ex-estrela infantil Drew Barrymore ou Angelina Jolie (durante dez anos namorou a modelo Jenny Shimizu) falaram abertamente sobre sua bissexualidade, não afetou em nada a carreira de ambas. Já o conhecimento do exclusivo lesbianismo é mais complexo, embora o público atual seja mais aberto. Mas a revelação pode significar nunca mais ser convidada para papéis românticos heterossexuais ou principais. 


Ao longo dos anos, os buxixos de lesbianismo ou bissexualidade persistem em torno de várias atrizes - como Lillian Gish, Marie Dressler, Louise Brooks, Jean Arthur, Constance Bennett, Joan Crawford (segundo Marilyn Monroe, ela tentou seduzi-la a todo custo), Barbara Stanwyck, Katharine Hepburn, Annabella (casou-se com o galã gay Tyrone Power), Hattie McDaniel, Arletty, Elsa Lanchester, Judy Holliday, Capucine, Sandy Dennis, Catherine Deneuve, Debra Winger, Helen Hunt, Queen Latifah, Clea DuVall e as brasileiras Norma Bengell, Florinda Bolkan e Carla Camuratti, entre dezenas de outras. Elas nunca confirmaram o falatório.

marlene dietrich e claudette colbert
Quando a comediante Lily Tomlin e a estrela Jodie Foster, depois de anos de silêncio, declararam-se lésbicas, não surpreenderam ninguém. Jodie vive um relacionamento de 15 anos com a produtora Cydney Bernard. Mas o divórcio de Brigitte Nielsen, senhora Sylvester Stallone, após o flagra na cama com sua secretária, em 1987, gerou um escândalo mundial que alimentou a mídia sensacionalista. As mentes tacanhas não conseguiam entender como aquele mulherão preferia seu mesmo sexo. A verdade sobre a orientação sexual de figuras públicas nem sempre tem a ver com lascívia ou invasão de privacidade, mas também com o desejo de contribuição honesta e positiva em relação a gays e lésbicas de todo o mundo que, infelizmente, enfrentam problemas de aceitação social ou mesmo de ordem emocional. 

Entre dezenas de casos, listo uma cineasta e doze atrizes lésbicas. As informações vieram principalmente dos livros “The Lavender Screen: Gay and Lesbian Films — Their Stars, Makers, Characters and Critics” (1993) e “Hollywood Lesbians” (1996), de Boze Hadleigh; e “The Girls: Sappho Goes to Hollywood (2001), de Diana McLellen. Seus autores levantaram o véu da intimidade através de sólidos depoimentos de alcova, correspondência privada e arquivos do FBI.

AGNES MOOREHEAD
(1900 - 1974)

Estilo esnobe e traços marcantes. Coadjuvante de luxo, ao longo da carreira apareceu em mais de 60 filmes, incluindo a estréia em “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941), de Orson Wellles. Recebeu várias indicações ao prêmio da Academia, mas provavelmente é mais lembrada pela Endora, mãe de bruxa Samantha no seriado de televisão “A Feiticeira”, dos anos 1960. Teve um longo romance com a estrela de "Cantando na Chuva / Singin' in the Rain" (1951), Debbie Reynolds.

ALLA NAZIMOVA
(1879 - 1945)

Sua homossexualidade era conhecida na comunidade cinematográfica, apesar do envolvimento duradouro com o ator gay Charles Bryant. No final da década de 1910, tornou-se uma das estrelas mais populares de Hollywood. Depois do fim do contrato com a Metro, fundou sua própria produtora, lançando a famosa (mas financeiramente desastrosa) versão gay de “Salomé / Salome” (1923), de Oscar Wilde. Teve romances com a milionária Mercedes de Acosta, a atriz de teatro Eva Le Gallienne e a cineasta Dorothy Arzner.

Leia mais sobre Nazimova:

CLAUDETTE COLBERT
(1903 - 1996)

Estrelou várias peças da Broadway e se iniciou no cinema com Frank Capra em 1927. Uma das atrizes mais bem pagas da década de 1930, atuou em épicos, comédias e dramas. Recebeu o Oscar de Melhor Atriz por seu papel de herdeira excêntrica em “Aconteceu Naquela Noite / It Happened One Night” (1934). Exigente com os câmaras e os iluminadores, ela sempre insistia para que seu rosto fosse fotografado do lado esquerdo. Conhecida na intimidade como "Tio Claude", um dos seus casos mais divulgados aconteceu com a musa germânica Marlene Dietrich.

DOROTHY ARZNER
(1897 - 1979)

Por algum tempo a única diretora dos grandes estúdios de Hollywood. Realizou 17 longas, sendo o último o anti-nazista “Crepúsculo Sangrento / First Comes Courage” (1943), com Merle Oberon. Durante muitos anos viveu com a premiada figurinista Edith Head.

GRETA GARBO
(1905 - 1990)

Reinou na Metro-Goldwyn-Mayer nos anos 1930 com uma série de clássicos. Ícone do cinema, devia seu sucesso ao diretor de fotografia William H. Daniels, cuja iluminação transformou seus traços angulosos, quase masculinos, na personificação da beleza. Nunca se casou, referindo-se aos seus assuntos com mulheres como “segredos excitantes”. Discreta, ainda assim sabe-se de seus casos com Mercedes de Acosta e Eva Le Gallienne. Em suas memórias, a estrela do cinema mudo Louise Brooks assumiu que namorou Garbo.

Leia mais sobre Garbo:

JANET GAYNOR
(1906 - 1984)

A queridinha dos filmes mudos no final dos anos 1920. Primeira ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, reservada, nem ao menos frequentava os círculos da costura” da sua época. Seus colegas sabiam do seu romance com a atriz da Warner, Margaret Lindsay, e depois com Mary Martin. Para abafar o caso, casou-se com o figurinista Adrian (da M-G-M) e Mary com um decorador de interiores. Durante muitos anos o quarteto morou no Brasil, numa fazenda no interior de Goiás.

JUDITH ANDERSON
(1897 - 1972)

Reconhecida como excelente atriz shakespeariana, marcou a história do cinema como a sinistra governanta da mansão Manderley em “Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca” (1940), que revela intenções lésbicas. Especializada em papéis densos, o seu romance mais conhecido foi com a famosa atriz teatral Beatrice Lillie.

KAY FRANCIS
(1905 - 1968)

Consolidou-se como uma das mais glamurosas estrelas, com um corpo perfeito e sempre portando modelos da alta costura. Trabalhou com os melhores diretores e fez dezenas de filmes durante os anos 1930, até que sua popularidade declinou nos anos 1940.

LIZABETH SCOTT
(1922 - 2015)

Loura e belíssima, voz rouca e sensual, trabalhou primeiro como modelo, estreando no cinema em 1945.  Vendida como nova Lauren Bacall, não se tornou estrela devido aos sucessivos fracassos de bilheteria dos seus filmes. Nos anos 1950, a revista “Confidential” revelou aos leitores seu lesbianismo, contando sobre seu romance com a diva de teatro Tallulah Bankhead e sobre sua persona como inspiração do personagem de Anne Baxter em “A Malvada / All About Eve” (1950). Com o passar do tempo, transformou-se em uma atriz cult de cinéfilos.

MARJORIE MAIN
(1890 - 1975)

Coadjuvante de luxo da M-G-M, talvez seu papel mais popular seja o de Ma Kettle, interpretado em dez filmes. Famosa por seus personagens de mãe durona ou esposa autoritária, teve um longo affair com Spring Byington, ótima coadjuvante que encarnava mães doces, frágeis e carinhosas.

ONA MUNSON
(1903 - 1955)

Lembrada pela prostituta Belle Watling de “... E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939), sua estréia no cinema ocorreu em 1928. Também trabalhou na Broadway. Casada três vezes, vivia em conflito com sua sexualidade. Cometeu suicídio aos 51 anos de idade, tomando uma overdose de barbitúricos. Deixou uma nota: "Este é a única maneira que eu conheço de ser livre novamente... Por favor, não me sigam."

TALLULAH BANKHEAD
(1902 - 1968)

Alcançou enorme sucesso na Broadway. Trabalhou também no cinema e televisão. Teve inúmeras parceiras amorosas: Nazimova, Marlene Dietrich, Greta Garbo, Dorothy Arzner e Lizabeth Scott, além das atrizes de teatro Patsy Kelly, Katharine Cornell, Laurette Taylor, Sybil Thorndyke e Beatrice Lillie. Ela afirmou ter levado Barbara Stanwyck para a cama. Seu último trabalho foi no seriado “Batman”, interpretando a vilã Viúva Negra. Morreu em 1968, de pneumonia.

THELMA RITTER
(1902 - 1969)

Indicada seis vezes ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, não recebeu em nenhuma das ocasiões. Atriz de teatro e rádio, estava com 42 anos quando estreou no cinema. Sua especialidade, personagens de língua ferina ou desiludidas. Faleceu de ataque cardíaco em 1968, logo após uma aparição no programa de televisão de Jerry Lewis. 

março 15, 2012

QUAIS as MELHORES CENAS SEXUAIS do CINEMA?

marlon brando e kim hunter em "uma rua chamada pecado"

Um dos primeiros registros sensuais do cinema, “O Beijo / The Kiss”, produção de 1896, gerou um grande escândalo ao exibir – durante 15 segundos – May Irwin e John C. Rice se beijando ingenuamente. Pouco anos depois surgiriam as voluptuosas vamps: Theda Bara, Pola Negri, Nazimova, Gloria Swanson, Barbara LaMarr, Clara Bow etc. Arrebatando corações e destruindo lares, elas provocaram a invenção do retrógado Código Hays de censura. Ainda assim, era praticamente impossível mascarar o erotismo latente de estrelas como Marlene Dietrich, Mae West, Jean Harlow, Betty Grable, Ava Gardner, Rita Hayworth ou Marilyn Monroe. 

Na Europa nada conservadora, o ardor de Brigitte Bardot, Jeanne Moreau, Sophia Loren e Gina Lollobrigida fazia a festa dos marmanjos. Já na dissimulada Hollywood imperava o sugestivo, a insinuação, e longas picantes como “Duelo ao Sol / Duel in the Sun” (1946) chocavam o público. Entretanto, os cineastas encontraram inúmeras maneiras de contornar a censura e sutilmente introduziam cenas e personagens de impacto orgástico, enfatizando o SEXO NO CINEMA. Ernst Lubtisch, Alfred Hitchcock e Billy Wilder, por exemplo, eram mestres na arte da alusão libidinosa. 

Pensando no cinema abusando do fetiche lascivo, selecionei dezoito cenas excitantes das telas. O que acha? Faltaram algumas de sua predileção? Ajude-me a fazer a “Parte II” da nossa listinha caliente.

(01)
NATALIE WOOD e WARREN BEATTY
em CLAMOR DO SEXO
(Splendor in the Grass, 1961)
de Elia Kazan

Numa época em que as mulheres devem optar entre a virgindade e a leviandade, Bud (Beatty) e Deanie (Wood) se torturam acossados por uma paixão sexualmente reprimida. Saltam faíscas quando eles se beijam dentro de um carro estacionado próximo a uma cachoeira.

(02)
SUE LYON e JAMES MASON
em LOLITA
(Idem, 1962)
de Stanley Kubrick

Quarentão acadêmico perde a cabeça por sedutora menor de idade. Preste atenção no momento em que ele pinta as unhas dos pés da ninfeta. Um desejo absurdo e obsessivo.

(03)
ELIZABETH TAYLOR e PAUL NEWMAN
em GATA EM TETO DE ZINCO QUENTE
(Cat on a Hot Tin Roof, 1958)
de Richard Brooks

Mesmo casado com uma mulher atraente, o personagem de Newman continua fisgado pela atração homossexual reprimida por um amigo falecido. A cena mais escaldante é aquela em que Liz envolve seus braços em volta de Newman pedindo atenção sexual e ele se afasta de suas garras. Inacreditável.

(04)
JENNIFER JONES e GREGORY PECK
em DUELO AO SOL
(Duel in the Sun, 1946)
de King Vidor

Uma mestiça vai morar em uma fazenda e acaba dividida entre o amor de dois irmãos, um cavalheiro e um desordeiro. No entanto, como um imã, ela não consegue tirar o cafajeste da cabeça. As cenas amorosas entre Jones e Peck são incendiárias.

(05)
VIVIEN LEIGH, KIM HUNTER e MARLON BRANDO
em UMA RUA CHAMADA PECADO
(A Streetcar Named Desire, 1951)
de Elia Kazan

O magnetismo animal de Brando em contraste com a fragilidade etérea de Viv eletriza a platéia, aflorando a sexualidade mundana.  O triângulo se completa com Kim passando as mãos nas costas musculosas do marido e perguntando: “Está muito quente aqui ou sou eu que estou me sentindo assim?”.

(06)
DEBORAH KERR e BURT LANCASTER
em A UM PASSO DA ETERNIDADE
(From Here to Eternity, 1953)
de Fred Zinnemann

Numa base militar, às véspera do ataque japonês a Pearl Harbour, esposa de major se deixa seduzir por sargento bonitão. Tornou-se icônica a tórrida cena em que eles rolam e se beijam numa praia. Tudo começa quando a personagem de Débora, à procura de seu marido, ouve de Burt, de uma forma muito sedutora: "Existe algo que eu possa fazer por você?".

(07)
ANITA EKBERG e MARCELLO MASTROIANNI
em A DOCE VIDA
(La Dolce Vita, 1960)
de Federico Fellini

Jornalista barato se vê babando por estrela de cinema de passagem por Roma. A cantada dele na Fontana di Trevi é antológica: “Você é a primeira mulher no primeiro dia da criação”.

(08)
JESSICA LANGE e JACK NICHOLSON
em O DESTINO BATE À SUA PORTA
(The Postman Always Rings Twice, 1981)
de Bob Rafelson

Uma esposa insatisfeita se entrega a um vagabundo apaixonado. Fique de olho na cena em que o casal adúltero faz sexo numa mesa de cozinha.

(09)
MARIA SCHNEIDER e MARLON BRANDO
em O ÚLTIMO TANGO EM PARIS
(Ultimo Tango a Parigi, 1972)
de Bernardo Bertolucci

Um caso sexual sem perguntas dá lugar a cenas espantosas, escatológicas, notáveis. Nunca mais o cinema foi o mesmo depois desse clássico. A famosa "cena da manteiga", quando Brando unta a bunda de Maria, foi censurada no Brasil na época do lançamento, tornando-se quase mítica.

(10)
MARILYN MONROE e TOM EWELL
em O PECADO MORA AO LADO
(The Seven Year Itch, 1955)
de Billy Wilder
      

Marilyn está mais sexy do que nunca como uma gostosona em pleno verão escaldante nova-iorquino. O vizinho casado se rende completamente ao seu fascínio louro e exuberante. Impossível escolher apenas uma cena erótica, todas estão impagáveis, inclusive a mais famosa de todas: quando o vestido da estrela é levantado, revelando suas coxas formosas.

(11)
ANTONIO BANDERAS e EUSEBIO PONCELA
em A LEI DO DESEJO
(La Ley Del Deseo, 1987)
de Pedro Almodóvar

O galã Banderas impressiona como um jovem de classe média alta que tem dificuldades em assumir sua homossexualidade e sempre está em torno de um diretor de teatro. A cena em que ele finalmente leva o cara para a cama é antológica, tornou-se cult.

(12)
GRACE KELLY e CARY GRANT
em LADRÃO DE CASACA
(To Catch a Thief, 1955)
de Alfred Hitchcock

A química entre Grace Kelly e Cary Grant gera eletricidade na tela. Reveja a cena em que eles, num quarto de hotel, beijam-se apaixonados enquanto fogos de artifício explodem do lado de fora, sugerindo que muita coisa ainda está por acontecer.

(13)
CARROLL BAKER e ELI WALLACH
em BONECA DE CARNE
(Baby Doll, 1956)
de Elia Kazan

A sedutora Carroll Baker vive uma mulher infantil, casada e tentada por outro homem (o grande Wallach). A cena do balanço é muito sensual: ele ataca e ela finge não estar interessada.

(14)
SILVANA MANGANO
em ARROZ AMARGO
(Riso Amaro, 1949)
de Giuseppe de Santis

A deslumbrante Silvana é uma bóia-fria contratada para trabalhar numa colheita de arroz em condições precárias. Ela se envolve com um vigarista (Vittorio Gassman) que já tem uma amante. As pernas da futura estrela causaram frisson em todo o mundo.

(15)
KIM NOVAK e WILLIAM HOLDEN
em FÉRIAS DE AMOR
(Picnic, 1955)
de Joshua Logan

Um viajante errante, que chega a uma pequena cidade para tentar conseguir emprego com um rico colega de faculdade, apaixona-se pela linda namorada do amigo. O encontro é de um impacto sexual explosivo. Se ligue na cena da dança.

(16)
LAURENCE OLIVIER e TONY CURTIS
em SPARTACUS
(idem, 1960)
de Stanley Kubrick

Destaque para a relação ambígua entre o escravo rebelde Antoninus (Curtis) e seu patrão romano (Olivier). A audaciosa cena nos banhos tinha sido cortada no lançamento por conta das evidentes referências homossexuais.

(17)
SOPHIA LOREN e LUIGI GIULIANI
em BOCCACCIO 70 (episódio “A Rifa”)
(Idem, 1962)
de Vittorio De Sica

Belíssima, provocadora (o seu decote é de cortar a respiração!), divertida e sempre muito sensual, Sophia Loren faz uma deliciosa mulher que causa todo o tipo de problemas a si própria quando decide ser ela mesmo o prêmio de uma rifa num parque de diversões. O coitado do Giuliani fica sem saber o que fazer.

(18)
MIRIAM HOPKINS, GARY COOPER e FREDRIC MARCH
em SÓCIOS NO AMOR
(Design for Living, 1933)
de Ernst Lubitsch

Uma garota indecisa entre dois homens resolve se relacionar com ambos. Eles não ficam satisfeitos com a avançada decisão dela, mas também não querem perdê-la. O clímax se passa em um carro. Sentada entre os dois, Hopkins beija um e outro. Um “Jules e Jim” made in Hollywood.